Brasmenia Conquests

3 Capítulo 3 - O que está acontecendo?


Notas iniciais
HELLO GUYS. Nesse cap não vai ter Brasmênia, mas prometo que no próximo será só in game. Boa leitura.

Era uma segunda feira, 7º dia desde a abertura do servidor. A empresa dona do jogo decidiu finalmente lançar seu primeiro evento. A empresa DRELLE GAMING fez uma postagem em um canal de divulgação informando que nesta quarta-feira o servidor seria invadido por monstros do submundo (um tipo diferente de mobs) e quem os derrotasse poderiam dropar muito ouro e alguns doces (que juntando 100 conseguiria trocar por uma armadura). Achei ótimo é claro, até porque, inicio de servidor você obrigatoriamente precisa de dinheiro pra ficar entre os tops. O legal de BC é que não existia o sistema de cash (dinheiro da vida real), até existia, mas era para coisas pequenas como por exemplo, mudar de nick ou restaurar um item que tenha quebrado de alguma maneira. Então os mauricinhos que eram fortes em outros MMO por gastarem toda sua mesada investindo no personagem, em Brasmenia, se não tivesse habilidade e conhecimento, não tinha futuro.

Minha barriga roncou.

—- Que saco. – Resmunguei para mim mesma levando ambas as mãos até a barriga como se pedisse mentalmente para ela parar de berrar.

O pior disso tudo é que não tinha nada em minha geladeira. Morava sozinha e até então com meus 24 anos não aprendi a cozinhar. 3 anos haviam se passado desde o falecimento de minha mãe, mas o vazio e ao mesmo tempo em que sentia a presença dela ainda ali me angustiavam de tal maneira que não conseguia seguir em frente. Por 3 anos minha vida estacou, quase tranquei a faculdade, peguei algumas DP’s mas ultimamente venho me reerguendo, mesmo que devagar.

Era sozinha no mundo.

Meu pai ainda era vivo, mas não convivia com ele. O único ser humano que mantinha contato pessoalmente (mesmo que pouco) era meu assessor, Kennedy. Assessor esse que numa tentativa desesperada para que eu finalmente saísse da minha bolha, divulgou para a imprensa sobre minha volta para o mundo virtual.

Cretino.

E por isso não coloquei meu nick costumeiro “LEON”. Foi difícil para mim conseguir voltar para o mundo dos jogos, não que eu tenha parado de gostar, eu só não conseguia fazer nada, pois tudo me lembrava mamãe, era automático, eu entrava no jogo e via seus personagens, as lagrimas rolavam. Certamente se eu tivesse parentes, algum deles teria tentado me internar. Eu sabia que estava entrando em depressão, e sabia que ninguém se importaria com aquilo.

“Prometa que se tornará uma mulher honrada, prometa que terminará sua faculdade, prometa que ganhará o mundial de BC” a voz de sua mãe ecoava em sua cabeça. Era difícil demais lembrar-se todos os dias de seu sorriso, de sua voz, de seu toque e saber que NUNCA MAIS iria ter aquilo de novo.

Além de ser sua mãe, Vivian era sua melhor amiga e companheira. Fora ela que lhe ensinou a jogar todos os tipo de rpg. Era viciada, tinha um fascínio por jogos, dizia que tinha puxado o também falecido vovô. Eu queria muito ter conhecido meus familiares por parte de mãe, mas ela nunca me contou sobre eles. Somente do Sr. Tanaka, seu pai. O quanto ele era atencioso e amável, era visível o quanto ela amava o vovô, infelizmente ele morreu acidentalmente numa viagem de negócios, enquanto atravessava uma avenida. Mamãe nunca me contou sobre a vovó, só disse “eu sai de casa jovem pois não aceitava as regras absurdas de dona Marta e isso não fez diferença nenhuma para ela”. Era notável o ressentimento antigo que alimentava. Nunca quis insistir no assunto, odiava ver minha mãe triste então nunca a questionei mais do que ela estava disposta a falar. Minha barriga doeu de novo.

Não tinha jeito, teria que sair de casa.

Eram 19:00, eu não tinha entrado no jogo hoje e nem pretendia. Estava me sentindo muito deprimida e não interagir com ninguém me acalmava, Vênus parecia querer saber mais de minha vida a cada vez que conversávamos.

E só de lembrar do avatar me senti feliz.

Mesmo que não quisesse falar com ele por agora, era muito bom saber que tinha alguém que queria saber de você. Depois daquele clima esquisito que aconteceu na taverna, ele se manteve mais sério digamos assim. Ele conversava muito, mas era algo como se quisesse me confortar, mas as vezes me sufocava, sei lá, talvez seja eu mesma e minha paranoia de que nunca conseguirei criar algum laço com alguém.

Meu primeiro instinto é sempre afastar as pessoas.

Eu não sei porque faço isso, mas acontece. Auto defesa? Receio? Medo? Insegurança? Não sei dizer, talvez tudo isso ou talvez eu só tenha desaprendido a conviver em sociedade.

Bom, isso não importa agora. O que importa é que eu estou morrendo de fome e não tem nada para comer. Levantei do sofá, calçando meus tênis e pegando uma blusa no cabide saí de meu apartamento indo comprar alguma coisa para matar minha fome.

Estava frio aquela noite e me arrependi de ter saído na primeira rajada de vento que me atingiu. Me encolhi colocando ambas as mãos ao bolso do casaco. Andava tranquilamente pensando no que compraria, algo que rendesse e que não precisasse sair novamente por alguns dias.

Bom, a intenção era essa mas, assim que avistou que a Cheirinho de Pão estava aberta e aquele cheiro de café colonial foi sentido, mudei de ideia rapidinho e me dirigi até a entrada do estabelecimento para comer ali mesmo. Peguei a comanda e fui me sentar ao fundo do espaço, na única mesa para 2 disponível, encostada na enorme janela na lateral do local.

Não estava lotado, mas tinha bastante gente.

Algumas pessoas solitárias como eu, outras acompanhadas dos amigos, namorados e/ou cônjuge. Deixei alguns de meus pertences ali sobre a mesa e fui me servir no buffet.

Comecei pelos doces, claro.

Pudim de leite sempre foi meu preferido, peguei um generoso pedaço e um pouquinho de mousse de chocolate, uma caneca de chocolate quente e voltei a me sentar.

Rolava o feed das redes sociais sempre de olho nas notícias dos jogos dentre outras novidades e lançamentos, como gamer, era minha obrigação estar antenada a essas novidades e mudanças. Lia um artigo sobre o lançamento de um novo MMO com estreia prevista para ano que vem e já o favoritei, pedira que Kennedy fosse atrás da empresa para poder ser parte da equipe de teste beta. Se existia algo que adorava além de jogar obviamente, era com certeza testar novas plataformas.

—- Com licença, posso pegar essa cadeira? – Falou um rapaz alto, sorriso gentil e um olhar curioso.

—- Claro. – Sorri por educação e voltei a atenção para a tela do celular.

—- Curte jogos? Desculpe é que vi de relance seu celular... – Ele falou meio apressado me encarando esperando alguma reação de minha parte. Eu o encarei de volta erguendo uma sobrancelha como se desconfiasse de suas intenções. – Sabe, estudamos na mesma faculdade... Acho que nunca me notou, mas prazer, me chamo Cristian. – Ele estendeu sua mão num cumprimento costumeiro. Demorei um pouco para lhe estender a mão de volta, por fim, assim que o fiz ele sorriu largamente. Eu realmente nunca notei ele na faculdade, mas isso era normal eu realmente não enxergava ninguém.

—- Hãn... É, eu gosto de alguns jogos. Me chamo Leonor, prazer. – Minha voz saiu meio baixa e o continuei olhando enquanto apartávamos as mãos.

—- CRIS, TA FAZENDO A CADEIRA CARA? – Falou uma voz masculina atrás dele, logo pôde-se ouvir também algumas risadas. A cara do garoto ficou rosada e ele deu um riso desconfortável. Apontou para a cadeira como se pedisse novamente a permissão e acenei que sim. Então ele falou um “até mais” e foi de encontro com sua turma.

Bom, estava na hora do segundo round. Levantei para me servir mais uma vez, só que agora dos salgados.

—- x --

Fazia tempo que não se esbaldava na comilança. Podia até sentir minha barriga estufada. Olhei para cima, notando alguns clarões que surgiam. Caminhava tranquilamente pelas ruas bem iluminadas do bairro de onde residia, não queria voltar pra casa. Era engraçado porque antes de sair eu não queria pisar pra fora, e agora, tomando a brisa na face, tinha plena certeza que de não queria estar em casa. Então meus pés me guiaram como se já tivesse um destino pronto. Foram alguns minutos de caminhada quando cheguei à uma mini ponte que se estendia sobre um pequeno riacho.

Era um de meus lugares favoritos.

Por muitas tardes eu e minha mãe ficávamos sentadas na lateral da estrutura, olhando a correnteza, conversando, as vezes só pensando mesmo... Que saudade! Ouviu-se um trovão e automaticamente olhei para o céu, estava escuro, não dava pra ver as nuvens mas certamente iria chover muito. Subi na estrutura, pulando para ficar em pé pelo lado de fora da ponte. Estava bem na pontinha, olhava para baixo enquanto fazia uma retrospectiva do que vinha sendo minha vida até hoje.

Nenhum pensamento feliz surgiu.

Era um sentimento puro de solidão que a assombrava. Minha mente era somente um vazio. Uma grande escuridão. Fechei os olhos insistindo nas memórias e forçando ter alguma lembrança feliz...

Nada!

O vento fazia um ruído alto e meu corpo já começava a reclamar do frio. Suspirei e uma lágrima escorreu pelo meu rosto enquanto focava a visão para a correnteza abaixo.

—- PELO AMOR DE DEUS, NÃO FAÇA ISSO – Levei um puta susto olhando para trás e me desequilibrando enquanto o fazia. Meu pé escorregou e vi meu corpo inclinando para frente, foi por pouco. Senti braços enlaçando-me num abraço por trás, me segurando firmemente enquanto me puxava de volta para a lateral da ponte.

—- Santo Deus, você está bem? Venha, saia daí dessa pontinha. – A voz em questão pertencia a uma garota, com cabelos platinados e um olhar conhecido... Ela não se importou nem um pouco com a minha recusa em não querer sair dali, mesmo que tenha forçado-a para trás.

—- Você está doida? O que pretendia fazer? – Sua voz saia preocupada e meio desesperada, parecia ter corrido até ali. Eu a olhava completamente atônica, meu deus do céu de onde que surgiu essa pessoa? Ela ainda me segurava firmemente pelos braços, podia sentir o calor de seu corpo sobre o meu. Depois de me puxar de volta e novamente voltar para o outro lado da ponte, eu a encarei.

—- Eu não ia me matar se era oque estava pensando, puta merda você sim quase me matou de susto sua MALUCA. – Minha voz saiu completamente contrariada e meu semblante estava nitidamente irritado.

Ela pareceu recuar. Seus olhos caíram sobre os meus e foi como um baque. Aqueles olhos lilás... Era ela de novo, aquela garota da faculdade. Mas que porra. Senti minhas bochechas esquentarem, não só pela raiva, mas pela vergonha de reconhecer aquela pessoa.

—- Olha, eu sinto muito. Mas caramba, o que você imagina quando vê uma pessoa na beirada de uma ponte, de noite, sozinha e ainda por cima chorando? – Ela pareceu analisar a situação, ainda me observando enquanto eu a olhava prestando atenção detalhadamente nos seus traços... Cabelos pelos ombros, ondulados num platinado quase grisalho, algumas sardas sobre bochechas e nariz, lábios fartos e bem desenhados. Ela voltou a falar – Eu não poderia ter ficado parada. Me desculpe... – Ela desviou o rosto para o lado.

Ela era realmente familiar...

—- T-Tudo bem... Você já pode me soltar. – A garota finalmente se afastou de mim, meio que bruscamente como se tivesse se assustado com a proximidade. Ela estava realmente próxima e eu pude sentir seu hálito de chiclete bater sobre meu rosto. Ela parecia realmente envergonhada, suas bochechas mesmo que com a pouca iluminação deu pra notar que estavam vermelhas. Talvez o fato dela ser tão branca facilite essa observação.

—- D-Desculpa... Er.. Hn.. E-esta tudo bem mesmo?

—- Sim, não se preocupe. Você me parece familiar, nos conhecemos? – Joguei um verde né, vai que ela nem lembrava daquele esbarrão de dias atrás.

—- Hãn.. Não nos conhecemos “oficialmente”, mas de vista sim, nos trombamos pela faculdade esses tempos... – Ela voltou a me olhar, me analisando e eu me sentia extremamente tímida diante de seus olhos.

—- Ah.. Então foi isso – Sorri amarelo, pensando já numa maneira de me despedir e vazar dali o mais rápido possível.

—-Sabe... uh.. Quero dizer... V-você joga algum tipo de MM... – Não deu tempo de ela completar a frase. Juntamente com um estrondo seguido de um clarão (um raio) a chuva começou a cair, forte e intensa, em alguns segundos nós duas já estávamos encharcadas.

—- Mas que merda – Praguejei olhando para o céu e pedindo mentalmente a Deus para que não ficasse doente por conta disso. Eu realmente não sabia oque fazer, provavelmente me abrigaria debaixo de algum toldo até a chuva passar e depois seguiria para casa, não estava longe mas se arriscasse ir embora, com toda certeza pegaria um resfriado.

—- Vem! – A garota não esperou uma resposta, simplesmente agarrou minha mão e começou a correr me puxando junto até entrarmos no quintal de um sobrado, fomos para a garagem e ficamos debaixo do teto. Ela estava rindo enquanto eu começa a tremer de frio.

—- Caramba o que foi isso?? Puta merda achei que aquele raio ia cair na nossa cabeça. – Ela falava rindo enquanto abria alguns armários ali de dentro e que misteriosamente tinha algumas toalhas. Pegou uma para si e me estendeu a outra.

—- Toma, é melhor se secar pra não pegar uma gripe. – Ela sorriu gentil e eu agradeci pegando a toalha e secando meu rosto.

—- Ainda não nos apresentamos... Eu me chamo Holy. --- Ela falou despreocupada enquanto secava seus cabelos me encarando.

—- É verdade... – Eu sorri constatando que de fato não tínhamos nos apresentado. – Eu me chamo Leonor, obrigada por me acolher Holy. – Agradeci verdadeiramente, não era qualquer pessoa que se sensibilizava ao ponto de abrigar outra pessoa em plena uma tempestade (ou quase isso).

—- Capaz, não precisa agradecer. Vem, vamos subir. Pelo jeito essa chuva não vai acabar tão rápido, você pode esperar lá em cima com roupas secas até essa chuva diminuir ou cessar. – Ela falou e então se dirigiu até a porta da garagem que dava acesso ao interior da residência. Abriu e se virou pra mim novamente esperando que eu a acompanhasse. Eu não sabia o que fazer, estava ficando assustada de estar mantendo um diálogo por mais de 5 minutos. Ainda mais assustada de estar na casa de outra pessoa. SOCORRO.

—- E-r. . E-eu não sei se é necessário tudo isso.. – Teimei um pouco, não estava preparada para sair da minha bolha anti-social.

Ouvimos passos vindo do interior da casa e nos deparamos com uma jovem senhora que se reportava diretamente a Holy:

—- Senhorita S. mas o que aconteceu? – Ela falava com uma preocupação palpável, seu olhar demonstrava todo o afeto que possuía pela jovem e finalmente me notou questionando – Eu não sabia que teríamos visitas. Seria uma colega da faculdade? Devo pedir para arrumarem o salão de jogos?

—- Não será preciso Rosa, obrigada. Preciso somente que separe toalhas e uma muda de roupa para ela. Tomamos uma baita chuva e precisamos de um banho quente. Sabe me dizer que horas Marcus irá chegar? Assim que ele chegar avise-me, irei pedir que a leve para casa.

—- Claro, irei avisar. Vou deixar a roupa separada no quarto de hospedes juntamente com a toalha para que ela possa tomar um banho. – A senhora que parecia até muito gentil, fixou seu olhar em mim e esboçou um leve sorriso – Seja bem vinda, com licença. – Ela falou enquanto se afastava e eu por fim me deixei seguir por Holy para dentro da casa.

Mesmo relutante, tomei o banho e vesti aquela roupa que parecia ser própria para o meu tamanho, sendo a camisa só um pouco curta. Mas já era de se esperar, por conta de minha altura as blusinhas sempre ficam meio cropped. Ouvi batidas na porta e me virei enquanto terminava de secar os cabelos.

—- E-r.. O-oi. – Holy disse entrando no quarto me observando.

—- Oi... Obrigada pelo banho e roupas, você esta sendo muito atenciosa. Não sei como lhe agradecer por isso... – Fui sincera, mesmo que não soubesse lidar com pessoas, a educação sempre foi presente.

—- Imagina.. Não precisa ficar agradecendo. Então, a chuva nem sinal de que vai parar por agora, então vim te chamar pra ficar comigo na sala. E-r.. A gente pode sei lá, assistir alguma coisa até a tempestade acabar, ou não, sei lá, jogar algum jogo pra passar o tempo.

—- C-claro, tudo bem... Vamos lá. – Eu estava completamente constrangida, eu não sabia o que fazer, nunca tinha me metido nesse tipo de situação, meu caralho mesmo, o que eu faria? Eu nem conheço essa garota e tô aqui, na casa dela, com roupas que provavelmente sejam dela. SOCORRO.

Chegamos na sala. Rosa arrumava a mesa com um café bem farto, tinha pães, bolo, sonhos e aparentemente uma torta de frango. O cheiro estava bom, mesmo que tivesse acabado de comer, meu estômago era um saco sem fim!

—- Está com fome? – Holy questionou, virando seu corpo de frente ao meu.

—- Na verdade eu acabei de comer, estou bem obrigada.

—- Tá ok. Rosa não precisa encher de coisas, não vamos comer agora não. – A garota sorriu docemente para a mais velha que acenou positivamente começando a retirar algumas coisas.

Ela se sentou no sofá e eu imitei seu movimento.

—- Se sente melhor? – Ela questionou enquanto me observava.

—- Sim, novamente obrigada. – Fez-se uma pequena pausa, enquanto ela parecia me medir.

—- Então, Leonor.. Eu vi você poucas vezes na faculdade. É de qual curso?

—- Hãn.. É, eu estou quase terminando, falta só algumas DP’s e alguma eletivas... Faço Jogos Digitais. E você?

—- Caramba, que legal. Eu fiquei em duvida em cursar esse curso ou o meu mesmo, faço Design Gráfico.

—- Oh.. Parece ser interessante. Então quer dizer que gosta de games?

—- Sim, eu amo! Eu adoro o mundo virtual, não que eu leve tão a sério, mas, é meu hobbie. Eu jogo em várias plataformas on-line hoje em dia. Você joga algum jogo de MMO?

—- Sim, alguns... – Ela pareceu suspirar, pensando nas palavras. Seus olhos se fixaram nos meus.

—- Sabe, eu sei que vai parecer meio inesperado mas... Eu tenho um amigo num jogo... Sabe... seus olhos... Eles são muito parecidos... Por um momento eu jurei que seriam a mesma pessoa. É coincidência demais, não acha? – Ela riu sem ter graça e voltou a falar. – Já ouviu falar de Brasmenia Conquests?—Meu coração acelerou de repente.

—- Aham... Li algo a respeito de ter um novo servidor RV. Você joga?

—- Sim, faz pouco tempo. Aquele mundo é incrível... Seria legal se pudéssemos jogar juntas algum dia.

—- C-claro... Poderiamos... – Me levantei, sentindo-me completamente desconfortável. Nunca me deixei jogar com outras pessoas que conheciam pessoalmente, e agora, sabendo que Holy tinha um avatar no mundo de Brasmenia era apavorante. Quis ir embora. Porcaria de chuva. – Pelo visto eu estou realmente presa aqui. – Minha voz saiu quase num sussurro mas ainda se fez audível enquanto caminhei para a janela e espiando por ela aquela chuva infinita.

—- Presa não está, você pode ir quando quiser. Mas não aconselho, principalmente se não quiser pegar uma pneumonia. Meu motorista ainda não chegou, pode ficar tranquila que assim que ele estiver aqui a levará para casa. – Ela parecia ter ficado na defensiva.

—- N-Não quis ser indelicada, desc-c... – Eu me virei para encara-la só que não tinha percebido que quando levantei, ela me acompanhou. Ficamos frente a frente, muito próximas, a centímetros uma da outra. Foi ai que aconteceu.

Aquela troca de olhares.

Nenhuma palavra foi dita, mas aquela troca de olhares falava por si só! Seria realmente possível?

—- Você realmente tem os olhos mais bonitos que eu já vi... – Holy falou levantando sua mão direita até alguns fios de cabelos que caiam sobre meu rosto e os colocou atrás de minha orelha.

Prendi a respiração.

O que estava acontecendo? O que ela estava fazendo? Quis me afastar, mas não conseguia me mexer, eu estava enfeitiçada pela sua voz que saiu arrastada e rouca, estava presa naquele íris lilás que me causavam arrepios pelo corpo. Meu rosto corou e ela parecia se aproximar cada vez mais, a palma de sua mão pousou sobre minha face e com seu polegar ela acariciou a minha bochecha, sentia sua respiração chegando cada vez mais perto, batendo de frente com a minha. Meus olhos se desviaram dos seus e foi instantâneo descer para seus lábios que estavam meio entreabertos e convidativos.

Senti meu coração doer.

Era ansiedade? Medo? Adrenalina? Desejo? Não saberia responder, eu só sei que eu ansiava que ela se aproximasse mais.

—- Mandou me chamar Senhorita? – Foi num sobressalto que nos separamos. Ela tirou sua mão de meu rosto e se virou de encontro com a voz.

—- Ah.. Sim, Marcus... Preciso que leve Leonor para casa, com essa chuva será impossível que ela volte a pé.

—- Claro senhorita. Agora? – Ele questionou e Holy tornou a olhar pra mim. Putz eu devia estar um pimentão, não conseguia ter nenhuma reação, aquela cena, aqueles lábios, sua respiração... Tudo se passavam em câmera lenta na minha mente e eu tentava desesperadamente raciocinar o que diabos tinha acontecido ali, o que diabos foi essa reação do meu corpo por uma garota.

—- S-sim, gostaria de ir agora, por favor. – Finalmente falei, olhando de relance para Holy que permaneceu séria. – Irei me trocar. – Andei na direção do quarto onde deixei minhas vestes e rapidamente me troquei, estava apavorada, meu coração batia descontroladamente e eu simplesmente não conseguia entender o que aconteceu naquela sala. Deixei a roupa que estava vestindo emprestada em cima da cama, devidamente dobrada e parti para a sala novamente.

Holy estava encostada na janela, olhando a chuva como se pensasse seriamente em algo.

—- Estou pronta. – Falei chamando sua atenção e ela sorriu pra mim.

—- Certo, Marcus já está na garagem lhe esperando. – Ela começou a caminhar na minha direção, cada passo que ela dava meu coração palpitava mais forte. O QUE ERA ISSO?

—- Mais uma vez, obrigada por tudo Holy. – Lhe estendi a mão fazendo-a parar de andar. Ela me encarou, ergueu uma sobrancelha questionando silenciosamente aquele meu gesto. Por fim, pegou minha mão, levando-a até seus lábios onde deu um pequeno beijo e me encarou.

Um riso de canto surgiu.

Aquele riso, maldito riso. Senti as pernas fraquejarem, o coração quase saiu pela boca, santo deus oque essa menina está fazendo com meu corpo?

—- Espero te encontrar novamente, Leonor. – Foi então que me puxou pela mão que tinha acabado de beijar e eu num susto me deixei ser puxada. Ela ficou muito perto, quase que nossos corpos se encostaram. Aproximou sua boca até meu rosto e ali depositou um beijo suave, de despedida.

Eu não consegui responder de imediato, meu coração estava tão acelerado que eu só conseguia ouvi-lo bater desesperadamente contra meu peito. Eu não podia me deixar afetar tanto assim por sua presença, eu não estava me reconhecendo, num lapso de razão, dei alguns passos para trás, quebrando aquele contato e fitando seus olhos.

—- Quem sabe... – Sorri com a resposta e caminhei para a porta que dava na garagem, pude notar que ela me observou até chegar na garagem e entrar no carro. O motorista deu a partida e fomos embora. A chuva ainda era bem forte, e enquanto olhava pela janela decretei:

Isso nunca mais poderia acontecer.

Não voltaria a encontra-la, não conseguia compreender os sentimentos que invadiram meu coração, muito menos as reações que ela despertou em mim. Estava decidido, nunca mais a veria. Fugiria sim se fosse preciso, mas não estava disposta a aceitar aquelas sensações tão desconhecidas, tão assustadoras e que não deixaram de perturbar minha cabeça e corpo durante o resto da noite...

Notas finais
Não deixem de comentar e ATÉ O PRÓXIMO.