Brasmenia Conquests
4 Capítulo 4 - Vulcano.
Notas iniciais

As batidas do meu coração ainda estavam aceleradas, minha respiração meio alterada e a imagem dela nos meu braços estava tão viva. Seus lábios bem próximos aos meus, o calor de seu corpo se misturando com o meu... CÉUS! Eu estava derretida pela Leon, eu já não parava de pensar nela só de lembrar de seus olhos, mas agora, com esse contato... EU ESTOU FERRADA. Meu estômago estava embrulhado e minha cabeça fervia. De todas as possibilidades eu escolhi acreditar que todo aquele sentimento era pela minha falta de sexo, estava subindo pelas paredes e só podia ser isso! Então decidi ir deitar, já eram 00:30, mas até as 03:00am eu não tinha conseguido pregar os olhos.
Será que ela estava dormindo?
Mas que porcaria, eu estava agindo igual uma adolescente, inferno! Não peguei nem o número dela... Como é que eu iria encontra-la novamente? Eu sou uma burra, burra demais. Agindo por impulso, deixando-a assustada. Jesus me ajudaaaa. Eu não conseguia parar de pensar nisso, não conseguia parar de pensar nela. Levantei por fim, indo pra cozinha pra beber uma água e quem sabe fugir das lembranças.
Tinha ovos em cima da bancada.
Rosa provavelmente fará bolo amanhã. Eu sorri com o pensamento, certamente o bolo de Rosa é o meu favorito, principalmente o formigueiro. Coisas simples que comia com meus pais quando criança. Enquanto bebia minha água meus pensamentos seguiram novamente para aqueles ovos, consequentemente lembrando-me que também tinha um ovo em Brasmênia. Já faziam 8 dias desde que consegui aquele item, desde que conheci Saturn... e Leon... aqueles olhos... PUTA QUE PARIU DE NOVO?
Meu coração se acelerou novamente.
E uma ansiedade tomou conta do meu corpo. É isto, vou jogar. Isso vai me distrair. Será que ele estaria online? Foi questão de ir pro quarto, ligar o console, fazer o login, colocar a viseira e deitar, e assim que abri meus olhos após relaxar na cama, a imagem se transformou me conectando ao mundo RV.
Bem vindo de volta a Brasmenia!
Me vi no corpo de meu personagem e novamente na grande cidade principal de BC, suspirei feliz com o coração começando a se agitar.
Esse ar, vento, ruídos e barulhos, tudo isso era perfeito!
Meu chat pessoal assim que fiquei on-line choveu de mensagens privadas. Meus amigos da faculdade estavam loucos chamando-me para fazer as missões de um novo mapa. Eu não queria fazer party, só queria encontrar um par de olhos âmbar... Mexi num tipo de pulseira no meu punho esquerdo, era um dos itens iniciais do jogo que era como um holograma que surgia em sua frente, com todas as opções do painel de controle, responsável por comandar e configurar as configurações do jogo, como nível se sensibilidade, volume, nível de dor, olfato, entre outros. No painel do jogo existiam várias opções, lista de habilidades, mochila, ouro, mapas, chat, bloqueados, missões, NPC’s e outras opções que estavam ali mas nunca nem usei. Indo na lista de amigos rapidamente e lá estava ele: “Saturn > ONLINE”.
—- Hey, boa noite meu anjo. – Escrevi rapidamente mas travei ao ler o que havia escrito. “meu anjo”, será que tudo bem chama-lo assim? Com aqueles olhos, ele certamente é um anjo pra mim, mas será que passará uma má impressão?
Respirei derrotada não querendo criar nenhum tipo de mal entendido... Mesmo que não houvesse engano. Então optei por enviar somente: -- Olá, boa noite.. – Enviei a mensagem já com meu coração palpitando fortemente.
Passou fucking 15 minutos e ele não me respondeu...
Será que Saturn começava a evitar-me discretamente, mesmo sendo gentil o suficiente para não dizer diretamente que não queria jogar comigo?
Eu estava cabisbaixa.
Não só por isso, mas também porque já faria uma semana que os acontecimentos lhe tiravam o sono. Não sabia o que fazer, tinha tantas interrogações. Sonhava constantemente com aqueles pares de olhos âmbares, os dele e os dela...
Durante esses dias que passaram, estive questionando cada vez mais a vida de Saturn, discretamente como se fosse algo simples e normal. Era difícil. Suas respostas sempre eram evasivas e rapidamente ele trocava de assunto.
Não é algo que eu saiba explicar.
Mas aconteceu. Era um sentimento que surgiu como uma curiosidade e rapidamente passou a ser uma necessidade... DROGA! Eu estou ficando maluca com isso. Santo Deus, o que estava acontecendo comigo? Meu coração acelerava só de lembrar daqueles olhos intensos de Leon, e parecia se acalmar quando no pensamento seguinte eram os olhos de Saturn. São tão parecidos e curiosamente igualmente tristes.
Pelo jeito ele não iria me responder.
Frustrada, usei um cristal (quebrando-o) de teletransporte indo para a entrada da cordilheira das águias. Era o quinto mapa do mundo de BC, era possível entrar avatares a partir do nível 40. Era também meu mapa favorito, sua vista era incomparável e sua beleza única. Desde que descobri esse lugar (a 2 dias atrás) eu venho aqui todos os dias. Era um bom lugar para se pensar também. Pensava em trazer Saturn aqui, mas, será que ele não me entenderia mal? Olha vejam bem, é óbvio que dei em cima dele aquele dia, mas desde então, eu me mantenho mais neutra, como se não quisesse faze-lo ir embora. Mas parece que não esta dando muito certo, não é mesmo?
Meu peito se encolheu e pareceu levar uma estacada.
Que sensação é essa? Eu deveria estar tão incomodada assim?
Meus pés andavam por conta própria subindo cada vez mais alto aquela montanha. O vento ficava cada vez mais forte e a trilha se dificultava a cada passo dado. Faltava pouco para entrar dentro de uma espécie de caverna por dentro da cordilheira.
Até que ouviu um grito de socorro.
Minhas mãos foram para as espadas instantaneamente e vi quando um avatar feminino era encurralada por outros 3 avatares masculinos. O que eles pretendiam fazer? Fiquei numa distância média observando aquela cena.
—- Eu nunca darei a vocês esse item. – A garota esbravejava com toda a sua fúria e quando o fez, recebeu um forte tapa na cara. Ela estava encostada nas pedras as suas costas enquanto um avatar ia pela direita, outro pela esquerda e o que lhe deu o tapa estava em sua frente. Meu sangue ferveu, e minhas mãos se fecharam em punhos. Que covardes filhos da puta!
—- Se acalme meu benzinho, 1% a mais na minha taxa de PK não fará diferença, você quer isso? – Ele aparentemente sorriu, levando sua mão até o rosto da garota apertando-o. – Vamos, ande logo, você sabe que se não nos entregar esse item você também não ficará com ele, iremos te matar agora. Você ainda não entregou a quest não é mesmo? Sua descoberta não será computada. – Ele gargalhou como se ela realmente não tivesse alternativa. A garota chorava, seu desesperado era comovente e não consegui me manter longe daquilo. Talvez eu me arrependesse depois, nunca é bom mexer com PK’s... Mas porra, olha só para aquela donzela em perigo, ela implorava por ajuda.
Com um longo suspiro pus-me a correr em direção aqueles três ladrãozinhos. Não os deixariam sair impunes, ia dar uma bela surra naqueles filhos da mãe. Quem sabe assim minha frustração não diminuísse?
Aquela altura já nevava mais forte, quanto mais alto mais neve o que dificultava ainda mais a locomoção sobre aquele terreno. Minha velocidade ajudava nesse quesito, tanto que consegui derrotar um deles (o que estava pela esquerda) facilmente pegando-o desprevenido.
Os outros dois pareceram se surpreender e recuaram alguns metros. Eu corri para junto da garota e fiquei em frente a ela a protegendo.
—- Você está bem? – Eu falei ainda sem olhar para trás observando que os outros dois estavam um pouco mais afastados nitidamente enraivecidos. – Eu vou te proteger, não chore. – Eu olhei para ela e sorri gentilmente, pude ver que ela me olhou de voltar e parou de chorar.
Foi quando o primeiro golpe veio, rápido pela direita, aparentemente ele jogou um tipo de corrente com uma lâmina afiada na ponta. Por pouco meu reflexo não me traiu e consegui me esquivar com uma espada. Quase no segundo seguinte o comparsa veio por baixo, numa rasteira e com duas facas nas mãos, tentando atingir-me nas pernas. Consegui pular para trás, pegando a garota no colo e no pulo seguinte levando-a para mais distante dali. Coloquei-a no chão e pedi tranquilamente para que não saísse até aquilo acabar. Não me demorei e voltei de encontro com eles.
Nos encaramos.
—- Por que tá se metendo onde não foi chamado? Você vai se arrepender disso. – Quem falou foi o avatar que bateu na garota, esse em especial era o que mais me dava nojo. Sentia meu coração bater rápido, a adrenalina ia possuindo meu corpo e um riso sarcástico surgiu em meus lábios.
—- Vocês são ridículos, covardes e nojentos. Só de terem essa atitude de intimidar e ameaçar uma garota sozinha vocês deveriam ser mortos.
Meu riso foi reflexo de minhas mãos que lançaram minhas adagas em direção daquele avatar mais encorpado, o dito que bateu na garota. Não esperei para saber se conseguiria ou não atingi-lo, corri em sua direção agora com as espadas em mãos e dei um salto pra frente mirando diretamente sua cabeça, infelizmente seu amigo se enfiou na frente bloqueando com suas espadas parcialmente meu ataque e pude finalmente ver sua barra de vida. Em BC num pvp “não oficial” ou seja, sem envio de convite ou estando na arena, você só consegue ver a vida de seu oponente após o primeiro ataque. A barra de vida fica em cima da cabeça do avatar logo abaixo do seu nick. E foi o que aconteceu, aparentemente meus oponentes não possuíam bons itens o que fez com que ele perdesse 1/4 do seu HP. Bufei descontente, já tendo para mim a vitória antecipada.
Eles recuaram novamente.
Pareceram cochichar entre eles e novamente não quis ficar esperando uma atitude. Desta vez abusei da minha agilidade, misturando ela com uma magia(habilidade) recém adquirida chamada “passos nas sombras”, onde meus passos pareciam deixar um rastro para trás, como se fossem varias sombras copias de minha imagem. Era difícil precisar com a visão qual seria o “verdadeiro eu”, e foi assim que acabei com aquilo. Assim que cheguei em frente a eles, dei um soco no peito do avatar parceiro daquele covarde mais encorpado, fazendo-o voar para trás e colidir com as pedras, com a outra mão fiz questão de penetrar com toda minha frustração na barriga daquele imbecil, fazendo-o gemer de dor. Eu poderia mata-lo, eu queria mata-lo e vendo-o agonizar de alguma forma me trouxe uma sensação boa.
Eu sorri observando a barra de vida dele chegando a 5%... 4%... 3%... Ele caiu ajoelhado.
Tirei a espada de sua barriga quando sua vida chegou a 2% e parou de diminuir em 1%. Eu o olhei seriamente, agarrei seus cabelos fazendo-o olhar diretamente nos meus olhos.
—- Eu espero nunca mais ter que olhar para a cara de vocês. Nunca mais cheguem perto da garota ou eu não irei me controlar novamente.
E como se nada de mais tivesse acontecido, dei meia volta e fui de encontro com a garota que estava estática me encarando de boca aberta. Me aproximei cautelosamente reparando no nick em cima de sua cabeça “Zara”.
—- Tá tudo bem? Já acabou agora, pode seguir seu caminho... – Eu sorri tentando passar algum conforto praqueles olhos inchados devido ao recente choro. Ela tinha uma aparência normal, nada muito chamativo, cabelos escuros, olhos castanhos, rosto arredondado altura mediana, corpo nem magro nem gordo, só normal. Não era feia, pelo o contrário, tinha a famosa beleza natural. Mas nada de diferente, entendem...? Bom, tanto faz, já tinha feito minha parte.
—- Bom, então Zara... Boa sorte e tome mais cuidado por ai. – Me despedi já me virando me preparando para ir pra caverna de novo quando sinto seu corpo se jogando sobre o meu, ela me abraçou e começou a chorar novamente surrando alguns “obrigada, muito obrigada,”. Eu a segurei e pensei alguns segundos antes de levantar minha mão para seus cabelos e afagar alguns fios a amparando.
—- Fique calma, já passou... Você quer que eu te acompanhe até a cidade? – Ela negou com a cabeça e se afastou de mim.
—- Eu não posso ir pra cidade ainda, preciso entregar a quest e finalmente registrar o item que descobri. – Eu fiz uma cara de surpresa, oloco ela descobriu um item, deve ser muito valioso.
—- Sério? Caramba que foda, o que tu descobriu? – Eu sorri gentil mas ela fechou a cara meio que se arrependendo de ter dito alguma coisa.
—- Não me leve a mal, mas, tudo bem se eu não contar? É que... aqueles caras demonstravam ter boas intenções também... – Ela parecia envergonhada ao mesmo tempo que tensa.
—- Oh... – Eu comecei a rir. Céus como ela era fofa. – Claro tudo bem, eu nunca pensaria em te roubar ou te fazer qualquer coisa ruim. Desculpe por me intrometer. – Eu fiz uma pausa e ela me encarou, fizemos uma troca de olhares cumplices e ela caminhou para o meu lado. – A neve está aumentando, preciso ir rápido pro topo. – Ela fixou sua visão no céu, com alguns flocos caindo sobre seu rosto.
—- Eu preciso ir pra lá também, preciso falar com o NPC ARTESÃO DAS CORDILHEIRAS pra finalizar a quest, mas não consigo chegar até lá, o vento esta muito forte e meus pontos em resistência não são o suficiente pra aguentar a pressão do ar.
—- Isso não é problema, eu te levo. – Falei despreocupada começando a andar em direção de volta a trilha.
Ela nada disse, apenas me acompanhou em silencio, parecia ainda envergonhada. Após alguns minutos de caminhada os assuntos foram surgindo e pude ter uma boa impressão da garota, ela parecia simples e uma novata, tinha pouca experiência com quest e não sabia nem da existência de players killer = PK como os que a atacaram.
Cada passo que dávamos para o topo mais frio se tornava intenso e instintivamente levei minhas mãos até o bolso de dentro da vestimenta onde até então guardava meu ovo PET. Quando será que ele nasceria? Quero saber logo que criatura vai ser, queria muito que fosse uma fada, ou uma borboleta, quem sabe uma fênix? Tem que ser algo foda, por favor deuses do BC.
—- Perdeu alguma coisa? – Zara falou observando meu movimento.
—- Hãn... Não, não perdi. Só estava conferindo. Sabe Zara, tenho um ovo que dropei já faz alguns dias, e até agora ele não chocou... nem sinal de que vai nascer. Você sabe se tenho que ativa-lo em algum NPC, ou fazer alguma quest sei lá? – Ela me encarou surpresa e sorriu.
—- Um ovo é? Isso é raro... Ouvi dizer que na versão beta foi dropado um ovo também, e que o ovo foi chocado quando o dono sentiu uma emoção muito forte, o que no caso dizem ter sido a raiva enquanto estava num duelo, se não me engano nasceu um lobo selvagem. Foi o que eu ouvi. – Ela falava tentado recordar-se de mais algum detalhe.
—- Emoção muito forte? – Bufei. – Que palhaçada.
Estávamos bem próximos ao topo e dava pra ver algumas nuvens carregadas, parecia se formar uma terrível tempestade.
—- Parece que vai cair o mundo daqui a pouco – Falei apontando para o céu aonde as nuvens se acumulavam. Zara acompanhou meu olhar e sorriu me corrigindo.
—- Não vai chover ou nem nada de tempestade. Algum avatar foi desafiar o REI DO TROVÃO e o cenário de batalha é lá naquelas nuvens. É alguém realmente forte já que é uma quest SOLO. Não sabia que tinham achado o caminho secreto desse BOSS.
Fiquei observando aquelas nuvens com raios e trovões ao fundo. Que medo.
Quando estávamos chegando a entrada da caverna aonde também ficava o NPC, as rajadas de vento se intensificaram e realmente foi preciso utilizar certa força nos pés para resistir a pressão.
—- Quero que se agarre em mim. – Falei de repente despertando-a de seus pensamentos, ela já parecia fazer certo esforço para se manter firme.
A garota corou fortemente me olhando desacreditada.
—- Q-Quero dizer, não nesse sentido... D-Digo, apenas fique atrás de mim para se proteger do vento... – Olhei para o lado disfarçando o rubor que surgiu nas minhas bochechas.
—- Tudo bem... – Ela falou começando a andar atrás de mim, praticamente pisando sobre minhas pegadas deixadas na neve enquanto eu “abria caminho” amenizando o vento que a atingia. Em determinado momento veio uma rajada de vento mais forte que lhe pegou desprevenida e mesmo que sem querer ela se agarrou firmemente em meu quadril voltando a pegar o equilíbrio e ficou segurando por ali mesmo até chegarmos ao NPC.
Quando nos separamos ela não me olhava, parecia estar vermelha, e mais uma vez eu achei ela extremamente fofa.
—- Tudo bem, está com calor? – Falei esboçando um risinho e ela corou ainda mais.
—- E-Eu.. – Ela balbuciou tentando encaixar suas palavras, respirou fundo e falou por fim – Muito obrigada Venus, eu não teria conseguido se você não tivesse aparecido, serei eternamente grata... – Me estendeu a mão num cumprimento e eu sorri com seu gesto. Não gosto de cumprimentar mulheres com um aperto de mão, me parece tão... Antiquado.
Segurei sua mão estendida e fiz o de costume, como sempre fiz com todas as garotas que me cumprimentaram desta maneira. A levei até meus lábios, depositando um sutil beijo em sua mão e a soltei. – Não precisa me agradecer, fiz o que qualquer pessoa decente faria. – Sorri para ela deixando com que meu riso torto dominasse minha expressão. – Então é isso, até qualquer dia Zara.
Não esperei por uma resposta e sai andando pra dentro da caverna, estava cansada e nada de Saturn me responder... QUE DROGA, POR QUE ISSO ME INCOMODA TANTO?
—- Espera, Venus. – Ela andou apressadamente em minha direção. – O-Oque você vai fazer agora? – Ela ainda estava envergonhava e não conseguia me encarar direito, santo Deus aquela atitude tão juvenil era muito fofinho.
—- Na verdade nada. Só vim ver o céu mesmo.
—- Então n-neste caso.. Gostaria de ver algo comigo? Q-Quero dizer, tem uma passagem dentro dessa abertura com uma ampla visão do mapa, eu descobri recentemente e... Acho que seria legal que víssemos agora a noite. – Ela me sorriu e suas bochechas ainda eram rosadas.
—- Claro, vamos! – Respondi e ela me pediu para espera-la um minutos para entregar a quest e voltar ao meu encontro.
—- E então, deu certo? Qual era a sua quest? – Perguntei enquanto íamos entrando para dentro da caverna.
—- Era a quest do portal do mapa, só que... Eu acabei caindo num buraco e por sorte fiz a descoberta de uma material que ainda não foi registrado, tem o nome de CRISTALDIUN e certamente deve forjar um poderoso item. Estou tão feliz por conseguir ter meu nome na lista dos “exploradores” de BC. Foi minha primeira conquista num jogo... Muito obrigada de novo Venus. – Eu acenei e sorri para ela.
Finalmente chegamos ao nosso destino. Era tipo uma abertura quase ao topo da cordilheira onde o céu ficava aberto mas ainda tinha uma cobertura para fugir dos flocos de neve. Apesar do mapa ser muito mais bonito quando se esta de dia (Mundo de BC acompanha o tempo do mundo real, se é dia no mundo real é dia no jogo se é noite no mundo real é noite também em BC) a noite não deixava perder sua beleza.
A brisa batia de frente com meu rosto e o frio parecia dar sinais. Peguei o ovo que estava no bolso e o encarei. – Quando você vai nascer em meu baby? Quero saber o que você é... Mas não sei se vou conseguir ter uma emoção tão forte assim... – Suspirei abraçando meu pequeno ovo (do tamanho ou maior que de um avestruz). O céu estava bem estrelado aquela noite e de repente aquelas nuvens aglomeradas juntamente com os raios e trovões sumiram, deixando a ampla visão se tornar um paraíso. Me senti confortável admirando aquela beleza “natural” do mapa.
—- Parabéns pela sua descoberta baixinha e... Obrigado por me trazer aqui, apesar de que eu estava vindo justamente pra cá. Realmente é bom ter você aqui, comigo. – Falei docemente, sorrindo de um forma gentil.
Ela desviou o olhar de mim, e caminhou se aproximando até me empurrar e me dar tapas de leve resmungando um “quem é baixinha aqui”, estávamos rindo enquanto eu a segurava pelos braços. Acabei por tropeçar nas minhas próprias pernas não faço ideia de como no meio dessa brincadeira e cai por cima de Zara.
Foi embaraçoso.
Meu braço apoiava no chão, enquanto seu corpo ficou entre ele e a outra mão que ainda segurava fortemente o ovo PET. Nossos rostos ficaram muito próximos e pude sentir sua respiração se misturar com a minha. Ela me encarava e acompanhei sua coloração ficar avermelhada, eu olhei fixamente seus olhos mas parecia que ela encarava meus lábios, naturalmente com esse pensamento surgiu um riso de canto em minha boca.
Foi quando ouvimos alguns passos, pareciam seguir em nossa direção. Me virei meio surpresa por ter mais alguém vindo aqui nesse horário e para minha inesperada surpresa era ele, o dono de meus pensamentos, responsável por me ignorar e me deixar melancólica. Ele levou um pequeno susto, interrompeu um passo assim que nossos olhares sem cruzaram.
Eu não sei dizer se meu coração parou por um breve momento ou se ele disparou tanto e tão rápido que me causou aquela dor aguda.
Prendi minha respiração, apertando inconscientemente o ovo em minha mão. Ele por sua vez parecia me analisar, ainda surpreso, seus olhos tristes brilhavam porém sua expressão era séria. Provavelmente estaria tirando conclusões pervertidas olhando pra essa cena nada inocente que acabou de acontecer. Meu estômago se revirou e senti que estava começando a suar.
Eu queria falar alguma coisa, mas de certa forma eu me sentia errada ali. Talvez amedrontada por aquele olhar que não desgrudava de mim. Eu estava nervosa e ansiosa, na verdade eu não sabia que reação ter. Ele pareceu tentar se mover em direção contrária quando me levantei e em meus braços o ovo começou a se mexer, rachando-se e quebrando-se. Eu me assustei com aquilo, tentando tirar algumas cascas que caiam sobre meu colo, foi quando um lindo filhote com asas surgiu dentro daquele ovo. Meus olhos automaticamente se arregalaram e eu dei um gritinho de felicidade.
– Até que enfim você nasceu!
PUTA MERDA. Era muito lindo, era um dragãozinho coisinha mais fofa, iti malia da mamãe. Por um instante até me esqueci daquele sentimento de agora a pouco. Mas foi só voltar a olhar para ele que meu coração disparou mais uma vez. Dessa vez seu olhos demonstravam um brilho diferente do qual eu nunca tinha visto e ele sem dizer nada caminhou até a beirada da cordilheira e antes de dar mais um passo ele se virou e disse. – Parabéns por se tornar mamãe. – Ele me olhou daquele jeito que me deixava com o peito aquecido e voltou a andar. Pensei em gritar um “cuidado” pensando que ele iria pular ou sei lá, mas magicamente seus passos continuaram firmes como se existisse um piso flutuante. O que de fato existia, aquela passagem era o caminho secreto para o BOSS e o chão era uma miragem lá de baixo da cordilheira. Como foi que ele descobriu? Então era ele que estava desafiando o REI DO TROVÃO. É bem a cara dele isso mesmo.
—- Preciso ir agora, até. – Ele falou sem olhar para trás, de fato, ele parecia não querer falar comigo, ou talvez, ele ficou surpreso com o que presenciou e achou que estava interrompendo? Eu não sei, eu só sei que agora eu tenho um PET e aparentemente ele é uma peste, não parava de fuçar meus cabelos, voando em minha volta.
—- Você o conhece? – Zara falou e eu lembrei que ela ainda estava ali.
—- Sim.
—- Então... Como vai chama-lo? – A garota se aproximou do PET esticando a mão para acaricia-lo e repentinamente ele a atacou, lançando um pequeno jato de fogo. Não chegou a atingi-la mas mesmo assim foi surpreendente. Rapidamente eu o segurei e o repreendi.
—- Me desculpe, eu realmente não entendo nada de PET. – Ri por fim porque parecia que o dragãozin não gostou da garota. Ela riu comigo e se afastou.
—- Você poderia chama-lo de Vulcano, nome de um deus do fogo mitológico.
Vulcano... Taí, era um bom nome.
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