Branco & Azul
2 Archi
Notas iniciais
Novamente.
Das nove gestações de Estela Balaur, única sobrevivente da devastada Deragona capaz de gerar filhos se casou primeiro com o antigo Rei de Calasir, após a morte do primeiro marido, tomou o nome Archi. Sísifo era o 10º filho de Estela, o 2º filho que ela teve com Perseu, o Rei Perseu de Saphiral, que morava do outro lado do Portal. A primeira filha que ambos tiveram fora Artemisa, na qual Estevão criou a bastarda como se fosse sua, mas, morreu sem saber de tal forma. Aliás, como ele a tratava fora bom que o Rei de Calasir nunca soubesse. Com a morte trágica dele, a Rainha Estela se tornou Rainha consorte de Saphiral, mãe do primeiro filho homem de Perseu.
Sísifo, nome dado pela sua irmã, Artemisa, era da Casa de Archi, da linhagem Balaur e dos Galanis: Perseu, o Rei de Olhos Azuis. Fruto do Rei do Fogo das Safiras com a Rainha Dama da Noite dos Dragões, o segundo homem com direito ao Trono de cabelos anil como do arco-íris, olhos verdes escuros quase azuis vividos, quando nasceu recebeu a fita prateada de Thanatos, deus da Morte, e se tornou o Príncipe de azul das Safiras Rosa. Desde bebê ele tinha uma beleza que era uma mistura de um Rei Subimortal e uma Deragoniana Mortal o que impressionava quem o via. E ele sempre fora um bebê muito vocal, com pequenos sons curiosos, de um sorriso fácil e fofo. Mas, também
Agitado, destinado até quando nasceu a se tornar o futuro Rei das Safiras Azuis no Reino de Blumeske Saohir. Era o primeiro menino após o nascimento de Perseu, não havendo na linhagem das Safiras outros homens até o momento. Como um Príncipe, era aconselhado que ele permanecesse no Refúgio até perto do primeiro ano onde poderia ficar por até duas luas com os pais e em momentos importantes; mesmo sendo um Herdeiro direto do Rei e da Rainha de Saphiral, sendo parte da corte Real, tendo o sangue Subimortal e o mesmo poder de fogo do pai, capaz de lidar com dragões como a mãe; com o tempo ele seria transferido para o Reino das Safiras Azuis, poderia ser uma transição estressante e um pouco incomoda, porém, até esse momento chegar ele poderia supervisionar alguns Templos, observar alguns treinamentos e auxiliar sua mãe em pequenas visitas ás Aldeias, o que Sísifo achava divertido. Sempre tinha Elia do seu lado, ela segurava sua mão quando ele escorregava e quando precisavam descer degraus.
Elia sempre se importou com Sísifo, desde quando o viu pela primeira vez, era estranho ter um irmão com cabelos de outra cor senão brancos, mas, os olhos emitiam uma luz chamativa.
Sísifo sempre ficou fascinado com os cabelos brancos de Elia, nunca presos quando ela estava em Saphiral, onde ele poderia puxar e enrolar os dedinhos em suas mechas brancas, no começo machucava Elia, mas, depois era mais carinhoso, menos apressado. O pouco tempo que eles passavam juntos era de muito afeto, principalmente quando ele aprender que bater não era certo.
O desenvolvimento emocional e social dos dois existia porque eles tinham pequenas atividades juntos, desde interagir com os Guardas, com as crianças de algumas Aldeias que apreciam nos jardins do castelo onde eles brincavam juntos. Mesmo quando Elia estava insegura, Sísifo a acalmava com um simples toque em seus cabelos brancos, ou quando ele colocava a mão dela em seus cabelos azuis. Eles não ficavam juntos no Refúgio por causa da idade. Apenas ao voltar para Saphiral eles retomavam uma rotina mais tranquila onde podiam passar a manhã no jardim de tulipas, brincando com alguns brinquedos feitos de madeira e fitas. As risadas eram altas e enchiam o jardim com muito entusiasmo, e pelo alivio de Estela e Perseu os dois se davam bem, não seriam irmãos rancorosos e sim amorosos. Era o que eles esperavam, no fundo era tudo que eles queriam, não havia duvida de que os dois seriam bons conselhos como se fossem irmãos de sangue, do mesmo sangue, e não de meio sangue. O que era bom, principalmente quando ele tinha aulas sobre controlar os seus poderes, aprender tanto Saphiral quanto deragoniano, para com o tempo aprender Blumeske e suas tradições e cultura; seria uma tarefa difícil, mas era o seu destino.
Sísifo voltou a ver Elia foi quando ele fez três anos e ela já tinha seus belos sete anos, na qual ele a presenteou com cascas de ovo de dragão azulado; eram brilhantes e reluziam com a luz do sol e durante a noite sua luz era maior que a de uma tocha. O Príncipe achou que a cor combinava com as cores que a irmã vestia em Calasir. Antes de irem para o Refúgio havia a celebração da festa de Hermes. Outras festividades não os mantinham juntos por muito tempo, mas a festa ao deus da comunicação e vento também protetor de Artemisa era especial e diferente. Essa festa aconteceu depois da primeira volta de ambos do Refúgio na época que ambos ficavam em Saphiral.
-Gostou? — Sísifo perguntou olhando para as mãos de Elia e para os seus olhos, por último os cabelos. – Gostou? Você tem um.
-Eu achei muito lindo Sísifo... – Elia respondeu com um sorriso animador no rosto, o que fez o menino dar pequenos pulos batendo as mãos. – Onde você achou?
-Pra lá, muito pra longe... – Sísifo apontava para o lado do mar, Elia deu um abraço nele o que o fez desequilibrar e cair no chão levando a menina junto.
-Machucou? Doeu? – Ele sorriu.
-O abraço é forte. Eu gosto...
Todo ano, ida e volta, reencontro era um presente, um elogio, um momento, era afeto, era feliz, era um começo de um forte laço feito de couro de dragão e diamante. Mesmo sem que eles soubessem disso.
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