Bourbon Street

1 Capítulo Um - A Rua Bourbon


Notas iniciais
Oi :3 Podem ler e comentar, por favor? Espero que gostem. Tenham uma boa leitura, seus lindos :D

Por que eu estava chorando? Por causa do Nick. Certo. Por que eu não queria mais viver? Por causa do idiota do Nick. Certo. Por que eu iria desistir? Por causa do merda do Nick.

Ele podia ser um completo estúpido, mas ao contrário de muitas pessoas, trazia bons sentimentos. Não era qualquer um, era desejável e por incrível que pareça — nunca duvide disso — era gentil.

–[Flashback]-

A Bourbon Street como sempre, estava abarrotada, diferente dos meus pensamentos, que estavam completamente vazios, assim como minha vida.

Conturbação era uma palavra que não existia no meu dicionário, apesar de ser bem aceita. Você pode me achar louco, mas entenderia se vivesse como eu.

— E aí Enzo, o que vai beber hoje? — Scott perguntou assim que me sentei de frente para a bancada.

— Vodca — minha voz saiu falha, devido ao enorme tempo que permaneci calado.

Aquele bar era um dos mais conhecidos de toda New Orleans, e obviamente, um dos mais cheios e caros, mas eu não me importava. Era o único lugar onde eu tinha calor humano e paz para me afogar em pensamentos da minha vida sem sentido.

“Você é um idiota, não sei por que me casei com você”.

Foi a última coisa que Jeane disse antes de eu sair de casa sem que ela percebesse. Briga era algo que eu tentava evitar, por mais necessária que ela fosse.

Firmei o copo em cima da mesa com tanta força que ele se despedaçou em minhas mãos. Scott, o barman, me olhou como se fosse fazer comigo o mesmo que fiz com o objeto.

— Desculpe-me, vou pagar por ele — bradei veemente e ele assentiu sem sequer discutir.

“Não preciso mais da senhora para sobreviver, vou provar que sou independente”.

Disse à minha mãe ao sair de casa há três anos, que foi quando me casei. Tudo que eu fazia na vida era ou para agradar alguém ou para disfarçar. E nesse caso, eu usei Jeane para cobrir minha sexualidade e sair de casa. Eu sabia que isso era errado, mas naquela época não consegui pensar em algo melhor.

Você acharia estranho se eu dissesse que eu nunca fui eu? Sei que pode parecer pensamentos de um louco, ou talvez realmente seja, mas é a verdade. Eu nunca fui livre, nunca fiz minhas escolhas pensando no meu bem ou na minha felicidade, mas agora eu estava decidido a mudar, eu seria quem nunca fui; eu seria eu mesmo.

— Uma Tequila, Scott — uma voz rouca surgiu ao meu lado no balcão, mas não ousei olhar.

— Começando cedo, Nick? — o barman perguntou depositando sobre a mesa um pequeno copo com um líquido transparente.

— Tenho motivos — o rapaz respondeu secamente e logo levou o objeto até a boca, bebendo tudo de uma só vez.

Olhei de esguelha para o lado por alguns segundos e o vi tateando a jaqueta de couro preta. Retirou do bolso um celular e fez uma careta ao olhar para tela.

— Droga — xingou à medida que se levantava e se afastava aos poucos.

Não sei explicar direito, mas o dito cujo havia conquistado minha atenção. Eu nunca o havia visto por aqueles lados, o que era bastante estranho, já que eu vivia por lá.

— Hey — chamei outro barman e o vi vindo em minha direção. — Quem é ele? — perguntei apontando com o queixo para o lado oposto onde estávamos.

O rapaz andava de um lado para o outro em um desespero evidente. Com uma mão firmava o celular na orelha, enquanto a outra gesticulava sem parar.

— Nicholas Phillips — informou-me sério — Ele lhe deve algo, também? — perguntou e eu rapidamente o encarei curioso.

— Não — murmurei tranquilamente — Pode me trazer Tequila? — indaguei levantando o pequeno copo, que logo fora pego pelo moço.

— Sem problemas — disse ao se afastar.

Voltei a virar o pescoço para trás a fim de observar o jovem homem, e acabei dando de cara com o mesmo, que se mantinha há poucos centímetros de mim. Seus olhos me encaravam intrigados enquanto sua sobrancelha se mantinha erguida.

Ainda com os olhos fixos em mim, sentou-se no banco ao lado. Pude sentir meu rosto corando, mas não desviei o olhar. Havia algo diferente naquele cara, eu sabia, mas o que era?

— Perdeu alguma coisa? — perguntou impaciente enquanto agarrava uma garrafa de uma bebida qualquer em cima da bancada.

— Eu não, mas você perdeu sua educação — retruquei irritado.

Um sorriso sarcástico começou a tomar forma em seus lábios, que eu percebi serem um pouco tortos. Seus olhos verdes claros permaneciam avaliadores e seu cabelo negro estava completamente bagunçado.

O barman voltou com minha Tequila, mas antes que eu pudesse agarrar o copo, Nicholas o pegou e deu um longo gole.

— É por sua conta — falou lançando a mim um sorriso sarcástico antes de seguir pelo bar.

Mesmo com raiva, permaneci quieto, apenas observando seu percurso. Ele era um homem bonito, apesar de não ter um pingo de educação. Não parecia ter mais de trinta anos, mas a barba rala o deixava mais velho, mais sério.

— Aqui está — o barman falou, tirando-me de um torpor de pensamentos. Virei-me para ele, que depositava mais um copo na minha frente. — Aquele foi por conta da casa — proferiu apontando discretamente para a porta, e eu sabia exatamente do que ele estava falando.

— Obrigado — bradei deixando que um falso sorriso de amizade brotasse em meus lábios.

— Cuidado com ele — foi a última coisa que disse antes de se afastar sem sequer me explicar que droga estava falando.

Não me importei em continuar bebendo sozinho, afinal, era melhor do que aguentar a companhia de qualquer idiota.

Eu precisava voltar para casa, mas minha vontade era nula, pois eu sabia que a briga iniciada mais cedo não teria um bom final. Eu diria para Jeane que não poderíamos mais continuar juntos, já que nem ela nem eu, víamos um futuro para nossa união.

Levantei-me vagarosamente e antes de prosseguir bar a fora, deixei o dinheiro sobre o balcão. No lado de fora do local, um vento frio me atingiu, fazendo-me sentir livre novamente. A combinação do azul escuro do céu com a luz prata da lua era perfeita, juntamente com o clima, que parecia ter sido feito exatamente para aquela região.

As pessoas andavam de um lado para o outro, conversando, sorrindo e cantando algumas partes das várias musicas que tocavam em algum bar por ali. Aquela era a rotina de todas aquelas pessoas, que a repetiam todos os dias.

A Rua Bourbon não era o local dos vagabundos ou das prostitutas, era onde todos podiam se sentir em casa e acalorados com tanta presença humana.

Todos os presentes tinham problemas, mas a mágica da Rua Bourbon era fazer com que os mesmos fossem esquecidos.

Notas finais
E aí, gostaram? Comentem :D