Bourbon Street

25 Capítulo Vinte e Cinco - Somos quem podemos ser


Notas iniciais
Bom, primeiramente, espero que gostem ;) E corrigindo algo que falei anteriormente, a história vai ter seu fim no capítulo trinta e dois. Tenham uma boa leitura :*

Naquele dia eu acordei diferente de todos os outros dias. Tinha um sorriso no rosto e a cabeça leve. Uma brisa boa passou pela janela, fazendo as cortinas dançarem, tocou meu corpo e, decidido a sentir a leveza do dia, fechei os olhos lentamente.

Dos meus lábios, versos simples de uma música qualquer deslizava minuciosamente para o vento. E eu sorria, sorria sem saber por que sorria, e cantava sem saber por que cantava. Há muito tempo eu não sabia o que era a liberdade, há muito tempo eu não sabia o que era viver.

O mundo inteiro pareceu sorrir de novo para mim quando finalmente percebi o que eu estava perdendo e que não era tarde demais para aproveitar. Passei quase a noite inteira acordado, estudando detalhadamente cada detalhe dele, como se fosse a primeira vez que o visse.

Todos os meus pensamentos confusos se coincidiram, lembrando-me do que minha vida vinha sendo nesse último ano e, tudo que eu pensei e fiz, fez com que eu entendesse o quão estúpido fui. Tantos pensamentos e atos idiotas, que acabo pensando.

Afinal, quando foi que eu cresci?

Eu tinha aquela resposta agora. A verdade é que ninguém nunca está verdadeiramente crescido, até porque não há um grau definido. Todo mundo é igual a todo mundo, não importando a idade ou físico ou qualquer coisa que possa pensar no momento. Eu digo isso porque passei por coisa demais, sofri demais e amei demais. Amei a quem me amou, mas não teve coragem de assumir. Ou até mesmo teve, mas não teve maturidade o suficiente para confiar.

Eu sentia os raios solares baterem no meu corpo, fazendo-me esquecer de tudo o que me fazia mal. Sentia o sol bater no meu rosto, fazendo todo o meu desgosto simplesmente desaparecer. Sentia minha alma livre de toda e qualquer culpa que eu vinha guardando no meu peito. Porque agora eu sabia que nada fora culpa minha e, sentindo aquilo, eu me sentia livre.

Livre para ser livre. Livre para amar.

O mundo inteiro sorriu de novo para mim quando senti os dedos dele dançarem suavemente pelo meu corpo e, ao olhar para cima, percebi que mesmo durante o sono ele me protegia e sentia meu corpo por sobre o seu.

Todo o mundo pareceu mudar quando, enfim, eu entendi que deveria amar por inteiro quem não deve ser amado pela metade.

Honestamente, eu não queria abandonar Nicholas naquela cama de hospital da mesma forma que seus pais e esposa fizeram. Não, eu nunca faria isso. Mas eu queria viver minha vida e cuidar do coração que escolheu sofrer por mim.

Eu precisava reconstruir minha vida.

Levou meses. Meses sem acontecer nada. Então eu acordei sabendo que era hora de recomeçar uma nova vida.

Era tão óbvio. Creio que lá no fundou eu sempre soube disso. Eu só precisava de um pouco de silêncio para ouvir o que eu sentia. Levou muito tempo até eu entender o quanto eu gostava dele. Fiquei triste por tanto tempo, que acabei esquecendo como era amar alguém.

Rocei o polegar nos lábios macios e rosados dele, guardando carinhosamente cada detalhe.

Com pesar, saí de cima dele e, ainda contemplando-o, saí do quarto. Bagunçava meus cabelos na frente do espelho enquanto escovava os dentes com a outra mão.

O homem no reflexo era um outro eu. Um eu mais feliz.

Sorrindo para mim mesmo, desci as escadas. O banquete havia sido retirado de cima da mesa por algum funcionário, então, aproveitando a deixa, comecei a fazer o café da manhã. Eu estava quase acabando quando ouvi passos no andar de cima.

Aquilo acabou me fazendo sorrir.

Poucos minutos depois, Rafael adentrou a cozinha aos bocejos. Espreguiçava-se.

Ao me ver, soltou um belo sorriso.

— Bom dia — puxou o banco alto e se sentou.

Sorri, desviando o olhar para as minhas mãos.

Larguei a faca dentro da vasilha repleta de frutas picadas e lavei minhas mãos na pia, enxugando-as no pano de prato.

Quando me virei, encontrei Rafael de uma forma que não via há muito tempo. Seu olhar desenhava cada pedacinho do meu corpo enquanto uma fina linha de suor escorria pela sua testa. Quando percebeu que eu o via, desviou o olhar de uma só vez.

Não escondi minha felicidade, sorrindo de orelha a orelha. Meus pés me levaram até o rapaz, que não hesitou em me olhar nos olhos. Ele correspondeu ao meu olhar intenso, respirando com um pouco de dificuldade.

Aproximei meu rosto do dele vagarosamente, não parando de fitar seus olhos. Sua respiração acelerada preenchia meus ouvidos e eu podia sentir seu hálito quente de quem havia acabado de escovar os dentes bater em meu rosto.

— Bom dia — sussurrei ao virar o rosto, assentando nossos lábios em um encaixe perfeito.

Em um impulso natural, ele ergueu a mão e envolveu meu pescoço, roçando o polegar suavemente na minha bochecha.

Quebrei o contato dos nossos lábios com delicadeza, abrindo os olhos. Aqueles belos olhos azuis já me admiravam.

— Eu não sei por que fez isso, mas... — um sorriso desenhava seus traços — ... eu adorei.

Envergonhado, sorri.

— Tem alguns minutos para mim?

— Tenho o dia todo — respondeu, encarando meus lábios desejosamente.

Lentamente me afastei dele, olhando para baixo ao voltar a mexer com o café da manhã. Eu estava atordoado ainda, com medo de me expressar e não ser aceito. Sabia que isso era bem difícil de acontecer, mas não conseguia diminuir minha insegurança.

Coloquei as frutas picadas em um prato pequeno e o arrastei pelo balcão, entregando-o para Rafael, que continuava a me encarar. Por todo o tempo que eu fiquei calado, ele me olhou, intrigado e ansioso. Imaginando que não poderia mais demorar, respirei fundo e ergui o olhar na sua direção.

— Não quero mais fugir — falava com a voz baixa.

— Fugir do quê?

— De você — eu o via comer.

Ele se manteve sério, levando o garfo até a boca.

— Tem certeza que é isso o que quer? — deu de ombros — Sabe, eu não quero te apressar e...

— Eu demorei a entender, Rafael, não quero adiar mais nada — andei até ele, posicionando-me no meio das suas pernas — A vida está passando e nós estamos sozinhos.

— E quanto ao Nicholas? — ele roçou o polegar no meu rosto, esboçando um sorriso melancólico.

— Não vou abandoná-lo.

— Nem eu — ele parecia compreensivo — Mas quando ele acordar estará confuso e...

— Scchhh — coloquei o indicador nos seus lábios — A gente pensa nisso depois.

Foi o que bastou para eu puxá-lo em minha direção, entrelaçando meus braços em seu pescoço, beijando-o novamente. Mas — dessa vez — com mais intensidade.

Nossos lábios se tocaram levemente no início e não precisou de nenhum estímulo dele para que eu aprofundasse o beijo. Quando ele arrastou suas mãos até minha nuca, causando arrepios intensos no meu corpo, eu apertei sua cintura. Comigo movendo minha língua pela sua boca intensamente, ele tentava acompanhar meu ritmo.

Minha mão apertou seu membro por sobre a boxer sem distinção nenhuma, sentindo as dele arranharem meus ombros com força.

— Escuta, Enzo — ele partiu o beijo de repente — Eu costumo fazer sem camisinha — senti meu peito se enchendo de um sentimento estranho e não demorou muito para que Rafael percebesse o meu espanto — Olha, eu sei que te deixei assustado e eu peço desculpas por isso, de verdade. E está tudo bem se você me negar neste momento. Eu não tenho pressa, posso esperar e também posso fazer quantos exames você quiser se isso for te deixar mais tranquilo...

— Scchhh — tapei seus lábios com o indicador — Está tudo bem para mim.

Rafael sorriu, roçando a ponta do nariz na curva do meu pescoço.

— Tudo bem para você se eu te pedir para realizarmos um fetiche meu?

Apertei suas coxas com força, ofegando de olhos fechados.

— Tudo bem para mim.

Ele ria divertido.

— Eu quero fazer sexo com você lá em cima — seus lábios abocanharam os meus com gula, arrepiando-me com os movimentos da sua língua.

— Naquele sofá delicioso? — sorri ao partir o beijo — Eu faço tudo naquele sofá.

— Na espreguiçadeira — aquilo me assustou de verdade.

— M-mas... — o olhei fixamente — ... os prédios s-são mais altos e...

— Eu sei — mordiscava minha orelha — Vão nos ver.

— É — suspirei voraz, prensando-o na parede — Podem até filmar.

— Espero que minha bunda saia boa nas fotos.

— A minha certamente sairá — pisquei para ele — Mas só porque ela é uma delícia.

— Vamos descobrir isso agora — rimos juntos.

Novamente ele me segurou, intenso e cheio de perversão, descendo suas mãos deliciosamente pelo meu corpo até atingir a parte de trás das minhas coxas para me erguer do chão e me fazer envolver sua cintura com minhas pernas. Assim que o fiz, Rafael selou nossos lábios novamente, com ferocidade e luxúria, e eu apenas correspondi, sentindo um calor emanar dentro de mim numa intensidade extraordinária.

Cambaleando pelos cômodos, ele me carregou até a escada, interrompendo o beijo somente para chegar ao andar de cima sem tragédias. Rafael seguiu velozmente pelo corredor do segundo andar, com a boca urgentemente grudada à minha de novo, até que ele me atirou sobre uma superfície não muito macia.

Rafael se aproximava lentamente de mim com uma expressão maliciosa. A espreguiçadeira, então, de repente caiu, fazendo um estrondo que provavelmente toda a casa teria escutado.

Ele e eu trocamos olhares assustados até que eu não suportei e caí na gargalhada. Rafael ficou paralisado por um tempo, mas depois abriu um sorriso tão lindo que pareceu iluminar o dia.

— Desculpe-me por isso — ele sorria envergonhado, bagunçando os cabelos da nuca.

— Esqueça isso e me come logo — pedi com urgência.

Ele esbugalhou os olhos, não mostrando reação alguma. Parecia estar sem palavras.

— Ah, Enzo, e-eu... hã... eu sou passivo — disse constrangido.

Aquilo veio como uma flecha certeira no meu peito. Eu sempre achei que ele fosse querer comandar a transa, mas não, era justamente o contrário.

Esbocei um sorriso divertido

— Então sabe o que eu vou fazer? — mordiscava sua orelha, tomando-o pelo pescoço.

Gemendo baixinho, ele segurou minha nuca de maneira firme.

— O quê?

— Eu vou te devorar — sussurrei em seu ouvido.

Após alguns segundos, afastei nossos rostos para que pudéssemos nos ver e, ao enxergar incentivo em seu olhar, alarguei meu sorriso e me inclinei até seu rosto, buscando seus lábios com os meus. Fechei os olhos ao sentir sua boca contra a minha em um beijo caloroso e, embrenhei meus dedos em seus cabelos, deixando que seu beijo me enlouquecesse.

Acabamos nos empolgando e, quando retomei uma certa consciência, o vi sobre mim, com uma perna de cada lado do meu corpo, beijando-me com avidez. Rafael afundou as mãos em meus cabelos, prendendo-os entre seus dedos com força.

— Eu quero ser devorado, mas antes eu quero isso aqui — colocou sua mão dentro da minha boxer e brincou um pouco com meu membro, fazendo-me soltar uns gemidos baixos.

— Não precisa pedir permissão para ter isso aí — esbocei um sorriso.

— É melhor que não — abaixava-se por sobre o meu corpo.

Ele ficava de quatro com o rosto próximo ao meu volume. Acariciava minhas coxas com as mãos, observando-me por inteiro sem conseguir esconder o deslumbre dos seus olhos.

— Você é lindo — sussurrou, devolvendo meu olhar com fervor.

Sorri para ele, acompanhando seus lábios.

Ele deslizava as mãos pela parte interna das minhas coxas, dirigindo-as à minha virilha. Eu soltava o ar com dificuldade e meu rosto se contorcia em prazer conforme as mãos dele percorriam minhas coxas e seus lábios, minha virilha.

Rafael começou a me beijar, começando pela parte interna da minha coxa esquerda e logo alcançando minha virilha, dando suaves chupões na região enquanto sua outra mão subia pela outra coxa e se dirigia ao meu membro rígido.

Sem desgrudar seus lábios da minha pele, depositou um selinho na base do meu membro, ouvindo minha respiração difícil. Meus dedos agarraram lentamente as laterais da espreguiçadeira e, percebendo isso, ele sorriu, lambendo meu membro de baixo para cima até alcançar minha glande e aplicar um pouco mais de pressão ao percorrê-la.

Ao ver minha expressão de puro deleite, Rafael arqueou as sobrancelhas e alargou ainda mais seu sorriso, envolvendo meu membro com a boca. Iniciou lentamente seus movimentos, chupando-me com firmeza enquanto se movia cada vez mais rápido. Tinha os olhos fechados, concentrado em me dar prazer.

— Por favor — arfei — Não pare.

Rafael sorriu ainda de olhos fechados e, voltando a alisar minha coxa, apertou-a. Acelerou seus movimentos gradativamente, fazendo-me soltar grunhidos estrangulados e, algumas vezes, deslizava os dentes de leve sobre minha glande. Não conseguindo me conter, enterrei meus dedos em seus cabelos e comecei a empurrar sua cabeça para baixo, guiando-o com uma sutileza esplendida diante à situação.

Ele permitiu que eu continuasse, mas pouco tempo depois, eu me forcei a parar. Lutando contra a tremedeira em minhas mãos, agarrei sua cintura e, retirando sua boxer com rapidez, o posicionei por sobre o meu membro.

Com um sorriso de canto de boca e o coração martelando contra meu peito, o vi deitar devagar sobre mim, soltando pesadamente o ar quando chegou ao fim. Posicionei minhas mãos em seu quadril, começando a me mover sem cerimônias.

Ele me queria.

Eu o queria. Muito.

Eu praticamente gritava, dolorosamente indeciso entre jogar a cabeça para trás e aliviar a tensão ou mantê-la erguida para observá-lo. Ele não ficava para trás, apertando minhas mãos com mais força em seu corpo.

A espreguiçadeira quebrada começava a ranger, dessa vez mais rápido, mas eu não estava disposto a parar. A sensação de estar sendo visto por dezenas de pessoas nos outros prédios era excitante a ponto de me fazer revirar os olhos, terrivelmente enlouquecido.

Com um último gemido, que mais pareceu um urro, e com uma investida mais forte e longa dentro dele, eu atingi o meu clímax. Meu corpo relaxou exausto por sobre a superfície dura. Rafael desacelerou seus movimentos, sem exigir que eu continuasse, e quando fez menção de me tirar de dentro de si, apertei com mais força minhas mãos em sua cintura.

Colei meus lábios aos seus calmamente enquanto investia mais um pouco e, com mais algumas últimas e profundas investidas, ele conseguiu chegar ao orgasmo. Quando um gemido involuntário escapou da sua garganta, eu subi as mãos até seu rosto e parti o beijo, mantendo os lábios pressionados contra os dele por alguns segundos.

Rafael passou os braços fracos pelo meu pescoço suado e afastou o rosto do meu, olhando-me fundo nos olhos.

— Seus lábios são deliciosos — sussurrou ofegante, feliz com nosso momento — Adorei beijá-los.

— Eu adorei te comer — sorri de lado e ele me deu um soco fraquinho no braço, também sorrindo.

— Não é assim que se diz — fez careta.

— Não? Então o que eu preciso dizer?

Ele me olhou nos olhos, tendo um sorriso fofo nos lábios.

— Eu amo você.

Notas finais
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