Bourbon Street

19 Capítulo Dezenove - Descobertas


Notas iniciais
Boa leitura :3

A noite estava fria e a atmosfera ao meu redor era assombrosa. As luzes da rua estavam acesas, mas não clareavam muito, além de que meus passos faziam barulhos estranhos ao tocarem o chão.

Não sabia por que estava fazendo aquilo por Nicholas já que eu sequer queria vê-lo novamente na minha frente, mas o fato de que Denise queria fazer algo para destruí-lo sendo que a culpa era minha estava ocupando minha cabeça.

Amélia havia me passado o endereço da casa da mulher e eu esperava que ela estivesse sozinha. Não seria nada interessante encontrar Nicholas.

Subi os três degraus de madeira e colei os pés na soleira da porta, pensando se tocava a campainha ou apenas me virava e ia embora. Porém, antes que eu pudesse me decidir, a porta se abriu, revelando a silhueta da mulher.

Ergui meu olhar pelo seu corpo lentamente, parando apenas quando cheguei a seus olhos. Denise mordeu o lábio inferior e cruzou as pernas, o que fez um sorriso divertido desenhar meus traços.

Eu te vi pela janela... murmurou, escondendo o corpo com o robe.

— Eu achei que você havia dito que eu era péssimo, mas agora parece que não soltei uma risadinha maligna.

— ... e resolvi vim ver o que você queria.

Encostei-me à sacada e a observei, divertido.

— Isso tudo é falta de sexo? um sorriso malicioso ainda brincava em meus lábios.

— Você veio por causa do Nicholas? ela me ignorava.

— Ah, entendi ri baixinho Desde que ele te deixou você não tem mais ninguém para te satisfazer e...

— Cala a boca, Enzo ela rugiu Já chega seus olhos queimavam.

Deixei que meu sorriso se dissipasse ao mesmo tempo em que eu suspirava pesadamente.

— Desculpe-me pedi com sinceridade. Seu olhar cruzou com o meu e eu senti meu coração pesar dentro do meu peito Eu sei o que você está passando e sei que não é nada favorável a fazer piadas, então me desculpe.

Ela respirou fundo e empurrou a porta, deixando um espaço aberto.

— Entre.

Fiz o que ela pediu, parando apenas para trancar a porta.

— O que faz aqui? ela perguntou ao se sentar em um sofá vermelho no centro de uma grande sala.

As paredes estavam cheias de quadros de arte e, as mesas, repletas de porta-retratos.

Olhei para Denise e percebi que eu conseguia ver a maior parte do seu corpo através do seu roupão transparente. Minhas mãos gelaram e eu me senti um pouco desconfortável, mas continuei andando até estar em pé na sua frente.

— Você não me olhou assim na nossa primeira vez.

Certamente minha feição não deveria estar muito agradável.

— Quero falar sobre o Nicholas respondi sua pergunta anterior.

— Há quanto tempo não transa com uma mulher?

Acabei me irritando com meu próprio veneno.

— O mesmo que não tomo uma vacina antialérgica me exaltei.

Ficamos nos entreolhando por um tempo interminável.

Ela parecia querer me esmagar com as próprias mãos.

— O que quer falar sobre ele? suspirou ajeitando o robe no corpo e fazendo um gesto, pedindo que eu me sentasse.

Eu estava cansado e com bastante sono, então simplesmente me deixei cair sobre o sofá. Soltei um suspiro pesado e me ajeitei.

Um vestígio de surpresa passou pelo meu rosto ao perceber que eu nunca havia conhecido muito sobre o Nicholas. Vendo as fotos dele junto à mulher e ao filho, eu poderia jurar que ele estava feliz. E talvez realmente estivesse.

— E- eu... soube do que vai fazer com ele em relação ao filho de vocês e...

— Saia daqui ela grunhiu entre dentes.

— Só me deixe terminar de falar — pedi.

— Não, Enzo, some seus olhos estavam em chamas.

— Denise, eu só preciso saber o que está acontecendo...

— Então pergunte ao seu namorado ela praticamente gritava, o que irritava bastante meus tímpanos.

— A gente não está mais junto.

Ela arregalou os olhos e me encarou de uma forma que pareceu que eu tinha falado a cura para o câncer.

— Some daqui apontou para a porta Eu não confio em você.

— Não estou mentindo suspirei Só preciso conversar com você curvei meu corpo para frente e olhei dentro dos seus olhos Ele ama o filho, não tire isso dele Eu praticamente implorava.

Isso não é da sua conta.

— Mas é por minha causa que isso está acontecendo.

— Por quê? sua feição era triste.

— Porque ele só largou você para ficar comigo e...

— Não interrompeu Porque você tem que ser um puto?

Eu não estava acreditando naquilo. Sério que todos me chamariam de prostituta?

Suspirei pesadamente, tentando me manter inteiro e continuei a encará-la.

Puto? foi só o que eu consegui falar.

— É exatamente o que você é, sabe por quê? ela parecia nervosa Porque você não para quieto. Está sempre com alguém diferente, alguém novo...

— Do que você está falando, Denise? olhei para todos os lados procurando vestígios de álcool ou qualquer coisa que ensandecesse alguém, mas não encontrei.

— Eu estou falando da época em que nos conhecemos, Enzo. Todas as garotas corriam atrás de você e, depois que a gente transou e ,consequentemente, você deixou de ser virgem, você se soltou e se esqueceu de mim e quando eu vi, o garoto que eu gostava já estava transando com todas que via pela frente e agora a gente se reencontrou e o que você faz? Rouba meu marido ela parou e respirou fundo Você não faz mais nada que sua obrigação em sair daqui agora ela se levantou e apontou outra vez para a porta.

— Denise... comecei a dizer, mas me arrependi. De acordo com o que ela disse, eu havia causado problemas demais. Não precisava piorar a situação Eu sinto muito por tudo isso suspirei já me levantando.

A mulher continuou parada, mas olhava para baixo como se não quisesse sequer olhar nos meus olhos ou estivesse envergonhada demais para isso.

A observei por completo, tentando arrumar alguma forma de ajudá-la. Denise estava cansada, carente e triste e, a única coisa que eu conseguia pensar, era no mal que ela queria provocar em Nicholas. Eu era realmente um merda.

Suspirei pesadamente e caminhei até ela, segurando sua cintura e a puxando até mim de forma carinhosa. Ela não reclamou, apenas afundou o rosto em meu peito e fungou. Parecia estar confortável em meus braços, o que fez com que eu sentisse um misto de bem estar e medo.

Os braços dela estavam envoltos em meu pescoço e seu corpo permanecia colado ao meu. Em um segundo ela estava quieta e no outro ela levantava o rosto suavemente na minha direção. Eu era mais alto, o que dificultava as coisas para ela, mas aquilo não a impedia de continuar. Seus olhos se fixaram nos meus e logo desceram para meus lábios, desejando-os.

Suspirei com leveza e molhei meus lábios ao analisar sua expressão. Ela parecia estar muito concentrada em mim enquanto eu apenas desejava sair dali. Não que ela não fosse bonita e não que eu não gostasse também de mulheres, mas não era tão minha praia quanto outras coisas.

Denise se aproximava aos poucos e em um segundo de distração, ela forçou sua boca na minha. Fechei os olhos e deixei que ela fizesse o que tanto queria. O único problema era que ela ainda era a mulher de Nicholas.

Nossas línguas se encontraram ao mesmo tempo em que suas mãos me empurravam calmamente para o sofá. Fui sentado e pude sentir Denise sobre mim. A segurei fortemente pela cintura enquanto brincava dentro da sua boca. Ela tinha um gosto diferente, adocicado, só dela, mas que não me envolvia tanto quanto todos os outros que eu já havia provado.

A mulher mordeu meu lábio inferior, partindo o beijo. Seus olhos estavam fixos nos meus e suas mãos abaixavam o zíper da minha calça. Suspirei ao mesmo tempo em que levava uma das minhas mãos até sua nuca e a puxava para mim, molhando meus lábios nos dela. Sua língua novamente dançava com a minha em um beijo caloroso e cheio de adrenalina.

Enquanto suas mãos trabalhavam no meu jeans, ela descolou nossas bocas e, ainda olhando para mim, desceu seu corpo, colocando-se entre minhas pernas. Observei-a, sabendo o que aconteceria depois daquilo. Ela acariciou minhas coxas sobre o jeans e deslizou suas mãos até estarem em contato com minha boxer.

Apoiei a cabeça no sofá e respirei fundo. Eu estava confortável ali, sentindo as mãos dela apertarem as minhas coxas com delicadeza. Era suspeito eu dizer que sentia falta de toques suaves, mas eu realmente sentia.

Suspirei alto ao sentir sua boca tocar meu membro por cima da boxer. Sua saliva entrou em contato com minha pele e eu estremeci por completo. Os pelos do meu braço estavam arrepiados e meu corpo praticamente queimava.

Levei minha mão até a sua nuca, juntando os seus cabelos para que ela pudesse se movimentar livremente. Porém, nada que eu esperava acontecer realmente aconteceu. Quase pulei de susto ao ouvir um grito e o mesmo ocorreu com Denise. Ela se levantou assustada e me encarou. Eu não sabia o que fazer e, ao ouvir um pouco mais do barulho, percebi que era o choro de um bebê. Nós soltamos um riso sem fôlego e começamos a rir sem parar. A cena foi um pouco idiota, mas nada que me incomodou.

Subi meu zíper ao mesmo tempo em que seguia a mulher pela casa. Nós entramos em um quarto de paredes azuis. Ela acendeu a luz e caminhou até o berço branco, pegando o bebê em seus braços logo depois. Ele chorava por um motivo desconhecido e ela o acalmava com delicadeza.

Observei a cena com um sorriso sincero estampado em meus lábios. Era muito bonito o jeito que ela cuidava da criança, que aos poucos parava de chorar. Assim que o pranto se cessou, o menino se movimentou e virou a cabeça na minha direção, abrindo um largo sorriso para mim.

Como na última vez, ele esticou os braços na minha direção, pedindo colo. Eu aceitei. Ele sorria para mim enquanto mexia em meu rosto com seus dedinhos pequenos. Analisava minha expressão e sorria sinceramente. Eu já não percebia que Denise estava perto, apenas continuava a brincar com o pequenino.

— Você é incrível a mulher suspirou.

Ergui o olhar na sua direção e meu sorriso se dissipou assim que observei sua feição séria.

— Deveria saber a verdade sobre o Nicholas ela olhava para baixo.

Eu não sabia do que ela estava falando, mas queria descobrir.

— Do que está falando?

— Ele não é quem você conhece ergueu o olhar na minha direção.

— A verdade é que eu não conheço muito dele assumi Ele nunca foi muito aberto.

— Você não conhece nada dele, Enzo.

— Eu não estou entendendo continuei a observando enquanto balançava a criança no meu colo.

— Não deveríamos conversar na frente dele apontou para o menino.

Assenti afirmativamente e entreguei o bebê para ela, dando um último sorriso para ele antes de caminhar até a sala. Eu esperaria ela fazê-lo dormir longe daquele quarto. Respirar era algo que eu realmente necessitava naquele momento.

Estava acontecendo muitas coisas naquele dia e eu não sabia como organizar minha mente. Tudo estava bagunçado e não havia nenhuma forma de melhorar as coisas, apenas pioraria e eu sabia disso.

— Demorei, mas consegui Denise adentrou a sala depois de longos minutos.

Eu estava sentado em um dos sofás, encarando a parede como se ela fosse muito interessante. Meu membro ainda estava bem vivo dentro da minha boxer, mas seu pedido não seria atendido. Não ali. Não naquele momento.

— O que quis dizer sobre eu não conhecer nada sobre o Nicholas? eu não perderia tempo.

Ela se sentou bem na minha frente e me encarou, entrelaçando as mãos em sinal de nervosismo.

— Você não foi o primeiro, querido ela sussurrou como se estivesse com medo de me causar dor ou algo do tipo.

Não houve resposta.

— Eu sinto muito.

— O quê? balbuciei.

— Você não foi o primeiro homem com que ele teve um relacionamento começou ela. Meu coração espancava meu peito Eu sinto muito te dizer isso, mas eu não quero que ele te machuque fazendo com você o mesmo que fez com os outros...

Minhas mãos tremiam.

— O quê? — eu não sabia o que falar.

— Eu sei que você quer protegê-lo pedindo que eu não tire o meu filho das mãos dele, mas eu já o perdoei, Enzo, diversas vezes, mas eu cansei, não posso fazer isso, não mais.

— Eu não estou entendendo, Denise minha voz saiu falha até demais.

A garota, percebendo que eu estava próximo a entrar em desespero, ajoelhou-se na minha frente e segurou minhas mãos, olhando dentro dos meus olhos.

— Ele manipula as coisas, não importa o que precise fazer, ele encena, finge ser alguém quem não é e assim consegue o que quer começou Como foi a primeira vez de vocês?

— Eu... ele... eu... não tinha palavras E-eu... foi na minha casa, ele disse que estava com medo, mas eu o acalmei e a gente... ele... pensei em tudo o que ocorreu naquele dia. Nicholas aceitou tudo muito facilmente. Os beijos, as carícias, o sexo. Estava mais do que claro que ele pressentia que aquilo aconteceria Merda abaixei a cabeça ao sentir uma lágrima idiota escorrer pela minha bochecha Eu sou um idiota por não perceber...

— A culpa não é sua, Enzo.

Eu não queria ser consolado.

— Porque ele faz isso?

— Para conseguir o que quer.

— E o que ele quer? falei um pouco mais alto.

— Depende.

— Do quê?

— Eu não sei suspirou O que você tem que ele possa querer?

Balancei a cabeça negativamente. Eu realmente não sabia.

— E porque você continuou com ele?

— Por que... fungou ... porque eu tenho medo de morrer sozinha.

Ergui o olhar na sua direção ao mesmo tempo em que ela movia o seu para baixo. Comecei a acariciar seus cabelos, tentando acalmá-la.

— Isso não vai acontecer.

— Não tem como você saber.

— É, não tem confirmei Mas a gente pode ter fé.

— Talvez.

Continuamos em silêncio por algum tempo, apenas tentando amenizar o que havia ocorrido entre nós desde que eu bati na porta dela.

Então Nicholas era realmente algo que eu nunca imaginaria ser. Quase um psicopata. Aquele pensamento me fez estremecer. O pior de tudo era que eu gostava muito dele e não sabia como esquecê-lo. Mas tudo que eu queria era distância. Eu realmente não sabia o que sentir.

— Quantos foram? perguntei.

— Quantos foram o quê? ela ergueu o olhar.

— Homens.

— Ah... eu não sei... suspirou Os que eu descobri foram cinco, contando com você.

— Quem eram?

— Você não deve conhecer.

— Quem eram? repeti.

— O primeiro foi um tal de Rafael, amigo dele... depois de ouvir Rafael, não escutei mais nada. Só sei que minha expressão mudou, o que deixou Denise um pouco preocupada.

“— Rafael? Já se apaixonou por alguém que estava longe do seu alcance?

— Sempre tem um idiota que te machuca. Mas isso não quer dizer que você tenha que parar de viver.”

Então era disso que ele estava falando quando disse que entendia o que estava passando. Nicholas havia ficado com ele e feito com que ele sofresse.

Respirei fundo ao mesmo tempo em que me levantava brutalmente. Tapei minha boca com a mão, pensando no que fazer. O calor que eu sentia era insuportável e parecia queimar até mesmo meus órgãos internos. Eu estava com raiva. Muita raiva. Mas apesar de tudo, estava com medo, triste e cansado.

— Enzo, acalme-se Denise segurou meus ombros, tentando me acalmar.

— Estou bem funguei Você vai ficar bem se eu for embora agora?

— Ah, claro olhou para baixo.

Eu vi que ela não ficaria bem, mas eu precisava ficar sozinho antes que eu me exaltasse e fizesse alguma besteira.

— Eu prometo voltar a te ver, está bem? segurei em seu queixo Não vou te deixar sozinha.

Ela soltou um sorriso melancólico.

— Até logo beijei sua boca rapidamente e me afastei Fique bem.

E com isso, abri a porta e fui embora, andando velozmente pelas ruas.

O vento passava por mim, mas nem assim eu me sentia confortável. Eu estava ensandecido de raiva.

Agarrei meu celular no bolso traseiro juntamente com o cartão que continha o número do Rafael.

— Alô.

— Foi o Nicholas, não foi? falei assim que ouvi sua voz — Foi ele que te machucou.

— Enzo? ele certamente estava encucado Você está bem? parecia preocupado.

— Não mude de assunto, Rafael, diga-me, foi ele ou não? minha voz estava horrível.

— Enzo, você parece estar mal, onde está? Diga-me, vou atrás de você.

— Eu não quero que você venha desliguei o celular na mesma hora, eu precisava de paz.

Sentei-me no meio fio e deixei que meus pensamentos flutuassem para todos os acontecimentos do dia. Eu estava ferrado, cansado e chateado. Tudo se misturava e me ensandecia. Meu corpo continuava a pegar fogo e eu me sentia como nunca havia me sentido antes.

Permaneci ali por longos minutos, apenas pensando se deveria voltar ou não para casa e, quando eu menos esperava, um carro parou na minha frente e um homem alto saiu de dentro dele.

— Levante-se, você vai vir comigo.

Notas finais
Mereço comentários? Ameaças de morte? Recomendações? Sei lá? kkk' Comentei aí, docinhos :* Até o próximo xD