Bouina
1 CAPÍTULO 01
Notas iniciais
500 anos antes…
Às margens de um rio largo e silencioso, a tribo dos Anhangá vivia sob a sombra do medo. Era um rio de águas escuras e espelhadas, que refletiam à noite e o céu como um espelho antigo. A correnteza corria preguiçosa, quase imóvel. Uma névoa fina se erguia sobre a superfície, ondulando lentamente, semelhante à véus brancos ao toque do vento úmido que vinha da mata.
Há semanas, crianças da tribo desapareciam sem deixar rastros. Sussurros corriam pelas ocas, alguns membros mais antigos da tribo, apontavam para o rio e falavam de uma grande cobra das águas; uma criatura colossal, tão antiga quanto o próprio tempo.
A lua cheia, alta no céu, lançava uma luz pálida e leitosa sobre a floresta, destacando as silhuetas imponentes das árvores que se inclinavam em direção à água. O ar estava pesado, carregado do perfume forte da terra molhada e do murmúrio distante de animais noturnos. De vez em quando, uma rajada de vento fazia as folhas sussurrarem, lembrando vozes antigas, quase humanas.
Apesar da beleza serena, havia algo inquietante naquela quietude. As águas pareciam observar. O silêncio, entrecortado apenas pelo coaxar dos sapos e pelo bater de asas de morcegos, dava a sensação de que o rio escondia algo nas profundezas, algo vivo, paciente e à espreita.
Naquela noite, um dos homens da tribo caminhava à beira do rio, atento, vigiando o filho de apenas oito anos que brincava despreocupado junto à margem. A lua cheia pairava sobre o céu como um olho silencioso, lançando um brilho pálido sobre a superfície imóvel da água. O silêncio era denso.
À sua frente, surgia a visão impossível: o menino, ainda com os pés cobertos de lama, foi erguido aos ares como uma pluma, preso entre as presas de uma serpente colossal que emergia do rio. A criatura era vasta como o próprio leito, escamas negras que reluziam sob a luz da lua, semelhante a pedras molhadas, olhos amarelados e faiscantes que pareciam conter a própria maldade das águas antigas.
O homem ficou paralisado por um instante, com o sangue gelando nas veias. A serpente moveu-se com uma elegância cruel, erguendo o corpo sinuoso acima da copa das árvores, como se quisesse exibir sua presa à noite inteira. Então, num gesto que parecia brincar com a vida, lançou o menino para cima.
O pequeno corpo subiu, girou sob o luar e caiu com violência sobre o dorso escamoso da criatura, que se arqueava como uma montanha viva.
Um estalo seco cortou o ar — era o som horrendo dos ossos partindo. — e reverberou dentro do peito do pai como se tivesse vindo do próprio corpo. Antes que o eco cessasse, a boca da criatura se abriu, devorando o menino por inteiro, engolindo-o num único movimento suave e silencioso.
Um grito nasceu nas entranhas do homem. Era um som bruto, ancestral, de dor e fúria misturados, que fez os pássaros da mata cessarem o canto e, num sobressalto, levantaram voo em bandos desordenados, riscando o céu noturno como sombras apavoradas.
Ele correu pela trilha enlameada, tropeçando nas raízes, os olhos marejados e turvos, até cair de joelhos diante de seus guerreiros reunidos em volta da grande fogueira. Seu corpo tremia, a respiração entrecortada. A dor havia se tornado uma coisa viva dentro dele.
— A grande cobra devorou meu filho! — gritou enquanto chorava, a voz entrecortada, rouca. Seu corpo tremia. Ele não sabia o que fazer. Era seu primogênito. Seu primeiro filho.
Ouvindo os gritos desesperados, uma mulher surgiu correndo da escuridão da mata, com o ventre avantajado entre as mãos. Seu corpo era magro e firme. A pele morena avermelhada brilhava sob a luz fria da lua, lembrando o barro úmido da floresta após a chuva. Cabelos longos, lisos e volumosos desciam até a cintura, trançados com perfeição. Os olhos castanhos, cor de mel, faiscavam em desespero absoluto, ampliados pelo reflexo trêmulo das chamas da fogueira.
Vestia uma tanga de fibras vegetais trançadas e um pequeno manto sobre os ombros, preso por cordões de cipó, adornado com penas de aves. Pinturas em tons de ocre e vermelho marcavam seu tronco, braços e pernas, traços ritualísticos que agora pareciam tremer com a mesma angústia que tomava seu corpo. Ela segurava a barriga com força, tropeçando nos próprios pés descalços, os olhos arregalados, buscando desesperadamente respostas que ele não tinha.
Ao redor, os guerreiros se ergueram num só impulso. As lanças brilharam sob a lua, o som das madeiras batendo no chão ecoou entre as árvores. Os rostos pintados variavam entre a raiva e a dor. Alguns avançaram até o homem, segurando-o pelos ombros, tentando contê-lo enquanto ele tremia feito folha ao vento. Outros correram até a margem do rio, gritando o nome do menino, chamando por um eco que não viria. O som era um lamento coletivo, um coro que misturava gritos, soluços e cantos de dor.
Mulheres começaram a surgir, envoltas em mantos de fibras, com tochas nas mãos. Uma delas ergueu um chocalho cerimonial e começou a balançá-lo lentamente, marcando o compasso de um canto fúnebre ancestral; um canto que só era entoado quando o espírito de alguém era levado pelo rio. O som se espalhou pela aldeia, profundo, reverberando nas árvores como se a própria floresta lamentasse junto.
A mulher grávida tombou de joelhos sobre o chão de terra batida na frente do marido, o rosto contra a poeira, soltando um grito em meio ao choro. Seu corpo se sacudia com soluços convulsivos. O homem se aproximou mais dela, segurando-a com os braços trêmulos, ambos desfeitos, como se o mundo tivesse desabado ao redor.
Os guerreiros se aproximaram lentamente, formando um círculo em torno dos pais. Ninguém ousava quebrar o silêncio que vinha depois do canto. Os olhos deles — firmes e endurecidos pela vida na mata — agora estavam marejados. Cada rosto refletia não apenas a dor pela criança, mas o temor silencioso: a grande serpente das águas havia se revelado e isso significava que tempos sombrios estavam por vir.
— Onde está nosso menino? — ela já sabia. Sentia. Mas queria ouvir a confirmação.
O homem mal conseguia falar.
— Boiuna o devorou!
O grito da mulher ecoou na noite como uma faca afiada, rasgando o silêncio da floresta. Era um som de pura dor, que parecia ecoar no coração de todos os que estavam por perto. Tremendo, abraçou o próprio ventre, como se pudesse proteger o filho que havia perdido.
— Não… meu menino… — sussurrou, em choque, a voz falhando. — Não… meu menino não… meu amor… nosso menino… — repetia, enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto.
Num impulso de fúria e desespero, começou a socar o peito do homem, gritando que ele trouxesse de volta seu filho. Cada golpe era uma súplica à vida e aos deuses da floresta. E então, no ápice da dor, a bolsa se rompeu. Um jorro de sangue misturado à água do parto inundou o barro sob eles, tingindo a terra da aldeia de vermelho.
As mulheres que a olhavam a cena pareciam incertas de qual atitude tomar para ampará-la, temendo que o chão os engolisse junto com aquele desespero.
— Vinga nosso filho e traga-me a cabeça da fera! — A mulher olhava para o marido com olhos vazios, preenchidos apenas pela dor crua, que se dividia entre a da perda e a que agora rasgava seu ventre em ondas violentas enquanto segurava os ombros do amado.
Subitamente, ela arqueou o corpo, ainda segurando o ventre com uma das mãos. Sob a pele esticada, algo se moveu nitidamente, como se um pé pressionasse por dentro, deslizando de um lado a outro. O marido recuou um passo, estarrecido, vendo a superfície da barriga se contorcer.
Ela se debruçou sobre o chão de terra batida, urrando de dor. O som era profundo, quase animal, ecoando pela aldeia. O suor se formava em sua testa, e seus dedos cravaram no chão como garras, enquanto a barriga se agitava num ritmo que não parecia humano.
— Vou vingar a vida de nosso filho, ele não ficará sem justiça! — gritou e olhou para sua esposa caída, suando e tremendo de dor, segurando o ventre. — Caaeté! Ajude minha esposa, rápido! — ordenou levando-a para o interior da grande oca comunitária, de madeira leve e palha entrelaçada.
O guerreiro, prestes a se tornar pai novamente e ainda carregando a dor da perda de seu primogênito, saiu da aldeia enquanto sua amada era amparada no parto. A barriga estava bem maior do que na primeira gestação, e isso o deixava temeroso de que pudesse perdê-la. Seu peito ardia com o clamor da honra e o desejo de tomar a cabeça da grande cobra. Precisava vingar a morte do filho, e, mais ainda, honrar a mulher que amava.
Sem perder tempo, o líder guerreiro reuniu os homens da tribo.
Armados de lanças, flechas e bordunas, seguiram em direção ao rio, onde o silêncio da floresta parecia mais pesado que a própria noite. O frio mordia a pele, transformando a respiração em nuvens brancas, e o coração de cada homem batia como tambores invisíveis, chamando a floresta para a guerra, marcando o ritmo de um destino cruel.
A água se agitou ao redor deles. A grande serpente emergiu, engolindo um dos guerreiros por inteiro. A mata ao redor parecia assistir em silêncio, quebrado apenas pelo ronco do rio e pelo sibilar da cobra.
Um jovem cravou a lança na carne escorregadia do monstro, mas o líder guerreiro logo ordenou:
— Saiam da água! Ela é a senhora do rio! Venham para fora!
Quando os guerreiros recuaram, a cobra os seguiu, rompendo a superfície. O homem saltou sobre ela e cravou sua lança no olho da criatura. Outro homem acertou a cabeça, mas a cauda varreu três guerreiros, esmagando-os como se fossem formigas.
A luta foi sangrenta. O homem acabou sendo engolido quase até a altura da cintura. Mas mesmo nas entranhas da serpente, ele não cedeu: com a última força, cravou a lança pelo céu da boca até atingir o cérebro da fera.
A grande cobra tomboumorta, deixando apenas o rabo se contorcendo na lama.
Ensanguentado e machucado, o guerreiro rastejou para fora do monstro, respirando em soluços. Ordenou que arrancasse a cabeça da serpente, para oferecê-la como vingança à esposa. Do ventre da criatura, retiraram também o corpo sem vida do seu filho.
Os olhos estavam fixos na criança, ele apertou o punho contra o peito, como se tentasse conter o coração que teimava em se despedaçar.
Os homens estavam distraídos, ocupados em arrastar os corpos, limpar o sangue e observar o rastro da Boiuna. A tensão ainda vibrava no ar, mas acreditavam que o pior havia passado.
De repente, o vento mudou. Um frio cortante percorreu a floresta, arrepiando a pele como lâminas de gelo invisíveis. As folhas e pequenos galhos foram lançados ao ar, rodopiando num turbilhão silencioso, enquanto a água do rio se agitava com uma força incomum. Num instante, as águas tornaram-se vermelhas, espelhando o céu como sangue fresco derramado.
Então, tudo parou.
Tudo congelou.
Os guerreiros que antes golpeavam o corpo da cobra ficaram imóveis com as lâminas suspensas no ar. Outros, que socorriam os feridos, permaneceram curvados, mãos paradas a poucos centímetros das feridas abertas. Até o rio, em seu frenesi sangrento, parecia ter se estagnado, cada gota congelada no espaço.
O silêncio era absoluto.
Somente ele — o guerreiro — movia-se, respirando ofegante enquanto olhava ao redor, atônito. As pessoas pareciam meras estátuas, presas em um instante eterno, como se a própria realidade tivesse prendido o fôlego.
Então, do rio, ergueu-se um ser. Alto, nu, com músculos firmes e molhados, coberto por longos cabelos que escorriam sobre o rosto, tornando impossível ver sua feição. Era diferente de tudo que já haviam visto, e, mesmo assim, havia uma presença que os dominava, silenciosa e absoluta. O ar ficou pesado; o tempo pareceu congelar.
— Tu mataste a grande serpente, jovem guerreiro.
— Quem és tu, espírito? — perguntou erguendo a lança.
— Sou Karosakaybu, espírito da água.
A voz era como correnteza.
— Por tua heresia e insolência contra a criação divina, amaldiçoo teu sangue. Do ventre de tua mulher nascerá uma filha marcada. De sua descendência, mulheres se tornarão Boiuna na lua cheia e para voltar à forma humana, deverão se alimentar de carne e sangue. Se recusarem, ficarão presas no corpo da serpente. Assim será. Que Tupã e Yby sejam testemunhas.
O espírito se desfez nas águas, sumindo como fumaça na correnteza.
O homem caiu de joelhos na margem, a respiração descompassada, o coração queimando de raiva e desespero.
— Meu filho foi levado e eu sou punido por buscar justiça? — gritou, a voz ecoando na floresta vazia. Num impulso, socou a areia, espalhando barro e pequenas pedras, sentindo a frustração que queimava em cada músculo.
O silêncio foi sua única resposta; tão pesado, que parecia engolir o próprio tempo. Aos poucos, o mundo voltou ao seu ritmo: o murmúrio do rio, o vento passando pelas folhas, o som distante das vozes dos homens que o acompanhavam, retomando a normalidade da floresta. Mas dentro dele, a dor e a raiva permaneciam, gravadas como cicatrizes na alma.
Ele ficou por um instante imóvel, sentindo o coração bater fortemente. Um calafrio percorreu sua espinha, o medo o dominava, lembrando-lhe da fragilidade diante do que não podia compreender. Sem pensar, voltou a correr em direção à aldeia com o corpo pulsando adrenalina e desespero, enquanto o grito distante das mulheres na aldeia, anunciava o parto.
Ao chegar ao abrigo de palha, encontrou sua esposa exausta, ainda de cócoras, apoiada na rede onde dormiam, amparada pela Caaeté. No centro da rede, duas crianças recém paridas estavam enroladas em pele de onça.
— São meninas… — ela mal olhou para seu amado. Olhava para às crianças à sua frente com olhos pesados, vazios e temerosos. Como se sentisse vergonha ou medo.
O guerreiro aproximou-se da rede e ajoelhou-se diante da amada. Olhou para as filhas com ternura, enquanto uma lágrima solitária deslizava pelo rosto. Segurou a mão da esposa, que se prendia com força às cordas da rede, e a acariciou com delicadeza.
Ele soltou a mão trêmula da esposa e com o coração batendo forte, aproximou-se das filhas. Pegou uma delas com cuidado, como se fosse feita de vento e cristal, e a aninhou nos braços. O calorzinho do corpo da pequena aqueceu-lhe o peito e, por um instante, o medo pareceu desaparecer. Observou seu rostinho, as feições eram humanas e delicadas, os lábios pequenos e rosados, os cílios finos como teias de aranha. Uma ternura profunda o invadiu, e ele sentiu o impulso natural de protegê-la com a própria vida.
Mas então, lembranças das palavras sussurradas pelo espírito da água ecoaram em sua mente como um trovão distante. Engoliu em seco. Com as mãos hesitantes, afastou a pele que envolvia o corpinho da menina e o mundo pareceu desabar.
Nada o havia preparado para o que estava vendo.
No lugar das perninhas humanas, havia uma extensão de pele lisa e escamosa, que se fundia com o tronco em um desenho antinatural. Os olhos da criança, antes fechados em paz, se abriram subitamente, revelando um brilho laranja intenso, como brasas acesas no escuro da oca.
O guerreiro sentiu o sangue gelar. Um grito horrorizado escapou-lhe da garganta, misto de pavor e incredulidade. A lembrança da maldição da Boiuna se ergueu em sua mente, sussurrando um destino inevitável.
Por um instante terrível, um pensamento sombrio cruzou-lhe o coração, rápido como uma lâmina: seria possível acabar com aquilo antes que fosse tarde? O amor pelo sangue que carregava nos braços lutava ferozmente contra o medo do desconhecido e a ameaça que agora se revelava diante de seus olhos.
Tremendo de raiva e desespero, o guerreiro colocou a primeira criança de volta no mesmo local, como se o simples toque dela queimasse suas mãos. O coração batia em seu peito como tambores de guerra ao longe. Com movimentos tensos, pegou a segunda filha e, ainda tomado por um ímpeto feroz, abriu com cuidado a pele que a envolvia. Para sua surpresa, esta tinha pernas humanas e choramingava suavemente, como qualquer recém-nascido.
A esposa, ainda sem encarar seu amado, ofegava entre a dor do parto e o choque do que via. Quando percebeu o olhar petrificado e sombrio no rosto do marido, um arrepio percorreu-lhe a espinha. Ela viu não apenas medo, mas a decisão fria de alguém que estava prestes a cruzar um limite sem retorno.
Com lágrimas escorrendo pelo rosto suado, ergueu a voz, que cortou o ar da oca como uma lâmina:
— Meu amado, não, por favor… não faça isso!
A mulher estava desolada. O ventre ainda doía, e o leite recém-chegado escorria de seus seios, lembrando-lhe com brutal clareza do milagre que acabara de acontecer. Aquelas crianças eram fruto do amor, presente dos espíritos, vida nascida de seu corpo. Ver o companheiro, aquele em quem confiava sua existência, olhar para a filha como se fosse uma ameaça, rasgava-lhe o peito como uma lança.
Ela tentou se erguer, cambaleante, o olhar fixo no homem que amava e temia ao mesmo tempo. Em seus olhos havia desespero, súplica e a coragem silenciosa de uma mãe que defenderia seus filhos até o último sopro.
— Enterre-a na floresta! — ele ordenou com voz rouca e fria.
A mulher ficou dividida entre a dor física, o terror e o instinto materno. Seu coração clamava contra a ideia de perder mais um filho.
Caaeté não protestou. Aproximou‑se com passos lentos, envolveu a criança condenada à morte nos braços e começou a murmurar um cântico antigo, baixo e arrastado, carregado de tristeza. Sem olhar para trás, saiu da cabana.
A mãe se lançou atrás, gritando com as mãos agarradas ao ar como se pudesse puxar de volta o que estava sendo levado. Mas o guerreiro a segurou firme pelos ombros, impedindo que ela avançasse, e nada deteve Caaeté; os gritos se perderam no sopro do vento. A mulher caiu no chão, abatida, abraçando a filhinha saudável que restava, as lágrimas misturando‑se ao barro e ao sangue do parto, enquanto a raiva e a impotência queimavam em seu peito.
O vento soprou frio sobre a aldeia. A mata estava em um completo silêncio, havia apenas o farfalhar contido das folhas, que guardavam o peso da maldição recém lançada.
Foi assim, naquela noite de dor e perda, que nasceu a lenda da Boiuna e a esperança da tribo se fragmentou sobre a terra vermelha da floresta e a criança que sobrou, mal sabia o homem que também estava amaldiçoada.
E a terra viveria sob o olhar da Boiuna.
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