Born to Die | Exile
40 Exile | Interlúdio VII - The Rand
Notas iniciais

Penthouse — Manhattan, Nova York.
Daniel Rand estava meditando no chão de costas para a entrada. Sentia os raios do sol transpondo as janelas de vidro da sala de sua casa em um dos prédios mais luxuosos de Nova York. Era um prédio grandioso com uma das poucas paisagens que ainda conseguia captar um trecho da natureza por entre os arranha céus. Danny encontrava-se imerso em sua meditação a horas. Nem percebeu e sentiu a presença de Colleen que deixou o quarto com a cara amassada de sono em busca de chá e do namorado. Não exatamente nessa ordem.
Quando se deparou com Danny conectado em seu mundo, ela se perguntou se não estava sofrendo um deja vu. Ele não tinha despertado na madrugada anterior alegando estar sem sono e saltitou para a sala na pretensão de meditar? Ele fez isso nessa madrugada também. E faria na próxima e na noite que veria depois daquela, até ele encontrar o seu descanso no paradeiro de sua irmã, Riddle Rand.
Sorriu triste. Ele não desistiria da lembrança de sua irmã. Ela não interrompeu. Seguiu para a cozinha onde preparou aquele chá com algumas torradinhas feitas na sanduicheira. O namorado tinha um apetite mais “requintado” assim, para ele, Colleen preparou algumas panquecas, ovo mexido, bacon e um pouquinho de arroz japonês. Para energia que ele queimava por hora aquilo dali era até pouco. Resolveu servir na mesa de centro da sala, acendendo um incenso para trazer boas vibrações para à manhã e despejou um jato de água fumegante na xícara com as ervas cidreira selecionadas por ela. Danny despertou da sua meditação sobressaltado.
— Eu a encontrei! — Por sobre o ombro, ele encontrou Wing despejando a água na xícara com um olhar esquemático. Não era a primeira vez que ela escutava tais palavras do namorado. — Ela está em um avião. Não consegui me comunicar com ela para saber para onde ela está indo, mas acredito que posso conseguir falar com ela na próxima viagem astral.
— Mas antes... que tal tomar seu café da manhã? — Ela o convenceu ao apontar para o prato com os ovos e bacon fumegando. Ele a acompanhou sentando sobre as pernas servindo generosamente. — Você... você tem certeza, Danny? — Ele a olhou com aquela empolgação que ela odiava ter que balancear com a realidade. — Dá última vez você conseguiu comunicar-se com ela e perdeu a conexão astral pouco tempo depois. O que torna hoje diferente? — Danny negou. Ele não queria relembrar aquela viagem. Ele a encontrou em um quarto. A irmã encontrava-se encarcerada naquele lugar desconhecido aos olhos dela, aquelas paredes tinham memória da sua presença. Mesmo quebrando a conexão astral, ele continuou a sentir a sua presença, como ele sentia o toque da pele de Colleen entrelaçando seus dedos naquele instante. Ele perdeu essa conexão da irmã. Não contou para Colleen, por medo de tornar aquilo uma realidade, mas quando isso acontecia, a pessoa não se encontrava mais nesse mundo. — Eu só não quero que você passe por aquilo tudo de novo.
— Ela me reconheceu. — Ele proferiu emocionado apertando levemente os dedos dela. — Ela me viu, aproximou de mim e me reconheceu. Não como Michael, mas como irmãozinho. — Colleen sorriu comovida com a descoberta do irmão. — Ela estava empolgada, talvez ansiosa com algo, e isso atrapalhou a nossa conexão, por isso não consegui prolongar. Você sabe o que isso significa? — Ele tocou o rosto dela e acarinhou. Ela aninhou sua mão sobre a dele. — Ela está viva, Colleen. E ela não está longe de mim. Eu vou reencontrá-la. Em breve. O CHI dela é vibrante e muito, muito poderoso. Nunca senti um tão concentrado. — proferiu empolgado. — Você acha que ela vai querer morar comigo? Talvez eu devo preparar o quarto para ela. Será que ela ainda gosta de lilás?
Colleen riu admirando a empolgação da namorada.
— O quê? Eu estou extrapolando, não é? — Ele coçou a nuca. — Luke reclamou disso outro dia, mas não entendi muito bem o que ele quis dizer com “excessivamente feliz”.
— Só um pouquinho. — Ela sorriu afagando a sua mão. — Eu estou preocupada. Não quero que você se iluda.
Ele pensava em morar com uma estranha que nem conhecia as intenções. Isso era ir rápido demais ou ela era paranóica demais.
— Você não pode impedir o meu sofrimento. — Ela abaixou o olhar, ressentida. Isso era verdade. — Mas, você pode estar comigo caso isso aconteça. Você é minha melhor amiga.
— Eu estarei acontecendo isso ou não — ela sorriu sentindo um quentinho em seu coração e antes que se desse conta beijou os lábios do namorado com carinho tendo o gesto retribuído com paixão.
— Nossa, vocês conseguem ser mais irritantes sozinhos! — Jessica Jones grunhiu. Ela brotou atrás do sofá?
— Como você entrou? — Colleen sobressaltou indignada com a intrusão. Danny, por outro lado estava em outro planeta o que não era improvável.
— Pela porta. — Jessica apontou com o polegar para a porta crispando os lábios surrupiando a torrada de Colleen. — Ela estava aberta. — Ela mordeu com gosto mastigando com satisfação. — Eu sei que vocês são ninjas e tal, mas isso não parece ser a melhor decisão para alguém que mora nesse “muquifo”.
— Você esqueceu a porta aberta de novo, Danny? — ralhou a professora de luta marcial.
— Eu não entendo essa necessidade de trancar portas. — Ele gesticulou em negativa e Colleen se deu conta que aquela cara de cachorro abandonado ia colocá-la encrenca.
— Quando roubarem aquela televisão, você vai entender. — Jones caminhou até a janela e repousou a mão sobre os olhos incomodada com os raios de sol. Bufou desgostosa puxando um pouco a gola da jaqueta de couro. — Eu tenho novidades sobre caso.
— Eu também tenho. — Ele levantou do chão estendendo as mãos. — Eu senti o CHI da minha irmã!
— Bom, tem coisas mais estranhas que você poderia ter sentido dela não é, ironclad. — Ela entortou os lábios.
— Eu sei que você sabe que esse não é meu nome — ele sorriu com aquela animação que deixava Jessica exausta só de usufruir o mesmo ar que ele. — Não doeria se você me chamasse por ele.
— Doeria. Muito.
Ela revirou os olhos empurrando para o homem um envelope pardo bem gordinho que ela carregara de sua casa até ali embaixo do braço. Ele poderia ter uma mancha de uísque que ela deixou cair sem querer? Sim.
— Pega logo isso, ò riquinho de aço antes que eu enfie esse bule chinês onde o sol não bate — rosnou.
Sem delongas Danny pegou o envelope conferindo o seu conteúdo com uma empolgação digna de uma criança abrindo seu primeiro presente de natal.
— Esse bule é do Wallmart. — Colleen gesticulou indignada, e um pouco orgulhosa, ela escolheu o desenho.
— É ela. É a Rid! — Ele encontrava-se embasbacado com a foto entre os seus dedos. Era uma foto típica de perfil de rede social. Ele mostrou para a Colleen. — Conheça a minha irmã.
— Ela é linda. Vocês tem o mesmo nariz.
— É. E os olhos. Mesma cor. Meus cabelos lembram do papai e o dela é uma mistura. — Riddle estava com os cabelos loiros enrolados nas pontas soltos em cascatas sobre os ombros. Os olhos azuis brilhavam intensamente sob as pestanas espessas e os lábios vermelhos destacados na imagem que, ela estava na companhia de Trish Walker e Jessica. — Espera. Como você tem essa foto com ela?
— A sua irmã, Riddle, era minha amiga. Willa Fairchild. — Danny olhou para as folhas em suas mãos. Ali tinha uma resma de informações sobre a sua irmã, onde ela morara nos últimos anos, seus trabalhos, sua vida como assassina para a Casta. Ele engoliu em seco. Tentáculo era o seu alvo principal em muitas dessas missões. Ying Yang encontrariam um modo de se conectar mesmo que distantes no tempo e espaço. Havia tanto sobre a sua irmã para descobrir que, ele não sabia nem por onde começar. Jéssica se sentou no sofá com as pernas abertas unindo as mãos a frente de seu tronco. — Se eu fosse vocês, eu me sentaria bem confortável com uma xícara de café bem quentinha: a conversa será beeem longa e minha paciência é mínima.
Colleen e Danny trocaram um olhar confiante e ela assentiu com um sorriso, apertando o ombro dele. seguindo para a a cozinha. Danny sentou na poltrona, escutando Jessica narrar como seu caminho esbarrou no de Willa e os olhos de Rand encontraram-se na foto da sua primogênita exatamente como ele a vira a instantes atrás. Viva. Ele sorriu emocionado.
Ele não estava sozinho.
Ele a tinha.
Riddle, eu vou te encontrar. Ele nunca esteve tão perto dela como naquele momento e escutar sobre a sua vida dos lábios de uma amiga arrancou-lhe um sorriso tão puro que uma parte de si reencontrou aquele menino que ele acreditara ter perdido no acidente.
Ele se reencontrara e agora rumaria para encontrar a sua irmã.
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