Notas iniciais
[NÃO DEIXEM DE LER AS NOTAS FINAIS] Oi, gente! Chegamos ao último capítulo dessa temporada. Que loucura, né? Essa temporada foi toda original, ou seja, sem se basear em um filme/série e eu não imaginava que eu conseguiria terminá-la a altura da primeira temporada, nem que ela chegasse aos pés do que eu curto produzir. Eu curti demais desenvolver essa história do zero. Deu um mega trabalhão, que valeu muito a pena. Sinto que a Willa cresceu como personagem original e até, de um jeito estranho está mais enraizada na história da Marvel. Doido, né? Eu estou MUITO orgulhosa da trajetória dessa história. E é impressionante como essa história me faz um bem danado, não importa quando eu a escrevo. Vocês se sentem assim também, quando estão lendo? Bom, acabamos aqui essa temporada. Eu estou torcendo MUITO para vocês curtirem o desfecho, pois eu fiquei igual aquele meme da cabrinha gritando: AOS BERROS! Por favorzinho, COMENTEM! Preciso muito da opinião de vocês para saber o que fazer daqui por diante. O que vocês querem que aconteça? Quem vocês querem ver? O que vocês estão sentindo falta? Dá essa ajuda para a tia aqui :) Nesse hiatus entre temporadas, eu convido vocês para conhecerem os meus outros trabalhos, que podem ser lidos pelo Kindle (o aparelho ou através do aplicativo para celular/notebook) :) Apenas Respire - https://amzn.to/2SY58GF (um romance super apaixonante em um cruzeiro) A Teoria da Samambaia - https://amzn.to/2GZB7ni (uma atriz brasileira e negra descobrindo o verdadeiro significado de amor) Efeito Borboleta - https://amzn.to/3k17mBa (um conto de terror homenageando os filmes de slasher dos anos 1990, que acontece em um cinema, em Niterói, RJ) A Canção de Amana - https://amzn.to/33SVxYc (um conto de terror sobre uma curumim descobrindo sua essência.) Uma Conversa - https://amzn.to/3iY98Sh (um conto sobre depressão) e vocês podem ler TOTALTAMENTE DE GRAÇA lá no wattpad o meu novo livro EMERGÊNCIA que conta o dia a dia de bombeiros, policiais e socorristas no Rio de Janeiro: https://www.wattpad.com/story/239484178-emerg%C3%AAncia Fala comigo nas minhas redes sociais :) TWITTER - @imbarbaraherdy INSTAGRAM - @barbaraherdy TIKTOK - @barbaraherdy Muito obrigada por se atirar nessa aventura comigo. Te vejo na próxima temporada :)


MANSÃO DOS VINGADORES SECRETOS
Interior de Nova York

Eu sinto muito

Riddle Rand riscou as palavras no pedaço de papel do bloco. Concentrou sua atenção na paisagem diante dos seus olhos, um quintal com o gramado batidinho e um jardim de flores diversas, que ela tratou pessoalmente de adornar. A mansão era adornada por um cercado vivo, separando a moradia da rua.

A vizinhança nutria curiosidade sobre quem era os novos moradores, o “casal recém-casado”, como Willa informara ao corretor, é claro, fingindo ser assistente do casal fictício. Uma das suas primeiras providências foi colocar na obra da casa uma saída secundária, longe dos olhos públicos, para que eles pudessem sair de veículo sem atrair a atenção de ninguém. Ela sabia, que em algum momento, descobririam, quem vivia naquele casarão, quando isso acontecesse, suas vidas mudariam drasticamente. Ela estava tentando adiar e prevenir-se contra o inevitável.

Ela adorava aquele lugar. O que era estranho para Willa, acostumada até então a ir de um lugar a outro sem deixar raízes. Ela queria deixar sua marca naquele lugar, conseguir chama-lo de lar sem temer que aquelas paredes, a sua segurança, não passasse de uma ilusão. Talvez fosse uma reação inconsciente depois de descobrir que sua vida foi uma mentira ou só uma precaução. Ela passou todos os dias dessas últimas semanas, embalada em uma das cadeiras, assistindo seus amigos criando afinidades com a casa.

Wanda passava as manhãs treinando seus poderes e aprendendo danças contemporâneas, graças a um canal no youtube. Sam dividia seu tempo em treinar com Steve e assistir filmes com Pietro. Maximoff passava a maior parte do seu tempo com a irmã, mantendo-a longe do androide, e quando a deixava respirar, ele jogava um videogame, enquanto lia um livro e escutava um cd pelo celular. A morosidade ainda era um problema para ele. Visão se tornou um chef de cozinha, só que ainda bem ruim. Natasha curtia a piscina, antes de dedicar-se a destruir células da Hydra um dia de cada vez. Steve também passava a maior parte do seu tempo focado em acabar com a organização maligna, só se lembrando de almoçar e jantar – os únicos horários em que todo mundo se juntava na sala de refeições. Bucky era quem tinha o dia a dia mais tumultuado, entre as sessões de terapia e consultas com Shuri pela internet. Ele estava evoluindo muito bem no tratamento e adaptava-se ao seu novo braço feito pela Princesa de Wakanda. Willa distaia-se com um livro ou ouvia música (algo que não fazia há tanto tempo) ou só ficava em silêncio, sozinha com seus pensamentos, uma caneta e um bloco de anotações. Esperando.

E nada acontecia.

Naquele momento, aos seus olhos, aquele lugar lhe agregava uma paz que ela passou anos acreditando desconhecer. Sua vida com os Rand foi abastada, cheia de amor e mimos. Ela viveu em um lar saudável, cheio de afeto, com uma mãe engraçada, um pai amoroso e um irmão apaixonante. Ela buscou por um lar a vida inteira sem saber que ela tivera um, e agora, ela poderia reavê-lo. Graças a Helmut.

Ela amassou o pedaço de papel, empurrando para longe de seu alcance. Escrever era inútil. Ela nunca enviaria aquela carta para Zemo, e mesmo que ela sofresse algum lapso mental, ela duvidava que ele receberia aquela carta amigavelmente. Suas intenções nunca foram genuínas com ela — ou era o que ela repetia como um mantra em uma tentativa vã de acreditar naquilo.

Sob o efeito inebriante de completude, ora incerta, ora boa demais para ser de verdade, Riddle — ou Willa ou Yanagi — se pegava agarrada a uma duvida. Valeu a pena? A jornada dela, até aqui sobrevivendo e lutando, morrendo e retornando, amando e perdendo, escolhendo e evoluído. Tudo isso enroladinho em uma fita de cetim vermelha lhe trouxera até aqui, a essa mesinha sob o sol do outono de Nova York com uma xícara de chá de ervas, que ela mesma colheu com um livro a tiracolo. Ela respirou fundo, escutando a brisa, buscando ouvir sua mensagem a ela. Fechou os olhos e sentiu o silêncio dos céus, sem naves rasgando a atmosfera, escutou a natureza, sem os gritos apavorados de animais feridos por fogo e explosões. Não havia resposta.

Contudo ela continuava esperando. Ia vivendo, tentando adaptar-se a uma vida estranha, que parecia não se encaixar com ela de jeito nenhum, acostumando-se a ter raízes, a ter um irmão, a ter Bucky e Pietro juntos e esperando. Não sabia se algum dia teria a resposta, que ela buscava ou se em algum momento essa duvida deixaria de ser tão presente e importante em seu coração. Ela só sabia que fazia muito tempo que ela não sentia tamanhã paz.

Uma pena que para alcança-la, ela precisou caminhar pelo inferno.


SEMANAS ATRÁS.
JATO
LUGAR DESCONHECIDO.


Natasha soltara a corrente prentendo Helmut Zemo ao chão da sala de contenção. Sem lhe dirigir uma palavra, ela o levantou pelo torso, segurando suas mãos algemadas. Zemo não tinha interesse algum em irritar a espião e obedeceu o seu comando, e teria seguido sem retensões se não fosse por ela entrar em seu caminho. Em silêncio, Willa trocou um olhar com Natasha. Ela soltou o alemão, inexpressiva e aproximou-se da ninja, sussurrando em seu ouvido algo dividido entre elas. A ninja assentiu e a espiã deixou eles à sós.

— Veio se despedir de mim? — Helmut cortou o silêncio com um sorriso debochado. — Nós nunca fomos bons nisso, Riddle.

Fazia dias que ela e o grupo chegaram a Wakanda e recepcionados como convidados do rei. Eles tinham algumas pendências para resolver com T’Challa. Devolver um jato e informa-lo das últimas descobertas. Enquanto Steve, Sam, Willa e Natasha entravam e saiam de reuniões com T’Challa e os seus conselheiros, o resto do grupo encontrava-se encantado com Wakanda. Pietro e Wanda descobriam as maravilhas das terras africanas, sua cultura, comida, moda e música. Visão fascinava-se com a biblioteca do palácio, repleta de histórias seculares do povo de Wakanda. Willa não esqueceu de entregar à lasca de Tesseract para Shuri — que considerava a ninja como sua nova melhor amiga depois desse presente — e Bucky cuidava da sua saúde física e mental antes de tomar a decisão de ficar ou partir, em definitivo. Nesse meio tempo, Willa maquinava um meio de resolver sua situação com o General Ross. Para isso, ela precisaria de uma ajuda inesperada de fora, que não mediu esforços para ajuda-la. Cá estavam elas em uma viagem de ida para o RAFT com uma reunião concedida a elas com Ross e elas retornariam para Nova York, graças a essa ajuda, sem amarras com o governo.

A ninja não pretendia trocar uma palavra com Helmut, mas esse pensamento mudou ao longo dos dias. Ter as suas memórias de volta foi mais tranquilo do que ela esperava. É como se eles sempre estiveram com ela – e estavam! — e agora, quando algo vinha em sua mente era como relembrar uma vivência antiga quase esquecida por ela. Uma dessas lembranças foi uma memória recente e adormecida, quando ela e Helmut se encontraram pela primeira vez; ele era um psicólogo e ela era Willa. O coração dele moveu em ondas com a sua presença. Agitado, rebuliço, intenso, imparável. Não havia medo, tensão, ódio em seus batimentos. Era saudade com frustração, tristeza e –

Não deveria importar, mas quando ela o visitou na prisão em Wakanda, escondida atrás do vidro sem transparência, ela não sabia o que buscava no coração dele. Ódio? Raiva? Medo? Arrependimento? Pesar? Solidão? Ela o visitou em segredo todos os dias e ela deparava com o coração dele retumbando na mesma batida daquele dia, que ele era um psicólogo e ela era Willa.

Agora eles estavam frente a frente pela última vez.
Ele era a última cabeça da Hydra e ela era Riddle.
Willa tocou o rosto dele e sentiu toda a sua energia mesclasse a ela, seus sentimentos, seus cheiros, suas dores, suas faltas, seus medos. Ele que passara dias sem expor um fio de expressão, reagiu ao toque dela ao fechar os olhos e pender seu rosto sobre a mão dela, como uma criança aninhando-se na segurança de seu leito.

Ela distanciou sua mão, deixando o calor de sua pele residir na dele, por pouco tempo. Ele abaixou a cabeça, não querendo que ela visse o que era capaz de fazer com ele. Mal sabia ele que ela escutava o coração dele e o reconhecia tão bem, como ao próprio que carregava no peito.

Ela segurou as mãos dele e o guiou para deixar a sala de contenção. Isso tudo começou por causa dela e terminaria através das mãos dela.


RAFT
LUGAR DESCONHECIDO

Zemo se encontrava no centro cerceado por Willa e Natasha. Ele não precisou de um comando para descer a rampa do jato para a plataforma do RAFT, onde, eles foram recepcionados por General Ross e uma dezena de soldados. Em um sinal hostil o general levantou a mão e os soldados miraram suas armas em Zemo que congelou os seus movimentos. O general moveu o indicador em um círculo e um trio de soldados passou entre a espia e a ninja entrando no jato. Procuravam pela presença dos outros, o Capitão em especial. Eles estavam bem longe dali. Retornaram de mãos abanando para desagrado do general. Natasha e Willa trocaram um olhar singelo. O homem deu um passo até Zemo encarando seus olhos com presunção e um sorriso malicioso.

— Eu vou cuidar pessoalmente da sua estadia aqui, meu jovem. — Zemo não titubeou em olhá-lo nos olhos sem um pingo de receio. — Eu vou querer saber a hora que você acorda, come, toma banho, caga, chora e dorme. De hoje em diante eu vou ser a sua sombra e você só sai daqui em um saco preto comigo escortando-o para o cemitério, fui claro?

— Limpido. — Zemo respondeu comprimindo um sorriso.

— Levem-no daqui para a caixa. Lá nós terminamos de cuidar dele. — Dois soldados obedeceram a ordem do general e caminharam até Zemo, soltaram as algemas colocadas por Natasha e prenderam uma mais grossa com uma luz azul piscando e levaram o alemão que, deferiu um olhar por sobre o ombro para Willa. Não havia emoção no olhar dele, mas ela não deixou de captar o vacilo nas batidas do coração dele, o mesmo vacilo que ela escutou quando o encontrou pela primeira vez nas Nações Unidas, a mesma batida que ela escutou quando eles se encontraram na sala de interrogatório, o mesmo vacilo que ela escutava no coração do menino por quem ela se apaixonara. Ela distanciou seus olhos dele. Esse menino se tornou o homem que almejava sentar no trono de seu pai, que desejava ser chamado de Barão da HYDRA, que mentiu e usou das pervercidades que o pai dele fizera com isso para conseguir o que ele desejava: a pedra. Ele não era mais aquele menino e nem ela era mais aquela menina. Levantou o queixo ao deparar-se com o General a olhando como um predador. — Você. — Ele deu um passo ameaçador na direção dela. Natasha manteve-se imóvel ao lado da amiga. — A única pessoa com quem Zemo falaria. Caçamos você por toda parte para ouvir o homem condenado ao corredor da morte. O que nos custaria? — Ele meneou a cabeça. — Você entrou no meu RAFT. Sentou naquela sala de interrogatório no auge da sua prepotência e conversou com ele como velhos amigos e escapou daqui com um dos meus piores criminosos pela porta de entrada. E tem a cara de pau de retornar aqui para devolvê-lo como a boa samaritana que é.

— Eu fui sequestrada pelo seu prisioneiro. — Ele abafou uma risada debochada e Willa deu um passo. — O senhor não assiste as suas câmeras de vigilância? Não viu quando ele atirou em mim com a arma da aliada dele, a Syn? Filha do Caveira Vermelha? — Ele levantou o queixo, contemplativo. — Você tem um verme delator aqui dentro que o aliciou para tudo isso acontecer bem debaixo do seu nariz.

— Suas palavras valem tanto quanto merda de cavalo. — Ele sorriu.

— E as minhas, Ross? — Uma voz pomposa e confiante ecoou pelo jato dominando o pátio do RAFT. Calmamente Tony Stark deixou o jato descendo o jato com seu sorriso charmoso e óculos escuros nas mãos, uma pasta. Ele estendeu os braços parando cara a cara com o general retirando os óculos. — Elas valem de alguma coisa?

O general olhou por sobre os ombros deixando sua atenção cair sobre o trio que verificara o jato.

— Eu pensei que o jato estava limpo.

— Pega leve com eles. — Tony bateu a mão no ombro do general que o olhou com frieza. — Eles não procuraram dentro dos armários. — Ele sorriu. — Sobre o que nós estávamos falando mesmo? — Tony olhou de Willa a Natasha. — Ah, é mesmo, sobre o senhor ter coagido a senhorita Rand para participar de um interrogatório ao qual ela não teve instrução, companhia de um advogado, muito menos foi tratada com o devido respeito ao qual ela merece.

— Devido respeito? Até ontem vocês estavam tentando abocanhar a jugular um do outro — escarneceu. — E quem diabos é Rand?

— Eu. — Willa levantou a mão e estendeu para ele apertar que ele ignorou com veemência. — Riddle Rand, senhor. Essa foi uma das descobertas que eu fiz enquanto fui mantida em cárcere na HYDRA. E quanto ao senhor Stark, as minhas escolhas políticas e as dele não são mais um problema, general, e sim o seu abuso de autoridade para que correspondesse com as suas necessidades de interrogar um prisioneiro que, você não conseguia tirar nada dele. Além das suas ameaçadas de colocar uma civil em perigo caso eu não cooperasse como o senhor exigiu.

— Você é uma fugitiva. Você não tem direito algum aqui.

— Aí é que você se engana, meu caro. — Tony negou levantando o indicador e apontou a mão para Willa. — Riddle não é uma fugitiva. Ela está morta. Bom, ela estava morta, mas retornou ao mundo dos vivos e tem muito para colocar em dia. E... — Ele abriu a pasta tirando um calhamaço de papeis estendendo para o general. — Willa Fairchild, antes de partir para o mundo como uma memória, assinou o acordo de Sokovia. — O general pegou o calhamaço descrente conferindo a assinatura. Seus olhos caíram sobre Stark e Willa com fúria queimando em suas pupilas.

— Então, todo e qualquer problema que você tenha com a senhorita Rand ou Fairchild ou qualquer outro nome que ela use se encontra resolvido. — Natasha posicionou com as mãos unidas ao lado de Stark.
— Finito. — Tony espalmou as mãos com um sorriso. — Podemos ir? Acho que ainda dá para pegar o brunch em Nova York.

— Isso é roubo de identidade. Eu não posso aceitar. — Ele esticou a pasta para Tony que não moveu um músculo.

— Não, não é roubo. Roubo é quando alguém usa uma identidade que não lhe pertence e eu sou Willa. — Ela deu um passo até ele, arqueando as sobrancelhas. — E também sou Riddle. Isso está claro nos documentos também inseridos na pasta. Uma cortesia para eliminar qualquer obstáculo entre nós.

O general baixou os olhos para a pasta, mas nem se deu ao luxo de procurar pelos documentos.

— Vocês se acham muito inteligentes, não é mesmo?

— Achar? — Tony uniu as sobrancelhas, olhando para a espiã. — Eu não usaria essa palavra, e você, Natasha?

— Eu usaria algo mais preciso, Stark.

— Como... nós somos inteligentes e não vamos deixa-lo nos usar de marionete para você conseguir subir na sua escadinha de ego entre os militares e o governo. — Willa pontuou com tranquilidade olhando para o general. — Você precisa de nós.

— Você é uma partícula pequena, Ross. Todos nós somos, mas juntos, nós nos tornamos parte de algo muito maior do que nossas necessidades, ego, poder... — Tony proferiu crispando os lábios repousando a mão sobre o ombro dele. — O mundo precisa de nós e você sabe que quando o céu se rasgar, como naquele dia há 8 anos atrás, você não e os seus homens não serão pareo para o que vier de lá. — Ele apontou o dedo para os céus.

— Você se dá credito demais, Stark.

— Eu confio no meu taco e eu não vejo mal algum nisso. — Ele deu de ombros. — E eu acredito nos vingadores. Juntos ou separados, nós somos a sua melhor arma contra o que vier dos céus, da terra, do mar. — Ele repousou as mãos nos ombros de Ross e limpou. — Você deveria tentar também, acreditar em nós, dormiria melhor a noite.

Tony colocou os óculos dando as costas para o general e retornando para o jato dando por encerrado a conversa. Natasha e Willa imitaram seu gesto, uma a uma, eles deferiram um último olhar para Ross bufando entre os lábios.

— Isso não acaba aqui. — Ele apontou o dedo para o trio. — Vocês me ouviram?

— Deixa ele acreditar nisso. — Natasha murmurou seguindo para a sua poltrona.

Tony sentou na poltrona do centro e acionou um botão em seu controle no braço da poltrona e a rampa subiu vagarosamente fechando o compartimento. Ele conferiu encontrando Willa e Natasha sentadas em suas poltronas e ele acionou outro botão que ligou os motores do jato que ganhou os ares seguindo rumo aos Estados Unidos.

— Eu acho que isso foi melhor do que nós esperávamos. — Stark pontuou rodopiando em sua cadeira para encarar as mulheres. — Ele deve ficar mansinho pelas próximas semanas tentando encontrar algum buraco onde ele pode tentar nos puxar pelos calcanhares, mas ele não vai encontrar nada e ele não perdeu o resto dos neurônios para inventar algo.

— Duvido que ele tente algo que coloque a posição dele em risco. — Natasha completou servindo-se de um copo de uísque e entregou um para Tony sem necessitar de um pedido. — Foi uma jogada inteligente usar as suas identidades como um trunfo. — Ela olhou para Willa que se encontrava de pé, retirando seu casaco de couro e largando no braço da poltrona, aproximou-se do bar se servindo de uma cerveja. — Ele não esperava por essa jogada nem pela sua assinatura no acordo.

— Cá entre nós e que isso nunca deixe esse jato, eu não imaginava que você daria para trás quanto ao acordo. — Tony se aproximou de Willa. — Ao menos não antes do Rogers.

— Esse acordo não é vitalício. — Ela apoiou-se contra o bar abrindo a tampinha da cerveja com uma batida contra a beirada do mogno para desespero do Tony. — É só uma questão de tempo até ele cair em desuso e o senado o arquivar. Minha assinatura, a sua e de qualquer outro naquele papel será tão inútil quanto toda essa birra entre você e o Steve.

— Um brinde a isso. — Natasha levantou o copo seguida por Willa e Tony que deu de ombros e eles beberam se mantendo em silêncio por alguns instantes até que Natasha o cortou. — Você precisa ser o adulto da situação, Tony. Steve não vai dar o braço a torcer.

— Eu também não — disse mantendo seus olhos escuros no copo. Ele levantou as sobrancelhas retornando sua atenção a elas. — Não tem como. Não depois de tudo. — Ele virou um gole mais longo da bebida seguindo até o bar para se servir de mais.

— Steve pode ter tido uma maneira torta de expressar quanto ao assassinato dos seus pais, mas a escolha dele veio de um lugar bom. — Willa murmurou para ele olhando o com doçura.

— Eu sei — sussurrou. — Se coloque no meu lugar, Willa. Se ele soubesse sobre o seu passado, sobre a Riddle, sobre quem matou seus pais, sobre o seu irmão vivo e ele optasse por não contar para proteger alguém ou para poupar-lhe da dor de descobrir a verdade. — Willa abaixou seu olhar. Natasha fez isso com ela. Elas trocaram um olhar, ressentido. O que ela faria em seu lugar? Contaria a ela um passado que ela desconhecia, lhe daria uma centelha de sua história mesmo sabendo que isso poderia destruir seu presente e futuro? — Eu não posso perdoá-lo por isso.

— Eu escondi de todo mundo que os filhos do Barton estavam vivos. — Natasha e Tony olharam para ela com surpresa. — Isso aconteceu há um tempo. Antes de a Peggy falecer. Quando eu contei ao Steve, ele... — Ela engoliu em seco relembrando aquela tarde onde a HYDRA destruiu a fazenda da família Barton e assassinou Laura sob o comando de Zemo. Barão Zemo. — Steve nunca me olhou com tanta decepção. Mais tarde, quando ele me contou sobre os seus pais, eu entendi que parte daquela decepção era mais pelas escolhas dele do que a minha. Eu me arrependi, mas não tenho como voltar atrás nisso. Nem o Steve.

— Como acha que ele vai se sentir por você ter assinado o acordo?

— Ele vai entender o meu motivo. — Tudo que ela faria de hoje em diante seria por Danny e a felicidade dela. Não haveria nada e nem ninguém que a levasse a se arrepender de tentar o impossível por quem amava, por sua família.

Willa despertou da lembrança, retornando ao presente — o jardim florido, o sol de outono, o cheio de ervas frescas do seu chá — ao escutar Wanda sentar ao seu lado. Ela trouxe um pratinho com biscoitos, recém feitos por Visão colocando em prática seus dotes culinários ainda enferrujados. Ela serviu-se de alguns, enquanto a feiticeira enchia a xícara delas com chá.

— Tem sido dias bons, não é? — comentou recostando na cadeira.

— É estranho. Parece que tem algo fora do lugar.

— Você. — Wanda fez um biquinho, repousando a xícara de chá. — Você está fora do seu conforto. Você está acostumada ao caos. Nós estamos. — Corrigiu com um sorriso triste.

— Isso faz muito sentido. — Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa com a percepção da amiga. Ela não conseguia se lembrar da última vez que ela passou tantos dias a mercê do dia acabar, escolhendo entre assistir televisão e ler um livro para distrair sua mente.

— Eu te entendo, sabe. — Wanda entortou um sorriso. — É estranho não ter que resgatar ninguém de um sequestro no meio da noite ou salvar o mundo em trinta minutos.

— Eu não sei viver uma vida normal. Faz muito tempo que não vivo isso. — Ela levantou as sobrancelhas. — Se o Clint estivesse aqui, ele podia me dar algumas dicas.

— Eu vou sentir falta dele, do Clint. — Wanda confessou saudosa. — Não me entenda mal, eu estou feliz por ele e as crianças estarem recomeçando em Nova York e adorei que ele nos apresentou àquela amiga dele --

— Kate Bishop — Willa completou as palavras que faltaram a ela. A garota mais espevitada e tagarela que Willa colocara os olhos nos últimos anos. — Ela pareceu gente boa.

— É, mas ela não é o Clint. — Ela entortou um sorriso triste, recebendo um afago de Willa. — Odeio a sensação de que a gente está substituindo as pessoas.

— Não estamos — Willa disse suavemente. — Ele, o Scott... eles têm famílias, que precisam deles fora desse nosso mundo caótico e eles sabem que terão um lugar aqui com a gente para o que for.

— É. E a Nat? Onde será que ela está agora?

Natasha foi embora a poucos dias, abruptamente sem deixar vestígios, sem se despedir de ninguém. Era estranho imaginar as reuniões do fim de semana sem a sua risada calorosa, caminhar por aquela casa sem esbarrar com ela nos corredores e ganhar um abraço apertado. Onde ela estaria, Willa pensou, ela só poderia torcer que a amiga encontrasse o que buscava, como ela encontrou.

— Acho que ela está por aí, enfrentando alguns fantasmas, chutando algumas bundas.

Wanda balançou a cabeça, afastando a melancolia. Ela mudou o rumo emocional da conversa com um sorriso.

— Sem eles, você vai ter que se contetar comigo. — Elas riram e Wanda aprumou os ombros com um sorriso empolgado. — O que você tem vontade de fazer?

— Sei lá, ficar viva? — Willa crispou um sorriso. — Eu não penso muito no que quero fazer, quando tem um alvo nas minhas costas me lembrando que talvez eu não tenha um futuro.

— É, mas um talvez implica para um possível sim. Você tem um futuro. Precisa só se dar a chance de viver ele. Eu tenho muita vontade de ter um canto só meu, sabe? — revelou. — Uma casa com cerca branca, cachorro, essas coisas que a gente vê nos filmes americanos. — Ela riu com as bochechas corando levemente.

— Um namorado para te fazer companhia nas noites frias. — Willa completou lançando um olhar por sobre o ombro para Visão na cozinha, seguindo as instruções de uma receita culinária em um canal do youtube. Pelo cheiro eles teriam que pedir comida por delivery.

— Eu amo ele. — Wanda sorriu com os olhos brilhando. — Eu disse para ele, na noite que a gente se mudou para cá e ele também retribuiu os meus sentimentos.

— Ah, Wanda! — Willa abraçou a amiga, sorrindo. — Isso é incrível! Meu WandaVisão é real! Posso fazer camisetas com o ship?

— Ah, por favor, não! Não chama a gente assim! Eu vou morrer de vergonha! — Ela levou as mãos para as bochechas. — Mas isso é muito incrível mesmo. E você? — Willa amuou afundando-se na cadeira. — Eu sei que você gosta do meu irmão e a última coisa que você faria é magoá-lo, só que agora que o Bucky voltou, as coisas mudaram, né?

— Se mudou. — Willa abaixou a cabeça soltando um gemido desgostoso.

— Eu não preciso ler a sua mente para saber que você tem a resposta.

— É, eu tenho, mas odeio a sensação de que vou quebrar o coração de alguém por causa disso.

— É a sua felicidade que está em jogo também. Eles vão entender.

— Wanda! — A voz suave de Visão chamou atraiu a atenção das mulheres para a cozinha. — Eu preciso de uma ajuda nos temperos. Por favor?

— Deixa tentar salvar o almoço. — Ela crispou um sorriso, apertando o ombro da amiga com um afago. — Vai dar tudo certo.

Willa assentiu, sorrindo.

— Tomar um sorvete com o meu irmão — disse com os olhos na xícara de chá. — Eu acho que é um bom jeito de começar essa coisa de vida normal.

— Eu acho que o jeito perfeito. — Wanda sorriu, seguindo para a cozinha.

Willa assistiu ela abraçar Visão por trás lhe dando um beijo na bochecha e escutando suas dúvidas com um brilho afetuoso no olhar. Ela não conseguiu esconder sua felicidade por eles.

Levando as xícaras para a pia da cozinha, Willa bisbilhotou o térreo, encontrando Sam e Pietro infurnados no sofá, jogando videogame. Isso quando eles não estavam se afogando em pipoca e cerveja fazendo maratona de algum filme de terror slasher com muitos gritos e mortes exageradas. Pelo horário, Steve não estava com os rapazes, pois deveria estar no escritório, estudando as informações descobertas recentemente por Natasha sobre células ativas da Hydra. Ele queria enviar uma missão para a primeira célula, na África do Sul ainda no fim daquele mês, mas Sam aconselhou o amigo que seria melhor eles se preparem e aproveitar a normalidade por um tempo. Pelo visto, ela pensou, esse era um tema recorrente entre ela e Steve. Talvez eles precisassem de um choque de normalidade, que ela tinha certeza que Sam adoraria aplicar neles ou ela deveria se espelhar em Steve e aceitar que ela pode não ter sido feita para normalidade.

Como Natasha aceitou. Willa percebeu que depois que eles se instalaram no casarão, ela se distanciou do grupo. Ela ajudava Steve com as investigações, almoçava e jantava com todos e participava das reuniões de fim de semana, mas... ela não estava verdadeiramente com eles. A ninja sabia que não tinha nada a ver com sua recém-adquirida memória.

Elas tiveram uma conversa em uma noite, no bar da mansão. Com doses de vodca e um jogo amistoso de dardos, elas conversaram sobre o passado. Não havia mais amarras com o passado, só um laço com o presente. Willa sentia que estava mais próxima dela, um sentimento reciproco. Só que quando se tratava de penetrar os sentimentos e alcançar o coração dela, Natasha era uma exceção à regra. A espiã estava presa na própria cabeça e ela não desejava ser alcançada. Não foi surpresa, quando o grupo acordou uma manhã e Natasha não tomou café da manhã com eles. Foi Steve quem revelou que ela foi embora de noite, para “resolver assuntos pessoais”. Mais tarde, Willa conferiu o quarto da espiã, percebendo que ela só levará o essencial, armas e documentos diversos. Para onde quer que ela tenha ido, ela não pretendia retornar.

Todo mundo desconfiou que Steve sabia o motivo para Nat ter debandado, mas ninguém tentou arrancar nada do capitão. Não era do seu estilo a indiscrição. Na manhã seguinte, Willa aproximou dele entre um exercício e outro.

— Ela vai ficar bem, não é? — Ela arrumava as luvas de impacto. Ele repousou as barras de peso no chão, buscando o ar com esforço.

— Você conhece a Nat — sussurrou, aproveitando o descanso para secar o suor do rosto. Willa levantou o rosto. Ela conhecia a espiã. Sabia que para ela era tudo ou nada. Não precisava ser mais assim. — Ela sabe a hora de pedir ajuda.

— Eu espero que sim. — Willa murmurou amuada, seguindo para iniciar uma série nas barras assimétricas.

Enquanto alguns corriam para os braços do passado e outros buscavam adaptar-se a estranheza de uma vida nada caótica, outros se encontravam em casa, no agora. Willa nunca imaginaria nem em mil mundos alternativos que ele seria um cara que curtiria cuidar de horta — e olha que ele era um cara cheio de complexidades. Ela o pegou por diversas vezes arando a terra, colocando sementes cuidadosamente em buraquinhos, regando, fazendo cerquinhas e até fez um mini-espantalho com ajuda de Wanda. Ela não conseguia mais olhar para aquele lugar sem ver Bucky como parte dele. Além de que vê-lo na regata branca, os cabelos em um rabo de cavalo com os músculos brilhando de suor e a terra suja entre os dedos e os braços apelava para a sua libido de uma mane--

— Eu estou ficando corado — brincou, olhando para ela por sobre o ombro. Levantou de cócoras, secando a testa com as costas da mão. — Tá tudo bem?

— Tá. — Ela sorriu, contemplando a horta com a mão protegendo os olhos dos raios solares. — Você fez isso tudo!

— Inacreditável, não é? — Ele olhou orgulhoso.

— Tá mais para formidável. — Ela implicou, sorrindo. Ele assentiu deixando-se contemplar a horta com saudosismo. — Mal vejo a hora daquelas alfaces crescerem.

— Você come alface do mercado todos os dias — riu, coçando a nuca.

— É, mas feito em casa é muito mais gostoso. — Ela sorriu saudosa. — Na Casta e no Japão, a gente plantava o que comia, comíamos pouquíssimas coisas feitas por outras mãos, então quando eu vim viver em Nova York, não sei, tudo parecia ter um gosto esquisito, artificial.

— Carne de panela — comentou, bisbilhotando sobre o ombro para casa temendo ser escutado. — Os temperos da Wanda são ótimos, mas a carne não tem o mesmo gosto de antes. — Ele olhou para Willa, pensativo. — Sabe, da minha época.

Eles caminharam para o coreto, sentando na banqueta lado a lado. Bucky aproveitou para limpar as mãos e descansar um pouco do trabalho extensivo.

— Tem alguma coisa que você sente falta? — Willa o olhou, cheia da sua típica curiosidade.

Ela não mudara nem um tiquinho de lá para cá. O mesmo sorriso sapeca enrugando o cantinho dos olhos. Aquilo fez Bucky sorrir cheio de uma alegria saudosa.

— Acordar com o rádio ligado. — Ele sorriu concetrando em sua lembrança, antes de perder seus olhos nela. — Era uma herança de família. Ficava no canto de uma mesinha de corredor. Rebecca gostava de preparar o café da manhã, ouvindo suas músicas favoritas. — Ele encontrou os olhos afetuosos de Willa e sorriu tímido. — Não sei, tinha algo de gostoso em acordar com uma música. Lembra aquele cd, que você me deu há um tempo? — Willa assentiu. Parecia uma eternidade daquele dia para o agora. Ela não se esqueceria, no entanto, daquilo que foi uma das ligas para aproximá-los. Além de ser um dos seus cd’s favoritos da Lana del Rey, Born to Die. — Quando eu escutava, eu sentia algo tão bom. Mal sabia que eram aquelas lembranças querendo escapar. — Ela repousou a mão sobre a dele, acariciando. — Até por que como eu podia me sentir bem ouvindo aquelas letras tão deprimentes!

— Ei, eu gosto! — Ela dramatizou mágoa, acertando um tapa no braço dele.

— Eu sei, mas precisamos concordar que você precisa de um pouco mais de ritmo... — implicou passando a ponta da língua nos lábios.

— Tá, anos 40! — murmurou jocosa. — Quem sabe você pode me dar umas dicas?

— Posso tentar. — Ele abaixou a cabeça, olhando com carinho para as suas mãos, que encontraram um meio de se unirem. — Eu gosto disso, sabia? — Ele entrelaçou suas mãos, a mão cheia de sardas de Willa e a sua metálica. — De ter essa chance.

— Eu também. — Ela sorriu e pendeu a cabeça. — Eu senti tanto a sua falta.


— Eu sonhei com você. — Ele deu de ombros, sentindo o olhar de curiosidade dela, queimar sua nuca. — Quando acordei da criogenise, eu estava com essa sensação, mas não conseguia me lembrar de nada. Shuri disse que era normal e eu poderia lembrar com o passar do tempo, mas não aconteceu. Só sei que você estava lá comigo. — Ele alisou a mão dela. Levantou o rosto, perdendo-se momentaneamente nos olhos de Willa. — Eu sou grato por ter a chance de poder estar aqui, como eu, mas isso não apaga o Soldado Invernal e a nossa história.

— A gente já conversou sobre isso. — Ela empertigou. Uma longa conversa sobre um passado distante, onde eles eram peões dos tentáculos da Hydra. — Não adianta a gente se agarrar a coisas que nós não temos controle.

— Se eu tivesse lutado mais, você teria conseguido fugir com o Zemo — murmurou com remoço. — Você teria tido uma chance, uma vida.

— Eu tive uma vida. Só não foi a vida que eu achei que teria, quando adolescente. Sabe, uma psicologa, mãe de duas crianças e casada com um policial parrudo e barbudo. — Ela riu, arqueando as sobrancelhas para ele. — Mas essa vida... — Ela levantou os olhos, contemplando. — Eu não trocaria ela por nenhuma outra alternativa. Eu amo quem eu sou. Com as cicatrizes, as perdas, os erros, os acertos. Eu... Você acredita no destino?

— Não. — Ela sorriu, não esperava uma resposta diferente.

— E se eu dissesse que as nossas vidas foram interligadas antes de nós nascermos, James?

— Você acredita nisso?

— Eu sei que é assim. Um raio não caí no mesmo lugar duas vezes, mas ele não vai deixar de cair. — Ela brincou com os dedos dele com um sorriso torto.

— Sentia falta das suas filosofias. — Ele crispou um sorriso.

— Na realidade, essa é um oferecimento do meu irmão. — Ela riu. — É tão bom poder falar isso!

— Não é hoje que vocês iam jantar?

— Você lembrou! — Ela sorriu, pensendo a cabeça de lado. — Ele vai me apresentar à namorada dele, a Coleen. Ele está super apaixonado, fala dela o tempo todo.

Bucky segurou a língua, guardando no bolso o desejo de saber sobre quem Willa falava o tempo todo com o irmão. Ele não sabia que temia tanto escutar o nome de outro sair dos lábios dela

— A gente tem conversado muito... em viagens astrais.

Bucky arregalou os olhos.

— Ok. Os telefones foram substituídos rápidos demais! — Ele brincou negando com a cabeça. — Você sabe que eu ainda estou me acostumando com isso de viagens por aí, mas que é bizzaro, que vocês ficam passeando por aí em espirito, ainda vivos, é.

— A gente não fica passeando por aí em espirito — ela riu, perdendo as contas de quantas vezes explicou para ele e os amigos como isso funcionava. Algo que essas situações tinham em comum? Todos eles imploravam para ela nunca fazer essa coisa com eles. — a gente se encontra em lugares e como ele domina esse dom, é ele quem me leva aos lugares. Mas, ele tem me ensinado como manifestar-me astralmente e tem sido divertido. — Bucky deu um sorriso forçado e Willa gargalhou com o cagaço dele. — Fica tranquilo. Não vou te levar para perambular por aí sem sua autorização. — Ele dramatizou um suspiro, recebendo um cutucão dela. — É incrível,tá? E intenso também. Nossas almas meio que se conectam em um plano que está aqui, mas ausente aos nossos olhos mundanos. Eu só tô lá de carona e é absurdamente real. — Ela ficava pensando como seria quando ela fosse a motorista de uma dessas viagens. — Eu o abraço o tempo todo e é como se a gente estivesse assim, um ao lado do outro. Às vezes ele me leva ao Central Park, às vezes é na casa dele, às vezes na nossa antiga casa. — Ela se calou mordiscando os lábios. Sorriu para ele. — Ele me contou que sabia que eu estava viva. O tempo todo. Ele tentava se conectar com minha alma, mas não conseguia. Eu não estava preparada, ele acha. Eu achava que seria muito estranho, essa reconexão. Nós tivemos destinos tão distintos com histórias mais distintas ainda, mas que se convergem em tantas formas... É quase como se o destino tivesse arquitetado isso, sabe. A Casta, K’un Lun, elas são a mesma moeda, mas com lados opostos, como eu e ele. E mesmo com essas distinções, quando conversamos é como se o tempo não tivesse passado entre nós.

Bucky sorria com a cabeça abaixada.

— O que?

— Eu só estou feliz por você ter encontrado sua família. — Ele levantou o rosto e ela sentiu sua mão entrelaçar a dela. — Se tem alguém que merece ser feliz é você, Willow.

— Nós merecemos. — Willa levantou seus olhos e seu semblante esmureceu. — Bucky-- — Ele levantou o rosto. Ele estava atento a cada reação dela com um brilho em seu olhar, de expectativa. Eles se encontraram no meio do caminho. Seus braços encaixaram-se com reconhecimento, seus lábios a centímetros de se reencontrarem. Havia um misto de excitação borbulhando em Willa e ela sentia a antecipação exalando do corpo de Bucky. Penetrava em sua pele através dos dedos dele, sua ansiedade martelando em seu coração. Só que algo diferente aconteceu. Ela não podia fazer isso. Ela travou o seu movimento. Seus beijos com Bucky a arrancavam do presente e a levava para um mundo onde só eles existiam. Algo mudou no caminho. Ela não conseguia despreender do presente por alguma razão que ela não sabia qual. Ela deixou um beijo no canto do rosto dele. — Eu quero isso. — Ela repousou a testa contra a dele. — Mas--

Mas nunca é um complemento bom — ele suspirou.

— Desculpa — ela colocou uma distância segura entre eles. — é só, que eu tenho uma história com o Pietro, como tenho com você. — Ela não precisava entrar em detalhes, ele sabia que ela e Pietro se reconectaram em sua ausência. Era palpável a cada indireta do Maximoff e troca de olhar lânguido entre eles. — Eu não posso desligar a história com ele e ligar a nossa, quando for interessante para mim. Não é justo com vocês. — Muito menos com ela. Seria muito fácil beijá-lo e depois, esbarrar com Pietro e dar uns amassos. Ela estava desimpedida, livre, leve e solta, como a música dizia, né? Só que isso não anulava os sentimentos dos envolvidos. Ela não queria mais ser livre, leve e solta. Ela queria começar um novo capítulo, mas para isso, ela precisaria encerrar um capítulo de sua vida. Ninguém disse que seria fácil. — Eu preciso fechar uma porta para abrir uma janela, entende?

— E você sabe qual porta quer fechar, não é? — Bucky lançou a ela um sorriso triste e assentiu.

Willa abriu e fechou os lábios, abaixando a cabeça.
Ele sabia dos riscos, quando aceitou a criogenia. Ele sabia que nesse caminho, ele podia perder o tempo que ainda tinha com Steve, com ela, podia perder até a vida. Só que nessa realidade ele não esperava, que ao retornar, ele a perderia. Só que, isso não era sobre ele. Era sobre ela. Ele nunca impuseria nela os seus sentimentos, que ela ouvia retumbar no coração dele quando seus olhos se encontravam — e ele sabia, bem no fundo, que eles não escafederiam no tempo. Ele tocou o rosto dela com afeto e a trouxe para seus braços em um abraço terno e apertado.

Se ela ainda o tinha em seu coração, se ela o via em seu futuro, eles se encontrariam nesse caminho, caso contrário... Ele encontraria o caminho sozinho e estaria reconfortado por ela estar feliz em sua escolha.

Quem não estava nada feliz foi Pietro, que zappeou de canto a canto na mansão, em busca deles para chamá-los para o almoço. Deparou-se com o casal abraçados, cheios de intimidade. Era só um abraço, ele pensou, nada demais. Ele abraçava todo mundo também, assim, quando ele queria... então porquê ele sentia que acabara de ter seu coração esmigalhado com um martelo de carne?


Willa e Bucky entraram na cozinha lado a lado, dividindo um confortável silêncio, que se tornou estranho. Steve disfarçou, fingindo não ter sua atenção na dupla, mas Sam não deu a mínima. Wanda deu um cutucão em Visão, que retornou sua concentração para a comida — preciso de uma dose de açafrão, ele disse e Wanda corrigiu em um murmurou: uma pitada, Vis. Uma pitadinha. Ela olhou para o irmão, que atirava displicente, pedaços de cenoura para dentro da boca, olhando de rabo de olho para a dupla.

Sam abriu a boca com um brilhinho maldoso sobre a dupla, mas foi a campainha que ecoou no ambiente. O grupo trocou olhares, quem poderia ser? Natasha não precisava da campainha. Um vizinho muito simpático e intrometido? General Ross? Sam e Willa trocaram um sorriso.

— Eu acho que você tem que atender, Cap! — Sam cortou o silêncio, enchendo seu copo de suco de laranja.

— É — Willa reforçou escondendo seu sorriso. — você é o chefe da casa, afinal de contas.

Steve sentiu que tinha alguma coisa por trás dessa insistência toda e resolveu entrar na onda, seguindo sozinho para a sala de segurança sob os olhares do grupo.

— Vocês armaram alguma coisa para o Steve. — Bucky cortou o silêncio tornando-se o centro da atenção de todos. — E não me chamaram? — Ele olhou ofendido de Sam a Willa.

— Para quê? — Sam deu de ombros. — Você ia nos entregar na primeira hora.

— Eu não teria entregue vocês — Pietro murmurou amuado e um cenourinha rodeada de uma película avermelhada, cortou o ar acertando sua testa. — Aí, Wanda!

— Era para acertar a boca. — Ela semicerrou os olhos para ele, que virou os olhos sem querer pegando Willa lhe olhando.

— Acredito que Sam e Willa foram prudentes em não chamar mais pessoas para sua — Ele levantou os olhos, pensativo. — “brincadeira”. Mais pessoas envolvidas podem acabar destruindo uma surpresa bem bolada para uma pessoa querida. — Todo o grupo olhou para ele em surpresa. Wanda corou violentamente. Em especial Pietro agarrou o saquinho de cenouras. — Não que eu esteja planejando alguma coisa. — Ele desconcertou, concentrando seus olhos nas panelas.

O saquinho de cenouras sobrevoou na direção de Visão, desabando dramaticamente por toda a bancada.

— Sorte a sua que a minha mira é ruim — resmungou Pietro.

— Você vai arrumar essa bagunça, Pietro. E aproveita para colocar mais um lugar na mesa. — Steve apontou, retornando na companhia de Sharon, que trazia uma mala pequena e um sorriso caloroso, cumprimentando a todos.

— Oi, pessoal. — Ela iniciou sua troca de abraços com Pietro, que entrou em seu caminho depois de zapear pela casa. A bancada estava limpinha.

— A mesa está prontinha para a senhorita! — Ele falou, mordendo uma cenourinha, todo galante. Willa arqueou as sobrancelhas, inclinando a cabeça. Ele estava querendo enciumá-la? Isso era... bem funcional.

— Vocês dois... — Steve apontou para Sam e Willa com sua melhor cara de sério, para desmanchar em um sorriso e sussurrou — Valeu.

Steve retornou rapidinho para o lado de Sharon com um sorriso rasgando seu rosto. Debruçados no balcão, Sam, Willa e Bucky sorriram para o casal, encantados com a alegria deles estarem reunidos. Abruptamente eles sobressaltaram ao receberem um olhar semicerrado de Steve. Ele só precisou virar os olhos para Willa e Sam baterem as mãos em um cumprimento de comemoração.

— Valeu a pena! — Ela sussurrou, sorrindo.

Eles passaram uma semana inteira para conseguirem entrar em contato com Sharon sem entrar no radar do governo, colocando ela e a segurança da mansão em risco.

— Valeu todos aqueles celulares descartáveis destruídos na fogueira. — Sam murmurou sonhador e deixou seus olhos caírem sobre Bucky e Willa, gradativamente crescendo em malícia. — E aí, Willa, você está livre sexta-feira?

— Eu não acredito que você está fazendo isso comigo de novo. — Bucky pendeu a cabeça para frente, respirando fundo.

— Fazendo o quê? — Sam cruzou os braços, recebendo um olhar entrecortado de Bucky. Aquilo era um deja-vu, não era? — Eu só estou fazendo um convite amigável para uma mulher bonita e interessante e solteira. — Ele olhou para Willa cheio de segundas intenções. — Quer dizer, o passeio no coreto deu frutos?

Willa choramingou escondendo o rosto nas mãos.

— Wanda! — Ela pediu arrego para a amiga, que mexeu o indicador e uma cenoura voou direto na nuca de Sam.

— Ei! Isso dói! — Ele massageou a área atingida, lançando um olhar emburrado para Wanda, que só deu de ombros.

Willa só precisava disso para fugir do alcance de Sam e as suas perguntas, mas Bucky não teve tanta sorte.

— Então, você está solteiro, não é? — Sam perguntou debruçando no balcão.

— Arr, eu te odeio — Bucky choramingou apoiando a testa na mão, derrotado.

O almoço passou sem mais incidentes. A comida estava esplendida, graças ao toque sokoviano de Wanda e a paciência para aprender de Visão. Sharon tinha novidades do mundo externo. Depois de Willa ter assinado o acordo e devolvido Zemo, a caçada as bruxas de Ross veio abaixo. Ele conseguiu manipular boa parte da bancada com a história de Willa ser a vilã da história, mas não demorou para as imagens de vigilância, que ele tanto lutou para esconder vieram à tona. Estava rolando até discussões de tirarem ele do comando do RAFT. Sharon recheou o almoço de notícias sobre o acordo perdendo força, Tony tentando conseguir aliviar a situação dos ex-colegas e o General Ross ganhando pares de mechas brancas a cada nova semana. Eram notícias formidáveis aos olhos de Willa. Sobre Syn, não havia paradeiro dela e Zemo, ela não sabia mais do que o esperado: ele estava enclausurado sem previsão de julgamento pelos seus crimes. A felicidade de Willa se dissipou vagarosamente. Saindo desses assuntos mais oficiais, o grupo dividiu-se em contar como tem sido os seus dias na mansão e os planos de missão. Willa sentia os olhos de Bucky e Pietro passearam entre eles, sedentos por uma migalha de atenção da ninja — e ver seu oponente ignorado por ela. Foi um almoço agradável com uma velha amiga, que Willa ficou feliz em saber, que ela ficaria com eles por um tempo, mas ao mesmo tempo, foi também estranho, constrangedor e claustrofóbico.

Ela foi a primeira a deixar a mesa, deixando suas louças na cozinha e seguiu para seu quarto. Ela odiava como Bucky sabia lê-la tão bem. Ela odiava como Pietro a entendia tão bem. Esses defeitos, que também eram as qualidades que lhe fizeram apaixonar-se por esses homens tão distintos. Ela tinha uma resposta, só que se ela tivesse dito isso a Bucky, as consequências desse gesto seriam imutáveis. Ela ainda tinha a capacidade em mãos de fazer o certo. Só que como diabos se faz o certo, quando você está tão acostumada em fazer tudo errado? Ela precisava conversar com um amigo. Natasha estava fora de área de cobertura. Wanda e Steve estavam fora de questão por motivos de nepotismo. Sam estava fora de questão por ele ter um pouco de Loki no espirito dele. Visão tinha um espirito de Bauman demais para a cabeça da ninja. Sharon... elas não tinham intimidade. Só restava uma opção. Ela pegou o celular descartável e mandou um pedido. Quase imediatamente recebeu uma resposta positiva ao seu pedido cheio de empolgação. Ela deixou um post-it colado na porta com o seu paradeiro nas próximas horas. Willa sorriu ao entrar na garagem: medidas extremas exigiam um veículo à altura. Com isso, ela pegou o capacete e as chaves da moto de Steve, seguindo rumo ao apê de Danny.

Enquanto Willa seguia para uma tarde de prós e contra com M&M’s e pipoca com seu irmão, Pietro encontrou um meio de resolver aquele recém adquirido comichão na boca de seu estômago: indo direto ao causador de tal conflito. Ele zappeou para a cozinha, depositando os pratos e copos restantes faltando um prato para Bucky terminar. Ele semicerrou os olhos para o sokoviano, que abriu um sorriso e não foi correspondido.

— Então — Pietro estalou os lábios, recostando na pia com os braços cruzados. — Você voltou.

— Eu estou aqui, não é? — Ele arqueou as sobrancelhas colocando um pouco de detergente na esponja, recomeçando o processo de enxangue das louças.

— É, em carne, osso e metal. — Ele brincou, seu deboche sendo recebido com um olhar frio de Barnes. — Você não está pensando em ir embora, né?

— Não está nos meus planos — respondeu depositando um dos pratos no secador, sentindo o desconforto alastrar em seus ombros.

— Ótimo. — Ele balançou a cabeça. — Willa não suportaria se você a deixasse de novo.

Bucky repousou o copo na pia e fechou a água, levantando os olhos para Pietro. Ele estava esperando tudo, uma briga de macho alfa, uma discussão acalorada sobre quem merecia o amor de Willa e até o convite para um duelo entre cavalheiros pelo coração da donzela. Agora isso? Nem em um milhão de anos.

— O que você quer dizer?

— Eu sei que ela não te contou — ele crispou um sorriso, olhando para Bucky com um sorriso satisfeito ao vê-lo surpreso, adorou ter aquela vantagem. — Ela passou a maior parte do ano caçando um jeito de salvar você dessa coisa da Hydra. Ela até aceitou voltar para a casta. Aquele lugar horrível...

— Você ficou com ela lá?

— Alguém tinha que mantê-la sã naquele lugar. — Pietro contou por alto como a mansão dos assassinaos da casta funcionava, cheios de regras, costumes e segredos. Willa era importante, bem quista pelos mestres e os alunos. Foi reconfortante para Bucky saber que ela não ficara sozinha nesses tempos difíceis. — Foram meses difíceis. Ela fingia bem, que estava tudo bem, mas desabava quando estava sozinha. Passava noites em claro, decifrando textos, conversando com contatos por toda parte do mundo, de dia surgia impecável distribuindo sorrisos e treinando púpilos. Quando surgiram as pistas sobre o passado dela, eu queria sapatear de tanta alegria. Ela tinha outro foco na vida além de você, ela podia te tirar do pedestal.

— Por que você está me falando isso?

— Eu estava com ciúme. — Ele deu de ombros. — Eu queria que Willa fizesse isso tudo por mim, que ela deixasse você ir e se permitisse viver, descobrir sobre o passado dela, me desse uma chance. — Ele sorriu inundado pelas lembranças dos últimos meses. — Eu precisei vê-la perder quem era para entender que tudo que ela fez por você, ela tinha feito antes por mim, quando me trouxe dos mortos, fez pelo Clint e os filhos dele. Isso é típico dela, Willa se entrega por inteiro por quem ama.

— E ela está fazendo isso novamente. — Bucky compreendeu a distância de Willa, seu desconforto em estar sozinha com ele. Ela estava presa dentro da própria cabela. Ele jogou o pano de prato para Pietro, que pegou no ar e entendeu a deixa para enxugar as louças. Bucky voltou a lavar as louças remanescentes, mais relaxado. — No coreto, nós estávamos conversando sobre a gente e ela me disse algo sobre precisar fechar uma porta para abrir uma janela. Eu acho que ela estava falando de nós dois.

— A gente deveria começar a chama ela de biscoito da sorte. — Bucky riu e assentiu. Ele entendia porquê Willa gostava de tê-lo por perto, Pietro era leve, bem humorado. Era alguém fácil de gostar. — Quer apostar em quem ela vai escolher?— Ele deu de ombros recebendo um olhar envesado do soldado invernal. Tá, gostar dele não era tão fácil assim, ele pensou. — Eu acho que ela vai escolher você.

— Eu acho — Bucky pausou e colocou o último prato no escorredor, deferindo um olhar gentil para Pietro. — que ela vai pirar antes de fazer uma escolha. — O sokoviano concordou com um sorriso frouxo. Bucky recostou na pia, contemplando o rapaz por um instante.

— Em vez de ficar me paquerando, que tal me ajudar com o resto das louças? — Pietro arremessou o pano de prato livre para o homem, que pegou no ar, mas manteve-se perdido em seus pensamentos.

Ele encontrou-se matutando as palavras de Pietro, quanto à capacidade de Willa entregar-se por inteiro pelas pessoas. Ele se questionou, quantas vezes ele fizera isso por ela, por alguém e a resposta que ele teve não foi satisfatória. Eles podiam decidir por Willa aquela trama novelesca, se um deles demonstrasse não ter interesse em uma relação — o que não era o caso. Era clara a paixão de Pietro por ela. Os sentimentos de Bucky não mudaram daquela tarde, onde ele optou a criogenia. Deixar essa decisão nas mãos dela parecia uma escolha cômoda para ela, mas Bucky sentia, que era o certo. Como ela dissera, ela tinha uma história com aqueles dois homens e eles estavam conectados a ela, como parceiros, amigos e amantes. Eles também tinham um poder determinante em mãos e ele acreditava, que se o presente era decidido por ela, o futuro seria determinado por eles.

— Pietro, eu não conheço você, mas eu confio no julgamento da Willa. Você me parece um cara legal e é um amigo querido por ela — Pietro arqueou as sobrancelhas, surpreso. — e eu acredito que, no futuro, eu vou chama-lo de amigo, só que para isso, não devemos abdicar quem somos para ela.

— Justo. — Pietro assentiu, cruzando os braços. — E com isso o que você está propondo?

— Independente de quem ela escolher, nós não podemos nos tornar estranhos para ela. Pode ser difícil no começo — até porque ver a pessoa que você gosta, feliz com outro, era como levar um espirro de limão nos olhos: ia doer e arder e lacrimejar por dias, até você querer arrancar os olhos, mas ia passar. —, mas precisamos encontrar um jeito de --

De não se perder dela.

— Saquei. — Pietro interrompeu as palavras dele, compreendendo. — Pode levar um tempo, mas posso fazer isso. — Por Willa ele estava aberto a tentar de tudo um pouco — Até porque, se for eu ou você ou sei lá, o Sam, é a felicidade dela que deve importar para a gente no final do dia. — Ele retornou a sua tarefa, surpreendendo com Bucky o acompanhado na secagem. Ele entortou um sorriso. — Eu também acho que podemos ser amigos. — Bucky soltou um riso, olhando de esguelha. — Mas eu não vou dizer que você é legal. Não mesmo.

Bucky soltou uma gostosa gargalhada, confirmando sua desconfiança de que eles se dariam bem, independente da escolha de Willa, no fim do dia, o que importava era se ela estaria feliz com sua decisão. Eles também encontrariam sua felicidade, ele achava, de um jeito ou de outro. Ela chegava para todos, na forma de uma mulher, de um homem, de um por de sol, de um sonho,de paz em sua consciência.

Os irmãos Rand estavam deitados no chão fresco da varanda do apartamento de Danny. Colleen estava dando aula naquela tarde e ele tinha — tentado — resolver todos os conflitos da empresa Rand, precisando do auxílio de Joy Meachum e ignorando os resmungos de Ward Meachum. Estava sendo uma baita adaptação, ele contou para a irmã com os olhos arregalados, mas também era divertido para caramba.

Ele sugeriu pela centésima vez, que ela tinha que participar disso com ele, além dela ser uma Rand, parte da empresa era dela também. Willa afastou a ideia, nem era por desinteresse, ela adoraria dividir isso com irmão, mas ela ainda tinha um alvo nas costas, e enquanto eles não solucionassem isso, era melhor ela se manter em icognita — e morta para os Meachum e todos os envolvidos nas empresas Rand. Por ora, ela gostava deles terem as viagens astrais como algo “só deles” e os encontros no apartamento do irmão para comerem um sorvete e devorar um sacão de Kit Kat.

Ele estendeu um tablete do chocolate para ela, que pegou levando para a boca com um choramingo. Eles passaram boa parte da tarde conversando sobre lembranças da infância, coisas da empresa, coisas aleatórias, como a nova série de vampiros na televisão, sobre seus amigos e velhos inimigos, as semelhanças e diferenças da Casta e K’un Lun, e é claro, Colleen, a namorada de Danny. Willa se sentou, encarando os seus medos nos olhos do irmão. Ela contou para ele sobre quem residia em seu coração — e não foi surpresa nenhuma para ele, já que, de acordo com sua memória, ela falava desse cara o tempo todo. Ela desabafou sobre os seus medos em relação a esse sentimento tão antigo, e ao mesmo tempo, tão energético, novo e excitante. Ela nunca teve tempo e espaço para um namorado, além do presente e futuro incerto causarem arrepios em Willa, ela se questionava se esse passo, tão grande e importante não seria egoísta e fora do momento para ele, para ela, para tudo!

— Eu não sei como fazer isso sem quebrar o coração dele. — Ela afundou a cabeça nas mãos. — Não tem como a gente fazer um abracadabra astral e ele acordar sabendo disso e tudo termina bem para todo mundo? — Ela forçou um sorriso.

— Eu sinto que não, Rid. — Danny inclinou a cabeça com as sobrancelhas caídas e ela choramingou. — Você não deve ficar assim. Estar apaixonada é o maior e melhor dos sentimentos. Você deveria viver isso intensamente com todo seu coração.

— Eu quero isso, mas não consigo deixar de pensar que para ser feliz, eu vou causar a infelicidade de uma pessoa que eu gosto muito. — Ela deu de ombros. — Não deveria ser assim.

— Você não vai causar a infelicidade de ninguém. — Ele quebrou um tablete do chocolate, dividindo com a irmã. Falou com a boca cheia. — Infelicidade é opcional. — Ela o olhou, amuada. — E você está optando se torturar com isso, quando deveria estar dançando no teto por estar apaixonada por um cara incrível, que também gosta de você. — Ela entortou um sorriso, deixando sua mente lhe aquecer com memórias do seu escolhido. — Mana — Ela levantou o rosto. — Você sabe que pode ser feliz, não é?

A voz morreu na garganta de Willa, que disfarçou mastigando um pedaço do chocolate e deu meia levantada com os ombros.

— Não tive tempo para isso nos últimos anos e quando aconteceu — ela se silenciou, contemplando o irmão com pesar. — eu perdi. Eu perdi os nossos pais, você, perdi o Zemo, perdi o Pietro, o Bucky... — Ela deu de ombros com os olhos se enchendo de lágrimas. — É como se a felicidade não fizesse liga comigo, sabe?

— Não vejo assim. — Danny sorriu gentil. — Eu estou aqui, não é?

Willa arregalou os olhos, surpresa com essa constatação. Tirando os seus pais, todos que ela amava retornaram para a sua vida, como herói, vilões, amigos, inimigos, amantes. Até Natasha encontrou seu caminho a ela. O que foi que ela dissera para Bucky, eles estavam destinados antes mesmo de nascer? Talvez, o seu destino era esse. Perder e recobrar. Perseverar as adversidades. Viver cada momento como se fosse o último. Ser feliz do seu jeito.

Ela estava com tanto medo de perder Danny, Bucky, Pietro, que eles fossem arrancados dela por um assassino, um avião em queda, um tecnologia maligna, que ela não se deu conta que não estava vivendo o agora com eles. Ela que era tão ligada aos preceitos do tempo e espaço, deixou-se levar pelas animosidades da vida e deixou-se ser abraçada pelo medo irracional do incontrolável. O amanhã ela não podia dominar, mas o hoje só seria moldado pelas suas mãos.

Ela pulou em cima do irmão e encheu ele de beijos. Ele era um gênio dos corações. Prometeu, que lhe mandaria uma mensagem assim que ela falasse com ele.

— Ele? — Ele levantou as sobrancelhas, curioso. Willa levava um saco de M&M’s e alguns kit kat, recostou no umbral com um sorriso.

— A vida é curta demais, maninho. — Ela sorriu. — E eu não vou perder mais nenhum segundo.

Ele sorriu, assistindo a irmã deixar o apartamento saltitando. Deitou-se no chão da varanda com as mãos descansando atrás da cabeça libertando um suspiro satisfeito. Curta e vagarosa demais era a vida e eles viveriam cada um dos seus segundos intensa e livremente, como a garsa e o dragão, a quem eles foram destinados a ser nessa vida.

Ele era o outro lado do mundo para Willa.
Ele era o seu norte, quando ela estava no sul. Ele era o seu silêncio, quando ela era barulho. Ele era sua calma, quando ela era agitação. Ele era seu amigo, quando ela precisava de um ombro. Ele era a dança, ela era a música. Ele era o seu amante, quando ela clamava por ele no escuro da noite. Ele era a sua alma destinada com sua história narrada pelas estrelas centenárias, pintando as noites terrestres. Ele carregava o seu coração, ela carregava a sua alma. Eles foram marcados a aprenderem a andar, correr, lutar, matar, sobreviver um sem o outro, mas foram destinados a viver o amor juntos.

Ela bateu na porta do quarto com um pacote abraçado em seu corpo. Ela passou em uma loja de eletrodomésticos, precisava mudar uma coisinha nas manhãs deles. Quando a porta se abriu, Bucky arregalou os olhos, surpreso. Ele estava com suas roupas de dormir, os cabelos meio presos em um coque e os olhos cansados se energizaram na presença dela.

— Oi, aconteceu alguma coisa? — mostrou preocupação, olhando para a caixa embrulhada. — Isso é uma bomba de fedor para colocar no quarto do Sam?

— Não — disse, passando por ele para dentro do quarto e apontou o indicador, sorrindo. Ele fechou a porta. — mas essa é uma boa ideia. Onde tem uma tomada livre? — Bucky apontou para um canto do quarto, próximo de uma cómoda. Perfeito, ela pensou. — Toma. — Ela entregou a caixa para ele, sorrindo. — Vai, pega! Tô curiosa para a sua reação.

Ele pegou a caixa, meio sem jeito, alegando que não era aniversário dele nem nada para presentes e ela só remedou ele, sentando-se ao lado dele na cama quase ajudando ele a rasgar o papel de presente, que ele abria com uma paciência e calma irritante. Ele tirou o último pedaço de papel e encontrou uma caixa de um rádio de visual vintage com estações e botões e antena.

— Isso é... o que estou pensando? — Ele olhou para ela com um sorriso bobo e ela assentiu, sorridente.

— Vamos testar! — Ela adiantou, soltando o fio da presilha, ligando na tomada de três pinos. Ele arrumou o rádio na cômoda entre uns livros e cadernos. Ele tentou entender como ligar o aparelho, mas foi ela quem conseguiu achar o botão. Ela mostrou qual era o botão para sintonizar e ele começou a buscar por uma estação, movendo a antena para conseguir a conexão mais limpa, parando em uma estação de músicas dos anos 1980, tocando Everything I do is for you, do Bryan Adams. — E aí, gostou?

— Amei. — Ele levantou os olhos para ela, emocionado. Ele estaria mais perto de sua irmã com aquele radio — É perfeito. Obrigado, Willow.

Ele a trouxe contra seu corpo em um abraço apertado, deixando um beijo em sua bochecha. Ele distanciou minimamente e seus olhos se conectaram, ela não moveu um centímetro dele. Ela estendeu uma mão para ele, sorrindo.

— Sua garota pode ter o prazer dessa dança?

Ele abriu os lábios, desconcertado, mas só momentaneamente e sorriu, reaproximando dela, conectando suas mãos e descendo sua mão livre, até a base da cintura dela.

— Eu não sei dançar essas músicas atuais...

— Essa não é tão atual assim.

— Tanto faz, eu não sei dançar essas coisas modernas, mas ainda sei dançar um foxtrote como ninguém.

Ele a rodopiou pelo quarto por duas vezes, trazendo-a para seu corpo, encaixando seus rostos lado a lado, sendo o condutor na dança, que Willa desconhecia, mas tentava acompanhar os seus passos com um riso solto, uma felicidade reciproca por ele. A música transitou várias vezes, agora eles dançavam ao som dos comerciais sem nem se importarem. Encontraram um ritmo tranquilo e lento, confortável. Willa levantou o rosto do ombro dele, encontrando os seus olhos azuis-acinzentados, cheios de expectativa.

— Eu não vou desistir da gente — ele sussurrou. — se for isso que você quiser. Se não for, eu vou ser o que você quiser de mim, um amigo, um parceiro, um saco de pancada para treinamento, um estranho. — Ela o olhou, aflita.

— Nunca diga isso! Eu quero você comigo, todos os dias até o resto da minha vida. — Ela sorriu emocionada, ao sentir a sua mão metálica tocar delicadamente o rosto dela, causando-lhe arrepios e seu coração implodir contra o peito. — Eu não quero mais viver em um mundo onde eu e você não estamos juntos.

— A gente pode dar um jeito nisso.

Ela antecipou esse instante há tanto tempo, que cada segundo arrastava-se, intensificando as suas emoções. O toque de sua mão em sua cintura, mantendo-lhe de pé e colada ao seu corpo quente, forte e firme. Sua mão metálica acarinhou o rosto dela, escorregando até a base da nuca. O espaço entre eles foi cortado quando seus lábios se encaixaram, tocando-se de cima para baixo com suavidade e afeto. O corpo de Willa arrepiou-se com o toque dos seus lábios, das suas mãos e seu corpo, em ondas, ela sentia que iria entrar em extâse a qualquer instante. Ela sentiu a pele do braço dele, sincronizar as reações dela só com o deslizar das pontas dos dedos dela. O beijo foi ganhando fôrma, intensificando em paixão e desejo. O que antes era afeto transformou-se em mordidas e dentes se encontrando. O que antes era suave tornou-se ríspido e urgente. Não demorou para as roupas deixarem seus corpos e eles caíram na cama com Bucky sobre o corpo dela. Ele agarrou as mãos dela sobre a cabeça, impedindo os movimentos dela. Ele nunca tinha a dominado e ela não criou objeções a sua primeira vez, permitindo ser para ele, o que ele desejasse.

Ele confiava em seus instintos, em sua mente, em seu corpo. Ele queria, que ela soubesse disso, que ele estava sob controle dele e de cada fibra do corpo dela. Ele desejava que ela lembrasse dessa noite a cada minuto dos seus dias, que ela não fosse capaz de se concentrar em nada mais, além do que ele fez com ela e faria quando as luzes se apagassem. Ela pertencia só a ele, ele era o único que poderia dominá-la daquele modo, braços atados e corpo preso ao dele, e ela era a única capaz de deixá-lo de joelhos. Os toques dele eram o único que a deixavam por um fio do pricipicio, o encaixe dos seus corpos os levava ao extâse denovo e denovo em poucos instantes. Os seus corpos, seus corações e suas almas eram um do outro, sempre e para sempre.

Ela era sua e ele era dela, até o fim dos seus dias, todos os dias seriam como se fosse a primeira vez, que o lobo branco se apaixonou pela garça.

Na madrugada, acordada e relaxada nos braços de Bucky contando as sardas em seu ombro, Willa se sentiu verdadeiramente feliz sem medo do seu passado destruir seu presente e sem temer que não haveria profundo por conta do seu presente. Pela primeira vez, ela sabia que seu presente definiria seu futuro e nos braços de Bucky, ela estava empolgada, com o que, o futuro reservava para eles.

Ela não estava mais sozinha. Eles não estavam e não estariam mais.
Todos os dias pelo resto de suas vidas.

Notas finais
Riddle Rand retornará em Surrender, a terceira temporada de Born to Die será baseada nos eventos do último filme dos Vingadores: Endgame :) (como tá o coração de vocês shippers de Wicky e Piella?)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.