Notas iniciais
OLÁ, NINJAS! CAPÍTULO NOVO NA ÁREA! ♥ RESULTADO DA ENQUETE: — Um capítulo por semana ganhou disparado! Com isso decidido nós teremos UM CAPÍTULO POR SEMANA. Combinado? Combinado. Pode rolar alguns hiatos de uma, duas semanas, mas como estou planejando o calendário de postagens, eu poderei informar sobre tais pausas com antecedência, ok? :D Quero aproveitar a oportunidade para agradecer os comentários. Vocês tem me ajudado muito a ter animo e criatividade para continuar me empenhando nessa história. Vocês são demais! E O QUE FALAR DAS RECOMENDAÇÕES? Eu esqueci de comentar que durante o hiatos das temporadas recebi duas recomendações maravilhosas, só que uma das leitoras deletou o perfil dela :( Uma pena, mas consegui ler a recomendação e está salvo nos meus arquivos. E nessa semana a Liyith mandou uma recomendação muito amorzinho! Muito obrigada por esse carinho, ninjas. Em breve vou montar uns marcadores da fic para enviar para vocês, viu? ♥ Uma questão surgiu em um dos comentários na Social Spirit, a Pam sugeriu a criação de um grupo para falarmos sobre a fanfic. O que vocês acham? Vocês entrariam? Curtiriam a ideia? VOCÊS DECIDEM POR AQUI http://www.ferendum.com/pt/PID58818PSD17371 VOTEM NA NOVA ENQUETE! ♥ Sobre o primeiro capítulo dessa temporada, eu só posso dizer que: TEM MUITO SPOILER SOBRE O QUE ACONTECERÁ, TEM MUITA TRETA, TEM MUITOS SEGREDOS SENDO ATIRADOS NO VENTILADOR, TEM PIETRO, TEM PANCADARIA, TEM CAFÉ, TEM DE TUDO UM POUCO ♥ Vocês estão prontos? :D Se você não sabe, nós temos um TUMBLR! — http://msbarbiebelcher.tumblr.com/ Dê uma passadinha lá e veja as novidades das minhas fanfictions ♥ Até o próximo capítulo! CONFIRA AS NOTAS FINAIS, VIU? Um beijão!

EXILE

uma situação em que alguém precisa abandonar a sua casa e viver em outro país, sem autorização de retornar, muitas vezes por razões políticas.

HONG KONG
China

Três meses após os eventos da Guerra Civil

Eu sinto sua falta.

Willa Fairchild riscou aquelas palavras do guardanapo. Seus olhos passearam pelo café local. Eram férias na China, e o café estava lotado, com reunião de amigas rindo a cada cinco segundos por conta de algum segredo sussurrado entre elas, esportistas ocasionais correndo e pedalando pelas calçadas e turistas, muito turistas. Nesses dias a sua atipicidade não atraia os olhares dos moradores e ela era apenas mais uma ocidental ali com seus cabelos loiros, sardas e olhos azuis. Ela bebericou o seu café com leite, creme e uma pitada de menta e suspirou. Não estava nem perto de como ela gostava do seu café. Amassou o guardanapo, abandonou algumas moedas no pires e partiu, jogando o guardanapo na primeira lixeira e abraçando o corpo com os braços. Ela estava com frio. E fazia calor.
Era um belo dia de verão. O céu brigadeiro com um sol radiante, crianças brincando nas ruas, as adolescentes planejando como aproveitar ao máximo as suas férias e Willa libertou suas mãos do apoio do seu casaco preto para se curvar cortês para um casal idoso e eles retribuíram educadamente o gesto. Assistindo aquela vida normal pelo seu olhar quase desconcertado, Willa se perguntou se ela algum dia viveu isso, essa simplicidade. Nós últimos três meses, todos os dias, ela acordava e caminhava pelo centro da cidade. Tomava café em um cafeteria nova e admirava a vida mundana, questionando secretivamente: Eu tive isso?

Essa alegria de correr pelas ruas, de brincar de pega, de segurar a mão da mãe e apontar para uma vitrine de brinquedos, mostrando ao pai uma boneca. De segurar o braço da amiga e confessar sua paixão pelo seu melhor amigo. Ela não conseguia saber. Ela não conseguia lembrar. Não conseguia reconhecer isso em sua vida, essa alegria, essa liberdade e ela não sabia dizer se ela queria isso, na sua vida, um dia.

Ela estava melancólica.

Ou seria a solidão?

Retornar para a Casta era como receber uma chamada telefônica de longa distância. Você ansiava isso, mas sabia que em algum momento a conta chegaria e seria bem alta. Ela estava esperando a sua conta chegar.

Ela optou retornar a pé, a caminhada ajudaria a meditar. Os ocidentais acreditavam que meditar envolvia sentar com as pernas cruzadas, tipo o Buda e ficar repetindo um mantra obsessivamente. Meditar era ouvir a voz de sua alma, acima de qualquer outra voz e Willa precisava disso, ela nunca esteve tão distante de sua alma. Talvez, isso fosse por estar tão concentrada em salvar a alma de outra pessoa.

Era comum acreditar que Clãs, como a Casta e o Tentáculo eram um bando de samurais e ninjas lutando contra assassinos. Assassinado uma porção de pessoas, gratuitamente ou não. Mas não era bem assim que funcionava na vida real, distante dos filmes de grandes diretores hollywoodianos. Podia até, em algum momento da história ter sido algo assim, desregrado e altamente selvagem, mas hoje, clãs orientais eram inteiramente sobre poder e dinheiro. A Casta tinha sedes por todo o mundo e cada sede tinha uma representação e um líder continental. O líder supremo era Mestre Izo. Em Nova York, a Casta era um prédio empresarial com distintos escritórios de advocacia a grandes empresas midiáticas e por trás das cortinas, tudo era efetivado para o crescimento financeiro e poderio do Clã. Na Europa, a Casta cuidava de empresas e organizações filantrópicas. Na América do Sul, a Casta tinha uma sede no Brasil, onde ele tinha uma grande porcentagem do pré-sal brasileiro e algumas empresas em crescimento, com o país. No oriente médio, a Casta participava ativamente das guerras, com os seus melhores soldados e armas. No Japão, era onde A Casta tinha o seu prédio principal onde todos os seus negócios eram cuidados pelos melhores profissionais, liderados por Stones e guardados por olhos de águia. Não era uma metáfora, era o nome do cara. Ele protegia a história da Casta e os seus líderes a alguns quinhões de séculos, por conta da sua incrível capacidade de ver o futuro. Entendeu? Olhos de águia. O guerreiro odiava a ideia de lutar batalhas, então, aceitou a missão de viver uma vidinha pacata em um bairro residencial de Tóquio, esporadicamente tendo visões de um futuro incerto para o Clã e os seus inimigos.
Mas essa é outra história...

E por fim, na China, existiam duas sedes, a sede estudantil, uma mansão de tamanho e proporções além do espaço e perdida no tempo e devorada pela floresta. Ali alunos eram selecionados por todo mundo e ensinados pelo líder Stick e o seu braço direito, Stono. No entanto, existiam outros mestres, como Shaft, Claw e Flame para ensinar as artes marciais ensinadas pelo grande Mestre Izo, fundador do Clã e nunca visto por Willa. Alguns dizem que ele tem mais de 500 anos e Willa estava bem contente de não ver como ele aparenta com tal idade. Ela já tem traumas o suficiente! Os escolhidos recebiam o beneficio de aprender artes ancestrais, como curar o seu corpo mais rápido do que um humano normal, usando a meditação ou aumentar a sua stamina para prolongar sua força e agilidade em combate e curar ferimentos graves com ajuda da natureza. As crianças quando alcançavam a juventude eram guiadas pelos mestres para os estudos e aprimorar suas qualidades. Os adultos conquistavam missões, destacando suas melhores qualidades.

E a sede original era conhecida apenas por algumas poucas almas, aquelas que mereceram encontrar o seu lar, o lar criado por Mestre Izo, aqueles que foram destinados a trilhar o caminho da grandeza e eternidade.
Era o lar.
Willa era uma dessas pessoas.
Elektra também.

Elas encontraram a enorme montanha e subiram. Subiram. Travessaram as névoas. Continuaram subindo. Sofreram ilusões. Sofreram com a dor. Não desistiram como alguns. Seguiram e no topo, encontraram o seu lar, A Casta.

Willa e Elektra eram o futuro do Clã. Quer dizer, só Willa. Com a morte de Elektra pelas mãos do Tentáculo, Willa conquistou essa posição de importância. E talvez o advogado de Nova York estivesse conquistando uma atenção privilegiada sobre o olhar de Stone, o líder supremo.
Mas, enquanto isso não era mais do que uma suposição dos mestres e fofoca de ninjas, Matt Murdock continuava a sua batalha contra o mal em Nova York, como um Ronin.

E Willa retornou para as suas raízes.

E começava a sentir que as suas raízes estavam fincadas no solo errado.

Willa levantou os seus olhos assim que a porta foi aberta por um dos estudantes, um rapaz europeu acompanhado de uma jovem oriental. Ambos usavam kimonos com cores neutras nas suas costas, carregavam bos de madeira para treinamento. Sorriam, conversando, mas ganharam seriedade ao encontrarem a professora diante de si. Imediatamente ficaram sérios e curvaram, em respeito, desejando a ela um bom dia, em chinês.

Três meses vivendo ali e o Chinês de Willa retornara a sua naturalidade. No entanto, nos primeiros dias ela estava tão travada e incerta que boa parte dos alunos e empregados da Mansão, achava que a americana gostava do silêncio e solidão, quando ela só tinha medo de pedir um chá e soar aos ouvidos de um falante do idioma, como se ela estivesse xingando a mãe de alguém. Seguindo para as suas tarefas do dia, Willa tinha uma lista de obrigações para aquele dia. A Mansão podia ter empregados, no entanto, cada morador tinha obrigação de limpar, cozinhar, lavar as louças e roupas, como também cuidar do jardim, dos alimentos plantados, cuidar dos armamentos e até fazer compras, como itens para casa e comida. Era o básico para viver bem em sociedade, ter regras e segui-las. Aquilo era passado por cada um dos estudantes, pois alguns conheciam a estrutura básica de uma sociedade, mas outros vieram do anda e precisavam ser ensinados. Eles respeitavam e cumpria as obrigações e os Mestres e professores também praticavam tal postura, como exemplo. Aquele que descumpria, era punido. Às vezes recebia mais tarefas que deveria cumprir em um determinado prazo, mas dependendo do mestre coibido com a punição, ele poderia passar a noite treinando golpes no relento ou pior, levar chibatadas nas mãos e solas dos pés. Nem se ela fosse masoquista, ela deixaria suas tarefas em segundo plano. Sem contar que ela gostava delas, gostava de cuidar de casa e mesmo que não se visse como uma dona de casa, tipicamente americana, ela diria que tem gosto pelo prazer de cuidar do que aprecia, do que ama, por assim dizer. E era bom manter a mente ocupada. Muito bom. E o seu lugar favorito dentre todos era a horta e era lá que ela iniciaria as suas tarefas naquele quase fim de manhã.

Para uma sociedade chinesa, aquele lugar era uma distopia japonesa feudal aos olhos de Fairchild, ali chamada como Yanagi-san pelos mestres. Os professores e alunos a chamavam de Sensei Yanagi— o que era motivo para implicâncias por parte de Pietro. Sim, japonês, pois quando ela chegou à montanha da Casta, perdeu o seu nome ocidental e foi nomeada por Stone como Yanagi, em japonês, como o idioma de sua pátria – e não chinês, idioma da pátria do fundador do clã. E Stone a chamava até hoje como criança justa, o que era adorável.

Stick, por outro lado...

— Garota... – A bengala de Stick fechou a passagem de Willa e ela semicerrou os seus olhos para o líder. O seu inglês era uma surpresa naqueles corredores entoados de mantras e chinês contemporâneo. — Você tem visita.

Era curioso se aperceber em como a relação deles não tinha o mínimo de cordialidade e mesmo assim possuía algumas discretas evoluções ao longo dos anos, como o idioma. Quando Willa chegou A Casta, sem saber falar uma palavra em chinês e japonês, Stick falava com ela em Chinês arcaico. É, ele era um filho da mãe. Ela era uma criança em um corpo de uma pré-adolescente, perdida em um lugar sozinho, órfã e ele um homem velho, amaldiçoando a existência dos mais novos. Os outros mestres, inclusive Stone, nem falavam com ela. Só apontavam, empurravam e as vezes gritavam para se fazerem compreendido. Não demorou para Willa entender que ninguém falaria em inglês com ela, ou por não saberem o idioma ou por desejarem que ela aprendesse a língua deles. E foi o que ela fez. Sem pedir, sem se anunciar, ela começou a escutar o que eles falavam e o que faziam. Assim, aprendeu como se falava palavras como arroz, partir, dormir, treinar, a sobrevivente...

Um dia, Stick disse que ela era uma americana insolente fadada a morrer naquela montanha. E em um chinês dolorido aos ouvidos de um falante, ela respondeu não, ela era um sobrevivente. Stick corrigiu o erro de preposição e escarneceu do seu sotaque feio e pobre. Stone admirou o esforço da garota. Em quanto tempo ela aprendeu a formar e compreender aquela frase sozinha? Dois, três meses? É, ela poderia ter futuro ali. Ela não sabia que era um teste, mas não demorou a compreender o que era buscado por eles. Mesmo que inconsciente, ela usou da audição e tato para aprender um idioma desconhecido para se comunicar entre eles. Ela não foi um desvio de rota, a montanha clamou por ela por algum motivo escondido na sua mente. Naquele dia, Stone a levou para a sua biblioteca privativa e iniciou uma cansativa e produtiva aula de dígitos, as letras do Chinês.

Essa simples e cruel atitude de Stick ensinou algo a Willa: o mundo não responderia imediatamente as suas necessidades, por às vezes, não compreender o seu pedido. Então, ela devia se fazer entender.

— Quem? – Ela parou a sua frente arqueando uma sobrancelha pela curiosidade. Stick não era a sua pessoa favorita nesse mundo, mas de longe, era a pior delas. Talvez, um pedacinho de si, até gostasse do líder da Casta.

Ele que nunca desconfiasse disso.

— Quem é a única pessoa que te visita nesse fim de mundo? – Ele escarneceu da minha súbita solidão apoiando as mãos na bengala com um sorriso malicioso brincando em seus lábios.

Ele sabia quem era a sua visita. Ele sabia, pois ele sabia tudo que acontecia na Casta, com seus alunos, seus mestres, seus assassinos, seus inimigos e o mundo externo. Ele era obcecado em estar a um passo a frente de tudo. Só que, Stick era um torturador de emoções. Ele sabia de tudo, mas acreditava que sempre poderia saber mais, se manipulasse as emoções das pessoas na medida exata. Não havia nada mais poderoso no mundo do que prender cordinhas nas costas de uma pessoa e fazê-la sentir-se aterrorizada por conta de uma frase pronunciada.

Stick era mestre nisso.

— Não seja debochado, você também está nesse fim de mundo. – Após anos de treinamento e manipulação por toda e qualquer coisa, Willa se tornou impenetrável a essa artimanha do mestre. – E na minha última checagem, ninguém te visita aqui.

Stick riu gostosamente. Se fosse outro aluno, ele teria açoitado só pela audácia e pelo seu divertimento. Só que as coisas eram diferentes com a favorita de Stone.

Eles prosseguiram em sua conversa caminhando pelos corredores externos da mansão.

— Por pouco tempo, amanhã irei para o Japão. – Willa uniu as sobrancelhas. Japão. Stick raramente tratava dos assuntos da Casta no Japão sozinho. Stone estava retornando para a China, após uma viagem de negócios para a Europa. Ela pretendia aproveitar a sua estádia para pedir os seus conselhos. Pelo visto, ela não teria muito tempo. — Quer algo de lá?

Stick parou a sua frente, próximo a uma das entradas comum. Não havia divertimento em sua questão. Ele era um conhecedor nato das emoções humanas. Não existia privacidade entre ninjas e espiões.
E aquela questão assombrou os pensamentos de Willa.
A água irrompendo do vaso do chafariz destoou o clima. Willa fechou os olhos distinguindo a conversa dos alunos dos seus batimentos cardíacos, do som das ruas, da vida urbana e concentrando no cheiro de terra molhada. Ela sentiu frio. Um peso em sua cabeça.
Ela queria tantas coisas e sentia-se incapaz de possuir qualquer uma delas.

E aquela sensação arrepiando a sua nuca...

Isso a atormentou a ponto dela abrir os olhos, lançando um olhar por sobre os ombros encontrando nada além dos alunos atarefados com as obrigações dos seus dias.

— Yanagi? – Stick a chamou com preocupação serpenteando o tom de sua voz.

Willa meneou a cabeça em negativa distanciando aquele peso de sua consciência e concentrando no agora, sentindo assombrada o calor do sol aquecer vagarosamente a sua pele gélida. Era como se ela tivesse acabado de sair de uma piscina congelante...

— Normalmente, eu não me importaria com isso, mas você está estranhamente silenciosa. — Na percepção de Stick ele estranhou o desligamento de Willa, por um instante, era quase como se ela tivesse sido tragada dali.

— Sim, eu estou pensando se quero que você fique por lá ou se eu sequer ligo para onde você vai. – Ela não permitiu que ele percebesse o seu estranhamento com aquela breve e aterrorizante imersão.

— Que rude! – Ele exclamou com deboche, meneando a cabeça em negativa. — Eu não te criei assim.

— Não, me criou para ser uma assassina. – Ela rebateu com uma frieza indômita.

— E olhe para você, eu tive sucesso. – Aquele sorriso orgulhoso causou um embrulho no estômago da ninja.

Ela tinha mais o que fazer do que tripudiar Stick.

— Tinha que ter com alguém. – Ela retrucou seca, aquela frase possuindo ao menos 3 significados diferentes e o trio afetou a consciência do líder da Casta que, perdeu aquele sorriso, escutando os batimentos cardíacos incertos e fracos afastar dele. — Tchau, Stick.

— Adeus, Yanagi. – Ele sussurrou, o coração dela vacilou ao escutá-lo.

Stick estranhou. O coração de Willa ao longo dos anos constituía em uma batida constante e forte, como um tambor.
Bum. Silêncio. Bum. Silêncio. Bum.
Era uma assinatura pessoal. Cada ninja possuía a sua batida.
Hoje, ele não reconhecia os batimentos de Willa.
Existia uma inconsistência no ritmo ora firme, ora incerto, ora pesado. Ele até ousaria dizer que suas emoções conturbadas pelos últimos eventos cicatrizaram em seus batimentos. Só que... Ele suspeitava não existir relação alguma com isso. Era outra coisa. Algo desconhecido pelos seus sentidos, pelo seu conhecimento.
Isso se confirmou nos breves segundos de silêncio entre ela e ele. Para ela, ela se desligou do presente, para ele, por alguns milésimos, Stick poderia jurar que não escutara batida alguma produzida pelo coração dela.

De fato, ele teve sucesso com ela. E talvez, ele não devesse receber todos os louros por conta disso.

E o que repercutiria no futuro desse atual sucesso seria o que ele faria com a incerta e curiosa descoberta feita por ele.

O que havia por trás daqueles milésimos sem batimentos no coração de Willa?

E o que ela sabia sobre isso?

O mais importante: o que ele podia conseguir com isso?

Deixar Stick não aliviou o conflito na mente de Willa.

Se tinha algo que a assombrava era aquela sensação de quente e frio em sua pele.
A sensação desgostosa de ter alguém a vigiando.
A incerteza em sua mente.

Na horta, Willa portava luvas de jardinagem e um avental para proteger o seu recém vestido kimono. Ela cuidava das verduras, podando algumas folhas e molhando outras com um regador. Cuidar da natureza era de certo modo, um jeito de cuidar da sua mente.

Em uma lufada de ar o regador desapareceu da sua mão e uma giesta tocou os seus dedos. As suas pequenas e delicadas pétalas brancas eram semilenhosas e floriam em um cabo verde fino. Para alguns essa troca seria o suficiente para Willa largar tudo e internar-se voluntariamente em um hospício. Não com Willa. Ela sorriu com aquela surpresa. O cheiro da flor era cítrico, era delicioso.

Os batimentos de um coração conhecido acelerou a distância, a batida agitada e vibratória de um par de pés ecoou no solo macio da terra e o perfume amadeirado tocou as narinas de Willa e o seu coração reconheceu aquele cheiro, quando a brisa serpenteou o seu corpo. Então, os pés encontraram conforto na terra diferente dos batimentos cardíacos daquele individuo. Coitado! Ele teria um enfarto se continuasse assim.
Por sobre os ombros, Willa lançou um olhar afetuoso para o seu visitante, encontrando a poucos metros um Pietro com um sorriso largo e convidativo.
— Printesa!

Sempre galanteador.
Willa abafou uma risada gostosa e era possível o sorriso de Pietro aumentar. Mal ele sabia que ela não estava rindo por conta do seu charme europeu, e sim por conta do seu espírito travesso e atrapalhado.
Ele vestia um kimono azul acinzentado. É, Pietro vestia um Kimono e não sabia que não tinha conhecimento de como vestir um.

— Pietro, porque você está usando um kimono? – O seu riso frouxo foi conquistado após uma boa mordida no canto de sua bochecha.

— Estava querendo me encaixar melhor nesse clima Kill Bill. – Ele gesticulou ao redor, estendendo as mãos para uma melhor análise da ninja. — Gostou?

A malícia serpenteava o sotaque do sokoviano e Wila mordiscou o canto dos lábios. Outra boa tática para não rir.

— O Kimono está ao contrário. – Ela apontou para o tórax do velocista e onde deveria ter um decote tinha um excesso de pano formando um laço bem torto. Pietro coçou a nuca com as orelhas queimando em vermelho.

— Ah. Bem que eu achei estranho esse troxo na frente. – Ele bateu a mão no laço sobre a cintura.

Ele encolheu os ombros encontrando uma solução válida para aquela situação. Ele abriu o cinto, retirando o kimono e revelando o seu tórax nu, assustadoramente bem torneado com gominhos destacados para causar um embargo na garganta de um admirador.
Willa fechou os olhos, contendo os pensamentos pouco convidativos para um telepata.
E ouviu um suspiro não muito distante. O farfalhar de folhas levou sua audição a suspeitar de alguém a espreita. Os batimentos incertos e fortes revelavam ser uma mulher, jovem e ainda iniciante na arte dos shinobis.
E o clique surdo de uma foto fez Willa arregalar os olhos azuis se colocando, instintivamente diante de um Pietro absorto em arrumar aqueles panos confusos e assustadoramente finos.

— Pietro, se veste.

— Essa é nova para mim. – Ele parou. Olhou assombrado para a amiga. Semicerrou os olhos acreditando por um instante estar preso em um pesadelo muito real. E Willa grunhiu, pois a última coisa que ele fazia ali era vestir a porcaria do kimono. — Tem alguma regra que é proibido um cara ficar sem camisa por aqui? – Ele cruzou os braços agora destacando não apenas o seu tórax torneado, tanquinho lapidado por horas na academia e agora os seus braços... E ela tinha uma queda por braços.

Outro clique ecoou em sua audição.

— Não, é só que...

— Justamente. – Ele interrompeu sorrindo sapeca. — Eu vi um desses shaolins sem camisa treinando por aí. – Willa repetiu a palavra shaolin com uma mistura de duvida e confusão. — Ou seja, eu posso ficar assim e você não quer, pois quer guardar o melhor para você. – Ele chegou a essa conclusão tão rápido que Willa precisou de alguns segundos para entender o que ele queria dizer com isso. O sorriso malicioso, o olhar lapidando a sua figura, a ansiedade exalando em seu corpo. Ele levantou uma sobrancelha, na expectativa de uma resposta positiva.

Outro clique.

Se ele não a ouviria por bem, talvez, ela teria que enaltecer o seu ego, apenas para esmagá-lo como uma liçãozinha básica de convívio.

— Talvez eu queira. – Ela sugeriu com um riso fraco e embaraçado. Ela levantou o seu olhar encontrando Pietro mudo e imóvel. Ele soltou os braços, incerto do que fazer com as mãos, desnorteado pelo sorriso de possibilidades de Fairchild.

— Talvez eu guarde. – Ele manteve a grandeza do domínio da conquista cortando o espaço entre eles com um sorriso curvando sedutoramente o canto dos seus lábios.

Ele estava hipnotizado por ela.

— Isso significa que você vai vestir? – Ela inclinou o rosto, mordiscando o canto dos lábios.

Uma brisa cortou o ar e Pietro estava corretamente vestido, só com o cinto ainda aberto, ao qual ele entregou as pontas a ela para finalizar o seu trabalho de castrá-lo dos olhos públicos.

— Vestido.

— Ótimo. – Em um estalar dos dedos, ela perdeu o charme. Deu um laço meio frouxo no kimono evitando qualquer proximidade além daquela ali, passível de controle e isso confundiu Pietro.

Até que um risinho frouxo de Willa entregou as suas intenções.

— Você me enganou! – Ele apontou dramatizando o seu choque. — Só para me vestir. Isso foi muito baixo da sua parte.

— Você vai me agradecer. – Identificando de onde o som era originado, Willa apontou com a cabeça para um conjunto de árvores com troncos retorcidos e uma sombra moveu por trás delas, buscando manter-se escondida. — Ela tem um tumblr com fotos indevidas de todos os rapazes.

— Eu não me incomodo de ser exibido para o mundo.

— Você tem ideia da problemática por trás dessa afirmação? – Pietro esqueceu que ele deveria estar, supostamente morto? Ele estava querendo sei lá, causar um enfarto nela?

Não, ele não esqueceu, ele só apreciava assistir a veia de preocupação saltar na testa de Fairchild. Era um sinal claro de carinho por ele. Um carinho estranho. Em tempos difíceis ele aceitava até tirá-la do seu lugar de conforto para despertar uma emoção além da sua automática apatia do cotidiano.

— Com ciúmes, Willa? — Ele questionou malicioso deferindo um passo em sua direção e ela deferiu um tapa em seu ombro. Ele era forte, mas Willa sabia aplicar a sua força tão bem quanto os músculos de Maximoff. Ele sibilou de dor. – Além do mais, como você sabe desse tumblr? Anda fuxicando as últimas postagens?

Com Pietro era aquele velho e conhecido ditado: ele perdia a amizade, mas não a piada, o deboche, o sarcasmo, a cantada.

— Eu não vou nem perder meu tempo respondendo as suas implicações. – Ela deferiu o indicador em riste a ele, retornando os seus olhos para a flor entre os seus dedos.

— Ah, qual é! Dá um desconto para mim. A garota tira fotos de caras seminus, eu sempre imaginei o pessoal daqui sério, turrão, sem um pingo de diversão, meio como você, sabe? – Ele arqueou uma sobrancelha comprimindo um sorriso sapeca.

— Eu posso ser divertida, quando eu quero e você sabe bem disso. – Ela atirou um olhar malicioso para Pietro e ele precisou respirar fundo, repousando as mãos à frente da cintura.
— Depois disso aqui, não acredito mais em nenhuma palavra sua.

— Não sou eu quem perde. – Ela deu de ombros, demonstrando descaso à postura dele. – Alias, não existem leis aqui que proíbem a curiosidade de uma adolescente. – Ela considerou justo explicar a ele as diferenças entre a Mansão e a Montanha. — Se estivéssemos na montanha, às coisas seriam diferentes, mas aqui... É como uma faixa de gaza, compreende? – Ele assentiu enrugando o cenho com uma duvida borbulhante e crescente em sua mente. Willa dificilmente se abria para ele sobre seus anos na tal Montanha. Ele suponha que não fora bom, ele suponha que ela sofrera, ele suponha que ela repudiava aquele lugar e ele suponha que ela tinha pesadelos em inúmeras noites que ele a pegou berrando em horror em sua cama. Isso o levava a ter muitas questões sobre tal lugar e a sua experiência com o pouco revelado por ela. — Além do mais, você é a atração do momento.

— Atração? – Ele arqueou uma sobrancelha com aquele sorriso sapeca brincando no canto dos seus lábios. — Eu me tornei uma espécie de celebridade?

— Por assim dizer. – Ela concordou levantando os seus olhos da flor, para descobrir Pietro sorrindo meio bobo para si mesmo. — Você é o misterioso e charmoso estrangeiro com habilidades excepcionais como velocista e... – Ela mordeu o canto dos lábios guardando para ela aquele pensamento fugaz. — Possuidor da capacidade sobrenatural de me atazanar.

— Charmoso, é? – Pietro levantou a sobrancelha com aquele sorriso largo conquistando os seus lábios.

— Eu acabei de dizer que você me atazana. – Ela retrucou com uma carranca marcando o seu semblante.

— E você também disse que sou misterioso e charmoso. – Ela deixou suas mãos caírem sobre a dela com um então sorriso torto.

— Círculo pessoal, Pietro. – Ela sussurrou apontando o indicador do tórax dela ao dele para pontuar como eles estavam próximos. Por algum motivo nesses últimos tempos qualquer proximidade com ele estava se tornando uma espécie de desafio.

— Primeiro, me manda vestir a roupa. – Ele pontuou com o indicador e o dedo médio. — Agora, me afasta? Eu estou repelindo você hoje?

— Se prefere a stalker com câmera a postos, fica a vontade. – Ela gesticulou para o lugar onde a garota estava a momentos atrás.

— Não, eu gosto da sua marra. – Ele revelou com divertimento, retirando a flor da posse dela e delicadamente, colocou atrás da orelha dela. — Eu sei que é só parte do seu charme.

— Como foi a sua viagem para Sokovia? Wanda está bem?

— Bem. – Pietro assentiu brincando com as pontas do cinto do kimono. — Ao menos, ela acha que interpreta bem esse papel. – Willa inclinou seu rosto, questionadora. — Ela aparenta estar bem. Está morando com um grupo de amigos da nossa época de manifestações e ela está ajudando a reconstruir a cidade.

— Ela está segura?

— Sim. – Pietro assentiu confiante. — As pessoas amam ela. E eu não sei se é por eu ter estado morto e perdido isso, mas ela está bem mais confortável com os poderes dela... – Willa concordou. Ela acompanhou o desenvolvimento da confiança de Wanda com o seu dom e era impressionante o quanto ela conquistou em tão pouco tempo. — Sabe, aquele robô até que é de alguma utilidade.

Foi um ponto bom de ser destacado. Wanda conseguiu muito sozinha, só que ela teve uma ajuda especial de uma pessoa durante esse processo.

— Visão é um androide e ele tem muitas utilidades, começando, ele é só uma das criaturas mais poderosas do mundo? – Ela levantou o questionamento com um sorriso sapeca.

— Está tentando me deprimir? – Pietro retrucou com uma careta. — Eu não posso bater nele por estar todo cheio de amores pela minha mãe, sem correr o risco de ser atirado em resposta para outro planeta.

— Porque você faria isso com ele? – Maximoff mudou o peso do corpo de um pé a outro com uma carranca mimada.

— Eu acho que ele está apaixonado pela Wanda.

— Ah, own. — Willa levou a mão ao coração com um sorriso encantado. Pietro semicerrou os olhos sobre a ninja e ela curvou os lábios para baixo. — Nós não gostamos disso?

— Claro que não! – Ele bradou com veemência. Willa deixou os lábios formarem um ‘o’ escandalizado. — Eu não quero que minha irmã namore o Visão.

— Você não quer que a sua irmã namore, não importando quem seja. – Ela rebateu com amargura.

— É, isso aí.

— Mas você pode namorar? – Ela cruzou os braços, dominada por uma postura pouco convidativa.

— O que? – Ele ficou confuso. — Não, eu sou um homem de todas.

— Por favor, Pietro. – Willa revirou os olhos sentindo um nó na boca do estômago. — Não seja esse tipo de cara.

— O cara de todas? – Ele sugeriu com galanteio.

— Um machista. – Ela rebateu com amargura e Pietro sentiu o clima pesar entre eles. — Se você pode namorar livremente, porque a sua irmã também não pode?

— Eu não quero que ela se machuque. Só isso. – Ele abraçou o corpo sentido por não ser compreendido e por ter deixado Willa desgostosa de sua postura.

Uma coisa era despertar seu ciúme, outra era fazê-la olhá-lo como se ele fosse um pedacinho de torrada queimada no prato do seu café da manhã.

E, além do mais, suas intenções eram boas. Ele conhecia a dor de não ser correspondido, de perder um amor por entre os seus dedos, de não saber onde pertencer após perder esse amor. Se ele fosse mais claro com tais experiências, as quais ele buscava poupar a sua irmã, ele teria uma tatuagem na testa escrita ‘Willa’, só para ficar bem claro.

— Se machucar faz parte do processo. Viver a vida sem amor é... Não é viver. – A simplicidade em suas palavras surpreendeu Pietro. Apesar de tudo, ela tinha razão. — Você não vai querer que a sua Irmã viva uma vida sem se apaixonar, sem encontrar o amor da vida dela, quem sabe casar e ter filhos...

— Androides podem ter filhos? – Ele atirou a questão com o cenho enrugado, não apenas em duvida, mas carregado em uma possessividade típica entre irmãos. Bom, era o que Willa achava, ela não poderia saber com certeza.

— Acho que até 2030, Stark pode tornar isso possível. – Ela brincou com um sorriso fraco.

— Hm. – Pietro estava inconformado em perder a sua irmãzinha para o androide e Willa riu por conta da super proteção do rapaz, bagunçando os cabeços meio crescido com pontas esbranquiçadas.

— Pietro, acredite no julgamento da sua irmã.

— Eu acredito nela, agora não acredito nos homens e nos androides...

— Só sendo um para desconfiar do próprio sexo. – Ela retrucou levantando as sobrancelhas sugestiva.

— Alguns de nós presta. – Ela murmurou com confiança, coçando a nuca.

— Hm, não sei, não tive a oportunidade de comprovar essa teoria.

— Pegou pesado agora.

— Aprendi com você a nunca pegar leve. – Ela revelou cutucando o ombro dele.

— Ridícula. – Sua risada ecoou guturalmente por conta do seu sotaque pesado. Ele inclinou o rosto notando uma nuvem dominando o olhar de Fairchild e ele deixou sua mão vagar o ar, até encontrar o queixo dela e reconquistando o seu olhar para ele. Aqueles olhos azuis não eram mais os mesmos e ele não sabia dizer se essa mudança aconteceu após a sua morte ou durante toda aquela bagunça de Guerra. Ele só queria ter estado lá, por ela. — E como estão as coisas por aqui?

— Desde a sua última visita, tudo bem parado, bem rotineiro, bem... – Ela entortou os lábios, desgostosa.

— Chato? – Ela assentiu dando de ombros e Pietro meneou a cabeça em negativa, deixando sua mão repousar confortável no ombro dela. — Pega sua mochila. Vamos para Roma. Estou a fim de tomar um gelato.

— Piet...

As coisas não funcionavam assim.
Ela não podia fugir de seu presente sempre que se sentisse perdida, insatisfeita, entediada.

— Que tal Londres? Podemos tomar umas pint ao som de Beatles? — Ele sugeriu gesticulando com um sorriso convidativo. Ele sabia o quanto ela amava a banda britânica. — Ou Amsterdã? Diz à lenda que tudo é liberado lá... – Willa semicerrou os olhos para o Sokoviano que apenas se sentiu mais incentivado. — Maconha, prostíbulos, sexo em público.

— Pietro, eu não posso. – Ela negou com pesar.

— Só um dia. – Ele pediu levantando o indicador, apenas para deixar tudo bem claro sob a ótica radical e responsável da ninja. — Esse pessoal não vai sentir a sua falta.

Ele sabia que era mentira, mas se ele conseguisse arrancá-la daquela bolha na qual ela se enfiara, por um dia, ele talvez conseguisse tornar os seus dias ali mais suportáveis. Ao menos, até quando eles conseguissem encontrar um lugar mais seguro para ela se estabelecer por um período longo.

— Eu te garanto. Eles vão. Eu tenho obrigações, tenho aulas a dar, reuniões, sem contar as minhas pesquisas...— Ela respirou fundo por conta dessa menção.

Bucky.
O elefante entre eles.

— Willa, por favor, você está a dois meses pesquisando incessantemente sobre um modo de salvar o Bucky. – Pietro retrucou com amargura. — Você precisa de um tempo para relaxar a mente ou você vai pirar.

— Eu não vou pirar. – Ela afirmou com firmeza.

Ela passara por coisas piores nessa vida. Coisas que ela lembrava constantemente, outras que sua mente simplesmente a poupava e a fazia questionar: isso realmente aconteceu ou foi um pesadelo? E por mais que ela fosse uma mulher de olhos azuis, sardas proeminentes, 1,60 e cabelos loiros, ela não era tão indefesa quanto aparentava. Ela não precisava de ninguém para dizer que ela precisava relaxar, muito menos um homem, muito menos Pietro.

Ela conhecia os seus limites.

— Você está há 60 dias apenas trabalhando e pesquisando isso. Você sequer tirou um tempo depois do resultado do exame da sua prima. – Pietro tinha essa terrível habilidade de abrir a caixa de pandora chamada emoções de Willa. Aquela nuvem retornou ao seu olhar e ela deferiu alguns passos para trás, comprimindo os lábios com os seus olhos fincando nos seus pés calçados em uma sandália. — Quer dizer...— Ele foi longe demais? — Desculpe.

— Você está certo. – Ela concordou com a voz embargada. — Eu não tirei um tempo para mim, pois eu não preciso. – Ela levantou o rosto com uma faísca brilhando em seu olhar. — Eu estou bem. – Ela não estava mentindo, ela não estava querendo ser a forte. A ex vingadora que não precisa de ajuda, de um ombro amigo. Ela estava bem e se ela precisasse de ajuda, ela sabia onde recorrer. E ali, naquele breve instante, ela se deu conta que Pietro não teve chance de conhecer essa sua camada. Ele morreu antes de conhecer. Era explicável a sua preocupação. Ele não a conhecia. Não como Steve ou Sam, até mesmo Bucky, talvez. Ela não sabia dizer. Mas sabia dizer que com isso dito ele não teria que ter duvidas das suas intenções. Ela não estava afastando-o, muito pelo contrário, ela estava trazendo um pouquinho para mais perto de si. — Eu juro, P.

— Você falou com ela? – Sua preocupação era genuína e Willa comprimiu um sorriso envergonhado.

— Jéssica? Não tem o que falar a ela. – Ela meneou a cabeça em negativa. Riu sem alegria, se sentia uma tola por ter acreditado que tinha uma família, que tinha restado uma pequena possibilidade dela ter algo perto de normal depois de toda a sua criação no que, sob a sua ótica, não era muito distante do inferno. — Ela deve me achar uma maluca.

— Willa, você foi enganada.

Por ela mesma.
Por um investigador barato contratado pelo Stone.
Pela vida.
Pela expectativa.
Pela droga do destino.

E mesmo assim, ela se via sem um nome, sem um motivo para essa enganação.

— Por quem? Como?

Por que ela? O que ela fez para merecer isso? Qual era o propósito por trás disso?

— Não sei, mas a Jéssica entende sobre ter a mente controlada, não entende? – Willa ponderou tal comentário e concordou. — Ela vai entender. Agora, você precisa explicar a ela que algo ou alguém te fez acreditar que ela é, era sua prima.

De novo, quem e por quê?— Pietro suspirou gesticulando em negativa. — Não, eu não posso falar com a Jessica sobre uma coisa que não tenho resposta.

Jessica passara por muita coisa nessa vida e dar a ela problemas não era justo. Ela não merecia nada menos do que a verdade.

— Talvez, você devesse pesquisar sobre isso em vez de só pensar no Bucky.

Então, era nesse ponto que Maximoff estava querendo chegar, com aquele olhar incerto e mãos inquietas passeando no cinto do seu kimono?

— É, e essa não é a sua decisão.

— Eu... Eu sinto muito. — Pietro se puniu mentalmente por isso. Ele sentiu o seu ciúme queimando nas suas palavras. A inveja pela dedicação de Willa com aquele cara que escolheu se congelar a estar com ela aqui. Quem faria isso? Que idiota! — Não quis soar assim. – Mentira, ele queria.

Ele queria ele mesmo descongelar o Bucky e gritar com ele. Gritar com ele por ter largado a Willa. Gritar com ele por ter escolhido fugir a lutar. Gritar com ele por ter conquistado a sua garota, quando ele estava morto. Uma inconveniência da vida. Acontece todos os dias. Agora, ele precisava catar os caquinhos na vida de Willa e ele nem sabia por onde começar. Mas se pudesse, ele começaria dando um soco na cara de Barnes. E o colocaria de volta no cryo, pois ele podia ser um bruto, mas respeitava a escolha do cara que queria conquistar o coração da sua garota.

Da sua garota.

Ele bateu a mão na cabeça algumas vezes, grunhindo.

Ela não era sua.
Nunca foi.
Um dia, quem sabe, quando ela olhasse para ele, como olhou um dia?

— Quis soar como então? – Ela questionou com um olhar cuidadoso sobre Pietro. Reparando na sua incerteza, ela abaixou o rosto sentindo as suas bochechas queimarem e o seu estômago contorcer, por algum motivo, ela desconfiou que não tinha relação com fome.

— Eu só quero que você valorize o que você tem agora, porque ele escolheu não estar aqui e você está. – Ela assentiu sem se atrever a encarar os olhos azuis elétricos de Maximoff. Seria como encarar um espelho. — E eu não quero que você perca isso.

— Não vou. – Ela respondeu com um embargo tão incerto quanto à previsão de tempo na região Brasileira durante o verão. Ele não forçou a barra nesse assunto. Sentia que atrevera e foi longe demais, a última coisa que queria era sentir que ele estava forçando algo entre eles, um sentimento, um momento, uma explicação, um clima. Tudo ainda era tão incerto em sua mente, em seu coração e Pietro se esquecia que sob a ótica dos outros ele estivera morto por meses! Enquanto, para ele parecia que ele estivera dormido por alguns dias. Ele não tinha o direito de exigir nada de Willa, mas um pouquinho dele morria quando a assistia se entregar para causas perdidas. — E sobre a Jessica, eu estou esperando uma pessoa, ela vai saber me ajudar nisso.

— E a mesma pessoa que te ajudará com a Elektra? – Ele se lembrou que eles conversaram sobre isso a algumas semanas atrás.

— É. – Ela assentiu, comprimindo um sorriso e afastando uma mecha de seu rosto. – Ele, Stone, deve chegar nos próximos dias e eu vou tentar conversar com ele.

— Ok. – Ele concordou lançando um olhar admirado para o campo, comprimindo um sorriso satisfeito. Era tão pacifico, tão silencioso, tão bucólico. — Então, eu posso ficar por aqui?

— Claro. – Ela concordou com uma animação serpenteando subitamente as suas emoções. Ela ficou um pouco desconcertada. Pietro se tornou uma presença constante na Mansão, mas para Willa era ainda muito animador e bem vindo a sua presença. — Vai me ajudar na horta?

Pietro olhou aquela tarefa com receio, enquanto ela oferecia aquela atividade com uma empolgação de quem iria saltar de paraquedas em Gales pela primeira vez!

— Estava pensando em assisti-la cuidando da horta... – Ele notou o sorriso desmanchar lentamente dos lábios dela, então ele deu um passo atrás em sua decisão e assentiu. — Tudo bem, eu posso ajudar, só me direciona.

— Sou boa nisso. – Ela respondeu com animação, repousando suas mãos sobre o ombro do velocista, guiando-o para a horta, recolocando as suas luvas.

— Ridícula. – Ele sussurrou com escárnio.

— Chato. – Ela bateu com a ponta dos dedos na orelha dele.

Esses dias eram bons.
Pietro chegava de alguma parte do mundo com a sua espontaneidade e graça, até que ele partia com a esperança de um retorno inesperado.

A sua presença levantava questionamentos dos abelhudos.
Muitos achavam que a dupla era um casal. Outros apontavam eles como amantes casuais, o famoso se-pegam-mas-é-só-sexo. E... Uns nem sabiam quem ele era. Agora, o que realmente acontecia ali? Amizade. Willa não estava interessada em um relacionamento. Por Deus, ela nem conseguia pensar em sexo! Sua mente era um redemoinho de conflitos, pensar em um relacionamento agora era como pensar em tricotar um casaco com linhas de uma teia de aranha!

Pietro, por sua vez, estava se atualizando, e com isso, ele estava entre um casinho e outro por toda parte do mundo. No inicio, ele evitava transparecer isso na presença de Willa. Não queria causar desconforto. No entanto, teve Shun. Shun era uma das alunas da Casta e rolou um clima entre eles. Um clima pesado! Uns pegas escondidos mais tarde e Willa desconfiou da troca de olhares entre eles (até porque Shun sempre rodava uma adaga entre os dedos quando encontrava a loira nos corredores ou com o braço sobre o ombro de Maximoff) e sugeriu, como quem não quer nada que ele deveria chamar a garota para sair (antes de ter o pescoço degolado no meio da noite). Pietro concordou, mas o relacionamento não prosseguiu. Havia algo de estranho em estar com alguém com aprovação de Willa. Era estranho estar seguindo em frente quando ele ainda queria seguir junto com ela.

Havia um respeito mútuo: ele sabia que ela não estava interessada em uma relação e ela sabia que ele merecia uma chance de se apaixonar. Ela jamais o prenderia e ele seria incapaz de impor nela um sentimento adormecido.

No final das contas, os dois sabiam muito bem o que desejavam em seus íntimos.

Willa tinha razão.

Stone chegou a Casta em três dias. A sua intuição nunca falhara. Ele veio acompanhado da sua comitiva, conhecida apenas como a guarda real. Ele tinha uma reunião importante com clãs locais e uma reunião empresarial no Japão. Willa caminhava pelo pátio principal, quando há metros de distância, Stone se colocou no seu caminho. Ele emanava seriedade e um olhar preocupado sobre a sua pupila. Ela se curvou respeitosamente e Stone sorriu ternamente, e discreto, gesticulou para ela acompanhá-lo em uma caminhada pelo jardim da Mansão.

— Como está a sua estadia, Yanagi? – Ele questionou em um sussurro profundo e no seu idioma, o japonês, administrando um olhar dela a bela paisagem dos jardins muito bem cuidados pelos estudantes da Mansão.

— Não tenho reclamações, Sensei.

— Stick me informou o ocorrido com os seus amigos heróis. Eu lhe disse, na guerra dos homens, o sábio perece no campo de batalha. – Ela concordou com a sua afirmação. Ela deveria ter escutado seu conselho antes de permitir que a Guerra guiasse os seus amigos, até aquele ponto sem retorno. Só que o que estava feito era imutável. — Existe solução?

— Ainda não.

A esperança era o último recurso a morrer nos ideais de Yanagi. Uma lição aprendida por conta própria e as vezes, uma camada confusa para Stone (e os outros mestres) compreenderem.

— Também me informaram sobre o seu visitante corriqueiro... O jovem Maximoff. – Willa negou com a cabeça. Stick tinha que abrir a boca, tinha que tentar criar um desentendimento entre o Sensei e a ninja, tinha que tentar fazer Stone se decepcionar com ela. – Ele está aqui agora?

— Saiu para comprar arroz frito ou algo assim. Quando ele voltar posso apresentá-los.

— Não é o momento. – Lá vêm as charadas de Stone... — Não pense o pior de Stick, ele tem preocupações genuínas com os nossos preceitos passados adiante pelas pessoas erradas.

E Stone a surpreendia com uma capacidade inigualável de ler suas emoções.

Willa relaxou, sincronizando os seus movimentos ao mestre e parando de caminhar junto a ele, girando seus calcanhares para ficar frente a frente com ele.

— Acho que de todos os mestres que esse clã teve o prazer e desprazer de conhecer, ele é o último com o direito de ter essa preocupação.

— Stick fez muito pela Casta, além do que sabem, muito além do que você imagina. Ele não foi escolhido pelo Mestre Izo por acaso. – Singelamente as sobrancelhas de Willa levantaram e Stone inclinou o seu rosto, admirando a pupila com curiosidade. — Você duvida das minhas palavras.

— É conflitante acreditar que alguém como ele pode ter feito algo bom para outros. – Ela retrucou com rispidez.

Quantas pessoas boas ele negligenciou por causa desses ideais ao longo dos séculos?
Quantos ele traiu por conta do poder de ser o líder?
Quantas pessoas ele matou, como uma maneira de lecionar alguém a não ser sentimental, ser humano ou por simplesmente desejo de seu ego?
Elektra? Ela? Murdock? Quem mais?

— Quando ele escolheu entregar Elektra a uma família adotiva, ele não estava abandonando ela por conta de uma decepção. Ele deu a ela uma chance. Uma chance de ser humana. – Willa não atreveu olhar para Stone e lutou para confinar o sentimento de surpresa por essa afirmação soar extremamente plausível. Se eles estivessem falando de qualquer outro homem, menos Stick. — Com o jovem Murdock foi medo, de se importar com ele como um dia fez por Elektra.

— E ele sabe que você sabe disso? – Ela desafiou Stone a duvidar das intenções do seu mestre.

Ele não gostou da sua audácia, mas resolveu deixar isso passar. Era do temperamento de Yanagi ser mais questionadora e menos diligente.

— Nem ele desconfia das próprias emoções, por isso luta contra elas; ele não as entende. – As suas palavras e o seu olhar escuro e frio causaram um contorcionismo no estomago de Willa. — E você também não compreende algumas coisas.

Ela riu em escárnio. Ela teria sorte se não compreendesse apenas algumas coisas.

— E você pode me responder algumas dessas coisas ou brincará de charada comigo, esfinge?

— Não são charadas, eu só não desejo interferir em sua compreensão. – Ele confessou com tranquilidade e Willa arqueou as sobrancelhas em um aceno de aceitação, não concordância. Se ele soubesse as noites em claro que ela passou por conta desse seu desejo de não interferir, repensaria tal afirmação. — Eu nem sempre estarei aqui, Yanagi.

— É, eu sei disso.

Uma hora todo mundo por quem ela nutria o mínimo de carinho, acabava por partir.
Para outro lugar, para outro mundo, para outro plano.

— Precisamos caminhar lado a lado com o mal para compreendermos o bem.

Algo nessa frase inflamou as emoções de Fairchild.

— Eu sinto que tenho feito isso por toda a minha vida. – Um embargo adornou a voz rouca de Willa. — Diferente de Elektra, eu não consigo ver esse mal, mas eu o sinto. – Ela repousou a mão em seu coração com um olhar pesaroso. — Em um arrepio na nuca. Em um peso desproporcional sobre as minhas costas. Em uma brisa fora de momento. Naquela sensação desconfortável de ter olhos em si e quando os procura... Não há nada ali.— Ela administrou um olhar inquieto a paisagem. — Eu sei que ele está aqui, me seguindo, como uma sombra.

— E você aceita isso? – A voz de Stone sussurrou em sua consciência e ela acenou deferindo um olhar a um Stone silenciado e imóvel diante dela. — Esse mal, com você? – Ele proferiu em sua mente.

— Eu nunca o vi como algo ruim, só como algo incompreendido. – Ela revelou, reflexiva.

— E você quer compreendê-lo, agora? – Ele murmurou tais palavras, altivo. – O seu dom. – Willa assentiu desolada, tal confissão era como se atirar sem paraquedas de um precipício de queda infinita. – Yanagi, as coisas vividas por você, o que você viu e tudo pelo que você sobreviveu poucos adquirem o beneficio da sobrevivência para contar isso e passar sua experiência ao próximo.

— Está tentando me contratar como Sensei honorária? – Ela brincou comprimindo um sorriso torto levemente debochado.

— Você nunca seria uma boa professora. É muito indisciplinada. – Ela revirou os olhos, confirmando as palavras do Sensei e nem se apercebendo disso. — O que aconteceu com Elektra foi uma escolha.

Ele sabia de tudo.

— Ela morreu para proteger o Matt. – Não deixava de uma escolha. Injusta e impensável, mas uma escolha.

— Não estou falando disso. Você sabe o que houve com o seu corpo. – É, ele sabia de tudo mesmo. Willa semicerrou os seus olhos para Stone. Inclinando o seu rosto em reflexão as suas palavras. — O tentáculo acredita que ela é a reencarnação do seu líder supremo, um demônio com a capacidade de caminhar entre os humanos e nem mesmo a morte é capaz de impedi-los de trazê-lo a esse mundo.

— Eles roubaram o corpo da lapide. – Willa proferiu embargada, enraivecida, inconformada.

— Não, não roubaram. – Ela arregalou os olhos descrente da convicção tão pateticamente cega do seu Mestre. — Na crença deles é um direito retomar aquilo que é destinado a pertencê-los.

— É a Elektra. – Ela reafirmou deferindo um passo ameaçador a Stone e ele inclinou o seu rosto, analisando o seu movimento pouco amistoso. — É o corpo dela.

Yanagi. Tão poderosa, tão impenetrável, ainda tão humanamente ingênua.
Ela falava sobre charadas e enigmas e mal sabia que para ele, ela era a verdadeira esfinge de sua dinastia.

— Não mais. Existem coisas sobre a vida, a morte e o que há no meio que você ainda não compreende, minha criança justa. – Ele buscou acalmar as suas emoções, mas o seu afeto e equilíbrio apenas aqueceram as emoções conturbadas e complexas de Fairchild. — O jovem Maximoff poderia te elucidar sobre isso. – Ela o olhou em alerta com o seu coração acelerando em uma batida incerta, perceptiva aos ouvidos de Stone. — Eu sei de tudo. Ele teve o beneficio de ser trazido de volta a vida através da sua bondade e o amor da irmã dele. Eu nunca deixei de acreditar na sua capacidade, mas você precisava descobrir isso sozinha. – Ela bufou respirando fundo. Como ele podia ser tão calmo, tão compreensível, quando ele sabia de tudo, tudo que aconteceu, tudo que acontecia e tudo que aconteceria? — Elektra não terá o mesmo destino.

Como ele podia não ter bolas para tomar uma atitude e usar a porcaria dos dons angariados ao longo dos séculos para ajudar e não apenas ser um maldito sábio de voz potente e três metros de altura assustadores? Do que adiantava ser tão poderoso, tão imponente, tão temido, se ele não usava isso para ninguém mais, além de beneficio próprio e de alguns poucos velhos sábios como ele?

Willa se lembrou porque odiava aquele lugar: aquele lugar a transformava em alguém que ela não queria ser.

— Nós podemos mudar isso.

Ela não queria ser o Stone.

— O que está feito está feito. – Willa meneou a cabeça em negativa.

Ela não queria ser o Stick.

— Bobagem. – Ela proferiu com raiva.

Stone ficou diante de si em uma velocidade absurda. Pegou o braço de Willa, puxou para diante dele. Acertou um tapa em seu rosto, para desnorteá-la, acabando por arrancar um pouco de sangue dos seus lábios. Ele a girou pelo braço, contorcendo-o. Esse movimento travou os seus músculos e movimentos, repuxando os seus ossos a ponto de separá-los. Ela bradou de dor, mas ninguém vem ao seu auxilio. Nem virá. Ninguém devia insultar o Sensei, ninguém devia duvidar dele. Era lei.

Willa quebrava todas ela.
Ela não ousou lutar contra Stone. Tinha um Q de respeito aí e um Q de esperteza. Ela sabia que um movimento incerto produzido por ela e certamente, quebraria o braço, no mínimo em três pontos diferentes.

Um movimento certeiro de Stone e ele arrancaria o braço dela fora.

Seria irônico se não soasse tão carmático perder o braço.

Ela precisava do seu braço.

Ela necessitava quebrar o carma em sua vida.

— Você quer perder o seu braço? – Ele ameaçou repuxando o braço dela.

— Não. – As palavras escaparam dos seus lábios com dor, rispidez, frustração e um pouco sangue.

— Você me desrespeita com suas palavras, eu deveria puni-la por isso. – Ele refletia.

— Por favor, não. – Ela buscou firmeza nas suas palavras. — Eu sinto muito.

Ele analisou as suas palavras. Ainda pressentia a sua confusão, audácia e insolência. Mas, nem tudo estava demarcado sob a pedra, então, ele deu a ela uma oportunidade de consertar os seus erros. Largou Willa na relva retomando a sua postura equilibrada e intocável, como uma pedra no meio do caminho.

Ela sentiu a terra tocar nos seus lábios sentindo o seu gosto misturar em seu paladar. Ela segurou o braço, com lágrimas nos olhos. Massageando o músculo distendido. Dava graças a qualquer divindade presente naquele momento, por ter feito Pietro sair justamente naquele espaço de tempo. Ela não queria nem imaginar o que Stone faria com ele se a visse naquele estado. Certamente, ele faria aquela viagem para o outro lado do mundo com apenas um chute – e talvez, sem retorno da pós-vida.

— Você é uma das minhas melhores alunas, mas o seu desrespeito e impertinência é crescente e preocupante, isso ainda a colocará em apuros. – Ele proferiu com firmeza e Willa fincou os nós dos dedos na terra, reconquistando suas forças para levantar.

Um passo de cada vez.

Ela estava agradecendo por Pietro não estar ali? Isso era o que a Casta queria. Queria que ela se individualizasse e essa força a adornasse como uma assassina sem limites, sem controle, sem amarras.
Ela não era mais isso.
Ela escapou disso.

— Eu poderia salvá-la, eu poderia...

Ela era sem limites, sem controle, poderosa, forte, determinada, audaciosa, teimosa como uma porta e cheia de amarras.
Amarrada a Pietro.
Amarrada a Bucky.
A Steve, Sam, Clint, Wanda, Natasha, Visão, Tony e até mesmo no Scott.

— Não insista. Não é o seu destino. Aceite isso.

Ela não era o Stone.
Ela não era o Stick.
Ela não era a Yanagi.

Ela era...

— Não! – Ela bradou com um olhar determinado sobre Stone.

Essa era a resposta buscada por ele.
Com a sua agilidade sobrenatural, Stone ficou diante dela e retomou o braço de Willa. O respeito foi para as cocuias. Só que sua agilidade dessa vez foi bloqueada por um soco no pescoço dele. Um golpe ensinado por Steve. Stone deu um passo para trás, sentindo o músculo do pescoço retese. Ninguém nunca... Ele não administrou tempo em deferir golpes de ataque com as pernas e mãos e alguns em defesa aos golpes diretos de Fairchild. Ela misturava técnicas de Kung Fu com Boxe, Acrobacia, Saltos e Muay thai, treinados com Sam. Ela administrou três golpes contra o tórax de Stone, com raiz no Karate não causando impacto algum a sua pele impenetrável, só que isso o dispersou agregando tempo para ela prender uma perna contra a perna dele e conseguindo apoio para subir, prendendo o seu braço contra o pescoço dele e rodopiou no ar, administrando força para conseguir derrubá-lo no chão e fazer uma reversão com o seu corpo.

A Viúva ensinará a Justiça.

Uma montanha caiu. Stone caiu e não levantou, desconcertado. Ninguém antes, nenhum aluno, Sensei, inimigo, derrubara ao chão. Apenas Stick. E agora, Willa.

Ninguém nunca partiu a pedra como o carvalho.

— Eu não posso ser você. – Stone levantou e ela manteve sua postura determinada sentindo os seus músculos doerem pela força utilizada contra ele. — Eu não posso ser submissa a palavras profetizadas pelo vento ou por um velho de mil anos! – Ela bradou com uma crescente liberação em seu peito. — Eu sou humana, eu tenho o sangue de uma guerreira e um coração, um coração que bate e se nega a petrificá-lo, como vocês fizeram com a Elektra, com o Matt e comigo.

— Ela nasceu marcada pela morte. – Ele proferiu demonstrando empatia pelos sentimentos de Fairchild – e uma bela porcentagem de assombro.

— Ela nasceu destinada a ser um monstro e vocês a abandonaram ao acaso de uma profecia. – Ele se desconcertou com a sua afirmação tão cega em sentimentos e determinada em justiça. — Ela poderia não ter seguido por esse caminho, se vocês tivessem lutado por ela. Vocês são culpados por isso, vocês causaram isso. Não um destino selado aos sete ventos. Vocês mataram ela e o que ela se tornar e fizer nas mãos do Tentáculo será inteiramente culpa de vocês.

Stone não deixou de acreditar nas suas palavras.
Afinal de contas, ela derrubara a montanha.

Quem sabe, ela estivesse mais apta às surpresas do seu destino do que ele acreditara e tanto a precavera ao longo dos anos. Quem poderia dizer? Talvez, ela estivera pronta para essa jornada a vida inteira e ele é quem não estava preparado para perdê-la.

— Eu vivo neste mundo a mais de trezentos anos e eu não estou sozinho. – Ele revelou altivo sem perder o seu orgulho, pouco imbatível naquele instante. — Assistimos nações perecerem por conta de sonhos, por conta de ganância, por conta de crianças como você querendo lutar pelo certo, lutar por amor. – Havia um pesar adornado de um carinho irrevogável. — O mundo não é feito de amores e sonhos, Yanagi. É feito de devoção, dominação e poder.

— O seu mundo é assim, não o meu.

É.
Por isso ela não queria seguir os seus passos.
Ela não queria as suas maldições.
Ela tinha as próprias para vencer.

— Tem certeza disso? Depois de tudo que você viveu com os seus amigos heróis, você acredita cegamente nisso?

— Sim! – Ela respondeu com convicção.

— Stick tem razão. – Não existia pesar nas suas palavras. Muito pelo contrário. Existia um certo humor convicto e gostoso buscando escapar dos lábios do Mestre. — Você é mais tola do que permite as pessoas saberem.

— Eu prefiro ser tola a viver a eternidade acreditando que eu sou a supremacia da humanidade.

— Será? Eu acredito que você precisa de um toque de realidade. – Ela uniu as sobrancelhas, confusa com tais palavras. — Saia em uma missão amanhã, Yanagi.

— Eu não estou aqui como uma das suas marionetes, para eliminar seus desafetos. – Ela proferiu entre os dentes.

— Você está aqui porque eu autorizei o seu retorno. Você é uma renegada. – Ele a relembrou, levantando o seu queixo. — Abandonou o seu clã para lutar pelas suas escolhas. Fez muito mais do que eu em séculos. – Isso era orgulho? Ela inclinou o rosto, reflexiva. — Em incontáveis vezes lutei contra os líderes para não enviar os nossos melhores guerreiros atrás de sua cabeça. Lembrando a eles a sua importância para a nossa Casta, o que você fez por nós, o que você significa...

— O que eu significo? – Ela questionou com urgência. Ele sorriu com paz em seu semblante. — Mais uma assassina, mais um peão, Stone. – Sem respostas, ela amuou. — Eu sei o meu papel aqui, sempre soube.

— Você tem um dom, você é mais do que a portadora da morte, você também porta a viva. – Ele repousou sua mão no coração dela e aquilo trouxe uma paz a tanto ansiada.

— Você deveria ter mandado eles me matarem quando teve a chance. – Ela proferiu com magoa por causar tanta dor para quem ela tinha de mais perto de uma representação de um pai. E talvez, a sua única família.

— Eu não poderia. – Ele acarinhou o rosto dela comprimindo um sorriso. — Stick tem razão, eu me afeiçoei a você, esse é o primeiro erro de um Sensei. – Em anos ele nunca confessou isso, o que deixou Willa comovida. — Eu só queria que as coisas fossem diferentes e você não odiasse o que represento o que eu sou em sua vida.

— Eu não odeio, Stone. – Ela respondeu sincera. — Eu só... Eu também queria que as coisas fossem diferentes, mas eu não mudaria nada.

— Eu não vou mudar de ideia sobre a sua missão. – Ele comprimiu um sorriso, brincando com a possibilidade dela estar sendo uma doçura de pessoa para poupá-la daquela que talvez seria, a sua última lição como a sua pupila.

— Eu não pediria por isso. – Ela levantou uma sobrancelha, mordiscando o canto dos lábios com uma ideia. — Mas, posso pedir por algo em troca?

— Eu acredito que você esteja me devendo mais do que tem me pago. – Ele retornou a caminhar atirando aquelas palavras com jocosidade.

— Eu estou pensando em abrir uma conta. – Ela proferiu limpando o canto do lábio sujo de sangue.

— O que você precisa? – Ele a olhou por sobre o ombro e ela se uniu a sua caminhada.

— O senhor se lembra de quando eu tinha 17 anos e eu estava estudando no Japão? – Ele assentiu. — Eu estava curiosa sobre as minhas raízes e o senhor contratou um detetive particular nos Estados Unidos e ele investigou toda a minha família...

— E me entregou um dossiê sobre cada membro vivo e morto de sua linhagem. – Ele completou as suas palavras, um pouco confuso por ela relembrar de tal assunto tão distante em suas histórias. O que a levou a pensar nisso? — Sim, me lembro.

— Ele era confiável?

— Ele trabalha para nós há décadas; porque dessa duvida agora?

— Eu tenho motivos para acreditar que ele mentiu nesse dossiê. – Era uma acusação seria e muito, muito perigosa não apenas para a sua vida, como para dezenas de centenas de missões.

— O que você quer dizer?

— Eu descobri que Jessica Jones não é minha prima. – Stone arqueou as suas sobrancelhas negras, estarrecido. — Fiz um exame de DNA e tudo, com aquele cara da Alemanha. – Ele retomou o seu equilíbrio e ele assentiu. — Nós não dividimos o mesmo DNA.

— Porque ele mentiria sobre isso? – Ele questionou mais para si do que para a pupila. Administrando um olhar sobre o céu ele se questionou como os Olhos de águia não viu aquilo acontecendo e não o alertou sobre.

Perguntas demais só podiam significar uma coisa: um problema.

— Eu não sei, eu tinha expectativas que o senhor saberia como me responder isso, mas como me enganei sobre isso... – Ela abaixou a cabeça com respeito, arqueando uma sobrancelha com determinação. — Eu quero permissão para investigar isso a fundo.

E isso podia significar em ter que torturar o melhor detetive particular da Casta? Talvez.

— Não, eu irei para o Japão amanhã e resolverei isso, pessoalmente. Me dê alguns dias. – Ele pediu e Willa não se atreveu a desconfiar ou contradizê-lo. — Assim que concluir a sua missão, eu te entrego as respostas que você busca ou ao menos, uma direção no horizonte. Até eu me encontro curioso com a mudança desse enredo.

— Então, é isso: olho por olho? – Ela murmurou com um olhar meio saudoso, meio divertido ao Sensei caminhando ao seu lado.

— Dente por dente. — Ele proferiu determinado. — Você receberá um endereço pela manhã, parta imediatamente. Lá, você receberá o seu dossiê para a sua missão. – Ela assentiu, sentindo estar em um deja vu, só que ela tinha 15 anos e ainda era apenas uma iniciante. — Conclua o quanto antes, Yanagi e retorne para o seu lar.

Ele a deixou a margem do lago e ele retornou, só para a mansão.
Tinha assuntos sérios e graves a tratar com Stick.

— Como desejar, Sensei.

Retornar ao lar?
Uma charada para Riddle.

Seria irônico se não fosse um puta de spoiler para o final dessa história.

Notas finais
Para um primeiro capítulo aconteceu MUITA coisa! O que vocês acharam dos acontecimentos desse capítulo? O que acontecerá com Willa, agora que ela sabe que não é prima de Jessica e existe um enorme borrão em seu passado? E Pietro? QUE DÓ DO NOSSO VELOCISTA! Vocês acham que ele tem razão sobre a Willa precisar relaxar e aproveitar mais a vida ou ele está apenas paranoico com tudo que ele viveu? E O QUE FOI A BRIGA DA WILLA COM O STONE? AI MEU CORAÇÃO! O QUE ACONTECERÁ AGORA? Façam as suas apostas! Ninjas, não deixem de votar na enquete, ok? Muito obrigada pela sua leitura! Até semana que vem :)