Born to Die | Exile

15 Born to Die | Without You


Notas iniciais
CAPÍTULO NOVO NA ÁREA, GALERINHA! Oi, mates! Tudo bacana com vocês? Eu estou vivendo um momento MARAVILHOSO em minha vida: Meu primeiro livro, Apenas Respire será publicado pela editora Essência Literária e eu não poderia estar mais radiante em poder dividir essa novidade com todos vocês :) Por outro lado, eu QUASE não publiquei esse capítulo nessa semana por estar MUITO GRIPADA. Revisei esse capítulo após uma forte dose de Tylenol e acompanhada de um chá, por não desejar quebrar a minha promessa de NO MORE HIATUS por aqui. No entanto, não deve ser uma das minhas melhores revisões, portanto, peço desculpas por isso. CONTUDO, POREM, ENTRETANTO: ESSE CAPÍTULO ESTÁ PRONTINHO PARA DERRUBAR MUITOS FORNINHOS. É o maior capítulo da fanfiction, até hoje e eu tenho um carinho ENORME por ele, por diversos motivos. Tem Wicky, tem Wanda e Willa (temos um ship para elas? Deveria.), tem muitas cenas de lutas (Cenas de ação são a minha grande paixão ♥), ah... temos Homem Aranha, produção? SIM, NÓS TEMOS. E não só ele! TEMOS A GUERRA CIVIL INTEIRA! IT'S TIME, MATES! Fortes emoções na reta final de Born To Die, mates! Condiz muito com essa semana em minha vida ♥ MUITO OBRIGADA pelos comentários maravilhosos, galera! Amei cada um deles e responderei com muito carinho. As views e os compartilhamentos continuam a me impressionar, vocês são demais! Como também, agradeço do fundo do meu coração os recadinhos de aniversário. Vocês são uns lindos e eu não me esquecerei, viu? :) Continuem comigo e a Willa nessa jornada ♥ obs. AVISO IMPORTANTE APÓS O TÉRMINO DO CAPÍTULO.

W I T H O U T Y O U



Can you picture it, baby?/That life we could've lived?/Your love is deadly/Tell me life is beautiful/They all think I have it all/I've nothing without you/All my dreams and all the lights mean/Nothing without you.

Cinco dólares que Steve finalmente vai tomar uma atitude. – Sam apostou olhando para Willa através do painel do fusca.

Willa seguiu seu olhar e assistiu Steve conversando com Sharon, questionando-se se Sam tinha razão naquilo. Rogers e Carter estavam nesse flerte há semanas, não seria difícil para eles, continuarem nesse joguinho por mais algumas semanas.

— Eu espero que sim. – Willa comentou com um beicinho nos lábios. — Eu não aguento mais ele se questionando se é certo ele chamá-la para sair devido as circunstâncias ou esperar o momento perfeito para isso. – Willa resmungou com os braços cruzados. — Esses dois estão piores do que aqueles casais de dramas de colégio!

Bucky riu ao lado de Willa. Ela o olhou e um baque lhe atingiu como um tapa. Willa abaixou o rosto, constrangida. Ela bem tentou ficar com o banco do carona, mas o insuportável do Sam lhe disse que era impossível ele dividir o mesmo metro quadrado que Bucky sem esmurrar a cara dele contra o vidro. Mal ele sabia que ela queria muito enfiar a própria cabeça no vidro. Ela estava sentada no banco traseiro a menos de dez centímetros de Bucky. Dez centímetros do cara que terminou o que mal começou entre eles. Dez centímetros do cara que destruiu o seu coração em segundos. Dez centímetros do Bucky. Não tinha como aquilo ser mais estranho.
Todavia, ela se esquecia de que quando Sam estava presente, tudo era possível.

Sam não era tolo. Ele sentia que tinha algo rolando entre aqueles dois. Steve não parecia saber nada ou ele era ótimo em guardar segredos. Sam até tentou arrancar algo de Scott e Clint, mas os dois eram tão desligados quanto um Suricato perdido numa floresta. Scott até agora não sabia quem era Bucky, ele achava que era um apelido especial para um balde. Sam estava desconfiado antes de existir se quer uma pista de que algo estava rolando entre o casal e ele queria aproveitar que Willa e Bucky estavam completamente desconfortáveis naquela situação, para conseguir algo. Aquela situação estava a seu favor para conseguir descobrir algo e não havia melhor forma para isso do que inesperadamente.

— Willa, eu estava pensando aqui, se quando tudo isso terminar, e nós não formos presos ou pior, nós poderíamos sair e tomar alguns drinques, talvez comer alguma coisa. – Sam sugeriu com sua típica tranquilidade. Ou Willa estava tendo um derrame ou o rosto dela se contorcia daquele jeito mesmo.

Disfarçadamente, Willa lançou um olhar a Bucky e assistiu o seus olhos fuzilarem Sam e a sua mandíbula cerrar pesadamente. Ele estava verde de ciúme. E o primeiro pensamento dela foi: bem feito.

— Não sei, Sam. – Ela respondeu suavemente lançando um olhar confuso para Sam. De onde veio esse papo? Ele realmente estava sugerindo um encontro? Juntos? — Não acho uma boa ideia sair com um homem que claramente enfiou a cabeça na quina da cama hoje cedo... – Bucky abafou uma risada em sua garganta e Sam captou isso com um sorrisinho no canto dos lábios.

— Por que não? Você não está saindo com ninguém. – Por um segundo, Willa acreditou que Bucky furaria a nuca de Sam, se ele tivesse raio laser no lugar de olhos e ela sorriu discretamente. Se ela tinha alguma duvida dos sentimentos dele por ela, ali ela teve certeza que os seus sentimentos era mais do que mútuos, como também ele era incrivelmente ciumento com a ideia dela estar com outros caras. – Eu não estou saindo com ninguém. Você é atraente. Eu sou atraente. É da natureza humana que nós, acabemos por ficar juntos, você entende o que estou dizendo? – Ele concluiu, rindo.

Willa revirou os olhos, encontrando o olhar de Sam sobre si através do retrovisor.

— Você está tentando me dizer que eu e você estamos destinados a ficar juntos? – Ela questionou levantando as sobrancelhas sugestivamente e completamente crente da possibilidade deles estarem presos em alguma espécie de mundo invertido e a Wynona Rider estar gritando por Willa através do telefone.

— Exatamente. – Ele apontou o indicador ao horizonte, sorrindo.

— Você pode empurrar a sua cadeira para frente? – Bucky perguntou a Sam, com seu cenho enrugado e aquele olhar pesado sobre o falcão. Era óbvio que ele estava muito incomodado com a tentativa pesarosa de Wilson de flertar com Willa e ele estava lutando contra todas as forças para não pular no pescoço de Sam e dividir aquele fusca em dois no processo.

— Não. – Sam respondeu inexpressivo. Ele não facilitaria para Bucky. Ele não era especial, não tinha que ser tratado como se fosse feito de porcelana. Ele que se virasse.

E ele se virou.

— Ótimo. – Bucky respondeu com dureza, movendo seu corpo pesadamente pelo banco apertado, olhando friamente para Sam.

Willa não podia abrir mais espaço a ele, pois não tinha mais espaço naquele fusca, logo ela não mexeu um centímetro se quer de seu corpo, como um gato apavorado ela estava imóvel com sua pele eriçada e um olhar conflituoso sobre o soldado. E Bucky tinha outros planos.

Ele puxou Willa para os seus braços, cuidadosamente protegendo a cabeça dela para não bater no teto do carro. Ele a sentou em seu colo e moveu para o lugar onde ela estava originalmente ali. Barnes envolveu seus braços na cintura dela e pressionou delicadamente um beijo contra o seu pescoço exposto.

Assistindo do retrovisor, Sam arqueou as sobrancelhas.

— Então, eu acho que o nosso jantar está cancelado, não é? – Sam murmurou olhando pelo retrovisor para o casal.

— Você pode apostar que sim! – Bucky resmungou com dureza e Willa parecia estar perdida no tempo e espaço.

— Ótimo. Quem precisa de amor... – Sam virou, tirando uma rápida foto do casal com o celular e guardando o aparelho em segurança no seu bolso. – Quando o pessoal ver essa foto, eu serei um homem rico. – Ele riu e Willa semicerrou os olhos sobre ele.

— Você é um homem mal.

— Não, não, não. Correção: Eu sou um homem rico. – Ele rebateu rindo.

E então aconteceu, Steve e Sharon se beijaram. O trio ficou em total silêncio. Um beijo casto, carinhoso e como todo primeiro beijo, inesperado. Willa abriu os lábios, repousando a mão na bochecha, admirando o casal. Sharon sorriu discretamente, retornando para o seu carro, deixando o Capitão embasbacado. Quando ele lançou um olhar para o fusca, encontro um trio de amigos babões sorrindo encantados e uma Willa levantando o polegar em aprovação. Primeiro, ele sentiu as bochechas corarem, mas não demorou para estranhar o fato que Willa e Bucky estavam engatados um no outro, e diante da situação, ele achou melhor não entrar em detalhes.

— Eu vou ajudar ele. – Sam descruzou os braços, abrindo a sua porta. — Vocês se comportem. – Ele resmungou sarcástico para o casal, recebendo um grunhido de Bucky como resposta.

A porta metálica bateu pesadamente. O silencio dominou aquele carro como gás venenoso. Bucky, como uma criança birrenta, não se mexeu num centímetro se quer e Willa, coitada, estava mais perdida do que turista sem mapa numa metrópole.

— Você pode me devolver ao assento? – Ela precisou uma dose de seriedade e dignidade ao pedir aquilo a Bucky.

— Não. – Ele resmungou sem retribuir o seu olhar, ainda sisudo.

— Sam saiu do banco, você pode afastá-lo e ele não vai ter como retomá-lo. – Willa explicou, apontando com o indicador para o banco do carona.

— Dane-se o banco. – Bucky encolheu os ombros, apertando o seu abraço em Willa. — E o Sam.

— Um pouco ciumento da sua parte, não acha? – Willa debochou conectando rapidamente os seus olhos, sentindo um frio excitante subir por sua espinha.

— Sam não é o seu tipo. – Bucky respondeu olhando-a analítico, e aquilo sempre, sempre deixava Willa momentaneamente sem palavras. Ela sentia o comichão no estômago, mordiscava os lábios para disfarçar e aí, encontrava uma respostinha safa para lhe dar.

— Aparentemente, você conhece muito bem os meus tipos de homem. – Ela debochou semicerrando os seus olhos para ele, pensativa. – Você tem razão. Ele não é meu tipo, mas eu estou descompromissada e ele é um cara legal, talvez eu aceite a sua proposta.

Willa... – Bucky se mexeu desgostoso, quebrando a ligação entre os seus olhares.

— O que?- Ela rebateu altiva.

— Eu também gosto de você. – Ele confessou olhando em seus olhos, passando a ponta da língua em seus lábios. – Muito.

— Você não pode fazer isso comigo. – Willa meneou a cabeça negativamente, sentindo ar, subitamente, pesar em seus pulmões.

— Beijar seu pescoço? – Ele questionou deixando o seu nariz roçar na pele sensível de seu pescoço.

— Você não pode dizer que não me quer e me mandar embora, para então me prender em seus braços e dizer que não vai me devolver ao assento. – Ela explicou nervosa sentindo o ar escapar errante dos seus lábios.

— Eu não disse isso. – Ele enrugou o cenho, confuso com a interpretação de Fairchild. — É claro que te quero, mas também quero te proteger. Eu optei o último. – Ele sempre optaria por protegê-la.

— Me protege estando com você. – Ela explicou amuada.

— Você realmente acha que podemos fazer isso, essa relação? – Bucky questionou olhando-a analítica e pensativo.

— Eu não estaria nela se não pudéssemos. – Willa nunca soou tão séria.

— Nós ficamos separados por quanto tempo? – Bucky perguntou deixando os seus dedos humanos fazerem círculos nas costas de Willa.

— Duas horas e treze minutos. – Ela revelou sem consultar o relógio. Bucky sorriu.

— Pareceu dois anos. – Ele murmurou levantando as sobrancelhas e Willa repuxou um sorriso no canto dos lábios. — Duas décadas. – Ela riu e Bucky meneou a cabeça em negação, olhando-a sério. — Dois séculos.

— Exagerado. – Ela brincou cutucando o seu ombro com os dedos.

— Não vamos mais brigar, ok? – Ele sussurrou tal pedido deixando os seus dedos brincarem com as mechas de seus cabelos.

— Querido, aquilo não foi uma briga. – Ela retrucou semicerrando seus olhos sobre Bucky. — Se fosse, você não estaria falando.

— Você nem estava me olhando. – Ele resmungou sentido. Ele percebeu naquelas poucas horas como Willa o afetava. Não ser olhado por ela, era praticamente, para si, como se ele não existisse.

— Era como olhar o sol, queimava meus olhos. – Ela repousou a mão sobre os olhos, com dramaticidade. — Mas, concordo. Sem mais brigas sobre esse assunto. Tudo bem? É delicado, é difícil, é complexo, mas eu sei os riscos e aceito cada um deles. É a minha escolha. – Willa não buscou meios termos para exemplificar o que ela sentia e o que ela estava propondo ali. Ela sabia não apenas onde estava se enfiando, como ela estava se entregando inteiramente a esse sentimento. — Só estou esperando você embarcar nisso comigo.

— Você só continua a me impressionar. – Ele proferiu encantado repousando sua mão no seu rosto.

— Só diga sim. – Willa sussurrou com os seus lábios ansiando para beijar Bucky.

— Sim. – Ele respondeu meneando a cabeça positivamente e Willa não esperou por mais sinais e beijou Bucky, o seu beijo sendo retribuído casta e apaixonadamente. — Sim. – Ele se afastou para reinteirar e retornou a beijá-la. — Mil vezes sim.

A porta do fusca abriu ruidosamente e os rapazes entraram no carro, com Steve cuidadosamente entregando seu escudo para uma Willa escapando dos braços de Bucky para assim segurar o escudo, mas Sam não se desgrudou das suas asas, como um leão protegendo sua ninhada.

— Vocês precisam de privacidade? – Steve limpou a garganta antes de perguntar tentando manter o ar sério, mas o sorriso crepitando em seus lábios e o semblante de Willa enrugou como uma passa e Bucky não conteve um discreto sorriso.

— Eu tenho um escudo em mãos e não tenho medo de usá-lo.

Willa e Bucky embaixo de uma árvore...- Sam cantarolou batucando o dedo na janela.

— Enterrando o corpo do Sam.— Willa completou antes dele, recebendo um olhar chocado do Falcão. Steve não conteve um sorriso e até mesmo Bucky riu.

Aquele pequeno instante, perto de todo o caos, expectativas e temores futuro, Willa chamava de ‘O que poderíamos ser, se não fossemos nós’.

O reencontro do grupo no estacionamento foi amistoso, porém era palpável o clima pesado. Scott conseguia transformar um lugar com sua leveza, mas o nervosismo era sentido, principalmente pelos mais antigos Vingadores diante da possibilidade certa de um confronto direto com Tony e os outros. Ross estava farejando ele como uma hiena faminta e aqueles que concordaram com o acordo seriam o seu trunfo. Houve um anuncio no aeroporto, comunicando uma evacuação em dez minutos de todo o lugar. Esse era não apenas o sinal de que Ross sabia da presença do grupo do Capitão ali, como também estava pronto para um combate. Como Rogers dissera: eles eram fora da lei agora.

Sem muita privacidade, os rapazes optaram por se trocar no estacionamento, por trás dos carros, assim deixando o furgão para as mulheres usarem como vestuário, com uma maior privacidade. Wanda ficou bem grata pela privacidade concedida, já Fairchild...

— Como se eu já não tivesse visto o suficiente de vocês... – Ela resmungou com um sorriso malicioso sobre os rapazes. Steve e Sam estavam habituados com o jeitinho Willa de ser. Bucky a olhou com aquele ciúme começando a queimar em seus olhos acinzentados, ela estava implicando com ele. Clint abanou a mão para Willa tacando um pedacinho de papel nela, mandando-a sumir antes de ver sua castidade e Scott conseguiu ficar tão vermelho quanto um tomate, só com a ideia de Fairchild ver sua ‘castidade’.

Willa e Wanda não precisavam de muito espaço mesmo. Willa precisava vestir o seu traje de combate. Ele era novo com tons em vermelho e preto com um material de couro e lycra mais resistente a cortes, fogo e temperaturas com acolchoamento nos joelhos e cotovelos. O tórax ainda não tinha a proteção a qual Willa buscava, entretanto era uma roupa que lhe dava a elasticidade necessária graças à falta de mangas, a lycra na região das pernas e o coturno reto, tudo facilitando os seus golpes, acrobacias e golpes. A roupa de Wanda não mudara do último confronto. Ela terminará de arrumar o seu corpete e sentada num apoio, ela amarrava o cadarço de sua bota, enquanto Willa fazia uma trança para prender na lateral da sua cabeça. Elas não conseguiriam melhor momento para discutir sobre os últimos acontecimentos do que ali, na traseira do furgão.

— Eu não acredito que você foi para Bucareste atrás do Bucky. – Wanda sussurrou com uma leve empolgação.

— Até que foi fácil encontrá-lo... – Willa resmungou com um sorriso no canto dos lábios.

— E vocês dormiram juntos. – Wanda proferiu como quem diz: vou ali no banheiro e Willa quase se emaranhou em suas roupas e desabou contra o chão.

— Que? Como? – Ela perguntou completamente aturdida. — SHIIU. – Por fim, ela pediu levando o dedo ao lábio, sussurrando silenciosamente tal pedido.

— Ele não está tornando isso um segredo. – Wanda comentou com descaso, elevando as sobrancelhas.

— Ele não está falando sobre isso! – Momento confissão: Willa precisou atentar os seus sentidos aguçados para poder confirmar as suas palavras, depois de ditas.

— Não, mas não para de pensar sobre, não consigo me concentrar com ele pensando em você e nele... – Wanda comentou eufórica, mexendo em seu casaco, mas falhando em encontrar sua manga. — Argh!

— Para de falar nisso. – Willa pediu repousando a mão nas bochechas quentes.

— Manda ele parar de pensar sobre. – Wanda sussurrou apontando o dedo acusatoriamente para o lado de fora do furgão.

— Para de ler a mente dele. – Willa proferiu sisuda.

— E você acha que não tentei? Não consigo. – Wanda mexeu os dedos, pensativa. — Ainda estou aprendendo a desligar a minha mente com a dos outros. – Ela apontou o indicador para Willa. — E agora você está pensando sobre...

— Não dá para não pensar sobre. – Ela comentou com um sorriso nada casto.

— Foi bom? – Wanda perguntou curiosa, colocando uma mecha atrás de sua orelha.

— Foi. – Willa comentou crispando os lábios. — Olha para mim tentando ser diplomática com você. Foi ótimo. Ele pode ter ficado por 70 anos congelado, mas não ficou nenhum dia enferrujado. – Willa sussurrou com um sorriso malicioso, então seu olhar caiu e ela foi acometida por um pensamento. – Mas, eu não sei aonde nós vamos com isso. Ele está em conflito com o que quer e o que sente e eu estou entregando um pouquinho de mim cada vez mais...

— Mas, você está feliz? – Wanda perguntou a importante questão.

— Não me sinto tão feliz desde... – Willa assentiu respondendo com afeto em suas palavras.

Piet. – Wanda completou ao assistir uma lembrança de Pietro na mente de Fairchild. Era impossível não sorrir.

— Eu tentei ligar para você, mas a rede telefônica de Bucareste é horrível. – Willa explicou relembrando suas fatídicas tentativas. — Reclamarei sobre isso. – Em algum momento reclamaria mesmo. — Me conta, como foi esse sonho.

— Foi estranhamente real. – Wanda revelou sentando numa caixa de papelão. — Eu posso estar exagerando, e ser apenas um sonho emocional por conta da nossa atual situação delicada...

— Palavras do Visão? – Willa questionou com uma ruguinha tensa entre seus olhos.

— Palavras do Visão. – Wanda assentiu com um sorriso crepitando em seus lábios. – Mas, eu ainda consigo sentir o cheiro de curry, couro, um nervosismo em meu coração por não saber o que está acontecendo e Pietro... – Willa se mexeu desgostosa. — Só que não lembrava o Pietro, Pietro, sabe? Ele parecia mais velho, cabelo cortado, sério...

— Foi por isso que você achou estranho, por ele estar diferente? – Willa investigou o cerne da questão.

— Eu sei que você vai me achar maluca mais... – Wanda murmurou incerta gesticulando suas mãos com um olhar ansioso sobre a amiga.

— Você esqueceu que eu sou a garota que em plena Nova York, entrou dentro de um monstro nave ET, cortou ele no meio, saiu pelo outro lado, ao qual não vamos chamar de ‘fundos do ET’ e ficou cheia de gosma de ET por três semanas? Essa mesma garota também pulou de 8 metros de altura esperando ser pega pelo Falcão, em Washington? E também teve aquela vez que eu estava na garupa da moto do Capitão e ele mandou eu pular e eu pulei e aí ele arremessou a moto num jipe cheio de soldados da Hidra. E a moto era minha... – Wanda parecia perdida. Willa respirou e proferiu soturna. — Wanda, meu nome do meio é maluca.

— Ele disse que está vivo. – Wanda revelou de uma só vez.

— O que? – Willa perguntou com uma nova interrogação desenhando seu rosto.

— Nós conversamos e foi estranhamente... – Wanda começou a sua explicação eufórica e Willa não queria detalhes, queria apenas uma resposta.

— Real, eu sei. Wan... – Ela meneou sua cabeça com os seus olhos arregalados.

— Não parecia um sonho. Não pode ter sido um. Era tudo muito real.

Sua capacidade de não-verbalizar poderia ser fofo, se não fosse uma desgraça para a situação. Então, Willa só tinha uma saída e esticou sua mão para ela.

— Me mostra.

— Tem certeza? – Wanda questionou com preocupação. Haviam riscos, como também precauções.

— Eu quero te ajudar, então me mostra, eu quero entender.

Wanda assentiu e segurou a mão de Willa, movimentando os seus dedos sobre a testa de Fairchild lançando uma luz avermelhada contra o seu olhar. Como se estivesse sub ermegindo de um oceano, Willa se encontrou num corredor horroroso. Com paredes descamadas e carpete nunca cuidado, ela viu Wanda de cabelos presos e roupas casuais a poucos passos de entrar num quarto. Ao seu lado havia uma outra Wanda, com suas roupas de Feiticeira Escarlate e um olhar ansioso sobre a sua versão.
— Me segue. – Ela apontou para aquela versão de si mesma e Willa obedeceu.

Seus pés pareciam tocar um acolchoado de espuma e ela sentia-se pesada. Ela tentou acelerar seus pés, mas não resultou em muito. Ao acalcar a porta do quarto, ela sentiu a madeira tocar sua pele. Então, ali estava Pietro. Olhando Wanda com profunda admiração e uma saudade inundando em seus olhos. Ele estava diferente. Usava tênis, jeans, uma camisa azul acinzentada com um casaco de couro preto. Seus cabelos estavam raspados num corte militar, com alguns tufos brancos aparecendo e os seus olhos azuis... tinham tanta vida. Com urgência, ele abraçou a irmã lhe enchendo de beijos num apertado e terno abraço. A Wanda de sua realidade parou ao seu lado, com um belo e emocionado sorriso.

— Ele até cheira como Pietro. – Wanda comentou repousando sua mão nos lábios, enquanto assistia aquela cena.

— Alguns sonhos conseguem ser tão reais como a realidade. – Willa murmurou com ceticismo, mesmo com aquele sonho se desenrolando diante dos seus olhos futriqueiros.

— Mas a nossa conversa? – Wanda buscou uma explicação para as suas duvidas. — Foi tão linear, tão... Eu vou dizer real de novo e soar horrivelmente repetitiva, mas foi isso, foi real. Não foi uma conversa de sonho com rupturas e palavras ensaiadas por mim. – Willa semicerrou os seus olhos sobre Wanda. Podia ter sido o sonho de alguém ainda em luto, buscando respostas ou ela podia ter razão e ter algo de real por trás daquilo tudo? — Olhe só... – Wanda apontou para o horizonte. — Ele soa como Pietro, ele fala como Pietro, ele sorri como ele.

— Eu estou vivo.- Pietro sussurrou para Wanda e as duas pareceram colapsar em emoção e Willa conteve sua respiração. — E eu preciso saber onde você está, me diga. – Ele pediu com urgência, repousando suas mãos sobre os ombros da irmã.

E como se fosse tragada pelo vácuo, Willa abriu os olhos respirando pesadamente , se reencontrando na traseira do furgão.

— Eu não sei o que pensar. – Wanda estava em pé, caminhando de um lado a outro com euforia lhe dominando. — Visão acha que foi um sonho moldado por mim. Eu sinto falta do meu irmão, mas sei diferenciar um sonho de algo como isso.

— Ok, sabemos o que Visão acha, mas você está se esquecendo de perguntar a única coisa que realmente importa aqui: o que você acha? – Willa perguntou seria e pensativa. – Visão não viveu esse sonho, ele é um ser racional por natureza e ainda está aprendendo muito sobre o nosso mundo, mas você... Você conhece os dois lados, sabe ser racional e emocional. O que você interpreta desse sonho é o que importa aqui.

— Eu acho que ele está vivo. – Wanda precisou de alguns segundos, importantes, para proferir aquelas palavras. — Você... Você acha que é possível?

— O que, ele estar vivo? – Willa se concentrou em colocar as suas luvas de couro com um olhar pensativo sobre a sua incerta amiga. – Depois de tudo que vivi seria hipocrisia dizer que não...

— Mas? – Wanda sentiu a duvida em Willa.

— Por que agora? – Fairchild questionou arqueando uma sobrancelha.

— Eu não sei. Talvez ele esteja em perigo, tenha estado em perigo há muito tempo e só agora conseguimos essa ligação. – Wanda buscava uma explicação, mas apenas encontrava hipóteses incertas e isso estava apenas lhe preenchendo de insatisfação. — Não sei. Ele foi dado como morto e se a Hidra encontrou ele, vivo, perambulando pelo mundo? Eu tenho medo que isso não seja só um sonho, e sim uma manifestação da nossa conexão.

— Não é a primeira vez que você tem essa sensação, não é?

— Não. – Wanda confirmou a suspeita da amiga. — E a última vez que tive, nós estávamos lado a lado em celas da Hidra. – Suspeita bem quente essa.

— Olha, eu não sou uma bruxa, se não eu estalava os meus dedos e teríamos não só isso, como vários outros conflitos resolvidos, mas... – Willa se calou cruzando os braços, resoluta em sua decisão. — Eu sou ótima para encontrar pessoas. Se ele está vivo, nós vamos achá-lo.

— Você acredita em mim? – Wanda questionou num misto de descrença e comoção.

— Por que eu não acreditaria? –Willa retrucou com um sorriso gentil.

— Eu só tenho uma sensação como pista e eu sei como esse assunto é delicado para você...

— Para nós. – Ela completou ficando a sua frente, resoluta. — É uma intuição, Wanda. E não devemos ignorá-la e elas também nunca falham, principalmente com alguém sensível como você.

— E se eu estiver enganada? – Wanda não tinha pensado nisso, nesse terrível “E se”?

— Então, nós tentamos. – Willa simplificou elevando os ombros.

— É... – Wanda concordou respirando fundo. – Vamos lidar com uma coisa por vez, certo?

— Sim, por favor. – Willa pediu unindo suas mãos em gratidão.

— Me repassa o plano: precisamos alcançar o helicóptero... – Wanda arrumou a gola de seu sobretudo.

— Para partimos para a Sibéria... – Willa completou com um aceno de sua cabeça.

— Que é o lugar onde o Bucky ficava isolado e o tal psicólogo queria saber o paradeiro... – Wanda entregou a Katana a Fairchild.

— Por ter um estoque de soldados invernais nos esperando para derrubar um império. – Willa completou arqueando as sobrancelhas segurando a base de sua Katana com firmeza.

— Mole? – Wanda fechou o punho no ar.

— Moleza. – Willa concordou com um sorriso maroto, batendo no punho e juntas, elas moveram seus dedos no ar.

— Eu não vou decepcionar vocês, não igual a Lagos. – Wanda prometeu com convicção.

— Ótimo, dessa primeira vez, você não sofrerá. – A resposta de Willa arrancou um belo sorriso de Maximoff. — E sobre Pietro... Vamos manter isso... – Ela proferiu com cuidado, inclinando seu rosto.

— Entre nós. – Wanda completou movendo seus dedos, assentindo ao pedido. — Não quero preocupar o Clint, muito menos o Steve.

— Assim que resolvemos isso, partiremos para Sokovia, ok? – Willa prometeu segurando a barra de abertura do furgão.

— Combinado. – Wanda assentiu com um sorriso.

— Garotas, nós estamos saindo. – E assim, Willa implicou com os garotos deixando o furgão, acompanhada de Wanda.


Steve estava preparado.
Ele contava que as suas expectativas estivessem todas erradas e ele estivesse apenas sendo, como de costume, precavido demais. Ele tinha uma tática: atrair o inimigo e separar o seu grupo, para conquistar o que buscavam: o helicóptero.

Entretanto, com Stark ali, Rogers optou por surpreender.

Ele era a isca. Atrairia Tony e o seu grupo para o ponto oposto ao hangar, assim não revelando a sua intenção. Quando percebessem o que o Capitão estava fazendo, ele usaria a sua carta na manga: o Homem Formiga e causaria uma contenção. Auxiliados por Wanda e Clint, eles buscariam manter a distração até Bucky, Sam e Willa conseguirem alcançar o quinjet. Sim, eles roubariam o quinjet dos Vingadores. Ou antigo Vingadores. Ou... Willa ainda estava perdida nisso. Bom, mas até chegarem a isso, muita coisa aconteceu.

E adivinha, sua precaução foi muito bem vinda.

Como Justice, Willa manteve sua audição atenta. Conhecendo bem a Viúva ela tinha certeza que ela estava lhe esperando para um ataque com um dos seus ferrões. Uma coisa é o grupo ter que lidar com um cara forte, outra é lidar com alguém que precede todos os seus movimentos e ataques. Willa era essa arma.

Bucky e Sam estavam escorados contra a barra de uma grade de separação, a um andar acima do térreo. Assistiam o que acontecia no pátio de decolagem, enquanto Willa estava do lado esquerdo de Bucky. Escutando o que acontecia além daqueles muros com total atenção, enquanto esperava Falcão conseguir determinar um caminho usando o Asa Vermelha.

— Nós encontramos as pessoas mais estranhas no aeroporto, não é mesmo? – Tony comentou com sarcasmo, pousando no solo de decolagem, a poucos passos do helicóptero, não muito atrás de si, uma réplica de seu pouco repetiu e pelo cheiro de ferro e circuito, ele supôs ser o Maquina de Combate.

— O médico, aquele psiquiatria, ele fez aquilo acontecer. – Steve tentou explicar a Tony, mas pela inexpressão de suas emoções, Sam tinha razão: Tony não se importava.

— Acho isso estranho. – Tony debochou para Rhodey.

— Muito estranho. – Ele concordou com um aceno.

Como um corte no ar, alguém acelerou os seus passos, saltando e pousando suavemente no chão, não muito distante da dupla maquinada. Willa não soube supor o que compunha sua roupa, mas o seu pouso muito semelhante ao seu lhe levou a crer que ele era alguém treinado, alguém não muito diferente dele.

— Capitão. – Ele cumprimentou com sua voz rouca.

— Alteza. – Steve respondeu educadamente.

— O Pantera está aqui. – Willa moveu os lábios para Bucky e ele uniu as sobrancelhas, então assentindo repassando a informação a Wilson que mostrou uma discreta preocupação.

Então, ela sentiu. Uma quinta presença. A quarta era a Viúva Negra, não muito longe, mas também não muito perto. Não era um risco eminente. Agora aquela quinta, era. Era rápida, agitada, em movimento e... estranhamente pesada. Não era um pesado de peso, mas de energia, era muito semelhante a como ela sentia a presença de Wanda, e mais tarde, ela descobriu que tal peso era derivado de seus... Era um aprimorado. Eles tinham um aprimorado desconhecido por eles. Sua postura tencionou abaixando –se contra a parede respirando fundo e pesado, com fechando as suas mãos em punho.

— Enfim, Ross me deu 36 horas para convencê-lo. – Tony explicou e Willa podia sentir que ele, como Rogers estava sendo analítico ali: ele tinha um trunfo na manga. — Isso foi há 24 horas.

E de novo, aquela presença. Ágil, agitada, hormonalmente fedida. A poucos metros de onde Willa e os rapazes estavam, o que causou nela uma retensão de seus músculos e um cuidadoso passo para trás para não ser detectada.

— Quer cooperar? – Tony sugeriu amigavelmente, sem perder o seu característico deboche.

— Está atrás do cara errado. – Steve respondeu com sinceridade.

— Seu julgamento está comprometido. Seu amigo matou inocentes ontem. – Willa inclinou seu rosto, buscando lançar um olhar através da fresta da parede. Como ele se atrevia falar isso sobre Bucky, quando ela lhe contará sobre Bucareste? Como ele podia chamá-lo de assassino, quando ela deixou claro que ele não tinha direito de escolha ali?

— E há mais cinco super soldados iguais a ele. Eu não posso deixar o médico chegar neles antes. – Steve respondeu decidido.

— Steve... – A suavidade aveludada de sua voz funcionava como uma sedução.

E ela chegou. Na realidade estava demorando. Ela deveria estar à espreita, como Willa, analisando a situação para então, tomar um atitude. A Viúva surgiu por trás, como sempre peçonhenta, pronta para apunha-lo. Ela parou estrategicamente. Se ele escapasse de Tony não teria como ele escapar de si.

— Você sabe o que está prestes a acontecer. – Ela proferiu num alerta. – Quer mesmo ganhar essa na briga? – É claro que ela elevaria o seu ego, para derrubá-lo com culpa.

— Deus, como eu odeio ela! – Willa sussurrou para si, recebendo um olhar questionador da dupla, mas ela meneou a cabeça em negativa. Para sentir o drama, ela até perdia o seu ateísmo quando a raiva lhe consumia.

Steve não respondeu e suas emoções estavam imodificáveis. Willa queria abraçá-lo por tal postura.

— Está bem, minha paciência acabou. – Tony proferiu cansado. – Pirralho!

E num lapso de segundo, aquele movimento cortou o ar no que lembrava um salto e algo foi atirado, cortando pesadamente a brisa agarrando-se em algo e envolvendo alguma coisa numa espécie de contenção. Willa fechou os olhos, subitamente tonta e cansada.

— Bom trabalho, garoto. – Tony agraciou o quinto elemento do grupo.

— Valeu, podia ter pousado melhor. – Willa entortou os lábios. — É que o novo uniforme... – Que voz era essa? Esse garoto saiu do The Goonies direto para ali? – Mas não tem problema senhor Stark, ela é perfeita... Obrigado, tá?

— Tá, ta. Não precisamos falar sobre isso agora não... – Tony respondeu sem querer prolongar aquilo.

— Capitão. Sou o seu fã, Homem Aranha. – Ele ia pedir um autografo?

— O que está acontecendo lá? – Sam sussurrou a Willa, por alguma razão, ela parecia prestes a vomita.

— A creche chegou. – E Sam preferia ter ficado sem resposta.

— Depois a gente fala disso... – Tony respondeu o garoto.

— Oi, galera. – O Homem aranha cumprimentou e Willa repousou a mão no rosto, não sabendo explicar o que estava acontecendo na sua vida.

— Andou ocupado. – Steve falou com sarcasmo.

— E você tem sido um completo idiota. – Stark aceitou o sarcasmo com gloria. – Atraindo Clint. Resgatando Wanda de onde ela não queria sair. Um refúgio. – Então, era assim que ele via o Centro dos Vingadores, como um refúgio a eles? Steve precisou respirar fundo, primeiro para manter sua paciência e segundo, para não arrancar aquelas teias de seus punhos e acabar com aquele discurso moralista hipócrita. — Estou tentando evitar... Tentando evitar que você destrua os Vingadores. – Ele parecia... sincero.

— Fez isso ao assinar o Acordo. – Steve respondeu e Willa fez um bico com os lábios: agora Rogers pegou pesado.

— Ah, eu cansei. – Tony proferiu frio. – Você vai entregar o Barnes e você vai vir conosco. Agora! Porque somos nós! Ou vamos vir com a droga do comando especial, autorizado a usar a força. – Tony respirou fundo, cansado, chateado, preocupado. – Colabora. – Ele sussurrou num pedido silencioso por seu apoio.

— Achamos ele! – Sam avisou a Bucky e Willa, como também, através do comunicador. Num só movimento, Willa ficou de pé. – O quinjet no hangar 5, pista norte.

— Willa, agora. – O sussurro de Steve percorreu o ar, tocando a audição dela com suavidade.

— Vão! – Willa lançou um olhar para baixo, a leste e exclamou tais palavras a Wanda, através de sua mente e por um instante, ela acreditou que Maximoff não escutara. Então, ela lhe lançou um olhar por sobre o ombro, assentindo e tocando o ombro de Barton, eles seguiram pelo caminho alternativo.

Willa respirou fundo, fechando os seus olhos. Ela precisava recuperar a sua atenção, mas não conseguia impedir algumas tonteiras e súbita fadiga. Ela estava a tempo demais concentrando os seus sentidos e ela não estava acostumada ao uso prolongado e ininterrupto deles, então quando isso acontecia, ela ficava muito desgastada. Ela só não contava com isso, agora. Cerrando os seus olhos no caminho a seguir, Willa colocou a sua nova máscara, preta com sensores para ajudar a olhar a distância, incluindo zoom. E sem esperar por comandos, ela apontou com a cabeça ao caminho e correu, enrolando em sua mão o seu fino chicote.

Por outro lado, Steve sem displicência alguma, ergueu os seus punhos e uma flecha de Clint cortou o ar arrebentando as teias e mostrando não apenas que ele era educado para ouvir Tony, como ele podia ter arrebentado aquelas teias a muito tempo atrás. Tony recolocou a sua mascara, trocando um olhar com os integrantes do seu grupo.

— Vai lá, Lang. – Steve ordenou recebendo um confuso olhar da Viúva.

— Espera aí, que deu ruim, gente! – O homem Aranha berrou ao sentir o escudo pesar em suas mãos e um homem de 1.70 brotar diante dos seus olhos, enfiando um chute em seu rosto e agarrando o escudo, rolando para longe do rapaz. Parando ao lado de Steve, o Homem Formiga entregou o escudo.

– Acredito que seja seu, Capitão América.

— Que legal. Tem dois no estacionamento. – Homem de Ferro comunicou. — Um deles é Maximoff, vou pegá-la. Rhodey, cuida do Capitão?

— Tem três no terminal. Wilson, Fairchild e Barnes. – Maquina de Combate comunicou levantando para combate.

— Barnes é meu. – O pantera informou, correndo para o terminal.

Steve enfiou o escudo contra a cara robótica do Maquina de Combate, impedindo dele se aproximar para um ataque direto.

— O que eu faço, Senhor Stark? – O tal Aranha perguntou a Stark.

— O combinado, fica longe deles, joga teia. – Homem de Ferro sugeriu despojado como sempre.

— Entendido.

Homem de Ferro, Viúva Negra, Maquina de Combate e Pantera Negra encurralaram o Capitão e o Homem Formiga. Capitão se preocupou em manter o Maquina a distância, pois assim ele podia se concentrar no Pantera. Ele tacou o escudo sobre a Alteza de Wakanda, derrubando-o ao chão, mas ele não demorou a levantar e a seguir para o terminal, até que o Capitão envolveu seus braços contra seu corpo e o arremessou para trás. Como um felino, ele rodopiou no ar e caiu ao chão, escorregando delicadamente, até se colocar de pé.

— Saia do Caminho, Capitão. – Ele ordenou. – Não vou pedir novamente.

E então, Willa sentiu seus sentidos explodirem arrepiando sua pele e sufocando seus pulmões num alerta desesperador, tudo culpa do baque surdo contra o vidro do terminal. Willa olhou para o alto, encontrando o tal Aranha com um traje azul e vermelho com traços semelhantes a linhas de teias.

— Que diabos é aquilo ali? – Bucky questionou correndo no passo de Wilson, olhando para o alto.

— Ai meu deus. – Willa murmurou correndo a frente da dupla. – Ai meu deus.

— Todos tem um truque agora. – Sam respondeu entre uma respirada e outra tentando acompanhar a corrida de Bucky. E olha que era ele quem estava contendo a sua agilidade, para que Sam e Willa conseguissem ficar em seu perímetro.

— Ai meu deus. Ai meu deus. – Willa continuou a murmurar olhando para cima sentindo ar queimar em sua garganta. – Ai meu deus.

— O que ele faz, Willa? – Bucky questionou subitamente preocupado por conta da exaltação de Fairchild.

— Cospe alguma coisa com as mãos. – Willa explicou gesticulando as mãos com um olhar furtivo para o teto.

— Já vi coisas piores. – Sam comentou ponderando com um inclinar de seu rosto.

— E ele é rápido e tem os sentidos potencialmente aguçados, como eu. – Willa completou lançando um olhar cerrado sobre o Aranha.

— Agora entendi a exaltação a Deus. – Sam murmurou com um sorriso no canto dos lábios, Willa odiava perder a sua vantagem, ainda mais para um garoto vestido de aranha.

Ele acelerou a sua corrida através do vidro, lançou uma teia no ar, balançando o corpo e acertando os dois pés contra o vidro, ele adentrou no terminal espatifando todo o vidro pelo ar. Sua intenção era acertar a dupla, no entanto, Bucky e Willa estavam um pouco mais a frente, assim sua mira certeira, foi direto em Sam e ele foi arremessado contra a parede, desabando ao chão. Willa parou, girou os calcanhares e escorregou no piso apoiando suas mãos no chão até parar, levantando o seu olhar. O aranha não ponderou seu ataque contra Bucky. Ele planejou deferir um soco no garoto de vermelho, mas o rapaz segurou seu punho metálico, sem dificuldade alguma, ainda girando para melhor conferir o braço. Pronto, ele também era forte.

— Você tem um braço de metal? Maneiro, cara!

Agachada, Willa atirou o seu chicote contra os pés do rapaz, numa armadilha. Ele lhe olhou imediatamente, como se pressentisse sua ação.

— Ei, Garota Samurai! – O garoto exclamou com euforia e Fairchild revirou os olhos e em uma só puxada, o chicote agarrou fino e apertado contra as canelas do Aranha.

— Eu conheço você também. – Willa murmurou rouca arqueando uma sobrancelha para o garoto. – Você costuma ficar macacando de um lado a outro em Nova York e chutando a cara de trombadinhas.

— Ei, eu não sou um macaco! – Ele ousou mexer para escapar, mas Willa deu um puxão, assim ele perdeu o equilíbrio. Bucky entendeu o que ela buscava fazer, assim que ouviu as asas do Falcão abrir. Ele deu um chute no Aranha, perdendo assim o domínio dele sobre sua mão e em equipe, Falcão sobrevoou levando o Aranha consigo pelos ares.

— Você tem o direito de permanecer em silêncio. – Aranha gritava para o Falcão desesperado.

— Você tem amigos estranhos. – Bucky lançou um olhar julgador a Willa, apoiando as costas contra a grade com uma respirada pesada.

— Como se você fosse muito normal, cara das ameixas. – Ela debochou, recebendo um olhar dramático de Barnes.

— Estou ofendido!

— Fique ofendido correndo. – Ela enrolou o chicote no punho, correndo pelo caminho sendo feito por Falcão e Aranha.

— Ele é realmente parecido comigo. – Willa informou ao Sargento, lado a lado, correndo em resgate ao Falcão. – Seus sentidos são aguçados, mas ele não parece dominar muito bem ainda, por isso use ataques surpresas e use a contraforça com ele.

— Porque você está falando isso? – Bucky questionou num suspiro pesado. – Porque você está se afastando de mim? Para onde você está indo?

— Me transformando em elemento surpresa para arrumar a bagunça que vocês vão fazer. – Ela respondeu ganhando distância de Barnes, ao pular sobre a grade e agarrar seu chicote no metal e se atirar para o térreo desabando num baque surdo. Sem dar sinais de vida, Barnes se atirou na grade olhando com pavor em seu olhar.

— Deus, ela é igual ao Steve.

— Eu sou pior! – Bucky engoliu em seca. — Eu escuto a distância! – Ela berrou a poucos metros de alcance de onde Barnes estava e ele balançou a cabeça negativamente, sorrindo de lado, acelerando a sua corrida para alcançar o Falcão, enquanto Willa fazia a sua coisa.

O Aranha conseguiu escapar dos braços de Falcão, atirando uma teia contra uma haste de metal no teto e fazendo contrapeso. Longe de seu ataque, ele não mediu esforços em retornar a persegui-lo e Falcão não perdeu tempo em impulsionar suas asas para ganhar altura e aceleração.

— Cadê a Willa? – Falcão questionou através do comunicador, após reparar não ter visão dela com o Sargento.

— Ela disse que vai arrumar nossa bagunça ou tentar suicídio, ainda não sei qual dos dois virá primeiro. – Bucky respondeu esbaforido, acelerando os seus passos, conseguindo ficar na mira do Aranha.

— Típico. – Sam murmurou meneando a cabeça negativamente.

Com suas teias, o Aranha sobrevoava, rodopiando por entre as hastes, acabando por desabar algumas placas no processo. Até que encontrou equilíbrio numa pilastra de contenção, no exato instante de um ataque do Falcão. Ele mirou um míssil, atingindo em cheio a barra e desabando o Aranha.

— Meu deus! – Ele exclamou, mas se prendeu numa teia, balançando assim para a próxima haste. Talvez, a Garota Samurai tinha razão e ele tinha algo de macaco em seu sangue. Ele mirou sua atenção no Falcão, mas de repente, sentiu um arrepio em sua espinha, olhando por sobre o ombro. – Ah, droga! – Uma enorme placa de metal voou em sua direção, arremessado por um Bucky buscando proteção atrás de uma larga pilastra de parede. Um baque oco anunciou que o Aranha foi atingido... Ou... – Oh Amigão, acho que perdeu isso! — Quando Bucky olhou pela fresta, a placa bateu pesadamente contra a pilastra, destruindo e desabando tudo sobre Barnes.

Isso foi o bastante para Falcão retornar, sem ser percebido e atingindo-o pelas costas com seus pés, Sam conseguiu golpear o Aranha e arremessá-lo contra o chão, mas ele conseguiu rodopiar e imobilizar uma das asas do Falcão. E assim, quem desabou contra um estande de capinhas de celular foi Wilson. E ao cair de pé, um grupo de teias agarrou contra os punhos de Sam.

— São asas de fibra de carbono? — O homem aranha perguntou agachado sobre a pilastra.

— Essa coisa está saindo do seu corpo? – Sam questionou olhando para as teias, chocado.

— Explicaria a taxa de rigidez de flexibilidade, o que é legal. – Ele continuou a tagarelar, como se não conhecesse ponto final.

— Não sei se já lutou antes, mas não se costuma conversar. – Sam apontou esse fato.

— Está bem, foi mal. – E isso foi o bastante para o Aranha se calar.

Aranha arremessou sua teia prendendo no teto, obediente, resolveu acabar logo com aquela briga. Ele estava prestes a chutar Sam para o térreo. No entanto, ele não contava que Bucky fosse se atirar sobre o corpo de Sam, protetoramente. Acabou que ambos desabaram juntos, caindo lado a lado, aos pés da escada rolante. O Aranha prendeu o braço metálico de Bucky, admirado por tal dom e assustado por estar imobilizado. Com os dois braços presos a teia, Sam estava imóvel e descrente de ter perdido para um moleque.

— Pessoal, adoraria continuar, mas tenho trabalho hoje e preciso impressionar o Senhor Stark, então, sinto muito. – Então, o Homem aranha sentiu algo cortando o ar lançando um olhar a oeste, recebendo um disco médio de plástico bem no meio de sua cara. – O que é...? – E recebeu outro e aí outro e quando o quarto voou por um lado oposto ao esperado, Aranha conteve o disco no ar com sua teia, revelando o que era aquele disco. – Adorei! Eu sempre quis um escudo do capitão. Será que tem mais um?

Willa atirou um direto nas pernas do Aranha e ele desabou sobre a pilastra, olhando para o teto, não conseguindo entender como ele não pressentia a presença dela no aeroporto. Ela estava acima do térreo, correndo por entre as sombras sem emitir um som, mal respirando e com seus sentidos aguçadissimos. A sua missão era apenas uma e não era ser elemento surpresa, mas sim, usar os sentidos do Homem Aranha contra ele. Então, quando ele assistiu outro escudo sobrevoar o ar em sua direção, ele sorriu por baixo de sua mascara.

— Legal.

A ninja entendeu sua capacidade e buscou usá-la contra ele. Ela pegou os escudos, mirou eles de pontos estratégicos para assim atingi-lo e usou extintores e ventiladores como forma de içá-los no ar, sem precisar dela para fazer isso. Era quase como se ela soubesse como ele procederia com aquela tática. Ela era esperta. Muito esperta.

Caroliiiine! – O Homem aranha gritou cantarolante fazendo uma referencia direta a Portegheist, retornando a ficar agachado sobre a pilastra. — Onde está você?

Se ele bem lembrava, Stark fez uma bela explicação quanto a Justice: ela era um alvo preocupante, por ser extremamente emocional, inteligente, uma lutadora eximia, manipuladora como uma naja, fatal como um tigre e uma víbora nata. Palavras do bilionário, não do Aranha. Então, as sobrancelhas de Bucky arquearam quando os seus olhos perceberam aquela rápido movimento sobre a haste fina metálica, a poucos metros sobre o Homem Aranha. Como ela chegou ali em cima? Pela tranquilidade em Sam, isso era inexplicável, mas comum. Foi então quando, o sentido do Homem Aranha foi falho, distraído com os escudos e não conseguindo concentrar seu foco no paradeiro da ninja, um peso contrapôs contra os seus ombros. Willa brotou sobre o telhado de uma das bancas de informações. Agarrando suas panturrilhas contra o peito do Aranha, ela rodopiou seu corpo a frente, produzindo uma cambalhota com o corpo do Aranha desengonçado abaixo de si. As pernas de saracura do Aranha ficaram sacudindo pela pilastra, enquanto Willa manteve ele ali em cima com suas mãos agarradas em seu antebraço.

— Acaba com ele, Willa! – Bucky exclamou incentivando e Sam grunhiu, revirando os olhos.

— Eu passei roupa na tabua dos dez mandamentos! – O falcão resmungou.

O Homem aranha não quis usar sua força contra a mulher, por educação e cavalheirismo, mas buscou acertá-la com uma teia nas lentes de sua mascara, mas ela se protegeu... Com um escudo do Capitão América, de brinquedo.

— Adorei! – O Aranha proferiu eufórico, apontando para o escudo. — Sempre quis ter um.

— Eu não, eu prefiro mil vezes ‘acionar o asa vermelha’. – Willa respondeu com um sorriso malicioso.

— Acionar o que? – Homem Aranha coçou a cabeça, confuso. Já Sam arregalou os olhos, grunhindo nervosamente tentando levar o seu indicador contra o botão vermelho.

A confusão do Aranha era bem vindo e Willa arremessou o escudo de plástico contra a testa do garoto, acertando um tapa contra o diafragma, uma joelhada na pélvis e um tapa forte contra o pulso do garoto, por centímetros de quebrá-lo. E ele desabou da pilastra, mas conseguiu se agarrar com as mãos na base da lateral.

— Ok, agora isso foi pessoal! – Ele sibilou e Willa pegou ele pelos ombros, mantendo suas pernas longe do alcance do garoto, evitando um ataque dele. Segurando o pulso lesionado, assistindo Willa vir em sua direção com o pé posicionado contra seu tórax. Ela por um centímetro ia acertá-lo, mas ele protegeu com seu antebraço. Ela deferiu alguns golpes com os seus punhos, mas o Aranha conseguiu conter todos, por fim, usando a sua força agarrando os seus braços e impedindo os seus movimentos, enquanto ela lutava para vencê-lo. – Garota, você está endemoniada! – Por essa ele não contou: Willa acertou uma cabeçada em Aranha que cambaleou pesadamente para trás, enquanto Fairchild sentiu o mundo rodopiar e um pouco de sangue escorrer pelo seu nariz.

— Esse é um dos meus tantos nomes. – E então, Peter conseguiu a distância necessária para amarrar as pernas de Willa com suas teias, e assim, mandando um jato de teias contras seus pulsos. E pesadamente, Fairchild desabou contra o chão da pilastra e o Homem Aranha ficou a poucos passos dela, em cócoras observando a ninja.

— Desculpa por isso, mas estava começando a ficar com medo de você se machucar ou me machucar ou nos machucar e eu meio que gosto de mim inteiro e também gosto de você inteira, sabe? Sou superfã do seu trabalho, principalmente quando você usa a sua katana. Só não usa contra mim, tá... Bom, eu só tinha que impressionar o Senhor Stark mesmo. Então foi mal... – O Homem aranha mirou a sua mão para Willa e ela sorriu, o que desconcertou o garoto.

O Asa Vermelha disparou no ar direto contra o Aranha e prendendo uma espécie de cabo na mão dele. Seus sentidos apitaram e ele foi carregado pelo Asa vermelha para fora do prédio. O único som por alguns segundos foi o grito desesperado do Aranha.

— Porque você demorou tanto? – Bucky reclamou para o falcão

— Eu odeio você.

— Meninos, se comportem. – Ela se agachou, agarrando as mãos contra o chão e balançando o corpo, desabando no chão num rolamento. Tirou uma adaga do bolso seguindo até o Bucky e soltando sua mão, enquanto Sam resmungou.

— Você me conhece a mais de três anos e solta ele primeiro? – Sam resmungou com agressividade, cerrando seus olhos sobre Willa.

— Você está sendo malcriado e nem me agradeceu por soltar o Asa Vermelha na encarceragem de teias. – Ela revelou cortando as teias dos punhos de Sam com uma carranca em seus lábios.

— Eu não sabia. – Ele revelou amuado. — Pobre Asa vermelha.

— Eu estou grato. – Bucky disse caminhando até o lado de Willa, com um olhar admirado sobre sua figura.

— De nada. – Ela respondeu empertigando sua figura com um sorriso nos lábios.

— Parem de flertar. – Sam resmungou com um grunhido escapando de sua garganta, abandonando eles para trás.

— Não estamos. – Willa buscou acompanhar os seus passos e respondeu ele com firmeza, mas foi cortada por Bucky, absurdamente contrário as suas palavras.

— Estamos sim!

— É oficial: eu odeio vocês dois. – Sam grunhiu cansado demais para lidar com os pombinhos.

Após a explosão de um caminhão, Tony e a Viúva perceberam que a sua tática estava falha. Tentar contê-los pacificamente não os levaria em segurança para o Raft, e sim em pedaços, isso se eles não conseguissem escapar antes. Clint e Wanda identificaram a distância o hangar 5. O Capitão buscava por um sinal do grupo de Tony e ao seu lado direito, o Homem formiga se pôs, a correr. Então, na sua lateral esquerda, Bucky, Sam e Willa surgiram.

— Vamos! – O Capitão ordenou ao trio, correndo a frente com a sua equipe atrás de si, eles estavam a poucos metros de alcançar o hangar.

A frente, o Capitão liderava o grupo. Bucky estava ao seu lado direito e Willa estava a poucos passos atrás de Sam, na outra ponta. O Homem Formiga estava ao seu lado, Clint junto a Steve e por fim, Wanda. Um raio de energia perfurou o concreto, obrigando eles a parar inesperadamente, lançando olhares surpreendidos para os céus. Visão.

— Capitão Rogers. – Ele cessou o seu poder e olhou para Steve e o grupo. – Sei que acredita que está fazendo o certo. Mas pelo bem de todos, você deve se render agora.

Atrás de Visão, um a um, o grupo de Tony se reencontrou. A Viúva veio transportada pelo Homem de Ferro, parando ao seu lado. Pantera salto das costas do Maquina de Combate, rolando ao chão e se colocando ao lado de Stark, na linha reta de Bucky. E por fim, o Homem Aranha, com aquela euforia desconcertante para a situação saltou no espaço entre a Viúva e o Maquina de Combate, lançando um olhar ao grupo oposto.

— O que vamos fazer Capitão? – Sam questionou na ponta.

— Lutamos. – Steve respondeu olhando resoluto ao grupo oposto.

Eles começaram a caminhar.

— Não vai acabar bem. – Willa não deixou de ouvir Natasha e crispou seus lábios, seguindo o seu grupo na caminhada. Era o que elas temiam na Igreja, estava acontecendo ali.

Estava ali, acontecendo diante deles, a Guerra a qual eles tanto lutaram e evitaram a acontecer. O Capitão começou a correr e o seu grupo imitou o seu movimento organicamente.

— Eles não vão parar. – O Homem aranha comentou subitamente nervoso, acompanhando a corrida.

— Nós também não. – Tony proferiu com dureza.

Os grupos aceleraram em suas corridas e entraram em confronto, como ondas opostas se emergindo num oceano. O Homem de Ferro sobrevoou e desabou contra o Capitão América. Clint usava as suas flechas para garantir a proteção do seu time. O Aranha tentava não entrar em confronto e soltar uma teia ou outra.
O Maquina de Combate entrou em conflito com Falcão, enquanto Feiticeira Escarlate buscou conter Visão. O Gavião e a Viúva se encontraram num embate nada conflituoso, o que ficou bem claro quando Wanda arremessou a Viúva para longe de Clint, a poucos centímetros de receber um chute no rosto.

— Você está segurando seus golpes. – Ela retrucou, partindo para combater a Visão um pouco mais a frente. Clint apenas assentiu. Talvez, ele estivesse um pouco velho demais para aquilo tudo.

Não muito distante um Pantera Negra parecia pronto para despedaçar Bucky em dois. Por sua vez Willa...

— Você de novo! – Willa deferiu um soco contra o rosto do Homem Aranha, mas ele desviou, buscando escapar dos seus golpes.
— Estou fascinada com os seus sentidos. – Ela acelerou os seus golpes e cada um deles era contido e contra atacado. Os reflexos do Aranha eram formidáveis, quase tão bons, quanto os dela. A única diferença era que ele ainda se distraia com facilidade, então um chute inesperado entre suas pernas, ainda era um problema. Ele desabou ao chão, urrando de dor, mas rolou e retornando a sua postura de lutador, contendo os golpes da ninja. — Você aprendeu ou nasceu esquisito assim?

— Fui transformado. – Ele proferiu soturnamente e Willa amuou um pouquinho. Seria legal encontrar alguém como ela. Aranha arremessou algumas teias contra ela, na intenção de amarrar seus punhos. Ela arrancou a Katana de seu coldre...

— Demais. – Ela elogiou e a espada cortou o ar três vezes e o Aranha soltou um ‘Wow’ impressionado, assistindo as teias despedaçar no ar. – Demais, não é? Agora o que você acha disso? – Ela jogou no chão um mentbushi e uma fumaça branca subiu no ar. O Homem aranha ficou claramente desconcertado, Ela o empurrou para baixo da asa de um avião e ele atirou várias teias para as sombras, as sentindo prenderem no chão e na lataria do avião. A sombra movia em seu arredor com agilidade, buscando acertar ao menos uma na rápida aproximação de Willa, até que a fumaça abaixou e ele se viu completamente enrolado em sua própria teia. Um movimento falso e ele seria uma aranha preso em sua própria teia. Saltando de sobre a asa do avião, orgulhosa, Justice saltou felinamente a frente do Aranha com um belo sorriso. – Não fique chateado. Não foi nada pessoal. Alias, gosto muito do seu trabalho.

— Sério?

— Não.Volta pro colégio, Stranger Thing. – E Willa partiu correndo, deixando um Aranha bem decepcionado para trás. – E fica a dica: não tente impressionar ninguém, além de você mesmo, garoto.

— Vou tentar me lembrar disso, depois de reprovar no colégio. – Ele resmungou amuado.

Willa seguiu os seus sentidos, percebendo que o combate do Pantera Negra e Bucky estava pendendo mais para um lado do que o outro, então quando ela assistiu o Pantera arremessar Bucky contra um container de madeira, mostrando dificuldade para levantar, Fairchild mostrou determinação. Pantera abriu as suas garras, movendo em direção a Barnes, até que Willa saltou contra as suas costas. Ele tentou continuar a seguir e retirá-la de cima de si, mas Willa usou isso a seu favor. Seus dedos sentiram o material de seu traje pesado, duro e impenetrável. Ela nunca vira um traje como esse antes, nem mesmo o do Homem de Ferro se igualável a isso.

Um movimento do seu braço foi o suficiente para Willa. Ela balançou lateralmente e girou pelo corpo do Pantera, arremessando-o contra o chão. Prendendo seu antebraço embaixo de seu pescoço, ela travou o seu joelho contra a pélvis dele, buscando travá-lo no chão. Ele fechou suas garras e sua destreza lhe permitiu conseguir mover seu braço e acertar alguns socos em seu diafragma e estômago, até que ela mostrasse sentir a falta de ar, assim fraqueza. Ele agarrou o ombro dela e empurrou-a contra o chão, olhando para Bucky de pé, decidido a defender Willa.

Ela não tinha terminado. Uniu todas as suas forças para acertar um chute na canela do Pantera, ele tombou um pouco para trás e isso foi o bastante para ela mover-se numa parada de dois, prendendo suas panturrilhas sobre os ombros e entre o pescoço do Pantera, e numa reversão, ela conseguiu arremessá-lo direto ao concreto e ele desabou como um gato, mas pesadamente, urrando de dor. Conseguindo afastá-lo mais alguns metros de Barnes, Willa riu abafada desabando no chão pela exaustão, se arrastando como uma cobra para trás, buscando estar um passo a frente da Vossa Alteza. O Pantera estava se recuperando. Os braços e pernas de Fairchild tremeram quando Bucky segurou sua cintura com seu braço de metal lhe erguendo sem dificuldades contra si, caminhando para trás com um olhar esquéptico sobre o Pantera.

— Você é louca.

— E o que os apaixonados fazem. – Ela confessou trocando um olhar com Bucky e ele retribuiu a intensidade repousando sua mão no rosto dela, assentindo pelas suas palavras.

Então, o Pantera ficou de pé e expôs as suas garras, ele não seria tão gentil agora. Ele repousou sua mão contra o tórax de Willa, travando o seu braço dominante e prendendo-a contra o container. O desespero a dominou, em uma luta e gritos apavorados, quando assistiu as garras do Pantera ficarem a centímetros do pescoço de Bucky. Então, uma energia avermelhada dominou a mão do Pantera e surpreendido, ele lançou um olhar a Feiticeira. Ela concentrou a sua força, movimentando pesadamente suas mãos com dor transpassando seu rosto, ele se assistiu ser arremessado pelos céus pela Feiticeira contra um container metálico de passagem entre os terminais, a considerável distância do casal. E ele nada pode fazer.

Bucky deixou o ar escapar dos seus lábios. Ele sentiu... Ele sentiu o coração acelerar, ele sentiu a vida por pouco lhe deixar e ele também sentiu algo novo: o desejo de continuar. Ele sentiu a mão de Willa segurar a sua, entrelaçando os seus dedos e sem muitos movimentos, ele repousou sua mão metálica sobre o rosto dela, trazendo-a para si, depositando um beijo contra a sua cabeça. Willa fechou os olhos, sentindo uma lágrima se perder no canto de seu rosto e ao reabri-los, ela encontrou Wanda olhando-os com alivio dominando o seu ser.

— Obrigada. – Ela sussurrou em agradecimento e a Feiticeira assentiu com um discreto sorriso e seguiu a correr a leste do aeroporto e Willa puxou Bucky para correrem a oeste, bem longe de onde o Pantera estava, assim buscando desesperadamente evitar um confronto inevitável.

Ela seguiu os seus instintos, seguindo o conselho de Bucky de reagruparem com Steve. Willa odiava os comunicadores. Quando eles se preparam, ela ficou muito feliz em dar o seu para Scott. Ela não tinha como falar com nenhum deles, apenas Wanda, mas também era questão de sorte a sua voz gritar entre tantas ali e ela lhe ouvir mentalmente. Todavia, por conta dos seus sentidos aguçados, os comunicadores eram muito altos para a sua audição, não só atrapalhava para ela preceder um ataque, mas também dificultava para ela escutar no perímetro e ela acabava surda de um ouvido por algumas horas.

O casal desembocou contra um caminhão de container lado a lado de Bucky, a poucos metros, Steve também se encontrou, se recostando. Willa aproveitou para recuperar o seu ar.

— Precisamos partir. – Bucky proferiu com uma pesada preocupação, olhando para Steve, enquanto Willa acionava todos os seus sentidos com um olhar desesperadamente eufórico, o que não era nada bom. – Aquele cara deve estar na Sibéria agora.

— Vou distrair os que voam. – Steve explicou, pensativo. — Distraio o Visão. Vocês vão para o jato.

— Não! – Willa exclamou, meneando a cabeça em negativo, respirando pesadamente. — Precisamos estar em grupo.

— Não, vocês pegam o jato. Vocês três. – Sam berrou nos comunicadores de Steve e Bucky. O Capitão olhou para o casal em sua frente e ela negou pesadamente a cabeça.

— Eu não vou deixar o Sam para trás. – Willa sussurrou meneando a cabeça em negativa com veemência.

— Manda essa teimosa parar de tentar ser a sua cópia feminina e manda ela enfiar essa bunda no quinjet agora. – Sam esbravejou através do comunicador.

— Ele está lisonjeado pela sua atitude, mas ele deseja que você vá conosco. – Steve ponderou a sua resposta e Bucky riu, conhecendo bem o verdadeiro discurso por trás da sua resposta.

— Ele não disse isso. – Willa resmungou franzindo o seu cenho.

— Você deveria me avisar quando está ouvindo os comunicadores. – Steve retrucou cerrando os olhos sobre a ninja.

— Eu não estou. Eu só conheço o Sam. – Ela gesticulou como se aquilo fosse absuradamente óbvio.

— O resto de nós não sairá daqui. – Sam comunicou, retomando o tema do assunto.

— Eu não gosto disso. – Willa não conseguia aceitar a ideia.

— Odeio admitir isso para vencermos essa, alguns de nós terão de perder. – Clint comentou enquanto disparava suas flechas contra o Maquina e Visão.

Rogers olhou para o casal, fixando seus olhos em Bucky.

— Não podemos nos separar. – Willa proferiu num sussurro tremulo. – Isso nunca termina bem.

Bucky lança um olhar significativo a Willa.

— Eles têm razão, Willa.

— Eu sei, eu só- — Ela proferiu num sussurro sentido, então ela respirou fundo, olhando para os céus, assentindo. — Certo. Eu estou aqui. Eu estou com vocês. O que vamos fazer?

— Certo, Sam. – Steve concordou concentrando-se no comunicador. -Qual é o plano?

— Precisamos de uma distração de verdade. – Sam sugeriu.

— Tenho algo bem grande, mas não vai durar muito tempo. – Scott gritou pelo comunicador com aquela sua animação entontecente.

— Não estou surpresa. – Willa comentou entortando os lábios e recebendo um olhar semicerrado de Bucky.

— Ao meu sinal, corram para valer. – O Homem Formiga ordenou. – E se eu me partir ao meio, não venham atrás de mim.

— Ele vai se partir ao meio? – Bucky crispou os lábios, meneando a cabeça negativamente, completamente desconcertado por aquilo.

— Isso está ficando pior do que eu estava imaginava. – Willa resmungou arregalando os seus olhos.

— Eu tenho medo do que você está pensando. – Bucky rebateu o murmúrio de Willa.

— Tem certeza, Scott? – Steve questionou através do comunicador.

— Faço isso o tempo todo. – Então, sua voz morreu um pouquinho, pela incerteza. — Quer dizer, uma vez. No laboratório e eu desmaiei. – Willa negou com a cabeça, passando a mão na nuca. — Eu sou o cara. Eu sou o cara. Eu sou o cara.

E eles esperaram. E em milésimos, um Homem Formiga de mais de dez metros surgiu no meio do aeroporto, agarrando o Maquina de Combate por entre os dedos.

— Santa caquinha! – Willa exclamou com sua boca aberta para aquela montanha em forma de gente, enquanto Steve e Bucky deixaram as proteções do container com olhares abismados para aquela visão.

— Eu acho que esse era o nosso aviso. – Steve comentou e Willa assentiu com veemência, querendo sacar uma foto do Homem Gigante com seu celular, mas quem disse que ela o encontrava ali em seus bolsos. E quando seus dedos sentiram o plástico, Steve fez um gesto com a cabeça e Bucky agarrou ela pela cintura, correndo com os pés dela mal tocando o chão. – Eu preciso postar isso no meu Instagram!

Só foi eles cruzarem por alguns containers e Willa ver um vislumbre do pantera que ela esqueceu completamente a sua foto de um milhão de curtidas, apontando para o Pantera Negra imediatamente seguindo-os aos vislumbrá-los.

— O gatinho mal. O gatinho mal. – Ela queria correr, mas Bucky a arrancou do chão a largando em seu ombro de metal e acelerando os passos, assim acompanhando Steve em sua agilidade de Super Soldado. – Corre! Corre! Corre! – Ela exclamava num incentivo estranhamente apavorado. – Golias pegou gatinho mal, Golias pegou gatinho mal! Vai Golias! – Willa comemorou batendo palmas.

O hangar estava a poucos metros do alcance do trio, e o Maquina de Combate buscou alcançá-los e impedi-los, mas a Feiticeira se revelou, arremessando veículos e concreto contra ele, assim mantendo o trio livre para seguir. Foi então que Willa sentiu a presença de Natasha. Ela estava por perto e por um instante, ela desconfiou onde ela estava. Temerosa, Willa pediu para Bucky colocá-la no chão e ele a obedeceu. Imediatamente, Willa buscou acompanhá-los na corrida, enquanto arrancava o chicote de seu suporte, rodopiando em seu punho. A pilastra de comando começou a desabar diante da entrada do hangar e uma energia vermelha dominou a estrutura, mantendo uma pequena passagem aberta. Steve conteve seus passos, olhando para Wanda à distância, resistindo.

— Obrigada, Wanda. – Willa murmurou, sabendo que de algum modo, ela escutaria o seu pensamento.

Bucky buscou puxar pelo Capitão a seguirem e Willa seguiu correndo a frente. Definitivamente eles poderiam alcançá-la e escapar de estruturas de concreto e metal sobre seus corpos, mas Willa não. Maquina de Combate buscou impedir a Feiticeira e deferiu um eco sonoro contra ela. Imediatamente ela perdeu seu controle nos poderes e levou as mãos aos ouvidos, berrando pela dor. O que ele não contava era o eco ricochetear no ar e Willa também ser atingida, com as suas mãos sendo levadas aos ouvidos, gritando quase em uníssono com Wanda. A estrutura começou a desabar rápida e pesadamente contra o chão e por milésimos, Willa quase foi atingida, se não fosse por Steve agarrando-a pela cintura e levando o escudo contra suas cabeças.

O trio adentra o hangar, assistindo a passagem sendo parcialmente lacrada pelos escombros. Os ouvidos de Willa latejavam dolorosamente e o seu corpo estava mole nos braços de Steve, mas ela encontrou forças para apontar o dedo para detrás de uma espécie de container, de onde surgiu a Viúva Negra.

— Você não vai parar. – Ela proferiu pesadamente olhando com dureza a Steve.

— Sabe que não posso. – Steve respondeu com pesar, trocando um doloroso olhar com a amiga. De todos, ela era com quem ele menos desejava entrar em confronto, e definitivamente, era um sentimento mutuo.

— Por favor... – Willa pediu ao pressentir os sentimentos de Natasha perderem sua estabilidade racional, como também Willa sentiu uma raiva vingativa condensar o ar, a poucos metros atrás de si e o terror assombrou seu semblante. Ela sentiu esse sentimento antes, era o Pantera, ele estava ali.

— Vou me arrepender disso. – A Viúva mirou o seu ferrão contra o Capitão e ele respirou pesadamente, pronto para abandonar Willa e ter que aceitar aquela briga com Natasha.

Então, Natasha surpreendeu ao mover milimetricamente o seu ferrão e atingir alguém atrás do trio, o Pantera.

— Vão. – Ela ordenou com um olhar duro sobre o Pantera, buscando se recuperar da eletricidade correndo em sua pele.

Willa abandonou o braço de Steve e resoluta o empurrou para trás e ele a olhou com desconcerto.

— Clint tem razão, alguns precisam ficar para trás...

Willa... – Bucky sussurrou e ela lhe lançou um olhar intenso retribuído pelo Sargento e ela sorriu, assentindo. Ela sabia o que ele queria lhe dizer e Willa retribuía intensamente.

— Eu não serei útil lá, mas serei útil aqui. – Ela proferiu resoluta, olhando para Natasha que atirara outro ferrão contra o Pantera buscando se aproximar. A ruiva lançou um olhar surpreso a ninja. – É o que os amigos fazem, eles lutam e sobrevivem juntos. – Natasha respirou fundo, não esperando tamanha fidelidade de Willa por si, e ela era grata por isso. — Vão! – Willa exclamou, apontando com a cabeça para o quinjet, olhando de Steve a Bucky, largando seu chicote no chão, concentrando sua atenção no Pantera.

Obediente, Steve seguiu com Bucky em seus encalços, lançando um último e significativo olhar a Willa. Ela não retribuiu, mas fechou seus olhos, pois ela sentiu em cada fibra de seu corpo como aquele olhar lhe tocou, como aquela despedida significava para ele, como um último adeus. Então, ela olhou por sobre o ombro... E ele não estava mais lá. Como sempre, eles estavam perdidos em seu timing.

A dupla adentrou no quinjet, acionando o veículo para sobrevoar.
Willa respirou fundo, reconquistando o controle dos seus sentidos. Ela estava cansada, fadigada e sentindo seus músculos gritarem, mas ela lutava contra cada dor, pelo menos, até aquele quinjet estar bem longe dali. Willa podia usar a sua Katana e adagas, mas como ela comprovou mais cedo, o traje do Pantera era impenetrável a lamina. Seria um esforço em vão. Então, ela tinha ainda um mentbushi em seu bolso, alguns shurikens para improvisar e o seu chicote. Lado a lado a Natasha, elas não ousaram mover um centímetro de seu corpo, enquanto o Pantera lutava para aproximar-se pé ante pé. Justice rodopiou o seu chicote próximo ao chão, enquanto Natasha atirou outro ferrão contra ele, e agora, com um pouco mais de agilidade, o Pantera lutava contra o choque de 50 mil volts contra seu traje e pele. Isso não apenas provava a resistência de sua roupa, como também o seu desejo de vingança. Era admirável, se não fosse essa a situação.

O quinjet começou a ganhar voou e o Pantera arqueou, abrindo as suas garras e saltando contra o veículo, buscando se segurar contra o metal e a roda. Willa rodopiou o chicote do chão ao ar e arremessou contra a cintura dele. A corda fina rodopiou e prendeu. O quinjet empertigou para o alto e a gravidade vencer. Com um puxão para o chão de Willa, o corpo do Rei de Wakanda foi atraído e ele desabou contra o concreto.

Willa retomou seu chicote, batendo-o num estalo contra o chão. O Pantera levantou com uma postura controlada, mas seu olhar sobre as mulheres transmitia fúria e frustração.

— Prometi ajudar a encontrá-lo, não a pegá-lo. – Natasha proferiu inclinando seu rosto a ele e Willa trincou os dentes, era foda confiar na Natasha. Sempre era uma nova facada. – São duas coisas diferentes.

— Ele não matou o seu pai. – Willa proferiu sentindo o ódio dele lhe atingir sobre um olhar e a incompreensão de Natasha. – Não foi ele quem cometeu o ataque em Viena. Foi uma armadilha.

— Como você pode ter tanta certeza? – Natasha questionou absorta em duvida.

— Eu estava com ele, em Bucareste um dia antes do ataque, como também durante. – Willa respondeu seca para Natasha e ela sentiu, enrugando o seu cenho com tal sentimento.

— Você mente para defendê-lo, está tão comprometida quanto o Capitão e isso lhe torna pior do que ele. – O Pantera proferiu caminhando resoluto em sua direção. Natasha apontou o seu ferrão contra ele, mas eles terminaram, o que a fez inclinar seu rosto em desapontamento, mas Willa estava tranquila, tranquila demais para quem estava prestes a iniciar um combate. – Não se preocupe, eu não tenho motivos para lutar contra vocês. – Ela estava tranquila, pois ela sentiu suas emoções, estáveis e controladas. Ele era um guerreiro. Ele seguia uma moral e leis. E ao olhar Willa, ele se viu um pouco nela, principalmente quando ela lutou contra a sua dor, para proteger Bucky. – Eu não sei quem ele é em sua vida, mas eu vou encontrá-lo e vou vingar o meu pai. Não é pessoal, mas será quando ele estiver morto. Por isso, quando isso for feito, estarei lhe esperando em Wakanda para finalizar o nosso circulo de vingança.

E assim, ele partiu pelo mesmo caminho ao qual viera, com um peso sobre os seus ombros e uma promessa em suas garras.

— Ele é profundo. – Natasha comentou inclinando o seu rosto com um sorriso no canto dos seus lábios, percebendo a dor crepitar no rosto de Willa, com os seus olhos no horizonte, assistindo o quinjet partir.

Ela respirou pesadamente, levando a mão ao coração.

— Eu não posso fazer nada. – Willa proferiu para si, abraçando o corpo num ato protetor. — Eu sou uma completa inútil.

— Não, não é. – Natasha franziu o seu cenho, franca com as suas palavras. — Você soube os seus limites. Você escolheu ficar e me proteger. – Ela inclinou o seu rosto, admirando Willa com um discreto e raro sorriso sincero. — Não sei se te importa, mas sob o meu olhar, você foi muito útil nessa Guerra, pequena.

— Vai à frente... – Willa proferiu num embargo, tocando com afeto o ombro de Natasha. – Finge que você me acertou um bom soco de direita e está escapando de uma retaliação.

— Todo mundo sabe que isso seria mentira. – Ela riu, abafado. — Você pode ser melhor do que eu, isso ficou claro inúmeras vezes, só depende dos seus motivos.

— Eu estou caindo aos pedaços, eu mal consigo me sustentar; você tem uma vantagem. – Ela explicou crispando um sorriso.

Natasha assentiu, obedecendo as palavras de Willa, mas parou poucos passos depois, lhe olhando por sobre o ombro.

— Eu não vou me esquecer... Do que você fez hoje por mim. – Natasha a olhou com sinceridade em suas palavras e gratidão em seu semblante. — E nem do que você disse sobre Barnes. – Então, um sorriso nasceu no canto dos seus lábios. — Só me responde uma coisa, com absurda sinceridade, o que o Pantera disse sobre voc...

— Sim, a resposta para a sua pergunta é sim. – Willa não sentiu a necessidade de ouvir tal pergunta.

— Ele é um bastardo sortudo. – Natasha comentou com um discreto sorriso lançando um olhar analítico sobre Fairchild. — Eu espero que ele volte para você.

-Eu também. – Ela assentiu com um sorriso esperançoso.

Natasha partiu e Willa deu um tempo dentro daquele hangar, sentindo uma lágrima abandonar o canto dos seus olhos, mas ela respirou fundo, secando-a com o canto de sua mão. O silêncio acomodou em sua audição. Em confusão, ela buscou concentrar sua audição e subiu por sobre o escombro, olhando pelo perímetro, buscando pelo sinal dos seus amigos. Não havia ninguém, nem mesmo Natasha.

Então uma explosão irrompeu a distância, um feixe de energia atingiu sobre o Falcão guerrilhando com Maquina de Combate e por um breve instante Willa sentiu seu coração parar. Correndo, ela seguiu pelo enorme pátio, parecendo cada vez mais distante do campo. Ela assistiu o Maquina de Combate desabar do céu, o Falcão e o Homem de ferro, abandonando alcançar o quinjet, buscavam alcançar Rhodey, mas seu corpo desabou num baque oco e sem vida contra o gramado. Willa parou de correr, desabando contra o asfalto, por entre containers de madeira não sentindo o ar alcançar em seus pulmões. Seus braços tremerem, suas pernas estavam tensas. Sua mente doía com seus ouvidos zunindo por conta de helicópteros, muitos deles. Alguns veículos. Cheiro de sangue, muito sangue. Vozes...

Ela estava semi-consciente. Não tinha forças para despertar e andar, mas também não tinha coragem de desmaiar.

— Há outro deles aqui...

Willa escutou a voz da Vossa Alteza de Wakanda a uma distância incerta. Se ela buscou levantar? Buscou. Tentou pegar alguma das suas armas para defesa? Tentou. Até tentou abrir os seus olhos, para buscar o Pantera negra ou ajuda, mas não conseguiu. Eles lutaram bravamente contra tal ordem.

Não demorou a ela sentir braços fortes envolverem o seu corpo. Ela queria lutar contra, mas ela estava cansada, cansada demais. O toque gentil em seu rosto lhe trouxe uma prazerosa sensação em sua pele, como um reconhecimento. Ela abriu minimamente os seus olhos, como quem acaba de desperta e luta contra os raios solares para continuar a dormir. E ali estava a sombra de um homem vestindo um casaco negro, os cabelos negros pareciam brilhar por conta dos raios solares, como os seus olhos e um sorriso emocionado a rasgar os seus lábios. Por um pequeno instante, ela permitiu o ar escapar dos seus lábios se sentindo protegida e compreendendo o reconhecimento...

— Você precisa de uma carona. Eu sou sua carona. – A voz grossa proferiu tais palavras com jocosidade e afetuosamente protetor, com seu sotaque charmoso a melodiar as palavras em inglês. — Fecha os olhos e aproveita a viagem, draga.

E assim, Willa Fairchild se entregou a sua escuridão.

Notas finais
FALTAM 02 CAPÍTULOS PARA O FIM DO LIVRO x____x — Quem deve ser a estrela da minha próxima One Shot? Participe e escolha aqui :) http://www.ferendum.com/pt/PID36790PSD92345 ♥