Born to Die | Exile
14 Born to Die | This is what makes us girls
Notas iniciais
T H I S I S W H A T M A K E S U S G I R L S
This is what makes us girls/We all look for heaven and we put our love first/Don't you know we'd die for it? it's a curse/Don't cry about it, don't cry about i./This is what makes us girls/We all look for heaven and we put our love first/Don't you know we'd die for it? it's a curse/Don't cry about it, don't cry about it
Willa podia escutar os gritos de Bucky. Eram eles que o guiavam até o seu alcance.
E aí eles pararam.
Steve seguia a frente. Quando ele encontrou o primeiro soldado derrubado na entrada do subnível 5, ele trocou um olhar cuidadoso com Willa e Sam e eles estavam prontos. O problema era que não era apenas um, mas todos os soldados estavam no chão, imóveis. Steve conferiu os sinais vitais de um deles, enquanto Sam e Willa digeriam e buscavam compreender o que ali aconteceu. Willa não precisava checar os sinais vitais dos soldados, para compreender o olhar abatido de Rogers. Ela sabia: todos estavam mortos.
À distância, uma voz pedia ajuda. Era o psicólogo. Caído no centro da sala, assustado e... acordado. Willa franziu o cenho, confusa. Todos os soldados estavam mortos, mas o simples, franzino e notório psicólogo estava caído ao chão, apenas, perturbado? Enraivecido, Steve tomou o psicólogo como alvo. Willa e sua inquietude desestabilizou sua concentração rapidamente. Ela não teve oportunidade de alertar os rapazes.
Aquele alarme em sua cabeça, latejando como o tic tac de um relógio quebrado, aquela agitação em seu peito, aquela perturbação em sua mente, aquele quebra cabeça confuso e incompreensível e... E Bucky não estava mais ali.
E quando Willa pensou em Bucky era porque quem estava ali era o outro... Aqueles batimentos instáveis, a respiração exasperada, a raiva enjaulada.
Aqueles soldados não tiveram uma chance contra o melhor Soldado dentre todos.
E ele ainda estava ali. Esperando à espreita, assistindo o Capitão atacar o psicólogo, enquanto ele aguarda paciente a aproximação do Falcão, para assim cumprir o seu comando final.
Eles não estavam sozinhos.
Sam se adiantou para adentrar a sala de confinamento e Willa exasperou uma pesada respiração, retornando dolorosamente a si. O que ela acabou de ver?
— Levante-se. – Steve ordenou a ele. Pegando ele pelo colarinho, Rogers ergueu o psicólogo ameaçador, empurrando-o contra a parede. – Quem é você? O que quer?
— Ver um império cair. – O psicólogo respondeu com tranquilidade.
Ao escutar tais palavras, assistir tal cena acontecer diante dos seus olhos, Willa se sentiu numa espécie de deja vu muito recente e real, então compreendendo o que sucederia, Willa não teve sucesso ao buscar impedir Sam de entrar na sala. O Soldado Invernal surgiu das sombras, deferindo um soco com seu braço mecânico contra Sam que se abaixou a tempo, então o Soldado apenas arrancou um enorme pedaço do reboco da parede.
Willa congelou.
Antecipando seus movimentos, o Soldado escapou do soco de Sam, entretanto conseguindo acertar seu tórax com o seu antebraço, mas o Soldado jogou seu corpo para trás e desviou de um dos socos, não sentindo o impacto. Reavaliando a luta, ele acertou um soco nas costelas de Sam. Com o impacto, Sam não conseguiu se defender a tempo. O Soldado agarrou a mandíbula dele, ergueu-o do chão e o arremessou contra a sua antiga jaula de metal e vidro. Sam deu um mortal para frente, com seu corpo encontrando o chão, ficando assim inconsciente.
— Sam! – Willa exclamou indo ao seu socorro, mas travando seus passos ao se encontrar no caminho entre o Soldado e Sam. Entre Bucky e o Soldado. Entre eles. – Bucky... – Ela clamou por sua consciência. E ele não pestanejou ao atacar-lhe com um soco projetado de seu braço mecânico, mas Willa abaixou rapidamente, destreza aprendida com Steve dando-lhe uma rasteira e acertando um soco em seu fígado com a ponta de seu polegar esticado, habilidade aprendida na Casta. – Bucky, você precisa lembrar... – Ela suplicou ganhando alguns centímetros de distância do soldado buscando reconquistar o seu ar com um olhar inexpressivo.
E ele lembrou.
Lembrou de ir contra o seu diafragma e respirar fundo, o que não apenas lhe ofereceu oxigênio, mas libertou a pressão de seu fígado recentemente apertado. Com tamanha liberdade conferida, o soldado elevou sua mão mecânica contra o rosto de Willa e por centímetros, ela teria sido acertada: Se não fosse por seu corpo ser arremessado por alguns metros, pesada e agressivamente, contra a mesa de metal, e é claro ela não conseguiu conter o impacto e bateu sua cabeça doloridamente contra o metal.
Após bater sua cabeça num corrimão, agora estava batendo contra uma mesa... Era oficial: Ela estava em seu inferno astral.
Steve lhe salvou. Ele abandonou o psicólogo e escolheu por proteger Willa do ataque do Soldado, ao empurrá-la para longe do seu alcance e ele mesmo recebeu e conteve o soco do Soldado Invernal com as forças das suas mãos. Willa buscava recuperar suas forças para levantar, um pouco desorientada, assistindo Steve tentar escapar dos ataques do Soldado, sem feri-lo. Sam continuava inconsciente no chão. Então, o Soldado acertou um chute contra o peito de Steve e ele foi arremessado para o outro corredor, e por um segundo, Fairchild acreditou que o Soldado terminaria a sua missão com ela. Os olhos de Willa pesaram. E quando ela reabriu os olhos, a luta continuava a distância com os passos ressoando no concreto, rodopios de golpes cortando o ar e o metal rasgando metal em socos pesados e agonizantes, até que um grande estrondo irrompeu e Willa jurou ter escutado algo despencar. Algo pesado, algo com batimentos humanos.
— Steve? – Willa chamou num sussurro sentindo sua cabeça pesar e a sua voz falhar.
E lutando contra as suas dores, Willa se empurrou contra o chão com auxílio das mãos e encontrou-se de pé, com a cabeça pendendo pela dor e surpreendentemente, encontrando ainda ali, no mesmo lugar de segundos atrás, o psicólogo. E ele estava a admirando com um sorriso perversamente fascinado. E então, uma tonteira a acometeu e ele não estava ali, como se nunca estivera. Era só o que lhe faltava: alucinações, nessa altura do campeonato! O que viria a seguir, um ataque de choro a la protagonista de novela mexicana?
Sam respirou pesadamente e Fairchild colocou todas as suas forças para ir até o seu encontro, buscando por algum ferimento e ajudando-o a retornar a consciência. Seus olhos se abriram lenta e pesadamente encontrando Willa diante de si. Num primeiro olhar, ele parecia tão desorientado quanto ela, até que a americana foi acometida por alivio, por encontrá-lo despertando. A cabeça de Sam pendeu para o lado e os seus olhos ganharam vivacidade, como seu semblante enrijeceu.
— Ei! – Ele exclamou olhando para um ponto além deles. Willa olhou por sobre seu ombro, encontrando o psicólogo parado em frente ao que um dia foi a entrada para o elevador. Ele olhou para eles com surpresa e não pensou duas vezes ao correr pelo corredor oeste. – Vá atrás dele! – Sam exclamou ordenando a Willa. Ela lançou um olhar duvidoso para ele, por conta de seu estado, e então Sam foi se colocando sentado, empurrando o ombro de Fairchild, para seguir. — Eu estou logo atrás de você.
Vá!
Foi à última coisa que ela escutou de Sam.
Com seus sentidos a mil, ela buscou correr além do que seu corpo permitia e não demorou a ficar fadigada, como também a encontrar o homem descendo rapidamente as escadas de emergência do subnível, inutilizadas recentemente para obras. Conveniente. O homem olhou para o topo das escadas e Willa estava lá, há apenas dois lances de escada de diferença dele. Era uma queda alta, mas ela podia tentar. Ela se agarrou a barra e saltou contra o corrimão, podre, que desabou no ar, despencando e encontrando o chão de pedra, após alguns segundos. Podia ter sido seu corpo, mas não foi. E aquela era uma queda bem alta... O psicólogo olhou por sobre o corrimão para a barra no chão, então ergueu uma sobrancelha, e lá estava, novamente, aquele olhar de admiração sobre Willa.
Se ele pensou que Willa fosse desistir, ele estava enganado. Willa assistiu o psicólogo continuar a descer os degraus, agilmente e ela continuou imóvel, reavaliando a sua próxima atitude. Era tudo questão de física. Ela ganhou equilíbrio e distância nos degraus e então, saltou. Dessa vez, invés de cair sobre o corrimão, Fairchild caiu como uma gata, dois degraus atrás do psicólogo e sem perder um segundo, com seus dedos, agarrou uma grande quantidade dos cabelos do homem, puxando-o para trás e empurrando seu tórax contra a parede com seu joelho num baque surdo. Ele grunhiu pelo impacto e ela agarrou seu pulso contra a parede, mantendo seus dedos em seus cabelos, assim pressionando seu rosto contra o concreto. Ele não teve muito tempo em seu favor para pensar num contra ataque.
— Eu acho que o Capitão lhe fez uma pergunta a pouco... – Ela proferiu tais palavras dominando-o contra a parede. – Quem é você?
— Eu acho que a pergunta aqui é quem é você, Riddle. – A menção desse nome desconcertou Willa por poucos milésimos. Era o suficiente para o psicólogo bater a parte de trás de sua cabeça contra o rosto dela.
Com um grunhido de dor, ela acabou por se afastar dele. O homem virou, buscando acertar-lhe um soco no rosto e outro na costela, numa técnica típica do Krav Magá, mas ela escapou, contendo com seus antebraços. Ela dispersou e isso foi o bastante para ele enfiar o joelho contra a barriga dela lhe arrancando o ar, e assim pode agarrar-lhe o seu pescoço com um aperto de sua mão. O ar começou a lhe escapar e o seu corpo pressionou o corrimão a ruir perigosamente. Ele acertou um, dois, três socos contra o rosto dela rompendo o seu lábio e ela sentiu o olho arder com os impactos. Willa conseguiu enfiar seu cotovelo repetidamente contra as áreas sensíveis do braço do homem e pressionou o seu polegar e indicador contra o pomo de adão. A brutalidade de sua ação conseguiu que ele se distanciasse dela com um rugido e tropeçasse no degrau, caindo. Do alto, a porta abriu pesadamente e Sam surgiu descendo rapidamente os degraus, mas ainda consideravelmente distante da briga. O psicólogo acertou um chute na canela de Fairchild e ela gritou, caindo em alguns degraus, mas conseguindo ficar de pé em poucos milésimos. Ela ergueu o rosto e o homem lhe acertou um soco, segurando seu ombro e a empurrando contra a parede. Ela acertou o cotovelo na costela dele, pisou no seu pé e buscou acertar um soco em seu saco, mas ele a impediu nesse último e agarrou ela pela gola da camisa e empurrou-a contra o corrimão. O metal rompeu de sua base num estrondo ruidoso e desesperador despencando metal e concreto para o chão. Willa lutou pelo seu equilíbrio, mas o seu pé não sustentou e ela caiu. Seu grito ecoou pela escada e ela lutou para agarrar a base metálica, sentindo as lascas metálicas cortarem a palma de sua mão. Ela escorregou e largou, sentindo seu corpo pesar contra a gravidade para a queda...
— Willa! – Sam berrou agora ele não corria pelos degraus, mas saltava deles, olhando com horror para Willa, sabendo que em algum momento seu corpo desabaria no concreto sem forças.
... E Willa sentiu uma mão agarrar contra seu ombro e colarinho, buscando sustentá-la da queda. O seu olhar era inexpressivo. Os seus lábios estavam comprimidos. E suas mãos lutavam contra a sua força humana para trazê-la para cima. Fairchild não esperou apenas pela sua boa ação e pegou apoio com seu braço livre e o psicólogo completou sua ação, arrastando-a contra o concreto e lançando um confuso olhar para as suas mãos, então para ela... Se ele estava perturbado pelo que acabara de fazer, imagina Willa tendo sido salva por ele e Sam ter assistido à aquilo?
— Não esqueça isso, Riddle. – Então, ele proferiu tais palavras com aquele sorriso comprimido levantando sinuosamente num canto e partiu.
Willa buscou levantar, agora com maior dificuldade, por conta do tremor de medo em seu corpo, o ar lhe faltando em seus pulmões e os seus novos machucados, assistindo-o de camarote escapar, só que invés de seguir para baixo, como antes, ele entrou no primeiro corredor com porta de emergência, deixando apenas o eco do metal contra o concreto.
— Willa, você está bem?
Em poucos milésimos, Sam estava lhe auxiliando a conseguir levantar do chão, tomando cuidado para não machucá-la mais, sentindo a sua pele tremer em seus dedos e isso o fez trazê-la para mais perto de si. Ele também aproveitou para recuperar o ar, o que o fez pensar: ele precisava urgentemente melhorar suas corridas. Willa, por outro lado, não estava pensando em descanso, ela seguia instintivamente os prévios passos do psicólogo e só conseguia pensar em alcançá-lo.
— Temos que ir atrás dele. – Ela proferiu seca e rispidamente.
— Isso não é importante agora. – Sam falou repousando a mão no rosto dela, buscando conectar os seus olhos, assim para buscar um sinal de concussão.
— É, sim. – Willa assentiu com veemência. – Ele sabe meu nome. – Sam mostrou breve confusão com sua revelação. — Meu nome antes de tudo. – Ela completou assentindo com o ar lhe escapando na forma de um lamento.
— Ok, podemos lidar com isso. – Sam repousou sua mão sobre o ombro da amiga, buscando tranquilizá-la, mas era claro que ela não conseguiria fazer tal coisa agora. Não quando aquele homem sabia o seu nome, o que mais ele podia saber sobre ela? Sobre sua família? Sobre os seus amigos? Só tinha um modo de descobrir não apenas isso, como outras importantes respostas: pegando aquele cara.
— Vem. – Ela apontou com a cabeça para o caminho seguido por ele. — Eu ainda consigo sentir o cheiro dele.
Sam e Willa deixaram as escadas, por sorte, o único caminho disponível seguia para um amplo corredor, onde agentes e funcionários corriam para caminhos distintos ou para escapar ou para cumprir ordens de seus superiores. A dupla virou por uma curva, mas Sam conteve Willa, temendo que eles fossem descobertos e então, eles seguiram até conseguirem chegar no andar térreo do prédio, e deixá-lo, sem serem detectados, mas também perdendo o homem de suas vistas. Para trás ele apenas deixou o seu casaco e o terror na alma de Willa.
Aquele era apenas um dos portos de Berlim e ele não era tão abandonado quanto Willa almejava. Ele virou uma espécie de estacionamento clandestino, com diversos carros espalhados, como também a moradia de alguns mendigos, drogados e deposito de lixo e sucata, e por fim containers esquecido no tempo pelas suas empresas e donos, o que provavelmente era a ideia. Ela não estava ali para isso, para verificar o abandono da cidade, então com cuidado e discrição, ela verificou cada detalhe por trás daquele lugar buscando descobrir se aquilo era uma espécie de armadilha ou ela apenas estava desperdiçando energia.
O que não era um desperdício se você bem pensar. Ninguém morre por ser precavido. Sam concordaria com aquilo. Em pouco tempo de averiguação, ela não sentia a presença de nenhum humano nos arredores, mas os seus sentidos aguçados estavam lhe proporcionando uma breve visita ao inferno, por conta do barulho continuo das maquinarias de um navio embarcado a poucos quilômetros dali, os pombos conseguiam ser irritantemente barulhentos e o cheiro de peixe. Detestável. Um gato estava escondido embaixo de um carro, mas ele apenas observou atentamente os movimentos de Fairchild, e como se sentisse em seus sentidos que ela e ele tinham coisas em comum, houve um breve instante que Willa assistiu uma faísca de respeito cruzar o olhar do felino.
Então, ela resolveu entrar no galpão abandonado, empurrando alguns pedaços de plástico podre e velho do seu caminho. Um dia eles serviram para proteger o que ali era guardado, agora servia apenas para dar um ar de filme de terror. Um dia aquele lugar deve ter sido uma indústria ou apenas um deposito, uma das paredes até tinha papéis com anotações e fotografias coloridas e preto & branco, mas agora aquilo tudo era apenas estruturas metálicas corrosivas por conta da proximidade com o Rio, madeiras crepitando a cada passo e firulas do vento por sua antiguidade e muita, muita poeira no chão, nos poucos móveis, nas bases das paredes, metal e onde mais a poeira pudesse encontrar moradia, e principalmente nas janelas, o que impedia a entrada da claridade. Parecia o tipo de lugar onde tudo poderia acontecer. Menos aquilo.
Willa sentiu duas presenças. Ela parou os seus passos, respirando fundo e levantando a sua orelha entregando toda a sua audição aos seus visitantes. Podia ser um dos mendigos ou drogados e os seus olhos escanearam o local, buscando por uma aproximação furtiva ou um ataque surpresa, mas não ocorreu. Não podia ser um deles. A respiração da pessoa era um pouco instável, o que Fairchild identificou como um sinal de nervosismo, cansaço ou talvez, ansiedade. O impacto dos seus pés ao chão era um batuque estável e nervoso. E as batidas do seu coração... Fortes e ansiosas. O dom de Willa lhe ensinou muitas coisas e uma delas era que todos os corações tinham uma identidade, como uma impressão digital. Os corações pareciam bater iguais, mas era tudo uma questão de fechar os olhos e sentir. E Willa sentia, ela sentiu conhecer aquelas batidas. Ela sentiu o ar deixar os seus lábios pesadamente e ouviu os passos cessarem e os seus iniciaram, numa corrida ágil, urgente e quase desesperada, buscando por tal pessoa, com Sam atrás de si.
O encontro. Ele estava de costas e ela parou, não atrevendo se aproximar nem mais nenhum centímetro. Steve olhou por sobre seu ombro encontrando o casal lhe encarando com expectativa. O capitão estava sério com os braços cruzados. Os seus cabelos e roupas molhadas apontavam que de algum modo, ele caiu no lago. Sam caminhou em busca de alcançar o amigo e Fairchild seguiu os seus passos, parando atrás de Wilson e seguindo o seu olhar, vislumbrando Bucky. Ele estava desmaiado e seus cabelos pingavam água, como suas roupas. O seu braço metálico estava engatado numa espécie de gancho de ferro, provavelmente ideia de Steve para contê-lo, caso ele acordasse e buscasse atacá-los.
Agora era esperar...
Willa não queria conversar. Ela só conseguia pensar no que aquele psicólogo lhe dissera, por isso, encontrou refugio aninhada no banco do motorista de um fusca azul e velho, recuperando ali as suas forças e limpando o grosso do sangue em seu rosto. Steve estava espreitando numa fresta do portão. Um helicóptero estava rondando o perímetro, buscando por qualquer sinal de Bucky e os seus cúmplices: o capitão, o soldado e a ninja. A certa distância, Sam optou por vigiar Barnes.
Quando ele acordou, desorientado, o Falcão chamou o Capitão. Steve afastou os olhos do portão. Tão concentrada em sua mente, Willa não escutou quando Sam lhe chamou e Rogers precisou ir até ela para lhe despertar do seu transe. Correndo, Steve adentrou no espaço onde Bucky estava contido e Willa caminhou com receio até o alcance de Sam. Não sabia o que deveria esperar encontrar ali — e temia, por ela, pelos seus amigos, por Bucky.
Numa ponta estava Sam, na outra, um pouco mais próximo de Bucky, Rogers, e Willa, desconfortável, ficou ao centro, com os braços cruzados sobre seu corpo. Barnes não estava bem. Cansado e fadigado, ele buscava se reencontrar ali e entre aquelas pessoas de rosto distorcido para ele.
— Steve. – Barnes sussurrou buscando apoiar a sua mão livre na mesa metálica, com um peso sobre suas costas.
— Com que Bucky estou falando? – Steve perguntou e Willa lançou-lhe um olhar pesado. E por um instante, o Sargento não soube lhe responder.
— O nome da sua mãe era Sarah. – Ele murmurou com um olhar perdido emergido em suas lembranças. — Costumava usar jornais em seu sapato. – Ele lembrou com uma gostosa risada saudosa abandonando os seus lábios.
— Não leria isso num museu. – Steve comentou para Sam, como se buscasse sua concordância.
— E do nada devíamos confiar nele? – Sam retrucou com os seus braços cruzados e um olhar repreensivo sobre Rogers.
— Nós deveríamos ser Lily e Chase por um dia. – Bucky sussurrou perdido em seus pensamentos. Willa reprimiu sua respiração. E então, ele lançou um olhar dócil a Willa, sorrindo. – Como aquela música que você me mostrou naquele cd... Que não há remédio para a memória, o rosto dela é como uma melodia e não vai deixar a sua mente... Lily é essa melodia para o Chase, para mim. – Ele concluiu franzindo o seu cenho, em compreensão pela sua revelação.
— Ele acabou de citar... – Sam comentou descrente.
— Sim, Lana del Rey. – Willa completou as palavras de Wilson dando um passo a frente com um sorriso bobo nos lábios, mas disfarçando ao sentir a repreensão de Sam lhe corroer.
— O que foi que eu fiz? – Bucky questionou olhando da dupla a Steve.
— O suficiente. – Steve revelou num aceno de sua cabeça.
— Eu sabia que ia acontecer. – Bucky proferiu com magoa. — Por isso eu parti, por isso eu me afastei de vocês, da Willa. – Ele explicou com o seu semblante contorcendo pelo pesar devorador em seu ser. — Eu estava buscando evitar tudo isso. – Ele engoliu em seco, ao se dar contar que sua atitude foi vã e não havia como lutar, não adiantava o que ele fizesse, era inútil lutar contra o Soldado. — Tudo que a Hidra colocou dentro de mim, ainda está aqui. Ele só precisava dizer aquelas palavras.
— Que palavras? – Willa perguntou, mas Bucky não conseguiu proferir uma resposta, apenas retorceu os lábios sentindo sua garganta embargar e Willa se sentiu mal por tê-lo colocado naquela situação.
— Quem era ele? – Steve perguntou cruzando os seus braços.
— Eu não sei. – Bucky respondeu sem ter coragem de olhar o Capitão.
— Pessoas morreram. A bomba. A explosão. O médico fez aquilo para ter apenas dez minutos com você. – Steve proferiu com a sua costumeira calma, entretanto havia algo particularmente firme em suas palavras. — Eu quero uma resposta melhor do que ‘eu não sei’.
— Ele queria saber sobre a Sibéria. – Bucky revelou com um olhar perdido em suas lembranças, trocando um olhar incerto com o trio, focando em Willa. – Onde estive preso. – Ele inclinou o rosto, analítico. — Queria saber onde era exatamente.
— Porque precisaria saber disso? – Steve questionou buscando compreender.
— Porque eu não sou o único Soldado Invernal. – Bucky revelou soturno.
Então Bucky relatou de uma de suas missões, onde ele foi mandado roubar um componente na posse de um cientista. Não podia ter testemunhas e o componente deveria ser entregue ao seu comandante. Ele fez isso e retornou com o componente. Cinco humanos foram colocados sobre os testes. Bucky se lembrava de ter treinado com cada um deles em diversas ocasiões. Eles eram tão fortes, que conseguiam contê-lo em várias ocasiões, o que era claramente algo a temer, mas diferente de Bucky, eles eram incontroláveis.
— Quem eram eles? – Em algum momento da conversa, Steve se recostou na parede prestando atenção no relato do sargento.
— O maior esquadrão de elite. – Ele respondeu olhando para o trio. — Mais mortes do que qualquer um na história da Hidra.
— E eles usavam essas palavras com eles? – Willa questionou buscando ligar os pontos entre os fatos.
— Não sei. – Bucky enrijeceu mencionar a existência de tais palavras lhe deixava desconfortável e alerta. — Talvez. – Ele ousou supor, mas não podia garantir, suas memórias eram incertas quanto à isso. Não era algo a que teve participação.
— Isso tudo foi antes do soro, mas eles ficaram igual a você? – Sam perguntou com certa aspereza.
— Piores. – Bucky respondeu lançando um olhar pesado sobre o falcão.
— O psicólogo, poderia controlá-los? – Steve questionou pensativo.
— Talvez. – Novamente, Bucky demonstrou não ter certeza.
— Ele disse que queria ver o império cair. – Steve trocou um olhar com o trio, mencionando as únicas palavras ditas pelo psicólogo ao Capitão. Willa não conteve um suspiro pesado, não apenas pela menção ao homem, como também a lembrança de seu breve embate, como a conversa.
— Com esses caras, ele conseguiria. – Bucky murmurou, olhando para o trio. — Eles falam 30 idiomas, podem se esconder em plena vista, podem se infiltrar, assassinar, desestabilizar, podem tomar um país inteiro em uma única noite sem ninguém se dar conta. – Era a primeira vez que ele sentia que o seu conhecimento não era uma maldição, e sim era algo útil para os amigos. Eles podiam impedir esse esquadrão. Eles podiam fazer algo de bom para o mundo com aquele conhecimento.
— E se for, além disso? – Sam sugeriu recebendo um olhar questionador de Rogers e Barnes, mas um olhar repreensor de Fairchild, ao qual ele sustentou com intensidade. – Fala ou eu falo. – Sam não ousou quebrar o contato de seus olhos e suas palavras soaram como uma ameaça, a qual, Willa ponderou resoluta. – Ele sabia o nome dela. – Sam a entregou sem dó e piedade. Steve e Bucky não mostraram surpresa. – O nome dela de verdade. – Sam revelou levantando as sobrancelhas e lançando um olhar significativo a Steve que agora, estava não apenas preocupado, mas atônito.
— Riddle? – Rogers questionou lançando um olhar preocupado a amiga, e quando ela assentiu, Steve suspirou negando com a cabeça negativamente. – Quem é esse cara?
— Alguém que nos conhece, profundamente. – Willa respondeu pensativa. – Eu entendo. Um exercito de soldados invernais seria um trunfo para destruir um império... — Mas o que saber do meu passado implica para tornar isso possível? Willa não teve coragem de proferir tal pensamento. Ela repousou a mão no estômago, com um peso lhe sufocando. Só de lembrar a forma que ele disse seu nome causava arrepios em sua espinha. Como ele podia saber? Como ele descobriu isso? E para que? Ela só queria que isso tudo não fosse verdade.
— Seria melhor ter feito isso antes. – Sam proferiu ficando a frente de Steve, assim cortando a interação de Bucky com eles e despertando Willa de seus pensamentos.
— Se ligar para o Tony... – Steve sugeriu, mas Sam negou com a cabeça.
— Ele não acreditaria.
— Ele pode acreditar. – Fairchild comentou levantando as sobrancelhas, recebendo olhares questionadores da dupla. — Eu... Eu tentei falar sobre estar com Bucky em Bucareste, mas... – Sam fechou os olhos balançando a cabeça negativamente, as vezes, Willa parecia gostar de cavar a própria cova, mas Steve manteve sua seriedade, confiando no juízo de escolha de sua amiga. — Não confiei nele.
Steve e Willa trocaram um olhar profundamente significado. Willa estava desapontada consigo, por não ter confiado em Tony e Rogers estava em conflito sobre o que prosseguir.
— E tem um motivo para Willa ter optado por isso. – Sam apontou com sabedoria. – E de qualquer forma, quem garante que o acordo o deixaria ajudar?
— Estamos sozinhos. – Steve proferiu num suspiro desolado, olhando discretamente para Bucky. Willa ainda estava conflitante com suas emoções.
— Talvez não. – Sam murmurou perdido em seus pensamentos. — Scott, Clint, Wanda, Sharon... – Ele sugeriu e Steve franziu o cenho, considerando tal hipótese. — Podemos chamá-los.
— Vamos. – Steve assentiu com a proposta.
Com isso, Steve partiu para fazer as ligações necessárias e averiguar a segurança do perímetro e Sam o acompanhou trocando um olhar terno com Fairchild, repousando discretamente a sua mão sobre o ombro dela.
Ela estava perdida em sua mente. Apenas assentiu, mas não se sentia bem. Estava enjoada, alguns machucados começavam a doer, a sua cabeça latejava em pontadas e o embargo acido em sua garganta parecia prestes a derreter a qualquer instante. Willa e Bucky estavam a sós pela primeira vez, após todo o caos. Ele ainda se encontrava sentado na cadeira, às costas curvadas e os dedos fincados em seus cabelos castanhos escuros. E ali estava ela, Willa, quem sempre era o seu sol, completamente desolada, apoiada na parede com seu rosto abaixado e as mãos em seu rosto. Ela só conseguia pensar naquele psicólogo dizendo o seu nome...
Riddle Riddle Riddle.
Era como um eclipse diante dos olhos de James Barnes.
Ela queria gritar, mas apenas bateu os nós dos dedos na parede. Respirou pesadamente, com um olhar conflituoso para seu entorno. Seus olhos estavam vazando lágrimas e o seu coração estava se destruindo lenta e corroidamente.
— Me desculpe.
O olhar de Bucky era incerto sobre Willa. Ele entenderia se ela partisse, se ela lhe olhasse decepcionada e mandasse ele ficar longe dela. Ele compreenderia e a obedeceria, pois ele concordava com isso. Ele não merecia o seu carinho, ele nunca mereceu a sua ternura e não merecia os seus sentimentos. Ele lutou tanto para não demonstrar os seus sentimentos. Batalhou contra si mesmo para não demonstrar os seus sentimentos por ela. Toda vez que ela era afetuosa, ele buscava ser distante. Quando ela mostrava não ter medo de si, e sim interesse em suas histórias dos anos 40, ele evitava sorrir. E quando ela simplesmente ficava com ele, após um terror noturno ou simplesmente um momento de introspecção, ela estava lá, para conceder um sorriso, um discman com um cd ou apenas sua presença. Até aí, Bucky se sentia um Deus por ser capaz de controlar as suas emoções ao ponto de não apenas aos olhos dela, mas de todos, ele parecer distante e desinteressado a existência de Willa, até que ela lhe chamava de James. Havia doçura, gentileza, carinho, pesar, respeito por trás do sutil modo dela proferir o seu nome. Ele derretia ao escutá-la. Ela chamava por ele e era como se ele... Pudesse se ver através dos olhos dela. Era como se ele pudesse ser James Buchanan Barnes.
Ele bem tentou fazê-la desistir de chamá-lo de James incontáveis vezes, mas ela era teimosa e insistia em chamá-lo assim sem saber o que causava nele. E ele desconfiava que ela desconhecia o poder sobre si, o que tornava o seu sentimento por ela apenas mais intenso. Maldita Willa! Porque ela não podia ser distante e fria como a lua, e não intensa e quente como o sol.
Ela não o manipulava, ela não buscava seduzi-lo. Ela não sabia. Ela não sabia o que significava para ele. As pessoas lhe olhavam e vinham através de si, vinham a sombra de um homem. Willa o via. Quando outro o chamava por James não era a mesma coisa. Ele se perdia em sua identidade. Não era a toa que ele insistiu por ser chamado de Bucky por aquele psicólogo, ele não queria ter o James estragado por outros lábios. Ele queria ter unicamente a voz de Willa apenas com o seu nome. Não era a toa que ele perdia completamente o senso do certo e errado, quando ela lhe chamava por seu nome... Ela tinha um poder sobre si e ele desejava com todas as suas fibras que tal poder fosse tão poderoso quanto aquelas coisas em sua mente, colocadas pela Hidra. Mas não funcionou... Ele lembrava de ouvi-la chamá-lo, mas ele continuou a atacá-la, repetidamente. Se não tivesse sido por Steve...
Willa secou as lágrimas irrompendo dos seus olhos, sentindo a água salgada arder num dos seus cortes e os seus lábios estavam abertos em incompreensão às palavras de Bucky.
— Por quê?
— Por tudo isso. – Ele proferiu rouco com os antebraços repousados sobre as coxas, não tendo coragem de olhá-la.
— Não é sua culpa. – Ela respondeu num suspiro passando as costas das mãos nos olhos, se livrando daquelas lágrimas.
— Você é boa demais para mim. – Ele proferiu num suspiro abafado por uma risada, lançando rapidamente um olhar com choque marcando o seu semblante e olhar cheio de lágrimas a ela. Ela estava despedaçada diante de si. Ferida, pesarosa, desolada. Ele arrancou o sol de si e acabou por transformá-la na lua, que ele sempre, desejou que ela fosse. – Eu sinto muito por você ter vivido isso, me visto assim. Eu tentei evitar, eu fui embora para te proteger disso... Eu juro, quando ele falou aquelas palavras, eu lutei contra, cada uma delas, mas é mais forte do que eu...
— Eu sei. – Ela respondeu num embargo de sua voz, permitindo que algumas lágrimas corressem pela sua bochecha. – Mas não é a sua culpa.
— E mesmo assim, eu fiz aquelas coisas e eu aceito a responsabilidade por elas, mas eu sinto muito. – Bucky proferiu com pesar e dor. – A única coisa que eu consigo ver em minha mente é em como eu estava empenhado em matar você. É quase como se ele, o soldado, soubesse que você é a única coisa boa em mim. – Por fim, ele proferiu assombrado. — Eu poderia ter te matado.
— Mas você não me matou. – Willa afirmou resoluta.
— Eu não quero ter que viver com esse pensamento constante, me sentindo grato por não ter te matado, quando eu deveria nunca ter que pensar em algo assim. – Bucky proferiu crispando os lábios com realização marcando o seu semblante.
— É exatamente isso que aquele médico maluco quer. – Willa franziu o cenho com a sua voz embargada. — Desestruturar o grupo. Nos dividir para então, nos destruir.
— Ele apenas apertou o gatilho da bomba que eu poderia ter contido, mas não fiz. – Bucky respondeu sombriamente.
— Não faz isso. – Bucky não falou nada. Ela sentia em seu coração o caminho perigoso ao qual Bucky estava planejando adentrar. Sem ela. – Ele sabe sobre o meu passado e isso me apavora. – Ela proferiu deixando um lamento escapar dos seus lábios. — Eu preciso de você agora. – Ela sussurrou, repousando a mão nos lábios para abafar o seu choro e pendeu a cabeça, olhando para o chão destruído pelo descuido e tempo. Aquilo não podia estar acontecendo com eles. Não agora.
— Você é a pessoa mais corajosa que eu conheço, Willa. – Bucky sussurrou com um afeto tão puro que Willa sacudiu seus ombros numa risada sem humor e lágrimas descendo pelo seu rosto. — Você ainda vai mudar o mundo, sabia? – Ela levantou o seu olhar para o sargento, franzindo o seu nariz com uma duvida corroendo o seu coração. Ela não se importava em mudar o mundo, naquele instante, isso estava longe de ser uma prioridade. — Ao menos o meu, você mudou.
— Eu te adoro. – Ela fungou o nariz franzindo o seu cenho para buscar conter aquele embargo com dor consumindo seu semblante.
— Nós não podemos estar juntos. – Bucky respondeu num suspiro, com medo marcando o seu rosto e a dor desaguando em seus olhos. — Vai embora, Willa. – Ele sussurrou tal pedido pesaroso. — Vai embora enquanto você tem uma chance de escapar desse caos. – Ele engoliu em seco, respirando fundo com seus lábios tremendo pesadamente.
— Não faz isso. – Ela pediu sentindo os seus olhos embaçarem por conta de suas lágrimas e seu coração pesou contra seu peito lhe obrigando a repousar a sua mão ali. — Não me manda embora... – Como Stone fez, como Jessica. E agora ele.
— Eu sinto muito, Willa. – E ele sentia. Seus sentidos aguçados lhe revelaram isso, a dor em suas palavras, o medo em seu olhar, à realização de que não havia um futuro entre eles. E as suas palavras... Doía-lhe, lhe consumia, lhe destruía, mas ele quis proferir cada uma delas. Ele escolheu deixá-la ir e Willa não podia lutar contra o seu desejo de ser livre dela.
— Eu não, James. – Ela revelou secando a lágrima com a ponta dos seus dedos. Ela engoliu o choro e com um triste e discreto sorriso, lutando contra o desejo de lutar contra a sua decisão e de abraçá-lo, ela o deixou sozinho naquela sala abandonada.
E foi essa a primeira vez em que o seu nome nos lábios dela soou como um adeus nos ouvidos de Bucky.
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