Born to Die | Exile
11 Born to Die | The Funeral of Carmen
Notas iniciais
T H E F U N E R A L O F C A R M E N
a song to Peggy Carter
The Funeral, Band of Horses
I'm coming up only to show you down for/I'm coming up only to show you wrong/To the outside, the dead leaves, they all blow/For'e they died had trees to hang their hope/At every occasion I will be ready for the funeral.
Carmen, Lana del Rey
Mon amour, je sais que tu m'aimes aussi/Tu as besoin de moi/Tu as besoin de moi dans ta vie/Tu ne peux plus vivre sans moi/Et je mourrais sans toi/Je tuerais pour toi.
O plano era simples: Dentro do aeroporto, eles eram estranhos.
Eles pegaram a fila do controle de segurança um seguido do outro e com uma ajudinha dos dons de Wanda, coisas bobas como o escudo do Capitão, as asas do Falcão, as armas letais de Willa, a roupa do Homem Formiga e o braço metálico de Bucky passaram despercebidos aos olhos dos seguranças. Era inacreditável como o maior problema para aquela viagem, acabou sendo resolvido facilmente graças a Wanda e tornou-se o menor das preocupações para o grupo.
Wanda e Clint aguardavam a chamada de seu voo sentados nos bancos a frente do portão de sua partida. Ela usava um boné e mantinha um olhar atento ao seu arredor, como se esperava alguém. Por sua vez, três bancos de distância, Clint estava sentado com o cotovelo apoiado em seu joelho. Bucky estava longe do alcance dos olhares.
Há dois portões de distância Scott encontrava-se encostado a parede, com um gorro e conferindo algumas mensagens de Cassie. Sua pequena estava viciada em gravar vídeos e tirar fotos de tudo e todos. Era uma gracinha.
Steve e Sam estavam na bancada da cafeteria. Lado a lado, bebiam um café e trocavam algumas palavras sem chamar a atenção do público. O voo deles era o último a sair, o que era ótimo, pois assim eles podiam garantir a segurança da partida de seus amigos.
Willa arrumou o seu boné, deixando a bancada da cafeteria após tomar um café e comprar um Snickers e dois pacotinhos de Skittles para a viagem, enfiando na mochila e seguindo para o portão G onde o avião para Londres partiria. Mas tal travessia não se concluiu, pois uma mão agarrou o seu pulso e ela foi puxada para trás de uma pilastra, pressionada contra a parede e por alguns centímetros, seu punho livre quase encontrou o rosto de Bucky.
— Bom saber que você está sempre pronta. – Bucky sussurrou rouco por conta de estar em silêncio. Ele manteve seu corpo contra o dela, como se estivesse a abraçá-la, e assim buscando protegê-la de ser reconhecida por algum bisbilhoteiro, olhando discretamente por sobre o ombro, percebendo que eles não atraíram a atenção alheia.
— Ainda tinha duvidas? – Ela perguntou arqueando as sobrancelhas sugestivamente e sentindo o aperto em seu pulso suavizar e suas mãos lenta e carinhosamente encontrarem um enlace. Willa não deixou de notar que a mão metálica de Bucky mantinha-se imperceptível por conta do seu casaco e sua mão escondida no bolso. Ela pareceu perder momentaneamente o ar quando encontrou o olhar penetrante de Bucky em seu rosto. Eles estavam tão próximos.
— É bom ter certeza. – Ele sussurrou, sentindo o toque de Willa apertar em sua cintura, num abraço confortável e ele a sentiu repousar carinhosamente seu rosto no seu peito.
— Nós não deveríamos estar juntos. – Ela sussurrou, escutando um grunhido ressoar do peito de Bucky, o que a fez rir. – Então, você lembra? – Ela ergueu os seus olhos, encontrando a fisionomia sisuda de Bucky inspecionando o aeroporto com desconfiança. — Nós deveríamos, supostamente, passar despercebidos.
— Ninguém vai prestar atenção num mendigo de mochila e na garota de boné. – Ele rebateu com um sorriso de escárnio.
— Eu prestaria. – Ela sussurrou deixando os seus dedos massagearem a base das costas de Bucky e ele lançou-lhe um olhar encantador.
— Porque você é uma abelhuda. – Sua resposta sarcástica arrancou uma risada de Willa. Bucky poderia se perder na musicalidade daquele som, na beleza por trás da fisionomia de Fairchild. A repentina aproximação de um casal fez Bucky abaixar o seu rosto, enterrando e escondendo a fisionomia dela em seu pescoço, sentindo o seu corpo arrepiar por conta da aproximação entre eles.
— Muito obrigada. – Willa sussurrou tal resposta próximo ao seu ouvido com o ar engasgado em sua garganta, mas aquele seu risinho exasperado escapando dos seus lábios.
— De nada e não foi um elogio, boneca. – Bucky não conseguiu esconder a confusão de sentimentos lhe atormentando ali, naquele breve instante.
Bem no inicio de toda sua relação com Willa, ele poderia jurar que o que ele sentia por ela era apenas uma atração oriunda de quase oitenta anos sem ter uma relação amorosa. Ela era bonita, atraente, inteligente e sensual. Ele não podia negar, ela era capaz de enlouquecer um homem com o seu caminhar. E o tempo passou e os monólogos de Willa com ele, começaram a se tornar conversas onde ele respondia monossilábicas até que, se sentiu tão confortável com ela que começou a conversar sobre coisas e sentimentos com ela que nem com Steve ele se atrevera a falar. Então aquilo lhe atingiu como uma bala. Em algum momento, ele começou a gostar dela. Ele não sabia se foi quando eles conversaram sobre os seus medos ou quando ela pacientemente lhe ensinou a preparar café na tal da cafeteira, mas ele começou a sentir sentimentos por ela. Sentimentos fortes que lhe faziam acordar pensando nela, passar o dia enterrado em suas memórias, mas era apenas ela surgir diante de si e ele queria desvendá-la.
Ao seu lado, ele sentia pertencer a algo. Ele sentia-se livre. Ele sentia-se capaz de acreditar numa vida que valeria apena viver. Ele se sentia muito mais aquele velho Bucky. Ele descobria ser capaz de ser feliz novamente. Isso podia funcionar. O que ele sentia por ela era algo inesperado, que ele claramente não merecia, perigoso, mas ao mesmo tempo, tentador para rejeitar e não permitir-se sentir aquilo. Então, ele lembrava de quem ele era, o que ele representava, o que ele podia fazer. Não existia um presente, muito menos um futuro para ele, nem para eles. E mesmo assim, duas pessoas destinadas a não se conhecer, acabam por se encontrar o amor onde eles menos esperavam encontrar, bem a frente deles.
— Porque você está rindo? – Willa se afastou minimamente de seu ombro, admirando o seu rosto com aquele belo sorriso aliviando o semblante de Bucky e ele admirou a duvida marcada no franzido do seu cenho.
— Por um segundo achei que você não queria que os seus amigos nos visse juntos. – Ele revelou semicerrando um pouco os seus olhos com um discreto corar tingindo suas bochechas.
— Eu não me importo se eles nos vir juntos... – Ela murmurou dando de ombros, então com suspeita, ela lançou um olhar analisador sobre Bucky. — Você se importa?
— Eu me importo se você se importar. – Ele respondeu no ato, arregalando minimamente os seus olhos azuis acinzentados e o corado em suas bochechas aumentou claramente quando Fairchild deixou sua mão tocar o seu rosto e acarinhando sua pele e a barba para fazer arranhar a ponta dos seus dedos.
— Eu não me importo. – Ela respondeu resoluta com os seus olhos conectados.
— Então eu não dou à mínima. – Ele sorriu contido com aquele seu charme proveniente dos Anos 40, arrancando uma gostosa risada de Willa. — Tudo bem. Eu me importo um pouco, por que... – Isso desmanchou o sorriso dos seus lábios e ela manteve os seus olhos hipnotizados em sua figura, com preocupação. — Eu sou procurado. – Ele revelou áspero, lançando um olhar por sobre seus ombros, desconfiado. Então, olhou-a com aquela particular suavidade que ele conquistava apenas com Willa. — Se a Hidra ou o governo descobrir o seu envolvimento comigo, eu não quero nem pensar no que eles são capazes de fazer contigo, o que as pessoas pensarão de você, seus amigos, ou pior...
— James, não pensa nisso. – Isso o despertou de seus pensamentos. Bucky voltou a olhá-la nos olhos e crispou os lábios. O jeito que ela chamava o seu nome, tinha tanto sentimento, tanto carinho, tanto amor. Os seus sentimentos por ele nunca estiveram tão claros aos olhos de Bucky. — Se acontecer algo assim, nós vamos dar um jeito. – Ela buscou tranquilizá-lo, mas ele meneou a cabeça em negativa. Ela não entendia o poder da Hidra. Não existia um jeito contra a Hidra, existia apenas uma vida regada de desconfianças, medos e sobrevivência. — Sempre há um jeito para o irremediável.
— Quem dizia isso? – Bucky questionou arqueando uma sobrancelha. Ele estava começando a se acostumar com Willa e a sua capacidade de referenciar um autor ou um filme a cada dez minutos.
— Eu. – Ela apontou para si com um largo sorriso e Bucky riu baixo, contido. — E funciona. – Willa respondeu com confiança, deixando os seus dedos trilharem um caminho sob o peito dele, até os seus olhos reencontrarem e ela sorriu. — No mais, não duvide disso: Eu não tenho vergonha de você, muito menos dos meus sentimentos. – Ela revelou e Bucky abaixou o seu rosto, crispando os lábios num sorriso. Ela não lia mentes, mas por deus, ela era infalível lendo corações. — Por você. – Surpreendido Bucky engoliu em seco, com os seus lábios crispados meneando a cabeça em negativa.
— Eu não sou bom para você. – Ele proferiu com dureza e Willa o olhou levemente descrente.
— Se eu quisesse um bom garoto católico, eu teria um, Sargento. – Ela respondeu com um sorriso charmoso e Bucky soltou o ar, sentindo como aquelas palavras brincaram com o seu intimo, mas o peso da realidade não permitiu que tais sentimentos se aflorassem.
— Eu falo sério. – Willa empertigou sua postura, odiando como Bucky se autodepreciou diante de si, como se ele não merecesse tê-la ao seu lado, quando Willa sabia muito bem que isso não era verdade, mas ela entendia. Bucky estava perdido em suas lembranças, em seu passado como Bucky, como soldado invernal. Se ela estivesse em seu lugar, ela também não conferia em suas emoções, ela também não sentiria merecedora do carinho de Steve, dos seus amigos e de alguém, como ela.
— Eu pareço estar brincando? – Ela questionou ríspida, inclinando o seu rosto com um olhar inquisitivo no rosto endurecido de Bucky. — Eu decido o que é bom para mim. – Ela proferiu resoluta e tais palavras causaram um novo rebuliço no Sargento que levantou o seu rosto e respirou profundamente, encarando Willa com um novo sentimento crescendo em seu coração. — Eu gosto de você. Ponto. – Ela não tinha ideia de como ele precisava ouvir a verdade. — Não existem motivos para ter vergonha desse sentimento. E se alguém quiser me julgar por isso, seja meu amigo ou algum parasita do governo, tanto faz, eu não ligo. É a minha vida, é a nossa vida. – Ela proferiu repousando carinhosamente suas mãos no rosto de Bucky e ele fechou os olhos, aproveitando a sensação por trás daquele carinho afetuoso. Como ele sentiria falta disso! — Não sei como, quando e porque comecei a gostar, mas eu gosto de você e eu não vou abrir mão desse sentimento. Mesmo que você não faça bem o meu tipo... – Ela sorriu no canto dos seus lábios, lutando para reprimir um sorriso.
— E qual é o seu tipo? – Bucky questionou franzindo o cenho com uma leve desconfiança.
— Loiros. Altos. Cavalheiros. Musculosos. – Bucky trocou o peso do seu corpo de um pé a outro, admirando e meneando a cabeça para Willa. — Com a letra S no nome. – E ela sorriu sapeca, arqueando uma sobrancelha com charme. – Você conhece alguém que corresponde a essas especificações? – Ela mordeu a ponta do polegar lançando um olhar inocente a James.
— Fica longe do Steve. – Bucky trovejou trazendo ela com possessividade para a sua posse e ela riu, alegre por ter conquistado o que buscava com a sua tentativa de ciúme: um sorriso de Bucky.
— Uh, toquei num nervo. – Ela implicou com um biquinho em seus lábios.
— Só estou protegendo minha melhor garota. – Bucky sorriu discreto, depositando carinhosamente um beijo rápido nos lábios de Fairchild. — Posso te pedir um favor?
— Claro.
— Cuida do Steve por mim.
— Vai ser um pouco difícil, já que você me quer longe dele. – Ela brincou e Bucky riu discreto. – Estou brincando, só pelo prazer de te ver sorrindo. – Ela comentou, passando gentil e carinhosamente os seus dedos nas mechas dos cabelos castanhos escuros de Bucky.
— Ele pode parecer estar reagindo bem a tudo isso, mas... Ele é um bom enganador, tão bom que engana a si mesmo. Sempre foi assim. – E sempre seria e por algum motivo, Bucky sentiu um conforto com tal pensamento. Algumas coisas jamais mudariam. — Quando Sarah, a mãe dele, ficou doente, Steve me dizia que estava tudo bem em casa e eu sabia que ele estava mentindo para mim. Ele precisava comprar remédios, se preocupar com a alimentação especifica dela, mais as contas e aluguel... Eram tempos difíceis aqueles. Mas mesmo assim, ele não me contava. Ele nunca quis me deixar preocupado com isso. Se eu não desse o meu jeito, Steve passaria fome. – Bucky contou com saudosismo por aquela época e satisfação por ter tal memória em sua mente. De certa forma, um sempre buscou estar lá pelo outro, não importando a situação.
— Ele nunca me contou isso.
— Nem nunca vai contar. – Bucky meneou a cabeça em negativa com um sorriso contido. — Porque ele é bom demais para contar sobre os momentos difíceis dele...
— Só se tiver um discurso de Capitão América como motivo para tal coisa. – Willa brincou espirituosa e Bucky assentiu.
— Você pegou o espírito da coisa. – Ele sorriu e Willa se perdeu momentaneamente em tal visão.
— Somos amigos há um tempo, estou ficando perita em seus discursos. – Ela completou buscando ganhar tempo escaneando o aeroporto com os seus olhos e concentrando os seus sentidos nas batidas de coração de Bucky, e a calma e certeza por trás de cada batida apenas a confundiu, e sua mente raciocinava o que se passava ali. — Mas, não entendo porque você está me pedindo isso...
— Nós não tivemos uma boa experiência na primeira vez em que nos separamos e eu não tive oportunidade de dizer tudo o que queria... – O coração dele acelerou um pouco forte e ansioso demais ao revelar tais sentimentos através do sussurro em suas palavras.
— Parte culpa do Clint. – Ela o lembrou e Bucky inclinou o rosto, lembrando de Clint entrando na van sem anunciar sua presença antes e com certeza, aquilo matara o clima entre eles.
— Não, foi culpa minha. – Ele negou com a cabeça segurando a mão dela e enlaçando os seus dedos. — Eu não estava pronto.
— E agora está... – Não era uma pergunta, era uma certeza. Eles estavam prontos.
Bucky lentamente ergue a mão de Willa e beija as costas de sua mão, levantando o seu olhar a ela assistindo um sorriso tímido e encantador desenhar os lábios de Fairchild. Ele podia jurar que de algum modo, ele era capaz de ouvir o coração dela retumbando contra o seu peito. Não muito diferente de como o seu coração batia por ela.
— Eu estou. – Ele confirmou, reaproximando de si e repousando sua mão no rosto de Willa. — Mas eu, definitivamente não estou pronto, para me despedir dos seus lindos olhos azuis...
— Eu queria que você pudesse ir conosco. – Ela confessou repuxando o canto dos seus lábios, desagradada por não ser uma possibilidade. — Você merecia se despedir da Peggy.
— Steve fará isso por mim. – Bucky proferiu com confiança. Ele estava certo disso e também, de que o que ele tinha que fazer era o certo pelo seu amigo, por Willa e os seus amigos. Ele não podia recuar em tal decisão, mas estava tornando-se um desafio tornar isso uma possibilidade. Ele deixou os seus dedos percorrem delicadamente o rosto de Willa, admirando os detalhes por trás de suas bochechas repletas de sardas, o seu nariz arrebitado, os lábios desenhado, o queixo com um furinho...
— O que foi? – Ela perguntou com um olhar curioso sobre si.
— Nada, só... Memorizando. – Ele repuxou o canto dos lábios e Willa suspirou, sendo atingida em cheio por tais palavras e o significado por trás daquela simples e contida ação de Bucky. Aquilo significava tanto para ele e para ela também. Ela imitou o seu gesto, com um riso frouxo, sentindo suas bochechas aquecerem com o olhar de Bucky, por conta de seu toque gentil e como ele dava um jeito para beijar a sua bochecha, arrepiando a sua pele. Ela nunca se sentiu tão completa na companhia de alguém, como ela se sentia com Bucky. Não existia sentimento mais puro do que ela sentia ao estar nos braços de Bucky.
— Espera, me esqueci disso... – Willa teve um estalo em sua mente. Como ela não tinha esquecido disso! — Toma. Fica com o meu boné. – Ela retira o seu boné preto e coloca em Bucky deixando bem abaixado para esconder o seu rosto. – Não encontrei um para você, então fica com o meu. – Bucky protestou, mas ela desconversou e ele resolveu não discutir com uma teimosa, assistindo-a arrumar os cabelos para o lado, o que ajudava para encobrir parte de seu rosto. — De acordo com o Steve: boné e óculos são um disfarce perfeito.— Ela debochou arqueando as sobrancelhas.
— E você discorda disso. – Bucky resmungou levantando o seu queixo, assim vendo Willa com os seus enormes olhos azuis esbugalhados.
— Fortemente. – Ela respondeu com um aceno resoluto. – Eu sou uma Shinobi, o melhor disfarce é a escuridão.
— Então você não vai precisar de um...? – Ele apontou para o boné.
— Não. – Ela gesticulou em negativa, franzindo o nariz. — Normalmente ninguém presta atenção em mim quando estou escoltada por Rogers e Wilson.
— Duvido muito disso. – Ele respondeu envolvendo o seu braço em sua cintura, trazendo para perto de si.
— Vamos concordar em discordar sobre isso. – Willa rebateu mordendo o lábio com um sorriso sapeca crescente em seus lábios.
Bucky sorriu, concordando e se aproximou lentamente passando a língua em seus lábios, conectando os seus lábios. O beijo iniciou calmo e aos poucos eles desbravaram suas emoções naquele instante. Willa buscava suprir a falta que sentiria dele e Bucky apaixonado, buscou despedir-se dela.
— Eu quero que você saiba que eu vou sentir sua falta. – Todos os dias.
— Eu vou sentir sua falta também. – Ela sussurrou com um doce e discreto sorriso. — Você é o único que sabe preparar o meu café certo. – Ela brincou com charme.
— Ah, então você vai sentir minha falta só pelo café? – Ele cutucou o ombro dela, deixando os seus lábios beijarem sua bochecha. — Isso é decepcionante. – Ele sussurrou fingindo desapontamento.
— É claro que existem outros motivos, mas não direi nada sobre eles. – Ela implicou dramatizando a sua superioridade. — Gosto de manter o mistério.
— Eu gosto de você, Willa. – Ele confessou e Willa foi pega de surpresa, deixando um sorriso tímido escapar dos seus lábios.
— Que bom. – Ela suspirou aliviada. — Odiaria que esse sentimento fosse platônico.
— Vou sentir falta desse sorriso. – Ele ergueu o seu queixo para a altura do seu rosto.
— Porque você está falando como se fosse à última vez que fossemos nos ver? – Willa questionou franzindo a sua sobrancelha e empertigando a sua postura olhando Bucky com desconfiança.
— Só... Estou um pouco inseguro quanto a essa viagem, por causa do que houve na última... – Ele meneou a cabeça deixando um riso nervoso escapar dos seus lábios e Fairchild tocou o seu carinho, confortando-lhe.
— Nós nos veremos em poucos dias. Vai ficar tudo bem, Buck.
— Vai.
Agora vai.
Eles se beijaram, com um equilíbrio invejável entre a paixão e o carinho. Até que o som de alguém pigarreando discretamente, desconcentra o casal que, discretamente se separam, encontrando e encarando quem teve a audácia de atrapalhá-los. Steve. Claramente envergonhado por pegar os amigos no flagra. Os amigos. Ele conteve um sorriso. As suas bochechas levemente coradas e a mão coçando sua nuca destacavam bem o seu embaraço por ter interrompido tal momento, todavia ele tinha um sorriso maroto desenhando o canto dos seus lábios, notado por Bucky. É, algumas coisas realmente não mudam.
— Desculpa atrapalhar, mas anunciaram o seu voo, Bucky. – Steve avisou num sussurro contido e discreto, apoiando as costas contra a pilastra e lendo um jornal, com os seus olhos passeando das notícias ao perímetro.
— Eu não ouvi. – Bucky resmungou, arrumando a aba do boné e trocando um olhar com Willa que sacudiu os ombros. Naquele instante, ela não estava em situação de ouvir nada além do seu coração.
— Percebi. – Steve rebateu com sarcasmo e sentiu o olhar de poucos amigos de Bucky queimar a sua nuca.
— Tenho que ir. – Bucky sussurrou para Willa e ela concordou, franzindo o nariz por estar bem desgostosa com a ideia de ter que se despedir dele. Ela nem imaginava o rebuliço em Bucky por conta disso. Então, como um band aid, ela resolveu acabar com isso num puxão.
Bucky sabia que seria difícil e Willa não tornou mais fácil ao puxá-lo para si e capturar os lábios dele num beijo casto, mas apaixonado e retribuído com a mesma intensidade. Eles se olharam. Eles suspiraram. Ele partiu. Bucky não atreveu prolongar aquele momento e partiu, sendo assistido pelos olhares discretos de Fairchild e Steve.
Ela não moveu da pilastra e de soslaio, olhou o soldado com um sorriso sapeca e encantado, sabendo bem o que encontraria. Pegando-o no flagra, ela encontrou Rogers olhando-a com um sorriso contido no canto dos seus lábios e Willa sustentou o olhar deixando um sorriso maior e tímido desenhar os seus lábios, com a evidente satisfação transcendendo em seu semblante. Como um irmão mais velho, ele sabia; ele sempre desconfiou. E ele não podia estar mais feliz, por estar certo. Não havia nada a ser dito, ao menos não entre eles. Ele entendeu e ela estava feliz por vê-lo mostrar satisfação por tal descoberta.
— Pelo amor de Deus!— Sam parou a poucos passos da pilastra sem deferir um olhar a eles, conferindo fingidamente o seu celular com o rosto escondido por um óculos grande e ridículo, caso o boné vermelho não ajudasse em tapar a sua fisionomia. — Dá para vocês seguirem com o plano e fingirem que não se conhecem? – Ele resmungou, enfiando o celular no bolso do casaco e lançou rapidamente um olhar superior a Steve e Willa. – Inacreditável! Eu tenho que fazer tudo certo por aqui!
Steve e Willa trocaram um olhar convicto da ilusão de Sam, mas apenas deixaram essa passar e seguiram para caminhos opostos, para o portão deles. Todavia, antes, Willa deferiu um olhar para o portão onde os passageiros para Nova York seguiam. O relance de Wanda foi captado pelos seus olhos e ela continuou a olhar com uma estranha sensação acometendo o seu coração. Fairchild retornou a sua caminhada, deixando tal sentimento morrer lentamente.
Willa não era fã de igrejas. Isso tinha alguma relação com a sua família. Quando ela era criança frequentava semanalmente a igreja. Sua mãe era uma católica fervorosa e o seu pai era representante da comunidade na paróquia. Com isso, Willa e Oliver, seu irmão mais velho, acabar por ser integrantes do coral, participavam do catecismo, rezavam antes da refeição e de dormir e eram conhecedores da bíblia de trás para frente. Depois que sua família morreu, ela e Deus brigaram e hoje, eram apenas conhecidos ressentidos. Se ela tivesse que conversar com ele, ela não saberia nem como iniciar tal conversa. Talvez com um ‘eu aprecio o seu trabalho, mesmo que você não tenha mostrado muito interesse por mim’. Em parte era rancor. Que Deus era esse que a abandonou, matou sua família, a entregou para traficantes para ser vendida como escrava, como prostituta? Ela não fugiu de tal destino com sua ajuda. Foi ela. Sozinha. Entregando a sua alma ao diabo e queimando todos aqueles homens ruins e os seus clientes naquele casebre velho em algum lugar abandonado da China. Ela viveu na floresta, ela encontrou a Casta, ela é quem é por ela. Não houve sorte. Não houve Deus. Houve apenas ela. Por baixo de seu sorriso espontâneo e positividade exacerbada, Willa era rancorosa. Com Deus, com Stone, com Elektra, com Trish, com Tony, com ela mesma.
Então, quando Fairchild ouvia sobre Deus e sua igreja, ela não conseguia esconder o seu sorriso de escárnio em seu coração pesado de rancor e descrença. Ela demorou muito para se considerar Budista, por medo de ver em Buda um representante de sua crença e destino. E Thor? Coitado, por um bom tempo, ela pegou pesadíssimo com ele. A sua existência comprovava que o Deus, da bíblia, existia? A sua existência provava, que ela, era uma amaldiçoada e por isso o seu Deus, terreno, lhe abandonou, por ela não valer o seu esforço? Ou talvez, a sua existência era apenas uma comprovação que o Deus, da terra estava aqui e Willa com suas perdas, rancor e tristeza não sabia mais identificá-lo em sua vida? Thor era a representação de um delicado prisma de sentimentos, aos quais Willa buscava fugir de sentir, mas a cada novo dia, parecia ser levada diretamente a reaproximar-se de tal crença. Estar dentro daquela igreja apenas despertava tal sentimento. Ela precisava voltar a simplesmente, acreditar. Para alguém temente do diabo, Willa tinha uma dificuldade imensa de acreditar num Deus. Talvez por isso lhe tenha sido abdicado o seu dom de trazer a vida. Como alguém que não acredita em Deus, pode ser capaz de salvar uma vida do seu enlace eterno com a morte? Era injusto. Pietro não tinha culpa que ela tinha um coração danificado e era rancorosa com o todo poderoso. E novamente, Willa se pegou pensando com rancor, que Deus permitiria isso, que Deus optaria por punir um filho, por culpa da descrença do outro? Que espécie de lição é essa em forma de punição? Willa não entendia. E talvez, não fosse para entender, e sim só, acreditar.
Eram tempos difíceis para crentes.
Era assim? Um enterro. Willa nunca foi a um e, honestamente, ela não sabia sequer como se comportar. Então, ela imitava Sam, mas não conseguia esconder o seu curioso e discreto olhar para a igreja britânica lotada até o último espaço do banco. Pessoas vestindo roupas finas, sóbrias, em preto. Cabeças abaixadas, olhos vermelhos, inexpressivos ou copiosamente chorando. Assistir a travessia de Steve carregando o caixão de Peggy com auxílio de outros homens emocionou Willa. Na igreja havia uma bela foto da jovem, bela e determinada Peggy Carter. No palanque alguns conhecidos discursaram contaram histórias ao lado da grande mulher por trás da agente ou apenas da tia Peggy, como dividido por Sharon, de longe o discurso mais belo e também o mais inspirador naquela manhã. Em algum momento entre os discursos, Willa sentiu uma presença conhecida entre os convidados. Sobre seu ombro, ela deferiu um olhar cuidadoso no lugar, encontrando numa das últimas fileiras a presença discreta de Natasha. Seus olhos se encontraram como se a russa estivesse esperando por ser percebida pela americana e momentânea, elas trocaram um olhar significado e Willa retornou sua atenção a frente, não atraindo a atenção dos rapazes para a sua descoberta.
Quando a cerimônia acabou, alguns convidados prestaram suas últimas homenagens a Peggy. Willa assistiu os convidados darem seus pêsames a Sharon e a outros conhecidos próximos de Carter, incluindo Steve. Willa e Sam deram os seus pêsames a Sharon com discrição e poucas palavras. Fairchild não sentiu intimidade para abraçar Sharon, temeu que ela sentisse que ela estaria a invadir sua privacidade. Todavia lhe entregou uma rosa vermelha, a qual ela colocaria no tumulo, mas ela achou a flor bonita demais para ser enterrada quando ela podia trazer maior felicidade ainda aqui. Sharon sorriu com tal lembrança e abraçou Willa por tal gesto. Assim, Willa deixou Steve e Sharon a sós, buscando juntar-se com Sam, mas ao vê-lo ao lado de fora conversando com um casal de militares, ela não quis interferir. De qualquer modo, a brisa lhe trouxe um perfume e ela acabou tendo a sua atenção atraída para uma pequena sala, a leste, com a porta entreaberta. Silenciosamente, Willa adentrou na sala encontrando a mulher ruiva sentada num dos bancos centrais, hipnotizada pelo simples e rústico altar. Por um instante, Willa deu meia volta, agarrando seus dedos a madeira da pesada porta, então travou os seus passos, ao se dar conta que Natasha queria aquilo. Ela estava justamente ali, naquela sala reservada, pois ela sabia que Willa era a única que sabia de sua presença na igreja e ela seria a única capaz de encontrá-la ali, naquela sala.
Fairchild caminhou silenciosamente pelo corredor e ao lado de Natasha, Willa sentou. Cruzando suas pernas, ela arrumou a saia do seu vestido negro e lançou um olhar admirando a decoração da sala de preces.
— Você já foi mais discreta. – Ela sussurrou para a amiga e ela deu o seu sorriso característico, de soslaio, lançando-lhe um olhar discreto.
— Talvez eu esteja perdendo meu jeito. – Sarcástica, Natasha arqueou as sobrancelhas, troncando um singelo olhar com Willa que conteve o seu riso na palma de sua mão.
— Que triste. – Fairchild debochou dramaticamente, recebendo um sorriso contido da russa. — Uma ex-agente russa perdendo o jeito por causa de sentimentos. – Pensativa, ela franziu o cenho, admirando os vitrais da sala de prece recontando a passagem bíblica, Apocalipse. — O que os seus superiores fariam com você por tal erro abominável?
— Matariam os culpados por isso, na minha frente. – Ela respondeu duramente, lançando um olhar cuidadoso a Willa.
— Russos, sempre frios e dramáticos. – Ela comentou com um biquinho em seus lábios.
— O que os seus superiores fariam? – Romanoff rebateu a questão, intrigada.
— Sentimentos atrapalhavam o nosso treinamento Shinobi, por isso, as pessoas envolvidas seriam separadas, definitivamente, como punição. – Willa explicou, trocando um rápido olhar com Natasha e engoliu em seco, relembrando como ela descobriu sobre isso. Ela não queria falar sobre tal experiência e perceptiva, Natasha compreendeu, assentindo. — Nunca saberiam o paradeiro um do outro, só se estivesse em seus destinos se reencontrarem. – Ela concluiu com um contido e triste sorriso. — Não podemos nos importar, Stone diria.
— E você acha os russos frios e dramáticos... – Natasha escarneceu com o seu melhor sorriso animador e Willa mordeu o canto dos lábios, pensativa.
— Sentimentos atrapalham, mas sem eles, o que nos tornamos?
— Acho que nós duas temos a resposta para isso. – Natasha e Willa não eram parecidas. Em nada. Uma era racional, a outra emocional. Uma era delicada e discreta, a outra era expressiva e marcante. Uma vivia no futuro, a outra no presente. Uma era uma diplomata, a outra era pau para toda obra. Uma contida, reprimida e distante, a outra era espontânea, expansiva e presente. Uma temia, mas não se arrependia, a outra se arrependia, mas não temia. Natasha foi arrancada de sua família quando criança e moldada para ser uma assassina mortal, fria e inquebrável, Willa perdeu sua família, foi vendida, moldada, para escapar tornou-se uma assassina e encontrou a Casta, onde foi treinada para ser uma guerreira. Elas eram opostas. As faces distintas de uma moeda. E ali, naquela distinta afirmação proferida por Natasha, elas nunca se encontraram tão iguais.
— O que você está fazendo aqui? – Willa questionou com uma ruguinha de desconfiança marcando pesadamente a sua testa.
— Peggy foi uma grande mulher. – Willa assentiu concordando e Natasha continuou, mantendo as suas mãos entrelaçadas em seu colo, com a sinceridade fluindo de seus lábios. — Para mim, quando entrei na SHIELD, ela foi aos meus olhos, um exemplo do que eu poderia ser se soubesse aproveitar aquela segunda e única chance de recomeçar.
— Acho que ela foi um exemplo para todas nós. – Willa comentou, arqueando uma sobrancelha. — Eu queria ter conhecido ela.
— Como ele está? – Natasha precisou de alguns segundos para questionar Willa. Com os antebraços apoiados no encosto do banco da frente, ela tencionou os ombros, crispando os seus lábios. Essa era uma pergunta com uma resposta complicada.
— Você sabe... Aguentando. – Willa lhe assegurou repousando carinhosamente sua por sobre a dela, num carinho reconfortante. — Ele vai ficar feliz por te ter aqui.
— Eu não sei se devo falar com ele. – Natasha confessou com duvida e Willa lhe lançou um olhar resoluto.
— Acho que você fez uma viagem muito longa para apenas conversar comigo. – Fairchild brincou repuxando um sorriso no canto dos lábios.
— Não se rebaixe tanto assim. – Ela implicou com a amiga, cutucando o seu ombro. — Eu meio que gosto de você.
Willa percebeu o quanto ela sentia falta da sua amiga.
— Como chegamos a isso? – Natasha sabia muito bem do que ela estava a falar e tal questão não afetou o seu semblante.
— Todo começo tem o seu fim, pequena.
— E todo fim tem seu começo. – Nat olhou para Willa arqueando as sobrancelhas, subitamente ela enrugou o seu cenho e escondeu um sorriso crispado e triste. — Nick diria algo assim. Eu queria que as coisas fossem diferentes, Nat. – Willa revelou com um olhar pesaroso sobre a amiga. — Eu não vi isso acontecendo.
— Eu vi. Eu só esperava estar errada. – Ela confessou e Willa meneou a cabeça negativamente, elas. — Como Clint está? – Willa arqueou uma sobrancelha, suspiciosa. — Eu sei que ele retornou para vocês. – Natasha cortou a tensão com uma faca. — Ele é leal, não pensaria duas vezes antes de alertá-los sobre Ross e a Hidra.
— Ele perdeu o amor da vida dele, como você acha que ele está? – Willa rebateu friamente e Natasha assentiu, entendendo bem o sentimento.
— Se vocês não assinarem o acordo, eu temo pelo que Ross decidirá dos seus destinos. – Willa não queria falar disso e a sua postura revelou isso aos olhos da russa: a coluna subitamente empertigada, as mãos espalmadas e alisando suas coxas e sua respiração pesada. — Você acha ruim agora? – Romanoff questionou duramente e Fairchild a olhou em julgamento. — Ele fala em prisão, contenção.
— É por isso que você está aqui? – Isso desestabilizou a postura de Natasha e Willa arqueou uma sobrancelha, soltando um riso de escárnio e bruscamente levantando. — Por um instante eu achei que você estava aqui pelo pouco de carinho e afeição que você poderia ter pelo Steve...
— E é, mas não posso negar que eu também tenho essa esperança tola de que posso conseguir ajudá-los a ver o que vocês estão fazendo e o que acontecerá se vocês não... – Natasha também levantou, seguindo Willa.
— Aceitarmos a proposta insana do Ross? – Willa cortou Natasha girando nos seus saltos e lançando um olhar cético e duro a Romanoff.
— Eu pensava que Steve buscaria um dialogo com Ross sobre isso na sede, mas pela sua postura... – Ela jogou verde...
— E vai... – Apenas para colher frutos estragos. — Isso não quer dizer que minha opinião tenha recuado. – Willa manteve a sua postura e Natasha a analisou, cuidadosamente. — Eu continuo achando isso uma loucura.
— Stark tem razão. – Natasha proferiu e Willa revirou os olhos.
— Você concordando com o Stark só prova como tudo isso é tão errado. – Fairchild gesticulou dramaticamente e Natasha respirou fundo, meneando levemente a sua cabeça em negativa.
— Eu me arrependo por ter dito isso na presença dele, mas... – Ela buscou os olhos de Willa e com tal encontrou, ela aproximou-se com afeto e clara preocupação. — Não posso negar, ele tem razão. Se não aceitarmos isso agora, as Nações Unidas eventualmente, nos obrigarão.
— E não é isso que estão fazendo agora? – Willa reafirmou e Natasha comprimiu os lábios, afastando o seu olhar desgostosa da teimosia da amiga. — Eu entendo o Stark, mas é curioso ele subitamente começar a ver o mundo com uma bandeira branca da paz entre os dedos, depois de ter sido acuado por uma mãe que perdeu seu filho em Sokovia? – Natasha levantou as sobrancelhas, não podendo discordar disso, mas os motivos de cada um não era discutível. — Ele não mudou quando Pietro morreu. – Natasha a olhou. Então, era pessoal? — Ele não mostrou arrependimento por ter criado o Ultron. – É, era bem pessoal. — Bruce mostrou. – E agora, ela pegou pesado com Natasha que mostrou isso, ao olhá-la com um contido e discreto pesar. — Eu não posso apoiar um homem que enxerga apenas o que lhe convém. Agora, eu também entendo Steve. Eu não concordo com esse acordo, nos coibindo de sermos livres em nossas escolhas.
— Você sabe que Steve apenas está tão resoluto em tal decisão por conta do Barnes, não é? – Natasha rebateu semicerrando os seus olhos sobre a postura subitamente, defensiva de Fairchild.
— Isso não tem nada haver com o Bucky. – A sua dureza claramente pesou suas palavras e Natasha franziu o cenho, subitamente suspeitando e estranhando a sua postura. Ela não agiu assim, antes. Isso era novo aos seus olhos. — Isso tem haver com o que é certo. – Ela reconquistou o seu equilíbrio, mas ainda era claro no seu olhar o seu desconforto.
— E o que é certo? – Natasha questionou, sugerindo analise da parte de Willa. — Tornar-se criminosos aos olhos do governo e do mundo?
— Você não entende. – Willa meneou a cabeça negativamente, passando uma das mãos nos cabelos e deferindo alguns passos para trás, pronta para partir dali, com ou sem Natasha.
— E se o Steve concordar com o acordo nessa reunião? – Willa parou de caminhar lhe lançando o seu típico olhar de poucos amigos. — Sua opinião mudaria?
— Não, porque o Steve é o Steve, ele tem os motivos dele para estar desse lado, como eu também. – Agora foi Natasha, ela riu num escárnio e Willa perdeu o seu controle. — Eu quase assinei, Natasha. – Ela proferiu por entre os dentes e Natasha perdeu o sorriso, enrugando o seu cenho com confusão e surpresa marcar a sua feição marcada por dureza. — Eu estava por um triz de assinar, depois de tudo que vivi com o Kilgrave. – Nat suspirou pesadamente, fechando os seus olhos e sentida, por um breve instante acreditar que os sentimentos de Fairchild por Rogers estavam lhe cegando para o certo. — Então me lembrei que um homem não muda a história do mundo, ele precisa de um exercito para conquistar, lutar e construir.
“Lembrei-me do meu treinamento, me lembrei de que eu fui feita para não existir, para cumprir ordens, para matar e ser uma sombra. Eu não nasci para ser um peão e sim a Rainha. Os Vingadores me salvou. Eu era uma Vigilante apenas fazendo justiça com as minhas próprias mãos, então Nick me encontrou e me acolheu e me deu uma direção ao lado de vocês. Existem pessoas com habilidades excepcionais fazendo coisas ruins todos os dias nas ruas, mas eu, você, os Vingadores e os Vigilantes estamos tentando tornar esse mundo um pouquinho melhor, com nossas capacidades extraordinárias um passo de cada vez. Se assinarmos esse acordo, nós vamos destruir algo bom. Nós seremos marionetes dos governos. E não demorará a sermos os caçados e não teremos apenas a Hidra como os predadores atrás de nós, mas o mundo todo. Você pode viver assim novamente, fugindo, com medo de cada rosto na multidão, assustada com os barulhos à noite, não confiando, apenas sobrevivendo?”
— Nós não podemos salvar todo mundo, pequena. – Natasha sussurrou sentida, repousando com cuidado e conforto sua mão sobre o antebraço dela.
— É essa frase que te faz dormir bem à noite? – Willa questionou com pesar. — Por que eu estou farta de ouvir isso! – Ela proferiu duramente, inclinando o seu rosto e olhando para Nat com o seus olhos cheios de lágrima.
— Eu não vou me arrepender daquilo que escapa do meu controle. – Willa meneou a cabeça em negativa e Romanoff não suportou assistir a amiga assim, tão frágil. Ela repousou sua mão no rosto dela e a trouxe para os seus braços, num abraço rápido, porém com afeto. — O que está feito, está feito.
— Então se prepare para se arrepender dessa escolha, pois ela está nas suas mãos agora e ela vai pesar nas suas costas num futuro não muito distante. – Willa proferiu afastando-se lentamente dos braços de Nat, com um olhar felino sobre a amiga que empertigou com um semblante magoado sobre ela.
— Isso é uma promessa?
— É um aviso amigo e se posso te aconselhar algo nessa vida aqui e agora é: Não sou eu quem tem que rever minhas decisões aqui. – Natasha abaixou o seu rosto, lançando um olhar analítico e duro a Willa. — Abra os seus olhos, Natasha. Você não é mais a agente da SHIELD, a assassina da Sala Vermelha ou a sem nome a mando de alguém. Você é Natasha, nossa amiga, nossa parceira, uma vingadora. – Romanoff ergueu o seu rosto e Willa a admirou com um semblante pesaroso. — Se você assinar esse acordo, você não vai estar apenas condenando cada um dos seus amigos a perseguição, controle, tortura e o que for, como você mesma. – Willa arqueou uma sobrancelha. — Você vai querer ter isso na sua consciência ou também não vai se arrepender disso quando colocar seus lindos cabelos ruivos no travesseiro?
— E você, está pronta para carregar em sua consciência a sua decisão? – Natasha rebateu com uma leve malicia venenosa.
— Não. – Natasha repuxou um sorriso no canto dos lábios. — Por que eu estou apavorada, mas eu não vou me acomodar no lado que me dará maior segurança, apenas por estar com medo do nosso destino. – Romanoff enrugou o cenho, lançando um olhar céptico a amiga. — Eu nasci para essa decisão, por isso eu lutarei pelo que acredito, sempre e se tiver que ser o caso, até o meu último suspiro.
Ela não podia lutar por Willa. Não quando ela era uma teimosinha cabeça dura quase tão pior, perigosa e irritante quanto o Steve. Não era a toa que eles eram unha e carne. Natasha respirou fundo. Se isso era alguma provação divina para saber se ela era maternal, ela estava exausta. Willa era uma provação e tanto!
— Me promete que, ao menos, você vai ser prudente e vai seguir o seu instinto de sobrevivência acima da sua teimosia empática e tomará cuidado? – Natasha pediu o seu cenho franzido, seu olhar duro, mas havia aquela leveza preocupada e afetuosa que ela apenas dirigia àqueles que tinham uma (pequena) morada em seu coração.
— Eu vou tentar e você também deveria.
E era nesses momentos, distintos e impares em que Willa e Natasha se sentiam menos sozinhas em seus mundos e se encontravam como uma só face de uma moeda.
Após seguir todos os costumes do velório, Steve acompanhou Sharon, enquanto Sam e Willa resolveram deixá-los ir a frente, discretamente, para ficarem a sós no retorno para o hotel, entre comentários de como eles faziam um casal bonito.
Fazia um dia fresco em Londres e eles optaram por retornar para o hotel a pé.
Em Londres existia essa sensação de que existia uma enorme distância entre um bairro e outro, entretanto, quando colocado em prática, era provado que em poucos minutos, você poderia estar num desconhecido bairro, conhecido uns cinco parques diferentes e admirando, ao menos, dois sebos de livros e algumas dezenas de coffee shop, apenas utilizando de suas pernas. Sam não suportou ficar mais um minuto sem a sua terceira dose de café do dia e após receberem uma negativa ao convite de Steve e Sharon, Sam arrastou uma Willa claramente contrária ao convite para um pequeno e discreto coffee shop, entre uma loja de conveniências e um correio.
— Sabia que ficar encarando o celular não vai fazer com que ele te ligue, não é? – Sam murmurou jogando o quarto saquinho de açúcar na sua xícara.
— Sabia que você vai morrer de diabete se continuar usando essa quantidade desnecessária? – Willa retruncou com um bico nos lábios, afastando os seus olhos do celular sobre a mesa apenas para lhe lançar um olhar semicerrado.
— Para isso existe insulina. – Ele respondeu apoiando o braço sobre a mesa, mexendo em seu café com a colherzinha. – Ok, já chega. Me dá isso aqui! – Ele pegou o celular, mas rápida como uma felina, ela agarrou o aparelho na outra ponta e os dois ficaram segurando o celular, esperando quem seria o primeiro a desistir. — Ei, não rouba o meu bolinho. – Com sua outra mão, Willa surrupiou o bolinho do prato de Sam e ele largou o celular, com uma carranca marcando seu semblante. — Comprei um para você.
— É de nozes. Eu também preciso de algo docinho. – Ela respondeu com a boca cheia, conferindo o visor do celular, então ela percebeu o olhar julgador e duro de Sam sobre si. – Tá, tá. – Ela gesticulou em negativa e enfiou o celular no bolso. — Parei. – Sam entortou os lábios, olhando-a de cima abaixo bebericando seu café. — Só estou preocupada. – Ela revelou com o seu olhar admirando a paisagem. — Eles estão procurando por ele, não por nós.
Sam repousou a xícara quente de café no pires, arqueando uma sobrancelha.
— Bom, nós não somos os heróis favoritos nesse momento.
Será que eles algum dia foram? Willa não conseguiu deixar de pensar, apoiando as mãos abaixo do queixo, com seu olhar admirando os detalhes da paisagem urbana por trás de Londres.
— Mas eles não querem a nossa cabeça numa bandeja. – Ela sussurrou com amargura ao falar do governo e Hidra, mordiscando o último pedaço do bolinho surrupiado de Sam.
— Não ainda. – Ele resmungou suspirando pesadamente e bebericando um pouco mais do seu café.
— Sempre otimista. – Suas palavras sarcásticas foram adornadas por um olhar julgador.
— Só estou sendo realista. – Ele brincou e Willa revirou os olhos. Suavizando sua postura assim que a garçonete veio lhe entregar o seu chá de hortelã para viagem, ela agradeceu e Sam sentiu-se a vontade para continuar o assunto, cuidadoso em manter a discrição do assunto. – Antes de encontrarmos ele, o cara ficou escondido por quase três anos... – Três anos sozinho, fugindo, com medo de tudo e todos, redescobrindo suas memórias, desconhecendo o mundo em que se encontra, com medo dele mesmo. Repousando sua xícara de café concluída, Sam buscou tranquilizar a amiga. — Eu acho que ele comprovou que consegue ficar sozinho. Para ele ficar sem nós por alguns dias será fácil.
Aí estava. Ela não queria que fosse fácil para ele ficar sem eles, mas também não queria que fosse difícil. Ela apenas queria que ele percebesse que ele precisava dos amigos.
— Você tem razão.
— Esse é um daqueles momentos que você mente para proteger as minhas delicadas emoções? – Sam questionou levantando as sobrancelhas, sugestivamente.
— Primeiro lugar, eu não minto. – Sam abafou um grunhido de escárnio. — Segundo lugar, eu não sabia que pássaros têm emoções. – Ela retrucou com um sorriso malicioso e Sam arqueou uma sobrancelha. Claramente ofendido, ele abriu os lábios pronto para responder, mas Willa levantou três dedinhos no ar e deu o cheque mate. — E terceiro lugar, delicado? Sério?
— Você acha que pode, por favor, apenas passar por um dia inteiro sem me irritar? – Ele pediu inexpressivo, cruzando os braços.
— Hm. – Willa pensou com um sorriso malicioso. — Não. – Ela negou mantendo o seu sorriso espontâneo. — Não seria eu e você sem as nossas briguinhas. – Ela confessou com saudosismo, segurando o seu copo de chá. Sam sorriu.
— Vem, vamos voltar para o hotel. – Sam gesticulou para ela lhe acompanhar. Eles levantaram, partindo do coffee shop lado a lado, retornando a rua britânica. — Será que deu tempo daqueles dois desenrolarem um encontro? – Sam questionou pensativo.
— Se não deu, eu chamo ela para sair, só para tornar as coisas mais interessantes. – Willa resmungou bebericando o seu chá lançando um olhar sapeca a Sam que gargalhou, gostosamente.
— Adoro como você pensa! – Sam exclamou rindo suavemente, repousando o seu braço sobre o ombro da amiga caminhando lado a lado dela, em retorno ao Hotel. – Nós deveríamos fazer isso. Steve vai enfartar, mas valerá a pena. Vai valer sim!
Ao chegarem ao hotel, encontraram Steve e Sharon conversando na recepção. Willa concentrou os seus sentidos aguçados e garantiu a Sam: o casal estava em sintonia. Só precisavam de um empurrãozinho... E eles claramente não atrapalhariam.
No balcão da recepção, Sam e Willa pegaram o cartão-chave do quarto presidenciável, reservado por Sharon para os amigos. No elevador, eles partiram para o quarto, Willa queria arrancar aquele vestido fora e zapear pelos canais a cabo e Sam só desejava roubar as garrafinhas de bebida como souvenir, enquanto devorava alguns amendoins.
O quarto presidenciável conseguia ser duas vezes maior do que o loft de Willa, em Hell’s Kitchen. Com uma decoração requintada, porem sem extravagâncias. Sam ligou a televisão, passeando pelos canais de notícias. Era impressionante, aos olhos dela que algumas pessoas pagavam milhares de dólares para ficar algumas poucas horas em quartos como aqueles durante suas viagens de negócios e férias, onde os móveis e decorações não lhe pertenceriam. Só pelo luxo e conforto. Era tão desnecessário. Só por Sharon ter conseguido uma chave para o trio, sem custos adicionais, levou Fairchild a questionar-se dos gastos financeiros da CIA e se ela podia conseguir um trampo por lá. Ela ficaria satisfeita num quartinho com uma cama e um banheiro. Ela não precisava de nada mais que isso. E uma televisão, é claro. Mas mesmo com Willa explicando isso a Sharon, ela foi firme: o quarto era deles e Willa não precisava se preocupar e sim, aproveitar para descansar da viagem e o velório.
E era isso que ela faria se não fosse pelo o celular no bolso do seu casaco, vibrando e tocando deliberadamente. Sam afastou o seu olhar da televisão, mantendo os seus braços cruzados e sua postura totalmente concentrada em Fairchild. Willa podia jurar que o seu coração parou por um segundo. Ela atravessou o quarto em passos ágeis, arrancando o aparelho do blazer. O número no visor era desconhecido e Willa atendeu a ligação tão rápido que ao ouvir o silêncio do outro lado linha, ela temeu ter apertado no botão errado.
— Fairchild. – Ela prontamente anunciou, conectando os seus olhos em Sam. Ela escutou uma respiração pesada do outro lado da linha e Willa esperou pelo pior. – Diz alguma coisa, pelo amor de Deus!
— Kid, sou eu. Clint. – Willa sentiu um alivio dominar o seu coração ao escutar a voz de Barton, entretanto, tal sensação distanciou-se ao ela perceber que havia algo de errado, havia algo no tom da voz de Barton delatando isso, algo desconexo.
— O que aconteceu? – Num piscar de seus olhos, sem pensar, Willa questionou isso e Sam veio a seu encontro, repousando sua mão sobre o ombro dela.
— Você pode passar para o Steve? – Por quê? Ela queria perguntar, mas os seus lábios não obedeceram ao comando de sua mente. O pedido de Clint apenas intensificou aquela sensação desconfortável no coração de Willa. Definitivamente tinha alguma coisa de errado e Clint não queria dividir isso com ela.
— Não, ele não está aqui. — Ela não percebeu isso, porem sua postura mudou da água para o vinho: seus olhos arregalaram, sua respiração descompassou e as suas palavras atropelaram em seus lábios. – Clint—
— Bucky foi embora, Willa. – Ele disse de uma vez só e Willa abriu os lábios, sentindo o ar lhe ser arrancado. Um tiro teria doido menos.
— O que?
— O que houve? – Sam questionou, em conflito, primeiro por sua amiga está desolada e segundo, obviamente, ele não compreendia o motivo.
— Ele entrou no voo. – Clint continuou a explicar e Willa pediu calma a Sam, para ela conseguir ouvir Clint e conter o taquicardia em seu coração. — Eu o vi se acomodando e sentando, então nós estávamos voando e eu fui ao banheiro... E ele não estava mais no lugar dele e nem em parte alguma...
— Willa? – Sam ficou a sua frente, gesticulando em agonia. Willa estava pálida e se ela fosse desmaiar que, ao menos, ele soubesse o motivo para isso. — Fala comigo. – Ele pediu repousando sua mão no rosto dela, o que despertou lhe para si.
— Espera, Clint. O Sam está aqui... – Ela pediu, afastando o celular do ouvido e respirando como quem acabou de nadar quinhentos metros numa só respirada. — O Bucky foi embora.
— O que, o que ele tem na cabeça? – Se ela estava perdida, Sam estava cego em frustração.
— Claramente merda. – Willa resmungou num esganiçado com os seus olhos azuis esbugalhados.
— Quando encontrarmos ele, eu posso matá-lo? – Sam pediu apontando o indicador para o chão, como se buscasse estabelecer um acordo entre eles.
— Não. – Ela negou prontamente.
— Só um pouquinho? – Ele ponderou antes de refazer o pedido, unindo o seu indicador e polegar para ilustrar o seu pouquinho.
— Não, porque eu farei questão de fazer isso. – Willa gesticulou nervosa, semicerrando os olhos sobre Sam e ele sorriu, pois sabia que ele conseguiria causar dor em Bucky, mas Willa, ela traria o inferno para a vida dele. – Por favor, chama o Steve, antes que eu tenha um enfarte. Eu não nasci para lidar com esse tipo de crise! – Sam perguntou se ela ficaria bem e Willa assentiu, proferindo um: Eu sou uma mulher, já passei por pior. Assim que o militar deixou o quarto, Willa retornou sua atenção para Clint. — Agora me explica direitinho o que aconteceu.
Foi isso. Clint não sabia quando Bucky deixou o avião. Wanda viu Bucky ir para o banheiro, poucos instantes antes do avião partir, mas se distraiu e acreditou que ele tinha eventualmente retornado para o seu lugar. E Scott, bom, ele apagou de sono, assim que sentou em seu lugar. Ninguém sabia se ele deixara o avião sozinho ou acompanhado. E se foi a Hidra? E se ele foi acuado por algum agente do governo, disfarçado? E se ele, subitamente, decidiu fugir? Ou não tão subitamente... Ela suspirou sentindo o seu coração apertar, ainda escutando Clint buscar explicar e tranquilizar Willa.
‘Cuida do Steve por mim’
‘Nada, só memorizando’.
‘Eu quero que você saiba que eu vou sentir sua falta. ‘
Tal lembrança reviveu em sua mente e Willa fechou os olhos, sentindo a garganta apertar num nó acido. Essa lembrança foi como um soco bem no meio da cara de Willa. Ele planejara isso. Quando? Ela não sabia dizer. Pode ter sido do dia para noite, como ele podia ter decidido num piscar dos olhos, mas ela tinha certeza do motivo: o ataque da Hidra contra a família de Barton e o governo. Ele sentia-se culpado pelo ocorrido e buscava agora protegê-los de uma futura ofensiva, retornando ao exílio. Ela não sabia dizer quando parou de escutar Clint, mas quando Steve entrou no quarto, acompanhado de Sharon. Willa passou o celular para ele e buscou apoio na borda da escrivaninha, fechando o seu punho na madeira. Sharon a olhou com preocupação, mas optou por ficar perto de Rogers. Sam parou estrategicamente entre os seus amigos. Steve e Willa dividiam da mesma emoção conflituosa: eles não sabiam como processar aquilo. Enquanto Rogers falava ao celular, Willa mexia no tablet de Sam, desfiando o site do aeroporto em busca dos horários de partida e chegada dos voos. Analisando cada horário, ela não percebeu o silêncio devorar o quarto, o que a despertou do que fazia no tablet e olhou para os seus amigos. Diferente de Fairchild, o capitão aparentava uma calma digna de um monge e isso lhe deixou estranhamente desconfortável. Não era como se ela esperasse por Steve se jogando no chão ao som de Lana Del Rey, mas ele não parecia nem um pouco surpreso. E pela batida de seu coração, ele estava preocupado, mas... Confiante?
— Tem alguma ideia para onde ele iria? – Sam cortou o silêncio com suas palavras, buscando limitar a situação. Willa gesticulou claramente sem ter uma ideia, retornando sua atenção para o tablet.
— Tenho uma ideia para onde ele não iria. – Steve respondeu, caminhando pelo quarto com o cenho enrugado e os braços cruzados, apontando para Fairchild. — Ele te disse alguma coisa, qualquer coisa que pudesse apontar para ele fazer isso?
— Agora? Eu estou vendo sinais por trás de tudo que ele me dissera, mas quando estávamos nos despedindo, eu... – Ela negou com a cabeça, calando-se e discreta, guardou para si tal momento. — Isso não importa agora. O que importa agora é isso. – Ela virou o tablet para os amigos terem visão. – Nas ruas do aeroporto tem câmeras de segurança a cada dois metros. Se ele deixou o aeroporto...
— Teremos imagens. – Steve captou a linha de raciocínio de Fairchild que piscou, assentindo. — Sharon...
— Posso tentar conseguir imagens, mas não posso prometer nada. – Ela explicou cruzando os seus braços, imitando inconsciente o gesto de Rogers.
— Espera, tem mais. – Willa virou o tablet, com ansiedade e nervosismo dominando sua postura, enquanto mexia em algumas abas. – Eu fui um pouco além. No horário do voo para Nova York havia mais três voos saindo com uma passagem de poucos minutos: Los Angeles, São Paulo e Bucareste. – Ela buscou explicar com clareza para o trio, atento em si. — Sendo que o voo de Los Angeles era a quatro portões de onde ele estava e o de São Paulo era a dois portões...
— E de Bucareste? – Sam interrompeu, completando o pensamento de Willa.
— No portão ao lado ao do voo dele. – Ela respondeu com um sorrisinho no canto dos seus lábios. — Olha, Bucky pode ter tentado fugir. – Ela racionalizou a situação, através de sua ótica investigativa, lançando um olhar de Sam a Steve. — Ele é esperto e rápido, conseguiria deixar o aeroporto sem chamar atenção para si, mas porque ele voltaria para a cidade onde estávamos escondidos, quando ele podia ir para qualquer lugar do mundo?
— Ele sabe que seria o primeiro lugar que buscaríamos. – Steve concluiu assentindo, trocando um olhar com Sam que assentiu.
— Então, ele pode ter pego outro voo. – Sharon supôs, apontando o indicador para o tablet e Willa lhe entregou, para ela conferir as informações.
— Ele estava dentro da área de segurança, ele apenas precisava alcançar o embarque a tempo. – Willa explicou o procedimento e o trio concordou.
— E ele conseguiria isso no voo de Bucareste. – Sam concluiu franzindo o cenho e recebendo um aceno de Fairchild.
— Isso facilita as coisas. – Sharon revelou, trocando um rápido olhar com o trio. — Vou buscar imagens dele nas ruas e nos arredores e portão do voo para Bucareste. – Por fim, ela entregou o tablet a Steve, olhando-o com carinho e clara preocupação. — Eu volto em quinze minutos.
Steve assentiu, assistindo-a partir do quarto. Sam sentou no sofá, repousando as mãos nas coxas, meneando a cabeça em negativa. Ainda era difícil para ele aceitar que isso estava acontecendo. Ele já não confiava no juízo de Bucky, agora então... Steve continuou em pé, caminhando e parando, o seu semblante marcado num misto de emoções conflitantes. E tinha Willa que encontrou refugio próximo à janela, com um olhar melancólico sob a paisagem.
— Não podemos fazer muito agora. – Steve murmurou olhando de Sam a Willa, intensificando sua preocupação sobre a figura silenciosa e isolada da amiga.
— Você precisa ir para Nova York. – Sam relembrou, arqueando uma sobrancelha sugestiva para Steve.
— Fora de cogitação. – Imediatamente Steve retrucou recebendo olhares preocupados de Sam e Willa. — Não com o Bucky desaparecido.
— Se você não for, Ross terá motivos suficientes para lhe colocar como inimigo publico numero um do país. – Sam resolveu lembrar Steve de tal detalhe, pois acreditava que ele deve ter sofrido subitamente de azheimer. Coisas da idade. – E consequentemente, nós.
Steve olhou para Willa, mas ela estava analisando aquela situação, logo não defendeu o ponto de vista de Rogers, muito menos concordou com Wilson.
— Eu não posso me preocupar com isso, quando Bucky... – Steve foi interrompido por Sam.
— Fez o que? Escolheu nos deixar? – Willa fechou os olhos, inclinando o seu rosto para a janela, com o peso de sua consciência brincando com os seus sentimentos. — Pode não ter sido a escolha mais inteligente, mas... Foi à escolha dele. – Steve olhou duramente para o amigo e ele não recuou em sua postura. Rogers assentiu, quebrando o seu olhar e abaixando o seu rosto. Ele tinha razão, o que não tornava isso mais fácil. — Nós não podemos julgá-lo por seguir a intuição dele. – Willa franziu o cenho, encarando a silhueta dos amigos refletidas pela janela. — E se quiserem julgar se perguntem, o que fariam no lugar dele?
— Eu nunca abandonaria vocês. – Willa respondeu amarga.
— Você é insana. – Sam rebateu imediatamente com o indicador apontado acusatório para Willa.
— Eu sei, isso não é ótimo? – Willa girou os calcanhares, gesticulando dramaticamente com um olhar debochado para o amigo.
— Eu o entendo. – Steve proferiu com um semblante conflitante. — Só não...
— Compreendo. – Willa completou, mordiscando o canto de sua bochecha, buscando reprimir suas emoções, ao trocar um sutil e sentido olhar com Steve. Ela sentia muito por tudo isso, e por mais vitimismo que parecesse, ela se sentia culpada. Ela passou tanto tempo com ele nos últimos dias, como ela não notou tal decisão formando em sua postura? Antes que ela, se quer, pudesse proferir os seus sentimentos por isso, a chave de segurança foi acionada e Sharon entrou no quarto, portando um tablet e um semblante animador, que não apenas cortou a tensão no ambiente, como renovou o lugar.
— Pessoal, encontrei algo. – Ela revelou entregando o tablet a Fairchild, clicando num vídeo, onde mostrava Bucky entrando no portão do voo para Bucareste por um caminho desconhecido pelo público. — Willa tem razão: ele pegou o voo. – A imagem a seguir mostrou Bucky de costas, rapidamente passando por entre as pessoas e entrando no avião. — Você é boa com dedução, deveria tentar uma vaga na CIA. – Sharon sugeriu simpaticamente a Willa com um sorriso tímido. Sam arqueou as sobrancelhas, contendo um riso e Steve meneou a cabeça em positivo, Natasha ficaria orgulhosa de saber que seus ensinamentos foram muito bem aprendidos.
— Meu currículo é meio ruim, não falo idiomas, sou péssimas com armas de fogo e minha melhor qualidade é ser uma ex-assassina ninja/samurai e não acho que eles vão gostar muito de saber como ganhei tal titulo. – Willa murmurou com um beicinho em seus lábios, passando o tablet para Steve e Sharon arregalou um pouquinho os olhos. – Muita informação?
— Muita. – Sam assentiu a cabeça sussurrando tal palavra. – Então... Bucky foi para Bucareste e isso dá a ele o que... Duas horas a nossa frente? – Sharon assentiu, trocando um olhar com Steve.
— Ainda dá para pegar um voo e chegar lá antes do final do dia. – Willa proferiu com animo lhe dominando. Eles podiam resolver isso. Mas Steve não dividia dessa emoção.
— Talvez não devemos ir.
— Espera... – Willa levantou o indicador com o cenho enrugado em duvida. – Eu ouvi direito ou você acabou de dizer que não devemos ir atrás do Bucky?
— Ele escolheu ir embora, ele está fazendo isso para nos proteger da Hidra. – Steve proferiu com pesar. — Nós devemos respeitar isso e buscar ajuda e proteção para ele nesse meio tempo.
— E deixá-lo sozinho? – Willa questionou descrente.
— Sozinho, ele está em maior perigo. – Sharon comentou cuidadosamente olhando de Willa a Steve. – Ross deixou claro para capturarem Bucky vivo, a todo custo. Eles não pegarão leve com ele.
— Sam me falou algo e ele tem razão: Bucky sozinho sabe se virar muito bem, mas... Eu acho que depois que você o encontrou, ele não precisou mais ficar sozinho e se acostumou a isso, conosco, e com a ideia de recomeçar. Nós não podemos arrancar isso dele agora.
— E não vamos arrancar.
— Isso significa que nós vamos atrás dele? – Willa questionou com um leve sorriso nos lábios.
— Não nós. – Steve trocou um olhar com Sam e então, olhou significativo para uma Willa perdida. – Você.
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