Born to Die | Exile

12 Born to Die | Million Dollar Man


Notas iniciais
(batendo panelas alopradamente) ACORDA AÍ, PESSOAL! CAPÍTULO NOVO NA ÁREA, GALERINHA! Oi, mates! Tudo bacana com vocês? Eu sei, eu sei. Eu falei, eu prometi, mas não postei semana passada (e olha que tentei). CONTUDO, ENTRETANTO, PORÉM... AMEI todos os comentários recebidos por aqui. Fiquei muito feliz com a opinião e as reações. Até tive algumas ideias, viu? Ah, e é claro: AS VIEWS! Vocês ainda me matam com todas essas visualizações! VOCÊS SÃO LINDOS ♥ Continuem participando da história e não se esqueçam de compartilhar nas suas redes sociais e com os seus amigos :) — Aproveitei o hiatus para escrever MUITO e estou na reta final da fanfiction e só posso adiantar: TEM MUITA COISA ACONTECENDO POR AQUI, viu? ♥ — FÃS DE WICKY, esse capítulo é especialmente para vocês! Chega de tagarelar, Bárbara! E agora fiquem com o capítulo, um grande beijão! obs. Tem mensagem IMPORTANTE no fim do capítulo :)

M I L L I O N D O L L A R M A N

You're unbelievable/If you're going crazy just grab me, take me/I would follow you down, down, down, anywhere, anywhere/One for the money, two for the show/I love you honey, I'm ready, I'm ready, to go/How did you get that way? I don't know.../You're screwed up, and brilliant/Look like a million dollar man/So why is my heart broke?

B U C A R E S T E


Você.
Claro.
Se havia alguém que poderia com sucesso rastrear discretamente Bucky era Willa.
Ela não precisava de tecnologia, nem de apoio.
Ela precisava apenas de um lugar.
Os seus dons eram ilimitados. E inexplicáveis. Como ela conseguia enxergar a distância? Ouvir sons que outros não percebiam? Sentir cheiros e distingui-los no ar? Para alguns era um dom e tanto. Para Willa era só outra entre tantas habilidades a que possuía. Ela não entrava em detalhes. Não se importava em como os conquistou, apenas se importava em aprender a domá-los e usá-los com sabedoria.

Sozinha, Willa chegou ao aeroporto principal de Bucareste portando apenas a sua bolsa carteiro e uma missão: encontrar Bucky antes de anoitecer. Munindo um celular descartável, algumas notas de euro leu romeno e um chiclete de menta na boca. O casaco e as luvas de couro lhe protegiam do frio do final de dia. Ao deixar o aeroporto, alguns taxistas em romeno questionaram se ela desejava transporte para o hotel, mas prontamente, Willa negou. Ela preferia caminhar, para o centro da cidade.

Ela precisava se conectar a cidade, para assim por dizer, ativar os seus dons.
Bucky podia estar em qualquer lugar de Bucareste. Podia não ser uma capital grande, mas uma agulha podia se tornar invisível num palheiro. Claramente, aquele pequeno espaço era um problema. Levando em questão que o Sargento chegou a poucas horas, ele não teria tempo de pegar a estrada e partir para o interior. Essa era a boa notícia, e a ruim? Com toda certeza, ele estava bem distante do centro.

Bucareste era barulhenta, como toda capital que assim, se preze. Inconsciente de suas ações, Willa parou de caminhar num trecho da calçada, admirando a paisagem. Muitas cores, pessoas por todas as partes, vivacidade. Buzinas percorrendo a rua, eletricidades, sirenes por toda a cidade, som do gás percorrendo os canos de metal, a água nas tubulações, conversas em romeno e o vento. Cheiros... Willa fechou os olhos erguendo o seu rosto aos céus e permitindo os seus sentidos dominarem cada fibra do seu corpo. Temperos, essências, metal corroído, algodão doce na mão de uma criança, ela passou ao seu lado e isso a distraiu; perfumes, terra molhada, suor, morango... Musk.

Bucky não era o único homem na face da terra a utilizar tal essência, mas com certeza, era o único a usar tal essência com um leve toque de morango e menta, proveniente do perfume do shampoo dela, embrenhado em seu boné.

Até quando ela não buscava tentar, ela era imbativelmente um gênio.

Bucky caminhou desconfiado e cuidadosamente até a porta. Sem ruídos, o Sargento alcançou a entrada, olhando rapidamente pelo olho mágico esperando por qualquer um, menos ela. E respirando pesadamente com tal presença, ele travou seus movimentos. Por um instante, ele se encontrou perdido em sua mente. Ele não podia abrir a porta, como também sabia que ela não partiria. Então como num estalo Bucky respirou pesadamente e abriu a porta, olhando para Willa parada na sua porta. Ela inclinou o rosto, sugerindo o seu desejo para entrar e Bucky olhou suspeitamente para os lados, como se esperasse a presença de outro alguém. Ela negou com a cabeça e caminhou para entrar, mas Bucky colocou o seu braço mecânico contra ela, impedindo isso. Ela olhou em seus olhos, buscando decifrar suas emoções, em especial o seu coração.
Ele não queria fazer isso, ele precisava.

— Me deixa entrar. – Ela sussurrou tal pedido, buscando mascarar a sua magoa pela sua postura recentemente através da gentileza.

— Você não vê que estou tentando deixar você ir? – Ele sussurrou sua resposta um pouco ríspido, não escondendo o seu suspiro de comoção e sua voz rouca por não falar a muito tempo arranhando sua garganta.

— Você não vê que não será tão fácil assim? – Ele franziu o cenho, crispando os lábios. Willa repousou delicadamente sua mão no antebraço metálico de Bucky sentindo o gelado do metal tocar a ponta de seus dedos, como ele também enrijeceu, subitamente temeroso. Ela levantou uma sobrancelha, resoluta. — Saia da maldita porta e me deixa entrar. – Ela perdeu a sua gentileza, dominada pela situação.

Ele respirou pesadamente, abrindo caminho e ela entrou com seus passos suaves. Bucky não gostou disso. Não era parte do seu plano. Ele pretendia sumir no mundo. Ter Willa em seu rastro em poucas horas não apenas lhe surpreendeu como apavorou. Aparentemente, as suas habilidades não tinham uma limitação, como ela tanto pregou. Ela mentiu para ele. Omitiu? Ou ela não sabia dos limites da sua capacidade realmente? Não dava para saber. Willa entrou no apartamento pequeno, abafado e escuro, admirando os móveis velhos, o colchão velho na sala, uma mesa de centro com uma televisão pequena e antiga desconectada da parede, as paredes descascadas com mofos crescentes no canto (o que incomodou seu olfato), e é claro, as ameixas no balcão. O que a despertou de seu transe observatório foi à porta fechando pesadamente atrás de si. Ela olhou por sobre os ombros, sustentando o olhar frustrado, incomodado e frio de Bucky. E ela sorriu. E ele bufou profundamente desagradado com a sua postura leve e sedutora.

— Você não pode ficar aqui.— Ele não moveu seu corpo, proferindo secamente tais palavras.

— Está esperando alguém nessa espelunca? – Ela sugeriu com malícia, movendo discretamente seu corpo com a provável intenção de enfeitiçá-lo, o sargento pensou, evitando olhá-la diretamente, como quem olhou para o sol e arrepende-se imediatamente.

— O que você acha? – Ele respondeu abruptamente, suspirando pesadamente ao escutar a risada baixa e rouca de Fairchild. — Só vá embora, Willa.

— Eu peguei um voo em horário comercial, logo o voo estava cheio de crianças barulhentas, com comida ruim sendo servida, cinco turbulências mortais e eu fui sentada na última fileira, entre um cara dormindo em meu ombro e outro que não parava de peidar. – Ela proferiu emburrada e Bucky não mostrou comoção, mesmo tendo entortado os lábios com a menção do último. — Espremida no frio. – Ela reinteirou, recebendo um olhar julgador de Barnes. — Eu levei duas horas para te encontrar. – Ela apontou o indicador a ele, acusadora e ele riu abafado; se havia algo que ele aprendeu a adorar em Willa, eram os seus rompantes de irritabilidade, era adorável como ela fazia biquinho com os lábios e franzia o seu nariz, como um coelhinho. — Em toda Bucareste usando apenas meu olfato e audição. – Ela cruzou os braços, olhando para a ilha da cozinha com fúria, como se ela tivesse lhe causado algum mal. — Ao menos um parabéns eu merecia...

— Parabéns. – Ele não tinha um pingo de sentimento ao desejar isso e Willa revirou os olhos, se era possível, emburrando mais ainda, então...

— Além do mais, você não quer que eu passe a noite no relento, sozinha, em perigo, não é mesmo? – Ela sugeriu com um sorriso charmoso perigoso em seus lábios.

— Você em risco? Boneca, tenho medo de quem tentar mexer contigo. – Ele respondeu debochado, lhe lançando um olhar admirado por um instante, assistindo-a mordiscar os lábios. Como quem quebra um transe, Bucky meneou a cabeça negativamente, retornando a sua inexpressão. — O que você está fazendo aqui?

— O que você acha? Visitando essa espelunca que não é... – Ela retrucou gesticulando as mãos e levando-as a sua cintura, o que lhe deu um ar mandão típico. – Eu estou aqui, nesse fim de mundo, buscando trazer consciência para a sua mente. O que você estava pensando quando resolveu fugir, James?

— Fugir? – Bucky repetiu a questão com acidez, meneando a cabeça em negativa. — Eu fui embora, Willa. – Ele apontou para si intensificando o seu olhar sobre a confusa Willa. — Para proteger você, Steve e todos os seus amigos. Eu estou tentando fazer a coisa certa, enquanto eu ainda posso tomar tal decisão. – Willa franziu o cenho, não conseguindo sustentar o olhar sobre ele. Ele se sentia culpado por Barton e sua família. Ousava dizer, uma culpa maior e mais pesada em suas costas, como se até sentisse as dores da própria Willa. Ele temia o que a Hidra podia fazer com ele, contra eles. Ele temia tornar-se o Soldado Invernal e ser ordenado a caçar cada um deles. — É por isso que você não devia estar aqui. – Ele proferiu duro e desapontado. — Eu não vou voltar.

— Tudo bem. – Willa não lhe deferiu um olhar. Com as mãos em sua cintura e meneando a cabeça, ela observava a sala muda. Ela estava pensando e Bucky estava a cada segundo sendo devorado por aquele silêncio. — Eu posso me acostumar com a temperatura de Bucareste. E definitivamente essa casa precisa de uma planta. – Ela lhe olhou arqueando uma sobrancelha a um Bucky frustrado. – Podemos viver com o mofo, mas sem uma planta... Não dá.

Podiam buscar quebrar o Carvalho, com palavras, machados e até mesmo fogo, mas ele não tinha o tronco mais resistente da natureza só por ter... A natureza era perfeita e Willa aprendeu com ela.

— Você vai embora. – Ele respondeu com um olhar ameaçador sobre Fairchild. — Assim que amanhecer. – Ele não a enfiaria na rua agora. Não podia fazer isso com ela. Não com ela. Willa podia estar testando sua paciência, o que o fazia querer despejá-la na rua, mas ele não faria. Seu lado cavalheiro não permitia isso. A quem ele estava enganando, seus sentimentos por ela é quem não lhe permitia tal atitude.

— Vai ter que me obrigar. – Ela lhe desafiou com um sorriso desenhando perversamente seus lábios.

— Chto upryamaya devochka! (Que garota teimosa!) – Willa riu, meneando a cabeça em negativa. Não tinha a menor ideia do que ele dissera em russo, mas pelo seu olhar, ele estava sem um pingo de paciência para explicar. – Se você não for, eu irei. – Ele ameaçou.

— Está bem claro que eu tenho os meios de te encontrar onde quer que você vá. – Ela proferiu dando de ombros.

— Como você fez isso? – Ele questionou inclinando seu rosto com desconfiança.

— Eu tenho bons amigos.

— E os seus sentidos aguçados não tiveram nada haver com isso? – Ele tacou o boné nela com um pouquinho de força e o seu braço metálico fez um arranhar característico, por conta do movimento brusco. – Foi por isso que você me deu ele, desconfiou que eu partisse e para me marcar com seu cheiro e ser mais fácil me achar, me deu o boné?

— Não, eu não sou manipuladora, eu deixo isso exclusivamente para você. – Ela jogou o boné no chão com frivolidade em suas palavras.

— Eu estava preocupado com você, eu não estava te manipulando naquela vez com o Steve, e sim te protegendo. – Ele buscou explicar e Willa meneou a cabeça em negativa com uma risada seca.

— Eu não preciso da sua proteção, James.

— Eu sei bem disso. – Ele assentiu absorto em sua mente momentaneamente. — Você sabe se defender muito bem, o problema é que você não precisa fazer isso, sozinha. – Novamente Willa foi acometida por aquele sentimento de que era incapaz de olhá-lo. Não era decepção, nem frustração, era por ele ter razão. Por ele saber, minimamente, o que ela precisava, quando ela mesma não desconfiava necessitar daquilo. — Dá mesma forma que não precisa caminhar meio mundo para me proteger.

— Eu não estou aqui para te proteger. – Ela retrucou com um olhar sisudo. — Você é grandinho, sabe muito bem o que deve e não fazer para o seu bem, mas isso aqui, na altura do campeonato... – Ela apontou para o redor com incompreensão em seu semblante. — É burrice. A Hidra quer a sua cabeça, o governo quer o seu tronco e Steve está tentando conter todo esse caos-

— Eu sei disso tudo, por que você acha que estou fazendo isso? – Ele a interrompeu, revelando as suas palavras.

— Por medo. – Ela proferiu duramente e Barnes enrugou seu cenho. — Medo de ter mais um peso em suas costas. – Ele quebrou a ligação entre seus olhares, pensativo. — Como sei isso? Foi o que aconteceu comigo, quando a fazenda do Clint foi atacada pela Hidra. Eu surtei, eu queria pegar as crianças e fugir, mas eu precisava voltar pro Steve, pro Sam, para você.— Bucky crispou os lábios, não ousando olha-la e Willa aceitou isso como um convite a continuar. — Eu precisava encarar o que aconteceu, porque essa é a porcaria da vida. Ou você levanta e encara os obstáculos, mesmo caindo e levando porrada ou você foge do seu passado para sempre. – Bucky a olhou semicerrado por sobre o ombro. — Então, você quer fugir? – Ela gesticulou em aceitação e a clara frustração e magoa do abandono dominando a sua postura. — Ótimo, foge, mas leva na sua consciência que ao fazer isso, você é quem está escolhendo nos abandonar e não tem nada haver com proteção, tem haver com você ser um covarde.

— Pribyvayet! (Chega!)— Ele cansou de sua postura e a agarrou pelo braço com força, puxando-a para sair da casa, mas Willa lutou contra, conseguindo rodar o pulso da mão humana dele e se desprender de sua posse.

Ele voltou a tentar segurá-la, agora com um pouco mais de agressividade e possessão, mas ela atingiu a mão humana dele com um tapa cortado, o que doeu. Quando ele pensou em retornar a contê-la, ela acertou um soco na narina dele, percebendo a mudança no semblante de Bucky de irritado para surpreso.

Ele agarrou o pulso dela e apertou, mas novamente, ela conseguiu se desvencilhar, enfiando o seu cotovelo contra o ombro dele. Com ajuda de seu joelho, buscou empurrá-lo para longe de si, mas isso deixou seu lado esquerdo exposto e ele segurou seu ombro com o braço mecânico, empurrando-a sem dificuldades contra a parede pesadamente. O som ecoando pelo apartamento e assim, ele a prendeu ali, sob sua posse. Ela lutou, mas ele conseguiu elevar o braço dela sobre sua cabeça, prendendo sua mão contra a parede. Ela agarrou sua mão no casaco de Barnes, prendendo seu joelho contra seu estômago para empurrá-lo, mas Bucky tencionou e empurrou, o que a fez gemer de dor. Tal aproximação o fez empurrar o seu braço livre, prestes a lhe atacar, e ele também o prendeu contra a parede, com seu braço metálico novamente estalando. Willa respirou pesadamente, quando seus olhos se encontraram. Ele não vacilou num movimento se quer muito menos ela. Ele aproximou um pouco mais dela, inclinando o seu rosto para ela lhe admirando e Willa o olhou, sentindo o seu coração acelerado em seu peito pela tensão, pelo sentimento e então, ela ouviu o coração de Bucky e por um instante, ela viveu nesse sentimento.

Os seus lábios se colidiram como um furacão tocando a terra pela primeira vez.
Boca, rosto, pescoço. Com os seus olhos conectados, ele soltou um braço dela, empurrou a perna dela contra o seu tórax e agarrando-a imediatamente pelo quadril levantou Willa no ar. Compreendendo o seu ato, Willa prendeu suas pernas na cintura de Bucky, repousando seguramente os seus braços contra o corpo dele e suspirando prazerosamente ao sentir o seus corpos colidirem, tão próximos.

Alguns centímetros mais alta do que ele, Willa admirou o seu rosto, tocando-o carinhosamente e retornando a beijar os seus lábios com aquela urgência devoradora e o seu corpo voltou a colidir contra a parede, com as mãos de Bucky deslizando agilmente pela sua pele, como se temesse que ela desaparecesse por entre os seus dedos. Ele a afastou da parede arrancando o seu casaco fora e largando no chão, com os seus olhos admirando-a com luxuria. Seus lábios voltaram a beijar o seu pescoço, sua garganta escutando o ecoar rouco de um gemido, descendo pela sua clavícula alcançando os seus seios, enquanto suas mãos pressionavam na lateral de seu corpo caminhando com ela, até encontrar apoio na ilha da cozinha. O frio de sua mão metálica arrepiando a sua pele e o calor de sua mão humana irradiando a sua pele a queimar. Era os dois mundos em apenas um toque.

Empurrando tudo sobre a ilha para o chão e colocando Willa sobre a mesa. Antes de ela encontrar conforto na madeira velha, ele a puxou firme pelas pernas para si, encaixando-a em seu corpo. A atração e roçar dos seus quadris apenas aumentou o desejo. Sentando, Fairchild trouxe Bucky para perto de si pelo casaco, emaranhando seus dedos nas mechas dos seus cabelos e beijou os seus lábios, tirando o casaco dele fora com um pouquinho de dificuldade. Eles desconectaram os seus lábios por alguns instantes, buscando por ar, aproveitando o prazer de seus toques, de suas descobertas uma pelo outro. Willa conectou seus lábios na pele sensível de seu pescoço e Bucky deixou sua mão humana passar pelas mechas dos cabelos loiros de Willa, e levemente, inclinou o seu rosto, assim admirando a sua bela feição. Foi aí que ela reparou no nariz ensanguentado dele. Quando ela batia, era para valer! Arrependida, pediu desculpas, limpando o sangue com o seu polegar, mas Bucky não quis concentrar nisso. Não se importava. Ele tinha outros planos com ela. Mas ele travou. Ela buscou erguer a sua camisa e sua mão metálica a impediu. Respirando fundo e abaixou o rosto, o que fez seus cabelos cair como cortinas sobre o seu semblante.

— Se você quiser, nós podemos parar. – Ela falou, passando a sua mão em seu rosto, afastando uma mecha para trás da orelha de Bucky e ele sorriu malicioso e nervoso.

— Não, não. Eu quero continuar. – Ele revelou, firmando sua mão humana contra a cintura de Willa, trazendo ela para perto de si e olhando em seus olhos. — ... – Ele apontou com a cabeça para o braço metálico. – Você nunca viu antes, eu tenho essa cicatriz e... É muito estranho, eu não quero te assustar, enojar, ou... Tudo isso é estranho. – Willa repousou o seu indicador contra os lábios dele, silenciando.

James... – Willa sorriu, sentindo as suas bochechas corarem com uma ideia passando por sua mente.

Determinada, ela tirou a blusa, expondo o seu sutiã preto simples e esportivo e sua pele nua com algumas sardas e cicatrizes diversas, expostas. Por um instante, Bucky ficou perdido pela lingerie delicada e o corpo de Willa, o que a fez rir sentindo as bochechas corarem. Fazia tempo que um cara a olhava assim! Um bom tempo! E para Bucky, não era para menos, era a primeira vez que ele via uma lingerie do século XXI no corpo de uma atraente jovem, por quem, ele claramente tinha sentimentos e ele estava fascinado.

— Faz muito tempo. – Ele comentou passando sua mão nos cabelos arregalando um pouco os seus olhos numa mistura de surpresa, admiração e nervosismo.

— Muito, muito. – Ela implicou e Barnes conteve um grunhido em sua garganta, trazendo-a para perto de si. Tal aproximação fez Willa soltar o seu ar pesadamente, conectando os seus olhos e sorrindo maliciosamente. Ela estava gostando muito desse seu lado dominante.

Lentamente, ela abaixou o seu olhar e Bucky seguiu, notando o que ela olhava e compreendendo. A cicatriz em seu abdômen. E ela não era a única. Havia outras, muitas outras. Alguns menores espalhadas pelo seu abdômen, estômago e base das costas, algumas mais profundas, como os três arranhões na parte baixa de suas costas, Bucky desconfiou ter sido um animal com garras bem afiadas. Ao tocar cada uma de suas cicatrizes, com sua mão humana, Willa ia entregando um pouquinho de si a Bucky e isso não era mais assustador aos seus olhos. Era lindo. Havia outras bem menos aparentes, eram apenas linhas, arranhões, marcas perdidas entre os outros desenhos. Entre tudo havia uma, a maior de todas, com uma destacada calosidade; era grande, lembrava uma meia lua, delineado a circular e lateralmente a sua cintura. O que causou aquele corte não buscava apenas feri-la, procurava por matá-la e deferindo um cuidadoso olhar a Fairchild, ele se questionou quais segredos ela carregava marcado em seu coração.

Bucky franziu o cenho, compreendendo o que ela queria lhe dizer com aquele gesto. Delicado e cuidadosamente ele deixou seus dedos tocarem a maior cicatriz, sentindo a pele quente de Willa arrepiar com o seu contato. Ver como ela se sentia segura com ele, Bucky permitiu explorar o seu toque em suas cicatrizes e sorriu quando seus olhos se conectaram. Ele se afastou um pouco dela, levando suas mãos até a bainha de sua camisa e Willa retirou uma a uma as camisas de Bucky. Admirando o seu abdômen e tórax bem definido, Willa franziu o cenho, encontrando a razão da insegurança do Sargento. A cicatriz era uma mistura de queimadura e cicatrização. Willa deixou seus dedos cuidadosamente tocarem a região, sentindo primeiramente a calosidade e ao longo da cicatriz, a pele fina e sensível ao toque. Era uma cicatriz grande percorrendo e marcando boa parte da lateral do seu corpo. Pele fundia com o metal. Bucky podia ter vergonha daquilo e ela compreendia os seus motivos. E ela sorriu, pois sabia que a sua insegurança era superável. Um dia ele se daria conta do que ela hoje sabe. Aquela cicatriz era parte dele agora, era uma lembrança do Soldado Invernal, mas também era uma marca de sua sobrevivência. Era uma marca de quem ele era agora. Nem Bucky, nem Soldado. Alguém no meio. Willa beijou a cicatriz; calma, carinhosamente, amorosamente. Ele sorriu, fechando os olhos, inebriado por tal sensação dada por ela. Fairchild lançou um olhar a Bucky e ele não perdeu tempo em repousar sua mão contra a nuca dela e como um imã, lhe atraiu até os seus lábios e os reconectaram, ele sentindo o toque carinhoso por trás do beijo de Willa e ela sentindo a maciez e delicadez por trás da boca rosada de Bucky. Ela sentiu a língua dele tocar os seus lábios, pedindo permissão para a sua boca e rapidamente, aquele beijo casto se transformou em algo urgente e apaixonado.

Em sintonia. Um desejava o outro. Quando os dedos de Willa encontraram o botão e zíper da calça de Bucky, ele buscava uma maneira de abrir o sutiã, acabando por rasgá-lo, o que valeu só pelo olhar de Willa e as palavras abafadas por beijos divididos entre eles: Sério, você rasgou o meu sutiã! e Eu precisava disso. Ele pediu perdão e ela apenas suspirou, sussurrando: Com toda certeza, você deveria fazer isso novamente. E ele faria, muito mais. Bucky levou Willa em seu colo para o colchão, largado ali na sala. Sem se prender nos detalhes, Willa sentiu o corpo entrar em contato com um colchão duro e o peso de Bucky contra o seu corpo, foi compensado pelo braço de metal de Barnes, onde ele apoiou parte do seu peso e concentrado em explorar o pescoço de Willa, enquanto sua mão humana acarinhava o seu seio. Willa era uma bagunça, abandonando momentaneamente a sua dominância, permitindo ser controlada por ele e entre gemidos, ela sentia o seu corpo entrar num crescente estado de êxtase, imaginando o que ele planejava para si, imaginando o que ela faria com ele.

Bucky não se cansava dela. Seus olhos. Seu sorriso. Sua risada. Seu gemido. O seu cheiro. Tudo nela. Ela era intoxicante ao ponto dele sentir estar perdendo, novamente a sua sanidade. Era diferente de tudo que ele conhecia como paixão, como amor. Não que ele se lembrasse de ter, em algum momento de sua vida, ter experienciado amor, por assim dizer, mas o que ele sentia por Willa era algo enlouquecedoramente indistinto.

Ela entregou-se ao seu domínio, prazerosamente apreciando os seus beijos, os seus lábios em seu seio, a sua mão agarrada contra a sua, assim reprimindo o movimento do seu tronco, mas quem disse que era isso que ela queria? Maliciosa, ela movimentou o seu quadril contra o seu, roçando os seus corpos contra as roupas ainda em seu corpo, em busca de enlouquecê-lo também. Aproveitando a proximidade, Bucky memorizou o seu rosto. A pele perfeita, as suas sardas, a cor dos seus olhos, a sua pupila dilatada, o desenho dos seus olhos, o seu dente mordiscando o canto, ao sentir sua mão tocando o seu intimo e o gemido escapando dos seus lábios foi insanamente pornográfico para Bucky e ele não reprimiu e estendeu mais nenhum segundo. O seu cérebro não acompanhava mais as suas mãos, arrancando o que restava de suas roupas. Ajoelhado na beira do colchão, ele a admirou em seu natural. Deus, ela era linda. As suas curvas. As cicatrizes em sua pele. Tudo. Ele só desejava que ela tivesse lhe dado mais tempo para apreciar seu corpo.

No segundo em que ela abaixou a sua calça, Bucky lutou para arrancar a peça de seu corpo e ela não demorou a tirar a sua cueca. Ele gostaria de saborear aqueles instantes, mas ele não suportava mais prolongar aquilo, recusando os seus pedidos para eles serem apenas um. Os dois arfaram assim que ele assentou dentro dela. Suas mãos e os seus lábios estava desesperados para devorar cada centímetro um do outro, conforme o quadril de Bucky encontrou um ritmo estável. Por mais que o soro possa ter aumentado a stamina do Sargento, no instante que ela gritou o seu nome, e não só o seu apelido, ele se encontrou perdido. Suas investidas se tornaram desleixadas e o seu quadril se projetava com a sensação das suas paredes apertando em torno do seu membro. Era alucinante. Willa o abraçou forte quando Bucky alcançou o seu orgasmo, de alguma forma, sabendo que era exatamente o que ele necessitava. Suas unhas arranharam pelas suas costas, afundando as unhas em sua pele e ele se alegrava com a dor, ao sentir o corpo dela convulsionar com o seu êxtase lhe dominando rápido e poderosamente.

— Você sabe, desde que eu era uma garotinha, eu fui ensinada a acreditar que eu nunca experienciaria isso. Meus mestres sempre me asseguraram que eu era incapaz de amar. É, os meus mestres eram apreciadores da auto aversão. Se você se odiasse tanto quanto odiava todo mundo, matar seria como um passeio num parque. – Willa contou brincando com os dedos metálicos. Eles estavam deitados na cama, Bucky deitado de costas e ela ao seu lado. Sua perna estava espalhada sobre a cintura dele, enquanto ele desenhava levemente sobre sua pele, enquanto ela falava. – Além dos meus pais, há muito tempo atrás, eu nunca assisti um relacionamento funcional, então eu não tinha porque não acreditar neles. Minha prima vivia de casos de uma noite. Quem eu tinha de melhor amiga se apaixonou pela missão dela, o que é bem irônico, pois comprovou realmente que o amor é cego. O amor era um conceito abstrato aos meus olhos. – Willa riu abafado. – Então, eu conheci Laura e Clint. Ele encontrou alguém, no meio de toda essa vida conturbada, mas eu nunca pensei que teria essa sorte. Eu sempre perdi antes se quer de possuir. Mas então você veio...

Os cantos dos lábios de Bucky levantaram e ele diminuiu o espaço entre eles.

— Eu estaria mais do que feliz em provar aos seus mestres que eles estão errados. – Bucky enlaçou os seus dedos e pressionou um beijo suave nas costas de sua mão. O carinho por trás daquele momento mudou rapidamente quando ela o empurrou contra a cama e sentou sobre o seu quadril. Ela colocou as mãos contra o peito de Bucky e sorriu para ele, e ele a imitou arqueando uma sobrancelha. — Você está pronta para ir novamente? – Ele perguntou rindo.

Ela se aproximou, pressionando o seu corpo contra o dele e beijou um caminho no pescoço de Bucky.

— Você está tentando se redimir por ter me preocupado, agora veja o que fez... Eu não posso resistir a você.

Assim que ela mordeu a orelha de Bucky, as mãos dele encontraram o quadril dela. Ele não podia resistir a ela também. E ele também não queria. Ele queria descobrir cada centímetro da sua beleza e ele sabia que nunca se cansaria dela. Bucky sorriu, como nunca tinha sorrido até então e Willa sorriu em resposta, sentindo o corpo dele pronto para ela. E naquele instante, onde seus olhos encontravam-se conectados e eles sorriam única e exclusivamente por eles, Bucky teve que encarar o fato que ele estava em negação desde o primeiro instante em que colocou seus olhos nela. Ele estava apaixonado por ela. Sempre esteve. Sempre estaria.

Como é que eu consegui ter tanta sorte? James Buchanan Barnes pensou quando ele olhou para Willa adormecida ao seu lado. A luz do sol iluminava o quarto pela janela aberta, as cortinas puídas balançavam pela brisa pesada, lançando sombras suaves sobre a pele de Fairchild, enquanto ele assistia atentamente a sua respiração lenta e estável. Aquilo era o mais perto de paz na consciência e vida de Bucky. Em anos, ele nunca se sentiu tão relaxado. Podia existir perfeição no caos. Willa lhe fez perceber isso através da sua escuridão.

Estendendo sua mão direita, Bucky lentamente deixou os dedos levemente traçar o ombro dela, encoberto pelo tecido da camisa vinho de Bucky. Seus dedos traçavam o sol em sua pele. Willa estava num sono tão profundo neste momento, ele sabia que ia demorar muito para aquela dorminhoca despertar. Ele admirou o seu rosto sereno, cada contorno, cada falha, e apenas se encontrou absolutamente hipnotizado. Bucky gentilmente segurou o seu rosto em sua mão, deixando seu polegar percorrer ao longo de seu lábio inferior, ganhando um suspiro seu em seu sono.

As engrenagens na cabeça de Bucky começaram a girar, bem o estilo típico de Bucky Barnes, ele decidiu ver o quanto poderia explorar em caricias, até antes de você despertar. Ele se inclinou aproximando do rosto dela, apreciando a sensação da sua respiração quente contra seu rosto. Sua respiração era tão lenta, tão calma, ele quase se senti culpado por mexer com ela. Ele não podia conter-se, ele a considerava intoxicante.

Ele deixou sua mão traçar até o pescoço dela, sendo sempre tão leve como uma pena, para não lhe despertar tão cedo. Ele deixou a mão passar através dos cabelos loiros de Willa, parando apenas um breve momento quando ela deixou escapar um suspiro dos seus lábios. Se houvesse qualquer coisa que poderia fazer o coração de Bucky bater descompassado era o seu suspiro. Ele teve sorte de Willa não abrir os olhos, e ele deixou escapar um suspiro de alívio. Ele tirou a mão dos cabelos dela, e usou as pontas dos dedos para escovar levemente as mechas abaixo de seu braço, sorrindo para si mesmo quando viu os arrepios levantando em sua pele clara e sardenta, algumas dessas manchinhas atraindo o olhar de Barnes por lembrar formatos distintos, como meias luas, corações, uma maçã ou talvez uma cereja, algo similar a um floco de neve...

Ele sabia que não demoraria muito para Willa acordar, então ele decidiu ser mais ousado e inclinou-se mais perto dela, roçando seus lábios levemente contra o pescoço de Willa. Ela soltou um gemido, metade pela sensação, a outra metade por acordar lentamente. Ele poderia dizer que Willa não queria abrir os olhos à medida que lentamente acabaram por abrir, olhando para ele, por um momento, até que abriu um largo sorriso. Seu sorriso era suficiente para iluminar, até mesmo as sombras.

— Eu sabia que não estava sonhando. – Ela murmurou com sua voz rouca por ter acabado de despertar, bocejando e aproximando-se dos seus braços com seu corpo arrepiando-se um pouquinho por conta do frio matinal naquele colchão velho e manta. – Bom dia.

— Olá, boneca. – Bucky riu, repousando a sua mão na parte de trás do pescoço de Willa, puxando-a para um beijo carinhoso. Ele derramou toda a sua admiração e afeto por ela. Um pouco triste pelo dia ter chegado, quando ele desejava viver e reviver aquela noite e madrugada. Sentimento não muito diferente de Willa. – Dormiu bem?

— Dormi, mas preferia ter ficado acordada, com você. – Ela sussurrou aconchegada nos seus braços, deixando seus dedos traçarem um caminho no peitoral nu e quente de Barnes. Bucky manteve o seu braço metálico repousado sob as costas dela, enquanto sua mão mexia livremente em seus cabelos. – James?

— Hm?

— Lembra da nossa conversa, sobre o que faríamos se pudéssemos ter um dia para nós? – Bucky assentiu murmurando em concordância e Willa tomou coragem para prosseguir. — Nós podemos ser egoístas por um dia? – Ela lhe lançou um olhar, ansiosa por sua resposta. — Só hoje?

— Willa, nós precisamos conversar, sobre o que vamos de agora em diante... – A sua resposta foi por um caminho completamente indesejável por Willa e ela deixou isso bem claro no bico em seus lábios e o seu olhar duro no Sargento.

— Podemos conversar a noite? Ou amanhã? – Ela sugeriu, agora era ela quem fazia desenhos com as pontas dos dedos sob a pele de Bucky e ele sorriu, por conta disso.

— Ou nunca? – Ele questionou claramente debochado e ela arregalou os olhos, surpresa.

— É uma opção? – Ela sentiu o deboche em suas palavras, por isso sorriu no canto dos lábios, quando Bucky respirou pesadamente passando os seus dedos nos cabelos castanhos e pesados. — Ao menos escuta a minha proposta... – Ela pediu num sussurro, subindo um pouquinho o seu corpo, se encontrando tão perto de Bucky a ponto de seus narizes se tocarem afetuosamente.

— Eu estou ouvindo. – Ele murmurou mantendo suas mãos sobre a cintura de Willa: um lado encoberto por sua camisa vinho, o outro lado erguido pelo seu movimento.

— Só, vamos sair por aquela porta e fingir ser um casal passeando pelas ruas de Bucareste. – Ela explicou apontando para a entrada do apartamento com um brilho faiscante e eufórico em seus olhos azuis perolados.

— Eu não sei, Willa. – Sua voz profunda marcou sua duvida.

— Ah, qual é! – Willa exclamou choramingando. — Nós podemos passar despercebidos por uma multidão. Eu sou uma ninja, você um super soldado. Nós podemos tudo.

— Eu fui embora para proteger vocês e agora você quer que saiamos por Bucareste? – Ele questionou descrente. – Passeando?

— Eu nunca disse que era uma proposta inteligente. É uma proposta egoísta, perigosa e prazerosa.

Bem perigoso.

— Nós podemos ser quem quisermos. Já pensou nisso? Por um dia inteiro, ser... Ser Lily, americana, feliz e espontânea recém-casada com o ex-militar taciturno e um pouquinho só 74 anos mais velho do que ela, Chase. Eles estão em Bucareste em lua de mel e a meta deles é visitar o castelo do Drácula.

— Eles são um casal meio obvio.

— Eu nunca disse que eles eram excepcionais.

— Ele é militar... – Ela assentiu, sorrindo discretamente por ele estar mostrando interesse em seu plano. – E ela? Ela trabalha com que?

— Ela é enfermeira. Eles se conheceram em serviço, no Iraque. – Bucky assentiu, lançando um olhar surpreso pela sua clara e boa imaginação.

— E eles estão em Lua de mel? – Bucky questionou definhando aquela ideia, arqueando uma sobrancelha.

— Exatamente. – Ela concordou sorrindo. — Só por alguns dias em Bucareste, antes de retornarem ao trabalho.

— E porque Bucareste? – Ele atirou a questão com uma faísca em seu olhar sobre Willa.

Chase tem parente aqui. – Ela respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do universo e Bucky riu abafado.

— É verdade. – Bucky assentiu, sorrindo discretamente para uma Willa preguiçosa em seus braços. — Chase tem tios.

— E primos: um vive no interior, com os seus tios. O outro está na Sérvia, trabalha no porto. – Ela completou cutucando o ombro dele, como se fosse puxar sua orelha por tal discreto esquecimento.

— Estou começando a acreditar em você. – Ele comentou assombrado.

— Eu sei, eu sou boa. – Willa retrucou com um sorriso convencido. — Então...? – Ela soltou a questão incompleta, lançando lhe um olhar sugestivo, eufórico, animado...

— Não. – Ele negou resoluto, assistindo Willa amuar diante dos seus olhos.

Ah, Bucky...— Ela choramingou olhando-o num pedido silencioso para repensar em sua resposta. Mal ela sabia!

— Eu não quero ser Chase, não quero que você seja Lily. – Ele resmungou entregue a sua mente no auge do seu ar taciturno. — Eu quero ser Bucky e eu quero que você seja a minha Willow.

— Sério? – Ela questionou subitamente admirada.
— No entanto, nós podemos ainda estar na lua de mel... – Ele sugeriu, Willa lhe lançou um olhar surpreso, admirando o seu sorriso discretamente malicioso.

— Bobo. – Ela implicou cutucando na sua costela. — Eu te convenci tão fácil assim? – Ela questionou levantando uma sobrancelha sugestivamente.

— Eu não sou tão difícil quanto pareço, mas se quiser que eu seja... – Ele propôs a ideia com aquela sorriso pérfido adoravelmente apreciado por Willa. Ela lhe roubou um beijo casto, ainda mantendo os seus olhos fechados após tal contato, aproveitando aquela prazerosa sensação. — Como você me convenceria? – Ele sussurrou tal pergunta e Willa lhe admirou, assistindo-o inconsciente e tortuosamente aos olhos de Fairchild, ele passar a ponta da sua língua nos lábios.

— Eu tenho uma ou duas ideias. – Ela revelou enlaçando suas pernas sobre a cintura de Bucky, o que o fez soltar um suspiro surpreso e prazeroso. Repousando suas mãos em seu rosto e nuca, ela lhe tentou momentaneamente, numa busca para conectar os seus lábios, até que tal caçada foi finalizada quando seus lábios se conectaram num beijo prazeroso e desbravador repleto de paixão e carinho.

— Vou tomar um banho para irmos. – Ele revelou assim que eles se afastaram brevemente e Willa assentiu com sua cabeça, afastando do seu corpo e gesticulando cortes para ele seguir para o banheiro, com o seu melhor sorriso sapeca.

Roubando outro e rápido beijo de Willa, ele partiu seguindo para o banheiro, sendo admirado milimétrica e atentamente por Fairchild. Percebendo os seus olhos sobre si, algo que ele estava prazerosamente se acostumando e adorando, Bucky lhe lançou um olhar por sobre o ombro e Willa estava sentada no colchão, abraçando suas pernas belamente adornada pela camisa de Bucky. Era uma visão e tanto.

— Vou ver se tem algum café nessa casa. – Ela comentou levantando do colchão, coçou a sua cabeça mexendo em seus cabelos loiros bagunçados pela noite de sono e caminhando lenta e tranquilamente para a cozinha. Agora era ela quem sentia os olhos de Bucky sobre o seu corpo, o que lhe fez abrir um enorme sorriso prazeroso por atrair a sua admiração.

A água do chuveiro corria pesada e melodicamente. Willa procurava nos armários e gavetas por café. Encontrou alguns enlatados, algumas coisas em romeno cheirando bem e outras coisas em romeno cheirando bem mal. Ela acabou por encontrar o pacote de café escondido por entre algumas caixas e vasilhas em cima da geladeira. Quem morava ali antes de Bucky não tinha a menor ideia de organização. E de cereal bom também. Sobre a geladeira, Fairchild encontrou um caderno de capa mole e azulada. Pensando pertencer ao antigo morador, ela resolveu folhear curiosamente. Com alguns post it marcando trechos, Fairchild folheou algumas páginas em branco, outras com alguns rabiscos, palavras soltas em inglês sobre pessoas, lugares, o que pareciam ser execuções e também em russo, a maioria das palavras Fairchild não entendia. Alguns textos, algumas numerações aleatórias, que pareciam datas ou só números soltos e um folheto... A loira com a Katana. Havia um texto ali e Willa riu. Alguém assistiu Kill Bill. Então, um folheto da exposição do Smithsonian, sobre o Capitão América escorregou em seus dedos. A página falava sobre como a pessoa lembrava detalhadamente dos crimes que cometeu, um a um, ele lutou para não cometê-los, lutou contra seu dedo puxando os gatilhos, atirando nas cabeças de seus alvos, implantando bombas, cometendo acidentes de carros, e quando lhe faltava arma, ele enforcava as suas vitimas... Willa fechou o caderno. Ele era de Bucky. Ela colocou onde encontrara, mordendo a ponta do polegar por culpa. Aquelas datas, aqueles lugares, aqueles ‘crimes’, aquelas lembranças. Ela leu demais, ela sabia demais. Sem autorização dele. Era como se ela tivesse invadido a sua privacidade. Pior, sua mente. Culpada, ela se afastou dali, não querendo atrair atenção para o seu crime. Enquanto pensava se deveria falar sobre isso, ela buscou preparar o prometido café. Por não ter uma cafeteira ou chaleira, ela esquentou água numa panela, lavou dois copos e improvisou filtros de café com papel toalha. Seus olhos retornaram para o caderno. Seus pés te levaram direto para onde ela estava guardada e os seus olhos quase agarraram a borda do caderno, entretanto ela meneou a cabeça em negativa, afastando daquela tentação.

Com suas pernas nuas e o corpo confortável naquela camisa, Willa passeou pela sala. Admirando os móveis antigos, sem enfeites, sem retratos, um despertador eletrônico, desligado, a televisão com uma antena, mas quem disse que algum canal sintonizava? Era apenas chiados e imagens chuviscadas. Não era como se ela entendesse romeno. Não havia radio. O sofá era antigo, com uma almofada abandonado com um jornal do dia anterior. As janelas estavam fechadas. Sem cortinas, sem persianas. O som de algo vibrando ecoou pela casa. Willa parou seus movimentos, lançando um olhar curioso e desconfiado para a cozinha. Com passos suaves, ela retornou a cozinha. O vibrar tinha cessado, mas ela tinha uma memória impecável. Ela se agachou, mexendo em sua calça jeans e retirando dali um celular descartável. Ela recebera duas mensagens da Garota Estranha vulgo Wanda, ao longo da madrugada e uma, agora.

Garota Estranha: Tive um estranho sonho. Com ele.
Garota Estranha: Era um quarto, parecia um albergue. Barulhento. Parecia ser uma cidade. Tinha muito cheiro de Curry.
Garota Estranha: Eu tenho esse sentimento estranho. Queria poder conversar com você.

Willa mordeu o lábio inferior, franzindo o cenho. Wanda tinha muitos sonhos. Alguns perturbadores, até hoje, ela ainda sucumbia a sua mente em memórias de quando despertou os temores dos vingadores. Algumas lembranças eram inesquecíveis. Algumas eram lembranças da batalha em Sokovia e outros era apenas a sua família e Pietro, em situações do passado, o presente não vivido e um futuro impossível de existir. Wanda encontrou em Fairchild uma conselheira, um ombro amigo, uma psicóloga gratuita. Visão não demorou a dividir tal posição com a ninja. Em seu tempo, Wanda conversava com Willa. Sem entrar em muitos detalhes, ela costumava buscar conselhos, sobre como conseguir dormir melhor, sobre como lidar com tais sonhos e até mesmo, significados por trás de algum sonho em particular. Mas, em raras ocasiões, possivelmente contadas em apenas uma mão, menos disso, Wanda descreveu seus sonhos a ela, seus sonhos com Pietro. Willa estava assombrada. Para Wanda lhe mandar aquela mensagem, não tinha sido apenas um sonho.

Beatrix Kiddo: Que sentimento? Vou tentar te ligar.

E ela tentou. Passeou pela casa toda, até parou dentro da geladeira, encontrando um leite e queijo podre. Mas rede? Não teve sucesso. A rede telefônica da Romênia era uma porcaria. E se ela achava que talvez, através de mensagem ela poderia continuar tal conversa, estava enganada. Nem aquela e nem outra mensagem foi enviada. Ela não podia ligar dos telefones públicos, só podia esperar a rede fazer o favor de funcionar em algum momento.

— Merda. – Ela xingou abandonando o telefone no balcão.

— O que houve? – Bucky anunciou a sua presença na entrada do corredor. Ele estava com a toalha amarrada na cintura, mexendo nos cabelos úmidos. Willa por um segundo, perdeu a linha de raciocínio, o que o fez arquear uma sobrancelha, gostando de ter tal poder sobre ela.

— A rede. – Bucky deu um passo em direção a Willa e ela piscou os olhos, claramente nervosa, abrindo um sorriso tímido, ao perceber o que ele estava fazendo ali. — De telefone. – Ela explicou apontando para o celular descartável no balcão. – Queria falar com a Wanda, mas tento mais tarde.

— Você não deveria falar com o Steve? Desde que você chegou você não ligou para ele, para fazer reclamação de mim. – Ele resmungou com a mão na base da toalha deixando os seus cabelos úmidos pingar gotas de água tentadoras em seus ombros, quase tão tentadoras quanto aquela toalha que podia (ou não) cair a qualquer instante em seus pés.

— E eu tive oportunidade? – Ela rebateu lançando um olhar charmoso e malicioso sobre a figura de Bucky, deixando os seus olhos de demorarem no tórax dele. – Além do mais, eu não estou aqui apenas por ele.

— Você veio por mim. – Ela abaixou o seu olhar, sentindo as bochechas corarem com a risada rouca abandonando sua garganta.

— Eu preciso tomar um banho. – Com essa revelação e sem ter o que dizer, ela passou rente ao seu corpo, seguindo tranquila e sinuosa pelo corredor ao banheiro.

— Eu preciso dessa blusa. – Ele rebateu, olhando-a seguir com malicia. Willa sorriu e tirou a camisa dele e atirou direto para a mão dele, olhando por sobre o ombro com charme e lhe dando alguns segundos para apreciar as suas curvas e corpo nu.

Bucky arqueou as sobrancelhas sorrindo abertamente, segurando a camisa por entre os dedos. Por um segundo, ele pensou em tomar outro banho, agora acompanhado dela.

Bucareste estava movimentada naquele dia. Eles trocaram dinheiro. O boné preto escondia as feições do soldado e nos seus braços, Fairchild se aquecia do frio matinal com seu casaco de couro e um caloroso sorriso.
Um dia egoísta para as duas pessoas que mais mereciam a felicidade.

Bucky e Willa caminhavam abraçados, admirando as peculiaridades da cidade com discrição. E o Sargento precisava confessar, ela tinha razão: as pessoas não percebiam as suas existências, estavam distraídas com suas vidas, o que era ótimo. Era como se o mundo pertencesse apenas a eles. E podia pertencer. Ela sentiu um cheiro adocicado no ar e sorriu, percebendo para onde Bucky estava lhe levando. Uma feira de rua, com barracas repletas de frutas, legumes, comidas típicas, de outros países, e até mesmo acessórios. Bucky parou numa barraca de frutas, parecendo buscar por algo e Willa tinha uma forte suposição. Os romenos se amontoavam comprando as frutas da sua semana. Ela apoiou o seu queixo no ombro do sargento e ele a olhou, com seus olhos azuis acinzentados brilhando para si, assistindo-a apontar para uma parte da bancada e quando seus olhos seguiram o seu dedo, ele riu. Bucky nem ousou questionar como ela sabia o que ele buscava e apenas a guiou até a bancada com fartas e belas ameixas.

— Vai querer uma? – Aproximando-se do ouvido dela, ele sussurrou com um sorriso sereno e discreto.

— Por favor. – Ela lhe lançou um olhar, aceitando melodiosamente.

Ele pegou algumas moedas em seu bolso e ao feirante, com aquela ruguinha de timidez e leve duvida, pegou uma ameixa e questionou o preço, em romeno. Willa o admirou com um largo sorriso. Bucky pagou o feirante e pegou cinco ameixas, entregando uma a ela, guardando o resto no saquinho pardo dentro de seu bolso, notando o jeito indecifrável que ela lhe admirava.

— O que foi? – Ele questionou, mas Willa meneou a cabeça em negativa, mordiscando a ameixa com um sorriso satisfeito. Ele bateu com o indicador no nariz dela, lhe arrancando uma gostosa risada. Assim, ela engatou o seu braço ao dele e retornaram a caminhar pelo resto da feira, comendo suas ameixas.

Eles seguiram pela feira, admirando algumas barracas, até mesmo experimentando algumas provas de algumas comidas típicas da Romênia. Com certeza era uma culinária muito apreciável que Willa poderia acostumar-se. Assim que conheceram cada detalhe da feira, o casal resolveu passear um pouco pelas ruas de Bucareste. Antes de retornarem para casa, eles passariam num mercadinho, para comprar suprimentos. Eles estavam prestes a atravessar uma rua, quando Willa sentiu o celular vibrar. Era uma ligação de um número desconhecido.

— Alô. – Willa não ouviu nada do outro lado da ligação, apenas um chiado e um som pesado de uma buzina. Curiosamente, uma buzina também tocou naquela rua, o que lhe fez desconfiar. Ela insistiu na ligação. – Vou tentar pegar rede em outro lugar. – Ela explicou a Bucky e ele assentiu, assistindo-a se afastar desconfortável e claramente, preocupado.

Os carros passavam no asfalto, seguindo o fluxo do transito. Bucky se manteve parado no meio fio, aguardando o retorno de Willa para eles seguirem. Suas mãos enfiadas nos bolsos do seu jeans escondia a sua mão metálica enluvada e os seus dedos humanos movimentando ansiosos, mantendo o seu rosto abaixado. Foi quando ele sentiu. Ele era observado. Discretamente ele administrou um olhar pela avenida, e não demorou a encontrar quem lhe encarava. Era o jornaleiro. Ele tinha um jornal em mãos e um olhar assombrado em Bucky, então retornou seus olhos ao jornal e pareceu prestes a colapsar, mas antes que o fizesse, retornou seu olhar a Bucky.

— Alô. – Willa repetiu pela milionésima vez, parando na marquise de uma farmácia. O celular finalmente ganhou sinal, ela não podia desligar tal chamada. Vai saber quando ela conseguiria rede ali?

— Willa? Você está me ouvindo? – Era a voz de Sam. Ele soava... Cansado. Ele parecia correr. E muito, o que era algo atípico de Wilson. – Sou eu, Sam.

— Eu conheço a sua voz, Sam. – Ela retrucou sisuda. – O que houve?

— Onde você está? – Ele questionou por sobre a sua pergunta e ela piscou os olhos, incerta de sua resposta.

— Qual é a senha? – Eles tinham combinado duas senhas, uma para caso, eles fossem coagidos a entregar o paradeiro um do outro (e Steve) e outra para deixar claro que estava tudo bem e aquela era apenas uma ligação amigável.

Estrela da morte. – Definitivamente não era uma ligação amigável. – E não desligue. – Sam pediu, como se pudesse ver Willa pronta para se enfiar num bueiro e fugir desesperadamente. — Não é o que você está pensando. – Imagine a pessoa mais confusa do mundo... — É pior. – É a Willa agora. — Me responda.

— Eu estou onde combinamos que eu estaria. Eu o encontrei...— Todo cuidado era pouco e ela optou por escolher milimétrica suas palavras nesse caso. Sam grunhiu. — O que está havendo?

— Bucky aconteceu. – Willa não estava compreendendo bulhufas. — Você não leu as noticias?

— Que notícias?

— Bucky esteve em Viena, ele cometeu um atentado no prédio das Nações Unidas, hoje de manhã. – Willa soltou uma gargalhada incrédula. — Willa, isso é sério.

— Isso é bem impossível. – Ela respondeu sarcástica, com sua mente trabalhando a mil por ora.

— Olha, eu sei que depois do Steve você é a segunda maior defensora do Homem de Lata, mas dessa vez, ele conseguiu: ele ultrapassou aquela linha tênue, Willa. – Sam lhe relembrou da conversa que eles tiveram a poucos dias e Fairchild meneou a cabeça pesadamente, crispando os lábios.

— Eu não estou defendendo ele. – Ela respondeu, claramente, na defensiva.

— Você o encontrou e assumo que não terminou nada bem... – Sam concluiu, mas antes de completar sua linha de raciocínio, Willa o cortou com suas palavras um pouco urgente.

— Eu estou dizendo ser impossível, porque eu passei a noite com ele. – Willa respondeu não percebendo o significado por trás de suas palavras, sentindo suas bochechas corarem levemente. — Ele não podia estar em Viena e comigo ao mesmo tempo, certo? – Não mesmo.

— Oh. – Sam pareceu ser dominado por incerteza. — Cadê ele agora?

— Aqui, do meu... Lado. – Willa olhou por sobre o ombro e não encontrou Barnes onde o deixara, isso foi o bastante para ela quebrar seu foco na ligação com Sam. — Droga, Buck.

Ela retornou para onde o deixara e lançou um olhar pela avenida, procurando por ele. E por um segundo, bem breve, ela acreditou que ele havia lhe deixado, novamente, pela sua segurança. Então, ela concentrou os seus sentidos aguçados, buscando pelo seu perfume misturado ao ar poluído e misto de Bucareste.

Seus olhos fixaram na banca de jornal e o seu coração encontrou alivio ao reencontrar Bucky. Com a cabeça abaixada, ele lia um jornal. A tensão em seus ombros revelaram um desconforto e o seu coração acelerado revelou um temor. Willa reparou: algumas pessoas próximas à banca olhavam de Bucky a distância com certo assombro, como se algo tivesse ocorrido. Ele levantou seus olhos do jornal, lançando um olhar discreto pela avenida, até que os seus olhos azuis fixaram em Willa e ele parecia prestes a despedaçar diante de si.

Rapidamente, Willa driblou um carro, evitando um atropelamento indo ao seu encontro, imediatamente conectando os seus braços e repousando sua mão contra o seu peito, buscando lhe trazer conforto. Eles partiram. Bucky conhecia aquelas ruas como um GPS. Ele a guiou por entre ruas pouco movimentadas e becos, onde eles pararam momentaneamente. Ele sentiu a presença de alguém e Willa quis averiguar, utilizando dos seus sentidos, mas não passou de um alarme falso. Retornando ao lado de Bucky, na primeira oportunidade, ela despedaçou o celular e jogou no bueiro.

— Eu não faço mais isso. – Bucky proferiu resoluto lançando um olhar temeroso sobre Willa.

— Eu sei. – Ela assentiu, arqueando as sobrancelhas pela obviedade. Willa o analisou por um instante: estaria ele duvidando das suas ações, como um lapso memorial? Ou, algo pior? — Alguém está tentando te incriminar. – Ela revelou buscando serenidade em sua voz, lançando por sobre os ombros um olhar ansioso para as entradas do beco e Bucky a tomou, protetoramente em sua frente, mantendo suas mãos cerradas contra sua cintura.

— Hidra. – Ele sussurrou e Willa lhe lançou um olhar inquisidor. — Eles podem estar buscando me incriminar para conseguirem me encontrar. Me levar de volta... É uma emboscada.

— Eu não sei, mas não existe mistério que não podemos solucionar. – Isso não parecia algo típico da Hidra. Ela tendia a ser discreta, rastejante, manipulativa, nunca tão evidente. E subitamente, Willa sentiu a nuca arrepiar.

— Você tem que ir embora. – Bucky meneou a cabeça em negativa, resoluto.
— Eu decido isso, Bucky. – Willa levantou singela e delicadamente o seu queixo, com um olhar tão duro quanto às muralhas de gelo da Groenlândia.

— Você está em perigo. – Ele afirmou duramente.

— Eu decido isso também. – Ela negou com firmeza e resoluta, movimentando desgostosa os ombros, subitamente sentindo-se inquieta. – E mesmo se fosse o caso, eu não me importo. – Ela cruzou os braços, suavizando a sua postura e admirando Bucky com comoção. — Você também está em perigo, James. E nem por conta disso, estou tentando te proteger sob as minhas asas. Eu sei que você pode suportar isso, como eu. – Bucky a admirou e inclinou o seu rosto, lhe lançando um olhar claramente impressionado. — E agora, eu sou o seu álibi. Nós estávamos juntos ontem à noite e hoje também. – Era o que Bucky temia. — É impossível você ter cometido esse atentado sem eu ter dado pela sua falta ontem à noite e eu posso garantir que você estava bem presente. – Sua dosagem de malicia acertou Bucky em cheio e ele era uma bagunça de timidez e malicia declarada. – A noite toda.

— Ninguém pode saber que estivemos juntos. Ou o próximo acidente vai envolver você e nós não queremos isso. – Fairchild abriu os lábios, organizando sua linha de raciocínio, mas foi impedida por Bucky. Num rompante ele se aproximou dela, repousando suas mãos em sua nuca e rosto, lhe trazendo para perto de si. – Eu fui embora por causa disso! Eu estava evitando causar isso.

Bucky

— Eu estou com medo. – Ele revelou num suspiro exasperado. — Medo de que alguma coisa aconteça com você, por minha culpa. Isso não deveria estar acontecendo.

— Eu não estou com medo.

— Mas você deveria. – Ele respondeu imediatamente, lançando um olhar afrontado a ela. — Eles sabem. – Bucky apontou para o nada com aquele ar temeroso e assombrado que fez Willa perder toda a sua compostura. — Eles sabem o que você significa para mim. – Ele sentia que a Hidra estava à espreita, não apenas de si. E num misto de emoções, Willa se deu conta dos sentimentos de Bucky por si.

Ele não foi embora para proteger Steve e os seus amigos, ele foi embora para proteger Steve, o que lhe restava de uma lembrança de quem ele fora e Willa, a lembrança do que ele poderia ser.

— Eu não tenho vergonha, muito menos temo pelo que pode me acontecer, por conta do que sinto, por você. – Ela quis deixar claro não apenas os seus sentimentos, mas também, a sua postura diante das duvidas de Barnes.

— Nem eu, mas isso que temos agora não tem futuro. Ao menos, não agora. – Willa lhe lançou um olhar conflitante, arqueando uma sobrancelha com comoção. – E você sabe disso. Você sabe que não teremos isso enquanto tivermos esses tipos de ameaças nos cercando.
— Eu não quero falar disso agora. – Ela negou áspera com a cabeça, caminhando para longe do alcance dos olhos de Barnes, de sua feição preocupada e triste e de sua postura. Não deu certo.

— Willa, nós vamos ter que falar disso em algum momento. – Ele sussurrou tais palavras com pesar e Willa riu, abafado. Um riso sem emoção, um riso triste.

— Talvez eu esteja fugindo dessa conversa agora, que nem você fez, comigo, ao ir embora. – Ela revelou buscando soar leve, talvez até um pouco manipuladora venenosa. Ela olhou por sobre o seu ombro, encontrando Bucky lhe olhando tão... Só. Ela não resistiu e retornou para si, repousando suas mãos entorno dos seus ombros. — Mas, por ora, não quero falar disso, pois precisamos ir embora daqui. – Ela completou e Bucky franziu o cenho lhe lançando um intenso olhar e Willa respirou fundo, não apenas pela intensidade dele, mas por algo detectado em sua audição. — Tem helicópteros se aproximando a três, quatro quilômetros e não são de trânsito e... – E ainda contava com aquela estranha inquietude em seu coração, o arrepio em sua nuca... Era quase como se ela sentisse que havia olhos atentos sobre eles ali, mas... Onde? Quem?

— Tudo bem. – Bucky sussurrou em concordância, repousando sua mão no rosto de Fairchild trazendo sua atenção para si com um olhar emotivo e um discreto sorriso de aceitação.

— Tudo bem, então. – Ela concordou com docilidade repousando sua mão delicadamente em seu antebraço e peito.

Bucky se aproxima com urgência e beija Willa, e é diferente: é urgente, é apaixonado, é temeroso, é doloroso. Ao se afastarem, ela ainda está sob a posse de suas mãos e ele também se encontra hipnotizado por ela, por sua figura, por seu rosto, por seus olhos. Deus, porque ele a colocou em seu caminho? Porque ele se deixou apaixonar por ela? Era uma punição aos seus atos? Era um castigo sádico por conta das suas ações? Ela não merecia tal sofrimento. Ela não merecia se apaixonar por alguém tão quebrado como ele. Ele só lhe traria sofrimento, dor, problemas, mortes. Ela merecia alguém melhor, alguém que ele não podia ser agora... Mas, mesmo sabendo disso, ele não conseguia deixá-la ir. Deus, ele mal conseguia soltá-la das suas mãos. Ele não era forte o bastante para deixá-la ir, seguir e encontrar sua felicidade com outro alguém. Só em pensar isso, ciumento e egoistamente, ele a trazia para mais perto de si. Ele queria ser sua felicidade. Ele queria ser o seu presente. Ele a queria sua. Os seus olhos se encontram numa intensa admiração mútua e ela sorriu com tristeza. Ele precisava fazer o melhor por ela. E abandonando um beijo sobre sua testa, respeitosamente, Bucky segurou a sua mão e lhe guiou rápida e discretamente pelas ruas em retorno ao apartamento.

Sem saberem que eram observados felinamente à distância por um homem dominado pela vingança.

Notas finais
• I M P O R T A N T E: STEVE ROGERS fez aniversário dia 04/07 e a festa foi um deslumbre. Vocês deveriam ter ido, depois mostro as fotos para vocês! Tenho cada vídeo do Sam e do Scott que olha... Memorável! MAS, vocês não sabem da grande novidade por aqui: DOMINGO, 17/07 é o meu aniversário (YAYYYYY!) e quem ganha o presente é você: Se esse capítulo chegar a SETE (07) comentários, no domingo, eu libero o novo capítulo... ASSIM, sem delongas, sem mimimi, sem esperar até a próxima semana chegar para ler o que vai acontecer com Willa, Bucky e toda a galerinha. Você quer ler o próximo explosivo e extremamente emocional capítulo de Born To Die? ENTÃO, COMENTE ESSE CAPÍTULO com tudo o que você achou e está achando dessa história. Não perca tempo! ♥ E sim, eu aceito fotos dos nossos meninos como presente de aniversário, um beijão! xx