Born to Die | Exile
7 Born to Die | Stay with Me
Notas iniciais
S T A Y W I T H M E
Faixa três – a mix to W.F From J.B.B with Help of S.R E S.W.
These nights never seem to/Go to plan/I don't want you to leave/Will you hold my hand?/Oh, won't you stay with me?/'Cause you're all I need/This ain't love, it's clear to see/But darling, stay with me.
Na casa, Steve procurava por Sam. Com passos firmes passou pela sala de jantar e não encontrou ninguém. Nem nos corredores, nem nas outras salas. Nessas horas Steve era tomado por uma sensação de claustrofobia muito semelhante a quando ele despertou pela primeira vez a alguns anos atrás e pior, como na guerra, quando o silêncio significava que o inimigo estava à espreita e na pior das hipóteses, o silêncio vem de você. Num piscar de olhos, Steve se encontrou na sala principal, onde Bucky estava próximo à janela, observando o perímetro com seriedade e era possível sentir a tensão sobre seus ombros, como uma presença. Já Sam estava analisando um documento, segurando o comunicador com firmeza em sua mão.
— Nada deles? – Steve questionou cruzando a sala, até alcançar o sofá.
— Nada. – Wilson respondeu firme, movendo seus olhos para Steve. – O GPS falhou. Não sei se é um erro do satélite ou outra coisa, mas... – Sam não queria soar alarmado, mas não teve sucesso. O silêncio dos Super Soldados deixou isso claro. — Só chamo o canal se você autorizar... – Ele largou seu material de leitura.
— Temos que ser cuidadosos, ligar antes do tempo não era parte do plano. – Steve sentou na poltrona, apoiando os cotovelos sobre os joelhos com um olhar firme sobre o comunicador, então negou com a cabeça e Sam largou o aparelho sobre a mesa de centro.
— Eles já fizeram isso antes? – Bucky sussurrou rouco, não distanciando seu olhar da paisagem. — Planejaram entrar em contato numa determinada hora e não conseguiram? – Ele olhou brevemente para Sam e focou seus olhos azuis gélidos sobre Steve com o seu cenho tencionado.
— Uma vez. – Steve respondeu pensativo. — Teve um trabalho de reconhecimento de uma célula da Hidra no sul da Polônia há uns quatro meses atrás, Willa tinha acabado de retornar de Nova York e ela quis auxiliar no treinamento de campo de Wanda, lembra? – Wilson assentiu e Bucky manteve sua postura e olhar cravado em Rogers. — A bateria do jato arriou por um descuido do piloto e elas não conseguiram entrar em contato no horário combinado, o que deixou todos preocupados, mas em poucas horas eles acabaram chegando ao hangar...
— E levaram uma bela bronca do Stark. – Sam completou com um sorriso divertido. Se tinha algo que ele adorava era quando Willa levava uma bronca de Stark e de Steve, ela parecia um filhotinho sem dono quando isso acontecia. Quando Steve dizia que ela e Sam pareciam Bart e Lisa Simpson não era exagero!
— Isso pode ter acontecido agora, certo? – Bucky questionou com duvida e uma perceptível ansiedade, aproximando da dupla com um olhar atento as suas reações.
— Dificilmente. – Sam respondeu com suas mãos unidas e a testa franzida, enquanto raciocinava naquelas possibilidades. — Esses comunicadores apenas gastam bateria quando ligados e o GPS pode falhar a qualquer momento, por conta de problemas com satélite, radiação solar, mas dificilmente isso aconteceria em campo aberto.
— Quando foi à última vez que o GPS esteve ligado? – Bucky questionou sustentando o olhar em Wilson que inclinou a cabeça, buscando uma página num caderno de anotações. Precavido, ele manteve aqueles dados anotados para uma emergência.
— Em algum lugar ao sul dos Estados Unidos, pelo que vi no mapa, uma área rural. – Sam revelou, trocando um olhar entre os dois amigos, batucando seu indicador no mapa a sua frente.
— As intermediações da fazenda do Clint. – Steve chegou a tal conclusão, respirando fundo com um leve incomodo crescendo em seu peito.
— Ou eles chegaram perto de lá e alguma coisa aconteceu. – Com discrição, Wanda surgiu do corredor principal. Por um segundo Sam pareceu enfartar por tal presença inesperada. Adentrando a sala comum com passos pesados e um olhar misterioso sobre o trio, Wanda proferiu. – Liga. – Ela olhou firme para Steve e suas palavras não soaram nem um pouco como um pedido gentil.
— Não é parte do plano. – Ele repetiu, meneando a cabeça negativamente.
— Não, mas Willa e Barton não quebram suas promessas, não importando o motivo. – Wanda o relembrou desse detalhe e Steve encolheu os ombros, pensativo. Bucky assistia a tudo silencioso e concentrado nas palavras de Maximoff, principalmente na sua argumentação sobre os amigos. – Eles disseram que ligariam em oito horas... Já passaram de oito horas a três horas! – Ela exclamou discretamente nervosa, o que acentuava o seu sotaque Sokoviano. — Alguma coisa aconteceu. – Wanda concluiu cruzando os braços com um olhar preocupado, porém decidido sobre Rogers.
— Ela tem razão. – Sam concordou afastando as suas mãos com um olhar pesaroso sobre Rogers. — Barton nunca deixa o GPS desligado e Willa é extremamente perfeccionista, ela não deixa nada escapar numa missão. – Steve ainda ponderava e Wanda crispou os lábios, incerta.
— Quando a bateria do jato arriou, na missão da Polônia... – Com cautela, Wanda interrompeu o silêncio do trio, recebendo um olhar interessado e, contida, ela encolheu os ombros, timidamente prosseguindo com o seu relato. — Willa queria ligar para você, Steve, queria dizer que estava tudo bem conosco... Willa te conhece, sabe como você se sente responsável por nós, por sermos as mais jovens do time, mas ela não podia ligar e ficou ansiosa aguardando por uma ligação sua ou do grupo que nunca ocorreu. E se ela estiver assim agora? Apenas esperando...
— Liga. – Bucky proferiu resoluto, estendendo o comunicador a Steve. Nem se sua vida dependesse disso, ele conseguiria mexer naquela geringonça.
Steve olhou para Bucky pesando os prós e contras daquela postura. Ele ouviu os amigos com atenção, mas no final, a postura de Barnes que lhe fez assenti e pegar o comunicador, conectando no canal de transmissão. Esperando pelo melhor e a dupla não ter ligado ter sido um descuido deles, ao qual seria repreendido imediatamente por ele, Wanda e por Sam, talvez até Bucky. Com a falta de resposta, Steve achou ter feito algo errado e tentou novamente, mas o chiado mostrava ter contato com a rede, o que indicava um bom funcionamento do satélite, mas nenhuma resposta do recebedor. Steve trocou um olhar sutilmente aflito com Sam e Wanda passou uma mão nervosamente pelos cabelos, todavia Bucky manteve-se imóvel com seus olhar cravado no comunicador.
— Isso não deveria estar acontecendo, não estou certo? – Ele questionou movendo os olhos a Sam e então, Steve com um aceno, respondeu. – O que podemos fazer?
— Ir até lá? – Wanda sugeriu, cruzando os braços.
— Seria um risco. – Steve respondeu, apoiando as costas no encosto da poltrona com um olhar perdido na sala. — E se tudo deu certo? E se eles apenas estão sem rede e meios de se comunicar? – Wanda se sentiu num daqueles seus treinamentos de campo, onde ela sentia-se estupidamente um peso nas costas de seu time.
— Ela vai me matar! – Sam bufou ficando de pé num salto, seguindo para o corredor leste, sendo seguidos pelos colegas. Ele abriu a porta do escritório do ex morador daquela casa e a mesa, Sam estendeu sua mão, pegando um tablet, mexendo com agilidade no dispositivo.
— Ela quem? – Steve questionou recebendo um olhar confuso de Maximoff e Barnes.
— Willa. – Sam revelou, bufando, sem retirar seus olhos do dispositivo. — Depois que ela desapareceu, quando ela foi para Hell’s Kitchen, eu fiquei preocupado com a nossa garota e suas missões doidas e resolvi nos precaver de eventuais problemas...
— Corta para a parte em que ela mata você. – Bucky interrompeu com um olhar faiscante sobre Wilson que sustentou seu olhar e optou por ignorá-lo, pelo bem de sua amizade com Rogers.
— Ela levou a Katana? – Sam questionou, retornando seus olhos castanhos para o dispositivo.
— Sim! – Steve e Bucky responderam em uníssono, recebendo um olhar levemente divertido de Wanda.
— Eu coloquei um daqueles nanos rastreadores do Stark dentro da bainha da katana dela. – Sam explicou, olhando para Steve e Wanda, aguardando o dispositivo entrar em conexão com o sistema do rastreador. – Eu não sabia se funcionaria. Eu apenas estava arriscando, sabe, só que deu certo! Eu lembro que o Tony disse algo sobre eles serem vitalícios, pois são feitos de vibranium e a única coisa que eles necessitam para funcionar é estarem conectados com o satélite dos Stark.
— Deixa eu ver se eu entendi: você está stalkeando a Willa? – Wanda perguntou franzindo o seu cenho.
— Tipo isso. – Sam respondeu cuidadosamente. Steve arqueou as sobrancelhas, trocando um discreto olhar com Bucky que pareceu, silenciosamente, corresponder ao seu pensamento.
— Ela vai te matar e eu vou assistir de primeira fileira. – Wanda apontou o indicador para Wilson com uma risada maléfica ecoando de sua garganta.
— O que é stalkear? – Bucky perguntou a Wanda, confuso e recebendo um olhar cômico dela. — Por que ela vai te matar por isso e por que ela sumiu em Hell’s Kitchen? – Ele completou olhando de Sam a Steve.
— Essas são muitas perguntas até para mim. – Sam gesticulou claramente confuso e implicante. — Aqui, viu? – Ele apontou para um mapa de satélite com um pontinho vermelho brilhando e apagando, seguindo por um caminho reto, por entre planícies do mapa. — Funciona... – Ele concluiu com um sorriso satisfatório, então enrugou seu cenho dando-se conta de um pequeno detalhe. — E ela está em movimento… Para o lado oposto ao qual eles deveriam estar indo. O que eles estão fazendo indo para o interior de Nova York? – Sam questionou, identificando aquela área territorial.
— Você está certa, Wanda. Algo aconteceu a eles. – Steve comentou, repousando sua mão sobre o ombro de Maximoff num sinal de aprovação e conforto. — Nós precisamos tentar falar com eles.
— Como? Telepatia? – Sam rebateu sarcástico sendo fulminado por Maximoff, o que lhe fez estalar os dedos lembrando um pequenino detalhe. — E eu esqueci os seus dons…
— Eu não consigo fazer tal contato. Não a essa longa escala. Visão conseguiria. – Wanda explicou, tal menção lhe fazendo chegar a uma conclusão a qual ela não esperava por lhe causar tamanho incomodo em seu coração, escondendo um olhar pesaroso sobre o mapa eletrônico.
— Nós não temos Visão aqui. – A resposta de Sam apenas reforçou o pesar em Wanda que não conseguiu esconder seu pesar, distanciando do trio, repousando sua mão nos lábios e admirando a paisagem através da janela. – Podíamos pegar o carro, ir apenas dois de nós e seguirmos essas coordenadas... – Sam sugeriu, apontando para o tablet.
— Não parece a melhor das ideias, mas… — Steve respondeu, cruzando os braços. — Buck, o que você acha? – Com o seu silêncio, Rogers inclinou seu rosto para ele e encontrou o vazio. — Cadê ele? – O desespero na voz do Capitão deixou a todos em alerta.
— Garagem. – Wanda respondeu lançando um olhar por sobre o ombro, pensativa. — Acho que ele concorda com você, só não pretende ir com você.
— Merda! – Steve xingou num suspiro, deixando o escritório e seus amigos com interrogações em seus semblantes. Adentrando a garagem, o capitão encontrou o amigo prendendo o gancho de sua mochila, repousando a mão no guidon da moto. — Bucky!
— Nem pense em me impedir. – Bucky respondeu duramente, nem se atrevendo a olhar Rogers.
— Então não pense em cometer essa insanidade. – Steve pediu colocando-se a frente da moto, o que impediria de Bucky partir, sem iniciar um duelo entre eles.
— Você sabe muito bem o que aconteceu. – Ele cuspiu tais palavras para Steve com um olhar furioso sobre o amigo e a certeza de suas ações sobre seu ombro.
— Nós não temos certeza de nada, Bucky. – Steve buscou ser a voz da razão. — Só sabemos que eles estão indo para o interior de Nova York e isso pode ser uma mudança de planos, por motivos ainda desconhecido por nós. – Bucky meneou a cabeça em negativa, descrendo veemente daquilo. — A melhor forma de ajudá-los e mantendo nossas cabeças no lugar e ficarmos juntos.
— Por quê? – Bucky questionou endurecendo o seu semblante.
— Por que precisamos pensar no grupo. – Steve respondeu apontando para casa.
— Você consegue isso? – A postura resoluta e semblante sisudo de Bucky entrava em contraste com sua voz baixa, rouca e controlada. — Você realmente consegue fazer isso depois de tudo que passamos nesses dias, você consegue ficar sentado, torcendo que tenha sido só um mal entendido quando tudo aponta para um ataque do governo ou quem sabe, pior?
— Bucky, você precisa se acalmar. Isso é novo para você e eu entendo que você esteja assustad—
— Você moveu o mundo para me encontrar e não pode fazer a mesma coisa por eles? – Bucky atirou aquela pergunta a Steve e ele não esperava por isso. Desconcertado, Rogers deu um passo para trás, momentaneamente preso em sua mente. – Eles são seus amigos...
— E você acha que subir nessa moto e desbravar o mundo em busca deles, com a Hidra nos seus encalços é a ideia mais inteligente? – Steve questionou, buscando ainda trazer um pouco de luz a mente turva de Barnes.
— Eu não sei se é o mais inteligente, só sei que não vou ficar sentado aqui, esperando a Hidra trazer a cabeça deles para nós. – Bucky respondeu resoluto, subindo na moto, pronto para dar a partida. Ele esperou, mas Rogers não ficou em seu caminho.
— Eu a vi passar por coisas piores. – Ele proferiu com pesar e Bucky travou a chave na ignição, comprimindo os seus lábios, respirando fundo.
— Isso não é sobre a Willa. – Ele responde tencionando os seus ombros e girando a chave na ignição.
— Bom, eu sei que não é sobre o Barton. – Rogers e o seu sarcasmo, sempre arrancava um sorriso torto de escárnio de Barnes. — Você acha que não estou preocupado com ela? – Ele sussurrou cortando o espaço entre eles em alguns passos. — Eu estou apavorado.
— Então faça alguma coisa por ela. Qualquer coisa.
— Tudo bem, mas vamos fazer isso juntos, como um time e não como uma bravata pessoal, ok? – Steve pediu repousando a sua mão sobre o ombro esquerdo de Barnes e ele apenas abaixou o seu rosto.
— Eu não te contei isso e eu duvido que ela tenha lhe dito... Quando ela me encontrou tentando me matar, ela não pensou duas vezes antes de arrancar a arma das minhas mãos... Nós brigamos, ela deslocou o meu nariz e ela ainda reclama das costelas por causa de um soco que eu dei, você sabe... O ponto é: ela me pediu para não desistir, mas se eu optasse por tal escolha, ela pediu, me implorou, para me lembrar de tudo que eu perderia ao seguir por tal caminho, pois ele não teria volta, nem para mim, nem para você... E ela me deu a arma. Ela me deu uma escolha.
— Buck—
— Ela é louca.— Ele esbravejou, frustrado. — Eu sou uma bomba relógio e por nenhum momento ela se afastou de mim, pelo contrário... Noite após noite, sem questionar, sem julgar, sem se quer abrir os lábios para tentar arrancar algo de mim ou falar de si, ela buscou me confortar dos meus pesadelos, dos meus rompantes, dos meus apagões e ela busca por algum motivo que não sei e não entendo, me salvar. Se é por você, por mim, por ela, quem sabe... – Bucky falou dividindo aquilo com Steve. — E ela não faz isso só por mim. Ela faz isso por você, ela me ajuda por se importar com você e quando ela aceitou entrar nessa guerra contra os seus amigos, ela faz isso por Sam, pois sabe que divide o peso de coliderar isso tudo, o que alivia o peso sobre as costas dele.
“Ela faz isso pelo Barton, quando foi a primeira a se oferecer a ajudar na extração da família dele, mesmo não sendo algo que ela costuma fazer, mesmo sabendo o peso e seriedade disso. E pela prima dela… Você tem ideia do que ela viveu, porque quando ela falou de um tal de Kilgrave, eu vi medo no olhar dela e nem no meu pior ela me olhou daquele jeito. E mesmo assim, de todos, ela é a primeira a sair por aquela porta, pronta para defender e proteger o que e quem ela acredita merecer. Então não... eu vou fazer isso uma bravata pessoal sim, pois depois de você e do Sam, ela é a única que olha para mim e me vê e eu sei que ela não vê um monstro.”
— Se você não concorda com o cara depois desse discurso, eu vou te quer te dar um soco e ajudar ele a fugir com a moto, e você sabe como isso vai doer mais em mim do que em você. – Sam anunciou a sua presença ao proferir tais palavras, parado com Wanda ao seu lado, na entrada garagem.
— E eu ainda surrupio uns salgadinhos na mochila dele. – Wanda gesticulou os dedos com um olhar semicerrado sobre os Super Soldados. Bucky abaixou seu rosto, escondendo sua comoção por tal apoio e também revigorado a prosseguir.
— Nós precisamos ser discretos. – Steve reinteirou, retornando o seu olhar sério a Bucky. — Você não pode sair nessa bravata com a Hidra te procurando. Precisamos do Sam na sede, pois ele é o único rosto conhecido do nosso informante, para recebermos as informações envolvendo a base da Hidra. Wanda é a nossa proteção máxima. Nada passa por ela e sem ela, ficaríamos em desvantagem e expostos. Eu posso ir, mas também não acho prudente, pois sei que eu tenho um alvo entre os olhos tanto quanto você.
— Então quem nos resta? – Bucky questionou arqueando as sobrancelhas.
— Você acha que o seu amigo topa nos ajudar? – Steve perguntou, por sobre seu ombro, olhando Sam.
— Se ele topa? – Sam rebateu a questão com deboche. — Se eu mencionar Capitão América e ajudar A Ninja, eu acredito que ele vá desmaiar de tanta animação. – Rogers assentiu e o Wilson compreendeu. — Vou ligar para ele. – E com isso, ele deixou a região da garagem para colocar em andamento tal plano, sendo seguido por Wanda que percebeu que os amigos precisavam de privacidade.
— Vou ver se algo mudou no GPS.
Bucky tirou a chave da ignição. Steve caminhou e saiu da garagem, seguindo pelo caminho até a rua, observando a rua residencial com uma pequena esperança crescendo em seu peito de que os seus amigos podiam surpreendê-los e chegar. Isso não aconteceria. Bucky assistiu a introversão de Rogers, desceu da moto, mantendo a nivelada ao chão. Desprendeu o gancho da mochila de seu tórax e tirou, segurando a sua alça e guardou a chave no balcão. Fechando a porta da garagem, com apenas um puxão da maçaneta e o estalo metálico anunciou que o portão estava fechado. Steve não olhou para atrás, então não percebeu quando Bucky aproximou-se cuidadoso, parando ao seu lado também com um olhar melancólico para a rua.
— Desculpe. – Bucky sussurrou enrugando o cenho, lançando um olhar frustrado e sentido ao amigo.
— Não precisa. – Steve anuiu, repousando sua mão no ombro esquerdo dele, lhe confortando. — Você tem razão, eu só não esperava que você...
— Soubesse disso tudo? – Ele completou arqueando as sobrancelhas. Ele mesmo estava surpreso com o seu conhecimento. Steve meneou a cabeça em negativa.
— Se importasse tanto assim. – Bucky sorriu contido.
— Eu me importo porque me lembro. Eu estou me lembrando, algumas coisas vem com maior clareza, como aquela noite na Exposição do Stark, outras ainda são incertas e confusas, como o que aconteceu no trem... – Bucky revelou crispando os lábios com tais lembranças aflorando sua mente. — Eu tenho medo de esquecer o que vivemos agora, o que estamos fazendo, o que sou, quem fui, quem são eles, então eu me obrigo a recordar todos os dias de cada detalhe marcante de cada um deles: A lealdade de Sam. Barton e seu instinto observador. A distância de Wanda mascara o seu sentimentalismo...
— E o que você tenta lembrar da Willa? – Steve questionou arqueando discretamente as sobrancelhas.
— O seu altruísmo por mim e por todos. – Bucky respondeu poucos segundos depois, trocando um olhar com Steve que não conteve uma gostosa risada, o que fez Bucky enrugar o cenho, crispando os lábios. – Cala a boca! – Bucky choramingou e Steve tentou controlar sua risada, mas era inevitável.
— Você continua um péssimo mentiroso.
— Velhos hábitos... – Ele brincou arqueando as sobrancelhas com um sorriso frouxo.
— Vem, vamos ver se o Sam conseguiu alguma coisa. – Steve sugeriu e os dois amigos partiram lado a lado em retorno a casa isolada naquela avenida residencial.
Willa estava um caco.
Fisicamente ela tinha um corte na base da cintura, causado por um tiro de raspão e o corte fundo em seu bíceps direito, por conta de uma adaga muito bem afiada, precisava de alguns pontos o quanto antes ou seu braço acabaria sofrendo uma inflamação preocupante, mas ela não conseguiria uma agulha e linha naquela lanchonete numa pequena cidade de interior, e por mais que estivesse tentada a comprar fio dental e improvisar uma agulha, ela resolveu esperar. No banheiro, improvisou um curativo na cintura com um pedaço de absorvente e amarrou um lenço com força no corte do bíceps. Doeu e ela precisou mastigar uma aspirina, antes de acabar queimando em dor. Ela retornou para a lanchonete. Pediu um pedaço de torta de queijo e uma xícara nova de café. Pensou em comprar um cartão telefônico e ligar para o celular descartável de Steve. Ela teve que se desvencilhar do seu celular descartável após ligar para Stone, para garantir a segurança de Nate. Se arrependeu. Deveria ter mandado uma mensagem para Steve, mas e se fosse rastreado? Depois do que aconteceu com Barton, agora todo cuidado era pouco. Cuidado? A quem ela estava enganado, ela temia até a própria sombra agora. Bebericando o café quente e amargo, Willa buscou se tranquilizar com a ideia de Nate estar protegido sob a guarda de Stone. Ele era um homem de palavra é mesmo com os seus atuais conflitos com A Mão e Stick, ele não a abandonaria nesse momento de necessidade. O problema seria o que viria depois, o que ele lhe pediria após tal favor. Ok, um problema por vez. Willa precisava encontrar e avisar ao grupo do sequestro de Clint pela Hidra. Ela precisava avisar também sobre a morte de sua esposa. Ela, acima de tudo, precisava sair de circulação e voltar para o esconderijo o quanto antes. Não demoraria para a polícia estar vindo atrás de si, não era todo dia que uma loira andava por aí com uma katana, usando o seu boné preto, visivelmente pingando em sangue. Ela tinha poucos dólares. Pegar um trem para Washington não parecia a melhor ideia, então quem sabe pegar emprestado um dos carros no estacionamento da lanchonete. Da estrada, ela ligaria para o esconderijo. Isso se ela conseguisse chegar à estrada. Suas desconfianças se tornaram realidade quando sua audição destacou inesperadamente um seguidor. Uma rua deserta numa cidade tão silenciosa quanto um cemitério e alguém tinha que, justamente seguir ela? Só podia ser problema. Ela continuou caminhando, seguindo na direção de um Chevrolet vermelho na última estância do estacionamento, a mão no bolso, como se segurasse a chave do seu carro lhe dava um ar despojado e distraído, mas seus ouvidos lhe mantinha a par de cada passo do seu perseguidor. O seu agitado coração, passos descompassados e uma respiração áspera a menos de dois metros de si. Assim que alcançou a porta do motorista, ela fingiu abrir a porta e procurou por quem estava lhe seguindo, pronta para enfiar um chute no seu pé, uma furada em seus olhos e se fosse necessário, uma chave de gancho. Entretanto, não havia ninguém ali. Ela nunca estava errada. Seus ouvidos nunca lhe enganaram antes. Eles podiam ser imprecisos sim, mas enganadores? Nunca. Ela discretamente sacudiu o bolso, como quem procura a chave e olhou para os céus, quem sabe é uma espécie de falcão ou pior, um Tony Stark da vida, mas não, ela ouviria o ranger do metal e a corrente elétrica em funcionamento. Se não tinha nada nos céus, só lhe restava o chão e ela encontrou apenas o asfalto. E os batimentos se intensificaram como um chiado intenso e ao seu lado um homem, literalmente brotou. Willa nunca tinha visto isso antes e olha que ela já viu muita coisa, mas ver um homem microscópico crescer até alcançar 1,83 bem diante dos seus olhos? Nunca. O homem vestia uma roupa metálica em tons cinzas e vermelho com seu rosto coberto pelo que parecia ser uma máscara de gás, o que a impediu de identificar quem ele era. Em câmera lenta, Willa assistiu o homem erguer o antebraço e proferir um animado ‘oi’ e ela não foi impulsiva, ela foi ágil e direta. Fairchild pisou no pé dele, o homem grunhiu roboticamente sentindo a dor do impacto, ele viu ela se aproximar e conseguiu se desvencilhar de um soco, um chute em seu rosto e uma tentativa de chute de impacto no tórax, muito bem bloqueada, mas ele não antecipou uma joelhada na sua virilha e soco no seu diafragma para impedir sua movimentação e dificultar sua respiração. Por fim, ela segurou seu antebraço, o rodopiou e o empurrou de encontro com a capota do carro, prendendo seu outro braço e travando suas pernas com seu quadril, e ele nem tentou fugir, mas mesmo assim, ela estalou seu braço num ato ameaçador.
— Um movimento em falso e quebro o seu braço em três lugares diferentes. — O homem grunhiu, choramingou e pareceu pedir com muita confusão ajuda divina naquele momento de dificuldade. — Quem é você? Para quem você trabalha? O que você quer comigo?
— São muitas perguntas, eu estou com medo de perder meu braço e mijar nas calças, não exatamente nessa ordem... Então por favor, pega o telefone na minha mão dormente antes que ela gangrene. — O homem pediu num choramingo, mexendo a cabeça numa tentativa de apontar para o braço travado por entre a capota e o seu peito. — Pega, por favor, antes que os impulsos fiquem astronômicos e eu tenha que fugir da polícia federal também.
Willa desconfiou. Ela deferiu um rápido olhar, mas não viu, muito menos escutou uma aproximação sorrateira, nem vinda diante dos seus olhos, nem dos céus, muito menos dos asfaltos. Ele estava sozinho. Ele estava sozinho em clara desvantagem e prestes a perder o braço para uma ninja treinada. Ela tinha o controle daquela situação, então num movimento firme e ágil, ela o soltou, apenas para prendê-lo de costas contra o carro, num baque surdo e pesado. O homem sacudiu o telefone e ela desconfiou ter escutado um chamado vindo da ligação, um pedido para ela se controlar e atender a porcaria da ligação. Ela conhecia aquela voz. O cara estava tremendo por culpa dela, ele estava com medo dela. Mantendo-o preso contra o carro com ajuda do seu joelho e a firmeza de sua mão agarrada em seu ainda braço inteiro, ela pegou o telefone e desconfiada, atendeu a ligação.
— Quem é? – Ela proferiu ríspida.
— Sam Wilson pedindo encarecidamente que você não mate o meu amigo, Zé Pequeno!
— Sam! – Ela bradou aliviada, fechando seus olhos com uma comoção dominando seu coração. — É tão bom ouvir a sua voz.
— É bom ouvir a sua também. – Sam respondeu e Willa podia jurar ter ouvido a formação de seu sorriso. — Isso significa que você não está matando o Scott. – Ou era apenas ele tentando não choramingar pela morte de seu amigo.
— Ah, bem colocado. — Willa soltou Scott e ele não sabia dizer se ela o libertou ou ele estava com câimbra. Aliviado ele imediatamente desativou a máscara, revelando o seu rosto e repousou as mãos no joelho, respirando fundo. — Desculpa. – Ela pediu, com um olhar gentil e um sorriso sentido. — Foi reflexo.
— Reflexo bom para burro, viu? — Scott comentou com um sorriso frouxo, esticando a coluna com os olhos claros semicerramos sobre Fairchild.
— Me fala que ele ainda tem todos os membros. — Sam murmurou numa súplica.
— Fica tranquilo. Ele está inteiro, mas por pouco não quebrei o braço dele. – Willa revelou ainda olhando Scott com uma leve desconfiança e clara preocupação. – Ele parece um pouco asmático, mas tirando isso... Ele parece bem. – Scott gesticulou positivamente, respirando bem fundo e voltando a massagear a câimbra em sua canela.
— E você? E o Barton? – Willa abriu os lábios, sentindo um nó acido sufocar sua garganta. — Por que vocês mudaram a rota do plano? – Com lágrimas turvando sua visão, Willa secou o canto dos seus olhos e respirou fundo. — Willa, fala comigo.
— Fomos atacados na fazenda, Barton foi sequestrado pela Hidra. – Ela falou de uma só vez, sentindo o ar lhe faltar. Seus olhos percorreram pelo estacionamento. — Não tenho ideia do seu paradeiro, mas sei que eles tinham interesse em mantê-lo vivo, pelo menos foi o que um dos soldados disse... – Ela retornou sua atenção a Scott que assistia a distância a conversa.
— Laura está com você? E as crianças? — Wanda questionou, o que revelou a Willa que a conversa estava no viva voz e isso não tornou nada mais fácil.
— Willa, onde está a família do Barton? – Steve refez a questão com um pouco mais de firmeza.
— No jardim da fazenda. — Willa sentiu uma pesada lágrima escorrer por sua face ao ouvir o lamento de Wanda, incluindo a distancia as palavras de conforto de Sam a ela.
— Willa. — Steve tomou a ligação e Fairchild respirou com dificuldade, a única coisa que ela queria era falar com Rogers, a última coisa que ela queria era falar com ele. — Como você está?
— Eu preciso acordar desse pesadelo, mas quanto mais tento me forçar a isso, mas me afundo nele. – Willa sussurrou envolvendo o seu corpo com os seus braços. — Vocês precisam encontrá-lo. – Ela suplicou num pesado suspiro.
— Faremos isso. Willa, eu preciso que você pense em si agora e volte para casa em segurança. – Steve pediu carinhoso e aos ouvidos de Willa, preocupado. — Confie em Scott.
— Esse é o nome dele? Bom, ele não deveria estar aqui. – Ela não o olhou, não querendo indicar estar falando sobre ele. — Qualquer um perto de mim nesse momento pode se tornar um alvo fácil. – E a última coisa que ela queria, era colocar mais alguém em risco por sua culpa.
— Ele é um dos nossos, ok? – Steve lhe comunicou e Willa assentiu e comprimiu os lábios; ele não podia lhe ver. — Ele sabe bem onde esta se metendo.
— Eu peguei pesado com ele. – Ela murmurou olhando Scott e sentindo-se um pouquinho desconfortável ele forçou um sorriso, levantando o polegar em positivo.
— Ele vai compreender. – Steve respondeu com sua suavidade reconfortante.
— Steve, eu-
— Eu sei. – Ele a calou e Fairchild respirou pesadamente. — Tenho que desligar, medidas de segurança, mas antes passe o telefone para o Scott, e Willa?
— O que? – Ela questionou com uma urgência em seu olhar.
— Eu sinto muito. – Ele disse e Willa abaixou o seu rosto, mordendo o seu lábios sentindo uma lágrima descer pelo canto dos seus olhos e ela não ousou reprimir tal sentimento.
— Eu também.
Willa se aproximou de Scott e entregou o telefone ao homem, ganhando uma pequena distância dele, assim lhe providenciando privacidade, como também aproveitando para secar suas lágrimas e recuperar emocionalmente.
— É o Scott. – Ele atendeu, mantendo seus olhos em Fairchild, até que ele desconcertou-se ao escutar aquela voz do outro lado da linha. — Ah, nossa, olá. – E ele parecia muito, muito animado. — Sim, claro, capitão. – Quase eufórico. Ao ponto de Willa olhar por sobre o ombro com um discreto sorriso. — Sim, Sam passou cada detalhe do resgate e seguirei à risca. – Ele respondeu resoluto, pronto para a missão. Seus olhos encontraram Willa e ele enrugou o cenho, abaixando um pouco o seu tom de voz... — Ela... está aguentando. – Ele não sabia, mas ela podia ouvi-lo claramente, um dos benefícios – e azares – de ter os sentidos aguçados, um pouco de foco e você podia ouvir Deus e todo o mundo, menos é claro, ligações telefônicas. Por algum motivo, Willa tinha problema com frequências eletrônicas, sempre lhe causavam dor de cabeça imediata. Vai entender! — Hmm, olha, ela quase quebrou meu pescoço quando fiquei muito perto, mas como é o Capitão América pedindo, posso tentar... Tudo bem. Pode deixar. Até. – Willa percebeu o fim da ligação, mantendo os seus braços abraçados em seu corpo. — Então, o Capitão pediu para eu fazer uma coisa, por isso antes de tentar arrancar meus olhos eu quero que vc imagine que tenho dois metros de altura, sou todo músculos, loiro platinado e tenho um escudo bem legal. Imaginou? – Willa meneou prontamente a cabeça em negativa e Scott respirou fundo, um pouquinho decepcionado pela falta de imaginação da ninja. Caminhando até ela, ele guardou o celular e a surpreendeu. — Então... – Ao abraçar Willa, apertado e carinhosamente. – Opa. Ok. Nem um pouco desconfortável, não é mesmo? – Ele abafou uma risada nervosa.
— Por que você está fazendo isso? – Willa repousou as mãos nos ombros de Scott com um olhar desconfortável, enquanto ele a abraçava com um afeto e carinho fora do padrão entre desconhecidos.
— Steve pediu para te abraçar por ele. – Scott explicou se afastando do abraço, notando um olhar profundamente comovido da ninja. Numa questão de segundos, ele assistiu Willa perder o ar e surpreender Lang com um abraço apertado. — Opa. – Ele não se incomodou em abraçá-la, quando claramente ela precisava daquilo. Tudo bem, há minutos atrás ela estava tentando neutralizá-lo contra um carro e agora estava ali, abraçando como se ele fosse a representação do seu amigo e pedindo desculpas por ter batido nele. Nem um pouco bipolar, mas mediante a situação... Era compreensível. Sua pele não tremia, mas ela estava gelada e sua respiração era pesada e instável. Ela estava desfazendo-se em seu abraço e precisava de um amigo. — Ok, tudo bem. – Scott sussurrou para Willa, mesmo sentindo a estranheza daquele instante, ele massageou suas costas com carinho, buscando lhe trazer conforto. — Vai ficar tudo bem.
Será?
Esse foi o único pensamento de Willa durante a travessia da estrada no silêncio do carro dirigido por Scott, até a Sede.
Willa ficou sentada no banco do carona com os olhos bem fechados. Ela não estava concentrando sua audição, o seu olfato e tato, ela apenas estava querendo encher-se do silêncio de sua mente. Ela respirou fundo e abriu os olhos, encontrando a garagem intocada da casa. Quanto tempo eles estavam ali? Willa não sabia dizer. Ela olhou para o lado e Scott a observava, imóvel. Ela assentiu e ele imitou sua ação, assistindo-a tirar o cinto de segurança, num baque, a correia passou pela sua presilha de segurança, batendo seco na parede do carro. Com cuidado, ela buscou abrir a porta do carro, era em vão, pois qualquer movimento era brusco demais para o seu braço e cintura. Ela precisava se espreguiçar, mas temeu ferir-se mais. Então como quem arranca um curativo de uma vez, ela deixou o veiculo e fechou a porta, acompanhando Scott para dentro do esconderijo.
Não foi a sua superaudição que lhe anunciou a aproximação de quatro pessoas por três caminhos diferentes, e sim foi o estalar dos seus passos rápidos e suas conversas transpassadas ecoando pelas paredes. Primeiro, Willa viu Wanda vindo pelo oeste, com um caminhar incerto, mostrando alivio ao ver Willa e indo até seu encontro com passos ágeis até alcança-la e abraça-la apertado.
— Eu pensei que tinha te perdido também. – Ela sussurrou em seu ouvido e Willa apertou seu abraço, repousando sua mão carinhosamente na base de sua cabeça.
— Só foi um pesadelo. Eu estou aqui. – Willa respondeu, passando a mão no rosto de Maximoff com um carinho confortante.
Scott deu uma breve privacidade a elas e os seus olhos foram os primeiros a assistirem Sam vindo pelo corredor leste, segurando o tablet. Ele parou, observando o momento a distância aliviado, porém não escondeu sua preocupação pelo estado de Fairchild. Lang juntou-se a ele lhe informando o que acontecera durante todo o resgate. Logo atrás, oriundos do segundo andar Rogers surgiu descendo as escadas rapidamente, acompanhado de Bucky, eles encontraram Scott e Sam, e o último apontou discretamente para Willa, confortando uma Wanda sentida por tudo, por quase ter perdido a amiga, por não saberem onde Barton estava e a perda da família dele. Fairchild fechou os olhos, pendendo a cabeça e respirando fundo, então ela sentiu suas presenças ali. Quando seus olhos encontraram Rogers, a dor e pesar transpareceu lentamente em seu semblante e eles se encontraram num abraço.
— Você está em casa. – Ele sussurrou, acarinhando a sua nuca e Fairchild fechou os olhos, sentindo o conforto de estar nos braços de seu amigo. – Isso parece feio. – Ele comentou, olhando a ferida no braço dela e Willa sibilou. – Vem, vamos ver isso.
Willa assentiu a proposta de Rogers e sem conseguir abandonar Willa, ele confortou suas costas, guiando-lhe pelo corredor para o banheiro no segundo andar. Então foi quando o tempo parou e lentamente correu um milésimo rendendo-se apenas por Fairchild e Barnes.
Willa caminhava por aquele corredor, escutando Steve dar alguma ordem especifica a Wilson e Lang, durante todo tal processo Bucky tinha os seus olhos cravados em Willa. Seu corpo estava apoiado contra a parede e Willa percebeu os seus olhos desconectarem dos seus e olharem discretamente para o seu braço mecânico, numa tentativa de mantê-lo camuflado com ajuda de sua camisa de manga comprida e a mão enfiada no bolso de seu casaco. Acima disso, ele voltou a olhá-la e o seu olhar hipnotizou os sentidos de Fairchild. Ela não respirava. Seus olhos eram dele. Seu coração batia num ritmo desconhecido por Willa. Seu caminho queria ser o que levasse a ele. Sua alma estava despida. Havia algo nos seus olhos acinzentados, uma impenetrabilidade misturada com um sufoco abafado por confusão e pesar. Seu coração batia numa frequência forte e estável. Ele não veio até si, urgente e tomado em preocupação como Rogers. Ele não a abraçou, muito menos lhe disse alguma coisa, como uma palavra de conforto e honestamente, nem necessitava. Aquele olhar bastou. Ele atingiu Willa e ela se encontrou a admirá-lo, na posição a qual raramente se encontrava, de não saber exatamente o que estava acontecendo com as suas emoções e ela não sentia temor, e sim curiosidade por explorá-los.
— Hey, Willy! – Sam cumprimentou, batendo sua mão no ombro dela, despertando Fairchild do seu transe pessoal e momentâneo. Bucky desapareceu de sua vista seguindo pelo caminho oposto, rápido, pesado e sozinho. – Você precisa de alguma coisa? Café? Chocolate?
— Só pega quem está por trás disso e eu ficarei ótima, tá? – Willa sussurrou com um aceno resoluto.
— Considere feito. – Sam respondeu com confiança, mostrando o tablet e uma pesquisa em andamento. – Recebi há poucos minutos, alguns detalhes que podem explicar o sequestro de Barton e nos levar a um paradeiro.
— O que? – Ela questionou, passando a mãos em seus cabelos pesados pelo suor e oleosidade, aproximando de Sam para conseguir ler alguma coisa.
— Não, não. – Sam negou com o indicador, afastando o tablet do alcance das mãos ágeis de Fairchild. — Nada disso para a senhora.
— O que? – Ela mostrou choque, arqueando uma sobrancelha descrente de tal postura de Sam. — Não. Eu quero participar disso. – Era Barton. Não tinha como ela não participar disso! Fairchild só se distanciava de uma missão se estivesse em seu leito de morte, o que não era o caso ali.
— A única coisa que você vai participar é de uma visita ao banheiro, onde terá esses ferimentos cuidados, tomará um bom banho, pois você está vencida e dormir. – Steve intercedeu por Sam, direcionando Willa para a escada principal, enquanto ela buscava argumentar contra suas palavras. — Nem adianta discordar. Eu vou fazer questão de ter certeza que você vai me obedecer, e se eu te pegar me contradizendo... – Willa girou seus calcanhares e encarou Steve inexpressiva.
— Vai me colocar de castigo no milho, Capitão?
— Algo assim. – Ele arqueou uma sobrancelha e apontou para a amiga subir as escadas na sua frente e Willa revirou os olhos, emburrada. — Falamos disso em quinze minutos. – Steve proferiu para Sam e ele concordou.
— Beleza.
— Hey, Scott? – Willa se debruçou no corrimão, olhando para o homem com um sorriso simpático. — Obrigada por tudo.
— Sempre a disposição. – Ele respondeu fazendo uma contingência nervosa com seus dedos. — Quer dizer, para ajudar e não para ter você metendo a porrada em mim e tentando quebrar meu braç- você entendeu. – Ela assentiu com um riso frouxo e ele desejou ser devorado por um buraco negro lentamente. — Eu quase me borrei. – Ele confessou a Sam, relembrando o seu embate com A Ninja.
— Não seria o primeiro. — Sam implicou com escárnio.
— Mas foi tão legal! — Scott exclamou com clara empolgação.
— É, isso definitivamente é novo. – Sam debochou enrugando o cenho e julgando a sanidade de Scott. Então meneou a cabeça em negativa, apontando para a sala principal. — Vem, deixa te explicar melhor o que está acontecendo.
No banheiro, Steve limpou o tiro de raspão da cintura de Willa e colocou um curativo. Deu três pontos no corte em seu braço, passou uma pomada para dor e enfaixou. Buscou por outros ferimentos, mas apenas encontrou alguns roxos e pequenos cortes, tão ignoráveis que Willa apenas se apercebeu deles ao tê-los tocados pelos dedos de Rogers, como dois arranhões em seu rosto e alguns roxos em suas pernas. Por fim, ele lhe aplicou um paracetamol, sugeriu que ela comesse alguma coisa como uma sopa ou um bom prato de macarrão e descansasse. Qualquer sinal de dor, exaustão ou se ela sentisse sinal de estresse pós-traumático, ela podia ficar a vontade para lhe procurar. Agora essa! Estresse pós-traumático. Não seria uma surpresa depois de tudo que ela passou nesses últimos meses, mas seria bem inconveniente ter um ataque justamente agora.
Steve não exagerou. Ele acompanhou Willa em tal cuidado, foi com ela a cozinha e sugeriu uma sopa, mas Fairchild as odiava. Então, ele a ajudou preparar um pouco de arroz, fatias de frango com legumes cozidos, um pouquinho de shoyu e Willa se sentou no balcão devorando tudo com seu hashi. Rogers achava graça como alguns costumes, não importando quais, não abandonavam os seus donos, por se tornarem parte de sua alma. Steve não quis acompanhá-la no jantar, mas assistiu em silêncio ela comer o jantar. Depois disso, Willa foi levada até o seu quarto e antes que ele dissesse qualquer coisa, prometeu que obedeceria ao seu pedido e descansaria, mas lhe pediu que se alguma novidade surgisse, qualquer coisa sobre Barton, Hidra, Tony, Jesus Cristo, que ele, encarecidamente lhe avisasse imediatamente. Rogers concordou com um sorriso discreto e deixou Willa sozinha, pela primeira vez desde que ela chegara a casa. O que ela fez? Encostou o corpo na porta, repousou as mãos nos lábios, como se estivesse prestes a iniciar uma prece silenciosa e respirou fundo, encarando o quarto se sentindo desconectada do seu universo. Mexeu nos cabelos e sentiu um cheiro de suor misturado a sangue, sua pele pinicava pelo suor grudado e suas roupas precisavam encontrar o cesto de roupa imediatamente. Ela não se sentiu a vontade para vestir um pijama, então pegou uma calça de moletom e uma blusa vermelha. Após um bom banho quente, ardido em alguns instantes, relaxante em outros, Willa se permitiu lavar os cabelos, massagear sua pele e apenas sentir a água tocar sua pele. Ela era uma das sortudas. Penteou os cabelos, massageou o pescoço, fechando os olhos afastando os barulhos de tiro, as explosões, os gritos tentando dominar sua mente e deixou a toalha cair sob o balcão e vestiu as suas roupas.
Ligou a calefação, deitou na cama, agarrando um travesseiro e puxou a manta cinza sobre as pernas. Fechou os olhos e esperou. E não foi por dormir. Esperou os seus medos. Esperou suas memórias. Esperou o pesar. E nada veio. Apenas o sono. E ela dormiu. E acordou com uma pesada batida na porta. Meio grogue pelos medicamentos e sono interrompido, a batida foi reforçada e Willa grunhiu algo parecido com um pedido de espera, focando sua visão, coçando os olhos, atendendo a porta num rompante e ela foi surpreendida, por dois motivos. O primeiro: não era Steve com notícias, era Bucky. Sua presença não era motivo de sua surpresa, pois ela estava acostumada com ele batendo em sua porta, em busca de uma companhia silenciosa após ter seu sono interrompido por um pesadelo impossível de ser ignorado. Mas naquela noite? Ela não esperava por sua presença. O segundo motivo? O seu olhar. Ele a olhava exatamente como no corredor.
Suas mãos apoiadas no portal, aguardando impaciente por ela lhe recepcionar. Ele ergueu o seu rosto lentamente, encontrando os olhos azuis perolados de Willa e o seu semblante cansado e surpreendido. O cenho de Bucky foi marcado por uma ruguinha de incompreensão, duvida, confusão e ela não sabia dizer e nem saberia, pois ele deu um passo, decidido e firme, até si, e ela deu um para trás. Ele deu outro passo e outro e Willa o imitou, assistindo ele inclinar o rosto e fechar a porta, então de soslaio, reconectou os seus olhos. Eles podiam estar presos num buraco negro, pois Willa podia jurar que o tempo parou com o encontro dos seus olhares. Então eles foram arrancados do buraco negro e Willa sentiu seu corpo ser esmagado pelo peso do homem contra si.
Seus braços fortes envolveram primeiramente incertos a sua cintura, e não demorou para ele relaxar e abraçá-la com maior afinco e possessividade e sua cabeça afundou de encontro a pele nua de seu pescoço, ali encontrou o seu conforto. Willa era uma mistura de sentimentos. Surpresa, timidez, conforto. O mais atrevido que Bucky fora com ela, foi o beijo em sua cabeça que ele dera no dia anterior. Além disso, ela e Bucky nunca passaram de toques rápidos, sutis e normalmente, imperceptíveis a eles ou quando notados, rejeitados por Bucky. Ele não apreciava ficar perto das pessoas, muito menos que elas lhe tocassem sem sua permissão. O ser humano precisava ser tocado, abraçado constantemente ou ele podia acabar sentindo-se rejeitado, abandonado e até mesmo inferior, a ponto disso ajudar no seu psicológico a depreciar-se. Qual deve ter sido a última vez que Bucky foi abraçado por alguém, sem ter medo de estar sendo atacado e amarrado com cintos de couro contra uma mesa de metal para ter sua mente controlada mais uma vez? Qual deve ter sido a última vez em que ele escolheu abraçar alguém? Tirando Steve, todos os outros eram intrusos em sua vida, incluindo ela. Quer dizer, aparentemente, ela se tornou parte da exceção agora. Ele estava em seu quarto, lhe abraçando com os seus dois braços e ainda tinha seu rosto apoiado em seu pescoço, produzindo-lhe não apenas uma deliciosa sensação, como fazendo a sua pele conhecer o toque dos seus lábios, o seu nariz, a sua bochecha ali apoiada. O calor de seu braço humano contrastava com o frio gélido do seu braço metálico, ambos combinados num abraço urgente e muito almejado.
E isso lhe proporcionou um poder. O poder da confiança e liberdade. Ela envolveu o seu braço contra o seu corpo com uma moderada força, apresentando a ele afeto ao permitir a ponta dos seus dedos acarinharem em círculos, a base de suas costas. Obviamente ele empertigou-se um pouco, mas não se afastou como se soubesse que aquilo era como cair de bicicleta: você podia desistir de andar para sempre ou podia passar mertiolate, esperar secar e voltar a pedalar. Ele optou pedalar. Deixou suas mãos deslizarem, pesado e incerto, pelas costas de Willa, até encontrar conforto na base de sua cintura. Sua respiração quente arrepiou a pele do seu pescoço e espalhou-se pelos seus antebraços. Willa suspirou, sentindo a sua espinha gelar. Ela afastou uma de suas mãos das costas dele num delicado movimento, descendo pelo seu braço humano, deslizando lento e decifradoramente a sua pele, proporcionando um carinho a tanto não sentido e lhe dando um sentimento novo a ser preenchido em seu coração, assim que ela uniu os seus dedos como encaixando um quebra cabeça que há tanto tempo, Barnes buscava a peça final. Ele afastou o seu rosto do pescoço de Willa, de soslaio olhando suas mãos unidas, apoiando sua testa em seu ombro, deixando sua respiração escapar dos seus lábios ao sentir os dedos de Fairchild roçarem as costas de suas mãos e ele também ser capaz de repetir tal sensação na pele dela, sem lhe ferir, sem lhe causar dor, sem lhe matar. Ele era capaz de fazer isso, de tocar em algo em não destruí-lo ou transformá-lo em sangue e morte. Ele era capaz de tocá-la. Bucky voltou a olhá-la não conseguindo pensar na possibilidade de abandonar sua mão, muito menos de deixá-la e ele nem desconfiava que era recíproco.
— Fica comigo? – Ela sussurrou tal pedido, olhando em seus olhos com uma silenciosa cumplicidade e faltavam palavras a Bucky. Ele pode ter aberto os lábios, mas não encontrou uma forma de verbalizar tais palavras do jeito ao qual ele acreditava ser dignos ao pedido dela.
Algo lhe disse silenciosamente em seu consciente que ele não era bom com palavras, sempre foi um mestre das ações e não houve duvida, muito menos uma análise profunda de sua postura. Bucky apenas manteve suas mãos unidas, trazendo-lhe com sua mão metálica, um pouquinho com força e inesperado para perto novamente, sem desconectar o seu olhar. Seu rosto inclinou sobre o rosto de Willa e ela fechou os olhos, conteve sua respiração ao sentir os lábios de Bucky roçarem e tocarem a sua testa, respondendo-lhe silenciosamente, porém positivamente.
Bucky não desejava cortar aquele contato e ele desconfiou que Willa dividisse de tal sentimento, ao guiá-lo até a sua cama e sem muito embaraço deitou, puxando a manta para o seu corpo e ao ver o semblante confuso de Barnes, ela sorriu discretamente abrindo espaço na cama e apontando para ele. Houve um pequeno momento de análise de sua parte. Uma parte de si dizia que ele deveria ficar no acolchoado da janela, mas outra parte mandou aquela voizinha, a qual ele sempre desejava ouvir por mais detalhes de seu passado, calar a maldita boca e apenas deitar na cama. Meio sem jeito, meio desconfortável, meio perdido. Willa segurou sua mão, entrelaçando seus dedos e olhou em seus olhos, e assim como num SNAP, ele se encontrou entre os seus dedos, em seu olhar, em seu coração.
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