Born to Die | Exile
8 Born to Die | National Anthem
Notas iniciais
N A T I O N A L A N T H E M

Blurring the lines between real and the fake/Dark and lonely/I need somebody to hold me/He will do very well/I can tell, I can tell/Keep me safe, in his belltower hotel.
Willa acordou e não teve coragem de abrir os olhos. Ela dormiu em cima do braço machucado, o que não poderia ter sido uma ideia mais infeliz. Sua mente aos poucos foi lhe relembrando das suas últimas horas. A claridade do sol brincou com seu rosto e ela bocejou e espreguiçou por alguns segundos, tapando os olhos com o antebraço, escutando os ossos dos pés estalarem, o joelho fazer um crack prazeroso e as suas costas tencionarem quando ela buscou esticar-se procurando conforto e afundando o rosto no travesseiro, tentando fugir de despertar. Seus braços esticaram na lateral da cama e ela encontrou um lençol bagunçado, meio morno e vazio. E ela lembrou. Bucky. Ele dormiu ali. Com ela. Ela abriu primeiro um olho e confirmou a sua ausência ao seu lado. Um grunhido de insatisfação deixou seus lábios. Bucky dormiu ali e sumiu. Ela olhou o quarto, buscando por sua presença, talvez no sofá, quem sabe no banheiro e grunhiu ao sentir os raios solares tocarem sua visão e incomodarem. Uma agressão tão cedo, era no mínimo um abuso com o seu espírito nada matutino. Ela precisava urgentemente de uma máscara de dormir ou de um colírio para pessoas com fotofobia, o que for mais fácil de conseguir primeiro.
Ótimo, será que o paracetamol lhe ajudou a alucinar e acabou por imaginar Bucky vindo até seu quarto, num rompante lhe abraçando, não satisfeito beijando a sua testa, sem questionamentos aceitando seu pedido de passar a noite ali, e frisando: de mãos dadas com ela? Willa olhou para a sua mão, observando as linhas da cabeça e do coração, tocando com o indicador o caminho desenhado em sua pele. Ela ainda podia sentir o calor de sua pele irradiar de seus dedos ou era a sua mente lhe pregando uma peça? É, isso tudo soa como uma alucinação, pois coisas tão boas assim só podem ser invenção de uma mente bem imaginativa. Boas. É, ela estava classificando aquilo como bom e isso, pois ela não queria começar descrevendo a sensação nova e surpreendente que teve quando os lábios dele tocaram sua testa e os seus dedos se entrelaçaram? Só pensar nisso e o seu coração descompassou e ela grunhiu, enfiando o travesseiro no rosto. O que estava acontecendo com ela? Preguiçosa, ela rejeitou a ideia de levantar e encolheu-se na cama, se enrolando na sua manta. Se não fosse por uma forte batida na porta, ela teria estendido tal preguiça por mais alguns minutos (talvez, 61 para ser mais exata). Preguiçosa, Willa levantou da cama, arrastando os pés em sua pantufa e enrolando a bagunça a qual alguns chamavam de cabelos num coque e abriu a porta sem complicações:
— Opa! – Ela arregalou os olhos em surpresa, não contendo um bocejo abafado nas costas de sua mão, apontando o indicador ao seu visitante. – Achei você.
Nessa escapada de seu quarto ele deve ter passado em seu quarto, pois estava vestindo o seu casaco de moletom com um jeans e os seus cabelos recentemente molhados estavam penteado para trás, desfazendo lentamente em mechas seca naturalmente com o tempo. Em sua mão, ele segurava a caneca de Willa que fumegava, com o que ela desejou profundamente ser café, mas antes de questionar isso, ela percebeu discretamente que Bucky tencionou seu lado direito, afundando um pouco mais a sua mão mecânica dentro do bolso do moletom. Não era a primeira vez que ela percebia esse comportamento, mas foi a primeira vez que isso lhe incomodou, mas diplomática, ela disfarçou, abrindo um pouco mais a porta e gesticulando teatralmente para ele entrar e sem pestanejar, Bucky entrou no quarto.
— Seu quarto não é tão grande a ponto de eu conseguir me esconder. – Ele murmurou tal resposta parando não muito longe da entrada, de soslaio ele deferiu um olhar analisador a Fairchild e ele não mostrou desconforto, ao ser pego no flagra pela californiana, que fechou a porta e agora pendia sobre uma das pernas, com os seus braços seguros por trás de suas costas. — E você me acharia.
— Você tentou? – Ela questionou com um olhar misterioso sobre Barnes.
— Analisei a possibilidade. – Ele não titubeou, colocando discretamente uma mecha dos cabelos atrás da orelha. — Café? – Ele perguntou, estendendo a xícara, com tanta determinação, como se ele tivesse ensaiado tal ato repetidamente, até acertar o ideal que Willa não conseguiu esconder um sorriso.
Ela pegou o café pela alça, sentindo o calor da bebida em sua mão livre. Ela bebericou, sentindo que o café não estava nem muito amargo, nem muito doce. Exatamente como ela faria. Com conforto ela sentou no acolchoado, observando o amanhecer à distância sem muita pressa de acontecer. Notando o silêncio de Bucky, ela lhe lançou um olhar misturado com o brilho do sol e sorriu com conforto, e ele despertou de seus pensamentos. Sem necessidade de convite, ele se sentou a sua frente, sobre uma perna com a outra um pouco esticada, mantendo seus braços junto ao corpo e as mãos enfiadas nos bolsos do casaco. Willa bebeu mais do café, recostando a base da cabeça na parede, abrindo um trechinho da janela para sentir a brisa matinal.
— Alguma novidade sobre o Barton? – Willa perguntou não escondendo a sua preocupação.
— Perguntou para o cara errado. – Ele respondeu com a sua neutralidade, marcada por algo semelhante a ressentimento e incomodo. – Eles não me contam muito por aqui. – O fantasma de um sorriso marcou os lábios de Fairchild.
— Eu sei, mas garanto que notou alguma coisa peculiar, você é muito observador. – Ela percebeu e não esconderia isso dele. Ele precisava saber. Bucky a olhou ligeiramente surpreso e ela indicou a caneca com um discreto sorriso, então ele retornou a sua neutralidade, perdendo o seu olhar nas dobras da janela. Ao menos ela não lhe olhava daquele jeito.
— Isso é diferente. – Ele resmungou deixando a sua unha triscar a tinta azulada da janela, arrancando algumas pequenas lasquinhas. — Você é obvia com seu café. – Era a segunda piadinha do dia e Willa estava começando a se afeiçoar pelo espírito sarcástico de Barnes.
— Me chama de óbvia de novo e dane-se o Rogers, eu te taco por essa janela em segundos. – Ela ameaçou, empertigando sua coluna com um olhar peçonhento sobre Bucky. Uma linha em seus lábios transcreveu a sua emoção naquele instante.
— Eles parecem tensos. – Bucky cortou o silêncio, fascinado com como a tinta saia com facilidade em suas unhas. — Não sei se é por terem descoberto algo ou nada. Ontem foi muito difícil.
— Não era para ter terminado daquele jeito. – Willa prendeu seus olhos na bebida fumegante e escura não obscurecendo o seu pesar.
— E terminou? – Não havia curiosidade na pergunta de Barnes. Pela primeira vez, Willa conheceu essa camada maliciosa e misteriosa em Bucky. O seu olhar parecia buscar arrancar a verdade de sua alma e sua postura era de quem não precisava de muito mais que algumas palavras para tomar isso para si.
— O que você quer dizer? – Willa mostrou confusão em seu semblante e a estabilidade na sua voz buscava marcar neutralidade.
— Você falou para o Steve que enterrou a família de Barton, mas quando você chegou, suas unhas estavam limpas de terra. – Willa buscou respirar com naturalidade, mas sentiu a palma de suas mãos suarem, contendo o impulso de olhar para as suas unhas curtas. A punição por esquecer tal detalhe equivaleria a, pelo menos, umas 50 chibatadas de bambu em suas costas, as quais Stone lhe daria sem piedade e mandaria Willa lidar com a dor das feridas durante a noite, sem tratamento e completamente sozinha. Aparentemente, ela conseguia ser tão esperta para algumas coisas e tão burras para outras bem mais simples. — Acho muito difícil você ter conseguido enterrar quatro pessoas sem sujar as suas mãos. – Willa perdeu a sua estabilidade com aquela frase dura e fria de Barnes. Ele percebeu isso e não perdeu a sua postura, pois ele buscava uma resposta e estava recebendo ela com aquela particular reação de Fairchild.
— Eu limpei as minhas unhas no caminho de volta. – Ela manteve a neutralidade em sua voz, mas era claro em seu olhar a sua comoção. Como ele podia falar assim da família de Barton? Ele não os conhecia, o que não tornava a sua postura apática tão sociopata, mas isso não anulava que ele estava falando de pessoas, uma família. Uma família a qual Fairchild assistiu ser dilacerada. Para Willa, uma pessoa profundamente empática, isso era inconcebível e ela se perguntou se isso era um resquício do Soldado Invernal ou uma camada do cerne de Bucky. Ela nunca desejou tanto que fosse um resquício do controle da Hidra.
— Você parece falar a verdade... – Ele respondeu com calma sem quebrar o seu olhar de Willa, analisando suas reações. — Ou é uma ótima mentirosa. – A soturnidade por trás de sua voz fez Willa travar o queixo e por um milésimo de segundo, ele percebeu o ar de superioridade dela partir-se diante de si, mas rapidamente substituído por firmeza. — E para uma ninja, perigosamente descuidada também, mas relevo por você está emocionalmente afetada por isso. – Ela riu rouca e sem humor, repousando a caneca por entre suas pernas, passando o indicador na base de seu nariz, percebendo a tática de Bucky ali. Derrubar o muro do seu ego, conseguindo alcançar os seus sentimentos refugiados por trás de tal muralha até então impenetrável. Era uma boa tática, mas ineficaz quando Willa era tão boa em escolher os seus sentimentos, ao ponto dela mesma não saber onde encontrá-los.
— E se essa sua traminha de filme noir fosse verdade? – Ela apoiou os cotovelos sobre a coxa, empertigando o corpo sugestivamente olhando-o com a sua postura levemente tencionada; era parte do seu plano de ludibriá-lo com uma falsa vitória. Se funcionasse, ela conseguiria ludibriá-lo a entregar o jogo antes de se quer, mover o seu peão. É claro, se isso fosse um jogo de xadrez, o que para Bucky não era. — O que você faria?
— Eles não me contam nada, acho que seria um bom momento para retribuir tal atitude. – Sua resposta surpreendeu Willa. Erguendo sugestivamente uma sobrancelha, ela se recostou na parede, o analisando particularmente desconfiada. — Mas você vai ter que fazer algo por mim em troca.
— Sabia. – Ela estalou os dedos meneando a cabeça em negativo. — O café, toda essa cortesia, vocês homens são todos iguais... – Ela debochou semicerrando seus olhos com acidez em suas palavras.
— O que você quer dizer? – Ele perguntou discretamente confuso.
— Chantagem. – Ela destacou cada silaba, revirando os olhos com um sorriso forçado. — Estava ansiosa para chegarmos a esse ponto da nossa amizade. – Ela debochou repousando a mão em seu peito, reforçando o seu espírito teatral. — Eu não sei para você, mas para mim é superempolgante ser chantageada pelos meus amigos.
— Eu entendo o que você fala, mas às vezes, não faz muito sentido para mim. – E Willa riu, o que não ajudou muito na confusão de Bucky.
— Você se acostuma com o tempo. – Foi assim com Steve. Até ele se acostumar com a capacidade de Willa de ser sarcástica, recitar letras de canção e referências a filmes de 1930 a atualidade como se fossem frases filosóficas, o nova iorquino adotou um semblante constante de duvida e confusão estando na sua companhia – e piorou com a presença de Natasha, ambas tinham um singelo prazer pela confusão no soldado.
— Nós vamos ter isso? – Bucky questionou com o seu rosto abaixado, o seu cenho enrugado com intensidade realçou aos olhos de Fairchild a sua duvida. — Tempo.
— Olha, não está nos meus planos morrer nos próximos seis meses, mas definitivamente eu planejo ter todo o tempo do mundo sob a ponta dos meus dedos. Então sim. – Mesmo afogando Bucky com seu sarcasmo, a sua seriedade era marcante e prazerosamente inebriante para o homem.
— É uma forma positiva de pensar.
— Garota Positiva é apenas um dos meus tantos apelidos por aqui. – Ela revelou com um sorrisinho safo no canto dos seus lábios, então inclinando o seu rosto, olhando-o com um pouquinho de intimidade. — Mas vamos parar de minúcias e me conta, o que você quer de mim. – Secretivamente ela impôs o pedido, inclinando o seu rosto com um olhar particularmente charmoso e misterioso sobre Bucky.
— Eu preciso da sua ajuda, para encontrar uma pessoa. – Ele escolheu bem as suas palavras, como também a seriedade por trás de seu olhar, com uma desconcertante ansiedade transbordando em seu punho e dedos sendo repetidamente estalados pelo seu polegar, enquanto seu braço mecânico se mantinha imóvel.
— Quem? – Ela piscou os seus olhos, perguntando num suspiro.
— Você tem que me prometer ficar entre nós. – Ele exigiu com uma dureza preocupada em seu olhar e Willa respirou profundamente, com o cenho franzido e um olhar pensativo perdido em sua cama bagunçada.
— E se eu hipoteticamente contar para o Steve?
— Ele vai saber que a família do Barton está viva. – Essa foi cruel. Ela odiava ser pega, mas definitivamente, odiava muito mais ser manipulada ou ser enrolada num blefe. Ainda mais por alguém próximo. Ela não conseguiu sustentar o seu olhar perdido num sentimento de pesar e remoço e o desabou com aquela simples menção, discretamente erguendo uma sobrancelha e mordendo o canto do seu lábio. — Então nem todos sobreviveram. – Ele podia estar jogando com as possibilidades ou ele percebeu os detalhes por trás do semblante de Willa. E ela engoliu o nó ácido em sua garganta com tamanha dificuldade que lhe obrigou fechar os olhos e o encarar com tamanho pesar que levou Bucky novamente ao seu patamar de confusão e duvida.
— Qual é o nome? – Ela questionou seca.
— Zola. – Ele disse com cuidado.
— Zola está morto. – Ela murmurou com dureza. Se ele planejava uma pequena vingança contra o cientista maluco, o plano afundaria naquele instante, mas não. Bucky queria muito mais do que só a cabeça de Zola.
— Eu sei, mas não o que ele fez comigo. – Ele explicou e Wila enrugou o cenho, levantando o seu queixo com um olhar orgulhoso sobre Bucky. — Eu preciso dos projetos do Soldado Invernal, as missões, os planos, detalhes... – Ela piscou os seus olhos, inclinando sua cabeça, deferindo um olhar conflitante sobre os galhos do carvalho a frente de sua janela. — Você está fazendo aquele olhar. – Ele comentou segundos após a sua explicação, apontando para o rosto dela com uma particular ruguinha em seu cenho.
— Que olhar?
— Você sabe qual. – Ele rebateu com aquela linha em seus lábios, disfarçada de sorriso, disfarçada de charme, disfarçada de sentimento. Willa nada disse, apenas mentalizando aquelas informações e os seus sentimentos quanto a tudo aquilo. — Vai me ajudar? – Ele perguntou com o que soou aos ouvidos de Willa um silencioso pedido de ajuda e companheirismo, ao qual ela não conseguiria negar, ainda mais com aquele seu olhar digno de um filhote abandonado e postura tão apreensiva. Ela supôs então, que era justamente por isso que ele estava lhe pedindo isso. Maldito Barnes! Fairchild agora se questionava se tudo que aconteceu na noite anterior: o rompante sentimental de Barnes, o beijo em sua testa, eles dormirem juntos, com as mãos dadas, o café... Foi tudo um impulso do Bucky ou apenas parte de um plano diabólico e manipulador para conseguir a sua ajuda naquele planinho que com toda certeza daria em uma enorme merda, na qual respingaria nela. Outra coisa a qual Fairchild odiava: duvidar. E ela estava duvidando muito naquele instante.
— Eu não acredito que seja inteligente você passar por esse tipo de experiência agora. – Ela explicou se mexendo no acolchoado, arrumando as suas pernas para conseguir massagear a sola dos seus pés, onde seria o ponto do tórax; ela estava precisando de ajuda para respirar urgentemente ali, ainda analisando aquele inesperado pedido. Se bem que existia 85% de chance de Willa estar propensa a rejeitar qualquer pedido de Bucky ao qual tivesse Hidra na sentença.
— Se eu estou pedindo, é por que eu aguento. – Ela tinha suas duvidas e não se atreveu esconder isso na clareza do azul de seus olhos.
— Porque você quer isso? – Ele desconcertou com sua pergunta, passando a ponta de sua língua nos lábios, aproveitando o ensejo para escolher bem suas palavras.
— Se eu te contar, você conta o porquê de não ter contado a verdade dobre a família do Barton ao Steve? – Ele estava se transformando num belo de um manipuladorzinho.
— O que? Sério? – Ela mostrou surpresa com a proposta com uma inibida risada. — Você realmente quer construir a nossa confiança na base da parola? – Willa questionou com uma sobrancelha levantada em desafio.
— Foi você quem disse que gostava assim. – Ele rebateu com um olhar sincero, particularmente charmoso aos olhos de Willa e ela entortou um sorriso.
— Não literalmente. – Ela respondeu com um pouco de estridência. Bucky nada disse, aguardando a resposta de Willa a sua proposta. Por sua vez, ela manteve seus olhos fixos em suas unhas descascadas num esmalte nude e o surpreendeu quando acabou por menear a cabeça em negativa. – Não posso fazer isso.
— Confia em mim. – Ele pediu num suspiro e Willa sentiu um peso sobre a sua mão. Um arrepio correu por entre os seus dedos e seus olhos encontraram os dedos de Bucky percorrendo sua mão num toque gentil, cuidadoso e lento e ao mesmo tempo, soando como um pedido silencioso de confiança. — Eu sei o que estou lhe propondo e garanto: eu não lhe pediria isso se não fosse importante. – O olhar de Bucky sobre Willa descompassou o seu coração. – Eu sei que não mereço isso, tudo, mas... confia em mim.
— Eu confio, mas não dá para fazer isso. – Ela precisou reconsiderar o seu lado emotivo e escutar a voz de sua razão. — Não dá para fazer isso pelas costas do Steve. Veja bem, ele é o meu Bucky. – Barnes olhou Willa com uma particular confusão em seu olhar. Era a primeira vez que ele ouvia o seu nome nos lábios dela. Então com o indicador em riste, ela considerou suas palavras e resolveu se explicar. — O Steve rodou meio mundo para encontrar e salvar você. Ele está ultrapassando limites, aos quais ele desconhecia e tudo isso é por amor a você, a fraternidade e a história de vocês. Eu entendo e apoio tudo que ele está fazendo por você, pois eu faria o mesmo por ele e também pela Jessica.
— Entendo. – Bucky sussurrou com um leve menear de sua cabeça e ele buscou cortar o contato de suas mãos, mas Fairchild impediu. Willa não imaginou o pesar em sua postura e foi levada por sua empatia.
— Eu me importo com você, James, mas...
— Você se importa mais com o Steve. – Ele ergueu seu rosto, proferindo aquilo com firmeza e reconhecimento.
— Não é questão de se importar mais, é respeito, irmandade; ele é a minha família. – Ela rebateu indignada. — Se eu esconder isso dele, eu não vou suportar viver dentro da minha pele, seria uma traição. Ainda mais sabendo de todos os sacrifícios que ele está fazendo por você. – Inconscientemente ela reconsiderou tal possibilidade de ajudar Bucky, mas rejeitou poucos segundos depois com um menear firme de sua cabeça e apertou suas mãos com um leve conforto. — Não posso fazer isso com ele.
— Mas pode mentir sobre o que houve com a família do Barton? – A agressividade em sua pergunta empertigou a postura de Willa e ela tentou quebrar o contato de suas mãos, mas agora foi ele quem impediu.
— É diferente. A última coisa que eu preciso agora é colocar mais um peso sobre os ombros dele, quando eu posso lidar com isso muito bem sozinha. – Ela argumentou resoluta e determinada em sua atitude. — E nem você deveria fazer seja lá o que você está pensando. Pelo menos não sozinho e não agora.
— Não se preocupa com isso. – Com sua habitual discrição, Bucky a observou com atenção e respeito. — Eu só seguiria com isso se você aceitasse. – Willa abriu e fechou os lábios, sem reação, inclinando o seu rosto com um olhar afetuoso sobre Bucky. Agora era ela quem se encontrava emudecida por sua atitude indescritível aos seus olhos e também, ouvidos. Se ao menos ele soubesse desse detalhezinho. — O que?
— Nada. – Ela deu de ombros, não desviando o seu olhar, ainda agraciando sua visão com um sorriso discreto. — Só estou te olhando.
— Se você está preocupada se vou contar ao Steve sobre a família do Barton... – Ele rebateu com um nervosismo quase palpável no ar.
— Era parte do acordo, não era? – Ela o cortou com aceitação em suas palavras, coçando a sua nuca.
— Eu não assinei nada. – Ele respondeu com diplomacia franzindo a testa ao notar a surpresa no semblante de Willa. Ele estava começando a pegar gosto em surpreendê-la e Willa também estava curtindo tal sensação, mas ela não confessaria isso, nem sob tortura. — Meus lábios são um tumulo. – Por mais que aquelas palavras soassem como uma promessa entre parceiros, Willa percebeu como foi tentador não olhar para os lábios dele e morder o canto dos seus lábios. Por algum motivo, tais palavras irradiaram um sentimento hipnótico sobre ela e a presença de Barnes. O que ele estava conseguindo fazer com ela era inebriante.
— Obrigada. – Ele assentiu as suas palavras.
— Ao seu dispor. – E eles se olharam como se aquela fosse à primeira vez em que se vinham de entre tantas outras e não quebraram as suas mãos acorrentadas uma a outra, inconscientemente.
— Você só pode estar de brincadeira comigo! – Willa continuou sentada na beira da cama de Steve, ela negou com a cabeça e desabou seu olhar sobre seu colo. O brado de Steve ressoou em seus ouvidos e ele levantou abrupto da cama se afastando e murmurando palavras incompreensíveis aos ouvidos de Willa, com descrença. A última vez que ela o viu assim foi quando ela assistiu a distância uma conversa entre Tony e Steve na fazenda de Barton e no ápice de sua fúria, Steve dividiu um tronco ao meio só com suas mãos. Com essa lembrança, Willa achou melhor ficar de pé, ela não queria ser um tronco, então por via das duvidas, ela manteve-se perto da porta para caso ela precisasse correr. – Por que você escondeu isso de mim?
— Por segurança. – Willa respondeu aflita e Steve a olhou com profunda descrença.
— Bobagem! – Steve esbravejou com uma careta nos lábios. Ela não precisava ir tão longe assim para garantir segurança às crianças, ela podia fornecer isso sozinha, podia levá-las até a sede. Se ela tivesse pedido ajuda a Stark, o Capitão não teria ficado tão furioso e decepcionado como se sentia.
— Não, não é. – Ela defendeu sua atitude resoluta.
— É, é sim. – Ele rebateu gesticulando com firmeza, recebendo um olhar ultrajado de Fairchild. Ela não compreendia por que ele estava tratando ela com tamanha agressividade. Ela não duvidava, sua voz poderia ser facilmente ouvida no corredor. — Você não tem sentimentos? Todo mundo está em luto pela família de Barton e você escondendo isso assim, como se não fosse nada?
— Eu estava protegendo eles de serem rastreados pela Hidra... – Willa não teve a chance de reexplicar a sua atitude, Steve a cortou.
— Nós não fazemos isso com quem amamos. – Ele falou com dureza, inclinando o seu rosto para encontrar os olhos de Willa e ela não escapou do seu olhar. — Nós não escondemos algo assim, não importa o motivo por trás de tal ação. – Ela meneou a cabeça em negativa, quebrando o olhar e Steve respirou pesadamente, frustrado. — Willa, isso é cruel. Seu ato pode ter sido por um bom motivo, mas você tem noção dá tristeza e culpa que poderia ter poupado a nós se houvesse apenas dito a verdade?
— Eu estava protegendo eles. – Ela sibilou sentida semicerrando seus olhos sobre Steve. – Como isso pode ser algo ruim?
— É ruim, pois você fez pelos motivos errados. Você estava com medo. Medo de se responsabilizar pela vida deles. Medo de perder o controle. Você está com tanto medo que nem percebe estar vivendo num circulo obsessivo de mentiras e missões suicidas. E cada vez mais se afasta, não permitindo ninguém cruzar essa muralha construída em si. – Aquilo quebrou Willa. Ela o olhou sem conseguir esboçar um sentimento com clareza. Sem conseguir se mover. Seus lábios cerrados com seu queixo travado e o seu olhar fixado em Steve apenas transmitia mágoa. Como ele podia lhe dizer isso? — Aqui, no mundo real, nós não vivemos sobre as leis de sua seita, Willa. Eu pensava que você já tivesse aprendido isso.
— A Casta não é uma seita e eu pensava que você tivesse aprendido isso. – Ela podia respondê-lo. Podia rebater cada uma daquelas frases impensadas no calor da discussão. Podia até mesmo sair daquele quarto e deixá-lo esbravejando sozinho, mas Willa se pegou pensando: e se ele tivesse razão? E se ela não pensou em protegê-los, e sim se proteger da responsabilidade de proteger a vida dele? Por medo de perder mais alguém sob a sua vigília e por entre os seus dedos? Se Willa tivesse dividido com Rogers sobre o que havia acontecido em Hell’s Kitchen, com Kilgrave e Jessica, talvez essa conversa seria diferente agora. Após o que ela viveu com Kilgrave, Willa não podia rejeitar a possibilidade de Steve ter razão.
— Bucky tem razão. – Willa levantou o seu rosto, lançando-lhe um olhar questionador. — Você está há muito tempo carregando todas as dores do mundo em suas costas, está na hora de você lidar com a responsabilidade de tomar tal atitude. – Steve falou com autoridade, lançando um olhar resoluto sobre Willa. — Onde eles estão?
— Seguros. – Ela mal moveu os lábios, num singelo movimento levantando as sobrancelhas negras.
— Você não entendeu... – Steve meneou a cabeça em negativa cortando a distância entre eles através de um passo. – Como seu líder, eu quero essa localização agora. – Willa enrugou o cenho, encolhendo os seus ombros. — Eu vou pegar a porcaria do carro, vou buscá-los e trazê-los para aqui, o que era para você ter feito desde o principio.
— Não, eu busco...
— Não. – Ele a cortou, surpreendendo com tal postura. — Nós não podemos esconder nada um do outro, Willa. Quando fazemos isso nós nos rompemos; quando fazemos isso, nos dividimos e caímos. – Steve emudeceu e Willa engoliu em seco, sem reação as suas palavras. Preso em seus pensamentos, Steve enrugou o cenho, ponderando os seus sentimentos e tomando uma postura resoluta e extremista. — Eu não posso confiar em você agora.
Era inútil. Willa não tinha saída. Ela tinha perdido uma das poucas coisas boas conquistadas em sua vida: a confiança de Rogers. Steve estava decepcionado com ela e não tinha como consertar isso. Não era como rasgar uma folha e prender suas pontas com durex. Ela precisava reconquistar sua confiança; não apenas sua e isso levaria tempo. Em nenhum momento ela acreditou estar mentindo para eles. Ela acreditou cegamente estar fazendo o melhor pelas crianças. Nunca foi sobre eles, sobre Barton, sobre ela. Era sobre manter as crianças a salvo. Mas ela mentiu e ainda omitia muitas coisas de Steve, de Jessica, de Sam, de todos. Eram tantas coisas que ela não sabia por onde começar para conseguir se sentir digna de ao menos, buscar merecer a sua amizade. A culpa era tanta que ela não conseguiu esconder a decepção de si mesma em seu olhar com algumas lágrimas buscando desbravar dos seus olhos.
— Eles estão na Rodovia N28, ao sul de Nova York, perto de North Creek. – Ela revelou num suspiro e Steve assentiu, cruzando os braços. — Você não pode ir de surpresa, preciso fazer algumas ligações antes para informar sobre sua ida até lá ou você não vai chegar nem na varanda. – Ela explicou com um olhar pesaroso sobre um Steve taciturno e isso a desconcertou. — Quando chegar, você precisa antes de qualquer coisa falar o meu nome e procurar pelo assistente de Stone, Yan; ele é tipo o porta voz dele.
— Tudo bem. – Ele assentiu, caminhando alguns passos para trás, abrindo um espaço entre eles. — Você pode... ir. Eu preciso ficar um pouco sozinho.
— Tem mais uma coisa que você prec... – Willa não podia ir embora. Não agora.
— Honestamente? Depois disso tudo, eu não quero saber. – Steve meneou a cabeça em negativa, caminhando até a porta e quando ele a abrisse, Fairchild teria que dar a desejada privacidade a Steve. – Pelo menos não agora.
— É sobre o Bucky. – Willa revelou e Steve segurando a maçaneta gélida com firmeza, fechou o punho, mas não o girou, lançando um olhar sisudo sobre Fairchild. Ela precisava começar por algum lugar, então que tal começar por aquilo que no momento, podia ser o mais importante para Steve ter conhecimento?
Willa contou a Steve sobre o pedido de Bucky. De inicio, Steve ficou preocupado e novamente frustrado, aparentemente os seus amigos tinha uma tendência à omissão suicida e ideias estúpidas, mas não demorou a sentar-se na cama com um olhar intrigado sobre Willa, buscando compreender o que estava a passar na mente de Bucky com tal pedido. Por outro lado, Willa não conseguia parar de pensar nisso. Não conseguia parar de pensar na noite anterior também, mas Steve não precisava saber de tais detalhes. A duvida por trás do comportamento de Bucky era um mistério a Willa. Era como um jogo de palavras cruzadas e ela não conseguia decifrar o nome de cinco letras no quadrado 13. Parecia errado esconder isso de Steve. Parecia errado dividir tal coisa com Steve sem Bucky saber. Era por isso que ela precisava contar. Ela não podia ser o Japão ali tendo que escolher entre a Alemanha e os Estados Unidos. Ela precisava ser a Suíça. Estável, disciplinável e justa. Entre continuar sua omissão e correr o risco de Bucky cometer uma insanidade por conta da sua negação e silêncio, ela optou em arriscar.
— Ele deve achar que esses documentos vão ajudá-lo a relembrar mais detalhes do que ele fez como Soldado e até mesmo entender o que ele tem relembrado.
— E ele pode ter razão. – Willa sussurrou, brincando com os polegares com um olhar hipnotizado pelos seus pensamentos. — A melhor forma de relembrar é reviver, nada melhor do que ler os antigos projetos e missões para ele conseguir se reencontrar. – Fairchild entortou os lábios, lançando um olhar conflitante ao Capitão. — O problema é que eu não acho que esse seja o caminho. – Steve não mostrou muito interesse e ela sacudiu os ombros, desgostosa. — É a minha opinião e eu sei que ela não é a mais apreciada no momento. – Steve percebeu o tom em suas palavras e focou sua atenção na amiga. — Eu não podia ajudá-lo nisso. Não agora. – Ela revelou num sussurro. — Não pelas suas costas. – Steve deixou os seus ombros relaxarem com um olhar pesaroso admirando Willa. — O Barton não está aqui, Laura morreu, se alguma coisa acontecesse com o Bucky e eu fosse responsável por isso, você não seria o único a não me perdoar.
— Você tomou a decisão certa. – Steve proferiu com um contido e tranquilizador sorriso.
— Será? – Depois de tantos tropeços e decisões impulsivas, será que essa não foi só mais uma das suas tantas decisões errôneas? Steve abriu e fechou os lábios, não encontrando palavras para responder-lhe. Ela engoliu em seco a sua emoção e disfarçou, secando o canto dos seus olhos com o que era uma lágrima buscando escapar, mas Willa não permitiu. Não agora.
— Willa...
— Já sei, vou te deixar sozinho. – Willa apenas assentiu, cortando a ligação entre seus olhos e Steve negou, mostrando estar preocupado com sua postura. Ele estava magoado com a amiga? Claro, mas ele não suportava vê-la daquele jeito: incerta, insegura, auto depreciativa e decepcionada. Seguindo para a saída do quarto, Willa cortou qualquer possibilidade de comunicação, incluindo dele olhá-la nos olhos ou interromper suas palavras rápidas e diretas. — Desculpa por ter te decepcionado. Não era a minha intenção, e se serve de algum conselho, eu também estou muito decepcionada comigo.
A porta abriu num clique e fechou num baque.
Steve não foi atrás de Fairchild.
Willa apenas manteve seus olhos no chão, parando num supetão para limpar algumas lágrimas teimosas e engolindo novamente em seco.
— Porque você não me chama de Bucky? – Willa abafou um grito, repousando a mão no coração e sua surpresa desencadeou nos seus pés perderem um pouco a noção de coordenação e ela capengou para trás, batendo as costas contra a soleira. Willa odiava ser surpreendida, ainda mais num momento como aquele e exatamente pela última pessoa na face da terra a qual ela desejaria ver – quer dizer, ela odiaria ver o Hitler também, mas vamos nos focar no momento, certo?
— JESUS MARIA JOSÉ E OS BURROS! – Ela bradou, lançando um olhar ríspido a Bucky. — Agora você escuta por trás da porta?
— Se essa é a sua preocupação, eu não estava ouvindo vocês... – Ele rebateu com dureza, sustentando o olhar de Fairchild com sua postura tensa e semblante nada convidativo para um embate.
— Se não estava ouvindo por que da pergunta? – Willa argumentou tomando uma postura defensiva, com um olhar fulminante sobre Barnes.
— Que pergunta? – Ele questionou com o seu semblante dominado por duvida ou talvez, desconversa.
— A que você acabou de fazer para mim. – Ela rebateu cruzando os braços com um olhar de poucos amigos sobre Barnes.
— Que pergunta? – Ele questionou com uma ruguinha em seu cenho e Willa deu alguns passos para trás, olhando-o com o que Barton chamaria de Fogo nos Olhos. — Por que você está tão agressiva comigo? – Ele não precisou de avisos para compreender o significado por trás daquele olhar.
— Não estou agressiva, eu só não gosto de fofoqueiros. – Ela não fez questão de parar, decidida seguiu pelo corredor para o seu quarto.
— Eu só queria falar com o Steve. – Bucky explicou com firmeza em suas palavras e os seus passos pesados reverberam nos ouvidos de Willa, e ela apenas revirou os olhos. — Não tenho culpa de justamente ter vindo agora e ouvido...
— Ah, então você ouviu? – Ela não resistiu parando de caminhar bruscamente, lançando um olhar furioso sobre Barnes, ela só não esperava que ele tivesse cortado o espaço entre eles, ao ponto dele estar a menos de dois passos de seu corpo com um olhar indescritível sobre si que a fez sentir um desconforto crescer em seus ombros e estômago.
— Você não respondeu a minha pergunta, então... – Ele respondeu passando a ponta da língua nos lábios e Willa ergueu uma sobrancelha se questionando se ele estava falando sério ou era uma pegadinha.
— Talvez eu não queira responder. – Ela debochou assentindo. – Afinal de contas, talvez eu não tenha todas as respostas do mundo, James. Talvez eu simplesmente faça as coisas que faço por que é da minha natureza fazer merda atrás de merda e talvez eu não te chame de Bucky porque eu ache um apelido ridículo para um homem de 99 anos! – Ele enrugou o cenho ao escutar o nome proferido dos lábios de Fairchild, escondendo um sorriso discreto. — Quem sabe, não é?
— Então tá. Com esse seu comportamento, eu também não vou te responder nada. – Ele deu de ombro, rebatendo a sua resposta e Willa subitamente se sentiu numa discussão com uma criança birrenta e teimosa, onde ela também não estava fazendo muito por onde para ser bem tratada.
— Fantástico. – Ela respondeu num brado, com seu semblante emburrado, caminhando para trás resoluta em seguir para o seu quarto. Acabou por ser surpreendida com o estalo da porta do quarto de Steve sendo aberta e ele não suportando mais escutar a conversa no corredor ganhar proporções, possivelmente perigosas.
— Ótimo. – Bucky deu de ombros, pouco se importando para a decisão de Willa.
— O que diabos está acontecendo aqui? – Steve questionou olhando os amigos com curiosidade e preocupação.
— Nada, Rogers. – Ela respondeu rude, olhando de Bucky a Steve com uma mistura de magoa e desdém marcante em seu semblante normalmente tão radiante e extrovertido. – O que? Não fique tão surpreso: eu não sei de nada mesmo. – Willa dramatizou, mas claramente não era exagero de sua parte. Ela se sentia assim. Um desperdício de espaço que tem a única utilidade de tornar boas ações em atitudes ruins num estalar de dedos. Ela precisava ser encarcerada antes de cometer outra atrocidade aos seus amigos, com isso, ela partiu para o seu quarto, trancando a porta até segunda ordem. 
Pouco tempo depois, a segunda ordem veio na necessidade de comer alguma coisa. Após ter trocado os seus curativos, ela encontrou refugio no acolchoado de sua janela e presa em sua mente, ela repassou tudo que havia acontecido nos últimos tempos, e indo além do que almejava, chegou a questionar suas ações com Jessica e as consequências por traz de sua impulsividade que a levaram diretamente a ser um fantoche de Kilgrave. Suas omissões, suas impulsividades, sua postura. Ela sempre foi uma loba solitária. Sem um líder, com suas regras, suas missões e suas obrigações. Depois de se tornar parte dos Vingadores, criado um laço de amizade com Steve e reconectado-se com Jessica, ela mudou. Ela agora precisava dessas pessoas. Ela precisava ser parte de suas vidas. Ela precisava protegê-los a todo custo. Ela precisava deles. Ela pertencia a alguma coisa e ela não abriria mão disso. Willa mudou tanto nessas últimas semanas e só agora ela percebeu não se reconhecer mais, ao se olhar no espelho. Ultron foi o estopim. Perder Pietro foi à faísca. Kilgrave a explosão.
Steve tinha razão em estar magoado com ela. Há nove meses, Willa jamais tomaria uma atitude sem antes consultar Rogers. Ele seria a primeira pessoa a quem ela recorreria e sua palavra seria a final. E ela quebrou esse padrão. E nesse julgamento, ele se enganou. Ele dizia que ela tinha se tornado irresponsável, mas Willa nunca se sentiu tão responsável por suas ações como agora. Culpa de Kilgrave. Ela matou 42 pessoas a mando dele. Cada uma daquelas vidas pendia em suas costas, os seus sangues escorria pelos seus dedos, suas vidas esvaíram em seu olhar. Steve não tinha noção do tão responsável Fairchild era.
Ela era responsável por Wanda, quando ela perdeu Pietro, Wanda dedicou-se inteiramente em dominar seus dons e se tornar uma Vingadora e Willa tentou manter intacta a sua humanidade e sua inteligência emocional. Ela estava a um fio de se tornar algo ao qual não teria retorno e Willa conseguiu conter isso. Ela entendia bem os seus motivos. Wanda perdera toda a sua família, seu irmão gêmeo e Willa perdeu cada membro de sua família um tiro por vez. Ela sabia bem o que era estar e ser sozinha no mundo; E como todas as coisas no mundo, elas encontraram uma na outra aquilo que perderam no caminho por conta da crueldade dos homens: uma família. Era quebrada, meio bagunçada, uma era estranha e a outra uma consertadora de corações partidos compulsiva, mas era a família delas.
Ela se sentia responsável por não ter conseguido salvar Pietro; Se sentia responsável por não ter sido capaz de não ter encontrado e salvado Jessica de ser sequestrada, abusada e controlada por Kilgrave; Se sentia responsável pelos filhos de Barton, por Laura, por ele; Se sentia responsável por Bucky. Ela teve a mente abusada e controlada por um homem inescrupuloso, ela quase perdeu sua prima para isso; ela o entendia sem precisar de muita empatia. Dentre todos, ela era ali quem tinha as mãos mais manchadas de sangue (pareô a pareô com Natasha, talvez até com o próprio Soldado Invernal e eles nem desconfiavam disso) e a sua mente atormentada por quem ela foi e quem ela era.
Ela se sentia responsável por ter trocado a imagem de liderança de Stone por Steve. Ele não era seu mestre, ele nunca foi; ele era seu melhor amigo. Ela se sentia responsável por ter abandonado a Casta e sua guerra contra o Tentáculo e sabia que um dia, eles lhe cobrariam por tal traição. Ela se sentia responsável por não ter feito alguma coisa para impedir essa guerra civil entre os seus amigos. Ela se sentia responsável por ter se tornado tão vulnerável. Ela se sentia responsável por não saber o que estava fazendo com sua vida.
Willa ultrapassou limites e agora ela não sabia se existia um caminho de retorno para o que era antes e se ela tinha como utilizar essa intersecção e consertar os seus erros.
Ela pode ter deixado seu quarto para comer, mas acabou se perdendo em sua mente, caminhando pelo corredor vazio. Silêncio e solidão sempre foram seus amigos e agora, ela os rejeitava com repugnância. Ao alcançar a sala principal, à distância, ela encontrou Scott conversando com Sam sobre alguma coisa envolvendo a Hidra. Ela não interrompeu a conversa, mas não deixou de notar a distração na postura de Wilson. Ela continuou a caminhar. Caminhou até chegar ao quintal e ouvir estampidos e explosões de energia a uma pequena distância. Era Wanda na sala de treinamento. Ela treinava com um boneco de madeira improvisado de gravetos e metal, tacando rajadas e explosões de energia contra ele com os seus olhos verdes conectados no objeto inanimado, faiscando em vermelho. Seus golpes eram delicados, porém precisos e o seu rosto tinham gotas do que alguns acreditariam ser suor do seu esforço físico, mas a sua respiração ofegante e o seu olhar vulnerável apontavam para outro sentimento. Willa saiu dali com passos suaves, mas ágeis antes de Maximoff descobrir sua presença através da leitura mental. Willa caminhou até o celeiro. Seu corpo encontrou apoio atrás da porta de madeira. Suas mãos trêmulas e suadas agarraram a madeira puída e sua cabeça pendeu. Estava ofegante, seu coração acelerado e descompassado parecia estar colapsando de um exercício excessivo, como se ela tivesse excedido na sua corrida matinal e agora precisasse relaxar com urgência, antes de colapsar ao chão. Caminhando pelo celeiro, ela abraçou o próprio corpo e inspirou e expirou sentindo o corpo não conseguir relaxar. Isso era um ataque de pânico? Isso era arrependimento? Isso era dor?
O que ela tinha feito? O que ela tinha causado aos seus amigos? O que ela tinha causado a ela?
Willa não teve oportunidade de explorar tais emoções. Milésimos de antecedência lhe informaram a presença de alguém, antes que ela pudesse buscar por tal pessoa, ela lhe surpreendeu com uma chave de braço e uma força descomunal. A pessoa agarrou o seu braço com força o que arrancou um gemido de dor e seu corpo foi rodopiado, impactando suas costas contra um veiculo encoberto por um toldo, pela força do individuo e o ato ter sido inesperado, o impacto foi bem dolorido. Suas mãos ficaram atadas na posse do individuo. Ela podia ter tentado se defender, podia ter aplicado três golpes diferentes para conseguir impedir tal aproximação e ataque ou ao menos, diminuir a dor do impacto amortecendo a porrada contra o metal com o seu braço, entretanto, ela não conseguiu fazer nada. A garota sempre alerta, abaixou a guarda por um segundo e encontrou-se cansada demais com as ironias da vida. Por favor, pelo amor de Deus, deem um tempo a ela! Willa encontrou os olhos de quem lhe atacara e fechou o seu semblante numa carranca em questão de milésimo, buscando soltar-se do domínio de suas mãos segurando-lhe com firmeza, mas ela não conseguiria fazer isso com tamanha facilidade, nem uma enorme dosagem de sorte. Ela demorou quase um ano para conseguir escapar de um ataque desse porte manejado por Steve, com todo o seu porte, habilidade e a grandeza do soro de Super Soldado correndo em suas veias, imagina conseguir escapar de Bucky de primeira! E sim, o individuo prendendo-a contra o carro com o péssimo timing, era Bucky.
— O que diabos você está fazendo? – Ela questionou num sopro de voz.
Por um breve segundo, ela desmanchou-se com a possibilidade que lhe ocorreu: Merda, ele entrou no modo Soldado Invernal! Toda aquela briga deve ter deixado-o numa linha tênue e agora estavam ali! Falando em culpa, seria essa mais uma para a lista?
Então lenta e calmamente ele respondeu ao afrouxar as suas mãos, mas não soltá-la deixando seus dedos roçarem na pele dos pulsos dela, como se ele tivesse descoberto um prazer desconhecido naquele ato. Willa não se moveu, hipnotizada pelo seu ato e temendo assustá-lo e aguardou por uma ação sua. Ali percebeu pequenos detalhes que até então, ela não sabia que eram detalhes importantes e apreciados por si quanto a figura de Barnes: a sua aproximação. A última vez em que eles estiveram tão perto, ele a abraçou e agora estava ali parecendo pronto para tirá-la de seu eixo. Os seus olhos profundamente acinzentados tinham uma soturnidade mesclada com rancor. Frustrado e tenso, sua postura parecia incerta, porém resoluta. Ele tinha controle sobre seus atos, todavia parecia não saber como havia chegado àquele ponto.
— Por que você contou para ele? – Bucky questionou com dureza sem ousar quebrar o seu olhar de Willa. Imóvel, Fairchild entreabriu os seus lábios, buscando respirar, obrigando os seus sentidos a ajudarem a lhe dar uma pista do comportamento do soldado, como ela tentará fazer nas vezes em que ele esteve dominado pelas ações do Soldado Invernal.
— Eu não podia mentir mais para ele. – Willa não titubeou em sua resposta, todavia sua respiração escapou pesadamente e seu olhar caiu sobre Bucky com um leve toque de preocupação. Ela não tinha a menor ideia do motivo por trás daquela sua atitude e muito menos o que esperar dela. — Eu sei que quebrei a nossa promessa, mas... – E ela percebeu. O coração dele batia com calma, mas ao mesmo tempo, incerto, como sua respiração. Ele aparentava frustração e nervoso, mas o seu cerne não transpareceria isso. Ele estava esperançoso quanto a algo.
— Bom. – Ele revelou e Willa o olhou lentamente, compreendendo fato por fato o que estava a passar ali. — Isso quer dizer que você não é tão louca quanto eu te julguei. – Por fim, ele soltou os punhos de Willa e ela não escondeu sentir dor num deles. E é claro, ele olhou com estranheza, mostrando arrependimento, mas ela claramente mostrou não querer mais auxílio dele. Bucky precisava urgentemente aprender a usar sua força ou ele acabaria quebrando o braço de alguém ou uma maçaneta sem tem a intenção disso.
— O que? — Então, ela levantou os seus olhos, massageando o pulso com um olhar desconfiado sobre ele e sentindo o coração palpitar descompensadamente ao se dar conta que ele não cortou a distância entre eles – e nem aparentava pretender cortar.
— Você não pode carregar o mundo nas suas costas. – Ele falou, olhando do pulso de Willa aos seus olhos com o rosto inclinado e um olhar profundamente comedido num sentimento muito próximo a preocupação.
— Espera... – Willa não se permitiu hipnotizar por sua postura e o olhou com o semblante marcado em duvida. — Não existe plano nenhum?
— Steve disse que você era bem perceptiva, até achei que você fosse desconfiar quando eu lhe contei, mas pelo visto, nos enganamos com os seus dons. – Ele brincou! Bucky escolheu o pior momento para mostrar a Willa sua capacidade de ser charmoso e engraçado, o que só piorou a situação para o seu lado. Fairchild sentiu-se claustrofóbica. Queria distanciar-se dele. Ao mesmo tempo, ela não conseguia fazer tal coisa.
— Você mentiu para mim? – Ela questionou com tamanha obviedade que Bucky ergueu singelamente as sobrancelhas, anuindo.
— É uma forma de ver. – Ela não pensou. Não que ela fizesse isso com frequência, mas quando se tratava de Bucky, ela deveria pensar umas trinta vezes antes de fazer qualquer coisa com ele ou na sua presença, mas não. Ali estava ela, enfiando suas mãos contra o seu tórax e o empurrando com tamanha força capaz de fazê-lo cambalear poucos passos, buscando conter os seus braços.
— Fica longe de mim. – Ela bradou, exigindo tal pedido com firmeza e escapando da sua emboscada, mas não com tempo suficiente a seu favor.
— Eu fiz isso para te ajudar. – Ele respondeu alcançando-a, puxando-a pelo antebraço. Em sentido horário, ela girou o braço, escapando de sua posse e empertigando desafiadora a sua presença. Já ele ficou a sua frente com aquela necessidade ridícula de destruir a lei de respeitar o circulo pessoal de uma pessoa furiosa.
— Eu não preciso da sua ajuda. – Ela rebateu com agressividade.
— Talvez eu não precise da sua também. – Ele respondeu quebrando o seu olhar de sua mão até encontrar os olhos azuis perolados de Willa. Ela era decepção, ele era realidade. — Mesmo assim, todas as vezes que você estendeu sua mão e me aconselhou, eu não lhe rejeitei e agora que faço o mesmo por ti, você quer dar as costas para mim?
— É d-diferente. – Desconcertada, Willa quebrou a ligação em seu olhar, respirando profundamente.
— Não. – Ele reafirmou firme deferindo um passo até si, o que atraiu a sua atenção para o seu corpo e o seu semblante, então Bucky negou com a cabeça, passando a língua nos lábios inclinando levemente o seu rosto com um olhar indecifrável sobre ela. – Não é, Willa.
— É sim! – Ela exclamou com o seu cenho enrugado com a dureza e magoa estampada em seu semblante. – Você não percebe o que fez? Eu podia ter dito ‘sim’ para você, James; eu podia ter traído a confiança do Steve para te ajudar nessa empreitada fajuta e suicida...
— Você não faria isso. – Ele negou com a cabeça, balançando o corpo para o lado, como se estivesse ponderando em ir embora ou ficar ali, dominando a sua postura numa tranquilidade inesperada aos olhos de Fairchild.
— Você não sabe nada sobre mim. – Ela proferiu com rispidez.
— Nem você sobre mim. – Ele rebateu olhando-a com dureza, observando sua figura de cima abaixo e fixando os seus olhos acinzentados no rosto de Willa. — Eu não te pedi por nada disso. Você não tem laços a mim. – Ele apontou para o peito, cortando um passo de distância entre eles e Willa não se moveu. — Você faz isso por mim pelos seus motivos, aos quais eu nunca lhe perguntei e agora eu também estou fazendo isso, por você, mas diferente de você eu quero que saiba os meus motivos. Eu me importo. Não que os outros não se importem, eles se importam, da maneira deles. Mas, na minha maneira, eu não posso ficar sentado vendo você acolhendo todas as dores e magoas de todo mundo e guardando para si. É demais para uma pessoa. – Eles trocaram um olhar significativo, onde Bucky parecia tentado em trazê-la para perto de si e ela parecia tentada a querer o seu conforto. — Se a única forma de lhe fazer contar o que você passou foi mentindo e lhe colocando no limite, eu não me arrependo.
— Você deveria. – Willa respondeu com dureza. — Tudo que fiz por você foi por preocupação.
— Talvez esse seja o seu problema. – Ele acusou com amargura, a sua voz rouca ganhando um tom áspero aos ouvidos de Willa e ela não deixou de perceber, o seu olhar duro levemente conquistar um toque malicioso sobre si. — Talvez você devesse parar de se preocupar tanto comigo e começar a cuidar da sua vida. – E ele se perdeu. Seus olhos observaram o rosto de Willa analisando cada detalhe e ele passou a ponta da língua nos seus lábios deixando seus olhos passearem de sua boca ao seu olhar, inclinando o seu rosto e Willa imitou o seu gesto, como o reflexo de um espelho.
— É, você tem razão. – Willa despertou, assentindo num sopro de ar, engolindo em seco com os seus olhos cravados em Bucky e em sua postura rígida e séria. — Vou começar a fazer isso.
Agora.
Depois do terceiro copo, Willa perdeu a conta da quantidade de conhaque ingerida e honestamente, ela não dava a mínima. Sua mente estava uma bagunça, não vamos nem começar pelos seus sentimentos. O bar estava abarrotado. Ficava na pequena cidade, nas intermediações do esconderijo, o que dava um senso de privacidade e liberdade a Willa. Aquele era o seu refugio agora. Bebida, música boa dos anos 80 e sinuca. Era tudo que ela precisava. Naquela noite Willa errava algumas tacadas e bebia seu conhaque. Recebia olhares maliciosos de homens tão bêbados que no dia seguinte não se lembrariam da sua existência, mas ela com toda certeza lembraria das suas magoas, decepções, temores, desejos. Ela ainda não estava bêbada, ao menos, não o suficiente. Ela virou outro gole de seu conhaque e correu o dedo até a garrafa, mas ela não estava mais a seu alcance. Por um instante ela acreditou que sua bebedeira estava confundindo os seus sentidos, foi então que pressentiu a sua presença a poucos passos de si. Vestindo uma polo cinza e casaco de couro preta, Sam segurava a garrafa de conhaque, analisando-a com um olhar julgador.
— Já lhe disseram que é deprimente beber sozinho? – Ele questionou, apoiando o seu corpo lateralmente na base da mesa.
— Já lhe disseram que se intrometer onde não é chamado é suicídio? – Willa respondeu um pouquinho estridente, buscando pegar a garrafa de sua posse, mas ele não permitiu, meneando a cabeça em negativa. – O que você está fazendo aqui? – Ela perguntou rispidamente.
— Vim te buscar para te levar para casa. – Sam informou, empurrando na cabeça de sua amiga o boné preto surrado e abandonado na mesa de sinuca, temendo dela ser descoberta por algum bêbado daquele lugar. – Vamos!
— Hm, não. – Ela rejeitou com deboche.
— Estão todos preocupados com você. – Ele tentou atraí-la pelo seu ponto fraco: a sua importância para o grupo, mas a coisa estava um pouquinho pior do que o esperado por Sam.
— Só vejo você aqui, então... – Ela olhou teatralmente ao arredor, apontando para ele singelamente erguendo uma sobrancelha.
— Você fica muito chata bêbada, sabia? – Ela botou a língua para fora numa careta para Wilson. – E infantil. – Willa emburrou o seu rosto, entortando os seus lábios para baixo numa careta.
Willa encolheu os ombros, errando mais uma tacada, o que a fez xingar.
— Bucky contou que vocês brigaram. – Willa respirou pesadamente, arqueando as sobrancelhas com pesar, mas lutou para fingir não prestar atenção em Sam, mas ela estava atenta as suas palavras como uma águia. – Steve não queria que eu viesse atrás de você; ele acha que você precisa de um tempo sozinha, mas eu não concordo. Você precisa de um amigo.
— Vai embora, Sam. – Willa pediu rouca, olhando-o com um pesar e Sam, que raramente se permitia a tal coisa, mostrou comoção por tal postura da amiga, aproximando dela com afeto, buscando lhe trazer a segurança recentemente perdida.
— Acho que você bebeu o suficiente por hoje. – Sam manteve a garrafa em sua posse, pois se ele conhecia bem Willa, ela daria um jeitinho de retomá-la para si se ele a abandonasse.
— Acho que você quer que eu bata nessa bola e a acerte em sua cabeça. – Ela ameaçou com um olhar duro sobre Sam, mirando a bola no taco. Ela arqueou as sobrancelhas sugestiva e Sam não moveu um passo. Ela acertou a bolinha e ela só não entrou no buraco previsto. Willa soltou um ganido de decepção e Sam apenas ergueu as sobrancelhas. – Reelaxa, Sammy. – Ela cantarolou, apoiando a mão no ombro do amigo. — Eu não faria isso com você.
— Eu sei, você mal está conseguindo acertar as tacadas aqui, duvido que consiga acertar aqui, mas não vou brincar com a sorte. – Ele apontou da mesa para a cabeça e Willa soltou uma risada pouco natural, evidentemente era o conhaque rindo. — Quer conversar?
— Com o meu amigo ou com o terapeuta? – Ela perguntou analisando Sam, apoiada charmosamente no taco de sinuca.
— Você sabe que eu não sou bem um terapeuta né? É bem mais um trabalho voluntário para os veteranos onde eu dou aconselhamento para quem tem Estresse pós-traumático, depressão, ansiedade e... – Willa soltou um ronco, fingindo dormir e Sam desabou os ombros, anuindo. — Ok, ok. – Ele estendeu a garrafa de conhaque e ela pegou, enchendo o seu copo com um pouquinho. — Como amigo. – Ele respondeu e Fairchild levantou uma sobrancelha sugestiva, devolvendo a garrafa a ele.
— Eu me sinto um pedaço de bosta. – Willa confessou num sussurro, bebericando o conhaque na intenção de queimar aquelas palavras em sua garganta.
— É a primeira vez, que você se sente assim? – Sam questionou apoiando-se na base da mesa de sinuca e cruzando os braços, analisando-a cuidadosamente.
— Não, Capitão Óbvio! – Ela respondeu sarcástica pendendo a sua cabeça com um olhar um pouquinho arregalado para Wilson.
— Então, você sabe que vai passar. – Willa comprimiu os lábios, sentindo um nó desconfortável em sua garganta, o que a obrigou a beber mais. Ela não sabia se naquele caso, ele tinha razão.
— Se eu soubesse, eu não ficaria assim. – Ela falou sufocada. – Como eu pud... – Ela abaixou a cabeça, abafando a emoção e respirando fundo, num ato inconsciente de lutar contra aquela emoção, mas o conhaque ajudava a aflorá-lo. — Eu fiz tantas coisas erradas nesses últimos tempos, Sam. – Seus olhos foram dominadas por lágrimas, as quais, Willa não teme deixar desbravarem seu rosto. — Eu nem sei por onde começar para consertar toda essa bagunça.
— Agora pode parecer impossível, mas isso vai passar. – Sam reafirmou suas palavras, repousando sua mão sobre a de Willa, acarinhando afetuosamente. – Você não precisa ter todas as respostas. Você não precisa consertar todos os seus erros como a boa relojoeira que é. – Willa sorriu fechando os seus olhos e deixando algumas lágrimas escaparem. — Algumas vezes você precisa deixar as coisas fluírem e permitir, também, que os outros lhe ajudem nesses consertos, como também a consertar as suas peças quebradas.
— Eu estou tão cansada. – Ela choramingou, apoiando as mãos na base da mesa de sinuca.
— Deve ser o efeito do conhaque. – Willa semicerrou seus olhos a Sam, terminando o seu conhaque e batendo o copo na base da mesa. — Como seu amigo intimo Bruce Lee disse uma vez: ‘Deixa fluir’. – Ele gesticulou no ar, imitando uma onda fluindo num rio e Fairchild não escondeu o seu sorriso, apontando seu indicador a ele, ao perceber que Sam não estava apenas referindo ao seu ídolo Lee, como imitando Fairchild. Ela havia feito e dito a mesma coisa a um tempinho atrás, na primeira vez em que eles se conheceram, em Washington, antes da queda da S.H.I.E.LD. Era bom saber que ela havia conseguido lhe deixar uma marca. — Só deixa fluir, Willa.
— Não vou prometer nada, mas eu vou tentar. – Ela sussurrou tal resposta, num suspiro. — Caso não dê certo, sempre vou ter os seus conselhos, não é? – Ela questionou com inocência e Sam sorriu, massageando a base das costas da amiga.
— E conhaque. – Ele levantou uma sobrancelha com um sorriso discreto e ela riu com comoção, deixando os seus braços envolvê-lo num abraço afetuoso. Ao se afastarem, com intimidade, Sam manteve o seu braço envolvido na cintura de Fairchild lhe ajudando para caminharem juntos, para casa. – Vem, vamos para casa.
E mesmo não sentindo ir para o seu lar, ela decidiu apenas deixar fluir.
Willa despertou num pulo, meio tonta pela recente bebedeira e sono cortado; primeiro achou que o baque forte e pesado similar a um tiro era proveniente de um sonho, mas não era e também não era um tiro. Era um murro contínuo e urgente em sua porta. Tonta de sono, ela levantou rapidamente, tropeçando-nos próprios pés e abrindo a porta num átimo, deparando-se com Steve com suas roupas para dormir, os cabelos bagunçados e Fairchild podia jurar que os olhos dele iriam saltar de seu rosto a qualquer instante. Depois que ela voltou da sua bebedeira acompanhada de Sam, ela não encontrou com nenhum dos amigos, mas o militar deve ter avisado a Rogers.
— Bucky precisa de você! – Não precisou dizer muito mais para ela seguir Steve lado a lado com passos apressados pelo corredor.
— O que aconteceu? – Ela questionou, passando a mão nos olhos sentindo a luz do corredor incomodar sua vista e a porta entreaberta de Bucky estar cada passo mais perto de seu alcance.
— Pesadelo. – Willa tencionou os ombros lançando um olhar preocupado a Steve. — Algo envolvendo a Hidra capturando você. Eu te gritei, mas você não ouviu, por isso vim correndo. Ele está tendo um ataque de pânico, não estava conseguindo separar o real do sonho e não acredita em mim, acha que estou mentindo sobre você não ter sido sequestrada... Ele estava perdendo o controle, então achei melhor te buscar antes de perdemos o controle. – Steve abriu a porta num átimo e Bucky quase deu de encontrão com a dupla. Seu olhar firme e atento marcava seu semblante sensibilizado, afoito e um pouco suado. Ele parecia completamente perdido, mas estava decidido a ir atrás da Willa do seu pesadelo. Ele só não esperava que Steve estivesse falando a verdade para ele e ela estava ali, segura e bem e ele apenas teve um dos seus pesadelos, ele apenas tivera um pesadelo.
— Willa, você... — Bucky deixou aquelas palavras escaparem dos seus lábios, contendo um passo em sua direção olhando-a confuso e tenso de Steve a Willa. — Eu... – Ele fixou seus olhos em Fairchild buscando encontrar um detalhe em si que apontasse a farsa por trás de sua mente. — Não, isso não é real. – Ele afastou seus olhos de Willa dando alguns passos para trás com temor e a confusão instalando em sua face.
— É real. – Steve murmurou com um olhar terno sobre o amigo. — A Willow está aqui. Só foi um pesadelo, Buck. – O seu olhar dizia tudo, sua mão trêmula, o punho metálico cerrado e os seus pés movimentando com incerteza; ele ainda estava vivendo e revivendo aquele pesadelo.
— Me toca. – Ela estendeu o braço a ele trocando um olhar e sorriso gentil com Bucky. Steve aproximou-se um pouco e discretamente de Willa, temendo pela sua segurança. Num lapso de consciência Bucky podia empurrá-la, como já fizera com ele por diversas vezes, a diferença era que Rogers conseguia confrontá-lo de igual a igual; Willa era apenas uma humana e num dos empurrões de Barnes, ela acabaria quebrando algumas costelas, deslocando um braço, isso se o pior não acontecesse. Entretanto, Barnes não ousou cair na ilusão diante de si. – Bucky, eu estou aqui.
— Você não me chama de Bucky. – Ele ralhou com um riso frouxo, descrente.
— Mais cedo, você me perguntou por que eu não te chamo de Bucky e eu não te respondi com sinceridade. – Steve trocou um rápido olhar com Willa e ela anuiu, buscando conquistar o foco de Bucky por outra vertente; um pouco mais recente, um pouco mais emocional, um pouco mais eles. – Eu menti. Não tem nada haver com a sua idade. Eu só não sinto ter intimidade com você para te chamar assim.
Bucky a olhou com fascínio e momentaneamente, não escondeu a sua timidez.
— E se eu disse que tem?
— Então, tá... Bucky. – Ela completou com delicadeza e o sargento observou-a com uma admiração indescritível aos olhos de Rogers e Fairchild. – Buck, Buckaroo... – Ela completou com um sorriso sapeca.
— Só Bucky, está bom. – Barnes comentou franzindo o seu cenho, com um leve julgamento com aquele apelido.
— É, é melhor não deixar Sam ouvir isso. – Steve murmurou e Willa riu mais ainda imaginando o quanto Sam implicaria com aquilo e Bucky desconcertou-se com o seu olhar admirando a figura de Fairchild, mais especialmente, o seu sorriso.
Bucky ponderou, pensou, suas sobrancelhas se uniram e suavizaram, assim que seus olhos reencontraram Willa o seu semblante, vagarosamente foi dominado por alivio e quando seus dedos tocaram o pulso de Fairchild ele foi tomado por emoção.
— Eu vi eles te levarem, eu não pude fazer... – Ele deixou sua voz morrer.
— Eu estou aqui. – Ela se aproximou e repousou sua mão em seu rosto, acarinhando-o delicadamente. – Eu não vou a lugar algum. – Ela proferiu buscando dizer tais palavras olhando-o em seus olhos e Bucky não escondeu o seu alivio ao escutar aquilo e a abraçou, com urgência e conforto, afundando seu rosto em seu ombro.
Willa lançou um olhar a Steve e por um instante, se encontrou confusa com o seu olhar. Ele parecia completamente estupefato. Quando ela o ensinou a mexer no Playstation 1 (com Steve a aprendizagem tinha que ser em etapas e bem lentamente) Steve tinha exatamente aquele olhar em sua face: uma mistura de encanto com espanto. Por mais que ele tenha tido um til te por alguns segundos, ele entendeu o olhar de Willa e assentindo, acreditando ser melhor deixar Bucky sobre a guarda de Fairchild naquela noite; ele estaria em boas mãos.
Fechando suavemente a porta, Steve marchou para o seu quarto, sentindo-se ainda numa espécie de realidade paralela – o que definitivamente deve ser uma possibilidade em nosso mundo.
Por sua vez, Willa conseguiu levar Bucky para sentar na cama, ela queria pegar um copo de água com açúcar para acalmar os seus nervos e talvez uma toalha molhada para secar o seu suor, mas Bucky com seu braço de metal agarrado na cintura dela, claramente não lhe permitiria distanciar dele nas próximas duas décadas. Ele continuou abraçado a ela. Abaixou o seu rosto e chorou silenciosamente com sua mão humana tocando delicadamente o rosto de Willa e em alguns momentos, buscou o ombro de Fairchild para esconder seu rosto e suas lágrimas.
— Eu tentei chegar até você, eu juro... – Suas palavras deixaram seus lábios e abafaram na pele do pescoço de Willa. Aos olhos dela, era como se ele a tivesse perdido, e momentaneamente, ele havia sim, perdido.
— Eu sei. – Ela confortou-o afagando os seus cabelos com afeto.
— Eu me lembro dos outros lutando, eu me lembro de buscar impedir eles, mas eles conseguiram te pegar, bem embaixo dos nossos olhos, eles me... – Normalmente, Bucky tinha o costume de guardar para si os seus pesadelos, principalmente quando envolvia a Hidra e sua tortura, as suas missões, os assassinatos cometidos por si. Num dos primeiros dias de Bucky com o grupo, Willa o pegou no flagra, escrevendo algo num caderno, com lágrimas escorrendo pelo seu rosto, enquanto o seu braço metálico escondia parte de seu rosto. Ela não se permitiu ser vista, mas não esqueceu como aquele instante mostrou aos seus olhos a humanidade por trás de Bucky Barnes. — Eles conseguiram me conter e... Eu não pude fazer nada. Eu não pude te salvar deles.
— Era só um pesadelo. – Willa odiava esse sentimento, de não saber como ser útil com suas palavras. Ela sentia como se fosse um disco quebrado e nós sabemos o tão inútil um disco riscado é, mas para Bucky ouvir essas palavras era exatamente o que ele necessitava. — Não vai acontecer. Nem comigo, nem com Steve, nem com você, nem com nenhum de nós.
— Foi tão real. – Ele apertou o seu abraço, como numa confirmação de sua presença junto a ele. — Eu ainda consigo sentir eles me empurrando contra o chão. Me fazerem assistir você sendo espancada repetidamente, sem piedade, sem chance de se defender. Consigo ouvir você gritar por ajuda, por mim, enquanto eles te arrastam para longe, ferida, fraca, impossibilitada... Eu tento, tento te alcançar, mas não consigo me mover... E ai você, sumiu da minha vista. E-eu... Eu sabia o que eles iam fazer contigo. Eles iam te apagar, iam te reprogramar, como fizeram comigo. Eu não quero nunca mais sentir isso.
— E não vai. – Ela afirmou e Bucky moveu seu rosto singelamente, olhando-a nos olhos com aquela vulnerabilidade e temor fluindo para conforto e afirmação lentamente. — Eu estou aqui.
Willa nunca o assistiu tão vulnerável, ela nunca se sentiu tão vulnerável por conta dele. Com isso, ela sentou-se por sobre sua perna mantendo seu braço na base das costas dele afetuosamente massageando os seus ombros e assistiu seu rosto esconder-se por trás da cortina de seus cabelos castanhos escuros, e carinhosamente, ela retirou uma mecha do seu rosto e colocou por trás de sua orelha, olhando para o seu rosto com um sorriso doce.
Esse delicado toque fez Bucky fechar os olhos, passando a ponta da língua em seus lábios. Willa o assistiu com fascínio e sorriu contida, então ele a olhou de soslaio e lá estava aquele olhar, aquele olhar que Fairchild não conseguia decifrar. Willa não esperou por aquele seu gesto. Cuidadosamente, ele beijou a sua testa.
Seus olhos se conectaram com o seu rosto levemente inclinado, deslizando os seus dedos no seu pescoço macio e delicado. Suavemente, ele se aproximou e beijou a bochecha dela, sentindo sua pele quente, o arrepio percorrendo em sua pele sob seus dedos e o perfume adocicado dos seus cabelos. Willa fechou os olhos sentindo o seu toque e como o seu coração reagiu a tal gesto. Era bom. Era sincero. Ele desejava mais e ele também queria saber se Willa também se sentia assim, se ela buscava por mais, por ele. Então, Bucky se afastou por poucos centímetros e olhou em seus olhos, seus olhos azuis perolados brilhando como na primeira vez em que eles se viram, o sorriso repuxando no canto dos seus lábios, os particulares detalhes em seu rosto como as sardas, as bochechas coradas, o desenho arredondado em seu queixo com aquele furinho bem no meio, o seu nariz redondo e arrebitado e, novamente, ele foi atraído aos seus lábios avermelhados, nem muito grossos, nem muito finos, mas mortiferamente tentadores e os seus olhos se reencontraram e Bucky podia jurar: eles eram um.
Foi rápido demais para Willa perceber o seu ato.
Desengonçado, ele não moveu seu braço metálico de sua cintura, de inicio sua mão subiu vagarosamente de seu pescoço ao seu rosto num toque delicado e respeitoso, porém resoluto e os seus lábios tocaram ternamente a boca de Willa e desfrutaram da sua resposta suave e cuidadosa, não ousando em seu carinho, o que não diminuiu o impacto e sentimento por trás do beijo.
Ao se separarem, Bucky manteve-se unido a ela e encostou carinhosamente as suas testas suspirando, olhando-a nos olhos com os lábios entreabertos, ainda buscando por ar e Willa estava completamente perdida.
Ela não esperava por aquilo.
Ela tinha pensado naquilo? Claro, mas acreditado que eventualmente aconteceria? Não!
Ela foi pega de surpresa ao ponto de estar se questionando o que tinha acontecido, se ela estava sonhando, o que ela tinha sentido durante tal momento e a sua resposta veio na forma de um desejo: ela queria desvendar isso, ela precisava de mais; ela queria mais.
Sob a base de suas costas, Willa subiu delicadamente a sua mão, atraindo o olhar questionador de Bucky sob seu rosto. Em resposta, ela admirou o seu rosto com um discreto sorriso, sentindo o seu olhar acinzentado olhá-la queimando e faiscando profundamente em desejo e ela o atiçou, deixando os seus dedos arrepiarem a pele de sua nuca vagarosamente até eles enrolarem nas mechas de seus cabelos puxando levemente para trás, o que o fez soltar um grunhido gutural e mordendo o seu lábio inferior. Ela arriscou e aproximou-se, passando o seu nariz contra o dele, com carinho e assim, o surpreendeu, o puxando pela nuca e a camisa contra si e beijou os seus lábios com respeito, paixão e delicadeza atribuída por ele antes, gradativamente atribuindo ritmo e sentimento ao beijo, ao qual foi retribuído por Bucky.
Eles quebraram o contato inesperadamente, quando as mãos de Bucky trabalharam em sincronia ao manter seu braço humano seguro na cintura de Willa e repousar seu braço metálico abaixo do quadril de Fairchild e com facilidade e força, ele a levantou da cama, como se ela fosse uma pluma em seu braço e encaixou-a sobre o seu colo.
O corpo de Willa arrepiou-se com tal ato inesperado e fugaz, sentindo o corpo de Bucky contra o seu, o que apenas atiçou a sua imaginação e desejo, sentindo com suas mãos o seu tórax, descendo até alcançar a sua cintura e imaginando o que encontraria por baixo daquela camisa, daquela calça... Seu pensamento foi cortado por conta de Bucky. Os seus lábios abriram buscando por ar mesclando a um gemido e Bucky sorriu conquistando o que desejava e continuou a permitir seus lábios d beijarem adoradores e desbravadores o pescoço de Fairchild, adorando os sons libertos pelos seus lábios. Não suportando mais, ele lhe trouxe para a sua posse e sem perder tempo, reconectou os seus lábios num beijo bem menos casto, aprofundando na paixão e descobrimento tão buscado por eles.
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