Born to Die | Exile

9 Born to Die | O’Sister, it’s like a Dark Paradise.


Notas iniciais
MATES, OLHA O NOVO CAPÍTULO NA ÁREA! ♪ Oi, galerinha! Tudo bacana? ♥ SINTO MUITO! Semana passada não teve capítulo :( Foi o nosso primeiro hiatus! #BTDHIATUS O capítulo estava pronto, mas não rolou clima/tempo para revisar, então optei por não postar e me dedicar em escrever um dos próximos capítulos. #SPOILERS: CAPÍTULO BOMBÁSTICO CHEGANDO AÍ, VIU? Falando nisso: FALTA APENAS ESCREVER OS ROTEIROS DOS DOIS ÚLTIMOS CAPÍTULOS DESSE VOLUME (Fase, Temporada, Livro?) e adianto: a ÚLTIMA cena do ÚLTIMO CAPÍTULO está prontinho ♥ — PERGUNTA: Será que teremos uma Volume II no Segundo Semestre? O que vocês acham? Hmmm... • CONVITE: Convido vocês para lerem o meu livro novo :) Bobbi McAvoy, uma reconhecida arqueóloga americana recebe uma proposta para uma exclusiva expedição. O trabalho é classificado e por isso ela só saberá dos detalhes, apenas quando chegar ao destino. O lugar? Egito. E como especialista na cultura Egípcia, é quase proibido para si negar tal proposta. O que não contava nos planos de Bobbi e sua equipe formada por Sky e Smith, seus visionários assistentes, e acima de tudo, companheiros, era ter de trabalhar com a equipe do departamento afiliado, comandada por John Barton, um arqueólogo com um misterioso passado com Bobbi e também um dos principais Seekers de sua geração. Até então, os Seekers é uma história de fantasma vista como uma verdadeira lenda no mundo da Arqueologia e Barton mudara isso. Ao chegarem ao Egito, uma reviravolta transforma a misteriosa expedição de interessante a extremamente perigosa, não apenas colocando suas vidas em risco, como mudando toda a história cultural e religiosa de um povo, o que poderá afetar também, a história mundial. ◘ Detalhes abaixo: — WATTPAD - https://www.wattpad.com/story/48129632-ossos-seekers-1 — SOCIAL SPIRIT - https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-a-mumia-ossos-5730243 • AVISOS (não tão) IMPORTANTES: — CAPÍTULO COM FLASHBACK: é uma cena pesadíssima entre Steve e Willa, acontecendo poucas horas depois da Batalha em Sokovia. #ESTEJAMAVISADOS! Leiam com lenços e calmante por perto - e talvez ajuda médica! — OH, WICKY ♥ — SQUAD GOALS is B A C K ♥ — Será que Bucky conseguirá, finalmente comer as suas amadas ameixas nesse capítulo? #SERÁ — MUITAS REVELAÇÕES acontecem aqui, mates. Leiam com MUITA atenção. — DAREDEVIL FEELS por todo o capítulo. Um beijão!

O’S I S T E R, I T'S L I K E A D A R K P A R A D I S E



A Song To Steve Rogers & Willa Fairchild

— O’Sister, City and Colour

What have the demons done/With the luminous light that once shined from your eyes?/What makes you feel so alone?/Is it the whisper and gos that you fear the most?/But the blackness in your heart won't last forever/I know it's tearing you apart, but it's a storm you can weather.

— Dark Paradise, Lana del Rey

And there's no remedy for memory/Your face is like a melody/It won't leave my head/Your soul is haunting me/And telling me that everything is fine/But I wish I was dead. Every time I close my eyes/It's like a dark paradise/No one compares to you/I'm scared that you/Won't be waiting on the other side/Everytime I close my eyes/It's like a dark paradise/No one compares to you/I'm scared that you/Won't be waiting on the other side.


Mesmo tentando, e muito, Willa não conseguiu dormir naquela noite. Como poderia também? Bucky e ela se beijaram. Tem noção disso? Eles se beijaram! E não foi um beijo. Foi O beijo. Quer dizer, foram os beijos. Era como uma explosão. Não a como conter, após sua detonação.
Em algum momento, rápido demais para a percepção de Fairchild, Bucky a deitou em sua cama, colocando-se sobre o seu corpo. Os seus lábios guerrilhavam entre si numa mistura de beijos suaves, desbravadores e apaixonados. Suas mãos duelavam para conquistar o maior território através de suas peles. Buscando causar sensações novas um ao outro, desbravar o prazer de seus toques e quando Bucky desceu seus beijos pelo pescoço de Willa, mordiscando sua pele, ela perdeu a capacidade de respirar...

Foi quase impossível conseguir se afastar um do outro, não que eles pensassem em fazer tal coisa. Eles apenas o fizeram por conta de uma batida forte na porta. Por mais que Bucky quisesse fingir que eles estavam dormindo e continuar desbravando o corpo de Fairchild, como um adolescente com o seu primeiro amor, a batida na porta se tornou insistente e eles acabaram cedendo, para a insatisfação clara deles.
Willa abriu a porta e a realidade caiu sobre si pesadamente.
Steve estava ali, querendo saber se estava tudo bem.

Bem? Bom, esse seria um dos adjetivos usados por Willa para descrever aquele momento. Bucky usaria transformador. Steve estava desconcertado.

Ele parecia ter perdido a capacidade de fala, olhando do amigo para Fairchild. O sargento titubeou numa resposta e Willa entendeu a confusão de Rogers: Barnes tinha as bochechas coradas, os cabelos bagunçados e um olhar cúmplice discretamente dividido com Willa. Ela podia jurar que aos olhos de Steve, ela não estava muito diferente do sargento. Por isso, só por via das duvidas, ela achou melhor deixar os amigos sozinhos, marchando rapidamente para o seu quarto.

O que tinha acabado de acontecer ali? Ela se jogou em sua cama, prendendo os seus olhos no teto rompido em rachaduras e fechou os olhos, grunhindo com a sensação do seu coração batendo acelerado, ainda por pensar no que acontecera há poucos instantes. Por sentir a sua pele arrepiar e aquecer com a lembrança do toque de Bucky, o calor dos seus lábios em si e o seu coração acelerar apenas com a singela ideia de poder retomar de onde eles pararam. Será possível? Vencida, ela agarrou o travesseiro e enfiou na cabeça, choramingando baixinho, tentando abafar os seus sentidos. Buscando a todo custo controlar o desmoronamento das barreiras em seu coração. Era inevitável.

Imune a drama, Willa optou por arrancar o travesseiro de seu rosto e simplesmente aceitar o fato claro e comprovado de que Bucky conseguiu conquistá-la. Ele conseguiu, de algum jeito ainda questionável, conquistar os seus sentimentos. Como aconteceu? Em que momento? Pode ter sido durante uma de suas conversas intimas, quando ele concordava com seu ponto de vista sobre o mundo e os conflitos em suas vidas e mostrava reparar em sua existência, a conexão entre eles, quando ele deixava os seus dedos tocarem imperceptível e rapidamente os dedos de Willa ao entregar alguma coisa ou quem sabe quando ele lhe olhava discreta e indescritivelmente com um sorriso contido em seus lábios. Willa percebeu que podia continuar a lista de hipóteses. E isso significava algo.

E para ele, quando pode ter acontecido? Era a situação? É, podia ser a situação. Qual foi a última vez que Bucky esteve com uma garota, não é mesmo? Ok. Agora ela estava ali se rebaixando por conta de possibilidades. Não era justo consigo, nem com Bucky. Eles podiam estar no meio de uma guerra de egos, contra a Hidra, o governo, eles mesmos e opiniões entre três lados de um triângulo, mas isso não queria dizer que não podia existir espaço para duas pessoas distintas se encontrarem, conectarem e, eventualmente, se apaixonarem? Não é? Por que ele não podia, naturalmente acabar por se apaixonar por ela? Ela era uma pessoa totalmente apaixonável! Obviamente quando ela não estava em seus dias de introspecção ou surrupiando o café dos coleguinhas sem eles perceberem. E ele também não era de se jogar fora! Ela realmente estava pensando nisso? Em paixão? Qual era o problema de sentir-se assim? Bom, o problema era que ela claramente encontrava-se empolgada com tal sentimento, por não ter estado com ninguém desde Pietro. E não pense que isso foi por ela estar de luto ou algo assim, por causa de Pietro, ela apenas não encontrou alguém digno, decente e bacana por quem se apaixonar. Só isso.
Ela não beijava há meses! Essa euforia era apenas uma reação natural de quem estava na seca por muito tempo.

Ela não tinha porque ficar se afundando em tais emoções passageiras.

Passageiras?

Então ela pensou e meditou com um olhar semicerrado para o teto e os lábios crispados num bico:

Respira, Willa. Você só ficou empolgada por estar na seca há muito tempo. Jessica tem razão: você precisa de alguns casinhos de vez em quando para aliviar a tensão. Isso aqui só foi isso, eu e Bucky aliviando as tensões. Só foi um beijo. Só um beijo muito, muito bom. Um beijo que definitivamente, não reclamaria se recebesse outro. E, nossa, aquilo que ele fez no meu pescoço... Oh. Ok, super tranquilo. Super suave. Isso só foi algo passageiro. É. Tá bem difícil acreditar em mim mesma, viu?

Ela grunhiu com enorme insatisfação, sacudindo-se na cama. Jessica tinha razão: mente desocupada moradia do diabo.

— Como sou idiota!

Um estrondo na sala irrompeu a audição de Willa. Como uma felina ela saltou da cama, sentando na beirada. Com passadas silenciosas, porém ágeis, ela correu para a porta, pegando a sua katana apoiada recostada na parede. Ela atentou a sua audição e olfato por alguns segundos, parando bruscamente os seus movimentos ao perceber de um detalhe determinante, comovente e que claramente, mudaria tudo.
Ela conhecia aquele perfume, aquele cheiro metálico de sangue.

Seu foco se perdeu momentaneamente por conta de outras reações.
Ela escutou Wanda abrir a porta do quarto num rompante e em seguida a porta de Sam também. Então Steve e Bucky deixaram o quarto juntos, questionando num sussurro se eles sabiam o que tinha acontecido e Fairchild podia sentir a ansiedade de Rogers irradiar para pegar o seu escudo. Willa se questionou do paradeiro de Scott, e bom, sua resposta não demorou a vir como um ronco pesado e ruidoso. Ela revirou os olhos e abandonou a katana, pegando a sua bolsa e abrindo a porta dando de cara com Sam no quarto a sua frente. Seus pés seguiram para o térreo, mas os seus olhos varreram o corredor agilmente caindo, primeiro sobre Wanda.

Num aceno a Maximoff entendeu e soltou uma pequena nevoa escarlate à cabeça de Fairchild e num piscar de olhos, leu seus pensamentos e compreendeu o que se passava e o que Willa faria. Wanda abaixou o rosto digerindo tais pensamentos, preocupada e por um instante, a comoção dominou o seu coração, pois ela podia jurar ter ouvido Pietro lhe sussurrar carinhosamente em sua mente: tudo ficará bem, soră (irmã). Saudades, era capaz de criar ilusões tão poderosas quanto os dons místicos de Wanda.
Ela sentia tanto a sua falta!

Pela postura de Fairchild, Steve também desconfiou o que se passava no térreo, mas ele ainda estava atordoado pelo excesso de informações intimas dos últimos minutos que preferiu não apostar no que achava. E por fim, discretamente Willa olhou para Bucky, quem lhe devolveu o olhar com uma singela preocupação e intensidade.

— É o Clint. – Ela anunciou num suspiro exasperado. Bucky uniu sua sobrancelha, lançando um olhar confuso sobre Fairchild, e brevemente ele acabou por trocar um olhar com Steve, quem anuiu. Rogers se esquecia de que Barnes ainda não estava acostumado com os dons excepcionais dos colegas, como os sentidos aguçados da ninja. Rapidamente, sem dizer nada mais, Fairchild cruzou o corredor para o andar inferior sendo seguida por todos, menos Sam que anunciou que acordaria Scott.

O estrondo foi causado por Barton. O plano do arqueiro era desmaiar no sofá, mas ele perdeu o equilíbrio e desabou apenas em parte do sofá, e acabou despencando de mau jeito do sofá de cara no chão.

Acertei em cheio!— Ele sussurrou num resmungo seco e desmaiou.

Poucos segundos depois, ao alcançar ele, Willa buscou por virar cuidadosamente seu corpo, sabendo exatamente onde tocar-lhe para não correr o risco de piorar algum ferimento. Chamou por ele, mas Barton não lhe respondeu, encontrando-o já desmaiado. Suado, cansado e um pouco ferido. Ele deveria ter perdido a consciência antes de capotar no sofá, Willa supôs. Motivo?

— Ele levou um tiro. – Willa tinha sentido o cheiro de sangue, só não sabia dizer onde era o ferimento e como fora produzido. Seu olfato era bom, e só. Ela evitou tocar e a olho nu a ferida mostrou não ser muito grande, mas ele tinha perdido uma quantidade preocupante de sangue, sem contar no que poderia ocorrer futuramente, já que a bala estava alojada. — Não parece muito fundo o ferimento, mas pode se tornar preocupante se não tirarmos logo a bala. Me ajudem a colocá-lo no sofá.

Steve e Bucky tomaram a frente, ajudando, enquanto Willa mexeu na bolsa, pegando algumas coisas, mas seus olhos vagaram momentaneamente pela sala, um pouco incerta do que fazer, se é que ela podia fazer alguma coisa. Ao encontrar Wanda apreensiva, encarando Clint, Willa suspirou pesadamente. Prendendo os seus cabelos num coque alto, amarrado com uma fita vermelha, surrupiada de sua bolsa, Fairchild decidiu, ao menos, tentar.

Ela podia fazer isso.

— Wanda. – Precisou de alguns milésimos para Maximoff conectar seus olhos em sua amiga. — Preciso de bicarbonato. – Ela proferiu com suavidade, buscando transferir um pouco de tranquilidade a ela. Não pareceu funcionar. — Eu vi um pote no banheiro do Sam, pega para mim. – Wilson nem desconfiava da existência de tal coisa em seu armário, mas Willa e seu olfato podiam salvar vidas. Bom, ela ao menos esperava isso.

— O que você vai fazer? – Steve sussurrou tal questão com um olhar preocupado sobre Clint dando suporte a Willa e Bucky observava a cena com os braços cruzados e um olhar desconcertado sobre eles, enquanto Fairchild manteve sua mão pressionada contra o ferimento de Barton e ele grunhia baixinho com o contato um pouco mais firme dela.

— É um meio de ajudar o Clint. – Willa sabia que não era o momento para explicar o misticismo por trás dos seus dons particulares, e sem rodeios, ela buscou ser direta. — Um pouco evasivo, um pouco doloroso, todavia eficaz, se feito a tempo. – Ela suspirou, tomando coragem para prosseguir. — Preciso de água quente, uma cumbuca, colher e sal, muito sal.

— Eu pego. – Steve repousou sua mão no ombro da amiga, apertando delicadamente e partiu para a cozinha buscando ajudar Fairchild e Bucky tomou o seu lugar.

— Algo mais? – Bucky questionou, olhando de Willa a Clint com sua postura singelamente suavizada ao trocar um breve olhar com Fairchild.

— Uma pinça, está na minha bolsa, pode pegar. – Em algum momento a bolsa caiu no chão e por estar fora do alcance de Willa, ela não conseguiria pegar o que precisava com auxílio de sua mão livre. Bucky se agachou, pegando a bolsa em seu colo e buscando pela pinça, acabando por vasculhar toda a bolsa de Fairchild e descobrindo um pouquinho do mundo intimo dela. Ele jamais deixaria que mexessem em sua mochila, mas ela não parecia dar à mínima para isso. Seus dedos acabaram por abrir sem querer uma espécie de agenda e ele não conseguiu conter sua curiosidade. De relance, seus olhos repararam numa foto e inconscientemente seus lábios repuxaram num sorriso, admirando a imagem de uma Willa mais jovem, abraçada a uma garota morena, ambas exalando uma felicidade pura e fascinante. E então seus olhos encontraram a pinça num compartimento na lateral do tecido e rapidamente ele pegou e entregou a Fairchild, buscando não se tornar invasivo aos seus olhos. — Pega também essa bolsa parda, por favor? – Ela apontou com a cabeça e Bucky respondeu imediatamente. — Clint, você consegue me ouvir? – Ela questionou ao sentir uma breve movimentação do amigo, então Barton murmurou algo sem sentido e ela enrugou o cenho sendo dominada por preocupação. Levando sua mão livre ao rosto dele, ela sentiu a quentura em sua pele. – Ele está queimando em febre. Porque essa água está demorando? – Ela resmungou, olhando séria para Steve na cozinha.

— Eu não tenho o poder de controlar o gás, Willa! – Steve rebateu com uma leve dosagem de sarcasmo e nervosismo. Bucky abriu a bolsa parda, curioso pelo seu conteúdo pesado e cheiro extremamente forte e exótico.

— E a Wanda, cadê ela? – Willa questionou um pouquinho alto, buscando através do sua audição sua aproximação.

— Vindo. – Sam respondeu no segundo andar, ainda distante de alcançar as escadas.

— Ok. – Willa respirou, aliviada. — Bucky me ajuda. – Ele empertigou imediatamente, preparado para o seu pedido. — Preciso que você segure os braços dele. – Ele obedeceu segurando um ombro e o braço de Clint com cuidado. — Firme. – Ela recomendou lhe lançando um olhar confiante e Bucky anuiu, crispando os lábios. — Não o solte por nenhum motivo, entendeu? – Ele anuiu novamente, decidido em cumprir ao pedido de Fairchild.

— O que você vai fazer? – Steve questionou a Willa, retornando da cozinha e abriu espaço na mesa de centro retirando o conteúdo com auxílio de uma mãe e ali repousou a cumbuca repleta de água quente e ao lado, um saco aberto de sal.

— Tirar a bala e comprimir o ferimento. – Willa respondeu, afundando a ponta da pinça na água quente e balançando no ar para secar.

— Já fez isso antes? – Bucky questionou, olhando Willa com uma leve e marcada ruga em seu cenho. Ele estava preocupado com o estado de Clint, mas também com a história por trás do passado de Willa.
— Para sorte de alguns, sim. – Ela contou com um contido sorriso nos lábios. — Confesso que minha especialidade é a sutura.

— Ele vai ficar grato por isso. – Steve comentou apontando para Clint e apoiando as mãos na base do sofá, aguardando o próximo comando de Willa. Ela parecia tão preparada para esse tipo de situação.

— Aqui o bicarbonato. – Wanda desceu a escada com agilidade e jogou o pote no ar, fazendo-o levitar, e Willa ergueu a mão exatamente no instante que a vasilha alcançou a sua posse.

Isso. – Willa comemorou e apontou para Steve trocar de lugar consigo e no instante em que ela retirou sua mão da ferida de Barton e Steve tomou seu lugar, comprimindo o ferimento.

— O que está...?— Scott questionou descendo as escadas coçando os olhos e tropeçando-nos próprios pés ao se deparar com a situação ocorrendo na sala. — AH NÃO! – Ele bradou, levando as mãos nos cabelos e Sam piscou um pouco espantado, um pouco arrependido de ter saído de sua cama. — UM CARA MORTO! – Scott berrou, apontando para o sofá, para a sala, para o lustre e repousando a mão na cintura. — Eu sabia que ia levar um tiro na minha bunda. – Ele choramingou, apoiando o braço no corrimão e respirando pesadamente.

— Ele não está morto. – Wanda respondeu com confiança lançando um olhar reconfortante sobre Scott, abraçando o corpo e olhando discretamente para Fairchild, buscando singelamente por confirmação de sua parte.

Como se um imã as conectasse, Willa olhou Maximoff e elas trocaram um olhar que apenas amigas compreendiam. Não era apenas um olhar, era uma conversa. Fairchild fechou os seus olhos, calando a sua mente, silenciando sua audição, inibindo o seu olfato e escutando apenas o seu coração. Estendendo as suas mãos sobre a cumbuca sentindo a quentura da água aquecer a sua pele e o seu coração lhe sussurrou que era o momento para iniciar aquele ritual. Com os seus olhos fechados, ela pegou o sal colocando o seu conteúdo inteiro na cumbuca, então esticou suas mãos na direção de Bucky e ele demorou, mas entendeu que ela queria a bolsa. Sem abrir seus olhos, ela pegou alguns potinhos, verificou o cheiro de alguns antes de despejar uma pequena quantidade deles na cumbuca e largando na mesa. Ela jogou um pouco do bicarbonato e misturou o preparo entoando baixinho uma espécie de mantra, sendo observada atentamente por Bucky, Steve e Sam. Wanda deferiu um olhar conflitante sobre Willa. Sua mente viajando em memórias. Repousando a cumbuca misturada sobre a mesa de centro, Willa abriu os olhos e pegou um ramo de uma flor desconhecida aos olhos de Rogers. Fairchild espremeu, despedaçando as folhas e um agradável cheiro dominou a sala. Ela observou as folhas com um olhar enigmático e pegou a pinça, sobre a mesa e olhou para Clint.

— Segura ele, Bucky. – Ele retomou em sua posição.

— Desculpe, Clint, mas isso vai doer um pouco... – Ela sussurrou com gentileza e sem esperar, ela enfiou a pinça na ferida, cutucou minimamente o ferimento e ao sentir o metal tocar a pinça, ela puxou a bala num só movimento, largando tudo no chão e ordenando novamente que Steve apertasse o ferimento, ao qual cuspia mais sangue agora e Barton grunhia em agonia e dor. Ela pegou a cumbuca com o conteúdo singelamente enegrecido, cheirando fortemente a erva e terra. Willa mexeu uma última vez, proferiu algo em chinês num suspiro pesado, olhou rapidamente para Wanda, recebendo um olhar incentivador para si e Fairchild voltou seu olhar para Clint. – Desculpe Clint, isso vai doer muito mais...

E ela jogou o conteúdo no ferimento. De uma só vez. Clint urrou de dor, movimentando-se agonizante, como se estivesse possuído buscando fugir das mãos de Bucky e obrigando Steve a ajudar a segurá-lo. Culpada, Willa abandonou a cumbuca no chão, repousando sua mão no rosto de Barton buscando acalmá-lo, através da sua onda de dor agonizante.

— Desculpa. Desculpa. Mil vezes desculpa. – Ela sussurrou tal pedido, lutando para acariciar o rosto do amigo. — Agora, acalme-se. Por favor, Clint! – Ela sentiu o corpo de Barton lutar contra a dor e a sua respiração, antes nasalada e pesada tornar-se discretamente mais calma e estável. Quase como se fosse parar e Willa se desesperou. – Respira, por favor! Pense na sua família. Não é a sua hora, seu gavião teimoso! – Lute, lute pelos seus filhos, ela pediu silenciosamente, segurando sua mão e repousando a sua cabeça em seu peito, bem sobre o seu coração e fechando fortemente os olhos, repetindo o mantra em chinês até as palavras perderem o significado nos ouvidos alheios e dominar cada fibra do corpo de Fairchild.

— Isso não parece estar ajudando ele. – Scott sussurrou com preocupação para Sam.

Espera. – Willa uniu as suas mãos sobre o peito de Barton, tal pedido direcionado a uma força invisível com os seus olhos firmemente fechados.

— Ele precisa de ajuda médica, Steve. – Sam sussurrou preocupado.

— Espere. – Wanda reafirmou tal pedido a Fairchild e Clint lentamente foi parando os seus movimentos violentos e urros agonizantes, até lentamente cair em profundo sono.

Alivio desenhou o semblante de Fairchild.
Ela abriu os seus olhos. Eles nunca foram tão azuis!
Funcionou.
Ela conseguiu.
Os seus olhos admiraram as suas mãos, a cura produzida pelo seu conhecimento ancestral e um belo sorriso, emocionado desenhou os seus lábios. Talvez, apesar de tudo, Stone tinha razão e era uma via de mão dupla: aquilo que você pedia poderia receber se desse algo em troca. E naquela noite, Willa deu um pouquinho do seu coração a Clint.

Steve e Bucky abandonaram suas posses de Clint, assistindo o liquido negro borbulhar na ferida e ressecar o sangue, como se estivesse regenerando o ferimento.
Wanda repousou a mão nos lábios, aliviada e discretamente lançando um olhar fascinado sobre a amiga.

Ela acreditava ter o domínio numa arte milenar, mas aos olhos de Maximoff, ela via como um dom, não muito diferente do dela. Era lindo. E Wanda se questionou se Willa tinha noção de tão incrível o seu dom era capaz de ser – e também terrivelmente perigoso, como o seu. Isso podia transformá-la para sempre, como transformou Wanda. E ela não sabia se desejava perder a Willa que ali, agora, existia, se um dia tal dom, aflorasse.

Fairchild aprumou o corpo e buscou pelos sinais vitais de Clint, encontrando-os estabilizados. Ninguém conseguia proferir uma palavra. Eles esperavam uma reação de Willa ou uma reviravolta dos eventos. E nada aconteceu. Tudo estava bem. Emocionada, Fairchild deixou escapar um suspiro, permitindo seu corpo relaxar, sentando no chão imundo e bagunçando, recostando suas costas no sofá. Como uma criança, ela riu.

Deu certo. Eu fiz certo.— Ela riu com orgulho de seu ato, passando os dedos nos seus cabelos bagunçados, abraçando as suas pernas. — Ele vai ficar bem. – Ela confirmou e ela sentiu Steve deixar o ar escapar dos seus lábios. Ela respirou fundo, repousando a sua bolsa em seu colo, pegando uma bolsinha vermelha tirando dali uma agulha e linha bem grossa. — Eu vou suturar a ferida e seria bom preparar algo para ele comer, beber, enfim... – Ela recomendou sem deferir um olhar a nenhum deles. — Ele vai precisar de proteína.

— Você quer algo? – Com os seus braços cruzados, Sam perguntou a amiga, ainda tenso por toda aquela situação. – Um café? Um chá?

— Um exorcista? – Scott gritou, recebendo um olhar feio de todos, menos Willa que sinistramente, abriu um sorriso para Scott. Ele engoliu em seco e arregalou os olhos verdes abraçando o corpo. Ele ia definitivamente ter pesadelos naquela noite.

— Um chá. – Ela pediu lançando um olhar ao amigo com um sorriso contido. — Um chá cairia bem, agora.

E aquelas férias para o Hawaii...— Clint sussurrou seco, tossindo asperamente.

— Clint. – Willa chamou docemente abandonando a agulha e linha sobre o colo, repousando sua mão no rosto do amigo. – Como você está?

— Me sinto pronto para outra. – Ele brincou com a sua espontaneidade característica, não conseguindo focar sua atenção em Fairchild. Ele tentou mexer em seu ferimento, mas Steve foi mais rápido lhe impedindo.

— Descansa, você terá todo tempo. – Ele recomendou ao amigo, com um sorriso discreto.

— Eu estou me sentindo bem. – Clint resmungou, buscando se sentar, mas Bucky não permitiu, empurrando com cuidado o ombro dele contra o estofado e ele estava tão cansado que o seu olhar julgador de Bucky a uma Fairchild com um sorriso torto, fez ele se sentir subitamente acuado.

— Você vai se sentir melhor se descansar só um pouquinho. – Willa reforçou o pedido de Steve.

— Teimosa. – Barton grunhiu, buscando conforto naquele sofá pequeno, duro e velho.

— Rabugento. – Ela rebateu e Clint abriu um olho, conseguindo admirar brevemente as feições da sua amiga e acabou por anuir, obedecendo-a ou simplesmente deixando o cansaço dominar os seus sentidos e assim, dormir.

Calma, Willa tranquilizou os amigos, docemente recomendou que eles voltassem a dormir. Eles precisavam descansar tanto quando Clint, principalmente Scott, quem parecia que ia vomitar a qualquer segundo e antes que fizesse isso, ele retirou-se para o seu dormitório no sótão.
Wanda deixou a sala em seguida, para dar privacidade a Willa e os seus cuidados finais em Clint. Sam preparava o chá na cozinha e Steve encontrava-se apoiado na parede, hipnotizado assistia Willa suturar a ferida de Clint, sem titubear em seu ato; ela o suturava com firmeza e cuidado cirúrgico. Quem não a conhecesse diria que ela trabalhava na área médica ou ao menos, tinha jeito para tal coisa. Por sua vez, na poltrona próxima, Bucky sentou. Em algum momento da sutura, ele trocou um olhar com Steve, e discretamente assistia Willa e antes que fosse pego no ato, ele admirava as próprias mãos.

Willa terminou a sutura, limpando o ferimento com um pedaço de gase com álcool. Improvisou um curativo com o resto de gase com esparadrapos. Clint não acordou. Ele merecia tal descanso. Fairchild seguiu para a cozinha, lavando as mãos com detergente e auxilio da esponja, tirando todo e qualquer vestígio de sangue dos seus dedos. Ela repetiu o processo, até o cheiro de sangue dissipar de sua pele e ao terminar, secou as mãos com calma e paciência. Então, ela sentiu a emulsão de hortelã e pimenta dominar sua narina e virou o seu rosto encontrando uma caneca erguida à altura de seu rosto. Sam sabia exatamente como preparar o seu chá.

— Isso o que você fez agora foi...? – Sam questionou, chocado por Willa acreditar que alguém iria querer usar aquela esponja em qualquer coisa, algum dia depois dela ter limpado suas mãos ali. Ela sentou na ilha da cozinha, bebendo o seu chá com um sorriso contido. Segurando nas pontas dos dedos a esponja suja de sangue com uma careta desenhando o seu semblante, Sam jogou fora, olhando para Steve meneando a cabeça em negativa. Willa não tinha limite algum de organização e limpeza, não é mesmo?

— Não é magia. – Ela engoliu o chá, crispando os lábios respondendo o militar prontamente. – Vamos chamar de cura medicinal oriental.— Bucky mostrou interesse nos detalhes dessa conversa. Ainda recostado na parede, Steve manteve sua atenção no sono de Clint. — Aprendi com o Stick, um dos meus mestres da Casta. – Detalhes, aos olhos de Steve, Willa podia descrever detalhadamente os seus melhores amigos e qualquer coisa que nutrisse o seu interesse, todavia quando se tratava dela, se sabia tão pouco de si e ele sabia os seus motivos. Diferente da espiã russa, Willa não dividia o seu passado por querer ser um mistério, Willa não dividia, pois para ela mesma, a sua história era um mistério, para ela era difícil explicar como era capaz de curar um homem adulto através de um mantra e uma cumbuca de água quente com alguns ingredientes e ervas. E o seu conhecimento com lutas marciais? Armas? Seus sentidos aguçados? Willa não queria ser um mistério, muito menos ela buscava fugir do seu passado. Era bem o contrário. Ela, acima de todos, buscava decifrar a sua história.
— Agradece ele por mim. – Steve brincou com um sorriso triste.

— Você pode fazer isso, quando for buscar os filhos do Barton. – Willa respondeu arqueando singelamente as sobrancelhas e permitindo-se bebericar o seu chá.

Eu... – Steve proferiu, abaixando o seu rosto com um olhar pensativo sobre o arqueiro adormecido. – Não cabe a mim tomar tal decisão, cabe a Clint. – Sério, Steve lançou um olhar autoritário sobre Willa e ela cruzou os braços. – Isso não diminui a sua responsabilidade por conta do seu comportamento. – E lá vem ele com aquela postura de pai para cima dela.

— Eu sei. – Willa respondeu revirando os olhos, emburrada.

— Você errou em esconder de nós o que aconteceu com as crianças... – Havia dureza em suas palavras em contrabalanço com a suavidade por trás de seus olhos azuis em Willa. Bucky assistia a cena, olhando de Steve a Willa, aparentemente numa crise existencial sobre qual partido tomar. Já Sam, como de costume, estava pronto para colocar mais lenha na fogueira.

— E eu sinto muito. – Willa cortou Steve, anuindo levemente.

— Não sinta. – Steve abaixou o seu rosto, meneando negativamente. – Você pode ter cometido um erro, mas eu também errei. Eu me excedi com você. – Ele a olhou com o seu cenho enrugado e pesar em seu semblante. Willa lhe devolveu o olhar, com surpresa e o coração pesado. — Estava preocupado, frustrado, enfurecido por tudo e odiei descobrir que você estava mentindo para mim...

— Enquanto eu sabia de tudo. – Bucky completou com certa satisfação em suas palavras, trocando um olhar secretivo com Steve e deixando um sorriso desenhar seus lábios. Steve apenas meneou a cabeça, cruzando os braços. Willa olhou Sam e ele não se comoveu.

— Eu estou de boa com isso! – Sam levantou suas mãos em sua defesa, sorrindo. — Eu confio cegamente em você, Willie.

— Ele mente. – Bucky implicou com Wilson, recebendo um olhar cortante dele.

— Ou não. – Ele respondeu com tom de mistério. – Que tal cortamos essa tensão com uma faca e falarmos sobre o elefante na sala? – Steve e Willa franziram a sua testa, lançando um olhar questionador a Sam. — E não, não estou falando de você, Bucky. – O sargento olhou para Sam como se fosse capaz de explodi-lo com a sua mente. – Sério, o que foi aquilo que você fez, com o Clint? – Wilson lançou a pergunta a Fairchild. A tensão pareceu intensificar momentaneamente. Fairchild respirou fundo, mexendo em seus cabelos, sendo assistida pelos homens.

Não tem um nome...— Ela começou, encolhendo os ombros.

— Mas é alguma coisa especial, não é? – Sam continuou o interrogatório, recebendo um olhar duro de Bucky.

— Eu não usaria a palavra especial, mas é por assim dizer. – Fairchild respondeu um pouco desconfortável.

— Deixa adivinhar: você sabia disso também, Bucky? – Sam sustentou o olhar de Bucky.

— Não, mas ele sabia. – Bucky respondeu calmo e rouco, lançando um olhar a Steve.

— Você contou a ele? – Willa perguntou com sua voz, subitamente esganiçada e sufocada em sua garganta. A sua preocupação não era por conta de Steve ter contado sobre sua capacidade de curar através de um ritual milenar, e sim o seu temor era dele ter ido a fundo sobre seu segredo, e contado sobre os seus outros dons.

Se era difícil explicar sobre um ritual milenar aos seus amigos, imagina o resto? Willa riu em escárnio.

— Não. – Steve respondeu com aquela sua tranquilidade costumeira. – Mas, você sabe o que acho de você guardar isso...

— Você sabe que não é algo simples assim para ser contado numa roda de amigos. – Willa respondeu não suportando olhar para Steve, quando ela sabia que a razão estava do lado dele.

— Ok, agora estou me sentindo um pouquinho de lado aqui... – Sam choramingou, trocando um olhar com Bucky, que apenas, cruzou os braços, olhando de Steve a Willa.

— Olha, isso que eu fiz não funciona sempre. Essa cura... – Willa explicou, puxando a manga de sua camisa para cima. — Depende de em quem é feito, depende do ferimento, se é feito no momento certo, se a pessoa que o faz é merecedora de tal dom,... — Willa precisou de alguns segundos para dominar a sua coragem em revelar tal detalhe. Ela sentiu o olhar de Sam sobre si e Willa fechou os olhos, sentindo um nó sufocar a sua garganta. Ela sentia que às vezes era tão difícil ser compreendida. Mas eles eram os seus amigos. Mesmo sob sua ótica confusa, lábios crispados e introspecção, eles se importavam com ela, se importavam com a sua história. — E não é só isso. Tem mais. É mais complicado do que aparenta.

— Você não precisa falar sobre, se não está pronta. – Bucky falou, recebendo um olhar semicerrado de Wilson.

— Eu quero falar. – Willa confessou, estalando os nós dos seus dedos. — Só não sei se vocês estão prontos para isso.

Nós estamos prontos, se você estiver... – Sam trocou um olhar com Bucky e Steve, por fim lançando um olhar suave a Willa e a californiana anuiu, suspirando.

Willa olhou para Steve e ele sustentou aquele olhar, dividindo momentaneamente uma particular memória com sua amiga.

Toc, toc.

Só foram duas batidas. Após o confronto com Ultron, o retorno para a Torre não foi tão glorioso quanto à ida para a batalha. Steve estava sentado em sua cama. Tomou um banho para tirar o suor e sangue de seu corpo. Seus cabelos molhados pingavam em sua nuca e sua roupa casual estava confortável em seu corpo. Ele não sentia sono, fome, nem cansaço. Ele estava uma pilha de nervos. Sentia o peso em suas costas aumentar a cada nova missão. A batida na porta lhe despertou de sua mente conturbada. Steve levantou com rapidez, mas seu corpo não correspondeu à atitude. Ao abrir a porta, ele encontrou Willa parada. Seus olhos sem brilho, seu rosto inexpressivo, seus cabelos num corte mais curto estava gosmento de suor, sua franja estava grudada em sua testa; ela ainda vestia suas roupas de combate e os seus machucados de batalha estavam ainda expostos, mas havia sangue em sua mão, muito sangue, bem além do que ele lembrava que ela tinha.

Ela olhou para Steve e ele nunca a viu tão vulnerável em sua vida.
Ela tinha chorado, ela ainda chorava, seus lábios pálidos e crispados reprimiam a sua dor, enquanto suas mãos tremiam. Não houve necessidade de palavras. Steve abriu caminho para ela entrar no quarto e ela fechou a porta. Parada ali, em estado de choque, Willa olhava para cada detalhe por trás do quarto simples e minimalista de Rogers. Steve repousou sua mão no ombro dela e isso lhe despertou para a realidade. Suportando o seu corpo, eles se abraçaram. Eles ficaram assim tempo o bastante para as lágrimas de Fairchild molharem a camisa limpa de Steve e o sangue em suas mãos e feridas também marcarem sua roupa. Ele não se importou com isso, ele apenas desejava consolar a amiga e sabia por onde começar.

Steve levou Willa ao banheiro, ajudando-lhe a tirar as roupas de combate. Ela não tirou a sua camisa regata preta e short de lycra quando entrou no chuveiro, sentindo a água quente tocar sua pele. Ela não se mexeu, apenas ficou ali, observando os azulejos. Steve repousou a sua mão gentilmente na base de suas costas e lhe ajudou a sentar dentro da banheira. Sentado na beirada, ele ajudou Willa a limpar o sangue de suas feridas e das suas mãos. Em algum momento, ela fechou os olhos e permitiu chorar. Steve a consolou e lhe deixou um pouco sozinha, retornando ao seu quarto e pegando algumas peças de suas roupas. Ele depositou sobre a tampa do vaso e deu privacidade a Fairchild. Pouco tempo depois, a água foi desligada. Quando Willa retornou ao quarto, ela vestia as roupas separadas por Steve, com seus cabelos bagunçados sendo secados na toalha. Ela olhou para Steve sentado a beira da cama e seguiu o seu gesto para sentar ao seu lado.

— Ele morreu. – O embargo na voz de Willa fez Steve repousar seu braço na cintura de sua amiga, trazendo-lhe para perto de si. – Pietro está morto, Steve.

— Eu sinto muito, Willa. – Steve disse buscando trazer conforto a amiga. — Eu queria que pudéssemos ter sido capaz de fazer algo para ter impedido...

— Eu tentei. – Ela embargou suas palavras, fechando os olhos com pesar. — Eu tentei trazê-lo de volta, mas não consegui.

— Willa, você estava dentro do hangar, não tinha como você conseguir alcançá-lo a tempo...

— Eu não estou falando disso, Steve. – Willa meneou a cabeça negativamente, lançando um olhar urgente para o amigo. — Lembra que um dia você me perguntou como eu consegui os meus sentidos aguçados e eu lhe expliquei...

— Sobre seu treinamento. – Ele assentiu, seguindo sua linha de raciocínio.

— Tem mais, muito mais. – Ela proferiu soturna. — Eu tenho esse dom. – Ela não queria dramatizar aquilo, muito menos complexar algo já complexo. — Não, não é um dom, eu não nasci com ele, nem é algo colocado numa seringa e foi injetado em mim; é um talento. Para cura. Eu posso curar pessoas com ervas, com meditação, com o meu toque... – Ela respirou fundo, tomando toda a sua coragem com as suas mãos e proferindo aquela frase tão difícil para si. — Eu posso trazer pessoas de volta a vida.

— Co-como? – O desconcerto de Steve deixou Willa em alerta, ponderando e analisando sua postura minimamente. Ela temia profundamente a sua reação. — Isso é...?

— Eu sei. – Ela sussurrou, brincando com os seus polegares. — É perigoso, é assustador, é cobiçado, é impar. Mas, eu posso fazer isso. É a minha dádiva e meu calvário. Se for para ser, eu posso trazer qualquer pessoa de volta a vida, independente do que lhe causou a fatalidade, mas precisa ser algo imediato, eu preciso me conectar através da meditação ao amor de um ente querido do falecido e da permissão...

— De quem? – Steve questionou, pensativo.

— Do outro lado. – Como explicar o outro lado a alguém que nunca esteve lá? — Nem todo mundo condenado a uma morte, tem o destino marcado para uma segunda chance. Você e o seu amigo, James, são afortunados. Você até pode discordar, mas eu duvido que o equilíbrio não tenha um dedo na sua sobrevivência naquele pedaço de gelo. O equilíbrio permite aquilo que está marcado no destino, mas é o homem que decide qual será a sua estrada, até um certo ponto.

“É o trabalho do equilíbrio, determinar isso: a vida e a morte. Não do homem. A Casta acredita que quem carrega tal dom tem o dever de proteger o equilíbrio na terra, de ser o equilíbrio sobre a terra, de ser o líder do clã e obedecer ao chamado dos Espíritos para salvar quem precisa ser salvo, sem distinções, mas alguns discordam disso: O tentáculo, eles querem tal poder para si e os seus motivos nefastos e escusos”.

— Como você...?

— Adquiri esse talento? – Ela completou seu raciocínio, recebendo um aceno em confirmação. Willa enrugou o cenho, crispando os lábios. Ainda era difícil pensar sobre isso, essas lembranças eram tão claras e vividas quanto o que ela tinha vivido no dia anterior, ela não sabia que falar sobre, era ainda um desafio.

— Não precisa falar, eu entendo se você não se sente confortável para divid...

— Eu morri. – Ela revelou e Steve prendeu sua respiração, deixando suas mãos encontrarem num carinho de compreensão. — E quando eu retornei a vida, tudo estava diferente. Não diferente de épocas, mas eu... Eu era outra pessoa. – Ela não entrou em detalhes sobre o meio e o que ela experienciou, e ele respeitou isso. — O que vi, o que eu senti lá, o que eu sabia e podia fazer... – Steve não compreendeu e Willa não queria que ele jamais pisasse no outro lado. Ele era bom demais para ser condenado a uma eternidade num lugar como aquele.

Willa podia não ter transparecido isso, mas em seu cerne, seu coração, ela havia mudado e às vezes, nos dias negros, ela acreditava que não tinha sido para melhor...

— Como funciona? – A pergunta de Steve a pegou de surpresa. Jessica nunca quis saber os pormenores, ou por desinteresse ou temor de ir longe demais. Nem Elektra e o motivo dela era definitivamente, desinteresse. Wanda soube por conta da situação e ela também não se importou muito com os detalhes, mas Steve se importava, com tudo.

— É um chamado. Um chamado entre mim e a morte. Pode vir através de uma brisa, uma flor desabrochando, um grito, uma voz distante... Ao ouvir, eu preciso responder, não importa o que esteja em meu caminho, como obstáculo. Não é uma escolha minha. Se alguém morrer diante de mim, eu não posso salvá-lo se não houver um chamado. Eu também não sou imune à morte. Se eu levar um tiro na cabeça, não vou milagrosamente me salvar.

“Se no processo de salvar alguém, funcionar, existe uma enorme possibilidade de eu desmaiar, desgastada pelo uso de minha energia vital e acordar algumas horas depois, talvez dias... Depende dos ferimentos da pessoa... Se não funcionar... É como eu não tivesse feito nada... Eu daria tudo para estar em coma agora, se isso significasse que Pietro estaria vivo. Eu pensei ter escutado, escutado Pietro, então acreditei que tinha como salvá-lo, dei esperanças a Wanda, fiz o ritual exatamente como deve ser feito, não errei em nada, mas... Eu me enganei. Eu decepcionei a Wanda. E Pietro continua morto”.

— Isso aconteceu antes, esse erro? – Steve questionou cuidadosamente.

— Bom, Pietro foi minha segunda tentativa nisso, então... Não tenho muita experiência. – Ela revelou com uma risada baixa e rouca. Então, seu olhar semicerrou, e ela engoliu em seco, confusa. — Por que eu o ouvi se não ia poder salvá-lo? O que eu fiz errado? Eu... Não era para ser assim.

— Eu... – Steve levantou, caminhando pelo seu quarto, pensativo. — É muita informação para um cara de 95 anos digerir num espaço de tempo tão curto, depois de um dia tão difícil como hoje, mas... – Percebendo o terror marcar o semblante de Willa, Steve lhe lançou um olhar gentil e admirado. — Eu sempre soube que você era especial, só não sabia que era tanto!

— Eu sou um monstro, Steve. – Ela rebateu meneando a cabeça em negativa, ela não estava sendo dramática, aquilo a perseguia, aquilo era o que ela era e isso era algo a muito tempo aceito por si.

— Não te vejo desse modo. – Ele negou com a cabeça, sorrindo levemente. — E não passarei a ver agora que não temos mais segredos entre nós. Além do mais, nem todos os monstros fazem monstruosidades.

— É, talvez você tenha razão. – Willa assentiu, grata por sua sinceridade e carinho.

— Eles não me chamam de Capitão por nada. – Ele brincou, com a intenção de lhe arrancar uma risada, mesmo que fosse fraca e incerta, o que importava a ele, era vê-la lutando contra os seus temores, era ela ver que ele estava ali com ela, sempre e pra sempre.

— Idiota. – Ela resmungou dando um soco em seu ombro e ele riu. Poucos segundos depois, Willa o olhou pensativa. — Eu posso ficar mais um pouco aqui? Não quero ficar sozinha.

— Willa, quanto tempo você desejar.


Ela abriu os lábios, prestes a revelar aquilo, mas então voltou atrás, ao perceber Clint movendo no sofá, preso em sua sonolência. Mordendo o canto de sua bochecha, ela lançou um olhar a Sam e Bucky e sorriu. Ela não estava fugindo daquele assunto, ela apenas não sentia que era o momento para falar de uma parte tão delicada de sua vida, quando eles tinham coisas mais importantes para se preocupar.

— Não é momento para isso. – Ela respondeu resoluta, olhando Sam e Bucky silenciosamente pedindo suas compreensões e não recebeu nada diferente. Não era como se ela não quisesse que eles fizessem parte de sua vida, ela só não se sentia confortável para falar disso agora. – Nós temos coisas mais importantes para nos concentrar agora do que no meu passado... Alias, não é como se vocês e o meu passado fosse a algum lugar. – Ela brincou inclinando seu rosto, velando o repouso de Clint. – Eu também preciso descansar um pouco... – Ela seguiu até a mesinha de centro, pegando uma barra de chocolate em sua bolsa e indo para a escada, escondendo um bocejo em sua mão. — Quando ele acordar, me chamem, ok?

Em seu quarto, Willa jogou o seu corpo contra a cama, abrindo e devorando a sua barra de kit kat chunky de avelã, com os seus olhos cerrados buscando relaxar e descansar sua mente, recuperando sua energia gasta. Ela tentou relaxar, mas não conseguiu, as conversas paralelas no térreo distraiam a sua mente, atormentada pelos ruídos e crepitar produzido pela casa, o que não lhe ajudavam a conseguir dormir. Ela assistiu a noite virar madrugada. E durante a madrugada, escutou a distância o silêncio da noite ninar sua mente e coração, e assim conseguiu cochilar, até sentir os primeiros raios de sol incomodarem a sua sensível visão. Ao abrir os olhos, ela não se adiantou a levantar. Gostava de ficar na cama, sentindo o calor dos raios solares em seu corpo, escutando os corações despertando, os pássaros cantando, a brisa correndo livremente por entre as arvores, o cheiro de café.

Toc toc.

Inconsciente, Willa sorriu. Ela sabia quem era e por isso, ela sentiu aquela euforia dominar o seu coração e não estranhou, apenas sentiu o tão gostoso era tal sentimento por alguns instantes. Ao abrir a porta, ela se escorou na madeira sorrindo e coçando delicadamente os olhos, admirando Bucky.

— Bom dia.

— Desculpe, eu te acordei... Eu volto depois. – Ele balbuciou com um leve desconforto brotando em sua postura e um olhar incerto sobre Willa. Ele moveu um pé para partir, mas Willa o conteve.

— Não, não... – Ela proferiu com sua voz sonolenta. — Eu estava acordada.

— Você mente. – Ele rebateu com seu olhar duro sobre ela.

— Não quando tem café envolvido. – Ela arqueou uma sobrancelha e ele imitou o gesto. Ele ainda ficava surpreso com como ela era boa em captar essas coisas e não podia negar ter uma curiosidade com a ilimitação dos sentidos aguçados de Willa. — Entra. – Bucky anuiu, entrando no quarto com uma mão segurando uma caneca de café fumegante e a outra com um saquinho pardo com algo de cheiro doce e também cítrico. – Clint acordou? – Após fechar a porta, ela assistiu Bucky parar próximo ao acolchoado da janela, cavalheiramente a sua espera para sentarem.

— Só de madrugada. Comeu a sopa que o Sam fez e depois apagou novamente. Deve ter sido de desgosto por aquela água suja. – Ele implicou e Willa meneou a cabeça em negativa, rindo leve.

— Conseguiu dormir, depois de tudo ontem?

— Um pouco, e você? – Ele sussurrou rouco e aos ouvidos de Willa, não pareceu que ele dizia toda a verdade. Ela sentou sobre uma perna, encontrando conforto em tal posição e Bucky sentou apoiando suas costas na parede, olhando-a com seus olhos semicerrados por conta dos raios do sol. Mesmo pelo súbito incomodo, ele não parecia se importar, não quando podia olhar para ela.
Eu não diria que dormi, mas foi algo bem perto disso.

— Então isso vai te ajudar. – Ele passou a caneca a ela. – Está quente, mas você sabe isso... – Ele completou com um sorriso contido, percebendo ela pegar a caneca com cuidado na alça e soprando a fumaça para longe dos seus lábios. – Como você consegue saber essas coisas... – Willa arqueou as sobrancelhas para ele, bebericando o café e ele resolveu explicar sua confusão. – Sabe, quando algo está quente, que na caneca tem café e está adoçado, o que alguém comeu, o que está sentindo, quando vai chover ou como ontem que você sabia que era Clint arrombando e não a Hidra?

Bom, eu sou viciada em café, então consigo sentir o seu cheiro a quilômetros de distância. A caneca está suando e eu não acho que a Hidra entraria pela porta da frente.

— Está vendo, você mente. – Ele riu em escárnio.

— Não, eu sou sarcástica, James. É bem diferente. Eu tenho os meus sentidos aguçados. Aprendi a aguçá-los quando vivi na floresta... – Bucky franziu o cenho admirando Willa com profundidade. — Na China, sozinha, por um ano.

— Wow. – Ele cortou a ligação entre seus olhos e perdeu-se em seus pensamentos, olhando para a paisagem através da janela. O que ele sabia de Fairchild? Ela era uma eximia guerreira, com enorme conhecimento de lutas marciais e domínio em armas, como katana e adagas. Como ela aprendeu isso tudo? Ele não sabia. Não existiu oportunidade de falar sobre isso e como ela mesma dissera, o passado não partiria e poderia ser relembrado a qualquer instante. Ele só não esperava que alguém tão bom, alegre e espirituoso quanto Fairchild podia ter um passado tão misterioso e difícil. — Isso parece...— Ele comprimiu os lábios com aquelas palavras suaves e baixas para Willa.

— É. – Ela assentiu, repousando a caneca no acolchoado levantando os seus ombros, sentindo afortunado pela empatia de Bucky. — E quando fui acolhida pela Casta, onde eu aprendi tudo que sei, meu mestre me ajudou a controlar e amplificar isso. – Ela apontou para a cabeça com um sorriso saudoso. De longe, tal treinamento fora uma de suas partes favoritas de todo o seu treinamento. — Por isso eu sei quando alguém esta se aproximando, às vezes consigo até saber quem é...

— Como com o Clint. – Ele concluiu e ela anuiu com um sorriso reconfortante. — Como, como você sabia?

— Os cientistas discordariam de mim, mas os corações batem diferentes e também tem os cheiros, o que facilita muito. – Ela explicou passando a ponta do seu dedo na borda de sua caneca.

— Cheiros?

— É. As pessoas têm seus cheiros, por conta dos hormônios. Quando tem medo, quando estão felizes, quando estão apaixonadas... – Bucky franziu o cenho, abaixando o seu rosto lhe lançando um olhar intenso com suas bochechas corando levemente e Willa riu. – Eu sei, eu sou um festival de bizarrice.

— Não, não é. Isso é bem legal. – Ele respondeu, passando seus dedos em seu cabelo escuro sendo observado por Willa. — Como eu...?— Ele abafou com uma risada rouca. Definitivamente estava ali uma pergunta que ele não esperava fazer a ela.

— Cheira? Bem. – Ele riu, claramente não esperando sua falta de detalhes. – Ok. – Ela fechou os olhos, concentrando os seus sentidos. Não era como se ela já não conhecesse o seu cheiro, ela apenas queria poder sentir mais uma vez. – Amora. Grafite. Musk, do seu desodorante... Sam tem razão, você é velho. E o seu casaco... Ele tem um cheiro de terra molhada muito bom.

— Willow, você está tentando me dizer que eu preciso lavar as minhas roupas? – Ele perguntou semicerrando os seus olhos ameaçadoramente sobre ela.

— Talvez? – Ela sugeriu arqueando uma sobrancelha, aguardando a sua reação.

— Talvez eu goste assim. – Ele rebateu empertigando um pouco as suas costas na direção de Willa.

— Bom, eu gosto. – Ela imitou o seu gesto, também empertigando o seu corpo, sorrindo marotamente.

— Não foi o que pareceu.

— Eu minto. – Ela revelou com um ar misterioso.

— Sobre o cheiro de amora... – Ele pegou o saco de papel e segurou uma amora entre os seus dedos. Willa abriu os lábios, animada. Ela tentou pegar, mas ele afastou do seu alcance com um sorriso escondido no canto dos seus lábios e Willa abriu os lábios, surpreendida. Bucky passou a língua nos lábios, conectando os seus olhos e levando delicado e cuidadosamente a amora até os lábios dela. Willa aceitou e mastigou a amora, sentindo suas bochechas aquecerem não apenas por aquele gesto, mas pelo olhar de Bucky. Ele pegou outra amora e repetiria o gesto, todavia Willa cortou o espaço entre eles, repousando sua mão em seu rosto e conectando seus lábios num beijo.

Bucky ficou momentaneamente desconcertado, mas quando ela cortou o beijo para eles respirarem, o sargento largou a amora e repousou a sua mão na cintura dela, trazendo-lhe para perto do seu corpo e retribuiu o beijo. Ao se afastarem, Bucky abriu um espaço, mantendo-a entre o seu corpo, num abraço confortável e carinhoso. Ele acarinhava o cabelo dela, enquanto Willa deixava seus dedos passearem por cada centímetro do braço de metal de Barnes. Ele já lhe dissera não ser capaz de sentir nada em seu braço metálico. Era como um membro fantasma, ele sabia que estava ali, só não sentia nada se não estivesse olhando. Coisa que ele fazia agora, pois ele queria recordar de tal gesto.

— Esse seu dom deve ter te salvado de muitas encrencas... – A sua voz soou rouca num murmúrio através do seu peito e Willa manteve-se abraçada a seu corpo, pegando o pacote pardo e jogando algumas amoras em sua boca.

— Você não tem ideia. – Ela riu gostosamente, colocando uma mecha de cabelos atrás da orelha. – Teve essa vez, em Hell’s Kitchen que eu estava tentando derrubar um cartel de drogas e eu fui perseguida por um trio deles. Consegui derrubar dois deles só com as minhas mãos, mas um deles tinha os batimentos do coração mais baixo do que o normal, por conta de uma condição cardíaca e ele tentou me atacar por trás, o que me revelou sua presença foi o seu cheiro de medo e galinha frita...

— Trágico. – Ele respondeu sarcástico, arrancando uma gargalhada de Willa. — Ele deve ter se arrependido amargamente por ter tentado te atacar covardemente.

— Oh, sim. – Ela assentiu sorrindo e fuxicou o pacote, curiosa após sentir algumas frutas um pouquinho maior que uma amora. Ela riu, recordando de Sam e seu comentário ácido sobre a paixão de Bucky por ameixas. — Eu quebrei o braço dele. Se tem algo que eu desprezo são homens covardes. – Ela virou, levando a ameixa até os lábios de Bucky e ele mordeu, olhando a californiana com admiração. — Se quer ter o prazer de tentar me matar, que, ao menos, seja honrado em tal estupidez.

— Além de mim, tudo bem, o Soldado Invernal, muitos tentaram, te matar? – Ele perguntou após uma pausa cuidadosamente administrável.

— Dá para contar com as nossas mãos. – Ela respondeu com sarcasmo, mostrando os dedos de sua mão de metal unida a sua mão humana. — Eu não tenho medo de morrer, tenho medo de não viver, Bucky. – Ele franziu o cenho, crispando os lábios. — E você não entende porque faço isso, não é?

— Entendo, só acho que você poderia fazer tantas outras coisas com a sua vida, porque se colocar em risco todos os dias para salvar as pessoas, pessoas como eu, quando você podia, sei lá... Ser uma enfermeira? – Willa riu gostosamente, crispando os lábios.

— Se eu disser que o cheiro de sangue me enjoa, você acreditaria? – Ela olhou para Bucky e ele assentiu, após brevemente ponderar tal afirmação.

— Acredito.

— Eu faço isso, pelo mesmo motivo que você e Steve se alistaram no exercito. É honra, coragem, responsabilidade... Eu quero poder fazer algo bom com o que aprendi na Casta. Não quero ser uma arma, nem uma mercenária ou uma ninja renegada. Não é porque o meu passado não foi como eu almejei, que o meu futuro não pode ser melhor do que eu desejo agora. – Ela perdeu o seu olhar numa amora entre os dedos, melancólica. — Não tem nada haver com redenção ou querer fazer algo de bom para o mundo. – Como Natasha e Steve. — Eu quero ser alguém usando o que sei para proteger quem não pode se defender. Eu quero ser alguém que eu não tive quando perdi minha família... – Ela ficou muda. Sentindo os dedos de Bucky percorrerem calmos e delicadamente em seus cabelos. Ela colocou a amora entre os lábios e sentiu sua amargura tocar a sua língua. – É um senso de responsabilidade, entende? Eu tenho essas habilidades, parece egoísta e errado guardar isso só para mim. Então eu escolhi essa vida. E eu não me arrependo. Agora se eu consigo imaginar mais do que isso?

“Eu consigo me imaginar numa vida comum e pacata, em meu apartamentozinho em Hell’s Kitchen, vivendo uma rotina, cuidando de um gato, sendo professora de artes marciais para crianças hiperativas, planejando minha viagem pelos Estados Unidos com o Steve, indo ao bar do Luke toda sexta com a Jessica e fazendo faculdade de Psicologia duas vezes por semana...”

— É uma imagem bem clara. – Ele riu com a recém descoberta criatividade de Fairchild.

— Eu penso nisso. – Ela revelou com um sorriso terno. — Muito. – Bucky enrugou seu cenho, lançando um olhar carinhoso sobre Fairchild. — Mas, então, me lembro da minha responsabilidade. E enquanto eu não for capaz de ser ambos, eu vou me ater numa coisa só, naquilo que faço melhor...

— Proteger as pessoas... – Ele completou, compreendendo o ponto de vista de Willa.

— Especialmente as pessoas que eu amo. – Ela murmurou sorrindo, devorando algumas amoras. — Sou muito boa nisso, Anos 40. – Ela brincou com uma piscadela charmosa para o sargento.

— Não duvido. – Ele anuiu, descendo seus dedos até alcançar o pescoço dela, criando uma estrada de arrepios em sua pele. — As pessoas sempre vão precisar de proteção, sabe? Não importa a época, não importa a razão, o mundo sempre precisará de heróis. – Suas palavras deixaram os seus lábios com suavidade e um olhar particular sobre o mundo. — E algumas vezes, você precisará ser a sua própria heroína.

— O que você quer dizer? – Willa ficou encucada com essa, afastando-se minimamente dos braços de Bucky e olhando-lhe com uma interrogação desenhando o seu rosto.

— Às vezes, você precisa parar o tempo e ser egoísta por si mesma. – A profundidade de suas palavras fez Willa olhá-lo com uma leve comoção. – O que foi? – Ele questionou, ao perceber aquele olhar.

— O que você faria se pudesse ser egoísta por um dia?

— Eu acho que não tenho tal direito, não depois de... – Willa repousou o seu indicador nos lábios de Bucky, silenciando suas palavras.

— Não pense no passado. Pense no amanhã. – Willa sussurrou, delineando o queixo de Barnes curiosamente. — O que você faria amanha se pudesse ser egoísta por si mesmo, um dia inteiro?

Eu voltaria para casa. – Poucos segundos depois, Bucky respondeu perdido em seus sentimentos, mantendo seu braço envolvido seguro e protetoramente na cintura de Fairchild. — Mesmo que não houvesse nada lá, do meu passado. Eu queria poder retornar lá, sabe? Ver a Brooklin de antes e depois diante dos meus olhos. E você, o que você faria?

— Tem um bosque em Nova York pouco conhecido pelo público, pois ele é bem amplo, frondoso e considerado ‘selvagem’ por sempre encontrarem alguns animais selvagens por lá... – Ela explicou, relembrando dos detalhes daquele lugar. — Quando eu busco por um pouco de paz, eu vou para lá, levo um livro, um pouco de música, algumas amoras e framboesas... E me sinto em casa.

— Talvez possamos fazer isso um dia, juntos. – Bucky sussurrou alguns segundos depois.

— Eu gostaria. – Ela assentiu, olhando Bucky e conseguindo claramente imaginar tais dias egoístas ao seu lado e gostando muito do que eles poderiam lhe proporcionar. Poderia ser uma vida boa. Eles poderiam viver isso. Willa sorriu com tal pensamento.

— O que, o que foi? – Bucky sussurrou tal pergunta, olhando-a com curiosidade. Por um instante, Fairchild pensou em revelar os seus pensamentos, então ela escutou algo no térreo que atraiu a sua atenção, a ponto de sentar-se e focar completamente seus sentidos.

— Clint acordou. – Ela revelou, enrugando o seu cenho ao conseguir compreender algo proferido por Barton a alguém, talvez Sam, ela não tinha certeza. — Ele quer reunir todo mundo na sala, para falar sobre o que houve. Vem. – Ela escapuliu dos braços de Bucky para levantar, mas ele não a permitiu ir muito longe. Envolvendo seu braço em sua cintura e abraçando-a pelas costas. — O que foi? – Ela perguntou preocupada e Barnes repousou sua cabeça em sua nuca, agarrando se a ela com maior afinco. — Bucky?

— Nós não podemos ficar só mais um pouco aqui? – Ele murmurou respirando o perfume da sua nuca e ela sorriu, repousando suas mãos em seus antebraços, delineando caminhos invisíveis com a ponta de seus dedos sentindo o calor de sua pele humana e o frio de seu braço metálico entrar em contato com a sua pele. – Só eu e você?

— Existe uma enorme possibilidade de Sam atrapalhar esse momento em alguns segundos... – Bucky grunhiu e Willa riu, sobre seu ombro lhe lançou um olhar carinhoso. – Eu te prometo: assim que conseguimos um tempinho, eu deixo você me roubar dos outros.

— Você não é do tipo de quebrar promessas, não é?

— Se você for sortudo...

Ela brincou lhe lançando uma piscadela charmosa e ele não resistiu lhe roubando um beijo rápido, o que lhe arrancou uma gostosa risada e Bucky não resistiu, curtindo o som de seu riso e aprofundando o seu beijo e Willa deixou os seus sentidos conectarem profundamente a Bucky e seu corpo aninhou-se em seus braços.

É, eles podiam ter mais dias assim...

Notas finais
— Willa analisando os seus sentimentos pelo Bucky: TÃO BONITINHA SINHÔ! ♥ — JESSICA JONES! #ECOAPORTODAHELLSKITCHEN — 'Nem todos os monstros fazem monstruosidades' ROGERS, Steve :) #QUEREFERENCIA ao capítulo dois, não é mesmo? Agora sabemos que Willa estava referenciando Steve ao conversar com Bucky. NÃO É LINDO, MINHA GENTE? ♥ — #SQUADGOALSISBACK: Willa, Steve, Sam e Bucky ♥ — E aí? Para quem estava me perguntando horrores sobre os dons de Willa: Vocês esperavam que esse fosse o talento dela? Dissertem aí sobre as suas expectativas para o futuro! — E indo além, Willa deixou bem claro tanto para o trio quanto para Steve que ela pode fazer MUITO MAIS do que mostrou e relatou... Ela nasceu assim, não é aprimorada, mas aprendeu. O que será que ela está guardando para si sobre seu passado, hein? Claramente a Casta tem interesse por si, mas o Tentáculo também não está muito para atrás. Nem a Casta ou o Tentáculo são boas influências na vida de Fairchild, o que isso pode significar para o futuro de Fairchild e o seu talento? E Wanda tem razão? Tal poder pode eventualmente transformá-la em outro alguém? Será que a Casta lhe contou tudo sobre tal talento? Será que eles sabem de tudo também? TANTAS PERGUNTAS! AI AI AI ♥ — Para quem estava com saudades da nossa Wandinha, tadinha, foi um capítulo difícil para ela :( — UM EXORCISTA? LANG, Scott #CASACOMIGOSEULINDO — BUCKY está para suas ameixas como WILLA está para as suas amoras ♥ — Questão ULTRAMEGAIMPORTANTE: STELLA (Steve + Willa) OU SILLA (Sam + Willa)? Hmmm... E é isso, pessoal! Semana que vem nós teremos mais, MUITO MAIS ♥