Born to Die | Exile

10 Born to Die | Radio


Notas iniciais
MATES, OLHA O NOVO CAPÍTULO NA ÁREA! ♪ OI, MATES! Tudo bacana? E aqui estamos nós: DECIMO CAPÍTULO! Eu estou TÃO feliz pelo sucesso da fanfiction! Quando comecei a escrever, eu tinha uma pequena ideia e parando para pensar, agora, eu criei um Universo que nunca, em nenhum segundinho, planejei em criar. Aconteceu! Então era a minha história, minha personagem, minhas músicas, minha trama e agora, ela tem um pouquinho de todos vocês ♥ Muito obrigada A CADA UM DE VOCÊS, pelos comentários, pelas views, pelos compartilhamento, pelas risadas, pelas ideias e por amarem esses personagens juntinho a mim. Estamos apenas na metade do caminho. Continuem comigo e com a nossa Willa ♥ Compartilhem em suas redes sociais e comentem. A opinião de vocês é ESSENCIAL. Nunca esqueçam disso. Essa história é minha, mas tem um pouquinho de vocês aqui e ali, viu? :) AGORA, VAMOS AO CAPÍTULO?

R A D I O

Not even they can stop me now/Boy I'll be flying overhead/Their heavy words can't bring me down/Boy I've been raised from the dead. I don’t even notice how hard life was/I don't even think about it now because/I've finally found you.

Por alguns segundos, o timing de Willa se encontrou errado. Quando ela e Bucky chegaram à sala, Sam estava apoiado na parede do corredor da entrada e levantou o indicador para o casal na escada, com um sorriso espertinho no cantinho dos lábios.

— Eu disse que ela ia escutar... – Sam murmurou trocando um olhar com Clint na sala.

— Eu sempre escuto. – Ela resmungou apoiando sua mão em seu ombro e lançando um olhar para a sala, encontrando o arqueiro na ilha da cozinha, debruçado sobre um mapa. — Clint... – Willa sussurrou e Barton lhe olhou. Fairchild travou seus passos ao receber aquele olhar e admirar o seu semblante. — Como você está se sentindo?

— Bem. – Ele balbuciou, retornando a sua atenção para o mapa. Sam discordava para quem chegou ali pingando sangue e praticamente a um fio da morte, ele parecia ótimo. Os dons de Willa eram surpreendentes.

Por outro lado, Willa tinha outro pensamento: Ele parecia fisicamente bem, mas havia tristeza em sua alma, uma tristeza marcada e irremovível, o que pesava em seu olhar. Clint sabia. Steve nem Sam haviam lhe contado, ele simplesmente sabia, em seu coração, e exalava tal conhecimento através de seu medo e receio.

Steve surgiu pela porta da cozinha, acompanhado de Scott e Wanda, provavelmente, eles vieram da garagem.

— Que bom, estamos todos aqui. – Steve falou olhando para os colegas ali e pousando seu olhar em Clint, ao parar a entrada da cozinha, como sempre com sua postura tensa e séria.

— Uns mais do que os outros... – Scott murmurou coçando os olhos com evidente cansaço, pegando a vasilha de café e choramingando ao encontrá-la vazia. Lançando um olhar inexpressivo para os colegas, abandonando a vasilha de café na cafeteira. Que pessoa termina o café e não prepara mais?

— Quem é esse cara?

— Scott. Lang. Homem formiga. – Ele se apresentou, estendendo sua mão para Barton que não retribuiu o gesto e olhou para Steve. O Capitão olhou Sam e ele assentiu, confirmando confiança no cara. – E eu vou ficar bem quietinho aqui... Esperando o café. – Lang concluiu levantando seu indicador e concentrando em preparar mais café.
— Scott me resgatou após o que aconteceu na fazenda. – Willa proferiu e o arqueiro lhe olhou pela primeira vez e incerto, cortou o olhar, mas Fairchild forçou uma aproximação. — Clint, as crianças...

— Eu sei. Eu vi. A explosão. – Ele gesticulou em negativa, olhando Willa e ela sentiu o peso do seu olhar sobre si: a mágoa, a culpa, o julgamento. Desconcertada, ela parou de caminhar, engolindo em seco. — Não tinha como alguém...

— As crianças estão bem. – Ele não sabia. Ela o interrompeu e foi possível assistir Clint soltar o ar pesadamente de seus lábios, consternado em emoção. Por um instante, todos prenderam suas respirações. — Todas elas. – O semblante de Clint desmoronou, alivio dominando cada célula de seu corpo, então o choque... – Eu sinto muito por Laura. Eu não pude fazer nada por ela.

Ela...? – Ele calou-se afincando os seus dedos na base do balcão, comprimindo os lábios, como também as suas palavras.

— Não. Ela... – Willa reprimiu tal palavra. — Foi o impacto. Ela estava protegendo as crianças quando o míssil atingiu o celeiro. – Tal explicação era ouvida pela primeira vez por todos. Steve lançou um olhar a Willa, comovido. Sam deferiu seu olhar dela a Clint. Distante do grupo, Bucky movimentou seu rosto, olhando para Steve e retornou silenciosamente sua atenção para os próprios pés. Scott abandonou o seu desejo por café e mostrou solidariedade a Barton, como Wanda que não escondeu sua comoção. — Ela não sentiu dor.

— Não tem como saber isso. – Clint sussurrou com pesar, quebrando o seu olhar de Willa.

— Eu tenho. – Willa revelou resoluta, recebendo um olhar confuso de Scott. Wanda mostrou estar surpreendida com a atitude de sua amiga, ela raramente falava sobre as suas habilidades abertamente com os amigos. Ela ter feito isso agora dizia muito sobre suas emoções. — Ela não sofreu.

— E onde estão as crianças? – Clint não quis entrar em detalhes, não quis continuar naquele caminho. Eles não tinham porque dividirem do seu luto. Era seu luto. Além do mais, eles tinham outros problemas e prioridades agora. Eles precisavam focar numa coisa por vez. Ele precisava.

— Seguras. – Steve respondeu antes de Fairchild. – Willa se preocupou com suas seguranças e achou melhor levá-las para um lugar distante de nós. – Sua resposta séria e orgulhosa fez o coração de Willa encolher em gratidão.

— Onde elas estão? – Clint questionou olhando para Steve e Willa.

— Nova York, com a Casta. – Willa explicou e Clint novamente se absteve de entrar em detalhes sobre o porquê de seus filhos estarem na tal Casta e o que diabos era a tal Casta, perguntas bem similares as de Scott, só faltando a desesperada ‘O que está acontecendo aqui?’ e ‘Porque demora tanto pro Café ficar pronto?’

— Você tem certeza que elas estão...?

— Elas não poderiam estar mais seguras e protegidas, e por via das duvidas, numa emergência, Stone as levará para outro esconderijo. – Willa explicou com tranquilidade e certeza a Barton. — Temos tudo combinado. – Nós também tínhamos tudo combinado para levar a família de Barton com segurança, mas não deu certo. Willa tentou não se prender a isso.

— Antes de você voltar, eu ia buscá-las, para ficar aqui conosco, mas não cabe a mim essa decisão. – Steve relatou resoluto, recebendo um aceno de Clint. – É a sua escolha, Clint.

— Se a Willa diz que elas estão seguras... – Willa arqueou as sobrancelhas, surpresa por receber tal confiança de Barton, após tudo. — Eu posso falar com elas?

— Sim, claro que pode.

— É só isso que eu quero... – Ele murmurou franzindo a sua testa. — Poder falar com os meus filhos. – Não, não era só isso que ele queria.

— Eu vou providenciar isso... – Willa disse, seguindo para buscar o telefone na sala, mas Clint gesticulou em negativa.

— Não, isso pode esperar, por ora... Eu preciso falar com todos vocês sobre o que aconteceu na Hidra.

— Ok. – Steve questionou, arqueando as sobrancelhas.

Nada.

— Espera, deixa ver se eu compreendi direito, você disse: nada? – Sam retomou com o seu semblante dominado em confusão e ele não era o único ali. – Então você se acertou com um tiro? – Ele apontou para o estômago de Clint com deboche e o arqueiro revirou os olhos.

— Claro que não! Eu posso ter os meus defeitos, mas estupidez não é um deles. Isso aqui foi os agentes do governo... – Ele apontou para o lugar onde haveria de ter uma cicatriz feia, mas apenas tinha uma pele avermelhada e brilhosa. — Não a Hidra. – Ele abaixou a camisa, lançando um olhar sisudo para Fairchild. – E não, não quero saber com que macumba voodoo você me ajudou! Já estou traumatizado o suficiente para uma vida. – Ela apenas assentiu, olhando para Wanda e arqueando suas sobrancelhas. – A Hidra não me queria. – Clint explicou, trocando um olhar com os colegas, até ele encontrar a presença introvertida e taciturna de Bucky e fixar nele. – A Hidra queria ele.

Bucky levantou o seu rosto, surpreendido ao encontrar todos os olhares sobre si desde o olhar de frustração de Clint até o olhar, raro, de preocupação de Wilson.

— Tudo bem, que tal você explicar isso do inicio? – Steve pediu com um olhar interessado sobre Barton e calma em suas palavras.

— Nós chegamos à fazenda, no tempo esperado. Willa pediu para não demorarmos, pois seria ruim para as crianças viajarem de noite. Então, subi para ir ao banheiro e conferir se tudo tinha sido pego... Foi rápido demais. Eles entraram pela janela do meu quarto, tentei bloquear alguns, mas outros chegaram pelo corredor e quando me dei por mim, estava no chão... Foi quando escutei os tiros. – Clint olhou para Willa e ela suspirou, abraçando o corpo, exatamente como ela fizera ao sentir o corpo delicado e frágil de Nate em seus braços, necessitando de si e sua proteção. – Eu não sabia o que estava acontecendo. Eles me deram uma coronhada e eu fiquei confuso. Apenas ouvia os tiros e os comandos pelos rádios...

“Então, eu me vi do lado de fora de casa, arrastado por uns dois brutamontes para dentro de um jato. Sem sinal de Laura, das crianças e Willa, uma parte de mim queria acreditar que elas estavam a salvo, na estrada, escapando... Leigo engano. Eu ouvi um dos agentes perguntar se o campo estava liberado para o míssil e o filho da mãe me olhou nos olhos e confirmou. Depois eu assisti o celeiro e parte da minha casa ser explodida... Eu tentei escapar, mas... Depois disso, eles me acertaram novamente e eu desmaiei. ’’

— E o que aconteceu? – Wanda questionou ansiosa, agora, sentada na banqueta ao lado do arqueiro.

— Eu acordei e não deixei isso claro a eles. Queria ter alguma vantagem... – Clint explicou apoiado na bancada da cozinha. — Não sabia onde estava, mas não parecia ser perto da cidade, por conta da falta de barulho nas ruas. Eu estava amarrado e não estava sozinho. Eu escutei uma conversa paralela entre os agentes não muito distante de onde estava. Algo sobre eles terem nos interceptado na estrada e nos seguido acreditando que estávamos indo para o esconderijo do Bucky.

— Então, eles não sabem que você está aqui... – Steve concluiu lançando um olhar ao amigo que retribuiu com evidente tensão em seus ombros e dureza em seu olhar.

— Como eles encontraram vocês? – Scott questionou levantando os ombros com confusão e Sam apenas gesticulou negativa. Era melhor eles nem entrarem nesses pormenores ou Scott nunca mais conseguiria dormir sem conferir as travas de segurança da sua casa umas 15 vezes e garantir ao menos, umas cinco armas carregadas e escondidas por toda a sua casa.

— Por ora, não, eles não sabem do paradeiro dele, mas eu recomendaria que partíssemos o quanto antes. – Clint sugeriu com segurança. — Não é mais seguro ficarmos aqui.

— Como você conseguiu escapar? – Wanda questionou.

— Uma boa dosagem de esperteza da minha parte e burrice da parte dos agentes da Hidra. – Ele deixou um sorriso brincar no canto de seus lábios e Wanda assentiu. — Eu estava preso num quarto, esperei eles virem até mim, para algum contato e eles vieram. Me fingi de desacordado, sou muito bom nisso. Eles me acordaram, me perguntaram sobre o Bucky, sobre o Capitão, sobre Wanda, pareciam tentar me confundir... Falaram da minha família. – Ele abaixou o olhar, estalando os seus dedos e crispando os lábios. — Me bateram um pouco e foram embora... Quando retornaram, eu tinha conseguido arrancar as minhas amarras e meti a porrada neles. Peguei uma arma para mim, alguns dólares, um pouco de café bem ruim e fui embora.

— Como o governo chegou até...? – Ele fez um gesto para Sam aguardar.

— Eu ia falar disso agora. – Sam levantou as mãos em aceitação. — Eles me levaram para um casebre no meio do nada da porcaria do Kansas. Eu precisei ir atrás de uma rodoviária para poder chegar até aqui foi quando o governo me localizou. Eles devem estar verificando as câmeras de segurança das rodovias. Quando o ônibus fez uma das suas paradas, os agentes de Ross estavam me esperando de braços abertos e armas apontadas em meu peito.

— Foi assim que você...? – Sam voltou a interromper, impaciente com a demora em Clint chegar a grande questão ali. Ele estava tornando aquele conto numa trilogia com direito a um reboot em alguns anos, completamente desnecessário.

— Ainda não chegamos nessa parte. – Ele negou com o indicador, mostrando gosto em cortar as asinhas da impaciência de Sam. — Eles me levaram. Eram mais de 15 agentes, eu só tinha seis balas e um sonho. Eu posso ter perdido o amor da minha vida, mas eu tenho algumas promessas para cumprir a ela antes de cometer uma loucura. – Ele revelou com um riso frouxo. — Com isso, fui sem lutar com eles. Preciso dizer: eles me trataram muito melhor do que a Hidra.

— Para onde eles te levaram? – Willa questionou.

— Viena. – Fairchild franziu o cenho, pensativa. — Ross queria ter uma conversa amigável comigo na presença do Stark e por que não fazer isso ao lado das Nações Unidas? Aparentemente, homens armados não são o suficiente para me colocar medo...

— Deixa eu adivinhar: Stark tentou interceder? – Steve questionou com um olhar sério sobre a figura de Barton.

— Se por interceder, você quer dizer: me manipular para ficar ao lado dele? – Ele assentiu para Steve e Fairchild revirou os olhos. – E não é só isso. O registro será discutido em alguns dias em Viena. Stark ainda tem esperanças de que você estará lá, para assinar a favor do registro. – Com isso, Fairchild suavizou o seu semblante. Ela tinha uma opinião muito sensível sobre o bilionário e ela tendia a incerteza nesses instantes, quando ele demonstrava se importar com eles. — Ele acha que todos nós estaremos.

— Eles sabem que o Steve encontrou o Bucky? – Sam perguntou, recebendo um olhar sério de Bucky, nem se apercebendo disso.

— Não. – Clint negou e alivio dominou o semblante de Steve e Willa não disfarçou também tal sentimento. — Ok. O Tony desconfia, tentou jogar um verde para mim, mas... – Clint revelou o que despertou a preocupação em Rogers. — Eu não te entreguei. – Barton concluiu deferindo um olhar firme em Barnes e ele não compreendeu; ele era o culpado por todas as injurias vividas por ele até então, porque ele lhe protegeria? Por que eles ainda o protegiam, quando claramente, ele não merecia isso?

— Como você conseguiu sair de Viena e voar até aqui com Ross e os seus agentes te caçando? – Sam perguntou, pensativo.

— Stark de novo. Ele interveio por mim. – Clint respondeu. — Ele sabe o que a Hidra fez, quis me dar o beneficio da duvida e não sei, se compadeceu pelo que aconteceu comigo... Ele disse que só queria conversar comigo, queria dar a sua opinião, coisa a qual não teve oportunidade.
Então, me ajudou a pegar um avião e pediu para eu tomar cuidado: Ross mandaria agentes atrás de mim, principalmente após o meu contato com a Hidra. – Ele gesticulou para barriga, pensativo. — Por isso eu levei esse tiro. Após chegar ao aeroporto, eu fui novamente recepcionado pelos agentes de Ross, só que dessa vez, não deu para escapar sem arranhões. – Clint se calou, lançando um olhar cuidadoso sobre Rogers. — Tony pediu para lhe dar um recado...

— Que é? – Steve questionou meio que na expectativa de Stark lhe surpreender.

— Pare de ser irracional. – Steve riu num escárnio. É, não houve surpresas. — Ross não vai recuar com o acordo, muito menos parar até encontrar e capturar todos que estão a favor de proteger o Bucky. E quando ele conseguir encontrar Bucky, não pensará duas vezes em suas ações. – Aquele silêncio estava começando a se tornar uma coisa indigerível no grupo.

— Isso não é sobre ele. – Steve murmurou firme.

— Não, mas Ross acha que é e ele vai continuar com o seu exercito em rua com tal argumentação. – Clint tentou explicar a eles, como Ross via aquilo. – E é o que está conquistando vários lideres por todo o mundo a aceitarem o registro na bancada das Nações Unidas.

— As pessoas não conseguem ver o mal nem se estivesse embaixo dos seus narizes. – Willa resmungou com amargura, mantendo sua cabeça abaixada, pois não suportava a ideia de ser vista com tais sentimentos incertos a lhe consumir. E sobre mal, era algo ao qual Fairchild compreendia muito bem. O celular de Steve vibrou em seu bolso e ele o pegou, conferindo a mensagem recebida.

— O que vamos fazer, Cap? – Scott questionou com uma leve euforia de possibilidades dominando suas expectativas.

Eu... Eu preciso ir. – Steve guardou o celular no bolso e pediu educadamente e escondendo o embargo em sua voz, deixando a sala, seguido por um rastro de olhares confusos de cada um dos seus amigos.

Naqueles breves segundos, Willa sentiu o aperto no coração de Rogers, através de seus batimentos descompassados e o ar se perdeu em seus lábios, desconcertada. A porta principal fechou num baque, ecoando pela estrutura da casa pesadamente.

— Foi alguma coisa que eu disse? – Scott questionou preocupado por ter ofendido o Capitão com seu jeito espontâneo mal interpretado.

— Não. Ele só precisa de um tempo sozinho, para compreender tudo isso. – Wanda explicou com delicadeza, não sabendo ao certo o que havia acontecido com o colega, mas o olhar de Willa revelava que não era nada bom.

— Que tal darmos um tempo a ele e para nós mesmos? – Sam sugeriu, olhando para Wanda, Scott e Clint.

— Acho que isso seria uma boa ideia. – Scott concordou, assentindo a proposta. Serviu-se com café e deixou a sala, indo para o segundo andar. Wanda também não se demorou ali, precisava de solidão e partiu para o quintal.

Clint continuou na cozinha, trocando um olhar com Sam, ao notarem Bucky à distância com os seus olhos cravados em Willa com clara preocupação, e então lançando um olhar pesaroso para a porta principal. Para compreender, Wilson seguiu o seu olhar e encontrou Willa, sentada no braço do sofá com um braço repousado no estômago e uma mão nos lábios, respirando pesadamente.

Willa... – Sam chamou com preocupação. Um estalo no taco ressoou pela casa.

— Foi a Peggy. – Ela sussurrou, limpando discretamente o canto dos seus olhos e lançando um olhar por sobre os ombros para Sam e Clint. – Ela

A porta principal fechou novamente num novo e forte baque e Bucky não estava mais entre eles.

Willa franziu o seu cenho, sentindo a delicadeza daquele instante. Sam também compreendera tanto que nada fez, além de sentar no sofá, passando as mãos em sua cabeça.

— Eu vou pegar o telefone para contatar os seus filhos. – Willa cortou o silêncio ao proferir tais palavras a Clint, levantando e seguindo para o escritório.

Com o telefone firme em suas mãos, Fairchild retornou e se aproximou de Clint, tomando coragem...

— Eu tomei a liberdade de enterrar a Laura. – Clint a olhou lenta e singelamente comovido. — Organizei o enterro, comprei um mausoléu para ela em Nova York e... – Ela se calou, notando os olhos de Clint se encherem de lágrima e teimosamente, ele abaixou o rosto, buscando conter e esconder tal emoção. — Eu não queria que ela fosse enterrada como... – Willa engoliu em seco, ela mesma, não conseguindo conter o nó em sua garganta e repousou sua mão sobre a mão dele, apertando afetuosamente. — Ela não merecia aquilo, Clint.
— Nenhum de nós merecia.

— Eu levei as crianças. Eu sei que não era do meu direito, mas...— Willa suspirou, fixando o seu olhar no mapa, mordiscando o canto dos seus lábios. — Eu não tenho nenhuma memória de despedida com os meus pais. Eu não fui ao enterro dos meus pais e meu irmão e quando tive a oportunidade de visitá-los no cemitério, seus corpos tinham sido exumados a anos. – Clint lhe lançou um olhar comovido e então, ele repousou seu braço sobre o ombro dela, apertando gentilmente. — Para mim, eles não morreram, foram arrancados de mim e seus túmulos são apenas caixas de madeiras ocupando espaço na terra. Eu não queria que seus filhos vivessem com esse sentimento, entende? – Clint assentiu, comprimindo os seus lábios. — Eu queria que eles tivessem o direito de se despedir de sua mãe. – Willa proferiu respeitosamente. — Eu entendo se você quiser me odiar pela minha postura, eu me odeio um pouco por tudo isso... Eu só preciso que você saiba que eu tive as melhores das intenções ao buscar proteger os seus filhos.

— Eu sei, eu ... – Ele revelou pensativo. — Preciso ainda lidar com tudo isso da minha forma.

Willa assentiu, seus olhos focaram no telefone em sua mão e ela digitou o número. Não demorou a lhe atenderem. Em Chinês, ela se comunicou durante toda a chamada e quando ela passou o telefone para Clint, comunicando que as crianças estavam na linha, Barton arrancou o aparelho da posse de Fairchild, distanciando da sala e entregando-se ao momento falando com os seus filhos.

Fairchild estava miserável. Ela arrastou seus pés até o sofá, sentando ao lado de Sam, ainda copenetrado em seus pensamentos. Ao sentir o movimento ao seu lado, ele levantou seus olhos encontrando a figura desolada de Willa e por um instante, eles trocaram um olhar e nada mais precisava ser dito, eles compreenderam o que estava passando ali em suas mentes. Juntos, eles recostaram as costas no sofá num baque surdo; Sam encarando a parede inexpressivo e Willa respirando pesadamente, massageando a sola dos pés descalços.

— As coisas vão ficar pior antes de melhorarem, não é? – Sam questionou sua preocupação misturada com sua impaciência, pesar, frustração e provavelmente, outros sentimentos facilmente mutáveis. Willa o olhou lhe admirando momentaneamente e sorriu quando seus olhares se conectaram.

— Nós podemos aguentar.

— É, nós podemos. – Sam assentiu de soslaio, olhou Willa, apontando para o lado de fora. — Mas eles? Clint, Scott, Wanda...

— Alguns anos atrás, você fez essa mesma pergunta sobre mim ao Steve, você lembra o que ele lhe respondeu? – Ela precisou de alguns segundos para colocar tal pergunta em seus lábios. Quando Sam fez tal pergunta a Steve, não era numa situação muito diferente de agora. Eles estavam na casa de Wilson, precisando de refugio, por estarem fugindo da Hidra, Governo, S.H.I.E.L.D. e o Soldado Invernal. Eles não se conheciam, então era natural para Sam ter suas desconfianças sobre as aliadas acompanhando o seu amigo, Steve Rogers.

Ele te contou isso? – Willa apontou para a orelha com uma careta nos lábios. – Ah, é...— Sam riu rouco. — Eu não sabia que você era uma lobisomem naquela época.

Eu não sou uma...— Ela resmungou e calou-se ao dar-se conta que ele estava implicando com ela. — O ponto é: você lembra...?

— Lembro, lembro. – Sam assentiu, gesticulando em concordância. — É meio difícil esquecer os discursos do Capitão America. – Willa riu suavemente, recebendo um olhar admirado de Wilson.

— Ele disse que você era uma guerreira, forte, irritadiça, com muitas habilidades e qualidades, mas a mais importante delas, era a sua empatia. Você poderia não estar pronta para algo grande como derrubar a S.H.I.E.L.D e a Hidra do dia para a noite, mas isso iria endurecer sua couraça, era o alimento que você necessitava para te fortificar. Steve disse algo sobre isso ser da sua natureza.

— E endureceu. – Ela concordou conseguindo fazer um comparativo entre a Willa antes de Washington e elas pareciam mulheres tão distintas aos seus olhos. — Isso fará o mesmo com eles, principalmente com Clint.

— É. – Sam concordou, arqueando as sobrancelhas ao se dar conta da delicadeza da situação de Barton. — E como você está...?— Ele cutucou o ombro de Willa e ela crispou os lábios.

— Impressionada que num estalo dos dedos... – Ela estalou os dedos dramaticamente. — Uma manhã boa pode ser transformar num total desastre.

— Posso saber o porquê de ter sido uma boa manhã? – Sam questionou arqueando as sobrancelhas sugestivamente.

— Aaaah, não. – Willa se arrependeu por ter deixado aquelas palavras escaparem dos seus lábios, com um riso nervoso.

— Eu sei que o Bucky... – Sam começou e Willa grunhiu.

— Cala a boca. – Willa ralhou revirando os olhos.

—... Estava com você naquele quarto... – Sam não se calou aumentando o seu sorriso.

Continue. – Ela incentivou, desafiando Wilson.

— Você gosta dele. – Ele murmurou cheio de si, repousando relaxadamente o seu braço nas costas do sofá.

Gostar é muito pouco para mim, Sam. – Sua resposta veio acompanhada de um sorriso misterioso.

— Uh, então temos apostas altas aqui. – Ele aprumou o seu corpo, lançando um olhar surpreso sobre a amiga.

— Temos e elas não são para o seu bolso, militar. – Ela implicou cutucando o braço dele.

— Ah, qual é, eu sou seu amigo. Quase o seu irmão! – Ele gesticulou com um sorriso discreto, apertando o ombro dela. — Você pode dividir essas coisas comigo.

— Eu não quero falar disso. – Ela retrucou crispando os lábios.

— Falar o que? – Sam rebateu pensativo.

— Como me sinto.

— Por que não? – Ele encolheu os ombros, não compreendendo os seus motivos.

— Por que não é justo, não é momento para isso, e é absurdamente egois...ta.— A palavra foi morrendo em sua boca. Ela riu, passando o indicador nos lábios. Ela não era do tipo de acreditar em coincidências, mas aquele era claramente um teste divino – ou não.

— E?— Sam não ficaria sem uma resposta.

— Eu estou estranhamente bem. E feliz. – Ela revelou com os seus olhos admirando saudosista cada detalhe da sala principal do esconderijo. — E é isso. – Ela assentiu, arqueando singelamente as sobrancelhas e evitando olhar para o amigo, pois algo em seu coração lhe dizia que ele teria aquele olhar. É, aquele olhar pidão que fazia Fairchild querer afagar a sua cabeça. — Isso me torna uma pessoa ruim? – Ela questionou comprimindo os lábios, com tal pensamento trevando em sua mente.

— Estar feliz? Agora? – Ele apontou o indicador para o chão, arqueando as sobrancelhas e Willa assentiu pesada e rapidamente. — Não. Além do mais, porque haveria de você estar triste?

— Por que estamos em guerra com nossos amigos? A Hidra quer nossas cabeças numa bandeja enferrujada? O governo quer as nossas cabeças em estacas? A família do Clint... – Ela resolveu listar cada motivo, mas sua voz embargou na última menção ao se dar conta do peso daquele evento em sua consciência. É, sua felicidade começou a esvair de seu corpo.

— O que aconteceu com a família do Clint não foi sua culpa. – Sam afirmou, repousando e acarinhando a mão de Fairchild.

— Eu sei.

Willa não parecia tão certa disso.

— Sabe mesmo? — Willa sentiu os olhos de Sam sobre si e ela fechou os olhos, ouvindo passos firmes aproximando da sala. Ela respirou fundo, comprimindo os seus lábios.

— Eu sei, mas eu não pude fazer nada para impedir. – E então, ela olhou para Sam e ele assentiu, levantando seu olhar para a nova companhia na sala.

Era Clint. Ele repousou o telefone na ilha da cozinha, sentando na banqueta passando as mãos no rosto sentindo a barba para fazer pinicar seus dedos.

Eles... Eles estão bem. – Ele murmurou, primeiramente parecendo falar mais para si do que para os amigos, então seus olhos avelãs lhes encarou com alivio dominando seu semblante. – Eles disseram que tomam chocolate quente e comem doces todos os dias. – Ele riu, imaginando como Laura piraria com tal coisa! — E estão com saudades minha... – E da mãe. Ele reprimiu tais palavras, afastando seus olhos dos amigos e abaixando o seu rosto.

— Se você achar que isso tudo é demais e quiser, posso falar com Steve e buscamos as crianças. Podemos deixá-las com a minha prima, em Hell’s Kitchen, se preferir... Ela não é boa com crianças, e humanos no geral, mas ao menos ela não é a líder de uma Casta milenar... – Willa continuaria a sua explicação, mas Clint a cortou repousando sua mão na base das costas de Fairchild.

— Willa, eles estão sendo cuidados pessoalmente pelo seu mestre. – Willa enrugou o cenho. Ela não esperava isso de Stone. Ele pode ter prometido tal coisa, mas ela não esperava que ele fosse cumprir, não depois de tudo que ela lhe fizera. — Se ele é o homem que lhe ensinou tudo que você sabe e você confia nele, eu não poderia querer alguém diferente protegendo os meus filhos. – Willa assentiu, aceitando a sua postura. — Eles estão seguros. – Ele afirmou e Sam acreditou que tais palavras não eram para Fairchild, e sim para o próprio arqueiro. — É isso que importa. – Ele voltou a passar a mão no rosto, numa tentativa inútil de despertar. — Agora, precisamos nos focar em resolver essa bagunça e acabar com isso de forma sadia para ambos os lados.

— Eu pensei justamente nisso. – Sam sussurrou e Willa lançou um olhar penetrante sobre Wilson que sustentou seu olhar.

Você... – Ela abriu e fechou os olhos, percebendo o titubear na postura de Sam, o que confirmava a sua teoria. — Você acha que Steve deve aceitar o acordo?

— Eu acho que ele deve considerar repensar e conversar com Tony sobre. – Sam explicou e Willa arregalou os seus olhos azuis, pendendo seu olhar na sala com descrença. — Talvez, um novo acordo.

— Ele é um Stark, ele não recua. – Clint lançou um olhar debochado a Wilson.

— Eu não acho isso certo. – Willa explicou seu ponto de vista sobre o pensamento de Sam e ele encolheu os ombros, respirando fundo.
— E se passamos da linha tênue entre o certo e errado? E se esse for o momento de nos focarmos em fazer o justo? – Willa repousou os cotovelos sobre as coxas, repousando as pontas dos seus indicadores embaixo de seu queixo, apenas ouvindo a voz de Sam e buscando compreender sua visão a partir de seu caráter e não de sua opinião. – Não me entenda mal, Willie. Eu estou com o Steve. Cegamente. – Seriamente, ela lhe lançou um olhar copenetrado. — O que ele decidir, eu estarei ali, do lado dele, mas acho que é a hora dele pensar em dar dois passos para trás, antes de dar um passo à frente...

Clint manteve seu silêncio. Por sua vez, Willa analisou as palavras de Sam e assentiu singelamente com o seu olhar suavizado sobre o amigo.

— Você pode ter razão. – Ela apresentou seu ponto de vista com um inclinar cortes de sua cabeça.

— Espera você está concordando comigo? – Sam questionou surpreso pela postura de sua amiga.

— Eu posso estar te manipulando a achar isso. – Ela sibilou com um olhar misterioso.

— Perversa. – Sam ralhou crispando os lábios numa careta.

Pombo. – Sam abriu os lábios profundamente ofendido, mas a atenção de Fairchild tinha sido quebrada de si, e agora se encontrava em Barton.

— A questão agora é: Quem vai falar isso ao Capitão?

— Ele acabou de saber da morte da Peggy... – Willa sussurrou meneando a cabeça em negativa, sentida.

— Como você...? – Clint questionou mexendo os seus dedos numa tentativa de gesticular os dons da amiga. Ela não queria explicar. Mordeu o canto da bochecha, passou a ponta da língua nos lábios e suspirando, ela resolveu ser sincera. O pior que aconteceria era Clint saber que ela conhecia exatamente os seus sentimentos ali e agora – e ela não tinha como simplesmente desligar sua capacidade de ter tal conhecimento.

— O coração dele. – Willa explicou com delicadeza. — Quando perdemos alguém, o coração tem uma reação única, semelhante em todos os humanos.

— Como é? – Sam perguntou curioso com a capacidade extraordinária de sua amiga.

— É como morrer, só que a pessoa continua... – Ela deixou as suas palavras morrerem, semicerrando os seus olhos sentindo o seu coração comprimir.

— Continua o que? – Clint sussurrou e Willa lhe lançou um olhar sentido sobre Barton.

— Viva.

É, Barton não podia negar: a garota tinha um talento.

— Como você consegue viver sabendo tanto sobre todo mundo? – Sam proferiu, colocando-se momentaneamente no lugar de Willa e não gostando muito de como se sentiu sob aquela ótica. — Eu enlouqueceria.

— As melhores pessoas são as loucas. – Willa respondeu com um sorriso doce e ingênuo e Sam inclinou o rosto, sorrindo de lado pela espirituosidade da amiga.

— Chapeleiro Maluco, não é? – A voz de Scott cortou a conversa entre o trio, surpreendendo Sam, enquanto Clint apenas arqueou as sobrancelhas, sentindo os ouvidos tinirem pela voz esganiçada e animada de Scott. Por sua vez, até Willa mostrou surpresa pela chegada de Scott, ela não o escutou os seus passos, estava focada em seus amigos. Lang parou bruscamente a entrada da cozinha, estalando os dedos. — Eu sempre faço isso. Me meto onde não sou chamado. – Clint trocou um olhar significativo com Sam e Willa apenas riu, abafado. — Então, na tangente, me retiro, mas antes alguém quer um café?

— Eu aceito. – Clint murmurou levantando a mão.

— Eu também não estou em posição de recusar. – Sam comentou levantando do sofá, seguindo os passos de Scott para a cozinha.

— Eu passo. – Willa gesticulou em negativa, levantando também do sofá. — Eu vou... – Ela olhou para os rapazes, apontando para o segundo andar. -... Para o meu quarto. Qualquer coisa, me chamem que eu escuto lá e vocês sabem o resto...

E assim, ela seguiu solitária o caminho para o segundo andar.

— Acho isso bem maneiro. – Scott comentou e Willa não conseguiu deixar de escutar suas palavras. — Nem precisa subir escada, bater em porta, ser intrometido, é só chamar aqui ‘WILLA!’ que ela escuta e vem até nós...

— Você seria um ótimo Chapeleiro, Zé Pequeno. – Sam implicou com Lang, pegando o pote de café e empurrando para ele colocar as colheradas dentro da cafeteira.

— Ah, vale... – Scott parou no meio da palavra, percebendo o deboche do colega e lhe lançando um olhar semicerrado. — Espera aí, você está me chamando de louco? Willa? – Ela não respondeu, nem surgiu por sobre o corrimão querendo saber o que houve. — Willa?

— Ela está te ignorando. – Sam murmurou meneando a cabeça negativamente.

— Tem como você saber disso? – Scott questionou maliciando sobre os dons de Fairchild, colocando algumas colheres generosas de café na cafeteira.

— Tem. – Sam instigou enchendo um copo de água, trocando um olhar com um Clint comprimindo um sorriso.

— Como? – Scott questionou com curiosidade.

— Ela te respondeu? – Sam sussurrou misteriosamente, derramando o copo no compartimento de água do aparelho.

— Não. – Lang respondeu unindo as sobrancelhas.

— Então ela está te ignorando. – Com isso ele largou o copo na pia e fechou a tampa da cafeteira, não se importando com os dedos de Lang no meio do caminho e deixando a cozinha e Scott choramingando pela dor, soltando um palavrão num sussurro e recebendo um olhar julgador de Barton.

A avó dele era mais durona do que esse tal de Lang. E avó de Barton estava morta, há décadas.

Willa não foi para o seu quarto. Acabou seguindo o seu instinto, caminhando pelo corredor e sentando na base de madeira da janela, admirando o quintal daquela casa. Tão mal cuidado que podia facilmente ser confundido com o quintal da Família Addams. Hipnotizada pela paisagem, Willa não escutou passos aproximando de seu alcance, então ao erguer os olhos. Steve não precisou falar. Ele conhecia Fairchild. Ela desdobrou as pernas dando espaço para o soldado sentar-se ao seu lado. Com as costas curvada, Rogers manteve a cabeça abaixada e suas mãos unidas num aperto frouxo. Não demorou para Willa repousar sua mão nas suas costas, massageando delicadamente e ao olhá-la, Fairchild o abraçou, encaixando sua cabeça em seu ombro. E assim ficaram por alguns segundos, até que Steve encontrou o ímpeto para prosseguir.

— Sharon falou que Peggy não sofreu... – Steve cortou o silêncio com as suas palavras sussurradas, a tristeza e pesar percorrendo por sua postura, semblante e olhar perdido no espaço.

— Ela estava com a Tia? – Willa questionou comprimindo os lábios ao assisti-lo, alguns segundos depois, menear a cabeça pesado e negativamente.

— Não, mas ela está tratando dos detalhes do enterro e partirá para Londres em algumas horas. – Willa assentiu, compreendo.

Repousando sua mão sobre a dele, Willa entrelaçou os seus dedos com sutileza, apertou carinhosamente buscando lhe confortar.

— Eu vou com você.

— Não precisa, Willa. – Steve não teve coragem de olhá-la nos olhos, ao proferir.

— Não, eu quero. – Tal postura apenas fortificou na decisão de Fairchild.

— Eu sei que você não gosta de igrejas, não quero que você se sinta obrigada... – Steve respondeu e Willa encolheu os ombros, sacudindo a cabeça em negativa.

— Mas eu sou. Você é meu melhor amigo, Steve. – Tais palavras fizeram Steve abaixar sua cabeça, fechando os seus olhos, grato por ter a amizade de Willa. Ele apertou a mão de Willa e lançou-lhe um olhar grato. — Se eu não estiver lá com você, nesse momento, eu estaria traindo a nossa amizade. – Steve inclinou o rosto franzindo o cenho, por não acreditar em sua afirmação, mas ele entendia o ímpeto de sua amiga. — E eu nunca faria isso com você. – Isso não era apenas uma reafirmação de sua amizade e lealdade a Rogers, mas era uma promessa. — Além do mais, Peggy foi uma grande mulher e eu quero poder me despedir dela.

Steve cortou o toque de suas mãos para envolver o seu braço sobre o ombro dela, trazendo-a para perto de si e apertando lhe carinhosamente.

— Você concorda com o Sam, sobre buscar um dialogo com o Ross e Stark agora? – Willa não considerou o momento para falar sobre isso, mas não desconfiou que Rogers buscava ocupar sua mente, para afastar o pesar do luto. Sua amiga o olhou com duvida.

Ela não era uma exceção nesse assunto. Ela entendia sobre perda, com isso sabia que seu amigo precisava viver aquele luto agora ou seria pior superá-lo, no futuro. E ela entendia bem disso, como também entendia sobre momento. Cada um encontrava o seu jeito de entender e superar uma perda. Talvez esse fosse o jeito intimo de Steve de superar e ela, como boa amiga, precisava apenas apoiá-lo e acompanhá-lo em tal trajetória.

— Estou em cima do muro. – Ela confessou encolhendo os ombros. Sinceramente? Ela não tinha analisado profundamente tal assunto, então estava jogando com a sua intuição. – Isso pode ser bom, mas também pode ser a nossa execução. – Steve estava acostumado à sinceridade de Willa. Não era de menos, quando um momento delicado lhe era apresentado, Fairchild sempre era buscada para lhe aconselhar. Ela sempre parecia saber exatamente o que ele precisava ouvir. — Não acho que estejamos em posição de tomar tal decisão agora.

— Eu temo que tenhamos apenas o agora, Willa. – Agora era ela quem se sentiu incapaz de olhá-lo. Eles precisavam de mais tempo. — Eu não sei o que fazer. – Discretamente, Willa lhe lançou um olhar atento. — Não sei como ajudar e manter Bucky a salvo ao mesmo tempo em que mantenho a todos vocês.

Talvez esse fosse o problema.

— Você precisa pensar numa coisa por vez. – Willa sugeriu pensativa. — Você não pode proteger a todos, Steve.

— Eu preciso tentar. – Steve proferiu resoluto, lançando um olhar desconcertante a Willa.

— É, eu sei...— Ela assentiu com suas palavras deixando os seus lábios num suspiro. — Mas uma vez, a um tempinho atrás, você me disse que não podemos salvar todo mundo, nós tentamos, mas isso não quer dizer que vamos conseguir e precisamos estar preparados para essa possibilidade, de perder.

— Está tentando usar as minhas palavras contra mim? – Steve questionou com uma descrença sarcástica.

— Não sou muito boa em discursos, então me deixa tentar. – Steve assentiu e ela respirou fundo, buscando unir tais palavras num argumento com uma moral e não apenas palavras largadas ao vento. – Pietro tinha morrido e eu não conseguia pensar, então após caminhar sem rumo, me encontrei diante do seu quarto. Você era o único que me entenderia. E você me disse isso. Eu fiquei com tanta raiva de você quando me disse aquilo. Eu estava sofrendo e você me diz que era para aceitar a perda e me acomodar com isso. Foi quase como um Boo-hoo você perdeu alguém. Você não é a primeira e nem será a última a passar por isso, Willa.

“De qualquer forma pensar assim não diminuiu a minha dor. Aceitar a perda é pior do que perder. Retornar para a vida e não ter aquela pessoa ali é... devastador. Perder alguém é horrível, mas continuar vivendo é pior ainda. Parece tudo tão errado. E acaba se tornando uma competição de ego, porque você acaba se colocando numa posição questionadora de: porque eu tenho a chance de continuar e ele não? Então eu entendi o que você me disse. E eu me dei conta que não é uma escolha. Nós não saímos com a intenção de salvar uma parcela de pessoas, mas sim saímos só para salvar. É uma escolha. É uma coisa por vez.“

— Uma coisa por vez? – Ela assentiu.

— Pietro escolheu. Ele sabia que ia morrer? Ele escolheu salvá-los? Ele sabia dos riscos para si? Ele não esperava por isso? Isso importa? – Willa olhou para Steve com um sorriso contido e encolheu os ombros, sem saber tal resposta. — Ele morreu, mas ele escolheu o seu caminho. Eu acho, humildemente, que no final, é só isso que importa: as nossas escolhas. Ele escolheu salvá-los. Você escolheu acreditar e proteger Bucky. Nós escolhemos ser contra o registro. Isso importa. Isso é o que faz a nossa história. Se é certo ou errado? Eu não sei. Só sei que uma coisa por vez nos leva a nossa estrada e é isso que importa, não é?

Steve assentiu, compreendo o raciocínio de Willa. Calados, não havia nada para admirar naquele corredor, mas os seus olhos pareciam hipnotizados pela estrutura antiga da casa abandonada.

— Eu peço uma trégua a Stark, por conta do enterro da Peggy. – Steve proferiu batendo os dedos nos ombros de Willa, o que a despertou de seus pensamentos e ela aprumou o corpo, ouvindo-o com atenção. — Logo depois, vou pedir para marcar uma reunião na Sede dos vingadores entre mim e Ross, para discutimos as nossas possibilidades. Clint vai se encontrar com os filhos, Wanda retorna para a sede, Scott para São Francisco e podemos levar Bucky para um dos esconderijos desativados da SHIELD, até falarmos sobre sua situação com Tony. Você pode ficar com Bucky nesse meio tempo, ele apreciaria isso. – Willa sorriu, ela também gostaria e não tinha porque esconder tal sentimento.

— Pode funcionar. – Willa assentiu, pensativa.

— Podemos tentar. – Steve murmurou franzindo o seu cenho. — Vou ligar para o Stark e aproveitar para falar com Sam para conseguir os passaportes, passagens e documentos necessários.

Steve ameaçou levantar, mas Willa segurou o antebraço do amigo e ele travou o seu caminhar, lançando um olhar curioso para a amiga.

Steve

— Eu preciso ocupar a minha mente. – Ela compreendia isso. Ela passou noites cozinhando, meditando ou tocando shamisen para afastar a confusão dos seus pensamentos e sentimentos.

— Eu também. – Ela assentiu com um discreto sorriso e levantou, acompanhando-o naquela caminhada para o térreo. — Eu falo com o Sam e você com o Stark, tudo bem? – Ele assentiu as suas palavras e ela o parou, conectando o seu olhar e sem precisar de palavras, ela o enlaçou em seus braços, abraçando-o afetuosamente. — Eu sinto muito, Steve.

Eu realmente sinto.

Notas finais
Oh, Peggy :(