Born to Die | Exile
5 Born to Die | Harvest Moon
Notas iniciais
H A R V E S T M O O N
Faixa Oito: Harvest Moon (Neil Young) — A mix from Pietro Maximoff
When we were strangers/I watched you from afar/When we were lovers/I loved you with all my heart.
But now it's gettin' late/And the moon is climbin' high/I want to celebrate/See it shinin' in your eye.
Because I'm still in love with you/I want to see you dance again/Because I'm still in love with you/On this harvest moon.
Pietro Maximoff.
Quando Willa pensa nele, pequenos detalhes vem em sua mente. Seu cabelo branco-acinzentado sempre bagunçado, seu sorriso torto, sua risada espontânea e adorável de ser ouvida, o som produzido pela sua super agilidade era quase um sininho anunciando a sua chegada, sua voz rouca com forte sotaque, e é claro o jeito que os seus olhos azuis admiravam Fairchild. Sempre desconcertante, sempre lhe deixando sem palavras, sempre lhe fazendo desejar saber o que ela pensava quando lhe olhava assim, mas ao mesmo tempo não querendo saber, para sempre ter aquele olhar sobre si lhe surpreendendo.
O para sempre não aconteceu. O presente sim.
E o passado eram as lembranças.
Ela recordava bem de como o conheceu.
Sokovia.
Ela sentiu uma presença no seu perímetro, entre as árvores, talvez aguardando só um breve instante de sua distração para lhe acertar. Quando ela escutou o Capitão soltar um silvo, ao ser arremessado no ar por uma força desconhecida e rápida demais para a sua percepção, ela sabia que seria a próxima. Willa pegou a adaga amarrada no coldre de sua perna e pronta para atacar, o que quer que aquilo fosse ela foi surpreendida – e isso era algo ao qual, ela definitivamente não estava acostumada, e muito menos se sentia confortável em tal situação. Havia primeira vez para tudo, certo?
Willa não tinha ideia do que diabos era aquilo. Não era uma brisa, pois tinha forma, riscos tão ágeis quanto à brisa em resquícios azuis acinzentados como faísca no ar e era ágil – muito ágil. E também forte. Talvez a velocidade ajudasse nisso ou Willa era leve mesmo, como tanto Steve implicava. Quem estava por trás daquilo era desajeitado, não tinha prática alguma e parecia estar apenas curtindo o momento, curtindo até demais.
Ele segurou o braço de Willa, rodopiou ela diretamente para os seus braços e olhou para o seu rosto e por conta da agilidade, ela lhe viu desfocado, então ele a girou num mortal, arrancando a adaga de sua posse e ganhando distância, novamente com ajuda de sua agilidade, enquanto aos seus olhos a mulher desabava maciamente sobre a neve. Para Willa, foi rápido, pesado e muito, muito frio. Ela escutou o zunido parar e passos macios vibrarem contra a neve em sua direção. Ele brincava com adaga entre os seus dedos. Ela ergueu a cabeça com um olhar de poucos amigos sob a figura do rapaz corpulento, com olhos azuis profundos e cabelos brancos bagunçados, ele sorriu. Os seus olhos admiraram o rosto de Willa por alguns breves instantes hipnotizados com um sorriso charmoso crescendo em seus lábios.
— Oh, ești frumoasă! (Oh, você é linda!)— Talvez tivesse sido a enorme interrogação no semblante de Willa que despertará o rapaz de seu transe. — Desculpe meu péssimo inglês e mau jeito, estou com um pouquinho de pressa, sabe, mas... – Ele aprumou os passos, como quem voltaria a correr a qualquer instante. Ele inclinou a cabeça, assistindo Willa buscar ficar de pé com dificuldade por conta de toda aquela neve tentando afundá-la e congelá-la e aumentou o seu sorriso charmoso admirando o esforço da charmosa mulher. — Você quer sair para almoçar qualquer dia desses?
É, ele convidou ela para sair no primeiro encontro deles. Quando eles eram inimigos. Suave, não é? É claro que Willa tentou agarrar a canela dele e derrubá-lo, mas antes que ela conseguisse se quer segurar a bainha de suas calças, ele sumiu. Frustrante. Mais frustrante ainda ela ter achado ele irresistivelmente sedutor. O que ela podia fazer? Não é porquê o cara estava do outro lado da força que ela ignoraria sua beleza. Não se prendeu a isso. Precisava recuperar sua adaga perdida na neve, aquecer sua pele tocada pela neve, reagrupar com Steve, recuperando da queda a alguns metros dali e lhe dar cobertura para invadir a Base de Strucker.
Uma base revirada e desligada. Vários agentes da Hidra mortos, Clint ferido. Strucker escapou e os Vingadores descobriram da existência dos gêmeos, humanos geneticamente aprimorados com auxílio dos fantástico (sentiu o sarcasmo?) cientistas da Hidra. Aquele foi um dia daqueles! E não estava nem longe de terminar…
Ultron. Até agora, ele era de longe, o pior dos inimigos enfrentados pelos Vingadores. A ameaça constante da Hidra não era nada em comparação aos estragos causados por uma máquina impulsiva, ilimitada, assassina e profundamente parecida com o seu criador, Anthony Stark. Essa foi de longe a pior ideia de Tony. Até agora. Uma mistura não apenas perigosa, mas assustadora. Para piorar um pouquinho o enredo, Ultron não apenas era forte com uma tecnologia semelhante ao Homem de Ferro, como (prepare-se) roubou parte da base estrutural do J.A.R.V.I.S, a inteligência artificial criada por Stark – que não era apenas ilimitada, como conectada a internet tendo informação de basicamente tudo sobre os Vingadores, a S.H.I.E.L.D, Hidra e sei lá, tudo e qualquer coisa sobre o mundo e universo. É claro que Ultron tinha uma limitação: um corpo decadente. Um robô de tecnologia de ponta precisava de um corpo condizente com sua magnitude, logo ele buscou pelo mais resistente e potente aço no mercado mundial para construir o seu receptáculo: o raro, poderoso e fantástico Vibranium, o mesmo aço utilizado no escudo do Capitão América. A sua fonte se encontra no pequeno país de Wakanda, África e para lá os Vingadores partiram e mal sabiam que lá não encontrariam apenas Ultron, como os gêmeos.
Foi ali que tudo mudou.
Enquanto Steve, Thor e Tony foram em busca de conter Ultron antes dele conseguir o Vibranium, eles foram surpreendidos com a presença dos gêmeos e um embate foi iniciado. Willa, como Barton, apreciava trabalhar nas sombras. Enquanto ele mantinha-se no topo, escondido, Willa descia pelos andares, derrubando o máximo de trabalhadores revoltados com a invasão, silenciosa e rapidamente, uma de suas tantas qualidades como ninja. Barton manteve sua presença escondida por entre as sombras e estava um pouco a oeste, com flechas prontas para atirar nos inimigos. Agora no alcance dos olhos de Ultron e os gêmeos, Willa estava camuflada nas sombras passando rapidamente para conseguir alcançar um lugar em comum para ajudar o Capitão e companhia, mas teve que mudar de estratégia ao sentir os olhos de Wanda sobre si. No mínimo instante em que ela quebrou o contato dos seus olhos verdes sobre a ninja, evitando atrair a atenção dos trabalhadores e do trio inimigo, Willa deixou as agarras da parede e entrou para os corredores, escondendo-se atrás dos pilares assistindo cuidadosa como tudo desenrolava.
Quando o embate iniciou, Willa olhou para Barton e ele há encontrou um pouco abaixo de seu esconderijo; ela fez um sinal para ele manter-se ali e saltou para o andar abaixo de si para ajudar Natasha contra alguns seguranças. Nesse tipo de embate, Willa raramente usava armas. Seus golpes com as pernas e punhos eram menos evasivos, não matariam o inimigo se ela não desejasse e funcionavam com maior eficácia quando usados na defensiva. Com os trabalhadores contidos, Natasha partiu para auxiliar Barton e Willa conferiu a situação no andar térreo e não era nada bom. Steve tinha sido golpeado, Tony estava num embate perigoso com Ultron e Thor mirou seu martelo no raio azulado cruzando o corredor à frente aonde Willa estava.
Por um breve instante, Fairchild foi drenada para um mundo paralelo, onde o universo estava em câmera lenta em seu perímetro e os seus olhos assistiram o mundo funcionar peça por peça, como um enorme relógio e Pietro lhe acompanhava nesse momento. Pietro admirava Willa com um sorriso abobado e ela encontrava-se sem palavras. Ele estava fazendo isso ou ela estava sentindo isso? O martelo de Thor, mirado em Pietro errou por milímetros e Maximoff ergueu as sobrancelhas com um sorriso charmoso crescendo no canto dos lábios com uma ideia brotando em sua mente (uma péssima ideia, vale comentar), então estendeu a mão e agarrou o martelo com um sorriso presunçoso e cheio de pomposidade, olhando para Fairchild com a veemente intenção de se amostrar, e acabando por ser arremessado contra a parede, a considerados quilômetros por hora. Willa soprou a franja para longe do rosto, revirando os olhos.
É, ele não era um dos dignos.
Nem ela era. Wanda aproveitou a distração de Willa e invadiu a sua mente, despertando a memória do seu maior medo e lhe colocando num transe psicótico, acompanhada de Steve, Thor e em breve, Natasha. Infelizmente, tal lembrança de Willa desestruturou Wanda, ela não esperava por tais memórias; ela não esperava por esse desejo por sangue compulsivo e animalesco de Fairchild; eram muito para a Maximoff suportar sozinha, um desejo incontestável por vingança, tanta dor, tantos conflitos, tantas perdas, tanto sangue. A dor dominando Wanda lhe fez gritar e precisar do apoio de Pietro e por um instante, ele se questionou o que a jovem loira dos Vingadores poderia guardar como segredo a ponto de invadir as barreiras impenetráveis de sua irmã.
Willa nunca teve tanto medo do que o seu medo podia retornar para assombrá-la. Os detalhes da morte de sua família quando ela só tinha 11 anos, como ela precisou escapar do tráfico infantil, viver numa floresta selvagem por meses na China, sobreviver com o que tinha: um arco improvisado e frutas, matar e encontrar um lar após ficar sem saída e ter de subir a maior e mais perigosa montanha da China, acabou descobrindo do outro lado A Casta. Eles lhe acolheram, ela era destinada a encontrar o templo, lhe deram um lar, lhe deram comida, lhe ensinaram idiomas, lhe ensinaram estudos sociais e números, lhe ensinaram mais de 12 artes marciais, incluindo o Kung Fu e a habilidade e maestria na Katana, lhe moldaram, lhe transformaram numa mercenária, Stone lhe levou para o Japão, onde ela estudou, viveu e foi sua segurança pessoal por alguns anos. Stone descobriu nela um dom ancestral que apenas ele possuía por quase um milênio e agora não estava sozinho ao carregar o peso de tal poder sobre suas costas: o dom da cura.
Uma porção da sua vida e o amor do ente querido do falecido e o resto seria concedido pelo equilíbrio entre o bem e o mal. Se o espírito do falecido ainda tiver um dever a cumprir na terra e os espíritos permitirem, o falecido receberá a permissão de retornar. Mas há consequências, para quem administra tal dom. Há morte rondará o portador de tal poder, até o seu último suspiro.
A Casta lhe deu um uniforme vermelho para os inimigos nunca lhe verem sangrar e eles lhe fizeram matar, até um dia, ela ter encontrado um motivo para dizer não e escolher a sua estrada.
Ela foi um monstro pelo seu clã, mas agora esse monstro optou por seguir pelas sombras, em busca de sua maneira de encontrar a luz.
Aquela foi a pior das missões. Estar no jato era sufocante, sem paradeiro, sem uma solução e muitos passos atrás de Ultron. Até mesmo para Willa acostumada e adoradora do silêncio, ela tinha a sensação de conseguir ouvir o conflito se abrigar no coração acelerado e destruído de cada um dos seus amigos e sufocá-los lentamente com suas lembranças, o que estava apenas atenuando suas próprias dores, e ficar ao lado de Barton, o único que não foi afetado pela Bruxa, lhe proporcionou uma tranquilidade e paz muito ansiada.
Tudo mudou naquele dia, para os Vingadores e os Maximoff.
A fazenda da família Barton foi um refúgio para eles recomporem suas energias e descansarem por algumas horas. Eles precisavam de uma nova estratégia contra Ultron; contenção não resultou como eles esperavam, então agora eles necessitavam de uma nova direção e ela os levou direto ao laboratório da Doutora Cho. Se Ultron pensava em evoluir, ela seria a sua escolha para tornar isso uma realidade.
Steve quis levar Willa, Natasha e Barton nessa pequena missão, enquanto Tony retornou para a torre com Bruce, e Thor continuava trovejando por aí em algum lugar do mundo a procura de suas respostas e Nick desapareceria – de novo.
Ultron não apenas buscava evoluir, como também criar semelhantes a si. Isso estava começando a soar demais com o prenuncio de um Apocalipse bíblico do que só com um lunático com poder demais e alguns pupilos. Aí estava, ele perdera os pupilos. Em algum momento dessa travessia os Maximoff desistiram de ajudar Ultron. Eles viram o tão distorcido, errado e cruel ele era e cortaram vínculos com ele. O problema era: eles sabiam demais e Ultron faria algo conta a isso, como eles também deveriam tomar uma decisão: ajudar os Vingadores ou desaparecerem no mundo, com o peso em suas consciências por saberem tanto e optaram pelo silêncio?
Foi quando Willa apareceu no centro da avenida movimentada. Melhor: Por algum motivo, Willa foi arremessada por um dos robôs de Ultron, para fora do caminhão. Por sorte, Steve conseguiu manter-se lá dentro e Natasha ia a seu auxílio numa moto, passando voada por Fairchild gritando um maroto ‘BI BI’ a ela. Agora Willa estava rolando pelo asfalto entre os carros frearam bruscamente, evitando atingi-la e ela mesma evitava um impacto. Ao para, Willa sentiu as costelas e as costas doerem e escutando os civis comentando naquele idioma desconhecido, sobre o que diabos estava acontecendo e se ela estava viva, provavelmente aquele era o inicio do caos. Então Willa abriu os olhos e assistiu dois corpos ganharem o seu campo de visão e ela ergueu a cabeça, deparando-se com os gêmeos Maximoff.
— Ah, qual é! – Ela se pôs de pé num rápido movimento, encarando os irmãos, pronta para o ataque e o que eles estivessem a planejar contra ela. — Não consigo ter uma trégua aqui
— Não viemos brrigar. – Wanda revelou gesticulando com a intenção de acalmar a vingadora que lhe olhou bem descrente e Pietro trocou um olhar preocupado e protetor com a irmã. – Não estamos mais com ele.
— Eu posso parecer uma loira burra e boba, mas é só parecer mesmo. – Willa rebateu, aliviando a tensão em seus ombros, atenta a qualquer movimento suspeito dos irmãos e no perímetro. — Então podem ir cortando com esse joguinho e mandar os robôs virem tentar arrancar minha cabeça.
— Não é burra, nem boba, mas definitivamente é bem desconfiada. – Pietro rebateu arqueando as sobrancelhas com um olhar malicioso sobre Willa.
— Olha só, rapidinho... – Ela estava pronta para respondê-lo, levantando seu indicador em riste para um Pietro com um sorriso crispado em seus lábios.
— Pietro, não começa uma de suas conquistas agora. – Wanda ralhou com o irmão e ele apenas lhe lançou um olhar frustrado, retornando um olhar analisador a avenida movimentada, repousando as mãos na cintura. — Não é nada disso. Acrredite. – Wanda pediu, gesticulando com delicadeza e um olhar desesperado sobre Fairchild. Ela não lhe negou atenção, principalmente por ouvir o seu coração corresponder com a sua postura. — Ultrron está planejando fazer algo que irá destruir a tudo e a todos. – Ela estava falando a verdade. — Ele preecisa ser parado agora.
— Do que vocês estão falando exatamente? – Willa cortou o espaço entre eles, ligando o canal do seu comunicador, assim permitindo que Natasha e Steve pudessem escutar.
— Ele tem uma espécie de receptáculo dentro daquele caminhão, está numa caixa e ele pretende transferir-se para ele, quando ele fizerr isso, ele estará a um passo de destrruirr o nosso mundo. – Wanda explicou e Willa não conseguiu esconder o seu assombro. Aquilo lhe soava tanto como o enredo de um futuro filme de Star Trek, mas para Wanda, era apenas um dia normal em seu mundo.
— Ouviu isso, Nat? – Willa grunhiu para o seu comunicador, recebendo um olhar de Pietro que arqueou as sobrancelhas, trocando um rápido olhar com Wanda. Seria legal eles terem comunicadores assim, não é?
— Cada palavra. – A agente russa respondeu com o que parecia ser um suspiro contido de frustração e cansaço.
— Onde vocês estão? – Willa questionou, caminhando para atrás, seguindo a trajetória antes feitas pelo caminhão e em seus encalços, os Maximoff lhe seguiram, o que fez Willa se sentir subitamente importante.
— Eu não sei onde Steve está, mas posso te garantir que eu estou cada vez mais perto de Deus. – Natasha disse com sarcasmo e por alguns instantes, Willa achou que era alguma piada interna da russa com ela mesma, mas então Fairchild ouviu o som de propulsores ecoarem a distância e ao seguir o som, ela assistiu a carga do caminhão ser erguida e carregada pelos robôs de Ultron através do céu em alta velocidade.
— Me fala que você não está dentro desse caminhão. – Willa murmurou com preocupação para amiga, passando por entre as pessoas e apertando os seus passos numa corrida apressada por sobre a calçada.
— Não estou dentro desse caminhão. – Natasha respondeu com gracejo e Willa revirou os olhos, grunhindo.
— Odeio quando você mente para mim. – Ela parou de correr, assistindo o quinjet guiado por Clint cortar os céus em direção da carga carregada pelos robôs de ultron. Soltando um suspiro pesado, Willa olhou do céu para a pista, em busca de algum sinal do Capitão América, e então fixou seus olhos em Wanda e Pietro. — Tá, você está com a coisa,o tal receptáculo, certo?
— Sim, só preciso dar um jeito de tirar daqui e... Steve, você está aí? – Natasha respondeu com uma tranquilidade que Willa por um instante, acreditou que elas estavam combinando em que bar elas curtiriam aquela noite.
— Sim. – Steve respondeu sem um pingo de paciência.
— Preciso que continue distraindo o Ultron. – Natasha reafirmou e Willa abriu os lábios, meneando a cabeça negativamente. Será que eles se esqueceram que ela estava ali? De novo?
— E o que você acha que estou fazendo. – Steve rosnou e o som de algo metálico despedaçando o que parecia ser ferro, fez Willa arrancar o comunicador, incomodada com o som estridente. Malditos sentidos aguçados!
— Menos deboche e mais ação. – Ela resmungou diretamente para o Capitão. — Onde você está, Rogers?
— Estação de trem, vai ser fácil nos achar. – O som de um baque, provavelmente produzido pelo escudo do Capitão contra algum robô ecoou através do comunicador e Willa decidiu que não era apenas mais fácil chegar até ele, como aparentemente, ele era quem mais precisava de sua ajuda. Agora, ela só precisava solucionar um pequeno porém:
— Tá, como diabos vou saber onde fica a maldita estação de trem dessa cidade? – Ela gesticulou urgente e evidentemente nervosa. Não é como se ela pudesse sacar um mapa de seu cinto de utilidades e pedir para Steve esperar por ela naquela briguinha marota com robôs assassinos.
— Algumas quadras daqui! – Gritou uma mulher no meio da multidão com pouco domínio do seu inglês, mas Willa ficou muito grata pela sua ajuda.
— Ah, valeu, moça. – Willa agradeceu dando uma piscadela diretamente para a senhora e ela quase teve um pequeno colapso, primeiro uma vingadora acabara de falar com ela e segundo, ela estava no meio da multidão, como A ninja sabia exatamente que ela tinha dito aquilo? Sinistro e muito maneiro. Então, Willa foi, novamente surpreendida e soltou um gritinho ao ser pega inesperadamente no colo, firme e apertado nos braços por Pietro. — Ei, o que você está fazendo? – Ela ralhou, lutando contra a sua posse.
— Você preecisa de uma carrona. Eu sou sua carrona. – Pietro respondeu com seu charme implacável e Wanda revirou os olhos, pensando na possibilidade de derrubar o irmão do seu pedestal de egocentrismo.- Fecha os olhos e aproveita a viagem. – Willa parecia profundamente contra aquilo, mas entre discutir com Pietro e ajudar o quanto antes Steve, ela resolveu ficar com o segundo e confiar em Pietro. O pior que podia acontecer seria... — E aí, gostou? – Willa gargalhou, abrindo os olhos arregalados e um sorriso espontâneo. Aquilo foi...
— IRADO! – Ela gritou sendo ajudada por Maximoff a ficar de pé dentro do vagão de trem, por um instante, ela esqueceu completamente o porque de estar ali e ficou admirando Pietro, o arredor, olhando o relógio e ficando mais absurdamente surpresa vendo que não demoraram nem segundos para chegar ali.
— Posso te mostrrar outras coisas irradas. – Ela rebateu com aquele sorriso de lado, cortando o espaço entre eles e o vagão deu um solavanco ameaçador e Fairchild lembrou do seu dever ali.
— É, talvez, Speedy. – Ela respondeu com uma similar malícia, então arqueou as sobrancelhas, mordendo os lábios. — Não agora. – Ela finalizou, batendo no ombro dele, apontando para trás. — Agora, vá buscar a sua irmã. – Decidida, ela virou para norte, retirando os seus sais do coldre da cintura e seguindo os seus sentidos diretamente para o vagão onde o embate entre os robôs e Steve se encontravam. — Temos uns robôs para matar.
— Que mulherr! – Pietro exclamou com um sorriso encantado admirando Fairchild partir com o seu rebolado e caminhar sedutor. Trocando um olhar com uma dupla de passageiros, ele assentiu com um belo sorriso orgulhoso. – Minha futura namorada, ela não é fantástica?
Pietro era assim. Ele não vivia o presente, ele vivia o mundo inteiro num segundo.
Ele era unicamente imparavel e ele quase esqueceu, por um instante, dos robôs assassinos e de sua irmã, provavelmente resmungando em frustração esperando por ele e sua carona. Revirando os olhos, ele correu dali, pronto para lutar contra alguns robôs malignos ao lado de sua irmã, a ninja e o Capitão América.
A luta dentro do vagão poderia ter terminado num caos com proporções inimagináveis se não fosse à ajuda de Wanda e Pietro. O vagão perdeu o controle, derrapando pela pista e levando consigo tudo o que tinha em seu caminho. Dentro do transporte, Steve e Willa buscaram agarrar-se no que sobrava de barras. Pietro era pro ativo, não perdeu um milésimo se quer e partiu pelas ruas, retirando pedestres desatentos salvando-os de serem atropelados por um trem incontrolável por questão de segundos, enquanto isso dentro do vagão o Capitão ajudava Wanda a se sentir segura com seus dons e ajudá-los na cotenção do veículo, já Willa pensava num plano B para caso esse plano fosse pelos ares — literalmente.
Com determinação, Wanda opta por ajudá-los e consegue conter o vagão. Steve buscou proteção, próximo a Willa, estendendo o escudo a sua frente, protetoramente. Eles assistiram o vagão ficar cada vez mais próximo da parede de concreto do prédio e pouco a pouco seus movimentos serem contidos até pararem. A gratidão pela ajuda era ilimitada.
Wanda não mediu esforços em buscar pelo seu irmão, claramente cansado, mas ambos dividiam de um sentimento: orgulho. Era bom poder utilizar dos seus dons para algo puramente, bom. Após tal feito, Steve troca um olhar com Willa e ela entendeu tudo. Ela estalou os dedos arqueando as sobrancelhas, sabendo muito bem como aquilo terminaria: com Steve recrutando aqueles jovens para ajudarem eles naquela batalha contra Ultron. Ele conversa com os Maximoff, sobre acompanhá-los para a Torre no quinjet e assim, explicar aos outros o significado por trás do receptáculo e o plano de Ultron, e é claro para lhes conferir proteção. Sem titubearem, os irmãos trocam um singelo olhar e aceitam a proposta. Ao chegarem no quinjet, Clint conta ao Capitão e a Ninja que Natasha foi capturada por Ultron e por um instante, o desamparo caiu por sobre os ombros da dupla.
Wanda e Pietro assistiram a importância de Natasha para o time. Clint tentava se manter forte, mas era evidente em sua postura o quanto ele estava lutando para não dar meia volta e ir atrás daquela lata velha feita de vibranium. Steve recebeu o baque com clara preocupação, todavia tal sentimento não perdurou e ele imediatamente buscou por consolar Willa.
Ela parecia prestes a cometer uma insanidade pela amiga, mas Steve interveio, lembrando-a que eles não podiam fazer muito por Natasha sem ter uma pista concreta e Fairchild precisava recordar-se de algo muito importante: Natasha era capaz de aguentar aquilo. Com um aperto em seu ombro, Steve lhe confortou. Ele também estava preocupado com Natasha, mas ele não esteve lá por ela, então precisava conferir segurança a quem estava sob seu alcance. Willa compreendia isso, todavia não diminuía a sua preocupação pela russa, mas ela precisava concordar: Steve tinha razão sobre isso.
No quinjet era muito fácil encontrar Willa.
Havia uma área pouco movimentada, próximo ao estibordo e ela sempre era encontrada empoleirada num acolchoado próximo a uma janela enorme com imagem panorâmica para o céu, e lá era onde se isolava após as missões, não importando o tão fácil ou difícil elas podiam ter sido: a californiana era encontrada ali em transe escutando música em seu telefone, meditando ou apenas, admirando a paisagem. As vezes tinha a companhia de Natasha, mas a sua companhia comum era (e sempre fora) a solidão. E lá estava Willa sentada como Buda com um olhar melancólico para os céus, escutando suas músicas.
E então, sempre adornado de sua velocidade, Pietro sentou no lugar vago em frente de Willa, pesado e confortavelmente e olhou zeloso para ela e milésimos antes de ter seu olhar capturado por Fairchild, ele acabou por admirar a paisagem através da janela com um sorriso encantador. Willa arqueou uma sobrancelha se encontrando curiosa com tal olhar do rapaz de Sokovia e retirando os seus fones de seus ouvidos, Maximoff entendeu isso como um convite.
— Então é assim, ser um vingador? – Pietro perguntou com um misterioso brilho em seu olhar, hipnotizado pela bela paisagem. Mesmo diante das circunstâncias, ele não conseguia esconder o seu deslumbre por estar viajando numa aeronave pela primeira vez. Não era nem de longe tão incrível como o seu dom, mas era particularmente, fascinante.
— Mais ou menos. – Willa respondeu com um sorriso simpático dobrando um dos seus joelhos e abraçando com os seus braços, percebendo que seus pés formigavam e o seu corpo gritava por uma nova posição confortável. — Tem dias melhores, tem dias piores.
— E hoje é…? – Pietro questionou com um olhar curioso sobre Willa, notando detalhes de seu rosto que antes, passaram despercebidos de seus olhos e ele sorriu, percebendo que a expressividade de Fairchild era algo recorrente e divertido de assistir.
— Está no meio.
— Vocês vão encontrar a sua colega. – Pietro não conhecia Natasha, mas não deixou de reparar que ela era importante para Willa. Sua empatia foi recebida por ela com um belo e contido sorriso. — Vocês conseguiram encontrar essa coisa, vocês podem fazer qualquer coisa. – Ele se referia ao receptáculo e Willa anuiu, concordando com o seu ponto de vista. Modestamente, eles eram meio incríveis mesmo.
— Vocês também. – Pietro sorriu, arqueando uma sobrancelha. Então, ela também reparou nele? Reciprocidade tornava tudo mais fácil e interessante. — O Steve tem razão. Vocês serão muito bem vindos à equipe, é claro se for do interesse de vocês salvar o mundo... – Pietro semicerrou os olhos, repousando o indicador no queixo ele optou por ficar mudo, apenas assistindo Willa ficar subitamente embaraçada com o seu olhar. Sem receber uma resposta imediata, Willa deu de ombros, atenta em como os fios de seu fone estavam emaranhados e ela buscava consertá-los. — Mas se preferirem ficar de um lado para o outro no mundo, correndo alopradamente e derrubando garotas bonitas no meio da neve, é a sua escolha.
— Então você fala Sokoviano? – Pietro desmanchou-se num sorriso charmoso, recebendo a revelação (e confissão) de Willa de ter compreendido o que ele lhe dissera em seu primeiro encontro na Sokovia. E pelo modo que ela dissera aquilo, com as bochechas corando num rosinha discreto e seus olhos girando num descaso fingido, ela havia apreciado e muito a sua investida.
— Não. – Ela resmungou com um bico em seus lábios, olhando de Pietro para o seu fone que, parecia a cada novo minuto, mais embaralhado. — Natasha fala russo e um pouco de Sokoviano, e ela me ensinou um pouquinho, por conta dessa missão na base da Hidra.
— N-am mințit (Eu não menti).— Pietro empertigou um pouquinho o seu corpo, inclinando o seu rosto conseguindo assim, conectar os seus olhos no belo olhar azul perolado de Fairchild.
— Sobre? – Ela respondeu mal movimentando os lábios e ele levantou as sobrancelhas, mostrando admiração por ela compreender suas palavras.
— Esti frumoasa (Você é linda).
— Não preciso que me diga isso. – Willa revirou os olhos sussurrando tal declaração com um sorriso conhecido. — Eu tenho conhecimento disso, me admiro no espelho por alguns anos.
— Ca vocea lui este frumos (Como sua voz é bonita).
— Eu só entendi o bonita. – Ela revelou com uma gargalhada nervosa e uma careta em seus lábios e Pietro se aproximou um pouco mais de Willa, o que fez a sua pele eriçar, como uma felina e os seus olhos arregalarem surpreendida com o seu charmoso sorriso e olhar puramente fascinado por si.
— Și tu ești adorabil când ești confuz (E você é adorável quando está confusa). – Era difícil conseguir deixar Willa sem palavras ou até mesmo, encabulada, Pietro conseguiu ambos e arrancar-lhe o ar com suas palavras, em apenas alguns segundos. Ela podia não ter entendido uma palavra se quer proferida por ele, mas o seu coração, ah o seu coração entendeu tudinho, só por conta do olhar de Pietro sobre si. — Chiar vreau să te sărut acum (Eu realmente quero te beijar agora).
— Essa gerringonça tem um quarrto? – Nem Willa com todo o domínio sobre os seus sentidos aguçados ou Pietro perceberam a presença de Wanda no corredor. Sua intenção era procurar pelo irmão, e ela até ia deixar aquele instante entre ele e a americana passarem, mas ao ler a mente do irmão, ela não resistiu. — Esses dois precisam de um urrgente. – Se fosse com ela, ele faria o mesmo (e talvez até pior). E com isso, ela sentou-se não muito distante deles, com um sorriso convencido.
— Que? – Steve virou o seu pescoço tão rápido para Willa que ela jurava ter escutado os ossos do Capitão estalarem desagradavelmente com tal movimento brusco. O olhar de Rogers sobre ela e Pietro não era muito diferente ao de uma águia sobre a presa intrusa bicando em seu território. E Pietro era ela. — Eu estou super Anos 40 aqui, Rogers. – Willa explicou jocosa, olhando para um Steve evidentemente preocupado com as intenções de Pietro com sua amiga, e muito contrariado, ele confiou no julgamento dela. Clint, por outro lado, apenas revirou os olhos, ainda com ranço do garoto de cabelos brancos.
— Seu irmão, ele parece bem incomodado. – Pietro apontou para Rogers, afastando-se de Willa lentamente, recostando-se com conforto na parede, mas deixando o seu joelho roçar na perna dobrada de Willa.
— Quem? Steve? – Willa apontou para trás com uma gargalhada frouxa. — Ele não é meu irmão. Imagina, eu, irmã do Capitão America? Seria muita sorte para uma garota só!
— Ah, desculpe. Seu namorado? – Ela negou fazendo uma careta. – Ex? – Ela negou com maior veemência e lançando um estranho olhar para Pietro. — Então ele só é ciumento gratuitamente? – Pietro debochou e Willa sustentou, anuindo com as sobrancelhas levemente erguidas.
— Tipo isso.
— Entendo ele. – Pietro respondeu com profundidade, Willa não o conhecia para compreender os seus sentimentos por trás daquela declaração. Perdendo o seu olhar sobre Willa momentaneamente e por um instante, ela encontrou-se desconcertada pela emoção por trás daquele olhar, então, ele deu um dos mais puros e sinceros sorrisos aos quais Fairchild teve o prazer de assistir nascer, e assim Maximoff deixou os seus olhos viajar pela paisagem infinita através da janela e ela sorriu discretamente, acompanhando-o silenciosamente em tal viagem silenciosa.
Na torre, a situação de caos encontrada conseguiu ser pior do que nas ruas. Steve e Willa tinham notícias demais para pouco tempo para reações. Com Natasha desaparecida, Clint não perdeu um segundo para buscar qualquer sinal dela, enquanto isso eles pontuaram o que aconteceu em Oslo e não demorou para Wanda e Pietro se revelarem das sombras. Tony quase trucidou a dupla por terem levado os ‘inimigos’ para dentro do QG dos Vingadores. Eles não aprenderam nada com Loki na S.H.I.E.L.D.? Falando no Deus da trapaça, antes que o grupo conseguisse entrar em acordo sobre o que deveria ser feito quanto ao receptáculo. Wanda e Pietro estavam com Willa e Steve: o receptáculo precisava ser destruído. Bruce e Tony queriam dar uma tentativa. Clint queria apenas esquentar sua rixa com Pietro, e quando o caos iniciou pela disputa de opiniões, Barton encontrou o momento ideal para ter o seu embate. E tudo foi resolvido graças a Thor. Ele despertou o receptáculo. Visão. Num resumo? Ele não iria trazer o caos ao mundo, pois ele tinha uma lasca das pedras dos infinitos. O receptáculo não apenas levitava, como voava e pensava, graças ao sistema de inteligência do J.A.R.V.I.S. Ele não era Ultron, ele não era uma maquina, muito menos J.A.R.V.I.S., ele era Visão.
De acordo com Thor, ele podia estar errado quanto a tal decisão, mas se Visão possuía aquela pedra, ele era digno e merecia comprovar isso. E ele o fez, quando pegou o mjolnir. É, o mjolnir, ao qual apenas Thor ou quem for digno pode erguer.
Todos ficaram embasbacados com tal cena, até Thor, exceto Willa. Ela arregalou os olhos, gesticulando com fascínio para aquilo.
Willa sempre deixou bem claro não compreender o mundo de Thor, mas por um instante, o misticismo do seu mundo colidiu com o do Príncipe de Asgard e ela compreendeu, não conseguindo negar ao pedido de conferirem uma chance a Visão.
Com isso, Steve não se reprimiu e chamou Visão para conversarem, ele gostaria de compreender o que Visão tinha como noção no mundo e qual seria o seu papel naquela batalha contra Ultron. Sem ter muita escolha, Tony convidou os Maximoff para se sentirem em casa e levou-os para um tour pela torre, enquanto Barton retornou a sua pesquisa. Fairchild ofereceu para ajudar, mas o agente negou, revelando ter tudo sobre controle. A qualquer instante ele poderia conseguir um sinal, então eles precisavam apenas estar em alerta. Por sua vez, Banner anuiu às palavras de Clint, mostrando também ter interesse em ajudar, mas respeitando a decisão do amigo. Assim, ele concentrou em coletar informações sobre o casulo onde Visão havia nascido e Willa optou por preparar o jantar. Se havia algo que todos ali eventualmente precisariam isso seria comida. Em algum momento, Tony juntou-se a ela lhe conferindo ajuda no preparo do jantar. Contou alguns detalhes sobre o seu tour com os Maximoff, como ele se sentia mal por algumas escolhas do passado, escolhas feitas sem pensar em suas consequências aos outros. Um pouco desconcertado com suas emoções reveladas, ele focou em mexer um molho saboroso ao qual Willa estava temperando e mudou de assunto, revelando ter colocado os Maximoff num andar onde eles poderiam ficar a vontade com um espaço só para eles, entretanto ele não negou ter desconfianças de suas ações. Tal atitude não era nem um pouco inesperada de Stark e Willa sorriu de lado, percebendo que algumas coisas, não mudavam nunca – e isso era bom.
Stark instalou um novo sistema de inteligência chamada de F.R.I.D.A.Y. e Willa estreou, pedindo para ela anunciar para os moradores que o jantar estava servido na sala de jantar principal e quem desejasse, era só ir para lá. Fairchild se serviu com pouca comida, não sentia fome alguma, mas não queria ficar sem se alimentar. Stark foi mais generoso que ela e também com o seu conhaque. Sentados lado a lado, Tony e Willa escutaram o eco anunciar a aproximação de Steve conversando com alguém, que revelaram serem os Maximoff e Visão. Rogers buscou fazê-los se sentir a vontade, recomendando que eles comessem a vontade e elogiou os dotes culinários de Willa.
— Ela queima o fogão uma vez ou outra, o que traz a brigada de bombeiros aqui nos horários mais inesperados? Sim, mas... – Tony implicou sarcástico e Willa deu um soquinho em seu ombro, semicerrando seus olhos para o bilionário implicante.
Os Maximoff partiram para a cozinha para servirem-se; Pietro não sendo tímido em usar sua agilidade e preparar um formidável prato para si e a sua irmã, não demorando em repousar os pratos a mesa, ao lado de Steve e frente à Stark e Fairchild. Steve sentou-se a frente de Tony e mostrando nenhuma surpresa com os Maximoff já se juntando a eles. Beliscando um pedaço de pão, o Capitão trocou um olhar preocupado com Willa, profundamente exausto por aquele dia. Pobre Steve! Ele carregava o mundo nas costas e as vezes, ela queria poder dividir tal peso com ele. Willa deu uma piscadela para ele, buscando lhe passar conforto. Não havia muito a ser dito. Quer dizer...
— Pelo amor de Deus, Visão. – O Androide olhou para Willa com seus olhos claros arregalados em surpresa. — Você poderia fazer o favor de ir se servir e sentar conosco? – Willa choramingou num resmungo, recebendo um confuso olhar do androide, sendo observado com atenção e curiosidade pelo grupo ali confortável e devorando o jantar.
— Gostaria muito, mas eu não poderia, Senhorita Fairchild. – Steve riu percebendo Willa tremelicar ao escutar seu nome acompanhado daquela minúcia cavalheiresca. Ela odiava, sentia-se sendo coberta numa mortalha quando era tratada assim. — Eu não necessito de comida.
— Azar o seu. – Pietro resmungou com a boca cheia, devorando mais uma garfada do seu prato e raspando o fundo do prato com ajuda de sua agilidade. Wanda lhe reprimiu com um olhar e ele enrugou o cenho sacudindo os ombros, apontando com o polegar para o prato. — Isso aqui está maravilhoso! – Ele exclamou recostando na cadeira e passando a mão na barriga atlética, como quem estivesse cheio e Fairchild arqueou uma sobrancelha, sentindo as bochechas aquecerem pelo elogio. Ele olhou para Willa com um sorriso puramente interesseiro. – Wiilla, posso pegar mais?
— Fica a vontade, Speedy. – Stark respondeu com gracejo, gesticulando para a cozinha e ele correu para lá num pé e retornou um segundo depois com o prato cheio. — Só não esqueça do Barton e Banner... – Stark nem teve tempo de concluir o seu pensamento, trocando um olhar sinistramente desconfortável com Willa, enquanto Pietro trocou uma risada de escárnio com a irmã.
— Não tem problema, qualquer coisa eu faço mais. – Ela gesticulou com uma mão em descaso e crispou os lábios, lançando aquele ansioso olhar para o androide. Parado e concentrado em cada um dos membros ali a mesa. O claro conforto dele ali, em pé feito um coqueiro deixava Willa panicamente em desconforto. — Visão, é sério: senta. – Ela apontou com o indicador para a cadeira vaga ao seu lado.
— Eu posso ficar aqui, não... – Ele iniciou uma resposta, claramente com uma explicação racional do porque dele optar por ficar de pé a caminho e Willa sacudiu nervosamente as suas mãos, o que sobressaltou Stark.
— Você está me desconcentrando. – Ela resmungou, Stark e Steve trocaram um olhar cúmplice, dividindo uma risada em escárnio; Primeiro por Willa ter saído do seu habitual equilíbrio budista por conta de um androide profundamente racional e segundo, a ingenuidade de Visão. Eram dois polos admiráveis, certo?
— Oh, peço perdão. – Ele caminhou com sua postura cavalheira e sentou ao lado de Willa, deixando um sorriso contido desenhar os seus lábios. – Não era minha intenção lhe causar tal desconcerto.
— Não é desconcerto. É T.O.C. – Wanda interrompeu, rodopiando o seu garfo numa porção de macarrão com um olhar atento. O silêncio fez Wanda parar a sua ação, lançando um olhar tímido sobre aquelas pessoas. — Ela tem T.O.C. – Sentindo o olhar faiscante de Willa sobre si, Wanda aprumou os seus ombros com um olhar misterioso sobre a loira. — Eu vi quando eu...
— Despertou os meus medos em Wakanda com a sua feitiçaria? – Willa retrucou um pouco ríspida mexendo os seus dedos no ar, imitando os gestos produzidos por Wanda ao manejar seus dons. Recebendo um olhar cuidadoso de Steve, pedindo silenciosamente que ela ponderasse em sua resposta, todavia ela não o fez. Ela tinha controle sobre isso. — É, eu lembro.
— Eu sinto muito. – Wanda pediu e Willa anuiu, poucos segundos depois.
— Tudo bem. – Ela sentiu a sinceridade por trás das suas palavras. — Não é a única nem será a ultima a tomar decisões errôneas em nome de algo maior por aqui. – Willa revelou com um sorriso contido no canto dos seus lábios e Stark anuiu discretamente, coisa que não passou despercebido dos olhos de Rogers que se sentiu um pouco intrometido por ter percebido. — Só não mexa mais nas minhas memórias e talvez, eu acabe gostando de você. – Wanda sorriu com a simpatia de Fairchild, abaixando o rosto. — Talvez. – Willa reinterou jocosa apontando o indicador a Maximoff, bebendo o suco de uva e então, ela pegou Pietro lhe olhando com um aquele sorriso indescritível e ele disfarçou, retornando discretamente sua atenção para a comida.
***
Willa estava deitada na cama. Não conseguia dormir. Seu estômago estava inquieto. Sua mente parecia um nó de pensamentos e seu coração era uma britadeira. Quando Willa ouviu uma batida ansiosa e ágil na porta, ela levantou rapidamente da cama, acreditando que havia se distraído e não escutado F.R.I.D.A.Y. e Steve foi buscar por ela.
Pronta para vestir a sua roupa de combate e agarrar sua katana, ela levantou da cama num pulo, abrindo a porta num rompante e deparou-se com Pietro, parado a sua frente com um sorriso convidativo e um olhar levemente malicioso ao encontrar a figura loira vestindo um pijama pouco recatado.
— Pietro, aconteceu alguma coisa? — Mesmo com a postura convidativa do rapaz, Fairchild soltou aquela pergunta com um olhar agitado para o corredor em busca de um sinal de problema.
— Aconteceu. — Pietro respondeu subitamente sério e Willa tencionou. — Eu encontrei uma coisa e precisava te dar. — Os olhos de Willa piscaram incertos, observando um pingente colorido e adorável diante dos seus olhos. Ele estendeu para ela pegar e Willa observou melhor os detalhes: era pequeno com uma bonequinha russa envolta numa roupinha avermelhada com cabelos loiros, olhos azuis grandes e uma carinha engraçada. — Ela tem os seus olhos grandes e olha só, ela tem a sua cara fofa também. — Willa riu, mesmo com esse incentivo, Pietro nunca pareceu tão tenso diante dos seus olhos. — E esses penduricalhos? Fazem barulho... — Ele sacudiu mostrando o barulho, Willa ria repousando a mão delicadamente nos lábios e Pietro parecia profundamente desconcertado. — Hmm, legal, não acha? — Podiam ter passado alguns segundos, mas o mistério estava matando Pietro — e ela sabia disso. Acostumado com o imediatismo, ele estava sentindo o silêncio de Willa como uma tortura medieval das mais pesadas.
— Adorei. — Ela pegou o presente de sua mão com um sorriso no canto dos lábios. Inconscientemente, os seus dedos tocaram a pele quente de Pietro e ele sentiu um arrepio prazeroso demais para deixar partir, deixando os seus dedos envolverem na mão de Fairchild sentindo o seu calor através do seu breve toque e ergueu apenas os seus olhos sobre a figura de Willa. Será que ela podia compreender como era bom sentir o seu toque?
Depois de tudo que ele passou em sua difícil vida e a sua trajetória ma Hidra, ele nunca se deu a oportunidade de se importar com alguém, de se deliciar do prazer de ter seu coração acelerado por uma pessoa em particular e sentir uma deliciosa sensação ao tocar sua pele e olhar em seus olhos. Seu lema era: proteger Wanda com sua vida. Mas, e se agora, eles não precisassem mais viver sobre esse lema? E se agora eles pudessem apenas viver? Willa mordeu os lábios e quebrou aquele contato com sutileza, abrindo os dedos e sentindo o toque de Pietro pulsar em sua pele. Fairchild olhou o presente e sabia muito bem onde o colocaria, com as pernas dobradas a lá Buda, ela sentou na ponta do seu baú pegando a sua katana encostada ali, prendendo o pingente na sua ponta. Ela tirou uma parte da Katana e fez um rápido movimento, os pingentes fizeram um barulhinho e ela riu, pela ausência de resposta de Pietro, ela voltou seus olhos para entrada, encontrando Pietro lhe admirando com um discreto sorriso com os braços cruzados e os pés batucando nervosamente no chão.
— Vai ficar parado aí me olhando ou vai entrar?
— Não, não. — Ele negou com veemência, adentrando o quarto para fazê-la largar a katana na cama, o que ela fez bem emburrada, mas deixou isso para lá, ao sentir o braço de Pietro envolver sua cintura, lhe guiando para a saída do quarto. — Não temos tempo para essas coisas. Vamos sair.
— Sair você quer dizer, entrar no jato e ir atrás do Ultron ou... — Willa travou os seus passos, com um olhar levemente confuso sobre o rapaz de sorriso animado e sua postura dominada de agitação.
— Ou eu e você sairmos, antes de salvarmos a porcaria do mundo em que vivemos. — Ele rapidamente ficou à frente de Fairchild, revelando as suas intenções com uma faísca em seu olhar e um sorriso dominado de expectativas.
— Uma parte de mim está considerando isso profundamente irresponsável da nossa parte... — Willa respondeu com uma postura séria e resoluta. Pietro murchou diante de seus olhos e ela inclinou o rosto, com um olhar pensativo. — E outra parte de mim está se perguntando: o que eu vestiria?
Pietro não demorou dois segundos para resolver isso. Willa assistiu seu armário ser revirado rapidamente, com roupas sendo retiradas de cabides e voando no ar, como outras sendo empurradas para o canto, então ele parou a sua frente com um sorriso diabólico.
— Esse. — Ele segurava cada alça do vestido de paetês pratas com os seus indicadores. O vestido não tinha decote, mas era curto e bem justo. A última vez que Willa o usou, Steve ficou apavorado com a falta de cavalheirismo dos homens e precisou usar seus punhos para defender a honra de sua amiga — e Sam filmou tudo para posterioridade. Pelo olhar de Pietro ele tinha escolhido aquele vestido por motivos similares aos dos homens sem cavalheirismo. Steve daria um soco nele por isso. Willa passou a ponta da língua em seus lábios e Maximoff ficou claramente desconcertado com seu breve instante de análise.
— Você sabe que F.R.I.D.A.Y. pode nos chamar a qualquer instante, certo? — Ela deu um passo, alcançando com maior facilidade o tecido do seu vestido, brincando com ele em seus dedos e direcionando um olhar instigador a Pietro.
— Sei e quando ela fizer isso, você vai atender o seu celular, vai olhar para mim com esses olhinhos azuis grrandes e vai me dizer: o melhor encontro de nossas vidas vai ter que terminar, pois temos que salvar o mundo. Te pegarei no colo e voltaremos para cá. — Pietro tinha pensado em tudo e Willa precisava dar um crédito ao Casanova da Rússia. Ele estava amolecendo o seu coração. Há quem ela quer enganar, ela estava derretida por ele. — Será como se nem tivemos saído daqui.
— Você pensou em tudo. — Ela estava visivelmente impressionada com a postura do rapaz.
— Estou planejando esse encontro desde o dia em que te vi na base de Sokovia. — Ele cortou o espaço entre eles, com sua cabeça levemente erguida com um olhar charmoso sobre Willa a alguns centímetros abaixo de si. — Acredite, tive muito tempo para planejar cada detalhe. — Ele deixou um sorriso cair no canto dos lábios e voltou a estender o vestido com seus dedos, na altura dos seus olhos. — Quer ajuda para vestir ou...?
— Duvido muito que tenhamos o seu tão planejado encontro se eu te deixar me vestir. — Ela arrancou o vestido de seus dedos, dando passos para atrás para ter espaço para se trocar.
— Está me desafiando? — Ele questionou ganhando uma postura comum entre gladiadores e Willa o analisou brevemente, piscando um dos olhos, mordendo os lábios sinuosamente. Ele era competitivo e ela adorava um bom desafio, isso definitivamente seria uma experiência interessante.
— Sim. — Pietro sorriu de lado com um olhar faiscante sobre Willa. Agora era ele quem brincava com suas emoções, lhe torturando levemente com a possibilidade do que ele faria. Sairia e lhe daria privacidade para se arrumar ou ficaria e lutaria contra o desejo a todo instante ao tocar seu corpo e despi-la. Ele não tinha ideia de como suas palavras e sua postura brincavam com a imaginação de Fairchild. Mais alguns segundos e ela podia garantir a possibilidade de pular sobre ele e dane-se o que lhe restava de dignidade.
Pietro não usou sua habilidade. Ele não queria. Ele queria levar todo o tempo do mundo com Willa. Ele abriu mão de sua agilidade, ele queria ser capaz de parar o tempo para apenas estar com ela.
Willa não moveu um centímetro do seu corpo, assistindo Pietro vir até si, com uma delicadeza nova a ela, Maximoff desceu seu dedo pelo braço de Willa, sentindo sua maciez, o seu calor irradiando, como ela rapidamente arrepiou com seu contato. Tantas coisas passavam em sua mente naquele instante, ele queria poder fazer tudo e mais um pouco com ela. Sua mente era agitada, seu coração ansioso e suas mãos tão inquietas quantos seus pés, mas naquele breve instante, ele podia jurar que, estava em câmera lenta. Seria seu dom reinando ou ela, como ele também vivia um instante
particularmente ansiado por eles?
Os dedos de Pietro alcançaram a bainha da camiseta e a puxou devagar, apreciando aquele instante e Willa ergueu os braços, ajudando ele a retirar a camisa. Ele a admirou com os olhos levemente esbugalhados e Willa não ficou nem um pouco embaraçada por dormir sem sutiã e por suas cicatrizes finas com queloides de guerras passadas. Ele deixou uma das mãos correr nos cabelos bagunçados e a outra correr gentil e lentamente pelo seu tronco, traçando um caminho por sua pele, por suas cicatrizes, até repousar seu toque e lhe trazendo para perto de si num forte puxão. Eles trocaram um olhar como quem buscasse por reconhecimento e ele percebeu o ar engasgado na garganta de Willa, então a surpreendeu, rodopiando em seus braços, prendendo-a contra o seu corpo. Ele sentiu o perfume de Willa, doce e floral, ele não tinha notado antes e se deliciava com a sua doçura. As mãos dela encontraram os seus braços, delineando-os lentamente e Pietro encaixou o seu rosto, na clavícula dela, cheirando a sua pele e roçando os seus lábios. Fairchild fechou os olhos, sentindo a sua carícia e mordendo os lábios, contendo um gemido involuntário. As mãos dele desceram pela lateral do corpo dela, apalpando e alisando os seios dela, sentindo a sua pele tremer em suas mãos. Pietro abafou uma risada contra o pescoço de Willa, apertando suas mãos na cintura dela.
— Căcat (merda).
— Humm, linguagem, speedy. – Ela sussurrou revelando ter entendido o palavrão em russo, rodopiando nas suas mãos, ela manteve-se em sua posse e repousou com delicadeza uma mão em seu rosto, acariciando e alisando a sua barba castanha com alguns fios brancos.
— Não gosta das minhas palavras? – Ele sussurrou, rouco e sedutor, conectando o seu olhar cheio de desejo nos olhos azuis perolados de Fairchild e não havia um sorriso nos lábios de Maximoff, mas havia domínio no toque de suas mãos: ele não queria perdê-la de sua posse e o seu olhar enegrecido de desejo por Willa lhe preencheu de excitação. Nervosa, ela riu, passando a língua nos lábios.
— Palavrões? Não é muito cavalheiro, Pietro. – Ela rebateu semicerrando seus olhos a ele, com um ar charmoso, acariciando o corpo dele com sua mão livre, até alcançar a sua nuca, onde repousou seus dedos, brincando com as mechas ali bagunçadas. Ele deixou sua cabeça pender sobre a testa dela, respirando em derrota.
— Willa? – Pietro atraiu o seu olhar perolado e hipnótico com direito a um charmoso sorriso.
— Humm.
— Eu vou beijar você. – Ele revelou e o coração de Willa vacilou numa batida e o seu ar era um mero acessório. — Então eu vou tirar o seu short e a droga da sua calcinha e eu sei que você não vai resistir e vai tirar as minhas roupas também... – Ele sussurrou cada uma das palavras, aprofundando o seu toque na pele de Fairchild, deixando uma de suas mãos escorregarem até o seu quadril, ela mordeu os lábios e ele apertou com desejo, o que a fez soltar o ar pesadamente dos seus lábios, deixando um sorriso eufórico escapar dos seus lábios.
— E?
— E eu vou fazer amor com você. – Ele revelou com profunda resolutez, segurando o rosto dela, acarinhando com a ponta dos seus dedos. — E não vai ser nada rápido.
— Graças a Deus! – Ela exclamou erguendo as mãos aos céus, glorificando as divindades por aquele milagre diante de si. – Eu sou sua. – Ela proferiu com um sorriso malicioso, encontrando o semblante admirado de Maximoff. Pietro apenas se inclinou, envolvendo a cintura dela com os seus braços, o que lhe prendeu ao seu corpo. Seus lábios se encontraram como imãs, sem sutilezas, eles beijaram com voracidade. Suas línguas se desbravaram e seus lábios se conheceram minimamente.
Sem se separar, Willa abriu o zíper do casaco de Pietro, tirando ele fora com um sorriso sapeca, enquanto o rapaz de cabelos brancos ateve-se em trilhar um caminho de beijos do rosto a clavícula de Fairchild. Sem perder mais tempo, ela arrancou a camisa dele fora e Pietro agarrou a cintura dela e utilizando da sua velocidade ele arrancou o short dela fora, segurou-a pelo quadril e levou-a de encontro à parede, onde eles não foram rápidos com seus desejos, mas a sua paixão foi intensa e podia ser sentida através dos ruídos de gemidos e risadas como também nas vibrações contra a parede, móveis e até madeira da cama.
O barulho foi tanto que Steve, a dois quartos a leste afastar seu rosto da sua leitura e enrugar o cenho se questionando quem em sã consciência, estava pregando um quadro naquela hora. Então ele ouviu com um pouquinho de atenção e... Arrependimento podia não matar, mas com certeza, podia deixar um trauma – ou naquela noite, muitos.
***
Depois de seus corpos encontrarem apoio na parede, na cômoda, no chão, o corpo de Willa ter tocado a parede novamente e até mesmo eles terem se perdido em seus corpos no banheiro, eventualmente seus corpos encontraram a cama e ali, eles se apaixonaram.
Pietro estava boquiaberto. Uma mão brincava com as mechas dos cabelos de Willa, enquanto alisava a sua barriga, evidentemente fadigado. Por outro lado Willa encarava o teto com um sorriso prazeroso nos lábios. Então sentiu a cama afundar, ao buscar o motivo para isso, ela viu a faísca azul-acinzentada cruzar alguns pontos do quarto e em nanosegundos retornarem para cama. Agora apoiado em um dos seus cotovelos, Pietro tinha em mãos um ipod, ao qual ele dedilhava, buscando a música para aquele momento.
— Nossa, não vejo um desses há muito tempo. – Willa murmurou pegando o Ipod da mão de Pietro e admirando o aparelho preto.
— Achei essa belezura esquecido num café. – Willa arqueou uma sobrancelha, olhando-o em julgamento. — Tá, não estava esquecido. – Ele não resistiu àquele olhar de Willa, confessando. — O cara nem vai se importar, ele tinha esse e um desses modernos, já eu... – Ele meneou a cabeça negativamente, deixando um sorriso sonhador desenhar seus lábios. — Não posso ficarr sem música.
— Eu também não. – Ela comentou movendo o seu corpo de bruços, expondo parte das suas costas nuas e Pietro lhe lançou um olhar repleto de desejo e sorriu, chamando-a com um inclinar do rosto.
— Vem cá, vem ouvir essa música comigo. – Ele aconchegou seu braço sobre a cabeça dela, convidando a para deitar em seu peito, enquanto a canção embalava-os através do fone dividido. A voz calma e sonhadora do cantor fez Willa fechar os olhos, prestando atenção na harmonia dos backing vocal, quase algo perto do angelical; os acordes tornavam a música uma melodia apaixonada e voz do cantor era quase hipnotizante. Willa encontrou paz escutando aquela canção nos braços de Pietro, enquanto ele acarinhava sua nuca e ela brincava de dedilhar o seu peitoral, como se fosse o seu violão particular. – Conhece?
— Não. – Ela respondeu num suspiro tranquilo. — Estou conhecendo agora, como estou conhecendo você. – Ela concluiu, traçando as pontas dos seus dedos pelo peitoral de Maximoff com um suave sorriso.
— E está gostando de Neil Young? – Ele balbuciou um pouco rouco, por suprimir sua respiração por conta daquele carinho ou talvez, por causa da paz no semblante de Fairchild, observando-a com curiosidade.
— Hmm, hmm.— Ela murmurou com os olhos fechados, confortável nos braços de Maximoff.
— Isso vale parra mim também? – A sua pergunta ecoou em seu tórax e Willa sorriu um pouco satisfeita por ter semeado tal sentimento em Pietro, um pouco excitada com o sentimento crescente.
— Vale. – Seus lábios sussurraram tal resposta com um olhar hipnotizado aos feixes da lua brincando com o reflexo de sua janela. Seus lábios abriram num sorriso encantado e acabou soltando uma risada abafada no peito de Pietro, sentindo o carinho dos seus dedos atrás de sua orelha. Com uma delicadeza e calma surpreendente para alguém tão agitado e inquieto, Pietro tomou o queixo de Willa e ergueu conectando os seus olhos e descendo um olhar desejoso até os seus lábios e assim, inclinou-se e beijou seus lábios, com Harvest Moon como sua trilha.
O beijo era suave e desbravador. Carinhoso e respeitador. Amoroso e…
— Droga. – Ele resmungou através do beijo, repousando a cabeça no travesseiro, com Willa subindo um pouquinho sobre si, o que fez um sorriso crescer nos lábios do garoto de Sokovia. – Wanda vai ficar uma fera comigo.
— O que? – Willa perguntou subitamente preocupada. — Por que?
— Ela me alertou para não me apaixonar por você. – Pietro murmurou com aquele sorriso, afundando a cabeça no travesseiro com o cenho enrugado com seu conflito emocional e Willa sentiu seu estômago revirar em euforia. — Ela disse que você vai quebrar meu coração.
— Se você quiser ouvir sua irmã, eu entendo, mas se você quiser ouvir o seu coração, eu posso provar que a Wanda tem uma enorme probabilidade de estar enganada em tal suposição. – Willa sussurrou dedilhando o peitoral de Pietro, até alcançar o osso de sua clavícula, o seu pescoço, queixo e por fim, tocando seus lábios com o polegar e sorrindo ao sentir seus olhos lhe admirarem e seus braços enlaçarem em sua cintura trazendo-lhe para cima de seu corpo, o que lhe arrancou uma gostosa gargalhada.
— Estou aceitando tal desafio. – Ele roubou um beijo dos seus lábios e Willa perguntou se ele estava preparado mesmo e ele reafirmou, lhe enchendo de beijos no rosto e pescoço, o que lhe preencheu de euforia e gargalhadas, sentindo seus braços agarrados a sua cintura.
— Senhorita Fairchild e Senhor Maximoff, o Senhor Barton encontrou o paradeiro de Ultron e os senhores são requisitados no Hangar principal junto aos outros vingadores. – F.R.I.D.A.Y. anunciou com o seu belo sotaque britânico e Willa trocou um olhar cuidadoso com Pietro.
— Valeu, F.R.I.D.A.Y. – Willa agradeceu suavemente para o vento e Pietro dominado por um ar admirado por toda aquela tecnologia, riu. Ela tirou os fones e espreguiçou-se. — Pronto? – Pietro observou Willa se sentar enrolada em seu lençol e amassando os cabelos. Com a ausência de uma resposta, ela o olhou enrugando o cenho, ao perceber a incerteza nos olhos azuis de Pietro, agora sentado na beirada da cama, com as mãos unidas por entre seus joelhos. – Pietro? – Ele a olhou incerto e inseguro de seus gestos.
— Vai ser difícil, não é? – Pietro questionou olhando-a com uma preocupação marcante em seu semblante.
— Vai. E é por isso que somos uma equipe, por que carregamos a dificuldade, o medo, e o que tiver como obstáculos em nosso caminho, juntos. – Willa se sentou ao lado de Maximoff, repousando carinhosamente sua mão sobre a dele. — Vocês são fortes. Vocês estão prontos para isso. – Pietro anuiu, pensando muito mais na capacidade de sua irmã do que a sua própria. — E isso não tem nada haver com os sentimentos que eu possa ter por você. – Ela sussurrou olhando-o, receosa mordiscou o canto dos seus lábios, reparando nos detalhes por trás da reação de Pietro ao ouvir tal declaração. Ela era esperança, ele era euforia.
— Ah, é? – Pietro a puxou com sua agilidade a envolvendo sobre seu colo e beijando-a com intensidade e paixão, o que a surpreendeu, mas prontamente, ela correspondeu emaranhando os seus dedos nas mechas dos cabelos de Maximoff. – Então, como você sabe? – Ele questionou entre os beijos.
— Eu escuto corações. – Ela revelou batendo seu indicador sobre o coração de Pietro com um discreto e tímido sorriso.
— Clichê. – Ele zombou fazendo uma careta.
— Ei, não fui eu que te convidei para sair no primeiro minuto em que nos conhecemos e sem contar o seu péssimo timing, speedy. – Ela retrucou afastando dos braços de Pietro, vestindo o seu roupão verde com traços em amarelo com corte de kimono, sentindo Pietro passar correndo em sua lateral, no processo deixando um beijo em sua bochecha.
— Bem lembrado. – Ele comentou com o cenho enrugado, curvando as costas e vestindo sua calça com ajuda de sua agilidade, apenas fechando o zíper e botão com calma, olhando Willa pensativo. — Quando tudo isso terminar, eu te devo um almoço. – Ele apontou o indicador para Willa, rapidamente cruzando ponta a ponta do quarto em busca de sua camisa e casaco e spoiler: a camiseta estava sobre o armário e Willa pegou o casaco embaixo de sua escrivaninha, estendendo no ar e Pietro pegou, ao passar correndo por ela ao avistar a camisa.
— Você não tem dinheiro para pagar. – Ela resmungou com um sorrisinho esperto, cruzando os braços.
— Quem disse que vou pagar? – Ele rebateu erguendo uma sobrancelha e esboçando um sorriso com mil e uma intenções, arrumando a camisa e vestindo o casaco rapidamente, fechando o zíper num só movimento. Ele seguiu até a porta, arrumando a gola do casaco, mas não dando a mínima para os cabelos brancos-acastanhados bagunçados pelo seu tornado particular.
— Mal posso esperar. – Willa deixou um sorriso sincero desenhar seus lábios, observando Pietro ternamente proferindo aquele sentimento com genuína sinceridade e animação.
— Eu também. – Ele sussurrou, deixando a porta entreaberta e olhando-a de lado, então um sorriso sapeca desenhou seus lábios e ele desapareceu da vista de Willa, as suas faíscas acinzentadas desenharam o seu quarto e ela prendeu o ar, sentindo seus cabelos voarem fortemente com o impacto do vento produzido por Maximoff, então ela sentiu suas mãos tocarem sua cintura e ela manteve seus olhos fechados, apenas sentindo seu carinho. — Te vejo no hangar, prințesă (princesa).— Ele sussurrou tais palavras em seu ouvido e, abraçando-a pelas costas repousando suas mãos na cintura dela. – Mal posso esperar pelo nosso almoço. – Seus lábios encontraram os dela num beijo apaixonado e subitamente, ele desapareceu de sua vista, deixando para trás as suas fagulhas acinzentadas, os cabelos bagunçados de Willa, o sorriso e brilho de expectativa e uma promessa de um futuro com Willa, ao qual nunca se concretizou.
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