Born to Die | Exile

6 Born to Die | Diet Mountain Dew


Notas iniciais
OIIIII! CHEGUEEEEEEI! DEMOREI, MAS TÔ AQUI! OLHA CAPÍTULO NOVO NA ÁREA, GAROTADA! — AVISOS IMPORTANTES: — Lembrando que, o capítulo anterior foi um flashback especialmente dedicado a alguns eventos do filme 'A Era de Ultron', logo esse novo capítulo é continuação da última cena de 'Video Games', assim seguindo com a narrativa presente. — Tem acontecimentos ligados diretamente com os quadrinhos!!! — Hora de ser Sherlock, galerê! Esse capítulo é cheio dos mistérios, das pistas, dos segredos e das tretas. Quero ver se vocês pegarão as pistas e quais teorias bacanas sobre o passado e futuro da Willa e os seus amigos vocês vão bolar aí! — VOCÊ SHIPPA? Então se prepara: TEM SHIP PARA TODOS OS LADOS e para todos os gostos! Piscou e aparece ship ♥ — Tem FORTES menções do passado de Willa. Vou dar uma pistinha aqui: Se você assistiu a segunda temporada de 'Daredevil' sacará várias dessas referências ao longo do capítulo. Se não entender, PODE PERGUNTAR, viu? — Esse é o capítulo tem a participação de TODOS os personagens (e eu só reparei isso durante a revisão) e não tem como isso ser mais lindo, né? (OU TEM?) — Tem lencinho aí? #FicaADica

D I E T M O U N T A I N D E W

Faixa Cinco
Diet mountain dew, baby, New York City/Never was there ever a girl so pretty/Do you think we'll be in love forever?/Do you think we'll be in love?/You're no good for me/But baby I want you, I want you.

Willa entrou na cozinha e não trocou se quer um olhar com os presentes ali. Seguiu direto a geladeira, pegando uma garrafa de água com o pé segurando a porta e enchendo o copo. Apoiou as costas na bancada da pia e bebeu sua água gelada com gosto, trocando um discreto olhar com Steve e Sam. Os dois não disfarçaram seus olhares profundamente significativos sobre ela, entretanto quando ela percebeu e olhou de um ao outro com uma ruguinha de duvida em seu cenho, eles intensificaram seus semblantes. Era como se eles soubessem um segredo desconhecido por Willa – e ela queria saber. Steve se manteve ao lado de Willa, concentrado nos seus pensamentos e Sam voltou a sua atenção para terminar seu café e ler o jornal. Ele estava ficando bom nisso.

— Tá. – Ela abaixou a mão mantendo o copo firme em seus dedos. — O que aconteceu?

— Cadê o Bucky? – Sam questionou inexpressivo, não conseguindo conter sua curiosidade.

— Ele foi para o celeiro. – Ela respondeu, comprimindo os lábios. — Acho que pisei num calo dele.

— Dificilmente. Bucky não é assim. Ele não se irrita com os seus amigos. Ele até pode ficar chateado, mas é por preocupação e não por raiva. É só ele lembrar o que aquela pessoa significa para si que ele deixa de lado qualquer frustração para estar com aquela pessoa. – Willa sentiu o toque de Steve em seu ombro, apertando afetuosamente. Ela o olhou com um discreto sorriso que foi se perdendo, ao notar uma peculiaridade em seu olhar; havia algo de doce ali, algo secretivo e Sam tinha um sorriso suspeito e profundamente malicioso.

— Garota, ele gosta de você. – Sam revelou meneando levemente a cabeça e levantando as sobrancelhas sugestivamente. Steve abafou uma risada, por conta dos olhos arregalados de Willa.

Você não pode...— Willa acusou Sam, então viu Steve esconder o sorriso. — Vocês não podem estar falando sério? Qual é, em que mundo vocês estão vivendo?

— Num mundo onde não é proibido ter afeição por alguém? – Steve argumentou cruzando os braços com um olhar julgador sobre Willa.

— Há divergências quanto a isso. – Ela rebateu, com o indicador em riste acusatoriamente para Steve.

— O que, seria tão ruim assim, que ele gostasse de você? – Sam rebateu a pergunta e Steve arqueou uma sobrancelha, encontrando um motivo num oceano de possibilidades.
— Não, mas ele não está gostando de mim. – Ela rejeitou a ideia com escárnio. — Pelo menos não assim, seus cupidos sem fralda. – Ela resmungou terminando seu copo de água, sentindo o seu pescoço queimar, obviamente por culpa do seu súbito embaraço.

— Como você pode ter tanta certeza? – Sam instigou com um olhar investigativo em sua amiga.

— Ele mal tem outras prioridades agora, como sobreviver. – Isso não pareceu um bom motivo para Sam. – Alias, como ele pode ter sentimentos por alguém que ele mal conhece? – Willa questionou com sua costumeira superioridade.

— Não sei. – Steve respondeu dando de ombros. — Você é quem diz que o amor escreve certo em linhas tortas.

— E você sabe que o ditado não é assim, certo? – Sam implicou com Willa, cutucando a barriga dela quando ela circulou a mesa, para encher sua xícara com café.

— Nós estamos no meio de uma guerra com o governo aqui e a Hidra está com um alvo nas nossas bundas e vocês estão falando sobre Bucky ter sentimentos por mim? – Willa perguntou com uma careta descrente desenhando os seus lábios. — Sério? – Ela perguntou debochada, olhando de Sam a Steve, terminando de encher sua xícara.

— Willow, ele tentou suicídio há dias atrás e hoje ele estava aqui, dizendo que você estava à noite toda meditando. – Willa percebeu a gratidão e paz na voz de Steve e suavizou sua postura com um olhar pensativo sobre o amigo. – Preocupado, com você.

— Alias, essa não é a primeira vez que ele demonstra afeto por você. – Sam comentou com um discreto sorriso. Willa o olhou com uma série probabilidade de cometer um homicídio e ele seria a vitima. – Não me olha assim, Willie! – Willa fez uma careta nos lábios e Steve riu abafado. — Qual é o problema de um cara se apaixonar por você?

— Não sei, deve ser por que o último cara que gostou de mim foi morto com doze tiros! – Ela cruzou os braços, lançando um olhar duro para Sam. Steve enrugou o cenho, sentindo o peso por trás do sarcasmo de Willa. Ela não estava apenas desconversando com seu costumeiro charme, ela estava confessando seus sentimentos, seu pesar, seu medo. Ela não queria que Bucky tivesse o mesmo destino de Pietro, em sua vida. E Steve sentiu empatia por ela, percebendo que tanto ela quanto ele não tinham histórias muito diferentes no amor; ambos foram privados de terem um futuro por conta de um presente inesperado.

— Eu não sabia que você e o Pietro... – Sam comentou levemente amuado.

— Foi rápido demais para alguém notar. – Ela respondeu massageando o ombro de Sam, com a intenção de tranquilizar o amigo.

— Eu notei. – Steve revelou arqueando levemente as sobrancelhas com um discreto sorriso, especialmente para Willa.
— Você sempre percebe. – Ela respondeu piscando seus cílios com um sorriso grato nos lábios.

— Sou distraído, mas eu ainda to aqui. – Sam brincou e Willa implicou com ele, tentando apertar sua orelha, mas ele conseguiu escapar.

— Por isso você deveria nos ouvir. Se você falasse que não pode suportar o passado do Bucky, eu duvidaria, mas eventualmente, acreditaria. É difícil e complicado, eu posso entender isso. Agora isso... – Steve murmurou caminhando para longe da pia, podendo assim ter uma visão não apenas dos dois amigos, mas por ventura, de alguém a se aproximar. – Isso não cola com você.

— O que? – Willa questionou chocada. — Eu tenho sentimentos também. – Ela alegou apontando para si com um olhar firme sobre Rogers.

— Pelo Bucky? – Sam maliciou e ela semicerrou seus olhos para Wilson. – Qual é, Willa! Tudo bem você se afeiçoar pelo cara. Eu honestamente, não entendo o que você viu nele. Na minha opinião, ele é bem irritante, convencido, tem um vicio questionável por ameixas, e é mal humorado, mas se você tem uma coisa por caras assim, idosos, falantes de russo com caráter questionável, passado duvidoso e um pesinho na vilania, tudo bem... Quem sou eu para julgar! – Sam explodiu tais palavras e Willa trocou um olhar com Steve que apenas gesticulou para deixá-lo libertar tais emoções. — Vocês ficam bonitinho juntos.

Bonitinho? – Willa repetiu olhando Sam com uma marcada implicância, trocando um olhar descrente com Steve. — Ele acabou de dizer “bonitinho” mesmo? – Ele meneou a cabeça negativa, rindo, então Rogers olhou a amiga sem perder o seu discreto sorriso.

— Ele não é o Pietro, Willow. – Ele proferiu com sinceridade.

— Por que estamos falando dele? – Willa questionou com um riso frouxo de nervosismo e claro desconforto. — Vocês... – Ela não completou o raciocínio pegando a xícara de café e enfiando um pedaço de bisnaga na boca.

— Diferente do Sam, eu não estou bancando o cupido aqui, Willa. – Steve explicou, sem antes deixar de julgar a postura de Sam que não mostrou arrependimento algum. Pelo contrário, ele estava bem orgulhoso de si. — Eu só acho que você não se deu conta disso ainda.

— Do que?

— Você tem um jeito especial de tocar as pessoas e isso lhe torna importante para elas, Willa. E não estou falando isso apenas sob a nossa perspectiva. – Steve apontou para si e Sam anuindo a sua cabeça e cruzando os braços. — Você tocou o coração do Bucky e você precisa permitir, em retribuição que as pessoas também toquem o seu.

Bleee! – Ela dramatizou colocando o dedo na boca, fingindo vomitar.

— Ela tem cinco anos! – Sam exclamou, apontando julgadoramente para Fairchild, com um olhar duro sobre Steve. – E nós somos os seus responsáveis.

— Ok. Eu vou para o meu quarto, antes que alguém comece a tocar um violino. – Willa resmungou arqueando as sobrancelhas. — Preciso terminar de arrumar minhas coisas para a viagem com o Barton e esquecer esse papo sentimental com os meus pais adotivos. – Ela completou empertigando e surpreendendo Sam com um abraço por trás de suas costas.

— Eu disse responsáveis, não pais adotivos. Volte imediatamente aqui, garota! – Sam exclamou com uma boa dose de autoridade, mas apenas escutou a risada rouca de Willa ecoar pelo corredor. — Ela puxou o seu lado da família. – Sam encolheu os ombros, apontando acusador para Steve.

Sem dizer mais nada, Willa partiu para o segundo andar sem muita pressa, mas claramente perdendo a sua risada frouxa, sendo substituído por uma postura singelamente tensa e confusa por tal inesperada conversa com seus amigos.

Cruzando o corredor, os olhos de Willa pousaram sobre a porta do seu quarto fechado. Ela deu uma batida leve na madeira e alguns segundos depois, Wanda sussurrou um ‘entra, Willa’. É claro que ela sabia quem era! Willa abriu a porta e encontrou a amiga sentada na beira da cama, os cabelos castanhos obscurecendo o seu belo rosto, como cortinas. Suas mãos brincavam com algo não perceptível aos olhos de Willa e os seus ombros caídos lhe davam um ar cansado e triste.

— Você escutou a conversa, não é? – Willa caminhou até o canto da janela, mas travou seus passos, lançando um olhar preocupado a amiga, não suportando a ideia de Maximoff não ter alguém com quem conversar. Ela guardava tanto para si e Willa sentia que as vezes, ela se sentia sozinha, no meio de tantos.

— Às vezes eu não consigo não ler as suas mentes. – Ela respondeu com tristeza, olhando Willa com um singelo embaraço. — É incontrolável e eu acabo sabendo o que não devia, o que vocês não desejam que eu e mais ninguém saiba. Como agora. – Ela levantou o seu queixo, admirando Willa com um sorriso curiosamente reconfortante. — Eu achava que você não sentia falta dele, do Pietro. – Willa encolheu os ombros, comprimindo os lábios. — Porque você sentiria, não é mesmo? Vocês mal se conheciam. Mas, eu me enganei. – Ela abriu a mão, mostrando o Ipod do Pietro. Antes da missão em Sokovia, ele esqueceu o aparelho no quarto de Willa. Quando eles retornaram, Willa encontrou o aparelho em sua cama e ouviu toda a playlist, imaginando o futuro de Pietro como um Vingador, ao lado de Wanda, ao seu lado. Fairchild deu o ipod para Wanda, mas a Maximoff não quis. Ela acreditava que Willa deveria ficar com ele, por algum motivo. — Desculpa ter pego sem pedir. – Seu sotaque pegou em algumas palavras, por culpa da sua emoção contida. — Eu... Senti falta de ouvir as drogas das músicas dele. – Ela voltou a esconder o seu rosto por trás de seus cabelos, respirando fundo com seus olhos grudados no Ipod. — Eu sinto tanta falta dele.

— Eu também. – Willa revelou se sentando ao lado da amiga, gentilmente repousando o seu braço sobre o seu ombro, carinhosamente lhe confortando. — Sinto falta daquele sorriso torto, sabe?

— Bastardo charmoso. – Ela riu trovejando tal resmungo. Wanda limpou o canto dos olhos perfeitamente delineados de preto, colocando os seus cabelos atrás de sua orelha, com um olhar delicado sobre Fairchild. — Ele se apaixonou por você no primeiro olhar, sabia? – Willa não esperava por isso. Seu olhar antes saudoso, agora estava semi arregalado em descrença e surpresa. — Ele era um paquerador, ele tinha uma namorada por semana e uma admiradora em cada esquina, mas com você foi diferente. – Willa riu com certo escárnio: sem duvida isso era a cara do Pietro. — Você o moveu de uma forma que os dons dele nunca o permitiriam.

O semblante de Willa mudou. Ela precisou de um minuto. Ela quebrou o seu olhar de Wanda, mexendo em seus cabelos loiros, enquanto mordia o canto do seu lábio, analisando as suas emoções quanto àquela afirmação de Maximoff.

— Eu não tive muitos namorados na minha vida, sabe? Mas eu tive alguns poucos momentos especiais e eles se tornaram fáceis de serem identificados na minha história, por não serem muito comuns. – Willa explicou, dobrando as suas pernas sobre a cama, com seus braços abraçando os seus joelhos. — Pietro me fazia sentir especial. E sabe o que mais me dói? Se em alguns dias ele conseguiu me fazer sentir a garota mais sortuda do mundo, o que viveríamos com anos a nossa disposição?

— Ele merecia uma chance. – Wanda sussurrou, crispando os lábios com seus olhos perdidos no reflexo da janela.

— Ele deu a chance dele a você.

— A nós. – Ela reinteirou num murmúrio e olhou Fairchild que, gentilmente segurou sua mão. O seu olhar partiu delicadamente com um sentimento tomando moradia em seu coração.

— O que eu fiz... – Ela sussurrou rouca. As palavras se perderam e ela engoliu em seco, fechando e abrindo os olhos após respirar fundo e conseguindo olhar para Wanda, sem titubear em sua postura. — Eu queria tanto que tivesse funcionado. – Wanda anuiu com uma ruguinha brotando entre os seus olhos. — Até hoje me questiono se eu fiz algo errado, se eu demorei no processo, se eu deveria ter esperado um pouco mais, se deveríamos ter sido mais ágeis...

— Você tentou salvá-lo, Willa. – Wanda apertou a sua mão com carinho. – Ele... Não era para ser.

— Como podemos ter certeza? – Willa questionou, olhando-a com urgência. – Eu vi pessoas retornarem a vida. Pessoas ruim, Wanda. Por que o Pietro não merecia essa chance? O que eu fiz de errado, porque ele foi punido por eu não merecer dominar tal habilidade? – Ela proferiu tais palavras com dureza e amargura. Repousando uma das mãos em seu coração, ela respirou fundo, sentindo uma dor lhe consumir. Wanda tomou uma singela discreta. Elas nunca falavam sobre isso. Não era um segredo, era algo acordado entre elas: era proibido falar sobre isso. Era um assunto delicado, era difícil para Wanda falar sobre isso, mas não pense que era muito fácil para Willa também. Ela se responsabilizava pelos seus atos e naquela situação, ela carregava todo o peso da culpa em seus ombros. Ela falhou: com ela, com Wanda, com Pietro, com Stone.

— Nós já conversamos sobre isso. – Wanda respondeu com firmeza lhe lançando um olhar analisador. – Você tentou. Eu também tive minha culpa. Eu coloquei muita fé em sua capacidade e acabei lhe culpando por algo a qual você não tinha controle. – O olhar de Wanda caiu e suas palavras suavizaram em arrependimento. — Me sinto mal por perceber isso apenas agora.

— Eu mereci a sua raiva.

— Não, não mereceu. – Wanda meneou a cabeça em negativa. – Eu estava em luto, com raiva e usei você como desculpa para liberar toda a minha raiva. Você não merecia isso. O que você pode fazer é lindo. E se você não conseguiu, não significa que você seja incapaz, significa que não era para ser. – Willa negou com a cabeça, ela acreditava na escuridão por trás de tal habilidade, mas Wanda segurou seu rosto com um olhar duro em si, pois ela via a luz por trás de tal poder. — Willa, o que você pode fazer é uma luz no meio da escuridão e ao mesmo tempo, nas mãos erradas é tão perigoso quanto o meu poder. E eu compreendo os seus temores por conta dele, entendo o porque de você desejar reprimi-los como um segredo e até mesmo de não acreditar ser merecedora de tal poder, mas se minha amizade lhe vale de algo, acredite quando digo: esse poder está nas mãos certas. Os homens podem destruir a beleza por trás dos nossos dons, por conta da ganância e poder, mas nós podemos protegê-los da posse de tais pessoas. – Wanda murmurou movendo delicadamente sua mão no ar, fazendo alguns feixes avermelhados surgirem diante dos seus olhos emanando uma cor escarlate, admirando tristemente o seu dom. — O que aconteceu em Lagos me assombra todos os dias. Se eu não tivesse feito o que fiz, Steve podia ter morrido, mas se eu não tivesse feito? Quantas vidas eu teria poupado?

— Steve costuma dizer que devemos tentar sempre salvar o máximo de pessoas que nos é permitido, mas devemos também aceitar que nem sempre essa decisão estará em nossas mãos. – Willa falou, relembrando de Steve lhe dizer tal coisa em uma de suas sessões de treinamento na Sede dos Vingadores.

— É, ele me disse isso. – Ela assentiu, sorrindo discretamente. — Não adianta ficarmos nos torturando com o que podia ser, Willa. O que está feito, está feito. – Willa lhe lançou um olhar, pensativo. — Podemos apenas tentar aprender com nossos erros e buscar acertar na próxima chance dada a nós.

— Você tem razão.

— Não é fácil, mas isso tem me ajudado a conseguir continuar.Pode te ajudar também.

— É, talvez ajude. – Willa concordou com um sorriso esperançoso.

— As vezes eu sinto a presença dele, do Pietro, sabia? – Wanda comentou, com um olhar melancólico admirando a paisagem, repousando a sua mão em seu coração. — É difícil explicar, é como se ele estivesse aqui, comigo.

— E ele está. – Willa proferiu enrugando o seu cenho com uma lembrança confortando seu coração. — Meu mestre costumava dizer que a morte não era o fim. – Willa proferiu com saudosismo. – Eu não compreendia, era muito nova, mas ele sempre repetia tal ensinamento, até que um dia, ele me explicou: Nossas almas continuam vivas no coração daqueles que nos ama e são eles que nos mantém vivos aqui, através das suas memórias.

Wanda anuiu, enquanto seus dedos brincavam com alguns buracos em sua meia calça e sua mente passeava através daquelas palavras.

— Fica com o Ipod. – Willa proferiu apontando com a cabeça para o aparelho, Wanda parecia pronta para discordar, mas ela não lhe deu oportunidade. — Quando eu voltar, você me devolve as porcarias das musicas dele.

Levantando da cama, Willa pegou sua bolsa carteiro recostada na parede, conferindo os seus pertences. O silêncio era reconfortante. Wanda estava entregue aos seus pensamentos e Willa concentrada em arrumar sua bolsa para a viagem.

Sobre o Bucky...— Até que Wanda cortou o silêncio com aquelas três palavrinhas capazes de gelar toda a coluna de Willa.

— Você também? – Ela choramingou lhe lançando um olhar manhoso.

— Você tem razão. Como você disse, Bucky tem outras prioridades. – Wanda anuiu a ela, com um discreto sorriso e seu sotaque forte. — Os sentimentos de Bucky são tão incertos e complexos quanto o de um pré-adolescente, mas... Steve e Sam tem razão também. – Ela se calou, revirando os olhos com seus dedos tamborilando no Ipod. — Bucky gosta de você, do jeito dele, é claro e ele não tem a menor ideia disso. Pelo menos ainda não. Talvez quando a guerra acabar...— Willa engoliu em seco, lançando um olhar debochado a amiga. — Não me olhe assim e nem pense em tentar me enrolar com suas palavras bonitas e sarcasmo americano. Eu sei do que estou falando. – Willa riu frouxo, passando a língua na ponta dos lábios. — Você lê corações e eu leio mentes. Eu sei exatamente o que se passa . – Ela apontou para a sua cabeça, indicando para ela. – E sei muito bem o que se passa na cabeça dele.

— Que bom que alguém sabe, por que eu estou completamente perdida. – Ela resmungou, fechando os olhos, ao se dar conta do que acabara de dizer e olhou, temerosa para Wanda. Não houve julgamentos. Ela apenas sorriu discretamente.

— Sam tem razão em outra coisa também. – Willa olhou questionadora a Wanda. – Você tem um gosto bem duvidoso para homem.

— Olha só, a suja falando da mal lavada, não é mesma Garota do Androide? – Wanda abriu os lábios, buscando por palavras para se defender e Willa negou com seu indicador, com um sorriso sapeca. – Nem adianta. Esse olho aqui é amigo desse, morena. Eu sei de tudo.

— É por isso que sei que você vai acabar se encontrando. – Wanda sorriu discreta, com um olhar orgulhoso sobre a amiga. — Você é esperta demais para o seu próprio bem.

— Muito obrigada, irmã. – Willa tacou uma almofada ali largada bem no rosto de Wanda, mas ela parou com os seus dons, a centímetros do seu rosto e Willa bufou. — Você é tão boa comigo.

— Pode apostar que sim.


Em silêncio, Willa arrumou sua bolsa carteiro com o necessário: um kit improvisado de primeiros socorros, uma camisa de manga comprida azul, dois ursinhos de pelúcia e um mordedor, um par de kaiken emergencial, um metsubushi, uma agenda com uma caneta, chiclete, skittles, paracetamol, café solúvel, um celular descartável, sua carteira com alguns dólares, passaporte e um mapa de papel. Ela tomou um bom banho. Fez tranças das mechas frontais de seus cabelos e prendeu lateralmente, formando um coque com parte de seu cabelo, preso uma fita vermelha com um belo laço deixando algumas mechinhas caídas à frente de seu rosto, com charme. Vestiu sua calça jeans surrada e confortável. Uma regata preta e por cima, uma camiseta vermelha. Coturno e suas luvas de couro, seus acessórios indispensáveis. Vestiu seu casaco de couro com tachinhas nos ombros, mantendo o zíper aberto. O dia estava fresco, mas ela optou por ser precavida, pois tudo poderia mudar quando eles pegassem a estrada em algumas horas. Por último, deferiu um olhar melancólico através da janela, admirando a rua pouco movimentada daquele bairro familiar. Ela respirou fundo com os seus olhos fechados e segurando firme a base de sua katana, despediu-se de Wanda e partiu do quarto, deixando para trás um aviso de que retornaria em dois dias e levando consigo um desejo de boa viagem.

Ao retornar para a sala principal da casa encontrou Barton ajeitando os últimos detalhes da viagem. Nem Steve, Sam ou Bucky estavam ali, deveriam estar em algum outro ambiente, planejando o que fariam agora: buscar uma nova mediação a Tony e aos outros vingadores, procurando explicar a situação de Bucky e o papel corrupto do Acordo de Sokovia contra eles, os Vingadores, o que Steve declaradamente não queria ter que fazer.
Ele preferia ir contra suas crenças, fazer um acordo com o próprio capeta, mas ter algum envolvimento com aquele governo corrupto e os seus aliados? Depois de descobrir que a Hidra tinha um agente em cada setor da SHIELD, quem poderia assegurar que eles também não estariam em cada setor do governo americano? Do FBI? Da CIA? Dos outros países?
Ele não estava sendo tão paranoico e egoísta. Ele tinha um importante e uma forte argumentação ali.

Pela terceira vez, Barton repassou o plano para Willa e ela não deu um pio.

— Você está bem? – Clint sacudiu o ombro dela, repousando seu indicador no queixo da amiga com um olhar preocupação.

— Claro. – Ela respondeu um pouquinho, incerta. — Estou ótima. – Ela crispou os lábios buscando afirmar mais resoluta. — Por quê? – A duvida lhe tomou graças ao ar confuso de Barton.

— Nada não. Você só está a uns dez minutos, bebendo esse copo de café vazio e eu estava começando a me perguntar se você se tocou disso ou estava bebendo algo invisível aos meus olhos. – Barton debochou e Willa demorou alguns segundos para compreender as palavras do arqueiro. Ele apontou com o indicador para o corpo, com um semblante evidentemente cansado. – O que, o que está acontecendo com você, Will? – Clint questionou repousando suas mãos sobre o ombro de Fairchild. – Você está muito quieta. Suspeita e assustadoramente quieta. – Willa revirou os olhos entortando os seus lábios. — Você normalmente fica com um mau humor detestável e emburrada durante todo o processo de instrução em reuniões... Às vezes acho que Steve vai ter colocar de castigo no canto, quando você fica incorporada nesse espírito do contra.

— É só que... É a sua família. — Não era uma missão qualquer. Não era algo sedimentado: entrar, pegar dados e informações, bater em alguns caras ruins e partir. Era encontrar e transportar a família de Barton para um lugar seguro.

— E nós temos tudo sob controle. – Clint repousou sua mão no rosto de Willa, tentando lhe acalmar. — Vamos sair daqui na van, na área combinada, pegaremos a moto e iremos para a fazenda. Laura me avisou que está tudo pronto, apenas esperando por nós. De lá, pegamos o carro, voltamos ao jato e vamos para o esconderijo. – Esconderijo esse fornecido por Fury. – Vai dar tudo certo.

— Vai. — Isso não quer dizer que eu não me preocupe, ela pensou olhando melancólica para a mesa, guardando o mapa de Barton.

— Wanda está no quarto? – Willa assentiu. – Vou me despedir dela. Você leva a minha mochila para o jato. – Ele ordenou, mandão. — Te encontro lá em cinco minutos. Ah, é vamos passar no primeiro Starbucks quando entrarmos naquela van, comece a pensar no que você vai querer...

Willa apenas concordou. Guardou o mapa na mochila de Clint, pegou duas garrafas de água na geladeira e colocou cada uma delas nas bolsas e seguiu para o lado de fora. Uma movimentação na garagem lhe deixou em alerta, mas ela conhecia aquelas presenças, os seus cheiros e conhecia as suas vozes, mesmo que não conseguisse ouvir com clareza as suas palavras proferidas. Então tranquilamente ela caminhou até lá, ficando de cócoras, passando pela pequena passagem do portão metálico. De pé, Willa travou seus passos, arrumando a alça da mochila de Barton em seu ombro, surpreendida pela presença de Sam na oficina improvisada, conferindo alguma peculiaridade em suas asas, enquanto Bucky e Steve estavam na parte traseira da van branca sem logo algum em sua lateral, conversando com seriedade.
Sam foi o primeiro a notar sua presença, largando a ferramenta de seus dedos e cruzando os braços com um olhar analisador sobre a figura da amiga.

— Prontos para partir? – Ele questionou e os Super Soldados calaram-se deferindo olhares discretos a Willa que apenas os olhou, emburrada.

— Sim, ele só foi se despedir da Wanda. – Ela entregou a ele o dispositivo de GPS e o comunicador por satélite, como combinado. — Vai ficar tudo bem por aqui, não é? – Ela sussurrou para Wilson, ao perceber que Steve e Bucky estavam distraídos, conversando.

— Se você está perguntando se o Steve planeja infiltrar alguma sede da Hidra nesses dois dias sem você aqui? Duvido muito. – Ele respondeu, deixando um sorriso debochado desenhar seus lábios, cruzando os braços. — Ele te conhece, você vai arrancar as sobrancelhas dele enquanto dorme se ele for sem você.

— Pelo menos um de vocês sabem dos riscos de me contrariar. – Ela implicou dando um soquinho no ombro de Sam, girando seus calcanhares para seguir para dentro da van.

— Hey, Willy. – Sam a chamou e Willa o olhou, por sobre seu ombro.

— Hmm.

— Toma cuidado, ok? – Willa fez uma continência com os dedos não escondendo um sorrisinho discreto e seguindo para a van, odiando a ideia de atrapalhar a conversa de Steve e Bucky. Por isso ela passou direto por eles sem interferir, apenas focada em colocar as bolsas e a sua katana na parte traseira da van, preso nas cordas de segurança na lateral, entre algumas caixas.

— Está tudo pronto? – Steve questionou, repousando sua mão na lataria do veiculo.

— Sim, repassamos os planos umas trocentas vezes. Peguei o que é necessário para ficar na estrada e pelo peso da mochila de Barton ou ele fez o mesmo ou está levando um agente escondido aqui dentro. – Ela empurrou a mochila contra a parede metálica, prendendo-a ali. – Ele já ligou o comunicador por satélite e o GPS portátil, ambos funcionando perfeitamente e nas mãos do moço Sam ali. Assim que chegarmos à fazenda, ligamos. Estamos prontos para partir.— Ela tentou mostrar animo, mas apenas soou deploravelmente forçada. Steve trocou um olhar com um distante Bucky e disfarçou, focando seu olhar em Willa. – Vai ser como se eu não tivesse ido a lugar algum.

— Duvido. – Steve implicou, recebendo um olhar surpreso de Fairchild. — Com você por perto, o café não dura. – Ela semicerrou os seus olhos sobre Rogers e Bucky conteve um sorriso, quebrando seu olhar de Willa discretamente. — Ei, não me olhe assim: É verdade. – Ela remendou ele e emburrou. — Toma cuidado, tá? – Ele pediu com carinho e ela anuiu, sentindo o olhar de Bucky sobre si, o que causou uma quentura crescente em suas bochechas.

— Pode ficar tranquilo, Stevie-o. Cuidado é o meu nome do meio. – Steve não conseguiu abafar uma risada e deixou o jato, percebendo que Bucky não o acompanhou, ele tratou de acelerar seus passos, para deixá-los à vontade. – Vai pedir para eu tomar cuidado também, James? – Ela questionou tendo certeza que a sua katana estava segura no suporte do compartimento, suas palavras sendo uma mera tentativa de quebrar o clima desconfortável que poderia existir entre eles e colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha, disfarçando seu embaraço súbito.

— Não. – Willa o olhou surpreendida pela sua resposta firme e ela se perguntou se isso era uma reação declarada ao que aconteceu mais cedo. — Eu sei que você sabe se cuidar muito bem. – Talvez não.

— Quem sabe você convença o Capitão Pai e o Irmão-mais-velho de asas ali disso, enquanto estou fora. – Ela brincou, sentando numa das caixas com os calcanhares cruzados e Bucky olhou para os amigos na oficina improvisada, anuindo com aquele sorriso discreto.

— Dois dias, não é? – Ele questionou num sussurro, apertando sua mão na lataria do topo da van.

— É o plano. – Bucky apenas olhou para Willa e abaixou o rosto, afastando a mão da base, como se estivesse pronto para partir. Ela não queria isso. – Você vai ficar bem? – Aquelas palavras lhe fez parar de caminhar com calma e controle, olhando Willa por sobre seu ombro, quebrando sua habitual apatia com um olhar questionador.

— Sem você? – Sua pergunta podia parecer óbvia aos ouvidos de Willa, mas havia algo particularmente desconcertante em sua questão.

— Bom, o Barton também vai, então vamos incluir ele na equação, apenas por consideração. Todavia sim, basicamente por causa de mim. – Ela explicou, buscando decifrar a postura de Bucky sem perder o seu ar divertido.

— Vamos descobrir. – Ele a olhou discretamente de cima abaixo e Willa sorriu ternamente. – E você, vai ficar bem também?

— Eu te digo quando voltar.

— Você sabe que pode... Conversar comigo, não é? – Por que ela conversaria? Ela tem Sam e Steve, claramente seus melhores amigos, mas Bucky sentiu uma intrínseca e confusa necessidade de lhe dizer e o seu olhar demonstrava bem tal confusão. Algo que ele não soube bem interpretar o porquê, mas ao dizer, sentiu um conforto lhe dominar e era bom. Bom saber que ela sabia, bom saber que ele podia ser parte de sua vida também, era bom poder ser livre com suas palavras. Aquele foi um dos momentos libertadores na vida de Bucky e ele fechou os olhos, repetindo silenciosamente, se algo desse errado, ele precisava recordar daquele instante: não importasse o que acontecesse, ele não podia esquecer aquilo. Ele precisava lembrar daquilo, daquela liberdade, daquele instante, de como ele se sentiu por causa daquele instante com ela.

— Sei agora. – Ela sussurrou com um sorriso discreto. Depois da breve discussão naquela manhã, Willa encontrou uma enorme tranquilidade, ao saber que ela partiria estando bem com ele. E então, Bucky entrou na traseira da van e Willa ficou imóvel. Ela não esperava por isso, buscando disfarçar sua surpresa, mas ela podia jurar que o seu coração retumbava tão forte contra seu peito que ela acreditava que ele poderia escutar. Ela ouviu um cochichar do lado de fora e sabia que Sam e Steve, que estavam cheio de ideias, não deixariam isso por menos para ele. E ela não estava nem um pouco incomodada. Pelo contrário, ela estava estupefata.

Eu me importo. – Bucky sussurrou repousando o seu corpo contra a lataria da van, com um olhar perdido no veículo, focado em qualquer coisa, menos nela. Por sua vez, Willa lhe olhava mordendo o seu lábio, reprimindo um suspiro em sua garganta. — Com você.

Eu também me importo com você, James.

Ele comprimiu os lábios, abaixando o seu rosto com os seus olhos perdidos no chão e ela podia jurar ter assistido um sorriso incerto nascer e morrer em seus lábios, enquanto sua mão humana retirou algo do seu bolso. Um pouco incerto, ele a olhou com um particular brilho em seus olhar azul-acinzentados, estendendo a ela o conteúdo em sua mão.

— Eu comprei para você. – Willa olhou para a sua mão e sorriu, admirando a gargantilha dourada com um pingente de Ying Yang delicado, tocando a correntinha e o pingente com a ponta dos seus dedos. – Eu vi que você gosta de cordões e achei que você fosse gostar por ser algo haver com a sua história... – Ele enrugou o cenho, sentindo-se estupidamente constrangido. – Se você não gostou, eu entendo... Não sou muito bom nessas coisas, sabe?

— Eu adorei. – Ela respondeu, ficando de pé com um largo sorriso. Ela virou, colocando o seu cabelo sobre o ombro. – Você coloca para mim?

Posso tentar...— Ele respondeu um pouco acanhado, segurou o delicado gancho com sua mão humana e o encaixe com sua metálica e olhou para aquilo como se fosse um quebra cabeça muito complicado para os seus neurônios e então, olhou Willa. Encarou a sua nuca, a forma que algumas mechas formavam cachinhos ali e como sua pele se arrepiou quando o seu dedo quente tocou ao passar o cordão sobre o pescoço dela e Willa abaixou um pouco seu rosto, mordendo os lábios ao sentir seu rosto aquecer. Ele teve uma pequena dificuldade, mas conseguiu e deixou a ponta dos seus dedos correrem delicadamente sob a sua pele, despertando um novo arrepio em Willa. Encostando sua mão delicadamente sobre o ombro dela, Willa virou a poucos centímetros de seu corpo. O pouco espaço entre eles não trouxe desconforto algum, mas definitivamente, despertou um mar de possibilidades explorado pelos seus olhos.

— Gostou? – Ela questionou, gentilmente arrumando seus cabelos sobre seus ombros e expondo o colar com seu sorriso contido.

— Ficou linda. – Ele respondeu, passando seus dedos numa mecha dos cabelos dela e colocando atrás de sua orelha parecendo hipnotizado pelo olhar de Willa. A porta do motorista abriu num estrondo e Bucky lançou um olhar certeiro ao intruso.

— Próxima parada, Starbucks. Ah, você...— Clint semicerrou os olhos para Bucky e ele sustentou seu olhar em desafio.

Boa viagem.— Bucky sussurrou rouco, quebrando o seu olhar com Clint para olhar Willa com suavidade e carinho, deixando um beijo rápido e carinhoso no topo de sua cabeça. Assim partiu do veiculo, fechando a porta traseira da van, por uma última vez olhando.

— Atrapalhei alguma coisa? – Clint questionou sentando-se confortável no banco do motorista, olhando Willa pelo retrovisor.

— Hm hm.

Clint era muito chato. O gavião era extremamente atento e focado na sua tarefa de pilotar o a van. Willa até duvidava que ele piscasse durante a travessia, pois ele mantinha seus olhos concentrados no horizonte e no painel do veiculo, como numa profunda meditação. Willa estava acostumada ao silêncio das viagens nas missões com os Vingadores, onde Clint era sempre o piloto da equipe, mas ele podia ser bem chato quando se tratava da escolha da trilha sonora.

— O piloto escolhe a música.

E adivinha? Ele era um apaixonado pelo melhor e pior dos Anos 80. Willa mesma apreciava horrores a música dos anos 80, mas imagine duas horas ouvindo Billy Idol e Creendence Clearwater? Willa estava pensando em abrir a porta da van e arriscar jogar-se estrada a fora.
A dupla mastigava um chiclete, curtindo a paisagem panorâmica, uma das maravilhas de viajar pelas estradas dos Estados Unidos. Foi uma viagem tranquila, como aquelas de retorno de uma missão muito bem sucedida, tão tranquila e agradável quase ao ponto deles esquecerem o propósito por trás de estarem ali.

— Colar bonito. – Clint murmurou com um sorrisinho escondido no canto dos lábios, arqueando as sobrancelhas lançando um olhar malicioso em Fairchild.

— Foca na estrada, Clint. – Willa resmungou, apontando o indicador e o dedo do médio para os seus olhos e por fim, indicando a estrada. Resmungando um ‘inacreditável’ por entre os lábios.

— O Terminator tem bom gosto.

— Cala a boca, Clint! – Willa resmungou disfarçando um sorrisinho no canto dos lábios, aumentando a música no radio, o que não abafou a gargalhada animada de Barton.

Eles deixaram a van num galpão abandonado, em alguma parte do sul dos Estados Unidos. Clint pareceu desgostoso de deixar Willa pilotar sua moto, por puro capricho, mas ela insistiu. Por duas horas sem parar ele dirigiu a van, ela podia pilotar a moto por umas três das seis horas de viagem. Pararam numa lanchonete ferrada de estrada, comeram, beberam, usaram o banheiro e abasteceram a moto. Willa não precisou focar seus sentidos no coração de Clint para saber que ele estava ansioso, por faltar tão pouco para se reunir com sua família. E diabos como ele sabia pilotar bem! Se Willa fez três horas certinhas, ele conseguiu chegar a fazenda em menos de duas horas e meia.

Assim que deixaram a moto, Clint não perdeu tempo em correr varanda acima, adentrando a casa num rompante. Willa o seguiu com passos firmes, arrumando a sua bolsa no ombro com um sorriso discreto ao ouvir as crianças, rindo. Um graveto partiu a distância, o que lhe fez parar seus movimentos com um olhar atento e resoluto pelo perímetro. Seu olfato não era tão eficaz como sua audição, entretanto ela sentiu um cheiro de terra molhada. Pode ter chovido nos últimos dias e era natural madeira craquear por conta de sua expansão causada pela umidade. Todavia ela não gostou disso. Ela estava mais precavida do que o normal e aquilo literalmente despertou todos os seus alarmes, mas ela não deixou isso transparecer, para não arruinar o reencontro de Clint e sua família.

Ela fechou a porta atrás de si e foi agarrada por dois monstrinhos lhe abraçando apertadamente. Lila e Cooper cresceram tanto que Willa desconfiou que eles andaram bebendo fermento no lugar de leite e panquecas no café da manhã.

— Opa, monstrinhos! – Ela se abaixou, abraçando eles apertado, dividindo beijos e cafunés nas crianças. — Vocês estão bem?

— Sim, Tia Willow! – Eles exclamaram em uníssono com risadinhas espontâneas.

— Que bom, por quê olha só o que eu trouxe para vocês... – Ela revelou os ursinhos com um ar divertido e as crianças ganharam um novo gás de animação. Se ela tivesse levado os dvd’s de Mulan e Tarzan, eles teriam desmaiado!

— Eu quero o macaquinho! – Lila exclamou, olhando para o irmão em aviso e ele apenas assentiu, pegando o leãozinho.

— Sabia que você iria querer! – Willa respondeu, arrumando lateralmente os cabelos de Lila num gesto delicado com um sorriso afetuoso em seus lábios.

Clint e Laura tinham se afastado para um terno abraço e agora, Barton pegava o pequeno Nate em seus braços, o que deu oportunidade para Laura vir até Willa, cumprimentá-la.

— Oi, Willow! – Ela lhe abraçou, carinhosamente e Willa retribuiu o gesto, com grande alegria. — Você mudou o cabelo! Franja combina muito com você. – Ela elogiou com um largo sorriso.

— Estava na hora de renovar meu visual.

— Cortou curto igual o Pietro, mamãe! – Lily comentou com animação e espontaneidade. Willa gelou apenas ao ouvir aquele nome.

— É, filha. Igualzinho o Nate. – Laura respondeu com um sorriso de orelha a orelha, trocando um rápido olhar com Willa e Clint. Fairchild não escondeu uma careta em seus lábios, ao olhar para Nate nos braços de sua mãe, parecendo um mini Chewbacca. Aparentemente a definição de curto por ali era bem abstrata. – É jeito de falar! Nate não gosta quando o cabelo fica ralo, sabe. Esse é o mais curto que ele suporta. – Willa assentiu com agilidade, mas ainda achava o termo bem abstrato por ali.

— Está tudo pronto? Acho que o quanto antes formos para a estrada, melhor. – Willa mudou o foco do assunto e questionou com leveza.

— Eu pensei em pararmos um pouco, só para comer algo e usarmos o banheiro, pode ser? – Clint sugeriu, beijando a bochecha de Laura deferindo um cafuné em Cooper, subindo os degraus da escada principal com agilidade.

— Tudo bem, mas vamos ser breves, ok? – Willa pediu com sutileza, trocando um olhar com Laura. — Não é bom para as crianças, principalmente o Nate pegar a estrada de noite, elas vão ficar inquietas e talvez assustadas.

— Você tem razão. – Clint concordou no corredor do segundo andar, massageando a nuca dando um bocejo cansado. — Laura, pega as bolsas e leva para o carro com as crianças.

— Vou ligar pro pessoal. – Laura obedeceu prontamente, mandando os filhos se preparem para a viagem com o papai e a Titia Willow.

Willa abriu a bolsa, pegando o GPS, ele estava funcionando corretamente, então pegou o comunicador, conectando no canal diretamente com os amigos. Esperando a conexão ser feita, apoiada na ilha da cozinha, Fairchild assistiu Laura tentar equilibrar-se com a mochila e a bolsa, enquanto levava com si as crianças e ainda precisava pegar Nate para colocar no canguru.

— Eu levo ele. – Willa falou.

— Não, eu posso fazer isso. – Laura meneou a cabeça negativamente com um riso frouxo, tendo dificuldade para conseguir segurar o canguru e todo o resto. Willa apenas negou com a cabeça, insistindo.

— Eu sei que pode, mas não precisa. – Willa deixou o comunicador no balcão e pegou o canguru das mãos de Laura, vestindo o canguru com uma dificuldade de iniciante, mas Laura lhe ajudou.

— Você é um amor. – Laura agradeceu, sorrindo e garantindo que o canguru estava bem firme no tórax de Willa. — Vem, meninos. – Ela chamou as crianças, pegando as bagagens. — Vamos para o carro. – Lila abriu a porta para mãe, enquanto Cooper buscou te ajudar com alguma das bolsas. — Amor, estamos indo!

— Já estou descendo. – Clint respondeu com certa distância. — Conseguiu falar com eles, Willa?

— Não, ainda não. – Willa respondeu, pegando Nate em seus braços e ele abriu os lábios num bocejo gostoso, lhe admirando estupefato. — Oi, Nate! Tudo bem, garotão? – Ela o encaixou com cuidado no canguru, garantindo sua segurança. — Isso, está bem aí? Espero que sim! – Ela retornou para o balcão, pegando o comunicador e vendo que a rede falhou. Ela bufou, buscando o canal novamente e esperando a conexão. Em poucos segundos, a rede falhou e ela estranhou, conferindo a conexão do GPS que também havia caído.

Merda. – Ela olhou Nate com os olhos arregalados. Nate riu inocente e disfarçadamente, ela levou o indicador aos lábios, pedindo segredo a ele. Nada de palavrões perto de crianças! — Clint, estamos sem conexão aqui. Vou lá para fora. Clint? – O seu silêncio fez Willa parar seus movimentos num supetão. Ela chamou novamente e ele não respondeu, mas um dos tacos de um cômodo a noroeste estalou num passo incerto.

Fechando seus olhos por breves segundos, Willa concentrou seu foco, escutando com atenção os movimentos da casa. Ouviu o estalar dos encanamentos, a água passando pelos canos de plástico com rapidez e fluidez, o gás fechado e condensado dentro do seu barril feito de ferro. A eletricidade era o som mais recorrente, pesado e instável, cruzando por todos os eletrodomésticos e sendo neutralizado, então os chiados irreconhecíveis a distância, como de ligações não completadas, como de walkie talkies esperando conexões pelo satélite. Ganchos de metal forte sendo agarrados nos troncos de árvores e gramado e cordas sendo esticadas ao seu extremo, enquanto pesos escorregavam pesadamente até alcançar o chão. Pessoas. Então as respirações ásperas e os corações descompassados, por toda a parte. Três gatilhos foram produzidos em sequencia, infelizmente não silenciosamente para a audição de Fairchild e um comunicador em espera chiou numa maneira incomoda aos ouvidos da loira que ganiu pela dor, perdendo o equilíbrio das pernas, mas conseguindo se firmar na base da escadaria. Ela perdeu o seu foco. E eles não estavam sozinhos. Eles estavam sofrendo um ataque com homens cercando cada região do perímetro e o pior, tinham pelo menos cinco deles dentro da casa.

Willa soltou o ar pesadamente e no exato instante, olhou para cima e encontrou um deles, fardado com suas vestes negras empunhando uma sniper diretamente em Fairchild. Hidra. Willa apenas teve tempo de correr para a cozinha, enquanto as balas pipocavam nos seus encalços como um rastro peçonhento. Sair pela porta de entrada seria seguir para morte, então a saída dos fundos era a sua melhor e única escolha. Fairchild foi puxando os móveis pelo caminho, para impedir os inimigos de alcançar lhe com agilidade. Willa largou o comunicador no chão e pegou o seu metsubushi, segurando firme entre os dedos. A porta foi chutada e um homem agachou ao chão mirando uma pistola em sua direção e acima dele um homem equilibrou-se mirando uma sniper. O tiro da pistola pegaria em seu estômago e a sniper acertaria ela e Nate. Em milésimos, Willa explodiu o metsubushi no chão e uma poeira branca subiu diretamente sobre os inimigos e ela aproveitou a oportunidade para deferir golpes com suas mãos, arrancando suas armas das posses dos agentes, tirando as cargas e desmaiando-os com golpes em suas nucas e cabeça. Havia mais dois. Esperando na espreita. O que foi bem vindo. Ela acertou um chute em sua cara, enfiou o cabo da katana na cara do outro soldado e um outro soldado, aproximou-se de inserido e Willa cortou o peito dele com sua katana, a oeste dois soldados se aproximaram, um arriscou e atirou, mas a bala ricochetou com a lamina da katana de Willa e ela arregalou seus olhos azuis, conseguindo se esconder atrás de um suporte de gás, apoiando sua katana, encravada na terra e pegou uma de suas adagas na bolsa. Olhou rapidamente para Nate e sorriu:

— Calminha, bebê. Nós vamos sair dessa. – Ela virou e tacou a adaga, acertando em cheio o peito do soldado. Ele desabou e os sons de passos se aproximando ecoou em sua mente. Ela precisava alcançar o celeiro.

Pelo pouco que ela conseguia perceber, graças aos seus sentidos, havia movimentação lá, mas ela não sabia dizer se era de Laura e as crianças ou se os soldados lhe cercaram. Também havia Clint. Sua falta de resposta só podia significar uma coisa: ele foi contido. Willa seguiu cuidadosamente pela parede e conseguiu ver o celeiro. Nenhum soldado a vista. O risco era alto, mas o carro estava lá. Valia o risco. Ela podia voltar para dentro de casa, não haviam mais sons lá, isso significava que eles deviam estar rodeando a casa e indo em busca de Laura e as crianças, e é claro, ela. Eram possibilidades, nenhuma certeza.

Sentir uma presença ia além de sentir os passos, a respiração e uma batida de coração. Era algo espiritual, algo além do explicável. Willa sentiu os pêlos de sua nuca arrepiaram e essa sensação lhe fez olhar pelo perímetro em busca de um observador, o problema era que ele vinha de cima, sob a invisibilidade de uma nave mostrando sua presença diante de seus olhos. A rapidez das ações foram ágeis demais para Willa conseguir raciocinar. A nave surgiu e um míssil foi irrompido dela, diretamente para o celeiro. A explosão ocorreu de dentro para fora. As madeiras estouraram, o som ecoou profundamente por todo o campo e as chamas alcançaram alturas imensas como a fumaça irrompeu como nuvens.

Willa não conseguiu conter a dor ao gritar por Laura e as crianças, agarrando-se a Nate e protegendo sua cabeça do impacto do som. Seus ouvidos zuniam. Sua percepção e sentido aguçado temporariamente danificado. Ela não pensou duas vezes e voltou para casa com passos rápidos, guardando a sua katana na bainha e pegando a sua última adaga. Infelizmente não era só isso, a nave não parou por aí e irrompeu outro míssil diretamente na casa. E Willa esperava por isso. Não era a toa que ela retornara. O tempo foi o suficiente para ela abrir a geladeira, arrancar algumas das prateleiras com alimentos e se enfiar dentro, fechando a porta. Depois disso, a explosão ecoou ensurdecendo a mente de Willa, enquanto Nate continuou a chorar, principalmente por conta da geladeira sendo arremessada por incontáveis vezes e o som da explosão e chamas ecoarem ininterruptas. Os minutos se arrastaram e Willa não conseguia ouvir, muito menos precipitar o que aconteceria. Ela manteve-se agarrada na bainha da adaga, acalmando Nate cantarolando baixinho uma canção de ninar em chinês a ele. Willa não sabia se Nate se acalmara por conta de sua canção ou por estar hipnotizado pela tristeza silenciosa irrompendo no coração dela.

Então um som. Um som ecoou e Willa agarrou-se a ele. Alguém se aproximava.

— Sim, senhor. O arqueiro está sendo levado em custodia. – Uma voz ecoou ao lado de fora, a audição de Willa ainda estava comprometida, então ela não sabia dizer se ele estava perto ou longe de onde ela e Nate estavam. O pânico e terror em seu semblante marcava o seu descontrole com tal situação. — Negativo, senhor. Não há sinais de sobrevivente. – O homem disse, pelo que Willa suspeitava, através de um comunicador. Ela continuou a massagear as costas de Nate pedindo a Deus que ele continuasse quietinho em seus braços. – Confirmo. A vingadora está morta e com toda certeza, a criança também. Sim, eu tenho total certeza. – O homem calou-se, provavelmente aguardando comandos de seu chefe. – Sim, senhor. Eu reconheço o meu erro, Barão. Pronto para cumprir. Hail, Hidra. – O comunicador foi abandonado ao chão. Um estampido de um tiro reverberou por toda a região e ecoou dolorosamente dentro da geladeira metálica. Nate soltou um pequeno ganido e Willa o confortou, respirando pesadamente. O silêncio mortificou o coração de Willa. O tal Barão mandou que o soldado se matasse, por algum motivo desconhecido por Willa.

Willa precisou chutar a porta da geladeira para conseguir sair e alguma coisa fedida encharcou a bainha de minha calça, mais tarde ela descobriu ser ovo. Nate acordou e por sorte, não havia sinais de nenhum soldado no perímetro, nem de nave alguma, nem de vida. Tudo estava destruído e o fogo tratava de recuperar o que ainda tinha vida ali. Willa não suportou e chorou. Enquanto pegava o mordedor para Nate, ela sentiu um engasgo e soluçou, caminhando com dificuldade, sentindo as pernas tremerem. Ela caminhou por entre os escombros, fugindo das chamas e da fumaça. Não conseguia identificar nada no meio da destruição. O GPS estava quebrado dentro da bolsa. Os seus olhos assistiam o perímetro e ela não sabia o que pensar, muito menos o que fazer. Então, viu o celeiro destruído e os seus pés tomaram as rédeas.

Não tinha sinal de corpos ali. Ela tirou algumas toras, pedaços de coisas não identificadas e escutava a lataria do carro estalar. Da janela do vidro ela viu: Laura e os seus olhos estatelados diretamente para o vidro cortaram o coração de Fairchild que não conseguiu conter a emoção, virando e tapando os lábios, sentindo os ombros tremerem pelo horror.
Esse era o momento. Ela fechou os olhos e respirou fundo. Pediu, implorou a Deus ou a quem estivesse lhe ouvindo para lhe favorecer e permitir utilizar os seus dons em favor de Laura e das crianças. Fez promessas. Reservou sua alma inteiramente ao serviço dos Espíritos, se ela pudesse ter domínio de seus dons naquele particular instante. Laura merecia, as crianças mereciam. Dentre todos, eles mereciam essa chance. Mas Willa não escutou nada. O vento não sibilou. As folhas das árvores não se moveram. O coração de Laura não clamou por Willa. Era apenas Willa e o silêncio. Ela foi negada de tal dom. Ela deve ter causado fúria aos espíritos, ao equilíbrio e agora, Laura pagava o preço por isso. Willa abraçou Nate, acariciando sua cabeça, pedindo perdão e depositando um beijo nele.

— Vai tudo ficar bem, querido. – Ele abafou um choro, como se o seu coração sentisse o que tinha acontecido e Willa fechou os olhos, comovida. — Vai tudo ficar bem.

Um som estatelado fez Willa olhar novamente para Laura e tudo mudou. Ela não foi ouvida, seus dons não se mostraram presentes em seu cerne, mas ela foi surpreendida ao escutar batidas de corações, agitados, desesperados e ansiosos reverberando dentro do carro.

Ela agora não apenas pensava, como sabia o que tinha que fazer. Ela enfiou a mão dentro da bolsa e pegou o celular descartável, digitando rapidamente aquele número, que um dia, foi de um amigo, de um líder, seu mestre.

— Quem é? – A voz rouca de cansaço questionou do outro lado da linha.

— Sou eu. – Willa proferiu, buscando abrir a porta do SVU com toda sua força, mas sendo impedida por conta da lataria amassada e sua falta de jeito com apenas uma mão disponível. A tristeza em sua voz era palpável. – Eu sei que nós não estamos nos melhores termos, mas eu preciso de sua ajuda, como nunca precisei antes.

— Isso lhe custará, Yanagi-san.

— Eu vou ajudar a Casta na sua bravata contra a Mão, mas, por favor, me ajuda agora, Stone.

Notas finais
Até semana que vem, mates :)