Born to Die | Exile
17 Born to Die | Damn your eyes
Notas iniciais
D A M N Y O U R E Y E S

Faixa seis — a mix to W.F From J.B.B with Help off S.R e S.W.
Damn your eyes!They're taking my breath awayFor making me wanna stayDamn your eyesFor getting my hopes up highMaking me fall in love again!Damn your eyes!
Willa secava os cabelos com a toalha do hotel sentada na borda da banheira . Pietro lhe arrumou uma camiseta regata vermelha e um jeans surrado. A calça ficou um pouquinho justo, mas ela era meio lycra, alargaria com o tempo e a camiseta ficou na medida certa. No espelho o seu reflexo revelou alguns hematomas e cortes em seu rosto, marcando a sua pele com a violência de horas atrás. Nem toda a base do mundo podia esconder aquelas marcas. Ela resolveu retornar para o quarto, temendo que Pietro martelasse seu punho na madeira pela sua demora ali dentro. Com a toalha ainda secando as pontas de seus cabelos, ela largou na cama, reparando em Pietro deitado meio sem jeito no sofá, com os olhos fechados.
Ela não quis despertá-lo. Com isso, ela sentou na beira da cama calçando as suas meias e coturno. Ligou a televisão no mute, buscando por notícias na mídia, mas encontrou apenas mais do mesmo: um terço dos Vingadores se encontravam encarcerados no Raft. Willa era procurada pela polícia alemã e os agentes especiais do governo, como também Steve Rogers e o inimigo dos Estados Unidos, Bucky Barnes. E nada sobre o psicólogo. A injustiça começava aí. Quando os justos eram presos, mas os culpados caminhavam livremente e mascarados pelo anonimato.
Mascarados.
Seria irônico se não fosse trágico. Era exatamente disso que os indecisos precisavam para decidirem de que lado estariam: a favor ou contra o acordo.
O que aconteceu naquele aeroporto foi a bala do gatilho atirado por um homem desconhecido e assistido de camarote por um Ross, completamente alheio, mas secretamente, grato. Agora seu acordo era um sucesso. Ele conseguiu: ele tinha um esquadrão de elite. Com um homem vestido de máquina, uma assassina russa, um androide e super-humanos ilimitados. Ele era a Hidra aprimorada. A diferença com a Hidra original? Ele tinha aprovação pública.
Willa desligou a televisão, enojada.
— Alguma novidade? – A voz de Pietro atraiu a atenção de Fairchild. Ele se sentou no sofá, massageando a nuca por conta do mau jeito. Willa meneou a cabeça negativa. – Vo—você está bem?
— Estou. – Ela inclinou o rosto, com um sorriso crepitando pelos seus lábios. Ela não estava acostumada com isso, com esse cuidado. Deve ser um dos mimos de ter um irmão mais velho ou só de ter o Pietro em sua vida. Novamente. – E você, quer dormir um pouco? – Ela apoiou os cotovelos nas coxas. — A cama está bem ali... – Ela apontou para a cama com a cabeça.
— Não, não. Eu estou bem aqui. – Ele bateu a mão no sofá e balançou a cabeça negativamente. Willa sentiu no ar a tensão dominando Pietro por conta dessa pergunta. – Aliás, eu não consigo dormir. – Ele explicou ficando em pé, alongando os seus membros. — Tentei, mas a minha mente não se cala.
— Eu não sei como funciona essa ligação entre vocês, mas é por isso, Wanda está tentando falar com você e por isso está esse barulhão aí dentro? — Willa perguntou crispando os lábios sentindo-se absurdamente leiga.
— Não. – Pietro meneou a cabeça em negativa. – Eu estou inquieto. – Ele massageou os ombros, proferindo tais palavras com um olhar melancólico para a cidade dominada pela noite.
— Mais do que o normal? – Willa brincou na tentativa de tranquilizá-lo.
— É, mais. – Ele retrucou com ares de poucos amigos. Willa fez um biquinho nos lábios, na defensiva, mas ele sorriu e essa simples ação era capaz de disputar com o encantamento da lua no céu. — Eu sinto que ela está tentando falar comigo, mas não consegue e isso só está me fazendo sentir um lixo. – Ele resmungou desgostoso, cruzando os seus braços com suas sobrancelhas unidas em incomodo.
— Nós vamos dar um jeito.
As palavras de Willa tocaram a audição de Pietro com doçura.
Ele fechou seus olhos, assentindo e ao sentir o toque das mãos dela envolverem seus ombros num abraço apertado e carinhoso, ele sentiu seu coração vacilar. Ele foi um tolo, um tolo por não perceber o quanto sentia sua falta. Ele sempre pensava em Wanda, se ela estava bem, protegida, segura, feliz... E quando pensava em Willa, ele se punia mental e verbalmente por estar pensando em alguém que não pertencia a si e talvez, nunca pensou nele com o tamanho do afeto ao qual ele pensara nela. Essa punição era uma tentativa vã de enganar sua mente e coração da saudade monstruosa que ele sentia do seu perfume, do seu toque para leve e delicado, tão contraditório para as mãos calejadas de uma ninja. E o seu olhar, aquele olhar ainda esperançoso, um pouco ferido, um pouco incerto, mas a sua positividade ali, presente nas suas palavras.
— Eu senti tanto a sua falta. – Ele confessou num sussurro certo. Ele queria proferir tais palavras. Ele queria dividir tais sentimentos. Não se volta à vida duas vezes e ele era uma anomalia, e precisava aproveitar cada segundo de tal, pois o mundo era injusto e perturbadoramente cruel... Hoje ele podia estar aqui e amanhã ele podia retornar a escuridão da sua dor, sem a chance de poder dizer o que sente as pessoas que vivem em sua mente. Willa, Clint, as crianças, Helen, até mesmo o Stark e sua bondade inesperada e Willa. A sua doce e intensa Willa.
— Eu também senti a sua. – Sua sinceridade era um revigorante em tempos onde as pessoas tinham medo de confessar os seus sentimentos e assisti-los serem massacrados ou manipulados por eles. Pietro se virou e Willa afrouxou seu toque, deixando suas mãos descansarem nos antebraços do Sokoviano.
— Você sentiu falta de um morto, de uma memória. – Pietro falou inclinando o seu rosto com seu olhar distante, pensativo. Então, ele a olhou. — Eu senti falta de você.— Sua mão repousou afetuosa e delicadamente no rosto de Fairchild e ela sentiu o ar fugir dos seus lábios. — Dos seus olhos, do seu sorriso, do seu toque, de sua presença... – Ele se aproximou com seu rosto inclinado perigosamente e Willa não moveu um centímetro sequer.
— Pietro, comporta-se. – Ela proferiu firme com seus grandes olhos azuis brilhando em aviso.
— Eu estou me comportando. – Ele ergueu os seus braços em defensiva. — Eu só não vou reprimir os meus sentimentos por você estar com o cara da hora. – E ali estava o seu sorriso característico, repuxadinho no lado, marcando as ruguinhas no canto dos seus olhos. — Só se vive uma vez, Willa. – Ele proferiu com respeito, tombando a sua cabeça um pouco para trás.
— Eu tenho uma boa noção disso, Pietro. – Willa comentou unindo as suas sobrancelhas.
— Eu era um moleque. – Ele proferiu repuxando os lábios numa careta. – Eu desperdicei a minha vida com lutas, protestos, vingança, amargura e muitos amores vorazes... – Willa repetiu o ‘muitos amores vorazes’ enrugando e arqueando as sobrancelhas com um ar julgador marcando seu semblante e Pietro sorriu. — Eu não quero mais desperdiçar minhas oportunidades por medo de sentir, de me comprometer, de perder e qualquer outra tolice que me impeça de dizer agora o que sinto que devo dizer, fazer... – Pietro inclinou o seu rosto com seus olhos passeando adoravelmente dos olhos aos lábios de Willa. Sua língua tocou o seu lábio com um sorriso lindamente perigoso em seus lábios. — Está vendo como sou um cavalheiro? – Ele estendeu os braços dando um passo para trás, buscando talvez por ser melhor observado por Willa ou pelo seu desconhecido auto controle. — Eu te beijaria agora, mas eu respeito os seus sentimentos por esse outro cara e não o farei.
— Obrigada por não tornar isso estranho. – Willa proferiu cuidadosamente, mordiscando o canto dos seus lábios.
Seus olhos conectaram com Pietro por um segundo perigoso onde ela se encontrou na berlinda do: seria realmente estranho? Seus dedos acarinharam a nuca dele sentindo a invasão das pontas das mechas de seus cabelos salpicados em branco espetarem a ponta dos seus dedos. A mão de Maximoff perigosamente subiu até a base de sua cintura e a outra encontrou conforto na curva de seu rosto.
Para o azar de Pietro o celular descartável de Willa tocou estridentemente no quarto e as chances deles tornarem àquele momento estranho foi por água baixo e ela retornou para si, um pouco tonta e culpada, como quem desperta de um transe, percebendo tudo o que pensou e quase fez.
Seu ouvido ecoou dolorosamente com o som e evitando aumentar tal incomodo, Willa optou por procurar o celular como uma pessoa normal usando seus olhos e memórias. Sua ansiedade atrapalhou um pouco o funcionamento de sua percepção e Pietro facilitou as coisas ao pegar o traje de Willa apontando para o cinto de utilidades. Grata, ela abriu um compartimento, retirando o antigo e pequeno aparelho dali.
No visor frontal ela viu um número desconhecido. Só existiam duas pessoas com o conhecimento daquele número e Willa tinha urgência para falar com eles.
— Princesa Lea na linha. – Willa proferiu cheia de si e Pietro enrugou o cenho. — Luke, é você?
Codinomes de segurança. Não culpem Willa. Steve criou os codinomes num período profundamente viciado por Star Wars. Sam era Han Solo, por ele se negar a ser o Chewbacca. Steve e Willa o chamavam secretamente de Chewbacca.
— Sim, madame. – Rogers murmurou do outro lado da linha com um sorriso frouxo.
T’Challa informou ao Capitão e ao Soldado que Willa desapareceu no aeroporto, literalmente, diante dos seus olhos. Ela era rápida, mas ele não esperava tamanha capacidade. Steve maliciou isso. Ela estava ferida, fadigada, como conseguiu escapar tão rapidamente? Willa era conhecida por suas proezas. Ela escapava das piores situações das formas mais mirabolantes e às vezes, simples. Presa ela não estava, ela deveria estar fugindo do Comando Especial de Ross, T’Challa supôs. Mas Steve conhecia a sua amiga: ela não era de fugir de uma luta, muito menos ela o deixaria para trás, nem Sam e Bucky. T’Challa ofereceu a sua tecnologia de segurança, direto de Wakanda, para procurar o seu paradeiro no mundo e enviar um jato para buscá-la, onde quer que ela estivesse. Steve estava tentado a aceitar, mas Barnes o lembrou do rastreador inserido por Sam na Katana de Fairchild. Isso facilitaria muito as coisas.
No quinjet mesmo, Steve e Bucky poderiam conseguir uma localização de Fairchild. T’Challa, por sua vez, optou por dar cobertura para a dupla, prometeu que se recontrariam para conversarem, agora, com tom de amizade, enquanto esperava Ross e seus agentes chegarem para capturar o psicólogo e levá-lo a prisão, o Capitão partiu da Sibéria rumo aonde Justice estaria. Já no ar, Steve caçou no sistema de rastreamento e um pontinho vermelho apontou o paradeiro do dispositivo na Katana não muito distante de onde eles se encontraram há horas atrás. Ou Willa foi tirar férias no centro da cidade de Berlim com muito caviar e SPA a sua disposição ou Willa resolveu mudar seus padrões e escondeu-se num hotel de luxo.
– Espero que na nossa ausência tenha aproveitado o SPA e o frigobar. – Steve brincou através da linha e Willa sacudiu os ombros e então, algo acertou a sua compreensão: como ele sabia que ela tinha um frigobar a sua disposição? – Espero que esteja pronta em dois minutos para salvarmos os nossos amigos.
— O que? – Ela colocou a ligação no viva voz para Pietro escutar, agora ao seu lado com os braços cruzados e as sobrancelhas unidas. – Como você sabe onde estou? Onde vocês estão?
— Tente no heliporto de onde você está hospedada... – Steve proferiu um pouco cheio de si e Willa nem arriscou a concentrar seus sentidos para confirmar tal informação, ela apenas assentiu, lançando um olhar dedutivo a Pietro.
Ele não perdeu tempo em começar a recolher tudo de essencial numa mochila, isso incluía o traje de Willa, alguns pertences dele, o kit de primeiros socorros, umas toalhas, o secador e quando Maximoff pegou um travesseiro, Willa apontou o indicador para ele em negação e ele assentiu, fechando o zíper. Mas reabriu para enfiar algumas bebidinhas alcoólicas do frigobar e pudim de chocolate. Pudim de chocolate era muito bom para ser deixado para trás. Isso tudo em dois segundos. Willa desenvolveria labirintite com Pietro em pouquíssimo tempo.
— Eu não estou bem hospedada aqui. – Fairchild mordiscou o canto dos lábios sabendo da bronquinha de paternal que receberia de Rogers. Pietro retornou a sua inquietação mexendo na alça da mochila com um olhar passeando agitadamente pelo quarto.
— O que você quer dizer com isso? – Olha aí o lado paternal ativado.
— É uma longa história. – Willa murmurou coçando a nuca com um sorrisinho maroto.
— Você me contará sobre isso em alguns minutos e seja breve... – Pietro revirou os olhos impaciente. — Estamos estacionado em lugar indevido, então venha lo... – Essa foi à deixa de Pietro. Ele arrancou o celular da posse de Willa. Desligou. Enfiou no bolso traseiro dela, sob protestos.
Então, tudo ficou em câmera lenta diante dos olhos de Willa. Sem pensar duas vezes, Pietro pegou Willa em seus braços no melhor estilo recém-casados. Por não esperar, ela abafou um grito.
— Fecha os olhos, draga. – Ele pediu com saudosismo.
Obediente, Willa cerrou os olhos e Pietro correu.
— Minha katana! – Willa gritou desesperada no meio do caminho. Maximoff deu meia volta retornando agilmente ao quarto. Milésimos, só se passaram milésimos. Ela deixou os braços de Pietro e pegou a Katana abandonada no cantinho do quarto. – Desculpa, bebê. Isso não acontecerá novamente. – Ela sorriu para a arma com afeição e Pietro arqueou as sobrancelhas.
— Está faltando alguma coisa? – Pietro perguntou procurando agitadamente pelo sinal de alguma coisa no quarto, Willa o imitou analiticamente e arregalou os olhos, apontando para o saquinho de McDonalds e correndo até ele, pegando o saco com um largo sorriso. – Você come por vinte homens. – Ele murmurou assombrado.
— Cala a boca. – Ela resmungou com um caminhar animado até Pietro. — É para os rapazes.
— Não sabia que seu estômago era um garoto. – Pietro debochou olhando analítico para Willa.
— Calado. – Ela ordenou prendendo a katana num suporte da mochila nas costas de Pietro e abraçou protetoramente o saco cheio de comida do fast food. Rapidamente, Pietro a tomou em seus braços e ela o segurou firme.
— Vou te largar no chão. – Ele ameaçou, buscando ter certeza de tê-la firme em seus braços.
— Resmungão. – Ela grunhiu cutucando o ombro dele.
— Comilona. – Ele rebateu olhando-a nos olhos com um sorriso convencido.
— Corre. – Ela ordenou, apontando para a porta.
— Ok, ok. – Ele revirou os olhos sacudindo os ombros e alongando o pescoço. — A mula de carga está em ação. – Ele dramatizou e Willa riu, fechando seus olhos, antes dele mandar. Pietro sorriu.
Pietro respirou fundo. Seria tudo diferente agora. Willa retornaria para Steve e para o seu novo namorado. E ele... Sobraria. Ele queria ter tido mais tempo com ela, só com ela, antes de ter que dividi-la com os outros. Um pouco possessivo de sua parte, mas essa era uma das camadas de Pietro. Ele sentia uma necessidade de ter para si tudo que amava. Ele não se incomodava de dividir, contanto que soubesse que se ele partisse e retornasse, ele ainda teria um espaço ali. Será? Será que ele ainda poderia ter um espaço na vida dela, da Willa?
Só mais alguns segundos... Ele tocou o rosto de Willa e ela nem sentiu.
Só mais alguns milésimos, ele disse a si mesmo, enquanto roubava tais instantes dos seus tempos, apenas para sonhar acordado e admirá-la em seu braço e então, ele acordou. Inclinou o rosto, assentindo em aceitação e partiu, definitivamente. Ufa! Quem diria que tudo isso aconteceu em menos de dez segundos! A porta fechou num baque pesado deixando para trás o lugar de reencontro de Fairchild e Maximoff.
A porta metálica do heliporto abriu rápida e fechou pesadamente em segundos. A brisa movimentou-se instável e um risco azul acinzentado passeou pelo ar, surpreendendo os olhos de Steve a esperar por Willa do topo da rampa do quinjet. Incerto do que viu e curioso, ele descruzou os braços, com uma leve preocupação brotando em seu semblante. Ele olhou por sobre o ombro, trocando um olhar expressivo com Bucky, sentado evidentemente cansado na poltrona de passageiro. Steve desceu pela rampa do quinjet e Bucky lutou para levantar da poltrona, para poder entender o que se passava. Os seus ferimentos não eram nada em comparação ao seu braço. Sem o seu braço metálico parecia que seu corpo perderá um terço do seu peso e era perturbadoramente complicado para ele encontrar equilíbrio sobre seus pés e não sentir-se enjoado. Ele precisava de toda força de seu braço humano para conseguir levantar da poltrona e encontrar equilíbrio nela. Ao conseguir isso com evidente dificuldade, os seus olhos reencontraram Willa à distância, mas ela não estava sozinha.
Pietro não parou muito distante da entrada do quinjet. Nem um pouco cansado, ele admirou a paisagem com Willa soprando uma mecha dos cabelos para longe de seus olhos.
Steve estava embasbacado. Ele desligou a ligação atordoado e arregalou os seus olhos com os lábios entreabertos com a presença diante de si. Pietro segurando Willa em seus braços, com seu melhor sorriso prepotente.
Apoiado nas costas da poltrona, Bucky assistiu a interação à distância, semicerrando os seus olhos para o rapaz de cabelos acinzentados segurando Willa, em seus braços tão intimamente. Barnes franziu seu cenho, assistindo discretamente aquela cena com um sentimento incerto e crescente em seu peito.
— Pietro? Você... – Steve estava completamente sem palavras. Ele nem perdia mais seu tempo para questionar no que o homem não era mais capaz de fazer, mas trazer alguém de volta a vida? Isso era algo que ele temia. Existir outros deuses? Era algo aceitável. Ressurreição? Era questionável e verdadeiramente preocupante. Seus olhos encontraram Willa e ele franziu o cenho, num espaço curto de segundos, ele assistiu o olhar, antes eufórico se tornar temeroso. Se Steve tinha suas duvidas quanto àquela situação, Willa tinha algumas respostas, mas também muitas perguntas. Bom, um mistério foi resolvido: Willa não desapareceu no ar, foi Maximoff. Um problema a menos. Maximoff libertou Willa de sua posse, retirando o saco de papel de sua posse. – É tão bom vê-lo vivo. — Por fim, Steve proferiu estendendo a sua mão para Pietro.
— Você não viu isso acontecendo? – Maximoff brincou jocoso, retribuindo o aperto de mão de Steve.
— Eu juro, ele estava se comportando, na medida do possível. – Steve arqueou uma sobrancelha e Willa o abraçou carinhosamente, repousando sua mão em seu rosto. — Você está bem? – Willa comentou com um sorriso no canto dos lábios. Willa reparou com preocupação nos ferimentos do Capitão. Ele apenas meneou a cabeça em negativa, como se pedisse para ela não se preocupar, aquilo não era nada. Então, seus olhos buscaram por Bucky. – Onde está...?
— O seu sargento está lá dentro e Willa. – Steve respondeu com um terno sorriso lançando um olhar para o quinjet. Pietro bisbilhotou curioso, mas logo disfarçou ao notar o olhar de Rogers sobre si.
— Por um segundo, eu achei... – Ela abafou um riso tolo, respirando fundo.
— Que eu tinha abandonado ele na Sibéria? – Steve brincou com o seu sorriso gentil, Fairchild sacudiu a cabeça em negativa.
— É, algo assim. – Ela adiantou-se para o quinjet com um sorriso crepitando em seus lábios, mas Steve segurou o seu cotovelo lhe impedindo seguir. – O que, o que houve? Steve... – Ela não suavizou a sua súbita preocupação com a atitude dele.
— A situação fugiu do nosso controle... – Steve iniciou e ela desgostou profundamente de tão cheios de dedos Steve estava se mostrando ali.
— Contra os soldados e o psicólogo? – Willa completou, supondo que Steve queria alertar a dupla para estarem prontos para um conflito em breve.
— Não, Tony. – Willa uniu suas sobrancelhas. O que Stark tinha haver com isso? O pobre do Pietro estava mais perdido do que cego em meio de um trio elétrico. — Bucky perdeu o braço mecânico, num confronto com ele... – Willa arregalou os seus olhos com o ar escapando pesadamente de seus lábios.
— O que? – Sem pensar duas vezes ela aprumou seu corpo adiante, mas Steve a conteve pelo cotovelo, rodopiando-a para sua frente.
Willa lutou contra a força do Capitão e ele não forçou. Fairchild escapou da posse de Steve, correndo para o quinjet e nem passou na mente de Maximoff em impedi-la. Willa era como uma força da natureza ou você ficava em seu caminho ou fugia dela. Ressabiado, Pietro lançou um olhar questionador ao Capitão.
— O que aconteceu na Sibéria?
— Longa história, garoto. – Steve suspirou repousando sua mão sobre o ombro do rapaz. — Precisamos conversar. – Pietro assentiu. É, não era só Steve quem tinha muito a contar ali. — Que tal entrarmos, está ficando frio e lembra, estacionamento indevido... – Steve apontou com a cabeça para o heliporto, destacando sua preocupação com eles serem encontrados.
— É, isso. – Pietro concordou e acompanhou o Capitão para o quinjet.
Willa entrou no quinjet com passos rápidos. Ela travou o seu corpo ao encontrar Bucky, apoiado na poltrona, olhando-a com uma discreta análise. O ar escapou dos lábios de Bucky num alivio e Fairchild sorriu passando sua mão no pescoço livre. Ele tinha ferimentos em seu rosto, um pouco de sangue seco deixado para trás, mas o grosso foi retirado. O seu corpo estava um pouco curvado o que indicava algum ferimento em seu tórax. Os cabelos estavam bagunçados e sebosos. E o seu braço mecânico foi arrancado, pela metade, deixando para trás alguns fios e lascas de metal pontudo. Mas... Ele estava ali. Estava bem. Estava vivo. Willa não pensou duas vezes: Ela correu para os braços de Bucky, envolvendo os seus braços contra o seu corpo com urgência. Àquelas horas separados pareceram um século.
— Cuidado... – Ele sussurrou em seu ouvido, afagando sua cabeça.
— Oh, desculpa. – Ela se afastou um pouco, sentida. — Não queria te machucar mais... – Bucky a sentiu escapar de seus braços e ele a conteve com seu antebraço, olhando para o que restou da sua prótese.
— Não, é isso, não quero que você se corte com isso ou... – Bucky apontou para as lascas metálicas e Willa sorriu repousando sua mão no rosto de Barnes com alivio transpassando sobre seu rosto.
— Quando não te vi lá fora, pensei que você tivesse... – Willa confessou franzindo o seu cenho por perceber não ser capaz de completar aquela sentença.
— Eu estou bem. – Ele proferiu resoluto e então permitiu um riso escapar dos seus lábios. Tais palavras nunca pareceram tão sinceras em seus lábios. Ele estava bem. E melhor ainda por tê-la ali consigo. – Isso daqui é até bem vindo. – Ele apontou com a cabeça para o braço mecânico decepado.
— Está doendo? – Willa perguntou com preocupação.
— Não. – Bucky abaixou o seu olhar, pensativo. — Na hora sim, mas foi mais uma junção de tudo. – Ele foi direto, acarinhando a sua bochecha e lançando um olhar para algo além de Willa, franzindo o seu cenho. – O que aconteceu lá... Não era nada do que esperávamos.
— É, o Steve me disse algo sobre o Tony ter atacado vocês.
— Não, ele queria nos ajudar, mas... Aquele médico, Zemo... Você tinha razão. – Willa enrugou o cenho, buscando compreender tal revelação. — Ele não tinha interesse em mim. Eram vocês, os Vingadores, algo sobre o que aconteceu em Sokovia. Ele perdeu a família e...
— Queria justiça. – Willa uniu suas sobrancelhas, pensativa.
— E você... – Bucky passou a ponta dos seus dedos afetuosamente no seu rosto, lhe despertando dos seus pensamentos com certa surpresa por tais palavras. – Você também parece ter passado por maus bocados...
— É só um dia normal para Willa Fairchild. — Ela brincou sorrindo com sua jovialidade.
Bucky sorriu perdido em seu olhar. Ele deixou seus olhos vagarem dançantes pelo seu rosto e inclinou-se, aproximando e beijando os seus lábios com carinho. Barnes repousou sua testa na dela, admirando-a.
– Eu voltei para você. – Ele sussurrou próximo aos seus lábios, arrancando-lhe o ar.
— E eu estava te esperando. – Ela confessou dominada pela melodia dos seus corações entregues aquele momento.
— E acompanhada...— Ele resmungou desagradado. — Quem é ele? – Bucky questionou apontando sua cabeça para trás dela. Willa olhou por sobre o ombro encontrando Maximoff e Rogers conversando a poucos passos de distância, no quinjet.
— É o Pietro, ele é o irmão da Wanda e me ajudou a escapar do aeroporto... – Willa explicou comprimindo os lábios com um olhar discreto em Pietro. Bucky não foi tão singelo.
Pietro assentiu as palavras de Steve. Ele seguiu para o painel de controle e Maximoff sentiu o olhar do casal sobre si e retribuiu o olhar. E assim, num estalar dos dedos, ele correu até alcançar uma poltrona deixando um sorriso convencido delinear seus lábios por conta do olhar duro de Bucky em si.
— E, ele corre. – Willa concluiu lentamente, olhando Bucky com um sorriso tímido.
— É, Wilson tem razão: todo mundo tem algo especial agora. – Bucky resmungou com um ar mal humorado adorável aos olhos dela. — Eu reparei nisso, entre outras coisas.
— É impressão minha ou você está com ciúmes? – Willa implicou com um sorrisinho sapeca, sentindo os olhos de Bucky passearem dela a Pietro com um vermelhinho crepitando em sua bochecha.
— Pessoal, vamos partir. – Steve anunciou, ele mesmo se localizando na poltrona do piloto. Finalizando assim os últimos detalhes. — Sentem e coloquem os cintos.
Willa era como aquelas estátuas artísticas esperando moedas de turistas, só que ali, ela aguardava uma resposta de Bucky. Ele grunhiu lutando para esconder um sorrisinho ao sentir as mãos dela agarrarem em sua cintura e nuca, com carinho.
— Willa, senta. – Bucky a encaminhou gentilmente para uma poltrona vaga e ela apenas riu.
— Eu sou um oceano e ninguém manda em mim. – Ela proferiu com um enorme sorriso sedutor, retribuído por Bucky.
A porta do quinjet começou a fechar, após o comando de Steve. Pietro assistia à distância a interação do casal.
— Lindo. – Bucky implicou com as palavras dela e ela semicerrou seus olhos para o Sargento. — Obedece ao Steve e senta.
— Ok, você usou a palavrinha mágica. – Ela levantou as mãos em rendição caminhando para trás e Bucky arqueou as sobrancelhas: Então, Steve era a palavra final. Seria assim? Ele também tinha uma cartada final.
— E, Willa... – Ela girou para sentar, mas Bucky a segurou pela mão, trazendo-a de costas contra o seu corpo. Willa sorriu com tal carinho surpresa e sentiu seus lábios contra o seu ouvido, sussurrando intimamente. — Eu fiquei com ciúmes.
Willa nunca ficou tão feliz por saber ter capaz de mover os sentimentos de Barnes assim. Ela mordiscou os lábios sentando na sua poltrona, ao lado de Steve, colocando seu sinto e apoiando o seu pé, contra a base do painel mordiscando a unha do seu indicador com um belo sorriso.
E Pietro só precisou de alguns segundos para arrancar essa felicidade espontânea de Fairchild.
— Então, você é o Bucky. – Pietro sussurrou com seu pé apoiado contra as costas da poltrona de Willa, com seu dedo brincando com a costura da linha do jeans. — O cara do momento. – Ele completou com certa dramaticidade. Esse o cara do momento foi uma indireta a Bucky ligada diretamente a Willa do que com as ações do Soldado invernal e só Steve não percebeu isso por estar focado em ligar a bancada do quinjet, mas Willa claramente notou e lançou lentamente um olhar de aviso a Maximoff.
— O cara do momento? – Bucky repetiu arqueando as sobrancelhas com um olhar perdido para o painel. — Questionável.
— Bom, acho que sim, você é o cara que virou o mundo de cabeça para baixo, levou minha irmã a ser confinada numa prisão e está com a Willa. – Pietro foi enumerando com os seus dedos com um olhar desafiador sobre Barnes. – Viu? – Pietro apontou o indicador para Bucky. — O cara do momento.
— Pietro, pesado... – Willa chamou sua atenção sem transparência alguma.
— Ninguém disse que eu pegaria leve. – Ele retrucou com um sorriso humorado.
— Tudo bem, Willa. – Bucky meneou a cabeça buscando passar tranquilidade a Willa e um Steve que apenas escutava o que se passava; ele confiava no juízo de Willa. Talvez, não deveria. — O garoto tem razão. – Barnes lançou um olhar sem paciência alguma para Pietro. Se um olhar pudesse matar... — Eu não sei muito sobre você para respondê-lo, então...
— Ex morto, ex vingador, ex hidra, ex da Willa e ainda melhor velocista do mundo. – Bucky grunhiu. Willa afundou em sua poltrona. Steve abafou uma risada irônica em sua garganta. Pietro não tinha ideia de como sua prepotência era similar a um certo James B.Barnes de 1942.
— Eu espero muito que essa lista esteja do pior ao melhor... – Willa resmungou afundando sua mão em seu rosto.
— Você tem um gosto duvidoso para homem. – Willa olhou lentamente para o seu amigo, o seu irmão de escolha, completamente escandalizada por conta das palavras de Steve.
Steve gargalhou e Willa semicerrou os seus olhos para ele, num silencioso aviso de: eu tenho uma adaga no meu coldre e eu adoraria vê-la enfiada em sua testa.
— Ok, isso foi muito bom rapazes, mas que tal nos focarmos no que importa aqui? – Bucky sustentou seu olhar um pouco mais em Pietro, mas obedeceu Willa.
No entanto, Pietro...
— Concordo totalmente. Você sentará aí, draga?
— Sim? – Ela respondeu incerta.
— Posso... – Pietro abriu os lábios numa careta e Willa apontou o indicador em aviso a ele.
— Não. – Ela proferiu resoluta.
— Escuta antes de tripudiar. – Pietro pediu com um sorriso divertido. — Posso sentar perto de você ou quem sabe dividir o lugar? Sabe, eu tenho muito medo de avião... – Ele dramatizou um ar de temor e Willa lhe olhou friamente. Ela sabia que ele não tinha medo algum. Essa não era a primeira vez que eles viajavam num jato.
— Deveria ter medo de outra coisa. – Steve balbuciou olhando por sobre o ombro para um Bucky concentrando no casal a sua frente. É, medo de Willa e sua adaga.
— Por favor? – Pietro insistiu e ele estava dedicado em tornar aquele momento mais e mais difícil para Willa. Quantos anos ele tinha? Três?
– Pietro. – Ele a olhou esperançoso. – Não. Você vai ficar aí, pertinho do Bucky e eu aqui, pertinho do Steve. Entendido? – Ela sorriu amarelo e Pietro arregalou os olhos, ponderando.
— Dois metros de distância metrado. – Pietro murmurou amuado inclinando seu rosto para o espaço entre eles e Bucky abafou uma risada debochada.
— Exato. – Willa levantou seus polegares sorrindo.
Ele gesticulou em defesa, mas acabou se sentando confortável em seu banco, lançando um olhar curioso para o quinjet. Para alegria de Willa, Steve não demorou a partir e encontrar estabilidade poucos minutos depois com o veiculo ágil e silencioso, como também Pietro e Bucky encontraram estabilidade entre olhares capazes de assassinar um coração puro e Willa afundada em sua poltrona murmurando que aquilo era uma cena muito mal escrita de um filme adolescente dos Anos 80. Steve tinha esse sorriso convencido e Willa conhecia esse sorriso muito bem. Era o sorriso do irmão mais velho que adorava assistir a irmã numa situação embaraçosa, a qual ela não tinha a menor destreza de escapar. Era legal não ser o único envergonhado do grupo de amigos.
— Não ri, Steve. – Ela sussurrou comprimindo os lábios para não atrair a atenção dos rapazes atrás deles. — Nós temos uma situação séria aqui. – Willa buscou ser a adulta do grupo.
— Sim, serissima. – Steve concordou com seriedade, sem perder aquele seu sorriso. – Você sabe que eu tenho razão, né? Seu gosto para homem... – Willa grunhiu meneando suas mãos em defesa.
— Desculpa, se eu não sou os 53% da nação que tem uma queda pelo Thor e a outra metade que tem por você... – Ela revelou apontando o seu indicador para o Capitão. — Lide com isso.
— Lido há quase dez anos, Willow. – Steve respondeu sorrindo no canto dos lábios.
— Que tal falarmos sobre o que importa aqui? – Willa olhou por sobre o ombro para ter certeza que não tinha a atenção dos rapazes. – Bucky foi dominado pelo espírito de uma esfinge e não foi muito claro sobre o que aconteceu na Sibéria, então... O que aconteceu?
Steve suspirou movendo os seus ombros pesadamente, colocando o quinjet no voo automático para conseguir concentrar sua atenção por alguns instantes na sua conversa com a amiga. Ele não tornou essa conversa intima entre eles; ele queria que Bucky sentisse a vontade para falar e também permitir Pietro compreender o que estava passando.
Sem delongas, Steve relatou que Sibéria foi uma enorme armadilha planejada pelo médico, Helmut Zemo. Após a evacuação de Sokovia, Zemo fugiu com sua família pela estrada principal. Ele não foi o único com tal ideia e não demorou para um engarrafamento monstruoso fechar as vias. Acreditando estarem seguros, seu filho pediu para assistir o Homem de Ferro sobrevoar os céus e atacar os monstros de metal. Ingênuo, Zemo concordou cuidando do seu filho a distância, enquanto sua esposa estava ao lado do seu pai, sentado no carro. Tudo aconteceu tão rápido. Zemo não teve tempo. Ele apenas assistiu diversas rochas esmagarem o carro, soterrando o seu pai e sua esposa. Ele pensou em socorrê-los, então escutou seu filho gritar ao ser atingido por uma das rochas. Inconsciente, ele desmaiou e Zemo socorreu o filho, buscando por abrigo com ele em seus braços. Mas era em vão, tudo aquilo foi em vão. Eles o perdeu diante dos seus olhos e não pode fazer absolutamente nada.
— Nós tentamos salvar o país dele e o mundo de um robô psicopata e ele resolve se vingar por isso? – Pietro retrucou trocando um olhar descrente entre os equilibrados Capitão e Justice.
— A família dele morreu por conta disso. – Steve retrucou com seriedade.
— Eu não tenho culpa das rochas terem gravidade! – Pietro percebeu a sua frieza por conta da reação de Willa as suas palavras e ele apenas quebrou a ligação em seus olhos, meneando a cabeça.
— Você está vendo tudo muito no preto no branco, Maximoff. – Steve comentou buscando apaziguar o conflito emocional do jovem.
— Você também veria assim se um robô atirasse uma rajada de tiros contra uma criança sem razão alguma. – E esses tiros acabassem por lhe matar, Pietro completou em sua mente, encolhendo os ombros com a amargura em suas palavras. Ele se sentiu mal. Steve só queria mostrar-lhe seu lado e Pietro lhe jogou a sua dureza. – Os Vingadores estavam apenas buscando fazer o bem. – Ele murmurou com pesar e Steve abaixou sua cabeça, conhecendo muito bem esse discurso. Por sua vez, Bucky optou por se manter calado, apenas a assistir.
— De boas intenções o inferno está cheio. – Willa respondeu e Rogers crispou os lábios. Ele não concordava com o seu pensamento, mas não negava que eles tinham passado por algumas situações onde tal pensamento podia ser aplicado. – E às vezes as ações do bem apenas alimenta o mal. – Não teria sido esse o caso? Não teria a boa intenção dos Vingadores, ao proteger Sokovia contra o Ultron, a criação acidental de um deles, ter sido um mal para alguns? Quando salvar vidas não é mais a meta? Quando pensar nas casualidades, nos riscos e no porém é mais importante do que ajudar alguém? E ali estava Willa, com aquele pensamento, novamente, a um passo de concordar com o acordo.
— O alvo deles não era os vingadores. Era a mim e Tony. Seu plano era desestabilizar os vingadores, nos colocando um contra o outro. – Steve explicou com seus braços repousados sobre as coxas e um olhar sério sobre Fairchild. Ela inclinou o seu rosto, com clara incompreensão. – E funcionou.
— Isso não explica porque ele sabia tanto sobre mim. – Willa comentou conflitante. Steve enrugou o seu cenho, questionador e não era o único. – Zemo. – Ela respondeu antes de qualquer um ali perguntar.
— Você é um dos meus calcanhares de Aquiles. – Steve revelou sem rodeios.
Aos olhos de Willa, Zemo não precisava conhecer seu passado para manipulá-la como fraqueza de Rogers, ainda mais levando em consideração o seu papel naquela tragédia em Sokovia. Ela era apenas um peão. Ela era apenas um membro dos Vingadores, enquanto Steve era o líder e Tony financiador e criador do Ultron. O fascínio de Zemo por Willa podia ser apenas uma artimanha, coincidência ou a desconfiança queimando na mente de Willa para algo escondido nas sombras era um prenuncio...
— Não entendo porque o Tony brigou com vocês. – Pietro cortou a linha de raciocínio com tal questão lançada ao Soldado e o Capitão.
— A última cartada do Zemo. – Steve respondeu aprumando sua postura, lançando um olhar cuidadoso a Bucky. — Ele... Ele foi ao encontro de Bucky em Viena não pelos soldados, mas em busca do paradeiro da fita de segurança que mostrava o Soldado Invernal matando o cientista e sua esposa, quando transportavam o soro de super soldado na estrada em 16 de dezembro de 1991.
— Porque ele iria querer isso? – Willa questionou olhando para os rapazes, com duvida em seus olhos. Steve sustentou os seus olhos em Bucky e ele retribuiu seu olhar, respirando fundo e assentindo.
— Porque eram os pais do Tony. – Barnes revelou deferindo seus olhos a Willa. A compreensão cruzou a mente de Pietro, enquanto Steve abaixou seu rosto, sentido. Os olhos de Willa não demoraram a marejarem e ela não sustentou o seu olhar com Bucky. E seus olhos caíram em Steve, enquanto a compreensão desmoronou sobre seu semblante e partiu o coração do Capitão.
— Você sabia. – Só isso explicaria o ódio de Tony contra Bucky, só isso explicaria Steve estar ali sem o seu escudo. Pela primeira vez, Steve perdeu o brilho seguro em seu olhar. A decepção no semblante de Fairchild partiu seu coração. – Você sabia e não contou para ele.
— Ele nunca nos ajudaria a encontrar o Bucky se soubesse disso. – Steve defendeu sua ação e Willa meneou a sua cabeça em negativa, empertigando sua postura com suspiro abafado abandonando seus lábios. – Ele não entenderia.
— E agora ele nunca vai perdoar e confiar em você por isso. – Willa acusou com embargo em suas palavras. Seus olhos passearam pelo ambiente, em conflito. Bucky queria defender Steve, mas Rogers meneou a cabeça em negativa, antes dele sequer abrir os lábios. Já Pietro estava em conflito abandonar a sua poltrona e aninhar Willa em seus braços. — Você retirou esses documentos dos arquivos de Kiev, não foi? – Steve apenas assentiu e Willa não abafou uma risada debochada. Ela leu aqueles arquivos ao ponto de saber detalhes de cor, ela lembraria de algo relacionado aos Stark. — Você não queria que eu soubesse...
Steve não confiou nela.
Willa quebrou dentes, nariz, quebrou ossos ao meio e continuou a lutar com dor, deslocou clavícula, sentiu frio abaixo de zero, levou flechas e tiros em distintas partes de seu corpo, se queimou, arranhões de ursos e felinos, como também picadas de insetos peçonhentos e até bateu o dedinho mindinho repetidamente em distintos lugares, mas nada, repito, nada lhe doeu mais, do que saber que Steve Rogers não confiou nela.
— Você contaria. – Ele explicou sem rodeios algum e Willa arregalou os seus olhos, com tamanha obviedade em suas palavras. É claro que ela contaria! São os pais de Stark, não os seus Bonsais de jardim! — Você tem um coração puro, Willow. – Steve buscou explicar sua atitude e Willa começou a se sentir sufocada por trás de sua própria pele. — Um coração que nenhum de nós nunca merecerá ter. – Ele sussurrou abaixando o seu olhar, apenas conectados ao rosto de Fairchild.
— Besteira. – Ela proferiu rispidamente, gesticulando descompensada. — Eu contaria porque eram os pais dele, não por ter um coração puro. – Ela negou com a cabeça, inclinando seu corpo para o horizonte, escondendo o seu rosto por trás da cortina dos seus cabelos. Então, um pensamento lhe acertou a mente. – Cadê o Tony? – Ela questionou com dureza, olhando por sobre o seu ombro assistindo Steve abrir os lábios, descrente. – Steve...
— Você está insinuando que eu mat... – Agora foi Steve quem perdeu o seu equilíbrio, evidentemente afetado pelas as palavras de Fairchild.
— Eu nunca imaginei que você seria capaz de mentir para o Tony, mas aqui estamos nós. – Ela gesticulou profundamente amargurada em suas palavras e um olhar gélido de Fairchild o delineou lentamente. — O Tony tem razão, o seu discernimento fica turvo quando o assunto é o Bucky.
Bucky fechou os seus olhos, sentindo um acido corroer sua garganta pelo peso por trás da sinceridade dela. Pietro se sentiu profundamente desconfortável ali.
— Tony está bem, ficou para trás na Sibéria, com o escudo feito por seu pai. – Steve tomou uma postura séria e taciturna, não se atrevendo a buscar a compreensão de Willa. Ele sentia que a tendência era ir de mal a pior ali. — T’Challa ficou com ele, para lhe dar assistência e esperaria por Ross, para prender Zemo. – Prender Zemo? Willa abriu os lábios, não conseguindo sequer proferir tais palavras perdidas num gesto de quem está completamente atordoado com seus pensamentos.
— Tudo vai ser diferente agora.
Ela sussurrou com profundo pesar, secando uma lágrima buscando irromper do canto dos seus olhos.
— O tempo cura tudo.
— Não. Não cura. – Willa proferiu fria unindo a sua sobrancelha com amargura.
O tempo não curava nada. Ela ainda sentia amargura pela perda de sua família. Ainda havia noites negras em sua vida em que ela chorava copiosamente por assistir novamente sua família sendo friamente assassinada diante de seus olhos.
Naquela noite ela não perdera apenas a sua família, mas a sua identidade, sua história, o seu futuro. Já pensou? Willa Fairchild não existiria. Se lhe fosse concedido, ela não mudaria sua vida, mas não deixava de invejar a ideia de ter uma vida comum. Ela seria Riddle, filha de um casal apaixonado e muito mimada pelo seu irmão mais velho, Chuck. Ela estudaria, frequentaria um curso em alguma Universidade, teria um bom emprego e quem sabe, um dia, ela teria uma família. E foi ai que lhe acertou.
Ela entendia Zemo. As lágrimas desceram pesadamente por seu rosto com tal descoberta. Ela o compreendia fervorosamente. Fairchild sentiu a mão de Rogers se aproximar de seu ombro e ela lhe deferiu um olhar cortante, arrasado. Ele travou seu gesto e encontrou-se sem palavras e ação quando Willa arrancou o seu cinto e abandonou a sua poltrona. Com passos pesados e desolação sobre sua figura, ela adentrou o quinjet, buscando por privacidade.
Os olhos de Pietro e Bucky seguiram preocupados e hipnoticamente Willa, mas nenhum dos dois cometeu a intromissão de segui-la para os confins do quinjet. Quando os seus olhos se encontraram, dura e desconfiadamente, tanto Maximoff quanto Barnes perceberam ter algo em comum ali, além de seus sentimentos por Willa: o respeito por sua privacidade.
Em silêncio, ambos dividiram um momento de respeito também; agora, um pelo outro.
Steve pendeu sua cabeça para baixo massageando a testa com seus dedos indicadores e médios.
— Como vamos salvar minha irmã e os outros? – Pietro ousou quebrar o silêncio com sua questão. Bucky não tinha uma resposta, como também estava focado em Willa e os seus próprios sentimentos. Steve precisou de alguns segundos para conseguir formular uma resposta condizente a pergunta, como também reencontrar o seu então, discretamente perdido, equilíbrio.
— Estamos indo para lá agora. – Ele apontou para o painel de controle. — No acordo existia um capítulo inteiro sobre a estrutura e segurança do Raft, isso vai nos ajudar para planejar o resgate. Não será difícil entrar na prisão, mas teremos um pouco de dificuldade para neutralizar a equipe de segurança.
— É uma equipe grande? – Pietro questionou pensativo.
— E muito bem treinada. – Rogers completou, assentindo. — Os melhores agentes do FBI e CIA foram selecionados para esse serviço. Tiveram um treinamento especial de combate, armamento e segurança, apenas aplicável para o Raft.
— Você e Willa conseguem lidar com isso, sozinhos? – Bucky perguntou arqueando uma sobrancelha.
— Não teremos o beneficio da furtividade. – Steve explicou a situação. — Assim que entrarmos o radar do Raft, o que acontecerá quando alcançarmos uns 10 quilômetros da base do raft, eles aplicarão um protocolo para segurança da prisão e ataque do invasor. Eles emergirão do oceano, farão contato, mandarão nos render e se não obedecermos, atacarão. – Pietro cruzou os seus braços, atento a explicação do Capitão. — Seremos mais espertos do que isso. – Bucky não duvidou. — Obedeceremos o comando de rendição imediatamente e atacaremos ao pousarmos. Com a porta principal aberta, podemos adentrar no Raft e aplicar a furtividade para conseguirmos chegar à área de segurança. Assim abrimos o nível da prisão e libertaremos um a um. – Bucky assentiu com o plano. Não havia erro. De qualquer forma, um sentimento de incapacidade lhe dominou e o seu olhar desgostoso para o seu braço arrebentado demonstrou a primeira vez que ele sentiu pesar por ter perdido aquele braço. — Willa é muito boa em infiltração, os seus sentidos aguçados são muito bem vindos e Pietro é rápido...
— Espera você quer que eu vá com vocês? – Pietro largou o seu pé no chão pesadamente, aprumando suas costas e lançando um olhar surpreso com um sorriso crepitando seus lábios.
— Claro, Wanda está lá e seu direito poder participar disso. – Steve comprimiu um sorriso, repousando uma mão sobre o ombro de Pietro. — Se você não quiser ir...
— É claro que eu quero! – Pietro exclamou com euforia. — Estou um pouquinho enferrujado, mas o filho a casa sempre torna.
— Pietro, onde você esteve esse tempo todo? – Steve abafou um riso frouxo, questionando aquilo que estava indo e vindo em sua mente.
— É uma longa história, Capitão. – Pietro revelou arregalando um pouquinho os seus olhos.
— Só chegaremos daqui a quatro horas...
Com isso, Pietro começou a relatar a sua história, a pouco, contada a Willa.
Sem dizer nada, Bucky tirou seu cinto e deixou sua poltrona. O lado direito de seu corpo estava claramente desequilibrado e o seu braço esquerdo era o seu único apoio, mas mesmo com a clara dificuldade, Bucky lutou contra ela, apoiando-se na bancada, nas paredes, até encontrar Willa na enfermaria.
Tinha um motivo para ela estar naquela sala: a porta.
Bucky olhou através do pequeno vidro na porta e ele lentamente deixou o seu olhar despedaçar sobre ela. Willa sentiu a sua presença ali, mas ela não levantou os seus olhos para encontrá-lo. Ela não queria encará-lo, não agora. Não quando ela sentia tão horrível por compreender Zemo. Não quando ela sentia-se tão decepcionada pela atitude de Steve com Tony, pelas suas próprias palavras ríspidas a ele. Suas mãos fincadas contra os seus olhos, buscavam conter o seu choro copioso com suas costas curvadas e os ombros desabados. Tudo seria diferente.
Fairchild secou as lágrimas com as palmas das mãos esticadas e olhou para a porta, Bucky não estava mais ali. Ele se sentou, com as costas apoiadas contra a madeira. Fairchild sentiu sua presença ainda ali, com isso, ela caminhou pela enfermaria até alcançar a porta. Todavia, ela conteve o seu gesto de abrir a porta e ponderou. Contra a porta, ela encostou as costas e escorregou, até seu quadril encontrar apoio do chão e assim, ela sentou com apenas a porta separando ela e Bucky.
— Eu sinto muito. – Ela sussurrou com sua voz rouca, pelo choro amargo. Bucky inclinou seu rosto para a direita passando a ponta de sua língua nos lábios, sentindo seu coração vacilar ao escutar as palavras tristes e sinceras de Willa.
— Você tem razão. – Bucky assentiu, não precisando de mais explicações para o seu pedido. — Steve nunca teve muita ascendência a mim. Nem eu a ele. – São os ônus de ser a família um do outro.
— Não, eu fui rude. – Willa murmurou sentida. — Não pensei no que disse. – Sua voz morreu um pouquinho, fungando o seu nariz. — Como eu pude só pensar... Eu sou uma estúpida. – Ela afundou os dedos por entre as mechas de seu cabelo.
— Você está chateada. – Ele sussurrou afetuoso. — É compreensível.
— Steve deve estar arrasado. – Willa sussurrou com magoa e embargada. — Eu o decepcionei...
— Tudo vai ficar bem. – Willa não conseguiu conter o seu choro. — Ele é louco por você, Willa. Você poderia colocar fogo na cozinha dele e Steve pediria desculpas por não ter lhe ajudado. – Willa riu, fechando os seus olhos secando as lágrimas no canto dos seus olhos. — Você é a irmãzinha que ele sempre quis ter e Sarah nunca pode realizar o seu sonho. – Ela inclinou seu rosto, surpresa. — Me lembro de na nossa adolescência, no aniversario da minha Irmã Rebecca, ele comentar como me considerava sortudo por ter uma irmã a quem proteger, cuidar, confiar, ter uma família grande... – O silêncio de Willa era um misto de atenção às palavras de Bucky, respeito por tal lembrança e comoção por Bucky não apenas ter recordado disso, como lhe considerar família de Steve. — Quem imaginaria que 100 anos mais tarde, o destino lhe concederia com você. Sempre considerei Steve sortudo, mas ele é praticamente um coelho...
A intenção de Bucky era fazê-la rir.
Willa não conseguiu conter o seu choro.
E Bucky não conseguiu conter mais o seu espírito cavalheiro e precisou tomar uma atitude.
— Willa, eu vou entrar, ok? – Ele anunciou ficando de pé, com um pouquinho de dificuldade.
— Tá. – Willa concordou, mesmo não esperando por tal atitude dele.
Bucky levantou e Willa imitou seu gesto, secando suas lagrimas e mantendo sua cabeça abaixada. Ele abriu a porta e eles se olharam. Os cabelos dela estavam um pouco cheios por terem secado naturalmente. Os seus olhos e lábios inchados marcavam o quanto ela havia chorando. Havia um pesar em seu olhar, como também as suas mãos pareciam estranhamente inquietas, com os dedos brincando entre si. Sem pensar muito, Bucky veio até si e a abraçou. Willa sorriu sentindo os seus olhos inundarem seu colete negro, quando repousou sua cabeça confortavelmente contra o ombro de Barnes e ele manteve seu braço apertado contra sua cintura, beijando sua bochecha afetuosamente.
— Vem cá, boneca. Pode chorar comigo. – Ele sussurrou em seu ouvido, sentindo-a encontrar conforto em seus braços. — Eu estou aqui com você. Sempre e para sempre.
— Sempre e para sempre.— Ela repetiu docemente num sussurro.
Deixando o seu olhar vagar pelo lugar, questionando o que a ascendência dele por ela poderia causar a eles. Bucky se viu, com Willa em seus braços, tomando o que talvez seria a sua melhor e mais inaceitável decisão, mas ele seria a primeira vez que ele teria esse direito, de escolher, por si, por Steve, por Willa. E ele faria de tudo pelo seu punk e a sua boneca.
Willa teve um dia ruim e Bucky estava ali para torná-lo melhor. Ela não conseguia deixar de sentir um nó em seu estômago, uma sensação familiar, como se ela tivesse se encontrado nessa situação há pouco tempo. Era quase como um deja vu. Não era momento para lamurias. O que estava feito estava feito. Certo? Isso tornava as coisas fáceis. Agora. E Willa não estava nem um pouco preocupada com o futuro. Do que adiantava estar, não é? Era claro que o futuro era uma probabilidade e a única certeza que ela tinha, era o agora.
E agora, ela escolheu por secar suas lágrimas.
Por estar com frio vestiu um casaco de couro, surrupiado do seu próprio armário. É, ela ainda tinha isso naquele quinjet. Talvez, nem tudo estivesse perdido, ela pensou vestindo o seu casaco.
Sentados na maca, ela cuidou dos machucados ainda visíveis de Bucky. Limpou, suturou, colocou esparadrapo e até mesmo brincou que ele estava tentando competir com a sua dezena de cicatrizes. Ele não conseguiu desmanchar aquele sorriso pelo tamanho do carinho e cuidado da ninja, com ele.
Ele podia se acostumar a isso.
Seria sempre assim. Um cuidando do outro.
Como Bucky sabia disso? Ele conheceu alguém assim.
Carregada pela presença de Barnes, juntos, eles retornaram para o comando central. Assim que o Capitão avistou a presença dos amigos, ele cessou sua conversa com Pietro. Eles conversaram sobre os últimos meses de Maximoff e o Capitão mostrou interesse na história do rapaz, e também empatia, ao contar-lhe um pouco sobre Wanda e sua evolução nos últimos meses. Com o retorno do Soldado e a Ninja, Pietro retornou os seus olhos para a janela, admirando a paisagem. Por sua vez, o Capitão retomou a sua posição de piloto, como o Soldado caminhou para o seu lugar, mas Fairchild não seguiu. Ela se concentrou no painel de controle, estudando as informações da infiltração, ataque e resgate dos seus amigos no Raft. Aos olhos de Steve, isso foi um sinal de que ela ainda precisava de distância. Para Pietro vê-la confortável com Barnes lhe causou uma reviravolta em seu estomago e ele optou por não se aproximar, se ela não o convidasse para isso.
E de qualquer modo, era Rogers quem deveria dar o primeiro passo.
E ele o fez, pouco tempo após seu retorno e faltando pouco para alcançarem o perímetro do Raft. Willa continuava no painel, analisando as entradas, como chegar à sala de segurança e o que poderia vir a ser uma fraqueza para eles, naquele plano. Steve caminhou cuidadosamente até alcançar o painel, até alcançá-la. É claro que ela precipitou sua aproximação.
E não fugiu dela.
Isso encorajou para o Capitão parar ao lado oposto do painel, um pouco metafórico para como os seus sentimentos se encontravam agora. Willa movia alguns pinos no painel de holográfico, marcando a sua posição, do Capitão e Pietro, pois suponha que ele também iria naquela missão. Ela moveu a pecinha cinza para um corredor a frente das pecinhas azuis e vermelha que seguiriam para a sala de segurança. Então, o dedo de Steve tocou a peça cinza, empurrando para junto das outras duas e Willa crispou os lábios.
— É melhor não nos separarmos. – Steve explicou suavemente e Willa não o olhou, empurrando firme a peça para onde estava antes.
— E não vamos. – Ela não queria falar, mas forçou as palavras pelos seus lábios. Não queria ser grossa com Steve, mas também não queria ser gentil e lhe dar a impressão errada. Olhou-o com certo cuidado, sem perder a dureza em seu olhar. – Pietro consegue estar em três lugares numa passagem de milésimos. Então, ele pode neutralizar os agentes nos corredores adjacentes ao principal, onde nós estaremos contendo os agentes... – Ela fez um circulo em amarelo com a ponta do seu indicador nos corredores adjacentes, marcando um caminho avermelhado até onde ela e o Capitão estariam. – E garanto que ainda teremos nossas mãos ocupadas, quando ele se reencontrar conosco.
— Boa tática. – Steve elogio com um sorriso discreto em seus lábios, cruzando os braços. Willa arqueou uma sobrancelha singelamente prepotente. Ela era ótima em táticas, isso não era novidade para ele, mas era novidade se sentir tão desconfortável perto de sua amiga, ao ponto de elogiá-la sem necessidade. – Depois do resgate, vamos precisar planejar o que faremos a seguir.
— O que você quer dizer? – Ela questionou enrugando o seu cenho, pela dúvida e antecipação de Steve.
— Nós somos fugitivos agora, Willa. – Steve proferiu pesaroso. Ela riu, isso não era novidade para ela.
— Já estivemos nesse papel antes. – Willa sorriu de lado, com o brilho desafiador brincando em seu olhar.
— Nada será como antes. – Steve falou com um olhar partido sobre a figura de sua amiga. — Eu sinto muito por ter mentido para você.
— Você não me deve nada, Steve. – Willa respondeu deferindo um olhar sincero a Rogers. — Não estava em minhas mãos essa decisão. Você fez uma escolha, eu estou no meu direito de não concordar com você. — Como você não concordaria com muitas das minhas decisões ao longo dos anos, mas isso não vem ao caso também, Willa pensou.
Não vinha mesmo.
— Você se arrepende? – Steve perguntou abaixando o seu rosto com o sentimento de pesar consumindo-lhe lentamente. Willa franziu o seu cenho. — De ter ficado ao meu lado? – Ela abriu e levantou suas sobrancelhas, compreendendo onde Rogers gostaria de chegar.
— Depois de tudo que eu sei e fizemos? – Willa levantou seu rosto lançando um olhar resoluto a Steve. Ela sentiu o pesar, insegurança e coragem nos olhos azuis claros de Rogers, então ela sorriu meneando discretamente sua cabeça em negativa. – Não, nunca. – Steve abaixou a sua cabeça, sentindo alivio lhe dominar. — Você é o meu melhor amigo e eu odiei sentir que esse sentimento não é recíproco.
— Isso não é verdade. – Steve meneou a cabeça lançando a ela aquele seu olhar capaz de quebrar os corações mais duros. — Eu só queria...
— Isso não importa mais, Steve. – Willa sorriu discretamente, sem a sua costumeira candura. — Muitas coisas não importam mais depois de hoje. – O pesar tocou suas palavras e o seu olhar escapou de Steve.
Ele ponderou. Rogers lançou um discreto e cuidadoso olhar por sobre seu ombro, olhando Bucky e Pietro, com passos calmos até alcançar o lado esquerdo de Fairchild.
— Pietro me contou. – Ele comentou e ela tencionou os ombros, fechando os seus olhos num suspirar pesado. — Você quer conversar sobre isso? – Ele sussurrou retornando o seu olhar para os rapazes e concentrando sua atenção na amiga.
— Eu trouxe ele de volta a vida, é claro que eu quero falar sobre isso, mas não agora... – Ela debochou arqueando uma sobrancelha, então ponderou e meneou a cabeça. — Agora, vamos salvar nossos amigos. – Ela apontou para o mapa do Raft no painel de controle. — Depois, vamos levá-los em segurança para os seus refúgios. – Ela inclinou o rosto, cruzando os braços lançando um olhar suave para Steve. — E então, conversamos.
— Então, conversamos. – Ele assentiu comprimindo um sorriso e lançando um olhar por sobre o ombro para os rapazes. – Se preparem, estamos chegando.
Steve repousou sua mão sobre o ombro de Fairchild num aperto respeitoso, retornando, menos preocupado, para o seu posto de piloto. A californiana, por sua vez, se manteve no painel, com suas mãos apoiadas na base metálica. Com seu discreto e suave olhar acompanhou Steve até alcançar a sua poltrona de piloto, e então ela se encontrou admirando Bucky, perdido em seus pensamentos. E então ela sentiu aquele olhar, que ela jurou que nunca mais sentiria, inclinou seu rosto e encontrou Pietro lhe admirando: sem sorrisos, sem charme, apenas... Um olhar indescritível.
Willa não precisava de muito para saber que agora, após dizer não ao acordo, após Bucky, após a batalha no aeroporto, após Pietro, tudo em sua vida seria indescritível.
Sem necessidades dos seus trajes, o trio preparou-se para o combate.
Bucky ficaria no quinjet, por conta de sua condição. Sem um braço, ele não sentia capaz de ser útil num confronto, mas numa emergência, ele ainda podia fazer uma bagunça com auxilio de uma arma e um pouco de sorte. Ele pegou uma sniper do compartimento de armas de Romanoff e manteve uma pistola escondida em seu coldre.
Willa deu aos rapazes os comunicadores, conectados entre si. Ela, obviamente, não precisava de um.
Pietro arrumou as suas luvas, aquecendo os seus músculos com alguns alongamentos. Aos olhos de Willa, ele estava tentando se amostrar, para ela, para Bucky... Bom, se Bucky fosse capaz rompia uns três ligamentos do rapaz só com um ela e com Willa não deu muita atenção; ela estava ocupada passando pelo seu ritual pessoal antes de uma batalha. Ela buscava um lugar reservado, sentava ao chão, com suas pernas cruzadas como Buda e meditava brevemente, enquanto afiava a sua Katana com uma pedra-ume, então, ela cortava a palma de sua mão e a banhava com seu sangue. Para um não seguidor de sua cultura, isso seria visto como insano. Para ela, era uma tradição de respeito, concentração e sorte.
Com tudo pronto, Willa se colocou de pé, caminhando até o encontro de um concentrado Steve Rogers.
— Por que você deixou o seu escudo com Tony? – Ela perguntou suavemente, assistindo-o arrumar o seu casaco de couro, sem armas em seu coldre e sem o seu escudo em suas mãos.
— Tony não acredita que eu mereça carregar o escudo, então, eu o deixei com ele. – Steve revelou arqueando as sobrancelhas. Ele esperava sentir pesar por isso, mas ele não sentia nada além de... Alivio. Era como se tivesse perdido um peso de seus ombros. Tivesse finalmente devolvido algo que não lhe pertencia, ao seu verdadeiro dono. Willa não deixou de sentir certa comoção em suas palavras.
— Não concordo com ele. Todos nós podemos ser o Capitão América, só depende do nosso coração. – Bucky levantou o seu rosto, admirando Willa completamente cativado pelas suas palavras. Pietro deu um largo sorriso orgulhoso, cruzando os seus braços e lançando um olhar agitado por entre o trio. Steve estava atento às palavras da californiana. – O escudo é um símbolo, Steve. São as escolhas feitas por quem o segura que o simboliza, não o contrário.
— Eu espero ter feito as melhores decisões quando eu o carreguei. – Ele proferiu com resignação.
— Fez. – Willa afirmou com um aceno de sua cabeça e Steve comprimiu um discreto sorriso. Willa entortou uma careta nos lábios. — Menos naquele dia que você o tacou para mim e eu não sustentei o peso e quase desloquei o ombro... – Pietro e Bucky assistia a interação. Steve riu com a lembrança de Willa e acabou por enrugar o cenho.
— Não fui eu quem tacou, foi a Natasha. – Steve corrigiu gesticulando com o indicador em sua direção.
— Bloqueei tal memória. – Willa meneou a cabeça em negativa. — Nós garotas somos unidas e isso é um sinal que o Senhor precisa cuidar melhor das suas coisas. – Ela rebateu sarcástica.
— Roger, Roger. – Steve é completamente viciado em Star Wars, lembra? Ele assentiu reconfortado por tal conversa e antes de poder proferir qualquer coisa, eles escutaram um aviso através dos interlocutores dos agentes do Raft exigindo que o jato pousasse e os seus tripulantes se apresentassem desarmados para os oficiais. Willa sorriu no canto dos lábios, olhando de esgueira aos rapazes. — Prontos? – Steve questionou olhando para o trio.
— Eu nasci pronto.
Pietro respondeu cheio de si, inclinando o seu pescoço e estalando os ossos com o seu sorriso típico. Bucky arqueou as sobrancelhas com o seu olhar duro sobre o Sokoviano e Steve apenas respirou fundo, caminhou para as portas duplas, para abri-las com o comando eletrônico.
Aproveitando a deixa, o Soldado seguiu até Willa.
Ela concluía uma trança, enrolando em uma coroa improvisada para prender com alguns grampos. Barnes parou a sua frente, puxando uma mecha próximo ao seu rosto, esquecida, e enrolando na ponta dos seus dedos. Percebendo uma súbita incerteza cruzar o olhar azul claro de Fairchild, ele sorriu confiante.
— Vocês vão se sair bem. – Bucky proferiu resoluto nem um pouco intimidado pela presença de Steve e o Sokoviano, com os seus olhos cravados em Fairchild.
— Eu sei. – Ela piscou meneando a cabeça com veemência. — Você vai ficar bem aqui também. – Ela murmurou repousando suas mãos na cintura dele, estabilizando-o a sua frente. Então, ela mexeu os ombros incomodamente ao sentir sua nuca esquentar. Era o olhar de Pietro sobre eles e ela tentou não se afetar com isso, concentrada em seu momento com Barnes. – Seremos rápidos, entraremos, ajudaremos e—
Bucky apenas assentiu com uma dramática concordância de Willa e cortou suas palavras, repousando sua mão em seu rosto e surpreendendo-a com um beijo apaixonado. Aprofundando o beijo, Bucky e Willa se permitiram sentir aquele carinho. Steve deu um instante a eles com um discreto sorriso e Pietro, bom... Ele pigarreou. Bucky e Willa não se sensibilizaram e Pietro pigarreou mais alto.
Bucky cortou o beijo, acariciando a bochecha de Willa.
— Precisa de um drops? – Bucky perguntou debochado ao corredor.
— Tem um? – Pietro rebateu a pergunta arqueando uma sobrancelha.
Bucky pensou em responder, mas Steve abriu as portas, com uma força desnecessária, apenas para cortar o clima pesado entre a dupla, como com uma faca e anunciar o inicio imediato da missão.
— Eu não posso com a testosterona de vocês. – Willa resmungou apontando para o Soldado e Corredor se afastando de Bucky, após deixar um beijo em sua bochecha.
— Eu também não posso com algumas coisas, mas como é que aquele cantor diz? Não podemos ter tudo o que queremos? – Pietro murmurou com uma leve malicia em seu olhar, assistindo Willa atentamente.
— Sabe o que eu quero? – Willa parou a sua frente com o seu melhor sorriso charmoso empertigando o seu corpo ao rapaz.
— O que? – Pietro caiu em cheio na sua teia lançando um olhar malicioso para Bucky, com a sua sniper apoiada no painel e engatilhando ela, deferindo um perigoso olhar a Maximoff.
— Que você siga com o plano. – Ela revirou os olhos, até encarar para a saída do quinjet. – Agora vai.
Pietro respirou fundo, descruzando os seus braços e revirando os olhos. Ele nem podia se divertir um pouquinho! Sem delongas, ele zappeou para fora do quinjet, seguindo com a sua parte da missão. Willa lançou um último olhar a Bucky arqueando as suas sobrancelhas sugestivamente e ele assentiu para ela seguir e ela obedeceu, partindo até alcançar Steve.
Bucky ficou sozinho no quinjet, entregue aos seus pensamentos.
O plano saiu conforme planejado.
Os agentes vieram recepcionar (e prender) a dupla com armas e ordens. Como eles não esperavam pela presença de Pietro e a sua agilidade acompanhada de socos e chutes, os agentes começaram a ser derrubados um a um, numa extraordinária velocidade, a ponto de alguns agentes serem levados a inconsciência, literalmente, sem saber o que estava acontecendo.
Liberados para atirar, os agentes optaram por atacar a brisa acinzentada a derrubá-los misteriosamente e o Capitão acompanhado de Justice, mas a dupla esperava por isso e encontraram-se nos seus alcances, para combater os agentes com os seus golpes defensivos em conjunto.
Ela chutava, ele acertava socos. Ele a segurou pelo braço como se fosse uma pena e lhe deu equilíbrio para ela acertar o seu famoso chute, conhecido como chute do dragão, era de impacto e forte; ela acertou contra o tórax de um dos agentes que cambaleou, e rodopiou no ar, graças a Pietro. Eles eram um bom trio.
Derrubados, Steve destruiu os comunicadores e por proteção, retirou as armas dos alcances dos agentes, atirando-as para o oceano. Pietro com Willa abriam a porta principal, após Fairchild surrupiar de dois agentes, os seus cartões de segurança: um para ela e Steve e o outro para Pietro. O trio adentrou o Raft, destruindo intercaladamente as câmeras em seus caminhos. Em poucos segundos, um trio de agentes surgiu, prontos para atacá-los. Willa prendeu suas pernas contra a cintura de um deles e o derrubou com a força de suas pernas. Pietro correu e implicou com o outro, surrupiando suas armas e lhe dando uma rasteira, acertando com o gancho da arma na testa do oficial. Por sua vez, Steve tacou um extintor de incêndio contra o braço do último agente que tentou ligar o alarme, para alertar toda a base.
Só por via das duvidas, Maximoff destruiu a caixa de controle, impedindo assim que o alarme fosse ligado naquele corredor.
Ele assentiu para a dupla e com o cartão de segurança entre os dedos, ele seguiu com o seu papel na missão, em conter os agentes dos corredores adjacentes.
A dupla seguiu pelo caminho principal, para a sala de segurança. Steve destruía as câmeras e a cada aproximação furtiva, Willa avisava gestualmente para ele. Os confrontos eram rápidos, Steve prendia o oponente e Willa finaliza – ou vice versa. Para eles, aquilo era um aquecimento de uma típica manhã de treinamento.
Ao adentrarem no corredor para a Sala de segurança, uma barreira de agentes se encontrava preparados com escudos, armas e um gás lacrimejante sobrevoando o ar contra a dupla. Eles só não contavam com os sentidos de Willa e sua agilidade. Ela retirou a sua Katana, acertando na latinha antes de encontrar o chão e devolvendo-a contra a barreira de agentes. A lata caiu no chão, o seu conteúdo dispersou e agora, eles gritavam, sufocados. Willa vestiu sua bandana contra a sua narina e Steve repousou sua mão contra a sua narina, evitando respirar fundo aquele ar, naquele instante. Boa parte estava com problemas para respirar e os que restaram ali, buscaram se manter firmes para defender a entrada da segurança máxima para os níveis da prisão. Eles tinham um propósito, um trabalho. O Capitão e Justice se entreolharam, pois eles não tinham uma missão ali, eles tinham que resgatar os seus amigos. E eles estavam prontos para o combate.
Maximoff não decepcionou Fairchild ao reagrupar com eles em poucos milésimos, acompanhando-os no combate defensivo e contenção dos guardas. Seus corpos desmaiados foram deixados para trás, no caminho. Pietro se aproveitando para amarrar suas mãos com panos, cordas, fitas adesivas e o que ele achava nas salas ali no perímetro. Willa se adiantou, surrupiando um novo cartão de segurança para adentrar na sala de controle do nível da prisão. Ela sabia que ali dentro tinha dois agentes, prontos para lhe atacarem. Então, ela não perdeu tempo, ao abrir a porta, tacando um colete a prova de balas para um lado da sala e atacando os homens com rápido golpes, utilizando suas mãos e a base de sua katana. Eles caíram em uníssono no chão e Willa guardou a sua katana em sua bainha nas costas.
Ela concentrou sua atenção nos painéis de controle, buscando pelos botões necessários para abrir as passagens para a ala da prisão, como nos documentos do Acordo informavam. Até que seus olhos encontraram as diversas telas de LED em panorama, com gravações distintas dos prisioneiros e Willa se encontrou incapaz de prosseguir.
Pietro zappeou pelo corredor até frear e parar ao seu lado, com seu olhar ansioso pelo perímetro, buscando por algum agente escondido nas sombras. Ele seguiu o olhar de Willa e encontrou as telas de LED, até que ele encontrou a presença de Wanda numa daquelas telas.
A câmera mostrava o cômodo onde Wanda se encontrava aprisionada. Ela estava amarrada numa camisa de forças com uma espécie de coleira eletrônica, piscando, em seu pescoço. Ela lançou um olhar soturno para a câmera e Pietro crispou os lábios com uma conflituosa comoção e raiva dominando sua raiva. Eles a prenderam como se ela fosse... Um monstro.
— Nível 3, a esquerda. Eu abri a porta para lá... Agora. – Willa proferiu embargada conferindo alguns dados no painel de controle, com certeza, ela lançou um olhar por sobre os ombros para Pietro. – Vá salvar sua irmã.
Pietro quebrou seu olhar da tela e seu semblante suavizou lentamente ao olhar Willa. Comovido, ele repousou carinhosamente a sua mão contra seu rosto e abandonou um beijo respeitoso no topo da sua cabeça e desapareceu em milésimos, porta a fora, em busca de resgatar a sua irmã. Steve chegou poucos instantes depois da partida de Maximoff, com Willa caminhando ao seu encontro e explicando o que ela descobriu, lhe dando pouco tempo, para ele conferir aquelas imagens, poupando-lhe de tal lembrança em sua mente.
O Capitão e Justice correram para auxiliarem e acompanhar Pietro. Ao alcançarem o corredor do Nível 03, Maximoff estava em confronto com alguns agentes, sendo derrubados contra as paredes e chão com socos e chutes urgentes do Sokoviano. A dupla auxiliou em tal combate, em sua luta homogênea como um organismo.
Ao adentrarem na redoma de prisões, a falta de iluminação foi uma dificuldade para eles prosseguirem pelas pontes de metais e alcançarem as prisões, assim para descobrirem como libertar os amigos daquelas contenções especificamente construídas para humanos aprimorados. Willa seguiu o seu instinto, buscando por uma sala a parte. Encontrou uma sala escondida, com um painel de controle e novas telas de LED com imagens de ângulos diferentes de cada cômodo, incluindo uma câmera desconectada, apenas mostrando a escuridão.
Steve adentrou o caminho seguido por Pietro, assistindo silenciosamente os amigos em suas prisões, sem ainda, notarem suas presenças nas sombras.
Scott cantarolava e batucava com os seus dedos contra o metal, sentado de costas para o vidro. Prisões não era novidade para ele.
Clint também estava deitado na cama, com seus olhos fechados, concentrado nas lembranças de sua família unida.
Wanda estava sentada ao chão, contida como uma fera, furiosa como uma Deusa.
Sam estava em pé, de costas para o vidro, em alerta.
Ele tinha uma intuição. A movimentação estranha dos agentes. As luzes diminuídas. O silêncio. Ele podia jurar que a sua desconfiança era um sinal. Algo extraordinário estava acontecendo. Sam sentiu uma presença e olhou por sobre o ombro e o viu. Ele não riu, muito menos sorriu. Ele sabia. Ele sabia que cedo ou mais tarde, o Capitão viria resgatá-los. Ele nunca perdeu a fé em seu amigo.
Um clique ecoou em uníssono abrindo todas as portas das prisões da redoma. Os heróis mostraram surpresa e as luzes foram acesas num estalo, revelando os seus salvadores a espera do outro lado do vidro.
Os prisioneiros um a um foram deixando os seus confinamentos. Scott foi o primeiro a cumprimentar Steve, seguido por Sam e Clint. No entanto, a emoção ocorreu quando Pietro correu, abriu a porta do confinamento da sua irmã e adentrou, auxiliando-a a ficar de pé. Eles não dividiram palavras. A emoção corria nos olhos do Sokoviano e Wanda dividiu de tal emoção. Ele arrancou a sua camisa de força fora, largando-a no chão e ele pensou em como desligaria aquela coleira, mas Wanda arregalou seus olhos, meneando a cabeça com veemência em negativa. Ela não podia falar, o motivo, mas Pietro entendeu acariciando o rosto da irmã.
A coleira deveria ter algum tipo de resposta caso alguém tentasse desligá-lo inapropriadamente e ela foi conectada para impedi-la de usar os seus poderes verbalmente. Pietro comunicou sobre a coleira através do comunicador para Steve (e Bucky também ouviu). Pietro acompanhou a irmã para deixar o confinamento, recebendo olhares surpreendidos de Scott e Sam, completamente boquiabertos com sua presença: o primeiro por não ter a menor ideia de quem ele era e Sam exatamente pelo opoto.
Steve chamou por Willa e ela escutou sua voz através da brisa e olhou diretamente pela enorme janela com uma película fumê, escutando-o falar sobre a coleira conectada a Wanda. Sam procurou por ela no perímetro, mas não encontrou a sua presença.
Compreendendo o que se passava, Willa procurou por algum botão no painel para desligar aquela coleira. Steve pediu tempo e aproveitou para falar com Bucky pelo comunicador, informando sobre o andamento da missão e saber como ele estava por lá. Com uma resposta positiva, Steve informou o que eles fariam agora. Willa descobriu que existia um painel para cada prisão e ela descobriu qual pertencia a Wanda, e com um pouco de lógica, ela descobriu qual era o botão conectado a coleira e numa tentativa, perigosa, ela apertou o botão torcendo para ter acertado. A luz avermelhada apagou e a coleira fez um estalo. Rapidamente, Wanda arrancou ela fora, jogando-a para longe com os seus dons e um olhar furioso sobre o aparelho eletrônico.
Então, os seus olhos encontraram Pietro. Ele sorriu, aquele seu sorriso capaz de aquecer almas. Wanda sentiu uma lágrima descer lentamente por sua bochecha e seus lábios pronunciaram seu nome embargado. Num átimo, os seus corpos se abraçaram com urgência e saudades. Emocionados, eles não se privaram de chorar, rir, se admirarem, tocarem seus rostos, cabelo e abraçarem mais e mais.
Wanda reencontrou a sua metade e Pietro, finalmente, também.
Clint sorriu comovido assistindo aquela cena, em seu coração, ansiando por reencontrar os seus filhos. Scott, por outro lado, não compreendia o que estava acontecendo ali mesmo, mas não escondeu a sua emoção como o bom manteiga derretida que ele era — e não temia esconder ser.
Na sala de segurança, com os seus braços cruzados, Willa sorriu assistindo emocionada a interação entre os Maximoff. Aquilo era real! Ela secou uma lágrima, sorrindo. Ela conhecia o seu passado, ela vivia ali o presente, ela desconhecia os seus dons e não tinha menor ideia do que o seu futuro reservava, mas sabe, valeu a pena... Cada segundo, cada luta, cada batalha, cada momento, cada decisão, cada coração salvo.
Ela respirou fundo, assentindo com orgulho ganhando morada em seu coração. Caminhou pela sala. Um terço do plano estava concluído, era hora de partirem, partirem para os seus refúgios, seus futuros. Ela ligou o microfone do painel de controle, para avisos, e sua voz ricocheteou pelas caixas de som na redoma de prisões, surpreendendo o grupo de amigos.
— Capitão, está na hora de partimos. – Ela anunciou com euforia em sua voz.
Todos olharam para a sala de comando e Willa fez uma continência divertida para o grupo, abrindo um largo sorriso quando os seus olhos encontraram Wilson. Ele sorriu para amiga, satisfeito em encontrá-la bem e cruzou os seus braços, seguindo os passos de Steve. Scott levantou as suas sobrancelhas, acenando para ela com sua outra mão apoiada na cintura, pronto para o que o aguardava lá fora. Clint não sorriu, tinha algo de peculiar em seu olhar sobre a californiana... Era como se ele soubesse que ela sabia. Por fim, Wanda sorriu com aquela sua felicidade tão ansiada por Fairchild, e então algo lhe atingiu, um pensamento. Ela olhou de Willa a Pietro com inquisição em seu olhar e ele meneou discretamente a cabeça em negativa, mas sorriu. Tudo não estava como ele esperava, mas estava bem e no futuro, ficaria melhor, não é mesmo? Com esse pensamento dividido com sua irmã, Wanda assentiu sorrindo, repousando o seu braço na cintura dele e Pietro a abraçou no ombro, trazendo a para perto de si, e assim, seguiram os passos de Clint e os outros para abandonarem aquele inferno para trás, como um pesadelo a ser esquecido e absorvido pelo tempo.
E agora era o momento de Willa também seguir em frente... Se não fosse por aquele chamado contra a brisa.
— Riddle.
Willa reconheceu aquele sussurro profundo. Por um instante, ela optou por girar os calcanhares e partir daquele corredor para encontrar os seus amigos, mas a sua curiosidade seria a sua danação. E ela seguiu aquele sussurrou, passo ante passo, pelo corredor acinzentado e salas com paredes de vidro, até alcançar a sala onde estava quem lhe chamou. Lá estava ele: Helmut Zemo. Enjaulado na capsula de vidro, acorrentado pelas presas de metal em seus ombros e cintura, com as mãos algemadas. Não deveria estar ainda num confinamento próprio por ter chegado há pouco tempo. Sua cabeça abaixada levantou lentamente e os seus olhos castanhos escuros, sem vida e faiscando misteriosamente encontraram Willa, séria e desconfiada com aquele lugar, com o seu chamado.
— Você me ouviu. – Ele sorriu convidativo com um brilho faiscante sobre ela, o que a enojou.
— Como você sabia que era eu?
— Eu não sabia. – Ele levantou os ombros com aquela desconcertante paz. — O pior que poderia me acontecer era eu estar errado ou você me ignorar. – Ele inclinou o rosto, admirando-a. — Além do mais, eu estava ansioso para quando você e o Capitão viessem resgatar os seus companheiros. Tornaria as coisas um pouco mais agitadas para mim. – Meneando a cabeça negativamente, Willa decidida de sua loucura, ela moveu para partir dali. — Antes que você vá, eu quero que você saiba... – Ele pediu sem muita urgência, com seu sotaque carregado. Ela não ia parar, mas havia algo no tom de sua voz que lhe fez olhar por sobre seu ombro, desconfiada. – De todos eles, você era quem eu menos desejava afetar.
— Porque você quer que eu saiba disso? – Ela questionou com frieza.
— Você não quer saber os meus motivos? – Inexpressivo, ele questionou sustentando o seu olhar sem pestanejar.
— Honestamente? – Willa curvou os lábios numa careta enojada, meneando a cabeça negativamente para a sua figura. — Eu não ligo.
— Você deveria. – Willa lançou um olhar conflituoso sobre Zemo e ele sorriu. — Nós somos muito parecidos, Riddle. – Pesada e enraivecida, ela aproximou da jaula de Zemo com fúria em seu olhar. Como ele se atrevia a chamá-la assim?
— E quero que você coloque isso na sua cabeça insana: Você não tem nada parecido comigo. – Levantando o seu queixo, ela proferiu tais palavras com calma, para ele compreender corretamente o lugar dele. – Muito menos eu, sou parecida com você. – Zemo comprimiu um sorriso.
— Nós perdemos as nossas famílias por conta do poder. – Ele proferiu resoluto, sem desconectar os seus olhos dela. — Você vê o mundo distorcido por conta disso...
— Ou talvez você veja. – Ela interrompeu levantando a cabeça, levantando uma sobrancelha sugestiva.
— Talvez. – Ele respondeu hipnotizado pela presença de Willa. — Mas isso não assombrará minha consciência, mas assombrará a sua? – Willa abriu os lábios e piscou os olhos se encontrando desconcertada, então os seus olhos reencontraram Zemo. Ele assentiu suavemente e sorriu contido e tranquilo.
— A única coisa que me assombrará é se você merece a piedade dada pela Vossa Alteza de Wakanda. – Ela respondeu friamente, arqueando sugestivamente uma sobrancelha e ele manteve o seu sorriso.
— Bem, se o Soldado merece, porque eu e você, com motivos tão honrados por trás de nossas atitudes vingativas, não mereceríamos uma segunda chance? – Willa inclinou o rosto, acreditando na possibilidade de Zemo estar vivendo uma ilusão, por conta de sua sede por vingança, mas a sua seriedade e certeza emocional revelava a Willa outra perspectiva de Zemo. Ele ainda estava jogando. Ele ganhou a sua batalha, perdeu a guerra, mas ainda estava manipulando os seus peões no seu doentio jogo de xadrez. – Por que, Riddle?
— Eu nunca machuquei pessoas boas, como você fez. – Zemo semicerrou os seus olhos, empertigando sua postura.
— A minha família era boa, o que eles foram para você, um incidente isolado? – Ele questionou rispidamente.
— Eu sinto muito pela sua família, mas a morte deles não justifica você se tornar um monstro. – Ela sentia, realmente, sentia muito não apenas por essa perda, mas por cada uma delas causada por Riddle, por Willa, por Justice e os Vingadores. Mas, perder alguém que você ama, não justifica você tornar-se pior do que aquele que destruiu sua vida.
— Lavagem cerebral justifica? – Ele retrucou peçonhento, o seu sotaque pesado parecia envolto em uma distinta agressividade. Willa respirou pesadamente. – Você está apenas relevando o meu motivo, quando devia ver o mundo através dos meus olhos, para verdadeiramente, me compreender.
— Como se eu quisesse isso! – Ela exclamou fria.
— Também, você não está pronta. – Ele respondeu com aquele sorriso curvando os seus lábios finos. – Por agora.
— Do que você está falando? – Willa o olhou confusa, empertigando sua postura.
— Nós vamos nos encontrar novamente. – Ele sorriu com um brilho em seu olhar e Willa retribuiu o olhar com clara descrença.
— Apenas nos seus sonhos insanos... – Ela riu em escárnio, caminhando para trás com cuidando, percebendo com pena que perder a sua família o levou a loucura.
— E você vai me tratar apropriadamente. – Ele respondeu em cima de suas palavras, sem mover um músculo do seu corpo, lançando um sombrio olhar a Willa que travou os seus passos, com terror dominando a sua feição. — Está chegando o tempo onde a Supremacia reconquistará a sua posição de direito e você estará lá, comigo. Lembre-se das minhas palavras, Riddle. – Ele voltou a repetir seu nome e Willa fechou os olhos, empertigando sua postura e respirando profundamente. – Onde quer que você vá, eu a encontrarei. – Willa engoliu em seco, prestando atenção a sua ameaça, com tom de promessa. — E quando isso acontecer, não haverá Capitão, Falcão ou Soldado para te proteger. – Ele inclinou o rosto e lançou um olhar malicioso sobre ela. — Haverá apenas eu e você.
Willa retribuiu o olhar, movendo lentamente sua cabeça, sinuosa e analítica. Então, ela moveu seus olhos para o balcão e caminhou até ali, sob o olhar atento de Zemo. Seus dedos percorreram os botões ali, até encontrar um pequeno dispositivo com um botão azul no centro, ela leu as instruções atrás e inexpressiva, ela retornou seu olhar a Zemo, sentindo um nó em sua garganta e lágrimas preencherem pesadamente os seus olhos.
— Isso será o bastante. E até lá, aproveite o inferno. – Ela abriu um sorriso apertando o botão do choque na potencia máxima e abandonou o dispositivo na mesa. O choque percorria cada fibra do corpo de Zemo. Claramente ele sentia dor, mas ele não demonstrava, mantendo seus olhos fixos em Willa.
Ela partiu para reencontrar com os seus amigos. Zemo não morreria. O dispositivo apenas eletrocutava por trinta segundos e depois, desligava, mas pelo horror correndo na expressão dele, ele não sabia disso. Devia ser uma merda não saber das coisas pela primeira vez. E após o horror causado por ele contra os seus amigos, Willa apreciou dar a ele tal sensação. Um olho por outro olho, não era esse o ditado?
Fale com o autor