Born to Die | Exile
18 Born to Die | Lucky ones
Notas iniciais
L U C K Y O N E S
Lucky ones, Lana del Rey
Every now and then the stars align/Boy and girl meet by the great design/Could it be that you and me are the lucky ones?/Everybody told me love was blind/Then I saw your face and you blew my mind/ Finally, you and me are the lucky ones this time
— Willa.
WAKANDA
Em frente uma enorme parede de vidro, a mulher admirava atentamente cada detalhe da paisagem diante dos seus olhos. Era tremendamente lindo. A paz por trás da floresta frondosa e ampla, as cachoeiras despencando infinitamente. A vida selvagem a ressoar. Abraçando o seu corpo, insegura, Fairchild nunca se sentiu tão perto de casa, quanto ali, em Wakanda, na instalação de segurança secreta do Rei T’Challa, enterrado por dentro de uma selvagem e selvagem floresta. Ela estava hipnotizada pela paisagem. Havia tanta vida, tanta paz, tanta beleza, tantas cores sangrando por trás de cada feixe solar. Era tão lindo. De toda a base, ali foi o único lugar onde ela pôde encontrar paz para acalmar sua mente. Aconteceu tudo tão rápido. Ela estava encarando tal paisagem desde que ela e Steve chegaram do jato particular de T’Challa.
Como... Como eles chegaram ali? Após salvarem os seus amigos do Raft, Steve colocou todos a par da situação e com isso medidas foram tomadas. Cada um foi levado ao seu refugio de escolha. Lugares desconhecidos pela S.H.I.E.L.D., pelo governo, por Tony. Com auxilio do quinjet, Scott foi o primeiro a ser deixado em seu refugio, Los Angeles. Ele não tinha um plano, mas tinha amigos. Buscaram os filhos de Barton. Pousaram o quinjet num heliporto abandonado e a pé, seguiram Fairchild e os seus comandos. Eles esperavam encontrar uma região abandonada, com ninjas a espreita, mas era uma pequena cidade na divisa de Nova York com casas, trabalhadores, crianças brincando e... normalidade. O grupo se manteve num estado furtivo pelas ruas, vigiando a distância Willa e Clint buscaram as crianças numa casa colonial, tipicamente americana. Alias, com uma bandeira dos Estados Unidos no jardim. Willa sabia que eles eram observados, mas se portou com distração, com Clint ansioso ao seu lado.
Ela bateu na porta e em poucos milésimos, um homem atendeu.
Aos olhos de Clint, era apenas um homem atentando a porta, mas para Fairchild era um dos guardas da Casta. Um dos tantos.
— A casa parece tão... – Sam comentou através do comunicador para o grupo, cruzando os braços admirando uma vitrine de uma livraria. – Normal.
— Willa também parece uma mulher comum e sabemos bem o que há por trás daqueles olhos. – Bucky retrucou Sam, através do seu comunicador, guardando o quinjet no estacionamento.
— Significado? – Pietro sentado numa mesinha de cafeteria questionou isso não escondendo seu resmungo. Wanda reposou a sua xícara de café lhe atirando um olhar de alerta.
— Eu acho que você entendeu. – Bucky respondeu sem indireta, sem muros, apenas sincero.
É, ele entendeu.
Apenas Willa entrou na casa. Clint ficou um pouco incerto, mas Fairchild lhe garantiu ser um padrão ali. Stone não gostava de estranhos, apenas pessoas autorizadas podiam transitar em seu lar. Invés de levada ao cômodo onde as crianças estavam, o segurança guiou Willa até o escritório de Stone. Yanagi, ele proferiu. O homem a recepcionou bem com um terno de corte japonês. Ele quis saber se tudo estava bem, sempre buscando ter certeza que os seus pupilos estavam bem e seguros, ela não escondeu a verdade, disse que a situação era delicada, mas ela daria um jeito. Stone não mostrou oposição, mas também, não ofereceu sua ajuda. Uma vez que seus pupilos ganhavam suas asas, eles o deixavam voar livres, até decidir por livre vontade retornar ao seu lar. Não era ainda, esse o caso. Stone a levou até as crianças: Lila e Cooper brincavam no chão com os olhos atentos na televisão, munidos do controle dos seus videogames, enquanto Nate era ninado no colo de uma babá.
— Como prometi – Willa respirou fundo, aliviada. Stone manteve os seus olhos nas crianças. – E como você me requisitou, as crianças foram protegidas e tratadas como meus filhos. – Stone concluiu suas palavras olhando para Fairchild. – Nós somos uma família, Yanagi. Você sabe que pode sempre contar comigo.
— Sei.
— Como sei que posso sempre contar com você. – A soturnidade por trás de sua voz arrepiou a nuca de Willa, como se ela pressentisse o mau agouro sobre si.
Ela lançou um olhar duro sobre ele, mas antes de sua resposta encontrar o conhecimento de Stone, Lila gritou com euforia.
— Tia Willa!
Lila correu em disparada, agarrando as pernas de Fairchild num apertado abraço. Cooper também. Ele fez questão de pausar o jogo e correu para encontrar Willa, unindo-se a irmã ao abraçar a agora, então, agachada Willa, abraçando as crianças e assistindo a babá de traços orientais acenar com a mãozinha de Nate para a ex-vingadora.
— É tão bom você estar aqui. – Lila disse com um enorme sorriso.
— Nós andamos de cavalo ontem. – Cooper contou mexendo numa mecha de cabelos de Willa.
— E comemos bolo de chocolate no café da manhã. – Lila contou olhando com cuidado para Stone que levou o indicador aos lábios. – Estou brincando. – E ela começou a rir. – O papai está bem?
— Hmm, não sei dizer. – Ela respondeu com um olhar sonhador. — Talvez vocês possam ter tal resposta... Dele mesmo, lá fora. – Ela abriu um sorriso sapeca digno do espírito de uma criança.
— Papai está aqui? – Lila e Cooper berraram em uníssono e sem perder um segundo se quer, abandonaram os braços de Willa e correram para a entrada principal.
A babá os seguiu cantarolando uma canção de ninar em chinês para o rapazinho em seu colo.
Levantando, Willa esticou suas roupas lançando um olhar julgador a Stone.
— Bolo de chocolate? – Ela comentou arqueando uma sobrancelha. Stone abaixou o seu olhar. – Até os corações mais duros pela vida encontram felicidade nas coisas e pessoas mais inesperadas não é mesmo, Stone?
— Não use minhas palavras contra mim mesmo, Yanagi. – Ele aconselhou com um ar diplomático, caminhando para a entrada principal. — É rude. – Ela comprimiu um sorriso recordando com saudosismo dos conselhos parentais de Stone, para ela, quando ela tinha um pouquinho mais idade que Cooper. – E você sabe que eu gosto de dar aos meus pupilos o que eles desejam.
— Apenas para arrancar deles, como punição e dominação. – Willa retrucou com frieza, sua postura, no entanto, era intocável.
— Mas quando merecido, tudo o que um dia lhe é retirado como lição, retorna, como bônus. – As sabedorias em suas palavras foram recebidas por Willa, com uma discreta e disfarçada duvida. — E você compreende muito bem isso, pois teve alguém tirado de si, retornado a sua vida há pouco tempo.
Ele sabia? Ele sabia sobre Pietro? Willa inclinou seu rosto, analisando o comportamento e sentimentos, pouco presente na postura de Stone. Se ele soubesse sobre Pietro tais palavras explicariam, mas ele diria mais... Havia muito mais a ser dito. Ele não brincaria de esfinge do oriente, agora. Ou, talvez fosse isso e essa era um daqueles seus enigmas que ele lançava aos seus estudantes buscando atiçar suas mentes através da lógica e dos seus ensinamentos.
Ou quem sabe, não era nada.
Por que não, certo?
Stone parou na entrada da casa, assistindo o reencontro emocionado de Clint com os seus filhos. Eles abraçavam e beijavam o pai, intercalando com suas tagarelações eufóricas sobre os seus últimos dias na casa do Senhor Stone, enquanto Nate estava agarrado ao ombro do pai, quase como se buscasse também abraçá-lo ou escalá-lo como uma montanha, com suas pequenas mãos. Willa deixou os seus olhos inundarem de lágrimas, emocionada por tal reencontro e sua comoção foi assistida atentamente pelo seu mestre que abaixou o seu rosto, com o que parecia ser desgosto, mas na realidade, era outro sentimento. Era respeito.
O olhar agradecido e carinhoso daquele pai reencontrando os seus filhos, sobre Willa, revelou ao mestre da Casta algo até então, turvo aos seus olhos. Ela nunca seria como ele.
Ela seria melhor.
A babá desceu as escadas do segundo andar com duas mochilas e uma bolsa típica para bebês em seus ombros, pedindo licença ao mestre e a Willa, entregou a californiana os pertences das crianças com um contido e simpático sorriso.
— Agora preciso ir. – Ela revelou incerta a Stone. – Estão me esperando.
Ele assentiu com suas mãos unidas a frente de seu corpo, na sua típica, postura equilibrada.
— Em breve falaremos, Yanagi.
Ela não ansiou por tal reencontro.
Willa deferiu um último olhar ao mestre, curvando minimanete o seu tronco lhe concedendo respeito em tal postura. E assim, partiu acompanhada de Clint e as crianças, fazendo um cafuné em Cooper agarrado a sua cintura.
Ela olhou para trás, encontrando Stone assistindo-a partir com um sorriso discreto. Como um pai, ele sentia-se orgulhoso, ele criara bem Yanagi e como uma bondosa filha, ela acenou mostrando a ele ter a fibra de Yanagi e ainda ter em seu coração, a pureza e docilidade da eterna Riddle Jones.
A próxima parada foi em Boston.
Clint conhecia um esconderijo desativado da S.H.I.E.L.D, um dos poucos desativados nos Estados Unidos, conhecido apenas por Nick Fury e os seus melhores (e mais confiáveis) agentes, como Clint e Maria. Por ora, era seguro. Semelhante a sua antiga fazenda, o esconderijo era no interior com uma fazenda ampla, uma casa um pouquinho abandonada, mas nada que uma tinta e alguns cuidados não resolveriam. Num terreno descampado, Steve pousou o jato. Ele garantiu a segurança de Barton e sua família conferindo o perímetro e conversando com o arqueiro sobre planos emergenciais. Ali, os Maximoff também ficaram, e é claro que, antes de tal decisão, Pietro buscou convencer Willa a ficar com eles e os Barton, mas ela negou. Ela tinha uma prioridade. Saber que Pietro e Wanda estariam seguros com Barton era o bastante. Sua segurança era a menor das suas preocupações agora. Pietro escondeu o seu desagrado, com um dos seus sorrisos conquistadores, proferindo um simples: quando você resolver o que tiver que resolver, sabe onde me achar.
A questão era: Será que, mesmo com Bucky em sua vida, ela iria ao seu encontro um dia, só como amigos? Ele só poderia agora que tinha tal possibilidade contar com um futuro, com ela.
Quando Sam anunciou que também ficaria na fazenda, trocando um olhar secretivo com Steve. Willa percebeu que tinha algo estranho no ar. Ela só não esperava que era aquilo.
Quando T’Challa mandou uma mensagem, marcando um ponto de encontro com o trio, onde o seu jato buscaria e levaria para a sua terra, ela não maliciou. Willa achou (quis, acreditar) que o rei de Wakanda estava apenas tentando corrigir os seus erros e querendo ajudar Bucky, após todo aquele desentendimento. Leigo engano. Tinha mais, muito mais por trás daquela viagem, por trás das portas do escritório de Wakanda. O silêncio de Steve e sua distância congelou a alma de Fairchild.
E quando Bucky revelou que T’Challa ajudaria e revelou o seu plano. Willa não conseguiu falar, muito menos olhar para Bucky ou buscar apoio em Steve ou T’Challa. Então, ali, ela fez a única coisa que conseguiu naquele momento: caminhou. Caminhou até encontrar aquele corredor cercado de paredes de vidros.
Agora, ela estava com seus olhos vidrados além da parede de vidro, admirando as florestas e cachoeira de Wakanda.
Perdida em sua mente, desesperadamente ela tentava atrasar o que estava destinado a acontecer.
— Você está aqui há horas. – Willa escutou o seu amigo, mas ela não se atreveu a desprender sua atenção.
— Eu sei. – Ela sussurrou numa voz mansa e ferida, apertando os seus braços entorno do seu corpo, assistindo o reflexo de Steve se aproximar de suas costas, a lhe admirar com preocupação.
— Eles estão quase prontos. – Willa fechou os olhos.
— Eu não estou certa de ser capaz de fazer isso. – Ela murmurou sabendo o que Steve queria dizer com aquelas palavras.
— Eu sei que você está preocupada com ele.
— Hm... Preocupada não chega nem perto do que estou sentindo, Steve. – Ela proferiu com pesar, meneando a cabeça em negativa, ainda em transe pela paisagem. – Por que eu continuo fazendo isso comigo, me apegando há pessoas para apenas perdê-las? – Ela choramingou. — Isso é doentio!
Ela sentiu as mãos de Rogers sobre os seus ombros, um gesto reconfortante buscando tentar, de algum modo tranquilizá-la.
— Eu estou com medo. – Ela admitiu por trás de um suspiro.
— Eu conheço o sentimento. – Steve rebateu com uma emoção similar a ela e Willa enrugou o cenho, sentindo-se terrivelmente insensível com o seu amigo.
Se ela estava se sentindo destruída, ela tinha medo de se colocar no lugar dele por um segundo sequer.
Ele ficou ao seu lado, seus olhos viajando pela esplendida e espetacular paisagem colorida diante deles.
— Eu gosto desse lugar. – Ele revelou, fazendo Willa sorrir.
Ela sabia que ele estava tentando desviar da conversar, ajudando a atrasar a dor de ter o seu coração partido.
— Eu não sabia que sentia falta de lá, da Casta, até me encontrar aqui. – Ela comentou com saudosismo.
— Era parecido com isso? – Steve questionou com curiosidade.
— Não tão bonito quanto. – Ela confessou arqueando uma sobrancelha.
Repousando a sua cabeça no ombro de Steve. Ela respirou fundo, com os seus olhos seguindo um trio de belos pássaros sobrevoando de uma árvore a outra.
— Willa… — Ele recomeçou, sua voz mal soando como um murmuro.
— Não fala isso, Steve. – Ela pediu e ele se calou.
— Eu também estou magoado. – Ele confessou e Willa segurou leve e carinhosamente a mão de Steve. – Mas essa é a escolha dele.
A mão dele apertou na dela quando ele sentiu as suas lágrimas molharem a sua camisa.
— Ele se lembrou de uma coisa ontem à noite, quando estávamos na enfermaria do quinjet. – Willa disse com suavidade em sua voz.
— O que?
— A mãe dele. Você precisava estar lá, para ouvi-lo contar aquelas memórias, aquele sorriso, o brilho no olhar dele ao mencionar Rebecca, ele disse... – Ela riu rouca por conter sua emoção. — Ele disse que a mãe dele gostaria de mim. – Steve assentiu com um sorriso contido. – Ele estava em paz ao me contar sobre isso. Ele estava bem.
“Eu sei que só por ele ter decidido isso, essa é a melhor decisão. Eu sei que precisamos deixá-lo fazer isso. Eu sei... Steve, eu sei que nós não podemos nos dispor de permitir o Soldado Invernal de retornar, não depois de tudo que sabemos. Existem milhões de razões do porque dessa decisão dele ser o certo a fazer, mas todas essas razões parecem tão fúteis para mim agora”.
Ela limpou as lágrimas de seu rosto, lançando um olhar temeroso para Steve que retribuiu o gesto, com o seu cenho enrugado e um semblante pensativo.
— Eu sei que é isso que ele quer. – Ela insistiu. – Mas não torna isso certo.
— Você vai se despedir? – Ele perguntou um minuto depois.
— Eu não sei se sou forte o bastante para isso. – Ela admitiu.
— Você vai partir o coração dele.
— O coração dele já está partido, Steve. – Willa rompeu o embargo de sua garganta. — Hidra fez questão de destruí-lo em pedaços. – Steve gentilmente acariciou o braço dela, silenciosamente concordando com sua afirmação.
Não restou muito do seu amigo, mas Bucky ainda estava ali por trás de toda aquela destruição causada pela Hidra e Steve devia a ele o direito de escolha, como também devia a Willa. Se Bucky era a sua ligação com quem Steve era no passado, Willa era a sua ligação com quem ele era hoje.
— Você vê essa porta atrás de nós? – Ele questionou suavemente.
Ela olhou por sobre o ombro, para uma porta branca com a palavra Lab transcrita em letras vermelhas. Ela não precisava que ele lhe dissesse, ela sabia o que estava atrás daquelas paredes.
— Ele está esperando por você. Eu entendo o que você disse e concordo com cada palavra dita por ti, mas, atrás daquelas portas, ele está esperando para dizer adeus para a única pessoa que acreditou cegamente nele. Eu era o seu amigo, seu irmão, sua família. E você? Você era apenas alguém que, sem motivos pessoais, acreditou nele, no coração dele.
“ Eu posso não compreender essa ligação entre vocês, mas eu sei que vocês precisavam disso. Você não pode deixá-lo ir assim, Willa. Acredite em mim quando eu te digo que você se arrependerá se você não o fizer. Ter sido privada de se despedir de Pietro resultou o que para você? Eu demorei muito para dizer a Peggy o que ela significava para mim, e olha onde isso me trouxe. Não cometa os mesmos erros que eu, Willow. Para o bem de vocês dois”.
— Eu devo estar pior do que me sinto para merecer um discurso do Capitão America. – Ela comentou com um sorriso reconfortante, buscando não despedaçar-se diante dos olhos do amigo.
Willa não estava acostumada a viver conflitos. Ela sempre tinha certeza dos seus sentimentos e com isso, suas atitudes resolutas, eram conferidas como impulsão. Aquilo ali era demais para ela lidar. Ela aprendeu a maestria em artes marciais, a resistir à dor, a fome, ao frio e ao calor, a suportar torturas, a enganar a própria morte, não importando a causa, oponente, ela foi ensinada a sempre dar o máximo de si e ser a melhor versão de si mesma. Ela não era fraca, pois todas as tragédias de sua vida lhe transformaram numa mulher forte. Ela não perdeu sua candura, o seu sorriso, mas dia após dia, ela sentia que a sua felicidade natural estava começando a esvair. Ela era uma arma, desenvolvida para batalhas, mas ela encontrou prazer em apenas ser ela. Esse fluxo emocional invadindo ela era demais para Willa suporta, ela estava afogando-se em dor. Tudo por ela ter abaixado a sua guarda. Bucky Barnes infiltrou-se em cada centímetro de si, e sem pressa, encontrou um lugar em seu coração. Ela ficou cega pela força dos seus sentimentos por Bucky. Ela lutou contra ele, por ele, ao lado dele.
Lentamente ela levantou, decidida em lutar contra os seus temores, ouvindo a voz do seu coração e as palavras de Steve, ela tomou a atitude de ir ver Bucky. Sem uma palavra, Steve a seguiu até a porta branca. Instintivamente, ela deu um passo para trás, quando ele estava prestes a abrir a porta. Ele parou o ato assim que ela caminhou para trás e ele gentilmente segurou a sua mão.
— Pronta?
Ela acenou com a cabeça, respirando fundo. O Capitão sorriu triste dando o seu melhor para confortar a amiga. Ele demorou um pouco, preparando-se e dando a ela alguns segundos para se preparar para aquele momento.
— Ah! Capitão! – Um homem vestindo um jaleco de laboratório chamou por sua atenção. – Tudo está pronto. Podemos começar assim que o senhor desejar.
— Eu vou precisar que você esvazie o laboratório por alguns minutos, cavalheiro. – O capitão exigiu com sua postura resoluta e as mãos entrelaçadas.
— O que está acontecendo, Steve? – O paciente perguntou, olhando preocupado para o amigo, enquanto os médicos deixavam o ambiente rapidamente.
— Tem alguém aqui para lhe ver, Buck.
Steve empurrou Willa para dentro do laboratório, antes que ela acabasse por mudar de ideia no último minuto e fugir.
Sentado numa cama médica, com apenas um braço e diversos tubos ligados a ele, Bucky estava surpreso em vê-lo. Ele imediatamente percebeu os seus olhos inchados, visivelmente um sinal de tristeza. Ela estava parada empertigada, olhando para um ponto imaginário atrás dele. Era claro a luta interna a qual ela estava bravamente encarando ali. Bucky podia ver isso nela com clareza, ela era um livro aberto para ele, e o jeito teimoso a qual ela encarava para além de si, partiu seu coração. Ele podia ver a hesitação por trás de seu olhar, e imaginar a dor que estava se estabelecendo nela por conta dele.
— Eu não achei que você fosse vir. – Ele declarou cautelosamente.
— Eu também achava isso, mas nós dois conhecemos o Capitão America e os seus discursos. – Ela respondeu, lançando um sorriso a Steve e ele discretamente retribuiu, partindo para dar lhes privacidade, após receber um olhar de Bucky.
Eles não conversaram por um tempo, olhando para tudo, menos para um ao outro. Ela estava lutando para manter as suas emoções amarradas numa ancora, mas a necessidade de estar com ele era maior.
— Dói? – Ela questionou, apontando com o seu olhar para o membro amputado.
— Não. – Ele respondeu com honestidade.
— Eu sinto muito por você estar passando por isso novamente.
— Eu não. É melhor assim. – Ele confessou com um sorriso contido.
Ela comprimiu os lábios, não se atrevendo a responder. Ela sentia a raiva queimar dentro de si. Ela estava com ódio por ele estar desistindo da luta, com raiva da Hidra por ter destruído a vida de Bucky e a sua consequentemente, furiosa consigo por ter deixado ele entrar em seu coração, por ter se apaixonado por Bucky Barnes.
— O que vai acontecer agora? – Ela questionou com temor, sua voz instável revelou claramente as suas emoções e ele não conseguiu esconder um olhar pesaroso sobre si.
— Eu vou dormir. Esperançosamente tempo o bastante para eles descobrirem uma forma de bloquear o gatilho criado pela Hidra. – Ele explicou.
— Você pode sonhar?
— Não sei. – Ele respondeu enrugando o cenho, surpreso por não ter pensado em tal possibilidade. Dividindo um olhar com ela, ele descobriu que gostaria disso, de poder sonhar enquanto não pode estar aqui — Talvez. Você, Willa, você vai ficar bem.
— Eu não tenho muita certeza disso. – Ela sussurrou, rapidamente limpando uma lagrima que caiu inesperadamente.
— Eu conheço você, Willa. Você sempre foi a mais forte de nós, sempre se mantendo de pé, não importando o que fosse jogado contra você. Você não pode deixar isso mudar você, você não pode me deixar mudar você.
— Você já me mudou, Bucky. – Ela admitiu com a sua respiração sufocada.
Ele sorriu docemente, antes de alcançá-la. Ela rapidamente cortou a distância entre eles, segurando a sua mão. Eles não precisavam conversar. Olhando nos olhos um do outro, eles se mantiveram na mesma posição, com as suas mãos interligadas, o corpo dela por entre as pernas dele e os seus rostos tão perto. Ela podia ver a inexpressão em seu olhar, o desespero por um suspiro de esperança, a devastação que quebrou a sua alma. O seu coração doeu por ele quando ela pensou em tudo que ele passou, até chegar naquele instante. Bucky Barnes estava para sempre ferido pelas ações do Soldado Invernal, sua mente encurralada dentro de uma prisão onde ele estava revivendo aquelas memórias infinitamente, relembrando todos os nomes aos quais ele tinha apagado do mundo. Ele nunca contou a ela, dentre tudo que ele viveu como Soldado Invernal, como foi a sua primeira sessão de tortura na qual eles lhe roubaram a sua identidade. Ele ainda podia sentir a agonia correndo em suas veias, mas o peso da culpa em sua consciência fez muito mais danos do que toda a dor a qual ele foi colocado para suportar. Ele nunca contou isso e ele não precisava, pois ela sabia. Toda vez que ela o olhava, todo o seu sofrimento transformava-se no sofrimento dela e o seu temor obsessivo de acabar por perder o controle, esmagou ambos. Ele foi possuído pelo Soldado Invernal e Bucky Barnes não era pareô contra ele.
— Ninguém pode te machucar mais. – Ela reafirmou para ele, docemente massageando a bochecha dele.
— Eu sei. – Ele sussurrou com a sua voz tremendo.
— Se você quiser, eu posso ficar aqui, Bucky. – Ela revelou dividindo com ele um sorriso com uma postura leal. – E antes que você diga que eu sentiria falta de Nova York, acredite: eu sinto que poderia ser muito feliz aqui.
— Eu não quero que você fique.
Ela virou o seu rosto para ele, aguardando por uma explicação.
— Você tem a sua vida inteira esperando por você, Willa. Eu não quero que você seja reprimida. Você precisa viver a sua vida do jeito que você vivia antes de mim. Você é uma vigilante, uma Vingadora, uma professora de Artes Marciais. Tem um mundo lá fora que precisa de você. E tem tanta coisa que você pode fazer. Já pensou em começar a sua faculdade de Psicologia? Talvez seja um bom momento. Ou fazer aquela viagem pelos Estados Unidos com o Steve. Eu não posso permitir que você fique escondida aqui, tomando conta de um fantasma. Eu quero que as pessoas conheçam você e vejam a mulher incrível, inteligente e forte que você é, e eles estarão vendo você exatamente através dos meus olhos. Você é a minha heroína, Willa. E você precisa ser a heroína deles também.
— Você fala isso como se fosse a última vez que fossemos nos ver. – Ela falou com sua voz partida, buscando pelo seu olhar.
— E é.
— Não...
Ela quebrou o contato entre suas mãos, distanciando de seu corpo e ficando de costas para ele, com as lágrimas descendo pelo seu rosto, se tornando um desafio conseguir contê-las.
— Você não pode dizer isso, você não pode partir me deixando achar que essa é a nossa última conversa, não, não, James, eu não posso...
— Então eu estaria mentindo para você e eu nunca faria isso. – Ele respondeu suavemente, temendo assustá-la.
— Você está quebrando o meu coração, Bucky Barnes. – Ela confessou, não atrevendo olhá-lo.
— Eu nunca quis te machucar. Eu... – Ela o olhou com pesar em seu semblante, mastigando o canto da sua boca, pensativa. – Eu tenho que te proteger, mesmo que seja de mim mesmo. Eu não posso permitir que nada de ruim aconteça com você, Willa.
Ela meneou a cabeça negativamente, não desejando discutir com ele. Haviam tantos sentimentos entre eles não divididos, mas eles nunca duvidaram de sua lealdade perante um ao outro. Ela o ajudou a lembrar de quem era, de lutar pela sua identidade, lutar pelo certo, e no processo, ela se apaixonou por um homem partido. O Soldado Invernal para ela, nunca foi um vilão, e aquele nome, significava muito mais do que um inimigo. Ele era um experimento falhado, ao qual Steve e Willa trouxeram de volta a vida, um homem da Hidra que foi criado como um quebra cabeça, destruído em pedaços e apagado para ser remodelado. Eles o transformaram em vazio. Eles o calaram, desfiaram Bucky Barnes e o reprogramaram a sua mente para ser uma arma. Ele era um animal encarcerado da Hidra e Steve, com Willa terem conseguido libertar de tal prisão mental foram as suas maiores conquistas.
— Eu respeito a sua decisão. Não parece, eu sei, mas eu respeito. Eu concordo com ela? Não. Eu vejo dezenas de outras possibilidades? Sim, mas é a sua escolha e dane-se o que eu acho, o que sinto, o que eu quero. Eu quero sentar aqui e tentar te convencer a mudar de ideia, mas só a pequena centelha de tal atitude me faz sentir pior do que aqueles Monstros da Hidra. Eu não posso fazer isso com você. Você quer isso? Tudo bem. Eu posso... eu posso tentar aceitar, mas posso tentar te convencer, só para o meu coração saber que tentei?
— Pode. – Ele sorriu contido.
— Seja egoísta comigo e fica.
— Você sabe que eu não posso.
— Me diz novamente que essa é a melhor decisão. – Ela implorou a ele sentindo as suas mãos tremendo.
— Não é. – Ele admitiu o que fez ela lhe lançar um olhar surpreendido. – A decisão certa teria sido você me matar quando você teve a chance.
Há muito tempo atrás.
Ela fechou os olhos, sentindo o impacto e força de sua sinceridade contra o seu coração.
— Eu nunca poderia fazer isso.
— Eu sei. – Ele respondeu, sorrindo. – E eu não posso confiar na minha mente, então, até que eles descubram uma forma de tirar essas coisas da minha cabeça, eu acho que hibernar é a melhor opção. Para todo mundo.
Ela crispou os lábios, não querendo expor a sua opinião em voz alta. E como ela poderia ao assistir Bucky lhe lançar aquele olhar teimoso, cheio de certeza e esperança, com aquele sorriso acalentando a dor em seu coração. Ele era um maldito teimoso, como ela. A sua decisão estava tomada e não havia nada que ela pudesse fazer para impedir isso.
— Eu vou sentir sua falta. – Ele admitiu calmamente.
— Não tanto quanto eu vou sentir sua falta.
Ela ficou a sua frente, repousando a sua mão em seu rosto assistindo o seu semblante endurecer.
— O que foi, Bucky? – Ela questionou preocupada.
— Eu...
Ele meneou a cabeça negativamente, não querendo admitir o que acabou de cruzar sua mente. O seu coração acelerou e o ar embargou em seus pulmões. Aquilo era a ansiedade, consumindo ele. Ela segurou o seu queixo, erguendo e forçando olhá-la.
— Me diz. – Ela pediu gentilmente, e ele sorriu.
— Sempre mandona. – Ele brincou levemente.
— Não mude o foco da conversa, James. – Ele levantou os seus olhos até encontrar o seu olhar. — Me diga o que está errado.
—... Eu estou com medo.— Ele confessou, crispando os lábios, seus olhos olhando para tudo, menos para ela. O Soldado Invernal nunca pareceu tão inocente e transtornado.
— Você não precisa fazer isso, Bucky. – Ela afirmou a ele. – Pelo menos não hoje. Nós podemos esperar se você não estiver pronto.
— Eu não estou falando disso, Willa. Eu estou pronto para retornar para o cryo.
— Então, o que é? O que você está com medo? – Ela insistiu, não compreendendo o que ele estava então insinuando.
— Esquecer você. De novo. – Ele admitiu num suspiro. – Eu estou... Com medo, apavorado na realidade, com a possibilidade de perder a minhas memórias com você.
Willa ficou sem palavras.
Ela ainda tinha dificuldade em acreditar ser capaz de ser importante para alguém.
— Eu sei que isso não é a Hidra, e a tortura acabou, mas… Na ultima vez em que fiz isso, eu não me lembrei mais de mim. – Ele explicou, meneando a cabeça negativamente. – É irracional, mas... Eu estou com medo do momento que fechar os meus olhos, as memórias desaparecerem, como sempre desapareceu. Você vai só… desaparecer. Eu não posso permitir que você se torne um dos pedaços perdidos. Em todo esse tempo você foi a minha ancora. Você e Steve foram a minha Estrada de volta a realidade, Willa. Eu... Eu não posso sobreviver se perder isso. Você construiu um mundo todo para mim, você me fez mais forte do que eu já fui algum dia e… E eu vou…
— Bucky, para! – Ela pediu com um olhar pesaroso sobre ele.
— Me prometa que você vai ficar bem, mesmo que eu me esqueça...
— Isso não vai acontecer. – Ela o cortou com dureza.
— Se eu me tornar o Soldado Invernal novamente, você precisa me matar. Steve não vai conseguir, mas você... Você consegue. É só você querer. – Ele disse com seriedade, olhando-a com dureza. – Você sempre foi uma sobrevivente.
— Eu não vou fazer isso. Meu Deus, Bucky, você não vai me esquecer. Você vai lembrar de mim como a ladra das ameixas. Eu sou insuportável, inadequada, não tenho um rosto muito comum e, por favor, sejamos sinceros: eu sou a coisinha mais bonitinha que você conheceu nas ultimas semanas. Você vai se lembrar de mim. E se houver essa mínima possibilidade, de você não se lembrar, eu vou dar um jeito. Nós vamos dar um jeito.
— Viu? – Ele irrompeu tais palavras, antes dela conseguir completar sua linha de raciocínio. – Você acabou de admitir que isso é uma possibilidade.
— Não foi isso que eu disse. Agora, você pode por gentileza parar com essa merda?
— Willa, eu não tenho nada para me sustentar aqui, apenas as minhas memórias. Se eu perder elas, eu perco tudo.
— Você não perderá nada, Bucky. Você tem Steve, tem a mim, tem até o chato do Sam...
— Você não sabe isso. – Ele respondeu frustrado. – Ninguém pode garantir que todos os momentos aos quais vivemos continuarão em minha memória. Eu poderia esquecer dessa nossa conversa, assim... – Ele estalou os dedos e Willa revirou os olhos. – Com o tempo, você pode desaparecer, e tudo que construímos pode ser destruído, isso já aconteceu antes, Como... Como se não tivéssemos se quer nos conhecido.
— Bucky... – Ele estava claramente tendo uma síndrome de pânico.
— Não, me escuta, Willa...
— Não, cala a boca. Só cala a boca, James.
Ela segurou o rosto dele trazendo lhe para si. Suavemente seus lábios se tocaram. Os lábios dela contra os deles eram duros e os dele delicadamente nervosos, e ela aguardava uma reação. Quando, finalmente, seus lábios se suavizaram contra o dela, Willa segurou a camisa dele, lhe trazendo para mais perto de si, sendo capaz de sentir o seu coração martelar em seus ouvidos e todo o seu corpo estava derretendo, consumida por aquele beijo. Ambos podiam sentir a adrenalina percorrendo através deles. Eles cortaram tal contato, fora do tempo, àquele instante tão precioso que eles teriam feito qualquer coisa sob seu poder para preservá-lo. Quando, ela finalmente, percebeu o que havia feito, ela deu um passo para trás, sem ar. Percebendo o semblante indescritível de Bucky, ela acreditou que havia cometido um erro.
— Eu não... Desculpa, eu não... Eu fui longe demais.
Ela fechou os olhos, buscando acalmar o seu coração acelerado. O seu corpo parecia ter sido ateado em fogo e ela tinha certeza que se a mão de Bucky não estivesse agarrada a sua cintura, suas pernas teriam desistido dela e ela teria desabado.
Antes que ela pudesse proceder o que acontecera, ele inclinou-se, seus lábios a centímetros dos seus.
— Não, não foi. – Ele respondeu, sorrindo, antes de conectar os seus lábios aos dela, mais uma vez.
— Lembre-se disso. – Ela sussurrou, sem ar, encostando a sua testa contra a dele. – Toda vez que você sentir esse medo, de sentir as memórias dissipando, da ansiedade lhe consumindo, lembra do garoto do Brooklyn, o garoto que ficava brigando nas vielas defendendo a honra das damas e protegendo os indefesos e como você foi a sua família. Lembra de mim, lembra do nosso beijo, lembra de como eu quero ter um futuro com você.
Sem nenhum aviso, ele a abraçou a mulher o mais apertado que o seu braço permitia, deixando os seus dedos sentirem a textura de sua pele, seu nariz sentindo o seu perfume e como o seu rosto encaixava perfeitamente na curva de sua clavícula. Ele precisava memorizar suas curvas e cada centímetro de sua pele, para manter gravado em sua mente, como o seu perfume floral de cerejeira, penetrado em seu pescoço, a suavidade dos cachos de seus cabelos, o brilho do loiro capaz de irradiar mais luz do que o próprio sol e os seus olhos... O azul dos seus olhos eram a lembrança do oceano, do céu de um antigo verão, da pureza, do infinito. Em suas mãos, ela sentia-se sendo gravada em sua mente e coração. Se eles pudessem ser algo, escolheriam ser uma pintura, assim poderiam viver pela eternidade naquele momento.
— Bucky, chegou a hora. – Steve interrompeu o momento, trazendo-os para a realidade.
Mas eles não podiam.
Bucky beijou o topo da cabeça de Willa e ela fechou os olhos, sentindo o seu carinho por uma ultima vez. Relutantemente, eles soltaram um ao outro. Bucky ficou de pé, sorrindo para a mulher que ele faria de tudo para ter tido um passado com ela ou uma chance de algum dia, ter um futuro.
Com suas mãos entrelaçadas, eles caminharam até o centro do laboratório, os médicos retornavam para as suas posições, dois em espécies conferiam por uma última vez os dados nos monitores cercando a maquina de cryo. T’Challa assistia a cena a distância e trocou um olhar respeitoso com Steve.
Bucky sentiu a apreensão exalar de Willa, assim que os seus passos começaram a cessar, e ela rapidamente buscou secar suas lágrimas de seu rosto. Quando ele deu o primeiro passo em direção a maquina, Willa mordeu os lábios reprimindo em sua garganta um nó acido e doloroso. O peito de Bucky apertou a cada troca de olhar com ela. Ele estava pronto para desistir de tudo, virar as costas e fugir com ela. Eles podiam fazer isso. Eles podiam viver assim. E então, ele não o fazia, pois acabava por lembrar do homem que a Hidra lhe tornou, ele sabia que a melhor opção para si era hibernar. Ela não estaria a salvo enquanto houvesse a mínima chance do Soldado Invernal ser libertado e acabar por machucar ela, Steve e os seus amigos. Ele não valia todos os sacrifícios cometidos por ele. Eles não mereciam correr esse risco, por causa dele. Ele a amava demais para colocá-la sob esse risco.
Respirando fundo, ela fechou os olhos e assentiu, encontrando as forças para suportar. Silenciosamente, ela assistiu Bucky ser preso a maquina, não se incomodando em esconder a sua tristeza. Ela se lembrou daqueles filmes retratando a Guerra, onde os soldados sempre pediam aos seus amores para lhes dar o seu melhor sorriso ou um último beijo, pois eles queriam ter um último momento bom para recordar.
Ela não podia dar isso a Bucky.
O Capitão, logo atrás dela, repousou uma mão sobre o seu ombro, lhe confortando.
— Você vai ficar bem. – Ele lhe garantiu e Willa fechou os seus olhos, sorrindo com tristeza.
— Nós vamos, Steve. – Ela sussurrou segurando a sua mão e acariciando carinhosamente.
Ele não respondeu, sabendo que palavras não eram o bastante para acalentar a dor e pesar. Ele lançou um olhar triste a Bucky e o seu coração partiu quando ele viu como Bucky olhava para Willa. Ele não vacilou quando as agulhas foram empurradas em seus braços, não mostrou qualquer sinal de dor quando os médicos apertaram as tiras entorno do seu corpo, seu olhar estava sempre nela. Pela primeira vez desde que Steve o conheceu, Bucky Barnes chorou. Ele estava prestes a perder a sua ligação com a realidade. Ele estava escolhendo, pela primeira vez, em décadas. E ele escolheu proteger eles e essa decisão o faria abandonar o seu melhor amigo e a sua garota.
— Você cuida dela para mim, punk. – Bucky pediu com sua voz entrecortada para Steve, deixando um sorriso repuxar no canto dos lábios.
— Eu vou. – O Capitão prometeu e Bucky assentiu com o seu sorriso discreto suavizando o seu semblante e Steve compreendeu. Não havia necessidade de despedidas. Aquele não era o fim.
— E você, cuida dele para mim, boneca. – Bucky olhou para Willa, lhe entregando uma piscadela charmosa, o que arrancou uma gargalhada dos seus lábios.
— Sempre. – Ela prometeu com todo seu coração, lançando um olhar a Steve profundamente leal e fraterno.
— Willa? – Bucky lhe chamou e ela ergueu o seu rosto, encontrando o seu olhar sobre si e agora era uma questão de segundos para os médicos ligarem a maquina. – Eu am-
— Não, não fala isso. – Ela o cortou, meneando a cabeça em negativa com veemência.
Ele sorriu suavemente, seus olhos nunca abandonando os dela. Ele sabia que ela faria isso.
— Você precisa ouvir isso antes de eu ir.
Ela voltou a menear a cabeça negativamente e Steve apertou delicadamente o ombro de Fairchild. Ela interpretou isso como um pedido silencioso para ela o escutar ou como uma lembrança de sua vida, muito similar àquele instante vivido entre ela e Barnes. Tijolo por tijolo, o seu muro estava despencando. Um enorme vazio estava engolindo o seu coração e ela entendeu. Não importava. Essas coisas não importavam mais. Ele estava partindo. E ela estava ficando… Ela podia reprimir todos os seus sentimentos e assisti-lo partir ou ela podia seguir o seu coração.
— Não. – Ela buscou sorrir. – Guarde essas palavras, James. Você vai me dizer isso quando retornar.
— Pode demorar um pouco. – Ele respondeu com pesar.
— Eu posso esperar.
Eles sabiam que esse tempo podia muito provavelmente, não acontecer, mas eles precisavam se agarrar a um fio de esperança. Era uma miragem, uma improbabilidade, um sonho inalcançável, mas eles precisavam acreditar que essa falsa realidade era possível.
— Eu vou me lembrar de vocês. – Ele garantiu com firmeza, enquanto a porta de vidro fechava em seu entorno. — Eu vou encontrar você, Willa. Não importa onde você esteja no mundo, eu prometo te encontrar.
Willa sorriu, guardando aquela última imagem de Bucky em seu coração, mal sabendo que tais palavras comoveram T’Challa que precisou se ausentar do laboratório, para dar privacidade a eles e recompor-se emocionalmente daquele instante. Ele não conhecia Willa, não tinha ideia da história entre ela e Bucky, mas ele reconhecia uma ligação mais forte do que o tempo e os obstáculos da vida. Assisti-los tomar estradas diferentes, não era muito diferente do sentimento ao qual ele foi acometido, ao sentir a vida de seu pai esvair em seus braços.
— Até lá, Bucky Barnes.
Eles continuaram com os seus olhos conectados enquanto os médicos ligaram a maquina. Não demorou para uma fumaça branca começou a rodea-lo. Ela podia jurar que ela o assistiu mover os lábios naquelas três palavras as quais ela pediu para ele guardar para si, e, ele então fechou os olhos e adormeceu e Willa despedaçou-se. Ela tentou agarrar-se a algo, em qualquer coisa, para se firmar e, antes que ela pudesse cair, Steve estava ao seu lado, abraçando-a com força.
Dominada por uma onda de emoções, ela entregou-se aos braços de Rogers. Todas as defesas que ela tinha trabalhado tão duro para manter em seu coração abandonaram de si na forma de lágrimas. Por mais que ela buscou lutar contra elas, a dor lhe abandonou como um alvoroço de sua garganta sob a forma de um grito silencioso. Ele se foi, todo o seu mundo foi despedaçado, ele tinha se transformado em um borrão.
Ela nem percebeu quando Steve rapidamente levou-a em seu colo para um outro quarto, colocando-a aninhada num sofá. A distância ela escutou uma voz questionar se ela necessitava de alguma coisa especifica, era T’Challa. Willa não respondeu, mas Steve sim e ela não se importou com sua resposta. Ela não se importava com nada naquele instante. Ela não conseguia verbalizar, não acreditava ter a capacidade. Ela estava presa em seu mundo, tremia e não sabia o porquê, estava muda, chorando, agarrada em seu corpo com o seu coração tão descompassado que por um instante ela acreditou estar vivendo mais um ataque de ansiedade.
Gentilmente, Steve colocou um cobertor sobre ela, acariciando suas costas. Não havia nenhuma palavra para aliviar sua dor. Assim Willa abraçou carinhosamente Steve e aninhou-se em seus braços, e fechou os seus olhos. Steve permitiu os seus muros despedaçarem rapidamente e os seus braços enlaçarem urgentes e carinhosamente o corpo de Fairchild e o seu rosto recostou-se sobre o topo de sua cabeça. Palavras não ajudariam. Estar um com outro, ali naquele momento, era o suficiente e a única coisa que eles precisavam.
***
Algumas horas se passaram, quando, Willa despertou sozinha no sofá. Enrolada numa manta, ela sentiu os seus olhos inchados coçarem e a garganta arder, abraçada aos joelhos, ela esticou o corpo sentindo seus músculos retese. Era como se ela tivesse levado uma boa porrada. Ela sentou-se buscando localizar-se naquele quarto. Então ela caiu em si. Ela curvou as costas, sentindo o peso daquela dor lhe abraçar como um amigo e suas mãos fecharam em seu rosto, escondendo o pesar marcando o seu semblante. Ela não chorou. Não tinha mais lágrimas. Sem reproduzir um som, ela deixou o quarto, retornando para a parede de vidro, no corredor. A paisagem parecia ter perdido a sua beleza. O seu mundo, subitamente parecia ter se tornado uma grande embaçado em vermelho. Tudo parecia tão sem vida quanto ela se sentia.
— Eu sabia que te encontraria aqui. – Steve disse ao reencontrá-la ali, recostando contra a parede, ao seu lado.
— É quieto. – Ela sussurrou rouca. – E pacifico.
— Hm.
Eles ficaram ali, naquela mesma posição, assistindo as arvores e as cachoeiras, buscando encontrar beleza na dor.
— Eu sinto muito, Steve. – Willa proferiu lançando um olhar pesaroso ao amigo.
— Pelo que? – Ele perguntou confuso. Steve era bom demais para ela.
— Eu acabei transformando isso numa coisa minha, mas você o perdeu também, novamente. – Ela encolheu os ombros, sussurrando com culpa.
Ele sorriu suavemente lançando lhe um olhar.
— Ele retornará. – Ele garantiu a ela.
— Eu queria conseguir acreditar nisso agora. – Ela proferiu, abaixando a sua cabeça crispando os lábios.
— Como você, dentre todos, não consegue acreditar? – Steve questionou descrente. — Pietro está vivo, porque nós não conseguiremos encontrar um meio de ajudar Bucky e trazê-lo de volta, no futuro? – Willa entortou os lábios, não conseguindo proferir o que passou em sua mente naquele instante. Steve empertigou, repousando seu dedo sobre o queixo dela, fazendo-a olhá-lo. — Não perca sua esperança, Willow. Ela está em falta no mundo e você ainda é a nossa esperança de perpetuá-la por aí.
— Desculpa. – Willa meneou a cabeça em negativa. — Eu só... – Ela comprimiu os lábios, emudecendo. — Eu pensei… — Ela olhou para Steve e passou a ponta da língua nos lábios, rindo sem humor em descrença. — Eu sei lá o que pensei.
— Você gosta dele.
— Eu queria que fosse tão simples assim.
— É bem simples para mim. – Steve proferiu com leveza e Willa lhe olhou pelo canto dos braços, cruzando os braços. — Vocês dois gostam um dos outro. Eu vi a forma que ele te olhou lá. – Ela fechou os olhos, respirando fundo. — É a mesma forma que você o olhou, como se nada no mundo de vocês importasse, sem ter o outro. Eu nunca o vi assim por alguém antes, nem você.
Willa retornou o seu olhar para a paisagem, arqueando uma sobrancelha.
— E para que, não é mesmo? Ele foi colocado para dormir por sei lá quanto tempo, e mesmo quando ele acordar, a Hidra vai continuar caçando ele, caçando a nós. Se apaixonar pelo Bucky Barnes não é algo que eu chamaria de simples. Não existe final feliz nessa história, não há uma versão nessa história onde eu e ele possa terminar juntos e felizes para sempre. Sempre haverá algo entre nós: a Hidra, o nosso passado, A Casta, o governo. Nós somos pessoas destruídas, com corações partidos. – Ela confessou com os seus olhos seguindo o percurso da cachoeira. – E mesmo assim, eu sinto que podíamos superar tudo isso, um dia por vez e eu... Eu queria isso, Steve. Eu queria esse futuro com o Bucky. Eu ainda quero.
— Nós talvez esperemos alguns anos, mas eu tenho certeza que o veremos novamente. – Steve revelou com um sorriso confiante.
Willa não desejava contradizê-lo. Por mais doloroso admitir para si mesma, que ela havia perdido o seu futuro com Bucky por entre seus dedos e Steve, novamente, perdeu sua família, o capitão precisava do seu tempo para ficar de luto pelo seu amigo, e ela não o forçaria a isso.
— O que vamos fazer agora? – Ela questionou mudando o tema da conversa para algo, tão conflitante e preocupante quanto o assunto original. – Não conversamos sobre isso depois de libertar todo mundo do Raft, mas eu tenho uma leve sensação de que somos Renegados da sociedade mundial e as punições serão menos generosas conosco.
— Nós somos fugitivos. – Ele respondeu levantando singelamente os ombros. — Nós precisamos passar despercebidos por um tempo, até tudo se ajeitar.
— E você acha que algum dia isso vai acontecer? – Ela brincou, feliz por vê-lo quebrar uma pequena risada. — Tony tinha razão também. Sobre o acordo. Nós tínhamos o direito a lutar contra, mas isso apenas prolongaria uma situação a qual, em algum momento, por trás de algum subterfúgio seria imposta contra nós. – Ela o olhou, abraçando o corpo com pesar. — A guerra nunca acaba, Rogers.
— Verdade. A guerra nunca acaba quando termina. – Steve arqueou as sobrancelhas, pensativo. — Ela apenas muda de nome e inimigo, mas o motivo, não muda. Mas os heróis e os seus motivos para continuar lutando sim.
Willa ergueu as sobrancelhas, endurecendo seu semblante e riu rouca.
— É, você tem razão, eu estou perdendo o que tinha de melhor em mim.
— Não tem sido fácil para você, Willa. – Ele confortou-a, acarinhando a sua mão.
— É, mas precisamos continuar, não é? – Ela retrucou, respirando fundo.
— A Vossa Alteza nos convidou a ficar em Wakanda, por um tempo, pelo menos até os holofotes do governo mudar de foco e Sharon conseguir nos ajudar a desaparecer no mundo. – Steve levou um minuto, mudando o foco do assunto. Suas palavras resolutas não combinavam com a incerteza sobre os seus ombros. — Eu estou pensando em ficar, é um belo lugar para se esconder, o que você acha?
— Não dá. Ele não me quer aqui e... – Ela meneou a cabeça em negativa, crispando os lábios, perdendo o seu olhar destruído na paisagem intocada pelo homem. — Não dá para ficar tão perto do Bucky e…-
— É, eu imaginei. – Ele sorriu com tristeza. — Mas, eu não vou quebrar a minha promessa a ele. – E lhe lançando um olhar carinhoso, Steve repousou sua mão sobre o seu ombro esquerdo. — Eu vou cuidar de você, Willow.
— Eu amo você, Steve. – Ela acarinhou a sua mão olhando-o com carinho. — Eu nunca sumiria de você, eu só preciso de um tempo para mim. – Ela voltou sua atenção à paisagem, pensativa. — Você tem razão, não tem sido fácil para mim, há muito tempo. E não vai melhorar, não enquanto eu não estiver em paz com o meu passado, com o que eu sou, com o que eu vou ser.
— Você sabe que Ross e a Hidra colocaram agentes especiais atrás de cada um de nós, certo? – Steve relembrou cruzando os braços, com um olhar conflitante sobre Fairchild. — Eu já perdi o Bucky, não quero correr o risco de perder você também.
— E não vai. – Ela afirmou sorrindo contida. — Eu tenho um lugar em Hong Kong. É um esconderijo, muito bem protegido e seguro, é para emergências, para mim e a Jessica. – Willa olhou para Steve, anuindo singelamente. — Agora, para você também. Eu vou lhe dar uma copia da chave e o endereço. Eu vou para lá. – Ela enrugou o cenho, sentindo como aquelas palavras reagiam em seu consciente. Ela não podia se esconder em Nova York e colocar a vida de Jessica em risco. Japão estava fora de cogitação. Hong Kong era a sua melhor saída para se estabilizar. Confortável com isso, ela assentiu. — Não pretendo ficar por lá para sempre, mas...
— Eu vou te encontrar. – Ela o olhou, abaixando o rosto com um sorriso tímido. — Além do mais, nunca estive na China, você poderia ser a minha Guia, como você tem sido há muito tempo.
— Com prazer, Capitão. – Ela respondeu, sorrindo com ternura. — Esse lugar me fez perceber que preciso me reconectar com as minhas raízes. Eu tenho evitado esse momento, mas não dá mais. Preciso de algumas respostas, não apenas sobre meu passado, mas depois de Pietro retornar, preciso entender o que essas habilidades significam...
— Você acha que esconderam algo de você?
— Não seria a primeira vez. – Ela respondeu arqueando uma sobrancelha e Steve abaixou seu rosto um pouco envergonhado pela indireta recebida.
— Acho que todos nós precisamos de uma oportunidade para nos redescobrimos. – Steve assentiu, pensativo.
Sentindo a presença de alguém adentrando o corredor, Willa quebrou o seu olhar com Steve num estalo. T’Challa se aproximou com passos calmos e discrição. Vestia um terno marrom, tinha um semblante cansado e uma postura respeitosa e cautelosa perante o casal, não querendo atrapalhar a conversa entre eles. Ele abriu os lábios, mas Willa lhe lançou um olhar suave e acenou e ele compreendeu, aproximando-se e Steve olhou por sobre o ombro sendo surpreendido com a presença do Rei de Wakanda e lançando um discreto olhar a Willa que retomou sua postura contemplativa, silenciando aquela conversa entre eles.
— Eu quero agradecer por tudo, Vossa Alteza. Pela hospitalidade e o que está fazendo pelo Bucky. Gostaria de poder retribuir tal gesto algum dia.
— Por favor, Senhorita Fairchild, me chame de T’Challa.
— Me chame de Willa, então.
— Ela tem um problema com pronomes de tratamento.
— Mil desculpas. E não, não há necessidade de retribuição.
— Pode não haver, mas eu faço questão. E não se reprima em me avisar sobre qualquer coisa envolvendo Bucky, por mais insignificante que possa ser, eu quero ficar a par de tudo. E se você ou o seu reino precisarem de uma guerreira, eu estou à disposição não importando quando, onde e inimigo. É uma promessa que faço a Vossa Alteza. – Quando uma Samurai faz uma promessa, apenas a morte pode lhe impedir de cumpri-la.
— Me lembrarei de suas palavras, Senho... Willa.
— Obrigado por estar fazendo isso. – Steve agradeceu e se Willa o conhecia bem, essa não era a primeira vez que ele agradecia.
— O amigo de vocês e meu pai foram vitimas. – T’Challa admirou silenciosamente a paisagem de seu pais e essa era a primeira vez que Willa percebera o tão triste o rei aparentava. – Se eu posso ajudar um deles a encontrar a paz... – T’Challa olhou para Willa e ela sustentou o olhar.
— Sabe que, se descobrirem que ele está aqui, ele virão procurá-lo. – Steve proferiu, resoluto e T’Challa o encarou, repousando suas mãos atrás das costas, sentindo-se desafiado por tal hipótese, ele ergueu sua cabeça, empertigando a sua postura com um olhar firme através da janela.
— Deixe-os tentar.
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