Born to Die
6 Capítulo 5 - Consequências
Notas iniciais
Capítulo 5 – Consequências
Teresa estava a gargalhar sonoramente e Klaus estava a rir, quase a gargalhar tanto como a namorada.
– Klaus – afirmou Kol, surpreendido com a situação.
– Kol – disse Klaus, parando e colocando Teresa com cuidado no chão.
– Teresa – falou Kol.
– Kol – pronunciou Teresa, fitando o rosto da loira que estava ao lado de Kol, bastante próxima dele e voltando a olhar para o irmão do híbrido.
– Agora que todos se conhecem… — disse Liliana, saindo da sombra de Kol e abraçando a amiga com força.
Klaus e Kol tentaram impedir o contacto, mas não conseguiram, a vampira tinha sido mais rápida do que eles.
– Tive saudades tuas, amiga – disse Liliana, respirando fundo e arrependendo-se disso logo de seguida. Kol e Klaus tinham razão: o sangue de Teresa era muito tentador para ela.
Afastou-se um pouco constrangida e limitou-se a pegar nas mãos da amiga, com um sorriso fraco no rosto.
– Como estás, Lili? – indagou Teresa.
Por sua vez, Liliana olhou para Kol, em procura de apoio.
–Está a tentar tomar ações conscientes de uma jovem vampira – respondeu Kol, sorrindo tranquilamente para a loira.
Liliana olhou para as mãos unidas e viu as veias que sobressaíam da pele translúcida da amiga. Sentiu os olhos focarem-se apenas nelas e no sangue que elas transportavam. A dor nas suas gengivas atingiu-a. Ela precisava daquilo. Seria um vício? Seria sempre assim que aconteceria quando visse alguém humano? Quando tocasse num corpo quente que bombeasse aquele líquido revigorante e vermelho?
Olhou para Teresa, que arregalou os olhos. O seu ritmo cardíaco aumentou e atacou-a sem pensar. A morena deu um salto para trás sem efeito, já que Liliana era muito rápida. Felizmente, Kol e Klaus agiram rapidamente, impedindo a loira de fazer algo que mais tarde se viesse a arrepender.
Kol pegou-a nos braços e Klaus puxou Teresa para trás com extrema força. De seguida, colocou-se entre elas as duas, não deixando Kol ou Liliana terem contacto visual com a mais baixa.
– Larguem-me! – gritou Liliana, tentando desenvencilhar-se do braço de ferro de Kol. Os seus olhos estavam vermelhos, as veias debaixo dos seus olhos escuras e os caninos brancos estavam fora da sua boca.
– Ouve-me com atenção: não vais voltar a atacar a Teresa – disse Klaus, não a hipnotizando, apenas transmitindo um aviso. – Ela é tua amiga, tens a certeza de que a queres matar?
Liliana parou de lutar, olhando para Klaus atentamente. O seu rosto encheu-se de lágrimas e os seus joelhos cederam. Ela tinha sido má, queria magoar a sua melhor amiga. Kol amparou-a, colocando um dos seus braços à volta da sua cintura fina.
– Não… — murmurou Liliana e começou a soluçar. – Eu quero o Carlos!
Os irmãos trocaram um olhar preocupado, que depois de breves segundos de negociações, acenaram com a cabeça.
– Quero o Carlos! Onde está ele? Eu quero-o! Eu preciso dele! Dói! Por favor, façam parar! Esta não sou eu! Por favor, por favor, por favor!
Liliana estava descontrolada e Teresa tentou ir ajudar a amiga, mas Klaus colocou um braço à sua frente, impedindo-a de avançar. Impotente, mordeu o lábio com força e ficou a prestar atenção á amiga.
A loira soluçou e encostou a sua cabeça ao corpo de Kol que a recebeu nos seus braços. Enquanto isso, olhava o irmão com atenção que em vez de avançar, ficou estático.
– É da tua conta – murmurou Klaus e o irmão acenou, começando a rebocar Liliana de volta para o quarto.
Quando Kol fechou a porta, Liliana atirou-se para o chão, chorando como nunca tinha chorado em toda a sua vida.
–Carlos… — suspirou, lembrando-se do acidente. Eles não tinham caído numa ravina como Klaus tinha dito. Um camião veio na direção deles e Carlos desviou o carro, para o abismo. Liliana lembrava-se do impacto do carro na água, da pancada que sentiu na sua nuca, de ver Carlos morrer. Sentiu de novo o ar a escapar-se dos seus pulmões, de sentir a água salgada a invadi-la, a queimá-la, e de fechar os olhos, com a certeza de que ia morrer tragicamente.
–Liliana – chamou Kol, ajoelhando-se ao seu lado, e erguendo o rosto da rapariga para a encarar. – Lembras-te quando eu te disse que vampiros podiam hipnotizar humanos a esquecerem-se a de algo?
A loira acenou, desnorteada. Porque estava ele a falar daquilo?
–Vampiros Originais podem hipnotizar também outros vampiros. E é isso que te vou fazer.
–O quê? Porquê?
–Porque a tua dor está a destruir-te.
–Não…! – Liliana tentou afastar-se do Original, mas não conseguiu e a hipnose começou.
–Tu vais esquecer o Carlos. Não te vais recordar de qualquer momento que passaste com ele, de todas as vezes que falaste dele. Carlos nunca existiu na tua vida.
–Carlos nunca existiu na minha vida – repetiu Liliana, sob hipnose.
–Até eu dizer, tu não te vais lembrar dele.
–Eu não me vou lembrar dele.
©AnaTheresaC
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