Born to Die
5 Capítulo 4 - Memórias
Notas iniciais
Capítulo 4 — Memórias
Quando Liliana acordou, sentiu que tinha repousado por imensas horas. Olhou para o relógio digital que tinha na mesa-de-cabeceira e notou então que tinha, afinal, dormido apenas o normal. Porém, aquele sono tinha sido relaxante.
A memória enevoada de alguém que lhe era muito querido assolou-a, logo de seguida. E com isso, veio a dor no seu coração, mas não só. A dor existente na base da sua garganta aflorou-a, e lembrou-se então de que era uma vampira.
Na noite anterior, depois do seu primeiro banquete, adormeceu, exausta. Havia sangue na cama, sangue da sua primeira vítima. Ela tinha matado. A culpa era mil vezes mais poderosa do que qualquer recordação de felicidade.
Kol entrou no quarto quando os seus olhos começavam a encher-se de lágrimas. Trazia nas mãos uma caneca de chocolate quente a fumegar.
–Bom dia – disse ele, sentando-se na borda da cama. – Dormiste bem?
Liliana acenou, não conseguindo proferir qualquer palavra.
–Trouxe-te o pequeno-almoço – entregou-lhe a caneca e Liliana recebeu-a reticente nas suas mãos. O medo de se queimar existia, mas quando sentiu a caneca nos seus dedos, o calor era convidativo. Se ainda fosse humana, facilmente se teria queimado.
Timidamente, a loira deu um gole. Era chocolate quente com natas por cima e raspas de chocolate a enfeitar o cimo.
–Obrigada. Está ótimo – disse ela, bebendo mais gole.
Kol sorriu, receoso sobre o que poderia dizer; aquele não era apenas um chocolate quente, também tinha sangue misturado, mas se ela não tinha dito nada, então Kol decidiu não dizer nada.
–Onde está Teresa?
–Na piscina. Ela e Klaus foram dar um mergulho – respondeu o Original, com um sorriso no rosto.
–Será que eu depois posso vê-la? Ontem não tive a melhor reação para com ela – Liliana baixou os olhos, sentindo-se culpada.
–Vou falar com Klaus. Desde que não te aproximes demasiado, não vejo quaisquer objeções a esse encontro.
–Então Klaus é quem manda aqui?
–Ele gosta de ser o líder, mas cada um tem a sua própria vida. Termina a bebida.
Liliana deu mais um gole, obedientemente, mas continuou com as perguntas:
–Eu lembro-me dele quando era humana. A memória está toda desfocada e cheia de falas nas imagens, mas eu recordo-me que ele me visitava com frequência. Na altura não me lembrava, mas agora…
–Era porque ele te compelia – explicou Kol, paciente. – Os humanos podem ser compelidos a esquecerem-se de algumas coisas. Na fase de transição, essas memórias apagadas voltaram a ti e agora lembras-te claramente delas.
–Era para proteger Teresa. Ele tinha medo que eu desse com a língua nos dentes a alguém – afirmou Liliana, ainda presa nas memórias. Deu mais um gole no seu chocolate quente. – Isto está mesmo muito saboroso. Qual é o ingrediente secreto?
–Sangue humano – respondeu Kol casualmente e Liliana quase se engasgou.
–É… bom – respirou fundo, procurando acalmar-se. Não se podia esquecer que agora era uma vampira, e sangue faria parte da sua dieta. – Alguém morreu para o ter como refeição?
–Não – sossegou o Original. – Tomar sangue da própria veia é muito bom, mas gostamos de fazer isso só em ocasiões especiais. Para os outros dias, costumamos usar bolsas de sangue que roubamos dos hospitais.
–Oh, isso é uma alternativa… não assassina.
Kol riu.
–Sim, isso mesmo.
Liliana bebeu o resto da sua bebida e deixou a caneca em cima da mesa-de-cabeceira no preciso instante em que ouviram gargalhadas a aproximarem-se do corredor. Kol levantou-se imediatamente e Liliana seguiu-o fielmente.
©AnaTheresaC
Fale com o autor