Born To Die
9 Glory And Gore
Notas iniciais
Noite do jantar.
11h – Mansão do Bieber
Samantha andava de um lado para o outro em seu quarto, seu estômago se revirava cada vez que se lembrava de que encararia seu pai, depois de meses, como uma assassina. Toda vez que ia se deitar seu corpo se entorpecia e a sensação de ter matado um homem inocente sucumbia seu pensamento. Ela não era mais a mesma, Samantha Jones havia morrido sem um enterro decente.
— Ei, Jones. — Ryan entrou no quarto acompanhado por Chaz — É hoje.
— Eu sei. — Suspirou sentando-se — E se eu fizer algo errado?
— Você só tem que distrair Murriel, você é gostosa, só de passar rebolando por ele já será o suficiente. — Esclareceu — Vamos repassar o plano agora no galpão.
— Já vou. — Sibilou, ele assentiu e saiu do quarto, deixando-a sozinha com Chaz. Após aquela noite eles mal se falavam, apenas vez ou outra quando se esbarravam na cozinha.
— Beleza então...
— Chaz! — Ela segurou seu braço antes que o moreno pudesse sair, ela ainda tinha o sentimento que ele era seu único amigo naquele universo em que se encontrava — Está tudo bem entre nós, certo?
— É claro. — Sorriu tocando em sua mão pálida, algo parecia ter amolecido dentro dele já que o mesmo sentou-se ao seu lado — Seu pai vai estar lá te procurando.
— É claro. — Resmungou — O que eu farei? Ele não pode pensar que eu virei mais um integrante da gangue do Bieber.
— Mas você virou. — Retrucou — Só faça tudo certo e tudo sairá certo. — Deu de ombros. Eles então ficaram em um silencio constrangedor, ambos fitavam a parede sem nenhum tipo de contato.
— Você está bem? — Perguntou. A pergunta de inicio assustou Samantha, mas depois de um tempo ela entendeu. Ela precisava daquela pergunta mais que um peixe precisa de água e Chaz novamente havia lido seu pensamento. Afinal, ela havia participado de uma racha, matado um homem e, quase foi estuprada por Justin Bieber.
— Sim. — Mentiu descaradamente — Eu só espero que aquele homem tenha sido alguém muito mau para alguém.
— Continue pensando assim. — Aconselhou tocando no ombro da loira. O homem na verdade era uma pessoa comum com interesses comuns, porém com um vicio quase que suicida em jogos com altas apostas e, em uma dessas ele apostou com Jaden e, consequentemente com Justin, uma aposta tão alta que custou sua vida. E Chaz sabia disso.
— Mas eu estou enganada...?
— Não! — A velocidade que as letras saíram de sua boca foi o suficiente para Samantha saber que ele mentia — Sabe, é melhor descermos...
— Também acho. — Abaixou os ombros com derrota — Eu nunca me imaginei nessa situação... — Resmungou — Parte de uma gangue com pessoas que eu odeio! Sem ofensas...
— Nem percebi. — Falou fazendo-a rir — Você fica mais bonita assim.
— Como? — Se levantou junto ao amigo.
— Sorrindo. — Eles estavam próximos o suficiente para terem como única visão um ao outro, ele mantinha o olhar preso na boca avermelhada de Samantha enquanto a mesma só conseguia ver seus olhos cor de petróleo.
— V-vamos descer? — Ela gaguejou afastando-se dele, tentando recuperar o folego. Chaz assentiu e foi ao seu lado até o galpão, as nuvens estavam carregadas e tampavam o sol por completo, mas parecia que ainda estava de manhã.
— Pombinhos! — Chris gritou rindo assim que os dois passaram pelas portas de aço. Sam sentiu suas bochechas arderem, ela odiava a situação que sempre colocava a si mesma, no geral todas eram constrangedoras, como na noite retrasada quando se esqueceu que não havia porta em seu banheiro e, ao sair pelada do mesmo deu de cara com Chris.
— Quando fecho os olhos ainda consigo ver seus peitinhos molhadinhos quicando na minha frente. — Ele falou baixo o suficiente para que apenas Samantha ouvisse, em resposta ela deu um tapa no braço pálido do loiro, eles começaram uma guerrinha onde ela tentava acerta-lo com seus tapas e ele a descrevia pelada.
— Ei, vocês dois! — Jaden os repreendeu — Venham!
Ao se aproximar ela sentiu o cheiro de maconha e colônia, e percebeu que Bieber estava por perto mesmo sem tê-lo visto ainda.
Jaden narrou o plano em detalhes minimamente contados. Eles haviam conseguido por Milles – que para surpresa de Sam fazia parte da gangue – como um dos garçons, ele pôs câmeras em cada quina das paredes para que de dentro da van Chaz e outros membros da gangue pudessem monitorar tudo. Ryan e Chris entrariam primeiro para ver se a barra estava limpa, em seguida Jaden e por ultimo Justin acompanhado de Sam. Todos usariam escutas compartilhadas para que pudessem se comunicar mesmo estando separados. Samantha distrairia Murriel e a esposa, pedindo para fazer tour pela casa e até mesmo seduzindo-o, ela descobriria onde fica o cofre e pela escuta compartilharia o paradeiro. Sam teria que de alguma forma distrair Leo, seu pai, para que Justin, Chris, Ryan e Jaden tentassem arrombar o cofre. Ao acabarem eles iriam esconder os diamantes e, um por um sairiam do jantar e antes mesmo que Murriel percebesse o roubo, eles já estariam vendendo todo o “lucro” da noite.
— Entendeu? — Perguntou.
— Como vocês vão arrombar o cofre? Deve ter dezenas de alarmes e o código deve ser indecifrável. — Samantha perguntou gesticulando com as mãos. Chris apontou com a cabeça para um cofre no meio do galpão.
— É quase uma réplica dos que eles tem, os alarmes serão desligados por Chaz de dentro da van. — Explicou.
— Não se preocupe com a nossa parte Jones, só faça a sua. — Bieber se pronunciou depois de um longo tempo quieto. Samantha sentiu seu corpo estremecer pela rouquidão em sua voz, ele estava inquieto, estranho... E até mesmo ela com pouca convivência havia percebido.
— Delicado como sempre. — Bufou cruzando os braços. Aos poucos todos saíram para comerem, Sam achava estar sozinha quando se debruçou sobre a planta da casa para estuda-la. Ela repensou diversas vezes o plano e no que falaria para distrair o casal e...
— Já pensou em como irá seduzi-lo? — Pulou de susto ao ouvir Justin, o capuz cobria seu cabelo loiro e o moletom suas diversas tatuagens. Ela riu nervosa por alguns segundos.
— Não. — Respondeu séria voltando-se para seus pensamentos.
— Finja que sou ele. — Sussurrou aproximando-se dela.
— J-justin não! — Recuou dois passos, mas ele avançou novamente.
Samantha não sabia o que era aquilo, aquela sensação que crescia dentro dela quando Justin se aproximava demais, ela tinha uma barreira que ele conseguia atravessar sem esforço. Quando ela o olhava nos olhos apenas conseguia ver a cor de ouro derretido que os preenchia, olhos dóceis sem maliciosidade ou crueldade, mas sua voz ao chegar a seus ouvidos a fazia se estremecer de medo, ela sentia a culpa apertar seu peito por mesmo que por mínimos segundos ela se sinta atraída por ele. Ela sentia nojo, desgosto e autodestruição pela pessoa que Justin era, mas também se sentia fodidamente atraída pela voz rouca e o peitoral definido.
— Tá com medo? — Perguntou segurando sua cintura.
— De você? Nunca. — Sibilou sem tirar os olhos dos seus.
— De você. — E então ele a beijou.
Justin tinha possessão por Samantha, não conseguia imaginar dividi-la com Chaz ou qualquer outro. Ela era sua mina de ouro contra Leo Jones, seu maior inimigo, ela era a arma perfeita em seus roubos, ele queria ser o primeiro a experimenta-la, o primeiro a ouvi-la gemer, ele queria conseguir ser o primeiro a seduzi-la e tê-la só para si mesmo.
Ele gostava da sensação de domina-la, da sensação de controle quando a beijava, mesmo sabendo que estava por baixo.
Ele a jogou em cima da mesa do escritório e beijou seu pescoço, novamente Samantha sentiu a sensação de estar sendo tocada por mãos de um assassino e o empurrou com forças que não sabia que tinha.
— Nunca mais toque em mim. — Falou o olhando de cima a baixo — Eu só tenho ódio para você.
— E tesão. — Cantarolou a cercando.
— E nojo.
— Mas o tesão prevalece. — Sentou-se em cima da mesa.
19h – Mansão do Bieber
Samantha encontrava-se em seu quarto, fitando-se no vestido que exibiria em poucas horas, ele era longo com uma grande fenda na coxa que se estendia até acima do seu joelho, ele era tomara que caia com um grande decote nos seios e costas abertas, sua cor era um verde azulado, escuro, ao vê-lo ela sentiu como se mergulhasse no mar de madrugada, ele era justo em seu corpo e realçava as curvas que ela nem mesmo sabia que tinha. Aquilo não era de uma prostituta.
— Samantha? — Marie entrou no quarto após três batidas na porta — O chefe pediu para que eu a ajudasse a se arrumar.
— Ahn... Claro. — Sorriu sentando-se perto da cabeceira.
Marie a maquiou e penteou seu cabelo, aquilo levou mais de uma hora, mas no final valeu 100% apena. Samantha estava exuberante, com luz própria, atraindo olhares até das formigas e seguranças, Marie sorriu orgulhosa ao examinar Samantha.
— Tome cuidado. — Avisou aproximando-se — Não pense duas vezes antes de usar a arma, ou pense. Isso é com você, mas a única coisa que sobrou de Samantha Jones foi a integridade que existe apenas aos olhos de seu pai.
— Eu matei um homem, Marie. — Samantha revelou.
— Eu que despachei o corpo. — Suspirou — Todos já mataram alguém, nem sempre é diretamente ou fisicamente. O homem que abandona a mulher no altar à mata, o garanhão que faz bullying com o gordo o mata, o policial que precisa deter um bandido também o mata. Não se culpe por ter feito algo que a vida mesmo faria, mas não se mate, pois isso é burrice.
Samantha respirou fundo e assentiu, permaneceu sentada por mais longos minutos digerindo tudo o que Marie havia dito, por fim ela levantou-se e pegou uma bolsa encrustada de pedras que ressaltava no vestido, a bolsa estava leve, ela era apenas um disfarce para carregar seu revolver.
— Wow Jones! — Jaden uivou quando ela desceu as escadas, todos estavam bem arrumados com ternos e gravatas. Eles davam um quê moderno em suas roupas com acessórios e tênis, ela sorriu quando seu olhar encontrou-se com o de Chaz. Ele era o único que não despertava nojo nela.
— Você está tão gostosa. — Chris falou se aproximando — Que eu vou até substituir a imagem dos seus peitos saltitantes por essa de você descendo as escadas. — Sam gargalhou e bateu nele com sua bolsa, em seguida ela congelou ao lembrar-se que dentro da mesma havia uma arma.
— Murriel nunca resistirá a você. — Chaz murmurou a rodando — Acho que a primeira fase do plano está cumprida.
Sam sentiu um par de mãos contornarem sua cintura e um queixo encaixar-se na curva de seu pescoço.
— Vamos baby? — Bieber sussurrou em seu ouvido
21h – Jantar do Murriel
Havia um homem encarregado de pegar os casacos, todos eram de pele ou de cachemira, Justin tinha sua mão fixa na cintura de Samantha enquanto a mesma nem entendia como suas pernas se moviam tão rápido, ela estava em choque.
— Seu casaco madame. — O encarregado pediu e ela obedeceu, entregando-o o mesmo. Ela estava em transe observando todas as pessoas bem vestidas, com grandes joias nas orelhas e diamantes nos dedos e cabelos perfeitamente arrumados, Justin logo encontrou um conhecido e tratou de enturmar-se, esquecendo de Samantha.
— Jones, vê o homem de branco no bar? Ele é professor Peter Flashgurd de teses em uma universidade idolatrada por Murriel, que no caso está bem do lado dele. — Sam ouviu a voz de Chaz em sua escuta disfarçada de brinco, ela respirou fundo antes de começar a andar pelo piso de mármore imperial.
— Professor Flashgurd. — Samantha aproximou-se do homem calvo, ele abriu um grande sorriso com o reconhecimento, ela reconheceu Murriel e a esposa bem atrás de Peter.
— Ao que devo o reconhecimento de uma bela dama srta...
— Invente!
— Bittencourt, Jenny Bittencourt. — Sorriu apertando a mão estendida do homem — Devo dizer que sou uma grande fã de suas teses.
— E qual seria sua preferida? — Murriel intrometeu-se com um sorriso galanteador no rosto. Samantha novamente repetiu o que Chaz falava em seu ouvido e pareceu ter conseguido agradar — Além de bonita é inteligente.
— Oh, por favor sr. Tray. — Empurrou seu ombro — Não tem nem como me comparar à Constance. — A mulher de Murriel estava á metros, se entrosando com os convidados que lotavam o cômodo.
— Aceita uma bebida srta. Bittencourt?
— Me chame de Jenny, por favor. — Falou assentido.
Eles beberam algumas taças de champanhe e trocaram cantadas atravessadas, por duas vezes Murriel tentou tocar na coxa exposta de Samantha, mas em ambas ela recuou.
— Não olhe agora Jones, mas seu pai está bem atrás de você. Saia daí!
Ela virou-se e avistou Leo rondando o perímetro, ele usava as jaquetas da polícia e um boné de basebol, ela sentiu um forte aperto no peito e uma vontade incontrolável de correr até ele e abraça-lo até seus braços doerem, ele a procurava, estava nítido em seu olhar.
— Está tudo bem docinho? — Murriel perguntou acariciando seu rosto. Ela sentiu nojo, queria gritar para seu pai vir salva-la, ela fugiria com Leo, Justin seria preso e toda a historia de ter que atirar em seu próprio pai seria um blefe, mas ela sabia que Justin Bieber nunca blefava.
— O que acha de sairmos daqui? Um tour pela casa. — Tentou disfarçar seu incomodo roçando seus joelhos — Um tour bem longo. — Sussurrou.
Ele chamou um homem e pediu para que ele distraísse Constace, ele fez aquilo bem em sua frente, Samantha sentiu-se uma qualquer, uma pessoa digna de usar roupas de prostitutas.
— Vamos docinho. — Tocou seu ombro nu — Jenny é um nome bem excitante.
Ele a guiou até as escadas, ela sentia o olhar de todos em suas costas, até mesmo o de Bieber e Leo. Murriel era alto com uma barba rala e os cabelos grisalhos penteados para trás, seus ombros eram largos e ele tinha grandes olhos azuis com pequenas rugas nos cantos.
— Aqui é o quarto nupcial. — Falou fazendo menção para que entrasse — na verdade é o meu quarto, guardo tudo aqui. — Sorriu orgulhoso.
— Acha que pode ser aí? — Era a voz de Jaden — Vê se tem algum armário que pareça com o cofre que Chris tentou arrombar.
— Lembre-se de ser discreta!
— Sabe sr. Tray... — Murmurou deixando sua voz o mais sexy possível — Eu vi um filme onde o quarto do cara era exatamente assim.
— Oh é mesmo? — A abraçou com brutalidade, esfregando sua intimidade em sua bunda, Samantha fingiu soltar um gemido com a proximidade deles — E o que mais...?
— O cara era um bandidão, com cofres e armas no quarto, aquilo me excitou tanto. — Gemeu virando-se para ele. Ela deixou que ele deslizasse suas mãos até seu bumbum, ela escorregou o terno dele por seus ombros e então mordiscou o lóbulo de sua orelha — Tanto que eu me molhei todinha.
— Não seja por isso, eu tenho um cofre no quarto do lado. — Murmurou beijando seu pescoço.
— E é grande?
— Enorme.
— É esse mesmo! Distraia-o por mais tempo, estamos subindo. — Justin ordenou.
Murriel a jogou na cama, o baque de seu corpo no colchão fez sua escuta fugir de seus ouvidos e quicar até o chão, ele jogou-se por cima dela e prendeu seu corpo entre suas pernas.
— Mas eu não posso te levar até lá, apenas o imagine. — Falou segurando seu rosto, ela queria acabar com aquele teatro antes que tivesse de ir longe demais, ele se aproximou mais dela, roubando um beijo, Samantha no inicio recusou-se a ceder passagem para sua língua, mas sua força era tanta que ela não viu outra opção. Ele colocou suas mãos por dentro do vestido e massageou seus seios, Samantha fingiu gemer e se contorceu na cama, ele pegou uma de suas mãos e a guiou até o zíper de suas calças, ele murmurou coisas nojentas como "faça carinho nele" em seu ouvido.
— Sua mulher pode nos procurar. — Samantha tentou afasta-lo, mas ele insistiu a beija-la — Ela vai perceber.
— Foda-se Constance. — Respondeu rude voltando a beija-la, ela ouviu um barulho na parede ao lado e sabia que eram os meninos — O que... — Antes que ele terminasse a frase ela o beijou, Murriel novamente conduziu sua mão até seu membro ereto, ele já havia abaixado as calças e Sam podia ver algo pulsar em sua cueca, ela iria vomitar. Ele já havia tentado rasgar seu vestido três vezes e ela sentia seu cabelo embaraçar com a brutalidade que ele os puxava ao beija-la.
— Preciso ir ao banheiro. — Falou o empurrando antes que o mesmo abaixasse a cueca — Aquele champanhe deu uma revertida aqui. — Inventou.
— Agora? Você só pode estar de brincadeira... — Revirou os olhos.
— Se eu não sair daqui agora eu vomitarei seu chão todo, não só o chão, tudo. — Exagerou curvando-se com as mãos no estomago — E-eu preciso ir, foi um prazer enorme Murriel Tray, mas fica para a próxima.
— Com certeza docinho. — Sorriu abrindo a porta para ela. Samantha arrumou os cabelos e respirou fundo antes de se recompor. Ela desceu as escadas sozinha e novamente sentiu-se o centro das atenções, ela avistou Justin e Ryan perto da porta fazendo sinais para a mesma, eles pareciam nervosos e contentes.
— Vem. Logo. — Leu os lábios trêmulos de Ryan, ela sentiu o nervoso subir por sua espinha, então ela apressou o passo até os mesmos.
— Samantha Jones? — Seu corpo travou ao ouvir uma voz distante chama-la.
Seu pai.
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