Born To Die
7 Capitulo 7 – Jantar. Parte 2.
Notas iniciais
Resolvi apenas ignorar esse sentimento estranho e logo uma mulher com uma bata com o logótipo do café se colocou na frente da mesa, sorrindo amigavelmente.
–Oi, menino Justin… – ela falou sorrindo para mim. Sorri de volta. Então aí percebi que fiz bem em não mentir, se não estaria ferrado. Eu vinha aqui muitas vezes, sabe… –O que vocês vão querer?
–Eu quero uma esparguete. – Mia falou sorrindo de canto, mas encarando a mesa. Sorri. Eu amava esparguete também! Nós tínhamos imensas coisas em comum… o roxo, a comida, e até o facto de sermos livros abertos e também apagados.
–Eu quero o mesmo. – falei e ela me encarou inquisidora, mas sorriu para mim.
–Me desculpe se fui indelicada… – ela tentou falar, mas a interrompi.
–Shhh. Você não foi. – falei sorrindo mas coloquei a gola do casaco tapando. Meu sorriso iria me denunciar. Ela sorriu e colocou seus braços na mesa, respirando fundo.
–Obrigada… – ela falou e eu dei de ombros, apenas.
Nem cheguei a ouvir os pedidos de Renée ou Bridgit, mas isso não tinha incomodado nada. Ficava encarando a mesa quando estava com vergonha, afinal… eu estava jantando com duas garotas e sua mãe no dia em que as tinha conhecido… á uns minutos atrás apenas! Isso era… Hilário.
–Então. Não respondeu á minha pergunta. – Renée falou e Mia riu, a interrompendo.
–Mamãe, não o questione. Coitadinho! – a encarei incrédulo, tentando criar um tom irónico.
–Licença, vou no WC. – Renée falou corada e correu até dentro do café. Encarei Mia divertido.
–Obrigada aí por me chamar de fraco… – falei e Mia riu, murmurando um "desculpa" fofo e meigo. Cara… ela era tão bonitinha...
–Olha olha, quem está aqui? – ouvi a voz totalmente debochada de Blake, fazendo o meu sangue tremer. O encarei assustado, e ele e sua trupe, Léo e Sam, riram junto dele.
–Oi, Blake. – falei frio. Esses eram o pessoal que me infernizava ainda mais. Eles não sabiam de nada, mas troçavam de mim por eu me esconder debaixo dessas roupas. Eles contaram a todo mundo que eu tinha uma doença e que tinha bolinhas azuladas por todo o corpo. As garotas sempre riam e cochichavam quando eu passava. Era… ridículo.
–O que está fazendo com duas belas donzelas, hein? – Blake falou me puxando pelo braço, me levantando ferozmente. Mordi o meu lábio tentando reprimir um grito de dor, e deu certo, felizmente. –Não sabe que pode pegar sua doença, não? – Blake falou debochado e eu cerrei os dentes.
–Que doença? – Mia e Bridgit perguntaram em uníssono. Elas não pareceram indignadas com aquilo, elas pareceram… preocupadas.
–Não acreditem nele, eu estou de perfeita saúde. – falei frio e ele me largou, finalmente. Blake se sentou impulsivamente no lado de Mia e acariciou o seu rosto enquanto que ela o encarava assustada. Senti o meu rosto esquentar.
–Ei! Pára com isso! – Bridgit falou num tom alto, fazendo Blake olhar pra ela.
–Também quer? – Blake falou e Bridgit se remoeu de raiva, mas Mia continuava ali, acanhada, abraçando sua cintura olhando tudo com medo.
–Pára. Ela disse pára. – falei por entre dentes. Ele riu irónico, e seu celular apitou, e ele leu algo nele.
–Tenho que ir, mas isso não vai ficar assim. – Blake disse e se levantou do banquinho e sua trupe o seguiu até algum lugar. Respirei fundo.
Mia P.O.V
Encarei Justin two confusa – era assim que eu o chamava, agora –, á espera de uma explicação para aquilo. Ele respirou fundo e voltou a se sentar do meu lado, ignorando os meus olhares de curiosidade. Balancei a cabeça em negação e me sentei de lado de frente para ele, para que ele percebesse que eu queria explicações. Como assim ele era doente? E por que todos faziam piada dele? Isso era injusto. Doença não era motivo de piada. Não mesmo.
No entanto, Justin continuou com a cabeça abaixada, a escondendo na mesa. Suspirei pesadamente e contei até dez, tentando perceber por que ele não queria falar comigo. Era aceitável e eu não me podia queixar, já que eu também não tinha contado do Justin one para ele. Mas mesmo assim, aquilo era ridículo.
–Justin, vá lá, eu quero falar com você. – falei com a voz calma, transmitindo segurança. Ele me olhou de soslaio e suspirou, colocando o seu corpo de lado para frente de mim.
Então, o que eu não estava á espera acontecer. A sua cabeça estava levantada, por um próprio deslize dele, e a sombra do gorro não tapava mais sua face, mesmo que ela estivesse um pouco tapada pela gola do casaco. Era a vista perfeita para seus olhos. Um arrepio passou a minha espinha ao encarar aquela cascata de chocolate, com o brilho das constelações no centro, criando um avelã com a doçura de mel. Aquela cor era única. E só havia uma pessoa no mundo com a capacidade de ter olhos tão lindos, tão pacíficos, tão cheios de vida desse jeito. Assim. Ou era uma simples coincidência, que não mudaria o rumo de meu destino, ou o acontecimento de a quatro horas atrás tinha mexido comigo e tivesse fudido a minha mente, criando essas ilusões que me pareciam bem reais. Seus olhos tinham um brilho inatingível. Era um espectáculo de beleza em seus orbes. Ele me lembrava o meu anjo; Justin Bieber. Não, era impossível.
Justin se tinha suicidado depois do acontecido. Ele nunca mais foi descoberto, e cara, ele era Justin Bieber! Todo mundo o seguia para qualquer lado, tinha de haver paparazzis á sua procura em qualquer canto do mundo! Ele estava morto e eu já estava contentada com isso. Isso… já tinha passado. Não completamente, por que a ferida aqui dentro nunca mais fechou, mas ali estava eu. Pasmada. Encarando seus lindos orbes e tendo um filme a passar bem na frente de meus olhos. Meu coração palpitava de milhões por segundo. Era impossível. Justin tinha voltado para o céu, onde ele estava. Ele era um anjo, ele tinha voltado para sua verdadeira casa, não é? Seus olhos eram a coisa mais linda desse mundo, mas ele já tinha partido para o outro mundo! Como o brilho de seus olhos continuava aqui, nos olhos de outro garoto, com uma voz angelical e arrepiante? Tudo era fruto de minha cabeça. Só podia. Afinal… Eu era louca. Sempre fora louca por ele.
–Ei… O que foi? – Justin perguntou me encarando confusa. Contudo, foi dificil desviar o meu olhar de seus olhos, que se abaixaram para me encarar preocupados. Engoli em seco.
–Nada… – sorri forçada e ele arregalou um pouco os olhos, logo fazendo com que o gorro criasse aquela sombra, tapando os seus olhos. Ele abaixou a cabeça e forçou um sorriso, que não vi muito bem por causa da gola de seu casaco.
–Sabe que pode confiar em mim, né? – ele falou com a voz macula dele, que parecia que ele forçava.
–Sei sim. Esquece. É relacionado com o meu celular, fiquei brisando aqui. – ri sem graça e ele riu de volta.
A risada dele era forçada, como que se não tivesse graça, tal como a minha. Porém, ela era linda, gostosa, e fofa. Mais uma fez, escandalosamente parecida com a de meu anjo, mas as diferenças eram bem visíveis, me fazendo acreditar na segunda opção de tudo; Eu estava alucinando por cauda da saudade. Isso era normal, mesmo que minha ultima alucinação tenha sido á 10 meses, depois da suposta… é. Eu não falou mencionar de novo. Depois do que aconteceu, era normal que eu tivesse essas crises de novo. Mas eu era forte e não iria me iludir.
–Então, o que queria me perguntar? – ele perguntou sorrindo amigavelmente. Logo uma luz atravessou a mesa, a luz dos faróis do carro que passava, possivelmente.
Seus olhos estavam negros, de um chocolate profundo, desta vez sem aquele brilho das constelações, mas eles continuavam lindos, e, principalmente, de uma forma angélica. Ele parecia um anjo. Logo meu coração palpitou. Eu estava me iludindo novamente. Justin one, deixe-me trata-lo assim, tinha olhos de outro mundo. Por vezes de um avelã rabiscado de mel, que eu provavelmente tinha imaginado em Justin two, e noutras vezes, em ocasiões diferentes, ele tinha o olhar negro, sem vida. Porém, cheios dela e cheios de intimidação. Era esse olhar que eu estava vendo em Justin two agora. E eu estava pirando, mas, esse olhar negro convidativo e um pouco obscuro, era demasiado popular. Muitos garotos o tinham, mas Justin tinha um toque especial nele; um brilho incansável. Já Justin two, já não tinha esse brilho inigualável. Descontraí os meus músculos. Estava fazendo drama para nada.
–Que doença é que eles estavam falando? – mesmo que ele não era Justin one, mesmo que o tivesse conhecido á uns meros minutinhos, eu me preocupava com ele.
–Eles só estão troçando pelo facto de eu andar sempre agasalhado. Eles inventaram tudo. – ele falou respirando pesadamente.
–Então você está bem, né? – ele assentiu. Sorri. –Então, o que acha que vir connosco até nossa nova casa, hein? – falei e ele me encarou curioso.
–Como assim?
–Já que você está sozinho, e como somos amigos agora… somos, né? – ele assentiu, e pude perceber que estava sorrindo. –Então, você poderia ficar um pouco lá em casa pra não ficar sozinho, ou você prefere ficar em casa com seus pais? – perguntei desanimada. Ele encarou a mesa e depois a mim, hesitando.
–Eu vivo sozinho. Meus… pais morreram. – ele falou e eu senti uma pontada de culpa preencher o meu corpo.
–Ah me… desculpa. – falei coçando a cabeça.
–Não faz mal. E sim, eu vou com vocês.
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