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1 What normal people do?


Notas iniciais
Espero que curtam a leitura, e desculpa qualquer erro eu revisei mais eu sei que eu sempre deixo passar algo D:

Já era a terceira vez que Sherlock aparecia no necrotério aquela semana. E já era a terceira vez que, quando questionado por Molly sobre o que ele estava fazendo ali, ele respondia: “Experimentos”. Ela, por alguma razão, estava achando isso tudo muito estranho e incomum. Ok que quando se trata de normalidade Sherlock Holmes não passa perto do conceito, porém não era só as idas frequentes ao necrotério que a deixaram preocupada. Se ele entrasse no local e ficasse quieto e absorto em seu mundo, como sempre, ela talvez achasse que tudo estava certo, e que aquele era somente mais um dia normal de trabalho.

Porém ele estava conversando. Melhor dizendo, puxando assunto com ela, se interessando pelos afazeres e trabalho dela. Por que diabos Sherlock Holmes estava, de um absoluto nada, interessado em manter uma conversa com ela. E quando ela diz 'conversa' é realmente conversa, e não aquele turbilhão de insultos, falas rápidas ou pedidos de favores que Sherlock estava acostumado a fazer.... ele realmente conversava, como uma pessoal normal.

Algo tinha que estar errado. Não era possível.

Na quarta vez daquela semana ela tomou coragem, “Sherlock...” ela chamou atenção dele, que estava no momento concentrado no microscópio do outro lado da mesa. Ao ouvir voz dela ele levantou a cabeça e a olhou soltando um grunhido parecido com “Hm” .

“Há algo de errado?” ela o fitava esperando uma resposta mas os olhos deles só se estreitavam e a confusão tomou seu rosto, ele não estava entendendo que tipo de pergunta era essa, “Eu quero dizer...” ela gaguejou um pouco com as palavras enquanto sua mente pensava em como perguntar aquilo se parecer indelicada, sem parecer com que ela não estivesse gostando da companhia dele, “você tem passado muito tempo aqui, não? Errr-é que geralmente eu só te via aqui quando você tinha um caso... ou algo parecido”.

“Por que? Incomodada com a minha presença?”

“Não, não, não, não! ” ele mal conseguiu formar a sentença quando ela balançou a cabeça freneticamente e falou um pouco mais alto do que queria. Ela soltou a respiração, mesmo sem ter notado que tinha segurado, “Não é isso, é só que.... ahn-achei que algo estivesse errado. Sei lá, você geralmente faz experimento em casa, e sempre me pede para levar as partes de corpos para 221B quando precisa. Só me pareceu incomum, só isso.” Ela sentiu seu rosto corar e achou melhor olhar para baixo e se concentrar no cérebro que ela analisava.

Ele não podia vê-la ficar com vergonha. Ela implorou em sua mente para que ele não notasse a cor que as bochechas dela exibiam.

“Vejo que talvez você goste um pouco de observar” ele disse em meio um leve riso se inclinando sobre a mesa para encará-la mais de perto, “Já sabe até o que é o meu ‘habitual’, não?”

Molly pressionou os lábios para não sorrir e não se atreveu a levantar a cabeça para encara-lo. Ela sabia que ele tinha aproximado, podia ver suas mãos estendidas na mesa, e podia sentir o olhar penetrante dele sobre ela, mas ela se recusava a lentar a cabeça. Fazer isso seria ficar mais vermelha sobre aquele olhar, seria dar um atestado sobre como ela ficava idiota ao redor dele.

Melhor não responder. Ele mesmo não respondeu a pergunta dela, ela também deveria ignora-lo e continuar a fazer o seu trabalho, corpos não iriam se analisar sozinho!

“Não, Molly Hooper,” o barítono dele ecoou pela sala ampla e esterilizada do necrotério. Ela teve que olha-lo, não tinha com resistir. “Não há nada de errado. Eu estou bem, não precisa se preocupar”, o olhar dele parecia divertido ao encarar ela. Ele parecia até feliz por ela se importar, ele a olhava de uma forma tão bonita.

“Hm-ok” ela consegui dizer baixo enquanto se derretia sobre aquele olhar.

Ela o ficou encarando, talvez por mais tempo que ela tinha percebido, mas ele não desviará o olhar. Era como se de alguma forma ele tivesse a desafiando a continuar com a cabeça erguida, e talvez ela o tivesse impressionado pela resistência, pois ela podia jurar que os olhos deles brilharam em surpresa quando ele voltou a recostar em sua cadeira exibindo um sorriso curioso.

“É só que...” ele olhou para o nada e pausou, mas ela continuava vidrada em cada movimento dele, prendendo a respiração, esperando ansiosamente pelas palavras dele, “Eu acho que estou entediado.”

“Jura?!” ela ouviu sua consciência falar. Como ela não previu isso? É claro que ele estava entediado, por que mais Sherlock estaria passando seus dias no necrotério? Para ficar mais perto ela? Claro que não! Ela se achou tola por algum momento ter cogitado essa ideia.

“Você é o único detetive consultor no mundo, como você consegue ficar entediado?”

“Eu sou muito inteligente para perder meu tempo com qualquer caso trivial” ele rolou os olhos e bufou, “Além do mais John está muito ocupado para me acompanhar. Não que eu precise dele” Sherlock disse a ultima frase um pouco mais rápida do que as outras, voltando a encara-la um pouco assustado com suas próprias palavras. “É só que nada consegue me motivar esses dias... é tudo tão chato e normal.”

Molly conseguiu encaixar as peças agora: John estava muito ocupado com a paternidade. Ele e Mary viviam agora para a pequena Ellie, e não que isso fosse ruim, de forma alguma, mas Sherlock ficava um pouco de lado. Sempre que dava ela sabia que o médico o visitava e até convidava ele para ir ficar um tempo com a família Watson, porém o detetive não parecia muito afim disso.

Molly achou triste a situação. Sherlock não havia perdido seu melhor amigo, mas ela teve a impressão de que ele achava que sim.

“Tenho medo de imaginar como funciona sua mente... deve ser desesperador algumas horas.” ela disse resolvendo se divertir com a situação de Sherlock. Não achou apropriado falar sobre a situação ou sobre John. Ele não aprecia querer falar sobre.

“Você não faz ideia” ele deixou a resposta no ar e afastou a cadeira da mesa, olhando para os lados como se procurasse algo e do nada ele rodou a cadeira, como se fosse uma criança fazendo de tudo para se divertir no escritório dos pais. Molly sabia que de vez em quando Sherlock conseguia se comportar como uma criança perfeitamente, ainda mais quando estava entediado.

Ela achou melhor voltar a atenção ao seu trabalho mais uma vez, já que a conversa parecia ter acab-- “O que você faz quando está entediada, Molly?” ele perguntou interrompendo a linha de pensamento dela.

“Coisas bem diferentes das suas...” assim que ele respondeu ela notou como isso tinha soado mal. Ela levantou a cabeça rapidamente e encontrou o rosto dele surpreso, com as sobrancelhas arqueadas e os lábios pressionados. Estaria Holmes ofendido? Ela conseguirá fazer essa proeza? “Oh, desculpa. Não quis que isso soasse mal, mas é que-errr-bem” ela tentou achar a melhor maneira dizer aquilo, “Eu não salvo da Inglaterra de um sociopata, ou muito menos impeço um atentado terrorista em Londres quando eu estou entediada. E acho que se eu fizesse isso raramente estaria entediada.” Já no final da sentença ela notou que não foi o melhor modo de dizer o que queria, pois ela teve que se controlar muito e segurar o riso para que ele não escapasse pelos lábios.

Mas ela estava achando aquilo hilário: Sherlock querendo dicas sobre o que fazer com o tédio.

“Ok Molly Hooper, além de se divertir do meu tédio, o que mais você faz?” o tom dele era tão descontraído, o que era muito raro de se ouvir. Porém naquele ponto da conversa ela já parará de contar quantas coisas estavam estranhas em Sherlock.

“Hmm, sei lá Sherlock.. faço coisas normais quando fico entediada” ela voltou sua atenção para sua atividade, ela notará que ele a fazia perder o foco. Se ele tornasse consume passar as tarde em St. Barts ela teria um grande problema.

Isso não daria certo. Ela precisava focar

“O pessoas ‘normais’ fazem?” sua voz saiu ironicamente enquanto ele levantava da cadeira e começava a andar pela sala como se procurasse algo interessante para dedicar a sua atenção.

“Eles saem com os amigos, conversam, vão passear, leem livros, vêm TV. Tem muita coisa para se fazer...” ela respondeu distraidamente “As pessoas se divertem Sherlock, isso é o que ela fazem quando estão entediada. Procuram coisas agradáveis para se fazer.”

“Mas não é minha culpa se nada da agradável acontece. Quero dizer, nada de excitante acontece mais nesta cidade... nem um simples assassinato. NADA!” ela se exaltou falando, como se o que ele dissera soasse perfeitamente compreensível para qualquer um. Como se ela parecesse uma idiota por não perceber o dilema dele.

“John vem trabalhado com você a ‘sensibilidade das palavras’ e de como guardar alguns comentário para si mesmo, não?” sua cabeça levantou um pouco e ela o olhou de canto com um pequeno sorriso nos lábios. Ele não tinha jeito com as palavras, não quando elas precisavam ser socialmente toleráveis. “Ele te diz que você tem que ser um pouco mais sensível?”

“Sempre.” Ele correspondeu ao olhar dela e bufou de raiva novamente.

Um curto espaço de tempo se passou em silencio. Ela achou que a conversa finalmente tinha terminado, e que aquele silêncio constrangedor iria fazer com que Sherlock decidisse arranjar outra coisa para fazer. E que se existisse um Deus, Sherlock iria arranjar algo para fazer bem longe dali.

Não que ela não gostasse da presença dele, muito pelo contrário. A mera imagem dele pairando sobre ela e a observando por pouco tempo já a deixava constrangida, imagine isso o dia inteiro? Ela precisava de um tempo–

“Molly?” ele interrompeu os pensamentos dela novamente.

Ela já estava ficando um pouco irritada com essa mania dele de interromper seus pensamentos. Não aprecia algo que ela realmente podia ficar irritada, mas ela estava.

“Hm?”

“Você sairia comigo?”

“O que?” ela levantou a cabeça rapidamente para encara-lo e só então pode notar que ele estava encostado na mesa ao lado dela, a poucos centímetros. Quando foi que ele chegou tão perto assim? Ele às vezes era tão silencioso. “Sair. Comigo... você sairia?” Ele repetiu a pergunta já que ela só conseguira manter sua boca aberta e seus olhos arregalados. Ele com toda a certeza tinha notado o momento de choque dela.

“Eu –hm-err, ” Molly tropeçou nas palavras enquanto sua mente tentava analisar rapidamente o que ele queria dizer com ‘sair comigo’. Sherlock não estaria a chamando para um encontro, estaria? Não, claro que não! Ele nunca faria isso, ele não é capaz de fazer isso... pelo menos eu achava que ele não era. Mas de certa forma o detetive já havia feito tantas coisas que ela não esperava dele. Seria errado pensar que Sherlock tinha um padrão, mesmo que fosse sobre ‘isso’ (sobre ‘sair’). “Como assim?” foi a única coisa que sua mente achou que seria o certo dizer.

“Bem, você disse que as pessoas normais saem com os amigos” seu tom dedutivo já apontava na frase, ele falava como se acreditasse que tudo fosse obvio não só para ele, mas também para ela. “já que eu não to fazendo nada, e você, bem, nada tão importante– ”

“Sherlock, eu estou trabalhando.” Molly não levou como ofensa, ele era indelicado e ela já havia se acostumado.

“É, mas você já perdeu mais de 10 minutos conversando comigo, além de estar enrolando com o mesmo corpo a tarde toda. Essa semana você só preencheu papeis, esta é a primeira vez que você está mexendo com um copo; e contra o habitual, você não aprece tão animada ao fazer isso, o que indica que você já tem o relatório ou já sabe todas as informações sobre este corpo. Em suma, o que quer que você esteja fazendo não é necessariamente importante ou tenha tanta urgência.” Ele disse isso tudo sem parar em nenhum momento para respirar.E ela, a esse ponto, havia notado que também tinha segurando a respiração. Ela sempre fazia isso quando ele deduzia. Ainda mais se fosse sobre ela. “Você poderia sair do trabalho mais cedo, tudo já está bastante adianto, logo, não há nada de muito importante para se fazer aqui.”

Ela continuou a fita-lo. Não sabia se ele estava esperando uma resposta ou se existia alguma resposta para aquilo. Molly também não sabia se sentia ofendida por ele menosprezar o trabalho dela, até por que ele já precisou muito do trabalho dela para poder fazer o dele. Talvez ela devesse jogar isso na cara dele.

Hm, melhor não. Para falar a verdade ele não tinha o intuito de magoa-la, não é? Molly sempre achava que ele falava tudo aquilo sem pensar (como se isso fosse possível). Mas ele não estava sendo mal, estava?

“Dito isso, você sairia comigo?” ele perguntou mais uma vez mais firme.

“Como amiga?” ela disse depois de algum tempo.

“Sim, sim, como amiga. Para me distrair.” ele forçou um sorriso. Ela odiava aquele tipo de sorriso

“Acho que sim.... não vejo por que não.” Ela desviou o olhar quando respondeu. Seu rosto formará um sorriso um pouco bobo e ela achou melhor que ele não visse isso.

“Excelente!” Ela pode vir bater as mãos. Logo ela havia a deixado caminhando para a porta do necrotério pegando seu casaco que estava pendurado. “Vamos?!” Ela voltou a atenção para ele e o encontrou segurando a porta com um sorriso largo e animado.

“Esp-espere, você diz agora?!”

“Yep” ele disse soando mais uma vez entediado. “Você não prestou atenção do discurso que eu dei?”

Ela respirou fundo por um momento e pensou na consequência daquilo. Vários motivos surgiram em sua mente, dizendo para ela recusar e que aquilo não iria acabar nem um pouco bem. Pelo menos não para ela.

Mas ela nunca foi uma pessoa racional.

“Ok então.” Em rápidas ações ela tirou as luvas, pegou sua bolsa que já estava separa no canto da sala e seguiu para fora do necrotério junto com Sherlock Holmes.

Aquilo poderia ser interessante, ela pensou.