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10 Goodbye Holmes
Notas iniciais
Por mais que houvesse uma luta interna em Molly, entre sua mente e seu coração, ela conseguiu se lembrar perfeitamente do endereço do hospital em que Sherlock havia sido internado da ultima vez. Era incrível como a sua mente guarda qualquer detalhe pequeno sobre ele.
A corrida de táxi não foi muito cara e o não demorou nem 15 minutos para ela chegar ao hospital particular onde estava o detetive. Os passos de Molly vacilaram na entrada do local e por um momento ela hesitou, pela primeira vez pensando realmente se isso era uma boa ideia. Ela queria desesperadamente ver Sherlock, até por que, por mais que John tivesse dito que tudo estava bem, ela precisava ver com os próprios olhos se isso era verdade.
Sua parte lógica tentou lhe avisar que seria um encontro um tanto quanto estranho, dado a situação em que os dois se encontravam. Mas em mais momento súbito de coragem Molly ignorou qualquer retaliação que pudesse ocorrer e entrou no hospital determinada a ver Sherlock.
Na recepção ela conseguiu um crachá de visitante e confinou o quarto que John tinha falado. Enquanto subia as escadas rapidamente passou pela cabeça de Molly a conversa que ela tivera com o amigo do detetive, e ela não pode deixar de se perguntar agora por que John tinha dito o hospital e o número do quarto de Sherlock. Poderia ter sido um comentário inocente, mas depois de tanta experiência com Sherlock e com seu conjunto social Molly sabia que duas coisas não existiam: coincidências e inocência.
Molly riu para si mesma não acreditando que ela fez exatamente o que John queria. Provavelmente ele e Mary já sabiam que alguma coisa estava muito errada entre Molly e Sherlock e esse era o plano do casal para resolver.
Realmente, nenhum dos seus amigos tinha limites.
Naquele momento ela não se importou muito com isso. Ela havia atingido o seu destino e agora olhava uma porta branca que exibia o número 201. Engraçado como números conseguiam a assustar. Ela se lembrou da ultima vez que esteve no apartamento 221 e como ficou receosa ao encarar aqueles números cravados na porta.
Mas o único motivo para esse temor sempre fora por causa da pessoa que se escondia por de trás desses números.
Molly tomou seu tempo, e depois de um longo suspiro bateu três vezes na porta e abriu lentamente. Timidamente ela se inclinou, colocando a cabeça para dentro do quarto e com uma voz baixa perguntou, "Posso entrar?"
Sherlock estava deitado na cama exatamente como estivera da ultima que ela o visitará no hospital. Ele parecia surpreso com a presença dela ali e não conseguiu falar nada por um momento. Molly considerou aquilo como um convite e entrou no quarto, fechando a porta atrás de si e permanecendo distante. Ela não sabia se ele estava atordoado ou se ele estava a estudando, lendo o que era obvio pelas suas roupas, maquiagem ou qualquer outra coisa. O fato era que os olhos azuis dele a fuzilavam, e por um momento Molly começou a pensar se tinha sido realmente uma boa ideia ir até lá.
"O que você está fazendo aqui?" Sherlock finalmente falou cerrando os olhos enquanto balançava a sua cabeça em confusão. "Eu poderia perguntar o mesmo." Ela respondeu rindo, um pouco aliviada por ele ter respondido e decidiu fazer seu caminho até uma poltrona que estava do lado da cama dele.
"Bem," ele respondeu também com um riso enquanto acompanhava com o olhar o trajeto dela, "Não é tão difícil assim de deduzir, não?" ele terminou quando ela se sentou e ele acenou com a mão para os aparelhos aos quais ele estava ligado.
O sorriso continuava no rosto dela e de repente ela se sentiu leve. Ela apoiou os braços na beirada da cama e pode o ver de perto agora. Sherlock realmente não parecia tão mal. Ele tinha alguns machucados na testa e em seu braço esquerdo alguns arranhões leves. A perna estava coberta pelo lençol, então ela não pode ver como era a situação ali em baixo. Porém pelo nível de morfina que aparecia no monitor ao lado da cama ele não parecia estar sofrendo de tanta dor assim, ou pelo menos não havia abusado demais da droga.
"O que aconteceu Sherlock?" Molly finalmente perguntou ternamente e voltou a fitar os olhos dele. Ela ainda estava preocupada e ela podia ver nos olhos deles que ele não queria que ela ficasse preocupada.
"Aparentemente eu tenho um amigo que não consegue se manter calado. Eu deveria ser mais seleto em questão de amizade." Sherlock continuou com o tom irônico o que por alguma razão conseguiu arrancar um sorriso de Molly. Ele parecia ter gostado disso, por que imediatamente um tímido sorriso cruzou o seu rosto enquanto ele completava, "Eu me machuquei."
"Não Sherlock. Uma criança de cinco anos que pula o muro e cai pode falar que se machucou." Molly respondeu ainda rindo, "Você levou um tiro."
"Tiros são os meus muros. Já não é muita novidade."
O clima entre eles estava leve e tranquilo. Não era algo que nenhum dos dois esperasse, mas talvez, depois de tanto tempo distante, eles só estavam felizes por ver um ao outro. E Molly mais feliz por ver que ele estava bem, e que apesar de tudo eles ainda eram capazes de ter uma conversa normal.
"Você está bem?"
"Yeah. Aqui eles me dão drogas e você não pode me bater por isso. É meio que o paraíso." Ele tentou outra brincadeira, mas dessa vez ela não riu. Molly só o olhava ternamente, com um sorriso de canto e com vontade enorme de abraça-lo e sentir mais uma vez que tudo estava bem.
"Por que você falou para o John não me falar sobre você." Ela perguntou calmante só que a resposta dele veio um tanto ríspida, "Por que eu não queria."
"Sherlock... "ela procurou pegar a mão dele na cama, mas ele se afastou assim que sentiu o contato dela, "eu sei que as coisas não estão normais entre nós. Elas provavelmente não vão ficar normais." Molly duvidou das palavras que ia falar, mas acabou dizendo, "Mas eu ainda me importo com você."
"Por quê?" um brilho triste cruzou os olhos dele e ele não escapou quando ela procurou a mão dele mais uma vez, finalmente a deixando segurar.
"Por que, por mais que você seja a ultima pessoa que eu queira ver no mundo ultimamente, você não deixou de ser a pessoa mais importante da minha vida."
"Isso não faz sentido, Molly." Ele respondeu pela logica.
"Eu sei." Ela deu um sorriso triste e inclinou a cabeça, "Imagine a confusão que é minha mente."
Eles mais conversavam pelo olhar do que pelas palavras, e nos momentos de silêncio, como esses, ela podia ver claramente algo escondido por de trás daquele azul perfeito. Havia algo que ele queria falar ou que estivesse esperando dela. Apesar de toda expressão impassível que ele sempre matinha Molly dessa vez podia ver os olhos dele suplicarem por algo. E ela também mostrava pelo olhar que tinha algo para lhe dizer.
"John disse você vem se metendo em muita confusão, isso é verdade?" Molly quebrou o silêncio perguntando.
"Eu realmente tenho que avaliar minhas amizades!" A voz dele ainda era tranquila, e ele parecia estar gostando de poder fazer esses tipos de brincadeiras. Molly estava vendo Sherlock como sempre via, e não como ela viu quando tinha deixado seu apartamento a 2 meses atrás. Muita coisa tinha acontecido, e muita coisa precisava ser dito. "Minha vida é uma confusão Molly, tudo mundo sabe disso." Sherlock disse com um sorriso pequeno a tirando de seu pequeno devaneio.
"Você não pode se dar ao luxo de ficar entediado, não é?" Molly exibiu um sorriso amarelo e ele fugiu o olhar em um pequeno ato de desespero, ambos se lembraram da situação que os levaram até aquele momento. "Sabe Sherlock, eu tive tempo para pensar em muita coisa." Molly decidiu falar sobre o 'elefante na sala'. Apesar de tudo estar bem por quanto ela precisava falar algumas coisas. Precisava colocar alguns pontos finais, e por mais que não tivesse ido com essa intenção, quando ela chegou ali ela sabia que tudo precisava ser dito logo, "Eu realmente fiquei muito grata quando você me deu esse espaço de 2 meses, por que eu precisava mais do que tudo ficar um tempo sozinha."
"Como você pode saber se eu fiz isso por você?" Ele rebateu em um tom frio e distante, como era de se esperar.
"Eu gosto de pensar que sim." Molly sorriu triste e acariciou a mão dele, apertando-a forte, fazendo então que ele voltasse a olhá-la. "Enfim, a verdade é que nesse tempo eu pude pensar direito no que aconteceu e em tudo que eu senti por você." Ele tinha uma expressão comum, seus lábios estavam pressionados em uma linha fina e ele parecia estar com um pouco de raiva por ela estar tocando no assunto. "Eu sei que pode parecer estranho o que eu vou falar, mas eu não te culpo pelo que aconteceu. Eu te conheço a tanto tempo, eu sei como você e sei quais são suas limitações." Molly não perdia a calma e o sorriso triste que tinha desde que tomara coragem para falar. Ela se lembrava de tudo que aconteceu e de tudo que ela passou pelos 2 meses. Várias vezes ela amaldiçoou o homem que estava na sua frente. Várias vezes ela queria nunca ter o conhecido. "Você com certeza é um babaca! Nunca tenha duvidas disso." Ela riu sozinha ao pensar em como ela tentou odiar Sherlock neste meio tempo por ele ser do jeito que ele é. Contudo não demorou muito para ver o que o erro não era só dele, "Mas eu sempre soube que você era. O erro foi, em grande parte, meu! Por permitir que você me colocasse naquela posição. Eu já sabia como isso ia terminar antes mesmo de começar; desde o momento em que eu me apaixonei por você eu sabia que eu nunca iria ter você." Ela podia ver a feição dele perdida nas palavras dela. Quando ela passou ela pode ver como ele estava preso em suas palavras, esperando ansiosamente e temerosamente por cada silaba. "E maior parte da minha dor foi por que eu quis ignorar o que eu já sabia."
"Você veio aqui para me... perdoar?" ele se atrapalhou em algumas palavras enquanto procurava entender o que estava acontecendo.
"Não." Ela balançou a cabeça negativamente, "Eu vim por que fiquei preocupada com você, e por que não posso evitar em ficar preocupada."
"Então por que você está me dizendo tudo isso?"
"Por que você precisa saber." Molly podia já sentir seus olhos marejados, mas ela sabia que não era de tristeza "E por que eu preciso falar isso em voz alta, para poder tirar do meu sistema." Ela estava aliviada. Essa era a palavra! "Eu me importo demais com você Sherlock, mas eu não posso mais ser assim."
"Eu nunca te pedi para ser assim." Apesar da resposta dura ela não parecia ter falado com essa intenção.
"Eu sei. E por isso mesmo que eu agora sei que não posso mais ser assim."
Molly ainda sorria para ele. Seu sorriso já era um misto de alivio e tristeza, e ele não esboçava nenhuma expressão. Aparentemente essa era a única coisa que ele sabia fazer. Isso e apartar a mão de Molly com força. Mas ela achava que ele não tinha consciência de que esta fazendo isso, até por que em um certo momento chegou a machuca-la.
Enquanto ela olhava os olhos deles buscando algo a mais nela, uma palavra ou alguma outra coisa, Molly teve certeza que nunca iria mesmo conseguir odiar Holmes. O que ele fizeram foi um erro, pelo menos para ela. Um erro que não foi só culpa dele, por que ele está acostumado a fazer as coisas que ele quer só por diversão. Foi um erro dela por permitir se envolver nos jogos e nos experimento que ele fazia. Ela sabia que a ideia dele não era lhe causar mal, ele nunca seria capaz de fazer algo com o intuito disso. Mas ela também sempre soube que ele não se importava se ele ferisse os sentimentos dos outros como efeito colateral das suas ações.
Quando ela se deu conta de tudo isso as coisas ficaram muito mais fáceis de se aceitar. Claro que ela ainda não estava preparada para confrontar Holmes, ela não tinha imaginado algo assim. Mas quando ela viu essa oportunidade, e quando ela viu o quanto ainda se importava com o detetive Molly teve certeza que essa era a coisa certa a fazer.
Ela não ia perder Sherlock Holmes, ela ainda era o seu amigo e ela o considerava mais do que qualquer pessoa. Mas ela não podia sofrer por ele. Não podia sofrer por causa de uma ilusão que sua mente criou sobre o homem que ele não era.
Depois de um tempo de reflexão Molly se levantou e deu um beijo na testa dele. Era hora que ir embora. Ela já o tinha visto, já havia falado com ele e as coisas estavam relativamente bem.
"Você ainda tem curiosidade da saber o que eu tinha medo que você perguntasse?" Ela parou antes de abrir a porta e se virou para encará-lo. Ele ainda continuava mudo, apenas acompanhando o que ela fazia e falava, "Eu tinha medo que você perguntasse se eu te amava."
"Mas eu já sei a resposta disso, não faz sentido você não querer responder."
"Eu sei que você sabia. Todo mundo que visse como eu te olhava quando estava do seu lado sabia a resposta." Ela rolou os olhos pela primeira vez pensando em como ela realmente se portava bem estranho perto dele, "Mas enquanto eu não falasse era como se não existisse. Você fingia que não notava, eu fingia que não sentia e todo mundo fingia que acreditava." Os olhos dela se apartearam e depois de uma longa respiração ela pode continuar, "Eu não suportaria ter que te responder. Ter que falar isso em voz alta e em bom tom para que você ouvisse em todas as letras como eu estava perdida por você." Ele parecia absorto e fora daquele momento, mas Molly sabia muito bem que ele estava sim ouvindo tudo, "Eu teria que admitir para mim mesma que eu estava apaixonada por uma pessoa que nunca iria me amar de volta. Isso iria doer muito."
"Molly," Ele finalmente disse quando ela abriu a porta para poder sair de vez, "Você me ama?"
"Mais do que você merece Sherlock Holmes." Ela estava triste mais ainda sim virou para olha-lo com um sorriso no rosto, Mas eu vou superar isso. Molly abriu a porta e foi embora dizendo uma ultima frase, "Espero que melhore logo Sherlock."
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