Bonequinha de Luxo
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Notas iniciais
*em itálico é a cena do prólogo...
Uma bonequinha de luxo, um relacionamento de mentira!
Foi o que ocupou minha mente durante toda a noite de quinta e o dia de sexta. A proposta de Edward me perseguia como um caçador persegue sua caça. Eu fico buscando formas para dizer que a ideia não é boa, mas não encontro.
Primeiro, porque ela é realmente boa e passível de êxito.
Segundo, porque meu corpo está louco para servir ao dele.
E é justamente o segundo ponto que me assusta. Eu e sinto tão atraída por ele que sonhei com seu corpo sobre meu nos pouco instantes em que consegui um descanso.
Minhas amigas me acham estranha durante as aulas e me questionam. Eu apenas digo que estou preocupada com o processo e elas compreendem. De fato, eu não menti, já que aceitar ou não a proposta de Edward pode ser decisiva nesta questão.
Eu vou trabalhar decidida a me decidir o mais rápido possível. Chego cedo, pois não almoço devido a falta de apetite. Faço uma busca geral e detalhada sobre Edward Cullen na internet. Nenhuma novidade. Filho de Carlisle e Esme Cullen, irmão de Rosalie e Jasper Cullen, solteiro mais cobiçado da cidade, CEO e dono da Cullen Corporation, escritor e mestre em Literatura Contemporânea.
Apesar de suas aventuras serem de conhecimento geral, ele é conhecido pela total discrição em relação à família e intimidade. Não encontrei relatos de nenhuma namorada real que ele tenha tido, a não ser um envolvimento amoroso com uma tal de Kate Denali, antes mesmo de fundar sua empresa. Foi o mais próximo de relacionamento sério que encontrei sobre ele, porém não havia muitas informações também. Eles estiveram juntos por cerca de 2 anos e depois terminaram. Nunca mais foram vistos juntos desde então. Eu suspiro. O cara é um deus grego gostoso que não quer se envolver com ninguém. Isso me cheira a problema e dos grandes.
Mas eu precisava de sua ajuda. A ideia de aparecer como noiva dele era ótima, pelo menos para o tribunal e todo o processo. Se desse certo, eu seria grata por toda vida a ele. Mas, o preço é caro. Me submeter aos desejos dele por um ano. Tá, confesso que eu não acho tão ruim assim tê-lo na cama, afinal, ele me deu os melhores orgasmos da minha vida. Mas, convenhamos que a situação é muito estranha e até meio vulgar.
Enquanto eu penso em tudo isso, meu chefe chega. Eu o olho aflita e ele me dá um sorriso nervoso. Ele sabe, tenho certeza que Edward já o informou sobre o nosso jantar na noite anterior.
— Preciso de ajuda, Emmett! — Eu digo com olhar cansado e ele assente.
— Venha, vamos para minha sala. — Ele diz e eu o acompanho.
— Bella, Edward me disse que já conversou com você ontem sobre... a proposta. — Ele diz lentamente quando eu me sento em sua frente. Ele apoia a pasta na mesa e me encara.
— Sim, conversamos ontem. Mas eu...
— Você está confusa e com medo. — Ele completa meu raciocínio — Eu entendo Bella, e eu precavi Edward disso para que ele não te pressionasse. Eu sei que é uma situação difícil, fingir algo desse nível e por tanto tempo. — Ele diz pacífico — Mas você me pediu ajuda, então eu vou fazer o que posso. — Ele sorri – A ideia é genial Bella, eu já tenho até uma ideia do texto de arremate para o juiz! — Ele diz ainda mais sorridente – Eu tenho certeza que conseguiremos com este plano. Vamos desbancar o Newton de vez. — Ele encerra com segurança.
— Então não há outra opção? — Eu pergunto
— Bella, claro que tem. — Ele diz – A defesa que programamos até aqui é boa, temos boas chances com ela, e o passado do Newton nos favorece. — Eu respiro aliviada – Mas não posso negar que com a jogada que Edward propõe as chances se tornam certezas.
Eu fecho meus olhos e respiro fundo.
— Bella, eu sei que o que vocês tiveram juntos naquele dia pode estar martelando na sua cabeça. Mas conheço meu amigo. Ele não vai forçar nada. Ele também vai ter benefício com isso. — Ele ri – Ele pode ser um mulherengo irremediável, mas sempre respeitou as mulheres. Ele nunca as iludiu e nem brincou com ninguém, não vai ser com você que ele vai fazer isso. Ele só irá até onde você permitir. — Ele conclui e eu o fito. Será que ele sabe todos os termos da proposta de Edward?
— Ele... te contou a proposta? — pergunto meio ansiosa.
— Sim, ele me contou que a ideia eram fingir um relacionamento sério e estável, no caso um noivado, no tribunal para te beneficiar e na sociedade como toda para beneficiar os dois, já que ele precisa desse status. Para um homem como ele, pega mal não ser comprometido. A boêmia é muito mal vista, sinto isso na pele. — Ele diz – Bom, basicamente isso. Claro que vocês terão que ter uma convivência intensa neste tempo para cumprir bem o papel, mas seguirão suas rotinas normalmente.
Eu solto o ar. Emmett não sabe que a proposta inclui relações sexuais, o que me deixa aliviada. Seria constrangedor demais para mim Emmett saber disso. Aliás, ninguém poderá saber disso se eu aceitar. Ninguém!
— Certo Emmett. — Eu digo e me levanto — Então minhas chances são relativamente boas, porém com o Edward eu garanto a guarda do Theo comigo. É isso? — Eu pergunto passando a mão pelo cabelo.
— Sim. É isso, resumidamente. — Ele diz e também se levanta. — Mas a decisão é sua. E o que você escolher, eu estarei lá te apoiando e fazendo de tudo para vencermos essa!
Eu sorrio para o meu chefe amigo e saio da sala para começar meu trabalho. A tarde de sexta passa rápido e logo estou em casa com o meu menino. Nos momentos que estou com ele eu consigo não pensar nesta loucura toda. Mas quando o coloco no berço no fim da noite, minha mente é tomada pelas dúvidas e medos. Deito para dormir, mas sono é a última coisa que vem a mim.
Acabo acordando muito cedo e penso em sair, porém não posso deixar Theo dormindo sozinho. Ainda está escuro quando eu desço para cozinha e me deparo com Heidi.
— Menina, eu tive um pesadelo e não consegui dormir mais. Aí resolvi vim logo. — Ela diz – Incomodo?
— De forma alguma, Heidi. Ao contrário, acho que foi Deus que te enviou. Preciso sair para espairecer um pouco, não consegui dormir direito! — Eu respondo suplicante e ela sorri.
— Pois então vá, eu cuido de tudo aqui.
Eu assinto, troco de roupa e saio.
Respira Bella, respira!
Tentei me acalmar e ganhar um pouco de fôlego para continuar correndo. Correr fazia tudo funcionar ao mesmo tempo e eu não pensava em nada. E era disso que eu precisava no momento. Eu não queria pensar, não podia pensar... ou enlouqueceria.
Continuei com a minha válvula de escape e fui cruzando todo o parque. Agradeci mentalmente a cada ambientalista que fazia questão de que aquele parque continuasse preservado e gigante daquele jeito, pois assim eu podia levar horas correndo aqui dento.
Depois de muito tempo, eu me permitir parar e sentar num banco. Minhas pernas tremiam e eu sentia fortes fisgadas em meu abdome, porém respirar era o mais complicado. Olhei para o céu e percebi que a madrugada estava se tornando dia e logo Chicago estaria a todo vapor. Mas eu só queria continuar ali e sumir do mapa. Estava muito difícil continuar, muito mesmo.
Não que em algum momento minha vida tivesse sido muito fácil, mas agora o karma estava ferrando com tudo. Eu simplesmente não tinha outra saída. Respirei fundo e engoli as lágrimas.
Então era isso. Eu teria que aceitar a derrota, engolir o meu orgulho e destruir meu coração.
Por um lado, eu perderia o Theo, do outro a minha dignidade. E eu já havia definido o que é mais importante. Suspirei, levantei e fitei o amanhecer mais uma vez. Era hora de voltar. E encarar a realidade. Entre mim e meu filho, o Theo sempre virá primeiro.
Então, eu seria uma bonequinha de luxo para Edward Cullen.
Eu voltei para casa com a minha decisão tomada e dediquei o dia ao meu filho. Era por ele que eu me submeteria a tudo isso, para que ele ficasse comigo para sempre.
Fomos ao parque e ele se divertiu bastante, no final da tarde ele já estava exausto e acabou dormindo cedo. Então eu decidi resolver logo essa questão. Tomei um banho relaxante que não teve o efeito esperado, mas todo bem. Coloquei um vestido rosê de manga curta e decote coração que vai até seus joelhos, levemente rodado e acinturado. Sua sandália de salto médio e meus cabelos eu deixei soltos para o lado. Passei somente um delineador e um batom claro.
Heidi aceitou ficar com Theo até eu voltar e eu prometi a ela lhe pagar horas extras. Depois dela quase me dar uma surra eu consigo tomar um carro por aplicativo e ir para o endereço do Edward, rezando para que ele não tivesse saído para uma noite de aventuras.
Ao chegar e me identificar na portaria, o funcionário interfona ao seu apartamento. Alguns instantes depois ele me avisa que posso subir. Sinto meu coração acelerar um pouco mais a cada passo que dou em direção ao elevador. Sinto os olhos curiosos do porteiro em minhas costas, mas não o encaro. Ele deve achar que sou só mais uma na cama do Cullen. O que, de fato, eu estava para me tornar mesmo.
O elevador sobe e a cada andar vencido, sinto meu rosto esquentar. Logo estou diante da sua porta e hesito. Para Bella! Se você chegou até aqui, agora você vai até o fim! Respiro fundo e bato de leve na porta. Que logo se abre. Nossos olhos se conectam.
— Eu aceito! — Eu digo antes que toda a coragem saia correndo de meu corpo.
Vejo uma leve surpresa ser substituída por uma satisfação gostosa em seu rosto. Ele estende a sua mão para mim e eu coloco a minha sobre a sua. Trêmula e fria, como todo o meu corpo.
Ele me convida com o olhar apara entrar no apartamento e eu o faço com dois passos vacilantes. Acho que ele percebe, pois ele pousa sua mão livre em minha cintura e fecha a porta com o pé. No instante seguinte, seus lábios deitam sobre os meus com luxúria e posse. Me sinto amolecer completamente e embarco na sensação maravilhosa de me desfazer em seus braços.
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