Boneca
16 XIII - Antes Que O Dia Acabe.
Notas iniciais
Capítulo XIII — Antes que o dia acabe.
Mansão Malfoy, Londres.
Depois da pequena cena de Pansy no café, Draco resolveu finalmente voltar para casa e descansar.
Coisa que ele não fazia há muito tempo.
Desde seu último e perturbado encontro com Hermione a Castanha não lhe saía da cabeça.
Como ele pôde fazer algo tão monstruoso e, ao mesmo tempo, tão extasiante? Céus! Ele estava completamente bêbado aquela noite.
“Mas se não estivesse…”
Não! Ele não iria pensar sobre isso, não agora.
Os olhos cinza tempestade miraram o relógio fixado na parede.
Quatro da tarde.
Ainda faltavam algumas horas para o jantar com Parkinson.
“E se…”
Dormir, era isso que ele iria fazer, dormir!
Então, ignorando todos os seus pensamentos castanhos cor de mel, Draco tirou os sapatos e o blazer para, em seguida, se deitar na espaçosa cama de casal de seu quarto.
O loiro fechou os olhos e virou de lado, achando uma posição confortável para si, respirando fundo.
Por um segundo, seus pensamentos pareciam ter se calado, e ele agradeceu por isso.
Lembrei você, então sorri
Nada mais a declarar, eu estou aqui
Se você soubesse a falta que me faz
Abrir os olhos, te ver e nada a mais
Mas, como esperado, o silêncio não durou muito.
Logo imagens da Grifinória invadiram sua mente, desde a garota deitada em sua cama, ao seu lado a pensamentos impróprios e imagens de possíveis torturas que a mesma poderia sofrer.
Draco se sentou na cama num rompante, imaginar as duas últimas imagens o deixaram muito nervoso, suas frio escorria de sua testa e suas mãos tremiam.
“São só malditos pensamentos! Você vai se casar, Malfoy!”– pensava o loiro.
Ele esfregou as mãos no rosto e se levantou, calçou seus sapatos e passou a se observar no espelho.
Quem era aquele homem no reflexo?
O loiro não sabia.
Talvez, por debaixo da camada de arrogância, prepotência e sarcasmo, ainda existisse o velho Draco Malfoy.
Aquela criança, aquele jovem adolescente inseguro, inteligente, quase feliz.
O Draco quem Hermione conheceu.
O sonserino suspirou.
Se eu errei, me diz porquê
Se todos pensamentos me levam a você
A você
A quem ele estava enganando além de si mesmo?
Estava enlouquecendo, apodrecendo por dentro.
O que ele tinha a perder fazendo sua vontade, pelo menos, uma vez na vida?
Pansy nunca descobriria.
Ninguém jamais saberia.
Seria um segredo que ele levaria para a eternidade.
E, pensando nisso, o dono dos olhos tempestade pegou sua varinha.
Dessa vez não haveriam arrependimentos.
~*~
Pansy acabara de chegar ao conforto da Mansão Malfoy, estava exausta, esgotada, sentia uma imensa vontade de chorar, mas não o faria de modo algum.
A garota juntou seus pedaços pela sala e subiu as escadas chamando por Draco, mas não obteve resposta.
Estava sozinha.
Então a sonserina resolveu que tomaria um longo banho e se arrumaria para seu amado noiva.
Mas ele viria, tinha certeza disso.
Pelo menos, ela esperava.
Em cartas eu tento me expressar
Te ter de volta eu posso esperar
Mas me diga que a saudade bateu
E o seu amor ainda é meu
Você saberá, antes que o dia acabe
Que nada vai mudar eu e você
~*~
Lugar Desconhecido, Londres.
– Draco Malfoy? — perguntou um dos comensais da segurança.
– Sim, algo errado? — respondeu gravemente.
– Não, nada, é só surpreendente vê-lo. O que alguém tão importante faz aqui no “submundo”?
– Nada que seja da sua conta, Dallee. Eu quero a chave que abre as celas do corredor das Bonecas.
– Claro, claro, aqui está a chave geral. Há outra, que abre uma cela especial, onde guardamos nossa “preciosa” Hermione Granger — zombou o comensal — Mas não creio que vá precisar dela.
Draco trincou os dentes.
– Se eu não vou precisar dela você muito menos. Me entregue a chave, Dallee, antes que algo ruim aconteça com você. — ameaçou Draco.
– Perdão. — pediu o comensal lhe entregando uma pequena chave dourada.
Draco rosnou em resposta e começou a caminha para dentro do submundo.
~*~
Vejo fotos, recados, viagens, sorrisos
Tudo continua comigo
Aquele corredor ainda lhe causava arrepios, os gritos, os gemidos de dor, as risadas mal intencionadas.
É como se ele estivesse num circo de horrores, mas nada disso importava, afinal ele estava ali por um motivo, e não iria perder o foco.
E foi caminhando entre celas de garotas feridas e até mesmo mortas que ele encontrou Hermione.
A garota estava deitada no chão de pedra, encolhida, acuada.
Embora estivesse adormecida, era como se estivesse esperando por algo ruim, seus músculos tensos, seu senho franzido, os olhos apertados e a boca suavemente aberta.
A grifinória estava mais magra do que antes, era possível contar suas costelas com exatidão, ela parecia feita de vidro naquele momento.
Draco então se aproximou lentamente, tentando fazer o mínimo de barulho possível para não acordá-la. Aquela era uma daquelas cenas perturbadoramente belas e melancólicas, e não seira ele a estragar isso.
Ao passo que se aproximava, o sonserino estendeu os braços, aconchegando-os em baixo do corpo da castanha e erguendo-a com cuidado.
A grifinória se mexeu suavemente e Draco estacou com medo de a garota despertar, mas ela apenas se aconchegou mais à si.
Agora sim ele poderia prosseguir.
~*~
Se eu errei, me diz porquê
Se todos pensamentos me levam a você
A você
Depois de ter tido todo o trabalho de não ser visto por ninguém pelos corredores, o loiro finalmente havia chegado ao seu destino.
O quarto onde tudo acontecera. E onde tudo seria esquecido bom, pelo menos, ele esperava.
O sonserino pousou Hermione delicadamente na cama, virando-se para trancar a porta.
– Colloportus. — sussurrou.
Quando se virou novamente para a castanha a mesma se mexia desconfortavelmente, sentando-se na cama.
– Ai. — murmurou a grifinória com os olhos semi abertos.
Sua cabeça se moveu suavemente para cima e foi aí que seus grandes orbes opacos encontraram o céu nublado do garoto.
– Malfoy? — perguntou descrente.
E foi aí que toda a confiança e determinação de Draco fugiram por entre seus dedos, ele estava completamente paralisado.
– O que faz aqui… Mestre? — perguntou a garota encolhendo-se na cama.
Ela parecia uma perfeita leoa acuada.
Em cartas eu tento me expressar
Te ter de volta eu posso esperar
Mas me diga que a saudade bateu
E o seu amor ainda é meu
Você saberá, antes que o dia acabe
Que nada vai mudar eu e você
– Eu… eu… Granger… — gaguejou o loiro — Eu vim pedir… Desculpas.
A garota segurou o riso, soltando-o aos poucos, era um riso sarcástico, quase paranóico.
– Diga logo o quer, fale a verdade, Malfoy! — rosnou a garota.
– Eu não estou mentindo, Hermione… Eu vim aqui me desculpar, eu não devia ter feito…
– Se não devia, por que fez? — perguntou a garota abraçando seus joelhos.
Todo dia, toda hora eu tento te explicar
Deixa de lado o passado que eu vou te mostrar
Que aqui é o seu lugar
– E estava bêbado! Você tem que…
– Pare com isso, Malfoy! Já chega! — gritou a garota — Eu confiei em você, eu fui burra, inocente, mas não vou deixar que isso aconteça novamente! — os olhos da grifinória se encheram de lágrimas.
Draco sentiu um aperto no peito ao ver algumas poucas lágrimas rolarem pela face da castanha, ele passou as mãos nervosamente pelos cabelos platinados e se sentou na borda da cama, perto de Granger.
Suas mãos se ergueram automaticamente para secarem as lágrimas no rosto dela.
Em cartas eu tento me expressar
Te ter de volta eu posso esperar
Mas me diga que a saudade bateu
E o seu amor ainda é meu
Você saberá, antes que o dia acabe
Que nada vai mudar eu e você
A grifinória ergueu os olhos para o loiro, ele podia ver a mágoa, a dor e o pedido de socorro nos orbes castanhos.
– Hermione…
E então a garota libertou completamente o choro.
– Tudo que eu quero é morrer, Malfoy! Morrer! — disse com um tom agudo entre soluços.
Os braços do sonserino cercaram a castanha e ele a puxou para si, abraçando-a de modo apertado, sentindo seus olhos arderem.
– Vai passar. — consolou baixinho, mesmo não acreditando em suas palavras.
Antes que o dia acabe
Antes que o dia acabe
Algum tempo se passou e eles se mantiveram naquela posição, como se nada os pudesse atingir naquele momento, até que, por fim, Hermione se afastou lentamente da proteção de seus braços.
– Malfoy… -sussurrou com a voz falha.
O loiro esticou a mão e segurou delicadamente seu queixo.
– Vai ficar tudo bem, Hermione. Eu prometo.
E então, lentamente, eles foram se aproximando, até que seus lábios se encontrassem, num frágil contato dos corpos.
Você saberá, antes que o dia acabe
Que nada vai mudar eu e você
Tudo parecia tão delicado naquele instante que ambos se viram obrigados a se render àquele momento doce melancolia, beijando-se lenta e apaixonadamente, desfrutando de alguns segundos de insanidade.
E, mesmo sabendo que não poderia cumprir sua promessa, Draco acreditava que tudo iria ficar bem.
Antes que o dia acabe
De uma maneira ou de outra.
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