Boneca
15 XII - O universo das mentiras.
Notas iniciais
Capítulo XII — O universo das mentiras.
Madame Dahanna Café & Buffet, Londres.
Vozes suavemente altas e o cheiro maravilhoso dos cafés e doces do café de Madame Dahanna encantavam quem passasse pelos arredores, fazendo com que fosse impossível não entrar e experimentar, pelo menos, uma das delícias do cardápio e aproveitar o ambiente sóbrio, confortável e chique.
Mas tudo aquilo apenas irritava Draco, que ouvia, (im)pacientemente , enquanto Pansy fazia seu extenso e entediante monólogo sobre os pequenos detalhes do casamento.
Aquele lugar lhe deixava claustrofóbico, todos os babados, laços e aquela cor lavanda que se repetia por todos os lados. Em cima da mesa em que dividia com Parkinson, havia milhares de pratos de sobremesa com pedaços e mais pedaços de bolo.
Para o sonserino, todos aqueles doces tinham o mesmo gosto, exatamente, a única diferença era a cobertura e os preços, um mais absurdo que o outro.
Pansy tinha muitas preferências e especificações, se prendia aos mínimos detalhes e era extremamente exagerada. Ela queria uma cerimônia gigante, com uma variedade de comidas light e sem graça, milhares de docinhos diet, um bolo de dois andares para cada trezentos convidados, além do bolo com quatro andares para a mesa principal. Tudo teria sua cor e seus detalhes minuciosos, mas com preços imensos.
Em algum momento da irritante narrativa da loira, uma senhora baixinha e rechonchuda, que estava enfiada num conjunto lilás e verde limão, se aproximou sorrindo e abanando suas mãos redondas.
– Pansy, querida! — exclamou a senhora.
– Madame Dahhana! — Pansy se levantou e deu um longo abraço na dona do café e logo voltou a se sentar.
– Não posso acreditar que já vai se casar, você era tão pequenina quando te conheci! Olhe só agora! Em alguns meses estará casada com o homem mais cobiçado entre as bruxas!
"Alguns meses", aquela expressão ecoou na mente de Draco.
A sonserina cutucou o noivo.
– Obrigada Madame D, mas não é para tanto. — disse o garoto distraidamente.
– Oh, bem, acho que teremos que discordar. — a mulher puxou um exemplar impresso das costas, uma revista, provavelmente — Já leu a edição dessa semana?
Pansy deu um gritinho histérico de puro êxtase, arrancando uma edição de o Semanário das Bruxas das mãos da Madame.
A capa era própria, vestida com um conjunto rosa e creme, e vinha com uma manchete gigante que dizia "Uma Quase Malfoy".
Pansy passou as páginas de uma maneira tão afobada que Draco realmente pensou que ela pudesse rasgar o exemplar.
Mas logo seu sorriso brilhante tornou-se uma expressão de ódio genuíno.
– Eu não acredito! — berrou a garota furiosa.
Ela jogou a revista dobrada em cima da mesa de qualquer jeito e se desculpou com Madame rapidamente, virando-se para o noivo em seguida.
– Me desculpe querido, mas tenho que resolver algumas coisas. Vemo-nos mais tarde, sim? — a garota disse, entre dentes.
– Não se preocupe, Pansy, até breve. — e então ela aparatou.
Por curiosidade, Draco recolheu o exemplar e leu apenas um pequeno parágrafo da notícia.
Pansy Parkinson é a noiva do momento há algum tempo, mas será que todo esse crédito de boa-noiva tem fundamento? Fontes afirmam que a garota assumiu uma pose egocêntrica e completamente desproporcional à sua própria conta bancária, ela tem um gosto exageradamente clichê, comprovado pelo seu vestido fora de moda. Essa mulher é uma máquina destruidora, quem sabe Draco Malfoy não deva dar uma rápida passada pelo St. Mungus, faria bem à sua saúde mental e, talvez assim, achasse uma noiva realmente à sua altura e de seu mais novo cargo de representante do Lorde das Trevas.
Nada que ele pudesse discordar.
~*~
Nova sede do Semanário das Bruxas, Londres trouxa.
Um furacão passou pela porta do prédio, aparentemente, comum.
Pansy Parkinson literalmente invadira a recepção e, com passos excessivamente firmes, se dirigiu até o balcão onde uma mulher de cabelos curtos cor de fogo estava sentada em uma banqueta e prestava bastante atenção a algo que passava numa pequena tela multicolorida.
A loira espalmou as duas mãos no balcão, fazendo os grandes orbes dourados voltarem sua atenção para si.
– Posso ajudar? — as sobrancelhas ruivas se ergueram.
– Onde fica a edição? — perguntou arrogante.
– Desculpe, a senhora, por um acaso, tem hora marcada? — perguntou a atendente, com um tom levemente impaciente.
– Eu - ênfase — não preciso marcar hora, queridinha. — respondeu a sonserina, extremamente irritada.
– E quem seria a senhora?
Aquilo deixou a loira furiosa.
– Quem sou eu? Sua incompetente! Como pode não saber? Eu sou simplesmente Pansy Parkinson, a futura senhora Malfoy!
A ruiva sorriu minimamente.
– Ah sim, Pansy Parkinson — a menina dos cabelos de fogo analisou as roupas e o porte da sonserina por um momento — a protagonista da reportagem mais realista do mundo Bruxo. Seja muito bem vinda, — a mulher era um poço de cinismo — a edição fica no Quinto andar, sétima porta à esquerda.
A sonserina estava furiosa, queria torturar aquela garota até aquele sorrisinho sarcástico desaparecer de seus lábios, no entanto manteve a pouca pose que lhe restara, virou as costas e foi em direção às escadas.
Quando chegou ao quinto andar, Parkinson teve que parar por uns instantes para recuperar o fôlego, e então caminhou até a o meio do corredor que parecia nunca ter fim e entrou sem ao menos bater à porta.
A cena que se passava à sua frente fez o sangue da garota borbulhar.
Aquela era Astoria Greengrass com um copo de café escaldante nas mãos sendo parabenizada pelo sucesso de sua reportagem de estréia.
Afinal, aquela fora a edição mais vendida dos últimos meses.
Pansy trincou os dentes.
– Ora, ora, você por aqui? Veio dar os parabéns também? — ironizou Greengrass.
– Realmente, você merece parabéns, Greengrass, você teve sucesso garantido em expressar sua inveja pela minha capacidade de ter seduzido Draco Malfoy.
Astoria riu.
– Não seja tão estúpida e egocêntrica, Pansy. Qualquer par de pernas bem conservadas rendem Draco, mas, se considerarmos os seus meios até faz sentido que tenha conseguido.
– E o que você sabe sobre os meus meios?
– Ora Parkinson, eu não sou burra e você também não é, acha que ninguém percebeu que o Malfoy sumiu completamente chapado ao seu lado depois da festa de boas-vindas? Ou que Rabicho caprichara um pouco mais na bebida dele em seu noivado? Achou mesmo que ninguém notaria? — zombou a morena.
– Cale a boca! Você não sabe o que está dizendo! — rosnou Pansy, dando um passo na direção da outra sonserina.
Astoria também deu um passo e, com o queixo erguido, ela encarava a loira desafiadoramente.
– Você sabe que eu sei exatamente sobre o que estou falando, e ainda sei mais. Não se iluda tanto, Parkinson, o destino de Draco não é nem ao seu lado nem ao meu. Ele merece mais, muito mais do que esse lixo que você é, Pansy. — o veneno pingava a cada palavra saída da boca da morena, enquanto o sangue da loira subia aos olhos.
E ela continuaria aquela injusta luta de quem sabia mais, entretanto, um estalo preencheu o cômodo.
A face de Greengrass estava virada para a esquerda com os cinco dedos de Pansy perfeitamente visíveis em sua bochecha.
O silêncio novamente pesou sobre todos os presentes.
Astoria colocou a mão sobre o local atingindo da face, aquilo queimava como o inferno!
– Camille, mande uma coruja para Rita. Diga que tenho a notícia da primeira página do Profeta.
– Sim senhora.
– E quanto a você, Parkinson, tenha cuidado. Nunca se sabe quando o universo pode te fazer cair.
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