Boneca
14 XI
Notas iniciais
Capítulo esclarecedor, espero que vocês que comentam gostem.
Nos vemos lá em baixo.
Enjoy;*

Capítulo XI – Esperança.
Não podia ser.
Aquele homem não poderia ser Viktor Krum.
Mas era.
– Viktor!
Apesar dos anos, da barba rala e da expressão cansada, aquele era o homem que fora o seu amor de Inverno.
Por um momento, Hermione esqueceu-se completamente de sua fraqueza e correu o mais rápido que pôde, pulando, literalmente, em Krum, enrolando suas pernas em volta do corpo do búlgaro e o abraçando firmemente pelo pescoço.
O mesmo porte, a mesma beleza rígida, aquele era um pedaço do seu passado, um fragmento de suas lembranças.
O cheiro característico de Viktor invadiu suas narinas, fazendo-a viajar por um instante de volta ao baile de Inverno.
Aquele cheiro tão especial era a prova de que algo do seu passado ainda estava vivo, de que nada seria perdido totalmente.
Então as lágrimas vieram, banhando sua face, desfazendo parte do grande nó que se formara em sua garganta.
– Viktor, Viktor, Viktor, Viktor… – a castanha repetia o nome do búlgaro repetidamente, temendo que fosse apenas mais uma alucinação e que ele pudesse fugir de seus braços a qualquer instante.
– Hermione… – aquele sotaque era tão nostálgico, mesmo já não sendo tão forte como antes.
Os braços de Krum envolveram as costas de Hermione num abraço protetor e ele passou a acariciar o longo cabelo da grifinória que lhe caía pela espinha.
Em algum momento, o búlgaro tentou falhamente deixá-la com os pés no chão, mas seus joelhos cederam e ambos foram de encontro ao carpete de joelhos, ainda abraçados.
A castanha parecia ter lágrimas infinitas e, seus soluços eram tão intensos, que Viktor chegou a cogitar a possibilidade de estarem machucando sua garganta.
– Viktor, você não sabe… Não sabe o que eles fizeram comigo, Viktor… – e novamente ela rompeu em soluços sôfregos.
O garoto pôs sua mão atrás da cabeça da grifinória, acalentando-a.
– Shh... Hermione, shh… Eu sei minha querida, mas vai passar, vai passar… – ele falava com os lábios colados à sua testa.
Algum tempo depois, o que pareceu uma eternidade para ambos, o choro da garota cessou e ela se afastou um pouco, delicadamente.
Seus olhos castanhos estavam vermelhos e inchados, seu rosto perdia um pouco de expressão pelo grande número de lágrimas secas, mas mesmo assim ela tentou simular algo como um sorriso.
Isso apertou o coração do búlgaro.
– O que aconteceu aqui, Viktor? Onde estamos? E por quê?
Krum respirou fundo.
– Eu tenho algo para você, Hermione. Não temos muito tempo.
– Onde estamos Viktor? – o garoto se levantou e puxou-a delicadamente pelo braço, no entanto ele tinha pressa.
– Eu não posso te dizer, não agora, apenas ouça, Mione, por favor.
– Mas Krum… – as longas unhas de Hermione se enroscaram no punho da camisa negra perfeitamente alinhada do búlgaro, arrebentando os botões.
Os olhos da garota estavam fixados no braço do garoto.
Aquilo era a causa de todos os seus pesadelos, dela viver aquela vida, de seus amigos não estarem mais vivos.
A Marca Negra.
A castanha começara a se afastar, ainda com os olhos marejados fixos naquela maldita marca.
– Hermione…
A garota encontrou a parede, chocando suas costas contra a mesma, as primeiras lágrimas começavam a deslizar, queimando como fogo os rastros que deixavam no rosto da grifinória.
– Não se aproxime de mim, seu monstro! Como você pôde? – gritou a castanha, sentindo sua voz sumir lentamente.
Viktor se aproximou rapidamente, segurando os braços da menina Granger com cuidado, temendo machucá-la e assim assustá-la ainda mais.
– Hermione, por favor, ouça-me. – pediu, no entanto a garota estava obstinada a não olhar para o seu rosto.
Soltando um de seus braços, Krum segurou de modo firme seu queixo e o puxou para cima, obrigando-a a olhar em seus olhos.
Ele podia ver o horror espelhado em seus orbes castanhos.
– Ouça bem Hermione, o tempo está acabando. Sobre a marca eu fui obrigado, Mione, como todos os outros. É o único modo de sobreviver, é errado, no entanto eu precisava, eu preciso disso para estar aqui agora, é extremamente necessário que você preste atenção, ainda há chance Hermione, confie em mim.
“No baile de Inverno, depois que nos despedimos, recebi uma coruja de Dumbledore, que dizia para encontrá-lo nos jardins.
Eu realmente cogitei a ideia de ser apenas uma brincadeira de algum engraçadinho, mas logo depois recebi outra coruja do velho, que dizia algo como “Não, não é uma brincadeira” e pedia urgência.
Prontamente fui ao Jardim, não sabendo exatamente onde procurá-lo, andei por algum tempo e, quando me convenci de que era apenas uma brincadeira, Alvo me chamou e me faz segui-lo por um longo tempo, até estarmos numa parte escondida do Jardim.
Ele começou a dizer uma série de coisas sem sentido, ele dizia que seríamos controlados e que não restaria nada, a Marca Negra seria ainda mais amaldiçoada do que nunca e que tudo iria desabar. Eu tentei perguntar, mas ele não me respondeu, apenas disse “As trevas reinarão, menino Krum, ninguém escapará da escuridão, mas haverá uma chance, apenas uma, e ela não pode dar errado”, aquilo realmente me assustou Hermione, no entanto, apenas agora entendo seu verdadeiro significado”.
Enquanto falava, Viktor guiou Hermione até a cama, sentando-se frente a frente com a garota, olhando fielmente dentro de seus olhos.
Uma chama de esperança ardia dentro dos olhos escuros do garoto.
– Eu não entendo Viktor.
– Ele me entregou algo àquela noite, Hermione, algo que te pertence, por isso estamos aqui.
– Mas onde exatamente nós estamos?
– Num sonho, nós estamos em um sonho real.
– Um sonho… real?
– Eu usei uma poção Mione, demorou meses para ficar pronta e tive de usar a leglimência para te trazer até aqui, não foi fácil, mas estamos nos comunicando de verdade, no entanto é apenas um sonho.
A garota levou alguns segundos para absorver as informações e balançou a cabeça positivamente, já havia estudado sobre isso uma vez.
– Mas e minha aparência?
– Eu a modifiquei, não seria uma boa ideia lhe dar mais algo com que se preocupar.
Hermione assentiu pesarosamente, sentindo uma vontade súbita de se desfazer em lágrimas novamente, no entanto se manteve firme.
A visão da grifinória se turvou por um momento, misturando todas as cores a sua volta. Ela apoiou as palmas na testa e apertou os olhos.
– Você está bem?
– Estou, foi apenas uma vertigem.
– Ah não, deite-se Hermione, isso não vai melhorar, o efeito da poção está passando.
A castanha deitou-se lentamente, tentando algumas vezes abrir os olhos no processo, mas fechando-os logo em seguida, as cores todas se embaralhavam e os vultos invadiam sua visão.
– Preste bastante atenção agora, querida, ninguém jamais pode saber sobre isso, por favor, Hermione, mantenha o segredo. – ela abriu os olhos lentamente e encarou Viktor, que segurou sua mão entre as suas.
– Fique viva, Hermione.
O búlgaro abaixou-se e beijou ternamente a ponta de seu nariz, algo gelado preencheu o espaço de suas palmas e tudo ficou escuro.
“Fique viva, Hermione”.
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Leia também minhas outras One Shots:
Até Que A Luna Nos Separe | Carpe Diem | Carta Para Sirius | Inverno |Íris | Diamond Eyes | Dark Paradise
E a minha outra Longfic: Frutos Do Amor
Notas finais
Não vou pedir pra comentarem, como já disse nas notas iniciais, estou decepcionada e não é de hoje.
Até o próximo.
Ramona xx
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