Bolinhos
15 XV - Passos
Notas iniciais

Bolinhos
Chapter 15 — Passos
Sakura olhava para o celular, indecisa.
Depois de passar quase a noite toda acordada, remoendo sua troca de contato físico com Sasuke — ela se recusava a nomear aquilo de beijo, nem parecia com um de verdade, para começar — e como encará-lo novamente no dia seguinte ou, no caso, hoje, ela pegou o celular com intenção de desmarcar o compromisso.
Só que, antes mesmo que ela pudesse mandar algo para ele, uma mensagem chegou em seu telefone.
E, agora, ela estava ali, sem saber como agir.
Para ele, deveria ser fácil mandar um “Me desculpe por lhe surpreender daquela forma”.
Foi um pouco confuso a mensagem, mas ela supôs que ele tivesse pedido desculpas por virar de uma vez e seus lábios se tocarem.
A culpa foi dele mesmo. Ele tinha toda razão em pedir desculpas.
Então, por que seu coração parecia que estava partido?
O que ela esperava, afinal? Uma mensagem dizendo que ele não se arrependia e que queria repetir?
Seria muita sorte a dela.
E ela sabia que, entre ela e Sasuke, só havia azar.
Estava tão distraída com seus pensamentos que nem viu os minutos passando, só deu-se conta de que estava na hora quando o celular vibrou com uma mensagem de Sasuke, dizendo que já estava parado em frente ao prédio.
Respirando fundo, Sakura olhou no espelho uma última vez, checando se as roupas que usava — uma calça jeans clara e um pouco justa, e uma blusa preta mais soltinha e rendada na parte de trás — estavam boas, e se a maquiagem simples que passou disfarçou bem as olheiras da noite mal dormida.
Chegando logo à conclusão de que estava apresentável — e que não parecia que havia passado a noite praticamente em claro pelo ocorrido —, saiu de seu apartamento e pegou o elevador até a portaria de seu prédio.
Assim que despediu-se do velho porteiro e saiu na portaria, avistou o carro de Sasuke. Respirou fundo mais uma vez, tentando agir naturalmente e não demonstrar que havia sido afetada por aquele selinho que não devia ter significado nada para Sasuke.
Mas, céus, como era difícil agir naturalmente depois daquilo!
Respirando fundo uma última vez e disfarçadamente, Sakura abriu a porta do carro, deparando-se logo com a figura levemente sorridente de Sasuke.
— Bom dia — ele cumprimentou, olhando para ela.
E ele parecia normal, mas a verdade é que, como Sakura, ele não dormiu direito à noite, pensando naquele simples contato de seus lábios, algo tão singelo, mas que fora capaz de mexer com sua mente e coração de uma forma absurda.
De fato, ele amava Sakura Haruno, pois, apenas com ela, ele sentia-se inseguro, nervoso, era como se fosse um adolescente pronto para dar seu primeiro beijo, além do fato de só querer ouvir sua voz o tempo todo, sentir o aroma doce de seu perfume — por mais que detestasse doces, embora esteja começando a mudar seu pensamento a respeito dos bolinhos de Sakura —, e olhar para os seus olhos verdes.
— Bom dia — sorriu forçadamente, tentando parecer normal e confortável.
Sem mais o que dizer ou saber como agir, Sakura desviou os olhos para a janela e colocou o cinto de segurança.
Sasuke sabia que ela também estava mexida devido ao selinho, Sakura não sabia disfarçar bem o que sentia. Ele também sabia que ela o amava, mas por quanto tempo ela insistiria em não ter nada?
Ele a amava, e ela não queria ver isso mesmo com os sinais que ele dava — discretos, porque ele ainda é Sasuke Uchiha.
Será que ela ainda o via como antes? Será que ela ainda o julgaria pelas vezes que pisou na bola no passado e não tentaria enxergar que ele era muito mais do que ela dizia que ele era?
Sasuke era realmente tão ruim assim aos olhos dela?
A fim de afastar esses pensamentos, ele deu partida no carro sem falar mais nada. Ela precisava de um tempo, e ele, de certa forma, também precisava pensar — principalmente, como agiria dali pra frente.
Céus, ele não tinha ideia do que fazer!
Depois de um tempo de estrada, e de um trânsito complicado, eles finalmente chegaram na casa de Mikoto, uma edificação simples de dois andares, porém bem bonita e com a fachada pintada em um tom bege bem claro em contraste com a madeira escura da porta da entrada e das janelas.
Os dois jovens caminharam pelo caminho de pedras que levava à entrada, e a Uchiha abriu a porta antes mesmo que Sasuke ousasse usar a própria chave para entrar na residência.
— Finalmente, chegaram! — Ela os saudou, sorrindo animada.
— Desculpe, mãe, o trânsito para cá estava fechado, mas, bem, chegamos.
— Sim, seja bem vinda, Sakura querida — Ela cumprimentou, abraçando amorosamente a rosada, que retribuiu.
— É sempre um prazer, Mikoto — Sakura respondeu, sorrindo.
— Venha! Vamos para o sofá enquanto o almoço não fica pronto, temos muito o que conversar, Sakura.
— Bem, eu vou deixá-las conversarem a vontade e ir lá pra cima — Sasuke sorriu, olhando para sua mãe e Sakura. As duas, lado a lado, fazia parecer certo.
Já poderia considerar Sakura a segunda mulher da sua vida?
Talvez, sim.
Ele subiu a escada, deixando as duas iniciando um diálogo animado.
Foi para seu quarto — que sua mãe sempre deixava limpo e pronto para ser usado quando ele ia visitar-lhe — e deitou-se na cama, pegando o celular para se distrair até ser chamado para o almoço.
Uns minutos depois, ele já estava entediado.
Já tinha visto todas as redes sociais, jogado jogos aleatórios no celular, e nada tinha o distraído o bastante e tirado sua vontade de descer as escadas, repetir o beijo e, até mesmo, aprofundá-lo um pouco.
Não estava nem aí se fosse na frente de sua mãe.
Ele queria não ser o tipo de pessoa que pensa antes de agir.
Saiu de seus devaneios ao escutar leves batidas na porta.
Viu seu irmão entrar em seu quarto após autorizar a entrada.
— Itachi, não sabia que estava aqui — Cumprimentou o moreno.
— Vim visitar a mãe, você que é uma surpresa estar aqui. — Respondeu, sentando-se na ponta da cama.
— Hm. Estou aqui pelo mesmo motivo que você.
— Tenho minhas dúvidas… — Itachi sussurrou baixinho, apenas pra si mesmo. — Vi Sakura lá embaixo, ela veio com você? — perguntou.
— Sim, mamãe a conhece e pediu para trazê-la. — Sasuke respondeu, olhando desconfiado para o irmão.
— Entendi, bom.
— Bom?
— É.
— Itachi… Você ainda está interessado nela? — Sasuke estava temeroso. Ele não queria entrar em uma briga com o irmão por causa de mulher. Mas, caso fosse necessário, ele não hesitaria.
— Você vai defendê-la com unhas e dentes de mim como se eu fosse um canalha e não servisse para ela? — Itachi respondeu com outra pergunta, e Sasuke ficou em silêncio.
Itachi era um homem bom, sabia disso.
Ele seria um bom namorado para Sakura, seria alguém que ela poderia se orgulhar. Não um cara todo errado como ela mesma disse que Sasuke era.
— Sasuke… Não seja tolo. — A voz de Itachi o tirou de seus pensamentos. — Eu jamais investiria na sua garota.
— Minha garota? Itachi…
— Todo mundo sabe, Sasuke.
— Sabe de quê? Não há nada pra saber.
— Então, você não está aí todo apaixonadinho pela nossa confeiteira favorita?
— Eu… Ah! Isso não… — Sasuke se enrolou com as palavras, completamente desconcertado.
Itachi riu, balançando a cabeça negativamente.
— Tenho certeza que você já passou dessa fase de negação. E aí? O que está planejando? — O Uchiha mais velho perguntou curiosamente.
— Não estou planejando nada… — Sasuke deu de ombros — Só estou me aproximando aos poucos, Sakura meio que não gosta muito de mim.
— Sim, fiquei sabendo que a opinião dela sobre você não é das mais belas. Mas opiniões mudam, e espero que esteja fazendo-a mudar de opinião sobre você, irmão.
— Estou tentando.
— Ótimo, boa sorte. Sei que vai conseguir, só cuide bem dela depois que estiverem juntos, ou eu a roubo de você.
— Não seja idiota, ela nunca cairia na sua lábia, Sakura é inteligente demais para isso.
— Tem certeza que não está falando de você mesmo? — Itachi retrucou, sorrindo zombeteiro enquanto se levantava da cama rapidamente.
— Vai se ferrar! — Sasuke exclamou raivoso, jogando um travesseiro no irmão, que saiu rapidamente do quarto, evitando ser atingido.
Sasuke podia ouvir a risada de Itachi, e os passos rápidos dele descendo a escada.
Suspirou aliviado, seu irmão não seria um problema.
Riu de si mesmo. Estava vivendo e imaginando coisas que nunca pensou que faria.
Quem diria, hein, Sasuke?
. . .
— Estava tudo maravilhoso, Mikoto, obrigada pelo convite. — Sakura agradeceu enquanto se despedia da mulher.
— Oh, querida! Eu que agradeço pela visita, espero que você possa vir mais vezes. Sasuke, filho, traga ela!
Sasuke sorriu para a mãe e acenou positivamente.
— Quando Sakura quiser. — Ele disse, olhando para a Haruno.
— Ah, será um prazer, Mikoto — Sakura sorriu, um pouco envergonhada.
— Ótimo! E, na próxima vez, farei os bolinhos da receita que me passou, espero que eu acerte.
— Tenho certeza que irá.
— Bom, vamos, Sakura? — Sasuke chamou.
— Sasuke, querido, você ainda vai sair hoje? — Mikoto perguntou, vendo o filho meio ansioso.
— Não, é porque amanhã tenho uma avaliação e ainda quero fazer uma revisão hoje à noite, nada de mais, mãe. — Justificou.
— Entendi, então vão, estudar é muito importante. Até breve, Sakura, cuide bem do meu filho... — Comentou, sorrindo, fazendo Sakura corar levemente — Durante o caminho.
— Tchau, mãe — Sasuke se despediu e puxou Sakura antes que ela respondesse algo.
— Tchau. — a senhora Uchiha acenou em despedida, sorrindo enquanto observava o casal saindo pela porta da sala.
Ela só esperava que eles se resolvessem em breve, pois via, no olhar de cada um, o quanto amavam um ao outro.
Os dois caminharam até o carro de Sasuke e entraram, ocupando seus respectivos lugares. Imediatamente, o Uchiha deu partida, e o clima ficaria desconfortável entre eles se Sakura, falante e animada como só ela conseguia ser, não começasse a falar o quanto dona Mikoto era gentil.
E Sasuke adorava ouvi-la falar, tanto que não a interrompera nenhuma vez, exceto quando ela lhe perguntava algo sobre sua mãe, porém os minutos passaram mais rápido que de costume enquanto o Uchiha dirigia pelas ruas e ouvia a voz de Sakura, tanto que não demoraram a chegar em frente ao prédio da garota.
— Chegamos. — Sasuke disse, olhando para a rosada com uma expressão suave no rosto.
— Sim. — Sakura sorriu. — Eu fiz alguns bolinhos mais cedo, não gostaria de subir? — perguntou sem perceber e, quando deu-se conta, sorriu envergonhada e lembrou-se do que ele havia dito para a mãe. — Ah, você tem que estudar, né?
Suas bochechas assumiram uma coloração avermelhada, e Sasuke não conseguiu evitar dar um sorriso de canto, ainda mais aproveitando que ela não veria.
— Não é muita coisa... — ele disse, sem jeito. — Alguns minutos não me fará ter problemas.
Ela sorriu ao ouvir as palavras dele, por mais que estivesse envergonhada e um tanto quanto ansiosa em relação à isso, principalmente, depois do selinho que deu nele.
Sem mais enrolação e tentando ocultar a vergonha — estampada no olhar hesitante e na coloração vermelha das bochechas —, ela retirou o cinto de segurança e saiu do carro ao escutar Sasuke retirando a chave da ignição e fazer o mesmo.
Ela esperou que ele chegasse ao seu lado para caminharem até a portaria do prédio, onde cumprimentaram o porteiro e caminharam diretamente ao elevador.
Dentro da caixa de metal, os dois permaneceram em silêncio, mas não era um silêncio desconfortável, pelo contrário, eles estavam apenas aproveitando a companhia um do outro.
As portas se abriram no andar do apartamento de Sakura, que saiu primeiro do elevador para chegar à residência e abrir a porta. Sasuke foi logo em seguida, com as mãos nos bolsos e a expressão facial bem calma, mas o que ele menos tinha, naquele instante, era calma.
O Uchiha estava ansioso demais, pois não sabia o que aconteceria, se acertariam as contas ou se nada mudaria, porém ele esperava que, dessa vez, algo ficasse diferente. Ele não conseguia mais afastar-se de Sakura.
— Pode ficar a vontade. — a Haruno disse ao entrar em seu apartamento e deu passagem para Sasuke passar.
O local estava mais arrumado do que ele se lembrava.
O Uchiha caminhou até o sofá e sentou-se, imediatamente, Sakura foi até a cozinha e, quando voltou, trazia uma bandeja com alguns bolinhos e dois copos de suco de laranja nas mãos. Ela sorriu ao sentar-se ao lado dele no sofá, pousando a bandeja sobre a mesinha de centro em frente a eles e colocou os cabelos atrás da orelha, um pouco nervosa.
Quando ela convidou-o para entrar, sabia que tinha sido impulsiva. Queria apenas ficar mais tempo em companhia dele. Não podia imaginar que, meses depois de descobrir que estava apaixonada e se convencer que não dariam certo, estariam ali, sentados lado a lado depois de um dia agradável em companhia um do outro e da família dele.
Era surreal.
Agora, não conseguia controlar as batidas frenéticas do seu coração, ansiosa e cheia de expectativas para os próximos momentos que passariam juntos.
— Está muito bom, Sakura. Você realmente me fez gostar disso — Sasuke comentou após comer metade de um dos bolos.
— Me sinto lisonjeada, afinal, fazer uma pessoa que não gostava de doces comer com tanto prazer meus bolinhos é uma honra — Sakura respondeu, sorrindo zombeteira, mas, por dentro, seu interior pulava em satisfação.
— Não seja tão convencida — Sasuke respondeu, erguendo uma das sobrancelhas negras.
Sakura riu, o som melodioso fez Sasuke ter vontade de rir junto, mas ele se segurou.
Eles terminaram de comer, e Sakura pegou a bandeja, levando de volta para a cozinha.
Quando voltou, Sasuke já estava em pé em frente à estante, observando alguns dos seus livros simetricamente organizados.
— Você tem muitas coleções e de bom gosto — Sasuke comentou assim que Sakura se aproximou por suas costas.
— Ler é uma das minhas paixões. Desde pequena, sempre tive mais livros do que amigos, isso é até hoje na verdade — Sakura comentou, ficando ao seu lado com os ombros quase se tocando e passando os dedos levemente em seu exemplar de “As crônicas de Nárnia”.
— Eu tenho alguns desses, mas estou surpreso… — Sasuke disse, olhando pra ela enquanto retirava um dos livros do lugar — O cemitério? Não sabia que era amante de livros de terror.
Sakura riu, olhando para a capa do livro nas mãos de Sasuke.
— A literatura de King é uma das minhas favoritas, Sasuke, queria poder ter todos os livros deles, It especialmente, mas ele lança livros como troca de roupa. — Sakura respondeu, rindo e pegando o livro das mãos dele.
— Sei como é, tenho alguns dele na minha casa, inclusive It, depois, eu trago para você ler ou já leu? — Ele perguntou, curiosamente.
— Ah, não, ainda não, sou adepta ao cheirinho de livro novo — Sakura disse, rindo.
— Bem, o meu não tem cheiro de livro novo, mas está em ótimo estado ainda — Ele disse, dando de ombros.
— Obrigada, Sasuke, vou adorar. — Ela sorriu e só então percebeu o quão próximos estavam.
Sakura sentiu suas pernas tremerem um pouco, e precisou se apoiar levemente no móvel a sua frente para poder sentir firmeza.
Pediu internamente que Sasuke não houvesse percebido seu momento de fraqueza.
Eles estavam tão perto um do outro que Sakura poderia ouvir a respiração ritmada do moreno.
Olhou para ele discretamente, observando-o olhar para os livros a sua frente, totalmente alheio à bomba de sentimentos que ela se tornara agora.
— Sakura, você me empresta esse?
Apontou com o dedo para um dos livros — que Sakura não fez questão de olhar —, e virou o rosto em direção a ela.
Ela olhou para a face dele, observando cada detalhe, perdida no brilho dos olhos negros que, agora, fixavam-se diretamente aos verdes dela.
Ele queria beijá-la de novo. E ele via, nos olhos dela, que tudo o que ele precisava fazer era dar o primeiro passo, porque ela também queria.
Sasuke, sem muito pensar, pois sabia que desistiria se o fizesse, deu um passo à frente, tornando a distância entre os dois menor ainda, estavam perto o suficiente para sentir a respiração de Sakura contra seu rosto.
Ela respirava descompassadamente, ele percebia isso, mas sabia que era por ansiedade. Ela queria aquilo tanto quanto ele.
Sem mais hesitar, o Uchiha inclinou-se sobre ela, que não recuou. A Haruno apenas fechou os olhos, esperando sentir o contato dos lábios dele contra os seus e, quando isso aconteceu, seu peito se aqueceu de uma forma intensa.
O beijo era calmo e suave, eles apenas aproveitavam a sensação boa dos lábios do outro — assim como provaram brevemente naquele selinho. Sasuke segurou a nuca dela, aprofundando um pouco mais o beijo ao pedir passagem com sua língua, que Sakura concedeu sem hesitar.
Sentir seus lábios era incrível, mas a língua dele tocando a sua e explorando sua boca em movimentos lentos enquanto sentia a outra mão dele segurar firme sua cintura era algo indescritível e, ali, nos braços dele, ela queria permanecer para sempre, porém a necessidade de respirar — mesmo que estivessem se beijando lentamente — se fez presente, e eles tiveram que se separar, ambos ofegantes e com os lábios um pouco avermelhados.
— Pode levar — Ela respondeu seu pedido anterior, com a voz ofegante e sem conseguir segurar o sorriso.
Sasuke sorriu de lado com sua permissão, sentindo seu interior explodir em felicidade.
— Sua boca ainda está doce — Ela murmurou antes de puxá-lo novamente para outro beijo.
Talvez, fosse o momento de se convencer que, mesmo Sasuke sendo tão diferente do que ela queria, ele era exatamente o que ela precisava.
Fale com o autor