Bolinhos
16 XVI - Saboroso
Notas iniciais

Bolinhos
Chapter 16 — Saboroso
Sasuke sabia que aquele era o momento certo.
Enquanto seus lábios ainda estavam colados, e suas cabeças se mexiam durante o beijo, ele dividia seu pensamento entre saborear o doce da boca dela e escolher as palavras que diria assim que o contato entre eles chegasse ao fim.
O que ele esperava que demorasse bastante.
Mas, infelizmente, no instante seguinte a esse pensamento, Sakura se afastou, e ele não pode evitar ficar insatisfeito — apesar de que deveria estar feliz por, finalmente, terem se beijado.
— Vou ler esse livro com maior prazer — Ele não deixou de comentar, sorrindo enquanto apertava levemente as mãos, que ainda estavam na cintura de Sakura.
Observou satisfeito a expressão envergonhada dela, que mordia os lábios e fitava algum lugar abaixo do seu queixo.
— Eu… Acho melhor você ir, Sasuke. — Ela disse de repente, e Sasuke a olhou confuso.
— Sakura…
— É sério, você precisa estudar ainda, e eu… — Ela insistiu, se afastando rapidamente, visivelmente nervosa.
— Eu quero ficar aqui — Ele externou, olhando para ela com a expressão decidida. — Eu tenho muito que dizer a você.
— Eu não posso ouvir agora, Sasuke, eu preciso ficar sozinha. — Sakura respondeu, abaixando o olhar para os próprios pés, impossibilitando que Sasuke visse sua expressão chorosa.
O Uchiha ficou em silêncio por um momento, decidindo entre insistir em ficar ou, simplesmente, deixar que tudo se resolva com o tempo.
— Tudo bem, eu te deixarei sozinha. — Ele disse, resolvendo que seria melhor ela colocar os pensamentos e sentimentos no lugar, e, depois, ele viria saber sua decisão.
— Obrigada — Ela respondeu, ainda sem o olhar, virando as costas para ele e indo abrir a porta.
Sasuke suspirou contrariado ao cruzar a saída do apartamento.
Virou-se em direção a ela, que ergueu o olhar, e ele pôde, finalmente, ver a face confusa e, até mesmo, chorosa.
Perante isso, ele começou a se questionar se estaria mesmo fazendo algum bem a ela.
— Sakura, eu sei que precisa pensar sobre o que aconteceu agora e tudo que já vinha acontecendo entre nós, mas eu queria dizer uma coisa antes de sair daqui…
— O quê? — Sakura questionou, a voz soando baixa, mas, mesmo assim, curiosa.
— Eu sei que não sou um exemplo de homem ideal, sei que não mereço ficar com alguém como você… — Sasuke soltou uma risada seca — Eu sou todo errado, mas…
— Sasuke…
— Eu sou egoísta demais para desistir de algo que eu quero há tanto tempo.
Sakura o olhou, sem reação. Seu cérebro ainda processando as palavras do Uchiha e o que elas queriam dizer.
— Leve o tempo que precisar e, quando souber o que fazer, bem, você sabe aonde ir — Sasuke disse, dando as costas e seguindo pelo corredor sob o olhar ainda chocado de Sakura.
Sasuke fez o que tinha que fazer, agora, tudo dependeria da escolha dela.
. . .
Duas semanas.
Duas semanas que ela estava fugindo de Sasuke.
Na hora que ele chegava, ela inventava uma desculpa para sair de perto e não ter que encará-lo, pois não sabia o que fazer ou se havia entendido certo o que ele tinha lhe falado.
Ela era uma covarde, sabia. Mas estava tudo tão confuso em seu peito, além do medo de estar se enganando, de estar entendendo errado as coisas.
Sakura conhecia Sasuke, sabia como ele era e agia — motivos pelos quais não queria nada com ele —, mas, agora, ela via que ele era realmente o que achava, porém também era mais.
E ela pensou que eles poderiam dar certo se dessem chance um para o outro, mas também temia que se magoasse nessa história.
E se Sasuke não sentisse o mesmo que ela? Se ela estivesse entendendo errado o que as últimas palavras dele significavam?
Ela tinha medo de arriscar e não se orgulhava por isso, mas também não sabia o que fazer para mudar a situação em que se encontrava. Estava sentindo-se perdida naquele mar de sentimentos confusos que seu coração se tornou, nem mesmo sua mente conseguia pensar em alguma coisa diante da confusão que instalara-se em seu interior.
Sakura só queria uma resposta para aquela situação, ela só queria ser do tipo de pessoa que conseguia se decidir facilmente sobre o que fazer em todas as situações ou, simplesmente, alguém que não pensasse demais.
Alguém que não ligasse para as possíveis consequências que poderiam vir ou as chances de dar errado.
Mas ela não era, por isso, estava lá, jogada na cama às três horas da tarde, pensando no melhor para sua vida durante horas e sem chegar a resultado algum.
Escutou batidas na porta de seu apartamento e cogitou a possibilidade de não atender, pois, provavelmente, assustaria quem quer que estivesse à porta. Não havia dormido muito bem nos últimos dias, então, seu semblante não era dos melhores, porém ela não podia deixar a pessoa, toda vida, plantada na porta de seu apartamento.
Suspirando desanimada, ela levantou-se da cama aconchegante e ajeitou a roupa — o short jeans desbotado e a regata preta larguinha — no corpo, seguindo para a sala imediatamente.
Ela só não esperava que, ao abrir a porta, tivesse uma surpresa, afinal, não esperava uma visita dele, não depois de tanto tempo que não se viam — e por não lembrar-se de passar seu endereço para ele.
Itachi Uchiha estava lá, de frente para ela e sorriu minimamente ao ver os olhos verdes da garota. Diferente de Sasuke, ele parecia mais sociável — e era, de fato.
Sakura não demorou mais que três segundos para recuperar-se da surpresa que era ter aquele homem em sua casa, ainda mais, depois de tudo que havia acontecido entre ela e o irmão dele, porém, imediatamente, ela sorriu de leve.
— Itachi, que surpresa você aqui. — comentou, rindo. — Como está?
— Muito bem, e você? — ele sorriu terno.
— Bem também. — mentiu, afinal, tudo que ela menos estava era bem. — Entre, por favor e pode ficar a vontade.
Ela deu passagem para o homem, que, no mesmo instante, adentrou o apartamento organizado e aconchegante.
— Desculpe aparecer de surpresa — Itachi sorriu sem graça enquanto andava pelo apartamento e parava, especificamente, à frente da estante de livros.
Ver o Uchiha ali trouxe lembranças que Sakura vinha tentando, nos últimos dias, esquecer até tomar alguma decisão.
— Sem problemas, mas eu não estava esperando ninguém, então, não estou muito apresentável — Ela disse enquanto arrumava uma mecha de cabelo solta atrás da orelha.
— Você parece bem pra mim — Itachi respondeu, olhando-a e fazendo Sakura corar levemente.
— Obrigada, o que devo a sua visita, Itachi? — Sakura perguntou depois de caminhar até o sofá de três lugares e sentar-se nele, indicando o espaço vazio, ao seu lado, para Itachi, que se aproximou e se acomodou, olhando-a atentamente.
— Na verdade, eu só queria conversar com você, não é nada de mais, mas pensei que você pudesse me ajudar a entender — Itachi iniciou, e Sakura o olhou curiosamente, esperando-o continuar. — Você é amiga do meu irmão, certo? — Ele perguntou.
Sakura empalideceu, temerosa com o rumo da conversa.
— Não sei se sou a pessoa mais indicada para falar de Sasuke, Itachi…
— Vocês estão próximos, e eu não vou conversar sobre isso com o Naruto, ele é muito expressivo, e eu preciso de alguém sensato para me ajudar com meu irmão — Itachi continuou.
— Eu… Do que se trata?
— Meu irmão tá passando uns dias na casa da nossa mãe, ele não disse o motivo, só falou que queria passar um tempo lá, foi no início dessa semana, até aí já é estranho, mas ele está mais introvertido do que o normal e tenso também, então, queria lhe perguntar se sabia de alguma coisa — Ele concluiu.
— Eu… não sei…
— Estou achando que seja por causa de alguma mulher, sabe…
— Eu realmente não sei como te ajudar, Itachi. — Sakura respondeu, sorrindo sem graça, mas, por dentro, ela estava com vontade de chorar.
— Hmm, Sakura? Está tudo bem? Você parece um pouco pálida… — Itachi disse de repente, olhando-a preocupado.
— Ahn? Não é nada…
— Tem certeza? Você parece agoniada…
— É só muita coisa na cabeça, muitas decisões — Ela explicou superficialmente.
— Entendo, posso ajudar em alguma coisa? — Ele ofereceu, solícito.
Sakura ficou tentada em aceitar e não resistiu, talvez, ela precisasse ouvir conselhos de alguém de fora, por mais que Itachi fosse, na verdade, muito envolvido no assunto, ela precisava conversar com alguém, estava fugindo das perguntas de Ino e Hinata há dias com medo de ficar mais confusa ainda, mas talvez Itachi pudesse lhe ajudar a colocar a cabeça no lugar. Ele parecia tão sábio.
— Itachi, a gente se conhece há pouco tempo, mas eu já o considero um grande amigo, mas tem muitas coisas sobre minha personalidade que você não sabe… — Ela começou, ajeitando-se no assento e colocando uma almofada sobre o colo.
— O que eu não sei?
— Eu sou uma pessoa sensata, que pensa muito antes de agir. Eu não me arrisco. Eu não me coloco em situações desconhecidas, com pessoas imprevisíveis e de hábitos que eu não aprovo.
— Isso não parece algo ruim, de todo jeito.
— E eu tenho vivido bem até agora. Só que... Eu estou muito tentada a me colocar em uma situação que é exatamente o que eu mais evito, entende?
— Por que é algo que vai te fazer feliz, mas você não sabe se vai lhe fazer bem?
— Exatamente, eu não sei o que fazer, não sei mesmo — Ela respondeu, abaixando a cabeça e apoiando-a na almofada em seu colo.
Itachi suspirou, rindo levemente e pondo uma das mãos sobre a cabeça de Sakura, acariciando levemente os fios rosados.
— Você é realmente muito sensata… Mas você não preferiria ser feliz o tanto que fosse com essa sua experiência arriscada do que ficar eternamente arrependida? — Ele questionou, parando de acariciá-la e recolhendo a mão até o próprio colo.
— E se eu me decepcionar? — Ela questionou, erguendo a cabeça e o olhando.
— E se você não se decepcionar?
— Itachi…
— Você só tem os “e se”, Sakura, vai deixar de aproveitar algo por causa dessas duas palavrinhas?
Sakura não respondeu, olhou para Itachi, vendo os traços maduros, e os olhos que lhe lembravam tanto Sasuke.
Sorriu envergonhada e, depois, tornou a esconder o rosto na almofada.
— Você é inteligente e sensata, Sakura, isso não é algo ruim, mas, às vezes, você tem que correr riscos para encontrar a felicidade. — Ele concluiu e, depois, levantou-se, andando até a porta.
Sakura suspirou, erguendo-se também e indo atrás dele.
— Eu tenho que ir, fique bem, tenho certeza que vai tomar a decisão certa — Ele disse, pondo a mão no ombro dela.
— Você veio aqui pra ajudar seu irmão e acabou ajudando a mim — Ela disse, rindo levemente.
— Eu não tenho certeza disso. — Ele riu, e Sakura o olhou sem entender — Bom, vou indo. Até breve, Sakura.
— Até e… Obrigada, Itachi — Ela disse, sorrindo.
— Tô aqui pra isso! — o Uchiha respondeu, rindo e seguindo pelo corredor.
Sakura fechou a porta após vê-lo sumir de seu campo de visão e encostou as costas nela, suspirando e com a mente cheia com as palavras de Itachi.
Ela devia se arriscar? Devia entregar-se a esse sentimento? E se ela se decepcionasse?
De fato, era arriscado e havia sim a possibilidade de tudo dar errado, mas e se desse certo?
Sakura estava confusa, muito confusa. Amava Sasuke sem dúvidas e, talvez, não amaria outra pessoa dessa forma algum dia, mas também tinha medo do Uchiha não correspondê-la como queria.
Eram tantos “e se” em sua cabeça que sua mente estava falhando.
E se ela acabasse magoada? E se ela fosse feliz?
De fato, uma completa confusão, mas Sakura precisava dar um basta naquela história. Precisava tomar uma decisão e avaliar qual das possibilidades pesava mais.
O medo de sofrer ou a vontade tentar correr atrás da própria felicidade?
. . .
No primeiro dia depois do beijo que trocaram, Sasuke pensou que Sakura só precisasse de um tempo para pensar melhor e esperou pacientemente que o telefone tocasse ou ouvisse batidas em sua porta.
No terceiro dia depois do beijo, ele ficou impaciente, mas entendeu que ela queria pensar com calma e decidiu esperar mais um pouco, afinal, havia esperado tanto tempo para se declarar, o que eram três dias?
Mas, depois de duas semanas do beijo, dias que Sakura só passou fugindo dele, Sasuke finalmente entendeu.
Ela, definitivamente, não queria nada com ele. E ele não a culpava por isso. Era todo errado, e ela tão sensata, dedicada e bondosa, uma pessoa que, de fato, merecia alguém melhor do que ele.
Mas admitir isso o destruiu por dentro. Entender, de uma vez por todas, que Sakura queria uma vida sem ele por perto doía.
E, agora, o que ele faria? Como a encararia todos os dias sem poder tocá-la ou demonstrar o amor que sentia?
Como viver sabendo que a garota que ama não o queria?
Afundou a cabeça no travesseiro, chateado. Ele tinha que ser todo errado, não é?
Escutou batidas na porta do quarto — na casa de sua mãe — e afundou ainda mais a cabeça no travesseiro. Não queria ver ninguém, já havia dito para Mikoto. Sasuke só queria fundir-se aquela cama e nunca mais sair de lá.
Nem mesmo comer ele queria, já havia falado para sua mãe quatro vezes só nessa manhã, recusando qualquer alimento que ela vinha lhe trazer.
As roupas? Não havia trocado a calça de moletom de pijama ainda, afinal, não possuía a intenção de sair do quarto, nem mesmo vontade de levantar ele possuía.
Ele só queria ficar ali, lamentando-se por sua vida, mas parece que a sua mãe na porta não queria deixar.
— Já disse que não quero comer, mãe! — gritou.
A voz saiu um pouco abafada pelo travesseiro, mas ele não se importava, só queria que a pessoa fosse embora e lhe deixasse sozinho com seu sofrimento.
Mas as batidas não cessaram.
— Me deixe sozinho. — pediu, a voz saiu, até mesmo, um pouco triste e mais audível, porém, ainda assim, as batidas não pararam.
Sasuke estalou a língua, já irritado com a insistência e levantou-se mesmo a contragosto, caminhando até a porta.
Girou a chave uma vez e respirou fundo para não gritar com sua mãe devido a insistência em entrar no quarto, mas, ao abrir a porta, toda a irritação foi embora, dando lugar à total surpresa.
— Oi. — Sakura sorriu de leve ao vê-lo com os cabelos desgrenhados e sem camisa em sua frente.
E Sasuke, bom, quase parou de respirar naquele momento.
— Sakura…
— Sua mãe me deixou subir, espero que eu não esteja incomodando. — Ela disse, envergonhada.
— Não! Imagina… Entre, tá meio bagunçado porque eu estava deitado — Ele respondeu, dando passagem para ela entrar e indo até a cama para retirar o cobertor desarrumado. — Pode sentar em qualquer lugar, você me espera uns minutinhos? Preciso ir ali, é rápido.
Sakura concordou com o pedido, e Sasuke saiu do quarto rapidamente, indo até o banheiro do corredor.
Sua cara estava horrível, e ele precisava estar apresentável para o que quer que Sakura viesse falar.
Se eles se acertarem de vez? Ele deveria ao menos estar com os dentes escovados!
Terminou rapidamente e, depois, se bateu mentalmente por ter esquecido de pegar alguma camisa.
Bem, ele teria que vestir com ela lá no quarto mesmo.
Respirou fundo, preparando-se para voltar.
— Esteja preparado pra tudo, Sasuke… — Murmurou para sua figura no reflexo do espelho.
Quando retornou ao quarto, Sakura estava sentada na ponta da cama e olhou diretamente para ele assim que Sasuke entrou.
Ele caminhou silenciosamente até o armário de roupas e pegou uma camisa de cor branca, combinando com a calça de moletom cinza que ele já vestia.
Sorriu ao puxar a cadeira da escrivaninha e sentar em frente a uma Sakura levemente corada.
— Tudo bem? — Ele perguntou apenas para puxar assunto.
— Sim, olha, desculpa se eu sumi.
— Eu fiquei imaginando um monte de coisa, Sakura, mas tudo bem, você veio aqui por algum motivo, eu acho. — Ele respondeu.
— Sim.
— Então…
— Quando você saiu do meu apartamento aquele dia, você disse aquelas coisas… Eu fiquei dias tentando entender e me convencer que você queria dizer realmente aquilo que eu entendi.
Sasuke sorriu, se recostando na cadeira e cruzando os braços.
— Eu realmente quis dizer o que você acha que eu quis dizer, Sakura e eu repito aqui se quiser.
— Não precisa! Eu… Então, eu entendi que você meio que gosta de mim, é isso, não é? — Ela questionou, cautelosa.
Sasuke, nesse momento, se curvou, aproximando-se um pouco mais dela.
— Eu estou, como se diz… Apaixonado? Você pode usar essa palavra — Ele respondeu, sério, e Sakura prendeu a respiração por um momento.
— Você nem sabe dizer como se sente?
— Eu sei exatamente como me sinto, só não sei usar uma palavra adequada, eu poderia dizer que te amo, mas acho que seria cedo para você ouvir isso, então, o termo paixão é melhor.
— Sasuke…
— Agora, vamos lá! O que você tem a me dizer? — Ele questionou, voltando à posição anterior.
— Você tinha razão quando disse aquilo, sabe… — E Sasuke ergueu uma das sobrancelhas negras, curioso — Você é cheio de problemas, sem um pingo de comprometimento e só quer saber de festas e de pegar o máximo de mulheres em uma noite — Ela concluiu, e Sasuke nunca se sentiu tão humilhado.
Ela não estava mentindo em um todo, ele era tudo isso, mas não com tanta intensidade como ela falava.
— Nossa…
Sakura riu para o semblante meio pálido dele antes de continuar:
— Mas, droga, eu gosto de você assim.
Sasuke olhou para ela, o semblante surpreso.
— Você é tudo o que eu mais evito em um cara, Sasuke, mas algo em você me fez ficar completamente apaixonada, e eu estava, até ontem, resistindo, porque eu não sei o que esperar se eu resolver entrar de cabeça nesse sentimento, entende?
Sasuke assentiu atônito, sabia que ela gostava dele, mas escutar assim, tão de perto, fez seu coração falhar algumas batidas antes de acelerar como um touro, porém também saber sua opinião sobre ele dessa forma fazia-o sentir-se a pior pessoa.
— Então… Você quer dizer que ainda não tem uma resposta?
Ele tinha medo da resposta que ela lhe daria para essa pergunta, tinha medo que ela preferisse se afastar de si ao investir no amor deles.
— Eu não sei, Sasuke, eu não sei… Está tudo muito confuso aqui dentro, sabe? Ao mesmo tempo que eu quero ficar com você, eu não quero, talvez por medo, não sei. — ela abaixou a cabeça, fitando qualquer canto menos os olhos ônix dele.
Era impossível dizer que as palavras dela não o machucavam, de fato, mas ele também a entendia. Respirando fundo, Sasuke pousou sua mão sobre a dela, apertando-a de leve.
Os olhos verdes foram atraídos para o colo da Haruno, onde as mãos se encontravam juntas.
— Eu entendo a sua dúvida e eu sei que sou tudo isso que você falou, Sakura, mas eu quero tentar, quero mostrar a você que podemos ser o ponto certo um do outro, então, por que não tentar? Por que não viver essa experiência? Só… Vamos tentar.
Sakura o olhou nos olhos nesse instante, um tanto quanto surpresa com a fala dele. Não esperava essas palavras vindas de Sasuke. Sentiu o coração bater mais rápido, e a confusão ainda em seu interior, mas algo no semblante do jovem à sua frente lhe transmitia um pouco da segurança que ela não tinha.
Ela devia dar uma chance? Devia tentar?
Novamente, a mesma indecisão de antes lhe confundia, quando decidiu ir até ali conversar com Sasuke e tomar uma decisão na hora, fora motivada pelo impulso, porque ela já estava cansada de tanto pensar, ponderar e não chegar a lugar nenhum, em decisão nenhuma. Então, havia decidido se arriscar e ir até ali, porque, como Itachi havia falado, ela poderia encontrar sua felicidade depois de correr alguns riscos.
Mas ela não pensou que fosse tão difícil.
Sasuke percebeu o conflito interno dela. Suspirou e continuou:
— Não quero te pressionar, Sakura, se precisar de mais tempo para pensar, tudo bem, eu respeitarei esse tempo, só pense bem na resposta, eu gosto mesmo de você, você gosta de mim, e nós dois queremos isso, então, não deixe de tentar viver esse sentimento por medo.
— Você está parecendo seu irmão. — Sakura comentou, rindo e fazendo-o arquear as sobrancelhas em confusão.
— Itachi? Por que diz isso?
— Ele foi na minha casa ontem. — revelou, e foi inevitável para Sasuke não ficar levemente enciumado apesar de saber que seu irmão não se envolveria com a Sakura.
— Ele foi?
Sakura assentiu com a cabeça.
— Itachi foi me perguntar por que você estava estranho e acabou me ajudando. — sorriu de canto ao lembrar-se do Uchiha mais velho.
Sasuke a observou levantar da cama e caminhar pelo quarto, de costas para o jovem.
— Sabe, ele disse que eu precisava arriscar para ser feliz e que não devia ficar presa à dúvida, ao “e se”, e vocês têm razão. — virou-se de frente para Sasuke.
— Isso quer dizer… — Ele levantou-se também, se aproximando dela.
— Quer dizer que eu quero tentar. — respondeu firmemente e decidida, o que fez Sasuke, primeiramente, arregalar os olhos de leve por surpresa. — Eu ainda tenho medo de não dar certo, de eu me decepcionar no final, mas não quero me arrepender de não ter tentado, de não ter vivido esse sentimento.
Sentiu as bochechas corarem ao finalizar a fala, e Sasuke não pôde deixar de sorrir ao vê-la desconcertada.
— Essa é sua resposta? Você tem certeza? — perguntou, não queria que ela se sentisse pressionada ou se arrependesse disso.
Tudo dependia dela. Se ela quisesse mesmo, ele seria a pessoa mais feliz do mundo, mas, se ela dissesse não, ele respeitaria sua decisão e se afastaria mesmo contra sua vontade.
— Sim. — Sakura assentiu e sorriu para Sasuke, que sentiu o peito se aquecer de uma forma inexplicável. — Eu quero tentar e fazer dar certo.
Ele sorriu minimamente com as palavras dela e aproximou-se, colocando uma mecha rosa de cabelo atrás da orelha dela.
— E eu, mais ainda. — disse, sorrindo e olhando nos olhos verdes da Haruno, para, em seguida, fitar os lábios rosados e umedecidos dela, sentindo uma vontade absurda de provar novamente do seu gosto.
A garota fechou os olhos com o contato da mão dele em sua bochecha, aproveitando o carinho naquela área. Era boa aquela sensação, ainda mais, ao lado dele.
— Então, acho que posso te chamar de namorada agora ou você quer um pedido formal? — a voz calma de Sasuke se fez presente, fazendo-a abrir os olhos e fitá-lo. Sakura sorriu brincalhona antes de responder:
— De joelhos e com uma caixa de chocolate.
— Sério? — Sasuke perguntou, com uma careta.
Sakura gargalhou antes de levar as mãos até o seu pescoço enquanto apoiava os braços em seus ombros.
— Estou brincando… Não precisa — respondeu, e Sasuke aproveitou a proximidade e a puxou para o beijo que ambos ansiavam tanto.
Finalmente, tudo estava no lugar certo.
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