Notas iniciais
Voltamos! Espero que gostem!

Bolinhos

Chapter 14 — Incerto



Ele se olhava no espelho pela décima vez, checando se estava tudo certo com sua aparência. Não era um encontro, longe disso, já que Sakura e Sasuke iam em um orfanato, mas era inevitável não pensar em estar bem apresentável.

Sorriu para o reflexo no espelho, observando a camisa preta com estampa de uma banda de rock e a calça jeans desbotada, nos pés, um tênis esportivo. Estava bem à vontade e estiloso na visão dele e tentava manter-se confiante apesar do nervosismo que sentia e das mãos suadas de ansiedade.

Era sábado, havia combinado de passar na casa de Sakura para pegá-la e irem ao tal orfanato que ela ajudava.

Vendo que já estava quase na hora, o Uchiha saiu de seu apartamento respirando fundo e foi até o subsolo, onde seu carro — um popular de modelo simples, cor preta — estava estacionado na vaga destinada a ele.

Assim que entrou e se ajeitou no banco do motorista — colocando o cinto, arrumando o banco e os espelhos —, ele deu partida no veículo.

Seu coração batia mais rápido à medida que se aproximava do apartamento de Sakura, pensando em como seria aquela tarde. Estava ansioso outra vez, o que percebeu que estava ficando comum desde que notou seus sentimentos por Sakura e resolveu lutar por ela.

Não demorou para chegar em frente ao prédio em que ela mora, de onde, imediatamente, Sakura saiu da portaria, sinal de que já estava esperando-o. Ele sorriu ao vê-la caminhar em direção a ele através dos vidros escuros do veículo, vestindo uma calça jeans escura, um pouco justa, uma camiseta branca, tênis All Star preto e uma jaqueta jeans amarrada na cintura. Estava linda como sempre, ou talvez mais, ele observou.

Sakura aproximou-se do carro e abriu a porta falando um baixo “bom dia” e sorrindo sem graça, afinal, era a primeira vez que andava de carro com Sasuke, ainda mais sozinha.

— Bom dia. — o Uchiha cumprimentou sorrindo de canto.

— Animado para conhecer o orfanato? — Sakura perguntou, tentando deixar o clima mais confortável entre os dois, mas, ainda assim, era estranho falar com ele assim.

— Sim. — falou enquanto olhava para ela e, em seguida, desviou os olhos para a frente. — E um pouco nervoso.

— Imaginei. — Sakura riu brevemente enquanto prendia o cinto de segurança — Mas as crianças são legais, você vai ver.

Sasuke sorriu ao ouvir suas palavras e girou a chave na ignição, ligando logo o motor do carro enquanto dizia mentalmente um “espero”.

— Bom, onde fica o endereço? — perguntou, virando-se para fitá-la enquanto ligava o GPS do carro.

— Fica perto do hospital geral, eu posso pôr o endereço, é um pouco complexo o nome — Respondeu, levando as mãos ao painel, tocando levemente na mão de Sasuke, causando um breve susto nos dois.

— Certo. — sorriu brevemente sem graça enquanto colocava a mão no volante, apertando-o com força.

Ele nunca havia, realmente, a tocado, observou. Nem quando haviam se conhecido, eles nunca deram um aperto de mão, nada.

Ele queria mais.

Observou-a pôr o endereço, as mãos pareciam trêmulas, e ele sorriu internamente por não ter sido o único afetado.

— Então, vamos lá! — Sakura disse, sorrindo para ele quando se ajeitou no banco.

Sasuke sorriu de volta, piscando e dando partida no carro.

Durante todo o trajeto, o efeito daquele simples toque continuou vivo na pele e mente dos dois. Era estranho e, ao mesmo tempo, bom.

Para Sasuke, estava evidente que isso teve efeito sobre Sakura também, já para a Haruno, apenas ela havia sentido isso.

Ela ainda não percebia os sinais — ou, talvez, apenas não quisesse ver, pensando que não daria certo.

Tudo estava confuso para Sakura e, mesmo não querendo admitir, estava gostando disso.

Droga, estava se deixando levar!

Afastou os pensamentos da mente ao se dar conta que estavam chegando e, logo, a voz de Sasuke se fez presente:

— É aqui, né? — perguntou, mas não precisava de resposta, a placa grande escrita “Orfanato Shimura” já dizia tudo.

— Sim. Vamos lá! — ela sorriu e soltou o cinto de segurança.

Sasuke fez o mesmo assim que estacionou e desligou o carro. Poucos segundos depois, os dois já se encontravam na calçada lado a lado, ambos com as mãos nos bolsos.

— Ahm… Vamos entrar? — perguntou Sakura, e Sasuke assentiu, tentando disfarçar o nervosismo.

Nervosismo por estar com ela e por não fazer ideia de como agir ao lado de uma criança. O mais perto que chegou de uma criança foi conviver com Itachi, que, às vezes, conseguia ser pior que elas.

Os dois, então, entraram no orfanato em passos lentos. Logo na sala de entrada, havia uma mulher de cabelos negros curtos, uma conhecida de Sakura, sentada no sofá.

— Shizune? — chamou, vendo a morena, que estava distraída lendo um livro, erguer o olhar e sorrir.

— Sakura, que bom te ver! — a mulher sorriu mais ao se levantar e abraçou a garota. — Demorou a aparecer dessa vez.

Sakura sorriu sem graça.

— Desculpa, não tive muito tempo esses últimos dias, a faculdade não estava ajudando.

— Sei como é, não precisa se preocupar. — disse e logo seus olhos desviaram-se para o jovem ao lado de Sakura. A moça sorriu de novo. — E quem é esse jovem bonito? Seu namorado?

No mesmo instante, o semblante dos dois assumiram uma coloração avermelhada de vergonha — o de Sakura mais que o do Uchiha.

— Não, Shizune, ele… Ér…— Gaguejou enquanto tentava explicar.

— Somos amigos. — Sasuke respondeu e teve uma leve vontade de completar que eram só isso por causa dela, mas deixou quieto. — Sou Sasuke Uchiha.

Estendeu a mão para a mulher, que apertou imediatamente e sorriu.

— Muito prazer, Sasuke, sou Shizune, assistente social — Se apresentou a mulher.

— Shizune, viemos ver os meninos, eles estão na aula? — Perguntou, Sakura.

— Só os da turma de Tsunade, os pequenos não tiveram aula hoje, estamos sem professor — Shizune comentou, com o semblante preocupado.

— Entendi, já entraram com o pedido na secretaria de educação? — Sakura questionou, séria.

— Sim, mas ficaram de dar retorno, e isso já tem quase uma semana, mas estamos aguardando, enquanto isso, eles ficam no pátio, brincando.

— Certo, vou lá com o Sasuke, será que eles vão ficar desapontados? Não trouxe nada dessa vez. — Sakura sorriu sem graça, e só então Sasuke se tocou, ele também não havia trago nada.

— Sakura, você e eu sabemos que tudo o que essas crianças precisam são de carinho e atenção, vão lá e dêem isso a eles — Shizune disse, piscando enquanto voltava a se sentar.

— Tem razão. — Sakura sorriu. — Vamos lá, Sasuke.

Os dois acenaram em despedida para a assistente social e seguiram até uma porta no fim da sala, que dava em um corredor em tons brancos, de onde já era possível ouvir os gritos das crianças brincando no pátio.

Sakura e Sasuke trocaram um olhar e sorriram, voltando logo a fitar o pátio do fim do corredor, de uma porta que se encontrava aberta. Ela passou pela entrada primeiro e, em seguida, Sasuke, dando de cara logo com várias crianças com idade, em média, de quatro anos.

Eram umas doze, pelo que pôde contar rapidamente, e isso lhe fez sentir-se um pouco mais nervoso.

— Sakura! — uma das meninas gritou, e todas as crianças correram até a garota de cabelos cor-de-rosa, que sorria ao sentir o abraço coletivo.

— Oi, meus amores!

— Que saudade! — uma delas falou, sorrindo. — Você demorou a vir.

— Desculpe-me, Ayumi, as aulas não deixaram. — A jovem explicou, afagando os cabelos negros da menina pequena que abraçava-lhe as pernas.

— Tá’ bom, Sakura, não pode faltar na escola! Foi o que a tia Shizune disse! — Ayumi respondeu, fazendo outras crianças concordarem com um aceno de cabeça

— Sakura! Hoje não tem bolo? — outra menina perguntou, os olhos brilhando de ansiedade.

— Ou brinquedo? — um dos meninos ao redor dela perguntou, e a rosada sorriu sem graça, abaixando-se para ficar na altura deles.

— Desculpem-me, queridos, dessa vez, não deu para trazer nada. Porém, na próxima, eu trago, tá? É uma promessa — sorriu para as crianças, que sorriram de volta e gritaram um sonoro “sim”.

Sakura riu contente, e só quando sentiu a movimentação atrás de si foi que lembrou que Sasuke estava ao seu lado.

— Crianças, eu não trouxe bolo nem brinquedo, mas trouxe um amigo pra conhecer vocês — Iniciou, sorrindo enquanto indicava Sasuke com a cabeça. — Esse aqui é o Sasuke, é meu amigo, digam “Oi” pra ele.

Sasuke ficou sem graça quando as crianças, ao mesmo tempo, lhe cumprimentavam.

Ele tentou sorrir e ser simpático, mas estava se sentindo desconfortável.

Enquanto elas se entretiam em uma conversa calorosa com Sakura, uma das crianças se aproximou, era um garotinho, lhe olhava curioso, e Sasuke retribuiu o olhar, confuso com a aproximação do garotinho.

— Seu cabelo é estranho. — ele disse, e Sasuke o olhou indignado.

— Meu cabelo está na moda, tá? Aposto que quer fazer um igual — Sasuke comentou, agachando-se para ficar na altura do garoto.

— Eu não! — A criança respondeu, rindo.

— Sei, qual é o seu nome? — o Uchiha perguntou.

— Toushirou — O menino respondeu, e Sasuke sorriu pra ele.

— Que nome legal, Toushirou — Respondeu, enquanto a criança olhava pra ele cheio de expectativas. Ele não sabia o que fazer depois disso, mas, por sorte, não precisou pensar muito, pois logo Toushirou pegou em sua mão e o puxou. Ele o acompanhou sob o olhar atento de Sakura, que se dividia entre duas meninas ávidas para contar alguma aventura.

O menino o levou até uma grande mesa, onde várias folhas estavam dispostas, com giz de cera espalhados por todo lugar.

— Senta aí, tio, eu estou fazendo um desenho muito importante, e você vai ser meu juíz.

— Juiz? Está competindo com alguém? — Questionou curioso, e o menino ficou vermelho de repente.

— Ah, não, vou te contar um segredo, e segredo é secreto, então, não conta pra ninguém — O menino sussurrou, chegando perto de Sasuke, que se abaixou para ouvir melhor. — Eu vou dar um desenho pra Ayumi, eu gosto dela — Disse, baixinho.

Sasuke olhou surpreso pra ele e, depois, para a garota que gesticulava animada para Sakura, mas logo sorriu.

— E o que você vai desenhar? — Perguntou.

— Um carro! — Ele respondeu empolgado, mas Sasuke entortou o nariz, reprovando.

— Se ela gostar de carros, tudo bem, por que não desenha uma flor? — Sasuke sugeriu.

— Flor é coisa de menina! — O menino fez uma careta, e Sasuke deu uma risada, balançando a cabeça em negativa.

— Mas ela vai gostar, você não quer deixá-la feliz? — Perguntou.

— Quero que ela seja minha namorada! — Respondeu empolgado.

— Então, desenhe uma flor, capriche pra agradá-la — Sasuke disse e piscou, sorrindo.

O menino sentou-se no banco, pegando uma das folhas e os giz de cera, e Sasuke sentou ao seu lado, observando-o empenhado em fazer o presente.

Se assustou quando sentiu mãos pequenas lhe tocarem no braço e virou rapidamente, se deparando com uma menina de cabelos claros, amarrados desajeitadamente em um rabo de cavalo, os olhos castanhos dela lhe deixou encantado.

— Oi, você é amigo do Toushirou? — Ela perguntou baixinho para ele.

— Sou o juíz — Respondeu baixinho.

A menina olhou para Toushirou e acenou, mas o garoto não viu, concentrado no seu desenho.

— Meu nome é Hana — Ela se apresentou, ainda olhando para o menino.

Sasuke ergueu uma das sobrancelhas e olhou curioso para a garota, que, mesmo falando com ele, não tirava os olhos brilhantes do menino.

Riu quando entendeu do que se tratava.

Ele estava pegando essas coisas rápido agora. Era fácil de reconhecer quando via a própria expressão nos rostos de outros.

— Olá, Hana, eu sou o Sasuke, quer se sentar do meu lado? — Perguntou.

— Ah, sim! — Ela respondeu, sorrindo. Sasuke se afastou, dando espaço para ela sentar, e ela assim o fez.

— Sabe desenhar? — Perguntou.

— Sei sim! — Disse, já pegando o papel e o giz de cera marrom para desenhar, Sasuke sorriu, olhando de uma criança para a outra.

Depois, olhou para frente, deparando-se com o olhar de Sakura sobre si. Ela acenou e sorriu pra ele, que deu de ombros, envergonhado.

— Terminei! — Toushirou exclamou, tomando a atenção de Sasuke.

— Deixe-me ver — Disse, pegando o desenho.

Estava até bom, apesar de ter sido feito por uma criança que não tinha mais que cinco anos.

— Ficou muito bom, Toushirou — Sasuke parabenizou, devolvendo o desenho para o menino.

O menino sorriu feliz e, despedindo-se, correu em direção à Ayumi, que estava agora brincando com outra menina, no balanço a poucos metros.

Ele parou e entregou o desenho para a menina, que recebeu, surpresa.

— Eu queria que o Toushi me desse um desenho também — Escutou Hana falar baixinho enquanto desenhava o que Sasuke pode ver ser um carro.

Sasuke se compadeceu. Ela era jovem demais para estar sofrendo por amor.

Passou a mão pelos cabelos dela, tirando o elástico que o prendia para, depois, amarrar novamente o cabelo em um rabo de cavalo alto e bem uniforme. Tomou cuidado para não apertar demais.

— Pronto, bem melhor. — sorriu de canto. — Eu não sou o Toushirou, mas posso fazer um desenho para você, o que acha? — Sugeriu.

— Sério? A Sakura não vai ficar chateada em você fazer um desenho para outra garota? — respondeu, olhando para ele em expectativa.

— Ah, não, não vai não, vamos, deixa eu pegar um papel aqui e desenhar algo pra você.

Quando o desenho ficou pronto, Hana exclamou em surpresa:

— Uau! É tão lindo — seus olhos até brilhavam, olhando para a menina desenhada no papel, que parecia até um pouco com ela.

Sasuke não era profissional com desenhos, longe disso, mas sabia fazer uma coisa ou outra.

— E é seu — Disse sorrindo.

A menina pegou e o abraçou, feliz.

— Obrigada, tio Sasuke! Vou colocar do lado da minha cama! — Respondeu, olhando para o desenho.

— Sasuke? — olhou para cima e viu Sakura se aproximar. — Temos que ir, logo é a hora da soneca deles — Ela disse, e Sasuke concordou, se levantando.

— Ah, não, não vão não — Hana respondeu, chorosa.

— Sinto muito, querida, temos mesmo que ir, mas prometemos voltar — Sakura falou, olhando para a menina e para Sasuke, como se confirmando que ele viria uma próxima vez.

— Sim, voltaremos depois — Sasuke disse, colocando a mão na cabeça da menina.

— Certo! Pega, tio Sasuke, para você lembrar de mim! — A menina disse, pegando o desenho que fazia sob a mesa e entregando para Sasuke, que sorriu agradecido.

Sakura achou graça da cena e afagou os cabelos da garotinha antes de caminhar para a saída do pátio com Sasuke em seu encalço.

— Não sabia que levava jeito com criança. — Sakura comentou, atraindo a atenção do Uchiha, que encontrava-se caminhando ao seu lado.

— E nem eu. — confessou, deixando que um sorrisinho de canto surgisse em seus lábios.

Havia sido melhor do que pensava, ele até mesmo gostou do tempo que passara ali. Eram crianças adoráveis, de fato, agora entendia o motivo de Sakura sempre empenhar-se em ajudá-las.

— Você se saiu muito bem. — a garota elogiou, sorrindo. — Sério, elas gostaram de você.

— Ainda bem. — Sasuke comentou, continuando a caminhada.

— Já vão? — Shizune perguntou assim que os dois adentraram a sala de entrada do orfanato.

— Já, mas voltamos logo. — Sakura respondeu, e a mulher assentiu.

— As crianças vão gostar disso. — sorriu para os dois. — Obrigada por virem, as crianças gostam de receber visitas, principalmente, as pequenas. Elas sentem falta de amor e carinho às vezes, e gostam muito de você, Sakura.

— Eu sei, por isso, sempre que dá, eu venho aqui, eu gosto muito dessas crianças e ver o sorriso delas me deixa extremamente feliz.

— Elas têm sorte por poder contar com você. — Shizune falou, colocando a mão no ombro da Haruno. — Você vale ouro.

No rosto de Sakura, um sorriso sem graça estava estampado, e suas bochechas encontravam-se coradas. Ela desviou o olhar para o chão, o que Sasuke não deixou de notar.

O Uchiha sorriu de canto, concordando mentalmente com as palavras de Shizune. Sakura valia ouro, e ele faria tudo para conseguir estar ao seu lado e para fazê-la feliz como merece.

— Obrigada, Shizune. Mas, agora, temos que ir, já está ficando tarde.

— Tudo bem, até logo. — a mulher acenou em despedida. — Venha mais vezes também, Sasuke, tenho certeza que as crianças gostaram de você — Disse, olhando para Sasuke, que acenou concordando — Certifique-se de trazê-lo, Sakura. — Falou, piscando rapidamente para Sakura.

Sakura virou-se rapidamente para Sasuke antes de voltar a olhar para a assistente social.

— Pode deixar.

Sorriu e começou a caminhar em direção à saída.

— Até mais. — Sasuke acenou para a mulher e seguiu Sakura para o lado de fora.

Ambos caminharam calmamente até a calçada, de onde podiam ver o pôr do sol perfeitamente.

— Isso foi divertido, não foi? — a Haruno perguntou.

— Até que foi. — ele concordou com um sorriso de canto, o que a fez dar uma leve risada, atraindo a atenção de Sasuke. — O que foi? — perguntou, fazendo-a olhar para ele ainda com um sorriso nos lábios.

— Só estou surpresa, nunca pensei que ia te ver se dando tão bem com as crianças.

Ele estreitou os olhos.

— Hey! Eu não sou um monstro não! Eu sei fazer muitas coisas, tá, Haruno? — fingiu estar irritado, o que só a fez rir mais.

Era estranho estar assim com ele, mas sentia-se tão bem que não importava-se em falar mais do que devia ou sorrir demais.

Era confortável até, diferentemente de todas as outras ocasiões em que esteve ao lado dele. Ali, ele mostrou-se ser outra pessoa, um Sasuke gentil, carinhoso e amigo.

Alguém bem diferente da personalidade que ela achava que ele tinha.

Pararam de rir ao chegarem perto do carro de Sasuke, que estava estacionado ali perto.

— Quer comer alguma coisa? — o Uchiha perguntou antes de ela abrir a porta do carona, apenas uma desculpa para passar mais tempo ao lado dela.

— Pode ser. — ela sorriu e entrou no veículo, e Sasuke, ao contorná-lo, não deixou de dar um sorriso vitorioso.

Aquele sábado estava saindo bem melhor do que esperava.

Não demorou muito para os dois chegarem a uma lanchonete próxima, onde sentaram em uma mesa mais afastada. Imediatamente, o garçom foi lhes atender e, não muito tempo depois, os pedidos de ambos — sanduíches e sucos naturais — foram colocados em frente à cada um.

Sakura estava animada naquele instante e falava sobre as crianças e o orfanato enquanto comia. Sasuke apenas a escutava com atenção, gravando cada detalhe que ela contava ao mesmo tempo em que admirava sua beleza e acompanhava cada movimento com os olhos.

Vez ou outra, ele concordava com algo que ela perguntava ou sorria de canto, mas a verdade era que não queria interrompê-la, queria ouvi-la o tempo todo.

Era inexplicável o que ele sentia. Com qualquer outra pessoa, ele estaria achando aquela situação uma chatice e já teria pedido para a pessoa parar de falar, porém, com ela, era totalmente diferente. Ouvir a voz dela lhe dava prazer, o fazia desejar que as horas não passassem e ficasse ao seu lado ouvindo-a para sempre, mas isso era impossível.

Para seu azar, Sakura olhou no celular e percebeu que estava ficando tarde. Imediatamente, os dois terminaram de comer os lanches, que ficaram intocados por vários minutos durante a conversa e pediram a conta.

— Deixa que eu pago. — Sasuke ofereceu, mas ela o reprovou com o olhar.

— Não, eu pago, você já gastou gasolina para ir até o orfanato. — ela retrucou, tirando o dinheiro do bolso.

Sasuke suspirou, não seria fácil convencê-la do contrário.

— Por que não dividimos? — perguntou, e ela hesitou um pouco antes de suspirar, dando de ombros.

— Tá, você venceu. — disse, e ambos pagaram metade da conta.

— Vamos lá. — ele disse, atraindo a atenção dela.

Os dois, então, seguiram para o lado de fora da lanchonete, caminhando sob a luz da lua em direção ao estacionamento do local. Não demorou para ambos estarem na estrada, seguindo o caminho de casa.

Durante o trajeto de volta, trocaram mais algumas palavras sobre o orfanato e comentaram sobre uma próxima visita, e, poucos minutos depois, os dois já estavam em frente ao prédio de Sakura.

— Está confirmado amanhã, né? — o Uchiha perguntou, referindo-se ao café com dona Mikoto, assim que desligou o motor.

Sakura sorriu em resposta.

— Está sim. Obrigada por me acompanhar hoje, Sasuke, foi muito legal.

— Eu que agradeço por ter me deixado ir junto. — o Uchiha respondeu, sorrindo.

Sakura sentiu o peito aquecer nesse instante, feliz por conhecer aquele lado carinhoso e gentil dele e por ter passado uma tarde ao seu lado.

Ela havia adorado sua companhia, de fato.

Sorrindo animadamente, ela aproximou-se dele para depositar um beijo doce e suave em sua bochecha como agradecimento pela companhia, mas Sasuke acabou virando o rosto na hora, fazendo com que seus lábios se tocassem brevemente.

Um simples selinho, mas que foi capaz de fazer todos os seus pêlos se eriçarem.

No mesmo instante, Sakura afastou-se com as bochechas coradas e ainda sentindo a sensação dos lábios dele sobre os seus. Uma sensação indescritível e que teve o mesmo efeito sobre Sasuke, o qual também encontrava-se sem graça e com as bochechas levemente avermelhadas.

— Eu… Ér… Eu não… Desculpa, eu não… — ela não conseguia nem formular uma frase de tão envergonhada, não acreditava que havia beijado Sasuke, mesmo sendo apenas um selinho. — Eu tenho que ir.

Abriu a porta do carro rapidamente e caminhou em direção ao seu prédio sem olhar para trás. Estava constrangida e ainda sentia o coração palpitar descompassado no peito.

Enquanto via Sakura afastar-se, Sasuke sorriu, mordendo o lábio inferior e ainda sentindo o calor e maciez dos lábios dela sobre os seus, naquele toque breve e suave.

Notas finais
Até o proximo!