Notas iniciais
Hello, we're back! Obs1: Capitulos contém diálogos por aplicativo de mensagens instantâneas, erros gramaticais são propositais para retratar da forma mais natural possível, o diálogo. Obs2: Diálogo destaca com aspas em texto simples, são de pronúncia do Sasuke. Os diálogos da Sakura seguem a mesma linha de formatura, mas, diferenciado pelo destaque em negrito. Obs3: O texto em italiano trata-se de uma "lembrança". Sem mais observações, aprecie a leitura!

Bolinhos

Chapter 13 — Empenho



Ela não podia errar. Seu alvo estava ali na sua frente, e tudo que ela deveria fazer era colocar o glacê perfeitamente alinhado.

Tinha que ficar perfeito, porque sua sanidade mental ia depender disso.

Ela nunca se perdoaria se Mikoto não gostasse dos seus doces.

Ela queria agradar a mulher e, sem negar, queria agradar Sasuke também.

Seu coração disparou só de se lembrar dele.

Do pequeno sorriso agradecido dele quando ela aceitou a encomenda.

Sorriu sozinha, mas logo balançou a cabeça, afastando a animação. Era apenas um entrosamento inocente, ela não deveria criar expectativas. Na verdade, Sakura não queria, porque ela não queria envolvimento com Sasuke.

De forma alguma.

Focou sua atenção na fôrma a sua frente e manteve-se atenta a continuar confeitando o bolo.

Imaginou se Mikoto iria gostar, pois, pelo pouco que conheceu da mulher, sabia que ela era uma pessoa elegante e educada e, no mínimo, já deveria ter provado os mais diversos tipos de bolinhos existentes no país.

Cortou esses pensamentos, ela havia acordado mais cedo que o normal para pôr esses bolos no forno e já estava quase atrasada para se arrumar para a aula. Sorte que hoje teria poucas disciplinas, então, daria para voltar para casa mais cedo e embalar tudo para que estivesse pronto na hora que Sasuke viesse buscar.

Como o tempo era pouco, tratou de finalizar logo e ir arrumar para ir à faculdade, porém acabou saindo mais tarde que o normal de casa, mas nada que a fizesse chegar atrasada para a primeira aula.

Com a cesta, com os bolinhos que alguns alunos pediram, em mãos, ela chegou à faculdade e, com os poucos minutos que tinha sobrando antes da primeira aula, vendeu grande parte dos doces.

Ela estava satisfeita, suas vendas haviam melhorado nos últimos dois dias, e ela conseguiu, de certa forma, fidelizar a clientela, pois já tinha encomendas para o dia seguinte.

Se tudo desse certo, ela conseguiria juntar o dinheiro para comprar as fantasias das crianças para a festa de Halloween do orfanato, que aconteceria dali a algumas semanas.

A despedida do professor anunciou o fim da terceira aula, depois do Intervalo, ela teria apenas mais uma e poderia ir pra casa embalar a encomenda de Sasuke, e esperá-lo ir buscar. Ficou nervosa só de lembrar.

Caminhou pelos corredores cheio de universitários, acenando para um ou outro que reconhecia, enquanto balançava a cesta vazia nas mãos, havia vendido o resto dos bolos, no intervalo de uma aula para a outra, para os colegas de classe.

Quando chegou ao refeitório, avistou, primeiramente, seu grupo de amigos e, depois, seus olhos foram tomados por Sasuke mais ao fundo, que estava em uma conversa com Masami.

Sentiu seu interior se contorcer, ele sorria singelamente pra ela, que retribuía.

Eles, provavelmente, haviam voltado, e tudo que Sakura queria fazer era sumir dali, mas não teve oportunidade de fazê-lo, pois Ino a viu e acenou, chamando-a.

Se juntou a eles e tentou se entrosar na conversa, por mais que sua mente estivesse no casal mais ao fundo.

Seus amigos planejavam algum tipo de saída no final do mês, depois das provas, e ela apenas concordava sem muita animação.

Ficou em alerta quando viu Sasuke se despedindo de Masami com um beijo no rosto, e se aproximou da mesa, se sentando em uma cadeira em frente a ela.

— Você não tinha terminado com a Masami? — Não conseguiu deixar de perguntar, e, nesse momento, todas as cabeças viraram para ela, virando, posteriormente, para Sasuke, que sorriu antes de responder:

— Terminei, eu disse antes, foi algo simples, não estamos com raiva um do outro — Explicou, dando de ombros, mas Sakura ainda não se convenceu, por isso, tornou a questionar:

— Tem certeza? Vocês pareciam bem íntimos — A pergunta fez Sasuke soltar uma risada.

Ele estava se deleitando com a reação ciumenta dela.

— Tenho certeza, Sakura, Masami estava apenas me contando que conseguiu o estágio que tanto queria. Eu tinha a indicado pra um amigo do meu pai, ela só veio me dizer que tinha dado certo e me agradecer — Respondeu, sorrindo.

Sakura quis se bater e só então ficou satisfeita com a resposta dele.

— Parece até que você está com ciúmes, Sakura-chan… — Naruto comentou, fazendo uma expressão inocente, e foi aí que Sakura percebeu os olhares maliciosos de seus amigos direcionados a ela.

— O quê!? Gente… Nada a ver, só fiquei curiosa… — Justificou, mesmo sem saber que quase todos ali sabiam ser uma mentira.

Ela realmente queria se bater, não acreditava que havia dado bandeira assim na frente de todos os amigos.

— Relaxa, Sakura, não pensamos nada — Hinata tranquilizou a amiga, que acenou sorrindo sem graça.

— Mesmo porque eu nunca faria o tipo da Sakura — Sasuke comentou, sorrindo.

E Sakura pensou ter notado certa amargura em sua voz, mas não deu importância para isso.

— Você é rodado demais, Sasuke — Comentou, piscando para ele.

— Nossa, ofendeu — Sasuke respondeu, levando a mão ao peito, em uma pose dramática.

Todos riram, inclusive Sakura.

Apesar de estar estranhando todo aquele clima leve em que o Uchiha se encontrava, ela riu, gostando.

Ele estava diferente de quando o conheceu. Ainda era o mesmo Sasuke, meio calado e na dele, mas ele parecia mais receptivo as conversas e brincadeiras dos amigos.

— Você está diferente, Sasuke — Hinata comentou, e isso fez Sakura perceber que não foi só ela que havia reparado na mudança do Uchiha.

— Diferente como? — Ele questionou, confuso.

— Parece mais feliz, leve, animado. Se não o conhecêssemos, diríamos que está apaixonado… — Foi Naruto quem respondeu, sorrindo provocativo para o amigo.

Sakura viu Sasuke permanecer em silêncio e dar de ombros, como se estivesse confirmando a insinuação do amigo.

— Tá brincando? — Kiba questionou, surpreso.

— Não sei de nada — Sasuke esquivou, sério — Tenho que ir, logo inicia a aula, e quero dar uma lida em um artigo antes dela começar — Disse, levantando-se da cadeira e recolhendo sua mochila, que havia encostado ao pé da mesa.

Sakura o viu acenar para os amigos, que o observavam e se aproximar de sua cadeira. Ele sorriu para ela antes de se despedir.

— Passo em sua casa depois da aula — sorriu de novo, e saiu em passos calmos em direção ao seu prédio.

Ela não teve tempo nem de piscar perante à sentença do Uchiha, pois logo seus amigos a encheram de perguntas, e, entre risinhos maliciosos e vaias de descontentamento, ela explicou que ele apenas iria buscar uma encomenda de bolinhos para a mãe.

. . .

Ele estava nervoso, suas mãos suavam sobre o volante do carro.

Estava no subsolo do prédio de Sakura, seu carro estacionado em uma das vagas destinadas a ela, enquanto ele fitava a porta do elevador a poucos metros.

Estava com a mesma roupa que havia ido à aula, a calça jeans azul escuro e a camiseta de mangas compridas de cor cinza escuro. No momento, ele estava muito ansioso para pensar em ir em casa tomar banho e se trocar, mas, enquanto fitava as portas metálicas, ele pensou se não estava fedendo.

Depois de se certificar que estava com um cheiro agradável, ele revirou os olhos e abaixou a cabeça até encostar no volante de cor preta.

Ele estava sendo patético. Sabia disso e não se orgulhava.

— Quem é você e o que fez com Sasuke Uchiha? — Murmurou, ainda com o rosto escondido no couro do volante, mas ele sabia perfeitamente a resposta para sua pergunta.

Deu uma última olhada no elevador e respirou fundo, criando a coragem que precisava para sair do carro e ir logo falar com Sakura.

Caminhou, rapidamente, pelo estacionamento até chegar ao elevador para não desistir no meio do caminho e apertou o botão. Não demorou muito para que as portas de metal se abrissem, e ele entrasse.

O prédio de Sakura não era tão grande, então, não demorou para que chegasse ao andar em que ela morava, e, logo, as portas se abriram.

Por um instante, ele desejou que o quarto andar demorasse muito a chegar, para que tivesse mais tempo para pensar no que dizer ou criar a coragem que precisava para bater na porta. Estava sendo patético de novo, ele sabia perfeitamente disso, mas não conseguia evitar.

Não sabia lidar com as dúvidas, inseguranças e com o sentimento intenso que transbordava em seu peito. Ele nunca havia se sentido assim, estava perdendo o juízo com toda essa situação.

— Você não é assim, Sasuke… — sussurrou para si mesmo, tentando criar coragem e, antes que desse meia volta, tocou a campainha.

No mesmo instante, o coração de Sakura falhou uma batida. Ela sabia quem era e, justamente, por isso, não conseguia controlar a respiração.

Dando uma última olhada nos bolinhos embalados perfeitamente sobre a mesa, cada um dos seis dentro de um pacotinho de plástico e colocados em uma caixa branca com todo cuidado, seguiu até a porta.

Assim que ela abriu, Sasuke disfarçou o nervosismo com um sorriso de canto — ele era bom nisso pelo menos — e colocou as mãos nos bolsos.

— Oi. — cumprimentou, e Sakura sorriu, um pouco sem graça.

— Oi. — respondeu e deu passagem para que ele entrasse.

Sasuke o fez lentamente, analisando cada canto do apartamento dela outra vez. O silêncio se instalou entre eles, e suas mãos suavam, ambos tentando disfarçar o nervosismo diante do outro.

— Ér… Eu… — Sakura mordeu o canto do lábio inferior, sem saber como agir direito na presença dele e sentindo-se idiota por estar assim, afinal, ela acreditava que Sasuke não sentia absolutamente nada por ela e Sakura continuava agindo de forma patética na sua presença mesmo tentando, a todo custo, esquecê-lo.

Maldita chama de esperança!

Ela soltou o ar de leve, disfarçando o nervosismo.

— Eu embalei os doces para a sua mãe. — falou e agradeceu por não gaguejar.

Imediatamente, seguiu para a cozinha com Sasuke em seu encalço e lhe entregou a caixa com cuidado.

— Parecem muito bons. — Sasuke elogiou, sorrindo de canto, e aquilo foi o suficiente para o coração dela se aquecer e disparar.

— Eu espero. — sorriu satisfeita, e ele sorriu de volta.

— Aqui está. — retirou o dinheiro do bolso da calça e entregou à garota. — Bom, agora, preciso ir. Obrigado, Sakura. — agradeceu, começando a caminhar de volta para a sala.

Sakura foi acompanhando-o até lá, sorrindo boba aproveitando que ele não veria.

— De nada! Espero que sua mãe goste. — respondeu, os lábios curvados em um pequeno sorriso.

— Ela, com certeza, vai. — respondeu, sorrindo de canto. — Até breve, Sakura.

— Até.

. . .

Escutou batidas na porta e, imediatamente, Mikoto seguiu até ela. E surpreendeu-se ao ver Sasuke parado no batente e com uma caixa nas mãos.

— Oi, querido! Que surpresa! — a mulher sorriu, dando passagem para Sasuke entrar. — Que caixa é essa? — perguntou, curiosa como sempre.

— São alguns bolinhos que trouxe para a senhora. — Sasuke abriu a caixa, mostrando os doces embalados perfeitamente.

— Parecem deliciosos! — os olhos de Mikoto brilhavam, e Sasuke lhe entregou a caixa com os doces. — Mas por que trouxe? Não é meu aniversário, e você nunca me dá doces.

— Uma amiga faz para vender, e todo mundo gosta. E, como eu sei que você adora doces, resolvi trazer uns para provar.

A mulher sorriu, feliz pelo filho ter se lembrado dela e caminhou até o sofá, sentando-se com a caixa no colo. Imediatamente, abriu um dos pacotes, tirou um dos bolinhos dele e mordeu, fazendo um sonoro “huuuumm”, apreciando o gosto maravilhoso, diferente de qualquer outro bolinho que já comeu.

— Nossa, isso tá muito bom! — elogiou, mordendo mais um pedaço. — Quer um?

Chegou com a caixa próxima ao filho, que pegou despreocupadamente um dos bolinhos, retirou da embalagem e mordeu, e só então Mikoto se deu conta do que ele acabara de fazer.

— Espera, desde quando você gosta de doces? — perguntou, surpresa e confusa ao mesmo tempo, mas o garoto apenas deu de ombros, voltando a comer o bolinho. — Eu já comi muitos bolos, dos mais diversos sabores, mas nunca um tão bom quanto esse. Sua amiga está de parabéns! — sorriu, voltando a comer o doce.

Até que a ficha caiu.

— Você ajuda um orfanato, Sakura? — Masami perguntou, curiosa.

— Sim, sou voluntária lá e também ajudo com doações e vendo bolos para arrecadar dinheiro, essas coisas.

Mikoto sorriu, entendendo o motivo de seu filho levar os bolinhos e comer o doce assim, já que sempre detestou.

— Por acaso, quem fez esses doces foi a Sakura? — perguntou e observou os olhos de Sasuke desviarem-se dos seus por alguns instantes.

— Talvez… — Sasuke respondeu, sem graça.

— Foi um pretexto para se aproximar dela, então... — Mikoto comentou, sorrindo maliciosamente.

— Eu só uni o útil ao agradável — Respondeu, dando de ombros.

— Entendi… E Masami? — questionou, arqueando uma das sobrancelhas.

— Terminamos no domingo. — Sasuke respondeu, e Mikoto colocou uma de suas mãos no ombro de seu filho.

— Fez a coisa certa, meu filho. — a mulher disse, sorrindo ternamente. — Era errado permanecer ao lado dela se gosta de outra. Estaria apenas iludindo Masami. — a mulher comentou, e Sasuke concordou com um aceno. — E como ela reagiu? — perguntou, os olhos fixos nos ônix do filho.

— Melhor do que eu esperava. — Sasuke respondeu, recordando-se do término com a ex-namorada.

— Contou para ela o motivo?

— Na verdade, ela meio que já sabia sobre meus sentimentos pela Sakura.

— Acho que todo mundo já sabe, só Sakura que não se deu conta. Está estampado na sua cara. — Mikoto deu uma risada do semblante incrédulo do filho.

— Não está na cara que eu gosto dela. — disse, cruzando os braços ainda indignado e com os olhos semicerrados. — Está? — perguntou após encarar o semblante risonho da mãe, ele estava levemente preocupado.

Será que estava deixando transparecer tanto esse sentimento assim?

Imediatamente, as risadas de Mikoto ecoaram na sua mente, o que o fez voltar para a realidade e olhar para ela.

— Tô brincando. — deu um tapinha no ombro do filho, ainda rindo. — Mas devia ver sua cara de desespero. — riu ainda mais, e Sasuke bufou, cruzando os braços e com a cara emburrada.

. . .

Já era noite, Sasuke estava deitado em sua cama, olhando para o teto e pensando nas palavras de sua mãe.

Ele queria muito se aproximar de Sakura, mas será que ela aceitaria ir à casa dele? Tá que a desculpa seria para conversar com dona Mikoto a respeito dos bolinhos, mas será que ela aceitaria? E como a convidaria? E como agiria ao lado dela?

Sasuke se bateu mentalmente, achando-se um idiota por toda essa insegurança. Ele estava parecendo um adolescente marcando o primeiro encontro.

Esse sentimento forte estava deixando-o louco.

— Atitude, Sasuke, atitude… — sussurrou para si mesmo antes de pegar o celular sobre o criado mudo.

O jovem, então, desbloqueou a tela do aparelho e entrou no aplicativo de mensagens instantâneas, onde procurou pelo contato de Sakura.

Eles nunca haviam trocado uma palavra sequer por mensagem, e só tinha o número dela graças ao grupo que eles compartilhavam no aplicativo de mensagens, e era estranho puxar papo agora. Respirou fundo, digitando as primeiras letras.

“Oi.”

Mandou a simples mensagem e não demorou para que o símbolo de confirmação de visualização ficasse azul.

Sakura, ao ler a mensagem, ficou surpresa. Não esperava que Sasuke lhe mandaria uma, isso nunca havia acontecido antes. Surpresa e com o coração batendo rápido, respondeu:

“Oi, tudo bem?”

Sasuke sorriu ao receber a mensagem. Por um instante, havia pensado que ela não o responderia.

“Tudo, e com você?” Respondeu.

Tá, agora, ele sentia-se um tapado. Seu coração batia rápido no peito por simplesmente ver o “digitando…” abaixo do contato de Sakura.

“Tudo.”

Sasuke sorriu ao receber a mensagem dela e ficou pensando no que falaria agora para chegar ao assunto, mas ela foi mais rápida:

“Sua mãe gostou dos bolinhos?”

Sakura fez a pergunta, temerosa com a resposta.

“Sim.”

E, para completar, Sasuke mandou uma foto da mãe comendo o último bolinho, uma que tirou sem que ela percebesse.

Sakura sorriu do outro lado, vendo o sorriso de Mikoto.

“Que bom! :)”

Sasuke sorriu ao ler a mensagem e criou a coragem que precisava. Ele tinha que tomar alguma atitude.

"Ela gostou muito, até pediu para eu te levar na casa dela pra falar a respeito deles e tomar um café.”

Mandou e voltou a digitar.

“Você vai?”

Sakura pensou por alguns instantes, mas não sabia dizer não para Mikoto, por mais que não desejasse ficar muito perto de Sasuke. Sabia que seu coração a trairia, ainda mais, se passasse muito tempo com ele.

“Vou sim, quando?”

Pensou em dizer “ótimo”, mas não queria dar muito na cara de que estava feliz por isso, por mais que, em seu rosto, estivesse estampado um sorriso enorme.

“Pode ser no domingo? Minha mãe vai ficar feliz por ter aceitado.”

“Sua mãe é uma boa pessoa, e domingo está perfeito”

“É, sim.”

Sasuke concordou e olhou para a tela, vendo que ela havia visualizado. Esperou por alguns instantes e nada de “digitando...”

Ficou ansioso, não queria que o diálogo acabasse ali. Mas o que estava acontecendo com ele, afinal? Sasuke sempre sabia o que dizer, sempre conquistava qualquer garota, por que com Sakura era tão difícil?

Por que ele tinha que gostar da garota mais diferente que já conheceu?

Bufou irritado por um instante, mas logo sorriu de canto. Ela ser diferente é o motivo que o fez se apaixonar por ela e era tão difícil falar com ela porque foi a única garota por quem se apaixonou de verdade.

— Olha o que você está fazendo comigo, Sakura… — sussurrou para a tela, como se ela pudesse ouvir.

Pensando bem, era muito bom ela não poder ouvi-lo assim, era orgulhoso demais para admitir isso para ela.

“Como aprendeu a fazer esses bolos?” Perguntou como quem não queria nada, nem sabia por que perguntou isso, só não queria deixar o assunto morrer.

“Com meu pai, ele era bom na cozinha, ao contrário da minha mãe. Ela era um desastre com qualquer coisa que envolvia fogão rsrsrsrs”

Deu uma risada ao ler as palavras de Sakura e começou a digitar de volta.

“Nossa rsrs.”

“Pois é rsrs”

“E quanto ao orfanato? Você ajuda lá há muito tempo?”

Perguntou, continuando o assunto e realmente curioso sobre a rotina, sobre a vida dela, que ele sabia tão pouco. Ele queria saber de tudo e, se possível, fazer parte de tudo.

“Tem quase três anos, eu tinha acabado de entrar na faculdade de pedagogia, e um dos professores indicou o lugar para pesquisa de campo, depois da primeira visita, nunca mais consegui passar uma semana sem ver as crianças”

A resposta dela foi longa, e Sasuke pôde realmente perceber o quanto ajudar aquelas crianças sem família importava para ela.

Isso só o fez admirá-la mais. E, de certa forma, ele se sentiu incomodado consigo mesmo.

Ele quer tanto ajudar os outros, salvar vidas, salvar rostos, mas ele ajuda quem?

Ele só se embebeda, dorme, come, estuda e se embebeda de novo. Deveria estar fazendo mais, sendo algum diferencial. Mas ele não fazia nada e só pensava em si mesmo.

“Entendi… Quando vc vai lá de novo?” — Perguntou, decidindo que, a partir dali, ele faria tudo que ele prometeu a si mesmo quando decidiu fazer medicina e ser um cirurgião.

“Vou no sábado, pq?”

“Posso te acompanhar? Você fala tão bem de lá, fiquei curioso...”

“Ahnmm, claro! Vamos no sábado então”

Ela respondeu e, no final, ainda mandou um emoji de uma carinha sorridente, e Sasuke imaginou-a fazendo essa mesma expressão.

Só que Sakura, do outro lado, estava de boca aberta, totalmente chocada.

“Então tudo certo! Sábado, eu vou no seu ap, me manda a hora que vc pretende ir”

“Ok, depois eu envio, tenho que ir agora, até depois, Sasuke”

“Até depois” — Se despediu, contrariado, queria conversar mais, mas se resignou a voltar a olhar para o teto, entediado.

Ele iria ver aquelas crianças e estava ansioso, se lembrava de um dos seus antigos colegas do estágio na farmácia — feito a dois anos atrás —, que fora criado em um orfanato, e ele dizia o quanto era difícil a vida lá dentro. Não conseguia se imaginar sem a sua família e não sabia como iria reagir ao estar em frente àquelas crianças tão carente de amor de um pai e de uma mãe.

Ele só esperava saber como lidar com aquilo, ainda mais, com Sakura observando-o o tempo todo.

Notas finais
Como será esse "encontro"? Prometemos muita coisa fofa♥ Até o proximo!