Blues Moon

2 O Tempo - Adágio


"Estamos todos matriculados na escola da vida,
onde o mestre é o tempo."
Cora Coralina

O TEMPO

“Chove... As gotas entoam melancólicas notas, nelas guardam os segredos talvez.”

Adágio

Às vezes o tédio pode ser um grande amigo, por isso Hector conhece bem seu estofado para roncar enquanto não pensa; parece um sedentário, engana-se, pois este adora sua bicicleta, nem nega qualquer tipo de caminhada. Sua ocupação não é mais nada do que trabalhar em seu próprio computador, tem ênfase de um grande designer, porém a paciência não é sua maior virtude. Estava mesmo um pouco triste, por alguns problemas qual passara atrás, estes que fez chegar onde se encontra agora, afinal quem nunca teve problemas.

“Dez, nove, (...), três, dois, um... Elaine chegou!” Exatamente no término da contagem abre a porta sua irmã. Ela corre para salvar seu cabelo, indo direto ao espelho mais próximo... Hector observava a figura erguendo as mãos para cima, sabia que agora teria que ouvir os berros de uma fera.

— Eu perdi duas horas da minha vida para acontecer isso! — grasnava, e correria quase chorando ao seu irmão. — Olha só o que sou agora! O que farei de mim?

Agarrando seu irmão pelo o pescoço, ele apenas respondeu: — Olha lá, a chuva parou agora mana! — ela sai correndo gritando indo ao seu quarto. “Por um pouco pensei que morava sozinho, ainda sim ela parece ser a dona...” Concluiu imediatamente, porém sua irmã desejava o que ele não sabe bem, é não deixá-lo sentir muitas vezes solitário, o qual nisso era muito boa para preencher qualquer silêncio de um ambiente.

.

Anoitece, a lua no horizonte revela-se cheia, o céu entre seus véus cedem algumas estrelas. Depois de estar irritada, tal sábado parecia ter acabado o dia da Elaine, fez uma mágica e saiu novamente, mas como sempre ela quer sair impecável. “As garotas são propaganda de marcas e modelos ao mesmo tempo.” Pensava, admirando o horizonte aquele que estava sozinho agora. Acabara de sair da frente da tela, sentia agora o ar mais fresco do que nunca, previa uma noite bela.

“Eureca!” – Teve naquele momento uma grande ideia pelo jeito, pegou o violão, a bolsa e algumas coisas a mais, logo sairia do recanto. Em frente do condomínio só tinha uma avenida que quase não havia trânsito, mas antes de sair foi até uma lareira pegou algumas lenhas, colocou num saco, partiu dali. Estava cheio de coisas, andava agora pela areia e sentia a brisa da noite da praia. “Hummm... Acho que aqui está bom, posso parecer meio doido. Ah! Mais importante é ser feliz, se isso é sentir alguma coisa... Sei lá.” E agora se via a preparar algo inusitado, empilhava os paus, para começar ali uma pequena fogueira.