Blues Moon

10 O Louco - Penumbra


“O homem é o sonho de uma sombra.”
Píndaro

O LOUCO

“A verdade e o caminho estão dentro de você, se não por ele, por quem será?"

Penumbra

— Quem é você?

— Quem é você? — a sombra repetiu.

Será que ele ainda se encontra dentro de um sonho, ele pensava, jurava que aquilo não era real, perdeu até mais medo, sentia meio encorajado, porém com um pé atrás ainda. Ele deu primeiro passo, e a sombra imóvel, dava o segundo, a sombra ainda estava lá, o terceiro de frente a ele tão próximo que não preferia mais arriscar. Ele observara que a sombra ao seu centro onde fica o peito normalmente, havia uma pequena esfera de uma luz bem fraca, quase que apagando, parecia que era coberto por diversos tecidos de sombras.

Como aquela sombra não se movia, sem nenhuma manifestação, pensou bem ele se aproximar ainda mais do espectro. Agora só havia aquilo em seu caminho para ir até a cozinha, Hector levanta a mão para tocá-lo, a sombra também levanta a mão para tocá-lo... Ele sentiu seu corpo gelar, pensava que este ser por algum momento fosse um aspecto da morte, mas ainda estava preso em sonho? Não teria problema, mas se fosse realidade, e mesmo se fosse, saberia desde já que a morte não seria o fim, eis sua conclusão... Mas, esse pensar assim...

— Estarei atrás de você... — Soou tenebrosa dessa vez, que parecia ecoar por todo ambiente — logo em seguida a sombra avança, como se atravessasse por ele, no entanto, despertara um longo cansaço que caíra sobre o rapaz, um sono convidativo. Seus olhos vacilaram; e...

.

“Onde estou? Será que este sonho não acaba, ou cá estou morto e nem percebi... Não, olha só como é escuro aqui, estou com frio, não vejo o céu, parece ser uma floresta, mata densa, e nenhum barulho. O que seria aquela sombra, nunca ouvi dizer algo parecido com aquilo, será um anjo da morte mesmo: por que não acordo agora? De alguma forma, vou ver aonde vou chegar, não posso ver nada direito, um mundo de sombras, nem escuto meus passos, será que vou encontrar algum monstro? Será que isso não é uma loucura? Ah, e deus cadê meu? E agora o que faço, se há algum ser bondoso, me livra disso logo, ou aqui estou no inferno? Não sei se sou o mesmo ainda, mas, acho que o passado quer me cobrar algo que deixei, ou... Não sei, fui inocente, não seria aquela sombra do Luc, não, não, não o seria. Acho que cheguei ao meu limite, as noites tenho sonhado com Ariane, mas, ela não sabe o que faria por ela, era tudo o que eu queria, mas... mas ele... – onde estou? Não há fim, cada passo que dou, uma luz! De onde será que ela vem, vou lá mesmo, este caminho parece levar até lá, que foi isso? Está atrás de mim, não, de novo não, vou correr! Está perto, mais rápido, caramba, estou cansado, não posso desistir,estou chegando perto! Ali está, uma casa... vou ver o que está... Ah!”

Hector já tinha saído da mata que o cercava antes, tinha olhado para trás, mas só percebeu o brilho de grandes olhos atrás, que tinha uma cor azulada e muito penetrante, e viu recuar aquele estranho ser que o perseguira. Logo adentrou no jardim de uma casa, passando no jardim, sua entrada com um pequeno portão de ferro enferrujado, que rinchou ao abrir. Via um jardim enorme, este sonho parecia não ter fim.