Blues Moon

12 O Louco - Despertar


“Ninguém ainda sabe se tudo
apenas vive para morrer
ou se morre para renascer.”
Marguerite Yourcenar

O LOUCO

“Se é capaz de imaginar, por que não crie um mundo a sua semelhança. Em seu reino, tudo faz parte de ti, e nele todo aqui está e eis de ver como se fosse uma criança."

Despertar

— Há há há há há há... Muito bom, mas ainda é incerto, como os olhos que não podem ver o lado de dentro. Escolha o seu caminho, e eu estarei lá em todas. Suba a escada, algo o espera por lá, lembra-te que não há respostas para o que não existe. Mas o que é deveras existir? Até mais jovem rapaz! Há há há há há... — Desaparece ao apertar o rabo do gato, num miado some através de uma fumaça ninja, a luz se apaga...

— Não é possível! Estou ficando louco mesmo? Que estranho, por que eu não acordo! Isto não é simplesmente um sonho lúcido, não! Nunca aconteceu comigo, isso está além, será que aquela sombra era a morte em pessoa!? — refletiu após se indagar, de frente a escada: — Engraçado, agora estou nervoso, nem medo estou sentido, vou dar porrada em quem aparecer!

Determinado agora partia com sua reação tempestuosa, subia cada degrau no escuro demarcando através do som o que sentia, virou para direita na metade da subida, havia uma porta no final que em suas frestas mostravam claridade que vinham do outro lado. Girou a maçaneta, a luz incomoda seus olhos, mas agora o que achava estranho era o cheiro que lembrava rosas pelo ar, adentrou, se viu num corredor todo amarelo, no seu final com uma porta entreaberta que emanava toda iluminação, ainda ouvia uma melodia suave que poderia estar saindo de lá.

Enfim, ele se decidiu suprir a curiosidade que lhe atingira, agora os nervos ameno, mais cuidadoso ainda com seus passos, o ambiente interferiu os sentimentos anteriores — rente a porta encosta levemente sua mão para abri-la, o suficiente para o atravessar; fechou os olhos pela intensidade que clareava mais ainda, próximo da brancura total, passou, sentia como se a sua alma fosse invadida por uma energia pomposa. Tentou recuar, é — mas a porta havia sumido, ao tocá-la ali sentia apenas uma parede lisa.

— Olá criança, seja bem vindo.

— Quem está aí? — Hector imediatamente questiona.

— Abra seus olhos, deixe-me vê-los.

— Está muito claro, não consigo, me diga quem é você?

Hector sente um dedo tocar no centro de sua testa, a luz perdeu-se seu efeito para ele, ao abrir os olhos, enxerga a palma de uma mão muito clara, contudo nessa palma havia ali um grande olho no meio, que deslocava sua íris para lá e pra cá, para ver os seus próprios olhos. Eram olhos de cor azul envolvente que hipnotizava. Então sua vista começava a embaçar, luta contra o desfoque daquela visão, a mão saía da sua frente, observara apenas a forma de alguém todo de branco, e sua face lembrava quem a tinha uma máscara branca sem expressão, nesse momento sua visão ofuscada se força a fechar novamente aos olhos...

— Acorde!