Blues Moon
13 Moonday - Allegro
“Quem olha para fora, sonha...
Quem olha para dentro, acorda.”
Carl Jung
MOONDAY
“Talvez não somos donos de todas as possibilidades, talvez não abarcássemos em todos os sonhos. Superamos obstáculos, sim, e não é somente pela capacidade, nem todos podemos ter, vai além disso; a vontade, temos o poder de transubstanciar.”
Allegro
“Tamanho mistério da vida, contos que ressonam as noites, bela virtude, faz-me cair no sono, como serpes que voam a invadir seu campo. Que sonido farfalha aos pés do ouvido, alvorecer dourado, em nome das flores sigilosas, que geram perfumes de alva acepção. Um outro eu, como se fosse a noite e o dia, a mesma voz, não com as mesmas razões. Diz quem sou, direi quem tu és...”
Ouviam-se os cantarilhos dos passarinhos, pois ainda era primavera, o amor que cantam soa como se fossem de Elísios. Novembro está a se despedir, a flecha do amor continua em seus ciclos, porém tamanha dolorosa era esta estação para Hector, o que mantivera guardado em outras fases que seu olhar já fora mais alegre? Mas, hoje, nesta segunda-feira, tinha um quê de agradável, a nostalgia revoga seu estado anterior, pois é assim, que outrora vezes ao seu despertar se contentara mais. Nunca percebeu que às vezes nos levantamos com ideias, soluções, tão novas, perto de encontro do seu alter ego; parece tudo ficar mais claro, como sempre estivera ali e não pudesse ver, e por um brilho de passagem parece descobrir um novo mundo, entretanto, nunca o deixara de ser trivial.
Não importa o seu lar, onde amanheça todos os dias, seu lugar sempre teve um ar que vem dalgum outro lugar, mas onde? Isto cabe a cada um saber, porém, desse jovem rapaz há muito tempo pressente algo desse tipo — tudo não passara de um sonho porventura, ou, quem indaga o quê sobre a sensibilidade das ideias, na interpretação do que seja real, uma longa vida sem ser explicado. O sol quase lhe toca o rosto, Hector amanhece inspirado, no chão claro, derrubado por uma sombra talvez, nesta hora sua memória desabilita de um modo estranho o que passara e, faz querer voltar a sua rotina.
Apagou a luz da sacada, aproveitou o momento para vislumbrar o sol que amarelava o dia, céu aberto, o azul se revelava suntuosamente, levá-lo-ia a rua com sua bicicleta, a vontade encheu com muito ar seu peito. Fora até o banheiro, ao passar perto dali, deu para ouvir o ronco de sua irmã que ainda se encontrava bela adormecida, era de estranhar, sempre enérgica, nesta hora raras vezes ainda se manteria na cama. Pegou suas coisas logo após, ir partir por um dia de promessas que o mesmo sentia. De bicicleta deu uma volta, respirou o ar tênue, na padaria pegaria os pãezinhos, logo, logo tomaria seu café.
Planejava o dia em sua cabeça, a entrega do trabalho o deixaria mais tranquilo, estava disposto a tudo naquele dia, preparou até o café, Elaine ficaria surpresa com aquilo e ainda vê-lo daquele jeito. Dito, curiosa como é ela, perguntava o que havia acontecido com ele, chegou colocar a mão na testa dele para ver se ele estava mesmo bem, terminaram o café brincando. Assim passou o dia de acordo com os seus conformes, o teu bom humor era raro que fez questão de ir acompanhar sua irmã até a casa de sua amiga. Sua amiga Ana, que particularmente lhe agradara, parecia ser uma boa pessoa, mas o que não sabia antes era que ela tivesse uma irmã, que chamaria atenção ao esbarrar por ele. Ela pediu desculpas sem graça, Ana disse que ela era meio da lua mesmo, e seu nome marcou a memória dele, Samanta.
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