Blues Moon
14 Moonday - Con Brio
“Não há nada de tão belo como aproximarmo-nos da Divindade
e espalhar os seus raios pela raça humana.”
Ludwig Beethoven
MOONDAY
“O seu pensamento é a porta do céu.”
Con Brio
“Agora neste momento estou em frente dela, acho que agora percebi quando ela aparece – bem, desde que voltei da casa da Samanta...”
Samanta tinha marcado a cena naquele momento do acaso, ao caso talvez, aquela trombada que dera na entrada da sua casa com irmão de Elaine. Nem se quer deu um oi, a Ana disse que era normal dela, tímida demais, mas passou tão ligeira, que apenas deixou uma desculpa e entrou logo, antes mesmo de Hector responder. Foi o suficiente para ele ter notado que ela usava óculos, mantivera sua cabeça baixa, roupas escuras, desviara seu rosto ao passar por ele, cabelos curtos até o ombro, quase caíra tropeçando pelo caminho, dois laços de fita rosa nas laterais de sua cabeça. Tum! A porta se fecha com certa força demonstrando que ficou sem graça, e foi justamente por isso que chamou atenção dele, do estilo streetwear dela no calor do dia a beira da praia, talvez fosse para cobrir mais sua aparência, apesar de magra, mas lhe parecia cheio de volume, o que atraiu um pouco Hector.
O clima estava legal entre os irmãos, geralmente viviam com birras, desta vez pareciam hippies unidos, paz e amor, tomara um café e um contragosto rápido na casa de Ana, e batiam papo do dia a dia, há tempos que não fazia isto. Claro, sentia falta disso, conhecera mãe de Ana, a simpática que queria tanto entupir ele de coisas guloseimas, sentia até um pouco incomodado, mas gostou da atenção aprazível que teve. Por isso, inventou uma desculpa para sair mais cedo, lembrando que tinha algo a fazer, que não deixava de ser uma lábia. Voltava caminhando a pensar no que ia fazer ao anoitecer. Indeciso, até que lhe custou a pensar no que passara a noite passada, surgiu uma dúvida, ela apareceria hoje novamente? Parou na esquina de frente ao mar para tomar algo e refrescar as ideias, até que apareceu um menino lhe entregou um panfleto:
“Traga seu amor de volta em sete dias, amarração pessoa amada, afastar rival, recuperar o ex, etc... Falar com pai Preto Zatumba.” Teve o desprazer de amassar o papel e jogar no lixo depois, não via utilidade nisso, sempre falava “vendo um terreno na lua, marte está em promoção.” Inclusive, falar de amor nesse momento era tabu, sabe, não era dor de cotovelo, mas parece que não era sua sorte na vida, sua conclusão nesse ponto o fazia acreditar nisso. Antes de entrar, passou na portaria do prédio, bateu um papo com seu Lindosmar, que era uma figura engraçada, uma pessoa já bem vivida, gostava de contar a vida lá no interior, na roça que era do seu compadre Tião. O assunto de hoje era os calangos, ora, assunto de lagarto, até parecia que era bicho de outro mundo.
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Anoiteceu, em seu computador, pesquisa sobre psicologia, era um sinal de preocupação que passava sobre ele, sobretudo relacionado com esquizofrenia, pareidolia, alucinações, e assim por diante. Ficou desolado quando chegou ao assunto sobre Esquizoidia, deixou quieto, pois agora aqui o incomodava, pois parecia estar batendo os dados. Agora, então, não parava de pensar o que era a Sara, “que coisas são essas que acontece que a gente não consegue explicar...”, parecia obscuro tudo aquilo, metafísico, beirando ao ridículo para ele. Lembrou-se que ia ao psicólogo antes de mudar pra lá, e, fora recomendado pela família passar outras vezes, mas, desta vez passar por causa do que está acontecendo? Que achariam estranho se ele contasse. Tinha essa ideia claro na sua cabeça, pressupôs ao que todos concordariam que ele estivesse delirando mesmo, se revelasse então...
— Sara cadê você? — falou alto com certo anseio. Daí começou andar pela casa, indagando nome da sílfide, “Sara você está aí”, não havia respostas. Meio deprimido com isso, sentia antes que era algo especial, contudo, o fez pensar neste momento que fosse algum tipo de agir que estava realmente estava doente.
O celular toca, era sua irmã, a primeira vez que pediu para dormir na amiga. Não negou, estava tudo certo, desde que retornasse por qualquer problema que viesse a ocorrer. Ao despedir, se joga na cama, vê a Daisy no canto de seu quarto, pega a guitarra e começa dedilhar. Lembrou-se da época que tocava na banda, um barulho veio da sala interrompendo seu pensamento, estava escutando um bater de asas, logo invadiria seu quarto. Um pombo, aquele pombo era familiar... E pousou em sua cama, próximo dele, e começava encarar quando se movia.
— Vou te pegar! Ei, volte aqui! Onde está indo? Cru, cru, cru, cru! Isso pombinho, fique quietinho... Calma, psiu... “No três eu te pego, um, dois...”.
— Será que consegue pegá-la?
— Sara!
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