Blues Moon

15 Moonday - Sinfonia


“Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho
e sobre ele lança toda a força de sua alma,
todo o universo conspira a seu favor.”
Johann Goethe

MOONDAY

“Com o brilho da prata se espanta as mazelas.”

Sinfonia

Era um som belo, ela tocava uma flauta, de uma alegria contagiante que espelhava pelo ar, sua expressão era brilhante e tocante, um doce sensível para ser ouvida; a calma de um bosque encantado, a Flauta de Pã tocada por uma sílfide. Tanto o pombo, tanto Hector, ambos imóveis seguindo a canção que Sara tocava, acalmava, além de tudo parecia uma magia ao som.

Apenas cessou a Syrinx, a flauta, e como a luz da sala estava acessa, ela parecia brilhante e mais reluzente ainda, com semblante meigo:

— Esse é o nosso terceiro encontro, mas desta vez seja bem vindo à esfera sublunar.

— Esfera Sublunar?

— Sim, Monsieur. Sei que se sente constrangido, mas iremos ao seu ritmo, cautelosamente irá compreender. Nesse momento me vê, pois certos incidentes e causas levaram a esses fatores — estava próximo em sua presença já algum tempo, desde quando ingressou nesta moradia, portanto, da mesma forma eu poderia estar surpreso, mas eu sei que isso pode muito estranho acontecer, mas o que não esperava que fosse alguém como está em minha frente.

— Tem alguma coisa errado comigo?

— Não, querido. — ela sorriu magicamente. — Sabe, é perigoso eu estar aqui, mas, como posso dizer para entender, é como se houvesse uma canção tocando ao fundo, e quando mais me aproximasse, ficaria mais clara, até que cheguei aqui.

— De onde vem essa canção?

— Isso é algo que não deva saber agora. — falou com um ar de seriedade, mas riu depois. — Acho que hoje só terei perguntas, néééé!?

— Tá, tá... Mas e esse pombo?

— Saiba que ela é sua vigilante agora.

— Hã? Vigilante!? — Indagou, viu a pomba encarar ele, coloca a mão na cabeça, e se senta. — Poxa, me diga, isto é, não, será que estou ficando louco, ou o mundo sempre foi assim? Acho que sofri bastante, como se ninguém sofresse, ou, será que é por isso estou passando por essas consequências, eu nem sei mais o que seja real — e eu, ninguém sabe como estou...

— Ninguém sabe daqui! É, acho que teve um encontro com ele?

— Ele quem? — levanta a cabeça imediatamente, olhando ao encontro dos olhos dela.

— Shadow! — Ela tem um semblante sério dessa vez, Hector faz cara de pergunta. — Aquele que vem do Povo Sombra. Sinto sua presença, mas neste exato momento não consegue se manifestar como deveras, por isso não afeta a quem aqui estiver. São sugadores também, mantivera alimentando-o, quem produz um medo intenso poderá vê-los, nictófobos atraem eles, por causa deles as pessoas podem ser potenciais suicidas, depressivas, ou, e até realmente coisas piores... Mas isso cada um está sujeito, não se preocupe com isso, é uma das coisas mais normais que se têm. Agora me diga como ele era?

­ — Não lembro muito bem, na hora parecia chocante, lembro mais de você ontem. Sei que essa sombra, foi depois do momento que despertei uma lembrança marcante que ela apareceu, me deparei com ela parado ali, parecia ter um monte de tecido de sombra ao redor dele, no centro do seu corpo havia uma luz fraca meio opaca, parecia ser até o coração dele. Ele estava parado, por isso me aproximei — ver se era real — quando ele me atravessou e, nessa hora estava perdendo os sentidos, quando deparei estava sonhando. Mas eu pensei que fizesse parte do que você estava fazendo, por isso que nem me preocupei com isso.

— Não, vamos dizer que foi um incidente, como isto não poderia ter acontecido também. Mas não se aproxime dele da próxima vez, muitas vezes ele não consegue chegar a você, a não ser que aceite. Bem, você teria uma reação ao dormir quando derramei o aquário sobre sua fronte, mas não sei o que isso implicaria com um shadow no meio. — Ela levanta a cabeça pra cima, como se fosse pensar. ­­— Fico surpreso por isso, um dos quais é difícil desses aparecer, ele se alimenta de suas sombras esses espectros, foi bom saber que fiz era uma boa escolha, eles são tipos de agentes, mas alguns são diferentes, mas de qualquer forma isto afastará um pouco qualquer coisa.

— Hummm... Mas era essencial fazer aquilo mesmo?

— Foi necessário! Era um grande risco, por isso que fiz o ver certas coisas inesperadas, lufa! Aquilo deixaria seus sonhos mais claros, para um melhor aprofundamento – estar lúcido, e visualizar o que tem no seu estado mais profundo. Deu tudo certo, de qualquer forma muitos hão de passar por isso um dia, isso prova a coragem que tem!

— Forçado? Desde quando tenho tal coragem? — Ele riu meio duvidoso. — Se não desse certo o que aconteceria comigo?

— Muitas coisas, bem, poderia ter ficado louco mesmo, nisso há diversos problemas, no pior dos seus casos, a morte — hummm, o que acho que é pouco ainda. — nesse momento Hector fez uma cara de desgosto, ela sorriu para ele, e continuou: — Acho que não precisa de respostas, sei que de qualquer forma vai correr atrás de qualquer questão, isso mostra o que estava escrito nas estrelas, e sabes muito bem que isso o move tanto em águas profundas, tanto ao vazio que não existe, contudo há perigos eminentes, mas há muitos que estão contigo, então viva e de seu melhor.

Da atenção ao pensativo, Hector colocou a mão no queixo, observou a pomba ciscando o nada, olhou ao seu redor, percebera a brisa suave que tocavam os objetos, e visualizou a sílfide ainda com o mesmo encanto, com os mesmo detalhes anteriores, sentia todas aquelas palavras suaves, como se viesse de um anjo como ele supôs antes, e mesmo assim estava tudo branco como se não adiantasse explicar o tanto para esclarecer, que nada entraria na sua mente naquele momento, sua sensação era de uma descoberta nova, perplexo e inseguro, decidira tirar uma dúvida que desde o começo questionava:

— Sara, de onde você veio? — com uma expressão solene levemente soturna.

— Não fique assim doce. Talvez deva conhecer, venho de um lugar chamado Reino de Paralda, especificamente num lugar de lá onde a sinfonia não cessa. Mas, a verdade que já vivi por aqui há muito tempo, eu era uma índia...