Fred Weasley II sempre soube o que queria ser:

Qualquer profissão que o permitisse realizar justiça social como se não houvesse amanhã. Quando tornou-se consciente sobre raça, seu desejo tomou uma proporção mais firme: Ele queria justiça racial e social. Desde pequeno ele tem sua lista mental:

1 — Comandar o planeta terra.

2 — Ser o Ministro da Magia.

3 — Advogado.

Aos oito ele era jovem demais para ser o Ministro, segundo a paciente explicação de seu pai, e segundo sua mãe, ia demorar um pouco para existir o cargo de “comandar o planeta”, então Fred II entrara em Hogwarts focado em tirar as melhores notas e ser mandado diretamente para o melhor curso de Advocacia no mundo bruxo.

Quando ele pensa em jogar os pergaminhos pela janela, ele olha a foto de sua inspiração, Kingsley Shacklebolt, e respirava fundo, tentando entender Herbologia mais uma vez.

Seu currículo era impecável, Fred II Weasley era um pequeno prodígio, não foi surpresa para ninguém quando recebeu seu título de Monitor no quinto ano e Monitor Chefe, agora no sétimo ano. Comandava pacientemente o Clube de Leituras, tinha tempo para Quadribol e também tempo para ganhar alguns títulos em competições nacionais de História da Magia e Estudos dos Trouxas.

Sabendo disso, fica claro do porquê houve um protesto alarmante na sala de Minerva McGonagall ao fazer Fred II assinar, pela primeira vez, uma advertência:

— Esse colégio é um absurdo! O racismo institucional reina nesse lugar maldito! – protestou Rose na sala barulhenta. – Agora defender direitos é um crime, o que mais vai acontecer conosco? Trabalho forçado?

O local estava lotado tanto pelos parentes como amigos e colegas de Fred II e Rose. Hugo, que era aficionado por tecnologia trouxa, sacou sua câmera enfeitiçada pelo avô e gravou o momento na sala barulhenta, pronto para enviar à sua mãe.

— Fred apenas retrucou um comportamento racista, sexista e misógino, algo diário nesse lugar sem escrúpulos, esse colégio é só para brancos, vocês não têm o menor pudor em... – começou Catherine Davis, aumentando a voz, atropelando a voz de Zadie.

— A senhora sabe quem é Hermione Granger?— Rose cruzou os braços.

— Por que você não faz Pete assinar essa lista por ser um babaca misógino? – questionou Tina Badiou

— Rose foi desrespeitada na sala de aula por ter o cabelo crespo, da mesma forma de Catherine foi discriminada na volta às aulas do ano passado… — reforçou Kamau, de braços cruzados.

— Eu vou mandar um Patrono para meu pai agora mesmo! – avisou James Potter, pegando a varinha. Tinha tanta gente falando ao mesmo tempo na sala que a velha diretora teve que colocar a varinha no pescoço. Fred II tapou os ouvidos por reflexo e ignorou a dor em seu olho esquerdo, ainda sentindo o gosto de sangue em sua boca.

SILÊNCIO! — urrou, assustando todos os presentes. – Saiam TODOS da sala agora! Exceto Senhorita Granger-Weasley e o senhor Johnson-Weasley.

Fred II pegou a pena assim que a porta se fechou, após alguns protestos, deixando o local em silêncio. Rose ameaçou impedi-lo, mas ele molhou na tinta, escrevendo seu nome na lista de advertência. Largou a pena e respirou fundo, segurando-se na cadeira.

— Quero informar a senhora que essa foi a primeira vez que eu resolvi um problema como esse de forma violenta, e após sete anos nesse lugar, eu posso afirmar que estou cansado e talvez eu venha a assinar essa lista mais vezes até o fim do ano. – a voz de Fred II era tão calma e profunda que demorou alguns segundos para Minerva conseguir retomar a consciência. Rose pegou a pena que Fred largou e também assinou seu nome, cruzando os braços em seguida.

...

— Cara, vamos conversar, pelo bem do time...

— Pete, não quero ver sua cara a não ser que eu seja obrigado, tira meu nome do seu time, pode procurar outro batedor. Devolvo o uniforme hoje à tarde. – retrucou Fred, saindo da Sala Comunal da Corvinal, levou um susto ao dar de cara com Catherine Davis com seu uniforme verde. Ela era tão visualmente irritada que ele ficava nervoso com sua presença: – Bom dia...

— Bom dia?— indagou ela, o acompanhando na descida das escadas. – O que vamos fazer para resolver o acontecido?

— Resolver o...? Do que você está falando? – ele parou no meio da escada, dissimulado.

— Você acabou de manchar seu currículo por um erro de Hogwarts e não seu. – Catherine falou lentamente como se ele fosse burro.

— Davis...

— Catherine. – corrigiu ela. Ele subiu as sobrancelhas rapidamente, surpreso. Ela não deixava ninguém chamá-la de Catherine. Aliás, vale uma breve introdução à Catherine Davis, pelos olhos de Fred:

Catherine Davis é uma bolsista retirada de uma das áreas mais pobres de Londres, com um histórico familiar simplesmente deplorável. Entretanto, ela tem o nariz mais empinado de toda Hogwarts, a fazendo uma verdadeira Sonserina. Ela é tão arrogante que Rose sente a presença dela de longe e as duas são praticamente arqui-inimigas apenas pelo prazer da disputa de “quem é a melhor”.

Davis desafiar a existência de Rose, aparentemente, deu tesão à James Potter, o fazendo se apaixonar por ela, entretanto o garoto tem um total de 1% de chance de ter algo com a mesma.

Porém, por algum motivo, Catherine parece gostar de Fred II.

— Não tem nada pra resolver, eu já assinei a lista. – ele continuou descendo as escadas com ela ao seu lado. – Olha, foi só um... Eu perdi o controle. Eu não resolvo as coisas na porrada apesar de ser minha vontade, não estou afim de reforçar o estereótipo do preto baderneiro.

— Eu sei disso melhor do que você. – ela parou quando chegaram no térreo, o fazendo parar também. – Olha, eu também fiz todo o meu possível para andar na linha em sete anos nesse lugar e acredite, eu já quis muito chutar muitas pessoas aqui... Acontece que se eu tiver filhos, eu não quero que eles conheçam um lugar completamente não familiar, como eu conheci.

Fred II olhou ao redor, cansado, sabendo exatamente o que Catherine queria.

— O que você quer? – questionou ele, só precisando ouvi-la dizer.

— Uma revolução. É assim que elas começam? – ela reprimiu um sorriso e Fred acabou rindo um pouco, desviando o olhar. Voltou a olhá-la, não segurando o sorriso que crescia entre seus lábios.

— Quer saber? Vamos colocar essa escola pra funcionar. – sorriu ele.

Catherine esboçou um sorriso, o máximo que alguém já tirou dela, e deu a mão para que o Weasley apertasse, confidente.



...

— Eu tenho mais o que fazer é o suficiente pra você? – questionou Rose, de braços cruzados. – Aliás, eu tenho um trabalho de três rolos inteiros para fazer, e você também Fred, o que isso significa?

— Emancipação da população negra de Hogwarts é fútil para a senhorita Granger-Weasley? – debochou Catherine, também de braços cruzados. Rose não piscou ao encará-la e Fred II limpou a garganta, prevendo o trabalho que teria com as duas.

— Rose eu preciso de você aqui, sem você não tem como.

Ela não é tão necessária assim... — murmurou Catherine.

— E o que vocês sugerem que façamos? Um Panteras Negras versão bruxa? – questionou Zadie, desviando o olhar quando Fred a olhou, sorrindo.

— Seria um bom começo – respondeu ele, fazendo-a ficar acanhada, de olhos baixos. A sala que eles pegaram no terceiro andar tinha cerca de quatorze estudantes e segundo as contas de Fred e Catherine, haviam mais trinta negros, que estavam em aula. – Mas eu penso mais em um Centro Acadêmico de verdade, não o confeiteiro do Lupin...

— Ei! — protestou Roxxy. – Ele não sabia que o clube ia ser tomado por um bando de sem cérebro.

— E o que faríamos exatamente? Olha, eu não quero colocar fogo na escola... – gemeu Hugo, temeroso.

— Ninguém vai colocar fogo em nada, cara, de onde...? – retrucou Andrew. – Temos que reunir as pautas e enviar para a diretora.

— Ela não ‘tá nem aí pra isso! – retrucou Kamau, com as mãos no bolso da jaqueta. Fred olhou o melhor amigo, sabendo que estava certo, mas não conseguia enxergar muitas alternativas.

— E se nós colocássemos sua mãe no meio? – sugeriu Ben Okri para Rose.

— Não. – respondeu Rose. – Não, ela não estuda aqui. Eu estudo. Eu resolvo. Sem Granger influência.

— Potter?— sorriu Roxxy.

— James Potter é preto desde quando? – questionou Fred II. – Nós temos que resolver isso sem envolver ninguém de nome, não é assim que funciona. Nossa causa é legitima, não precisamos disso.

— E você vai ser o líder? – indagou Rose, repreendendo um sorriso. Fred olhou para a prima, uma de suas pessoas preferidas no mundo e fechou os olhos, segurando um sorriso. Olhou Catherine e ela tinha seu olhar firme em sua direção.

— Posso ser se todos concordarem.

Todos os presentes na assembleia do CA Clandestino assentiram, concordando com a liderança de Fred II. O local esvaziou-se aos poucos e o garoto perdeu alguns minutos ouvindo reclamações e exigências de sua prima. Assim que Rose saiu da sala, a coruja de Fred pousou em uma das mesas, lhe sinalizando uma carta. O garoto acariciou a mesma, pegando seu presente. Ele notou que era apenas um pedaço de pergaminho e antes mesmo de ler já sabia que era de sua mãe.

“Soube do acontecido. Não vou fazer perguntas. Espero que esteja bem.

Estamos orgulhosos de você.

Mamãe”

Fred dobrou o pergaminho e colocou no bolso da capa, voltando para a mesa onde estavam suas coisas. Olhou o pergaminho aberto na mesa com o nome provisório de CA Clandestino e todas as quatorze assinaturas ali.

Pegou seu broche e sentou-se na cadeira, o observando.

Sentiu o sol queimar sua nuca e quis saber se Malcom X também sentia medo.

— Boa tarde, é aqui o encontro de fracassados? — Fred sequer levantou os olhos antes de sorrir enormemente ao ouvir sua voz preferida no mundo. Maya Zhao-Shuzhen já estava indo em sua direção quando o garoto lhe deu seu melhor sorriso. A garota coreana sentou-se na mesa perto de onde ele estava, curiosa com o roxo no rosto de Fred II. — Será possível que eu sequer posso tirar uma semana sabática que você faz merda?

Semana sabática? — debochou Fred, colocando seu broche novamente.

— Nada como ficar uma semana inteira cagando sangue — sorriu, fazendo o mesmo gargalhar sem temer soar indelicado. Maya sofria com sua retocolite ulcerativa crônica, sempre a afastando de atividades comuns por alguns períodos, além das poções experimentais e dos tratamentos profiláticos, Maya apenas convive com a doença, não há muito o que fazer.

Os dois se conheceram no terceiro ano, na primeira classe que a Corvinal e a Lufa Lufa tiveram juntos, durante a aula, Fred foi levado à diretoria para ser comunicado do falecimento de sua avó paterna. Quando ele e Roxxy retornaram a Hogwarts, na primeira festa que Fred participou, ele não conseguiu interagir muito bem, ainda abalado.

Quando estava prestes a sair do bar, Maya aproximou-se, silenciosa, e o silêncio da mesma parecia um respiro dentro da bolha de pressão de olhares penosos e conversas que com toda certeza iam chegar à sua avó falecida.

— Então, assistiu o último jogo da Corv- — Ainda assim, ele não estava pronto para falar. Retirou-se, mas não antes de ouvir a garota retrucar sua má educação: — Vai se foder então.

Fred II virou-se, impressionado que alguém conseguira falar com ele sem tom de pena que estava se habituando, mas agora apenas lhe sorriu lentamente, tomando seu suco de abóbora.

E ele soube que não conseguiria sair mais de perto dela.

— Sinto muito — disse Maya após um breve silêncio. Ele não teve forças de perguntar pelo quê ou elaborar uma piada sobre, apenas assentiu, confortável, pois com Maya ele nunca precisava explicar nada, ela simplesmente sabia. — Queria ter estado aqui.

Fred respirou fundo e deu um olhar furtivo para os olhos apertados, escuros de Maya.

— Vou precisar de você — ele lhe passou a lista de assinaturas do CA Clandestino e ela passou a mão nas madeixas lisas negras, arregalando os olhos. Fred segurou o sorriso enquanto Maya levantava os olhos lentamente em sua direção, com um sorriso perverso.

— Eu preciso cagar sangue mais vezes — riu ela, pegando a pena, pronta para escrever seu nome.



dr dre ft. snoop dog — still d.r.e