Blueberry
9 Algo bom, algo ruim, um pouco de ambos
Notas iniciais
Todas as criadas foram reunidas em uma mesa quando os Príncipes anunciaram a vencedora. Elesis ficou um pouco desapontada por não ter ganhado, porém ficou feliz por Amy. A torta da rosada foi considerada a melhor e ela acabou dançando com Ronan como o prêmio. Claro que a ruiva ficou com um pouco de inveja, mas tentou dispensar o sentimento. Não estava lá para ficar com ciúmes.
Para um cego, Ronan dançou extremamente bem, mesmo que ele tenha parecido um pouco nervoso. A criada pôde apostar que ele tinha decorado os passos. Os Príncipes chegaram até Elesis enquanto esta assistia o casal dançar. Sieghart foi o primeiro a se manifestar.
– Nós realmente estávamos torcendo para você ser a vencedora, senhorita Blueberry. – O sorriso dele desapareceu quando Jin deu uma cotovelada no moreno. – Q-Quer dizer, senhorita Elesis!
A moça riu e o outro Príncipe decidiu perguntar:
– Por que você mentiu sobre o seu nome naquele dia?
Elesis arqueou uma sobrancelha.
– Vocês realmente esperavam que eu dissesse meu nome verdadeiro para três estranhos?
Sieghart murmurou algo como “É, ela tem razão” e o ruivo deu uma gargalhada. Depois disso, ambos insistiram que a garota ficasse com eles por alguns minutos, e ela cedeu. Ela com certeza levaria uma bronca, todavia decidiu não se importar no momento. O trio conversava animadamente enquanto comiam uma das tortas. Elesis de vez em quando olhava de relance para o Rei, que conversava com alguns dos convidados.
– Vocês disseram algo para Ronan? – A jovem perguntou de repente, causando os irmãos a trocarem olhares por um segundo. Mesmo que ela não tivesse especificado, eles sabiam a que assunto ela estava se referindo.
– Não. – Respondeu Jin. – Nós achamos melhor você contá-lo no final da festa.
Elesis quis estrangulá-lo.
– Eu contar? Mas... Mas eu-
– Acalme-se, Elesis. – O ruivo colocou uma mão em sem ombro. – Vai dar tudo certo.
Mais nervosa do que nunca, ela enfiou outro pedaço de torta na boca. Algumas pessoas já estavam começando a sair e ela se perguntava quanto tempo demoraria para que ela tivesse que entrar em ação.
Depois de mais duas horas, a ruiva limpava algumas mesas e servia um pouco de bebida para aqueles que ainda estavam na festa. Ela sentiu alguém puxar o seu pulso subitamente. Tentando manter o equilíbrio, ela colocou a bandeja em uma mesa e virou para Sieghart.
– Não me puxa assim de repente! – Ela o repreendeu. – Você quase me deu um ataque do coração. – Ele decidiu ignorá-la e levá-la para um lugar mais isolado.
– Você pode não ter ganhado a competição. – O moreno começou, mostrando para Elesis uma sacada. – Mas ainda tem a chance de dançar com ele. – E com isso ele a empurrou.
Momentos depois ela se viu em cima de uma sacada com alguém virado de costas. Os olhos da garota se arregalaram quando percebeu que era Ronan.
– Quem é? – Ele disse, virando-se para ela.
– S-Sou eu. Blueberry. – Ela respondeu, suando frio e notando que Sieghart não estava mais lá.
A expressão do azulado mudou para uma que Elesis não conseguia identificar. Confusão, talvez? Era difícil saber o que ele estava pensando. Depois a criada ouviu uma música diferente sendo tocada na pista de dança.
– Jin disse que eu teria que me encontrar com você aqui. – Ele explicou, parecendo ouvir a música também. Então ele sorriu, parecendo estar pensativo, depois continuou. – Você quer dançar?
O coração da menor parou por um momento. Ela assentiu, porém depois percebeu que ele não podia a ver e disse que sim. Graças aos deuses que ele também não podia enxergar suas bochechas vermelhas.
Como ele era cego, Elesis decidiu tomar a iniciativa, pegando a mão de Ronan e colocando a outra em seu ombro. Entendendo o movimento, o rapaz pôs sua mão na cintura da moça e os dois começaram a dançar.
Depois de um tempo seguindo o leve ritmo da música, a ruiva decidiu confessar.
– Me desculpa, Ronan... – Aquilo pareceu chamar a atenção do azulado.
– Desculpa pelo quê?
– Por deixar você sofrendo. – Ela explicou, mas sabia que precisava mais do que isso para ele entender. – Eu leio as suas cartas todo o dia, e mesmo assim isso não é suficiente.
Ela sentiu Ronan apertar a mão dela.
– Do que está falando? – Ele soou nervoso.
– Eu senti a sua falta, também. – Ela continuou. – Eu queria ter te contado antes, mas eu fiquei com medo.
– Medo do quê?
– Q-Que você não me perdoasse. – Elesis mordeu os lábios, nervosa por finalmente confessar algo que estava preso em seu coração. O Rei parou de dançar e a encarou, como se realmente estivesse enxergando-a.
– O que... Você está tentando me dizer? – Ele perguntou aflito. A garota tinha certeza que ele sabia do que ela estava falando, mas parecia estar com medo de alguma coisa.
– Sinto muito... Eu... – Ela sentiu um nó na garganta. – Eu acabei não comendo aquele kiwi.
Após aquilo, Ronan começou a chorar, e ela notou que ele estava tentando dizer algo.
– Blueberry...? – Ele sussurrou tão baixinho que ela quase não tinha ouvido.
– Sim. – A garota sentiu as lágrimas escorrerem e abriu um sorriso enorme. – Sou eu. – E com isso, ela sentiu dois braços a cobrindo. Se dando conta que Ronan estava abraçando-a, ela abraçou de volta.
– Blueberry, Blueberry, Blueberry... – Ele ficava murmurando o nome falso dela, como se fosse um mantra.
– Meu nome é Elesis, na verdade. – A garota riu, sentindo uma sensação de alívio. Finalmente ela tinha contado para ele. Depois, ela sussurrou. – E eu te amo, também.
Ela sentiu o rapaz apertar o abraço, ainda chorando. O casal ficou assim por um tempo, somente apreciando a presença um do outro. O abraço então foi quebrado e Elesis tentou limpar as lágrimas quando a mão de Ronan acariciou seu rosto, começando pela bochecha esquerda e chegando aos lábios. O rosto do azulado foi se aproximando e sem hesitação os lábios dos dois se encontraram.
Tentando acalmar o coração, a ruiva aprofundou o beijo e fixou uma de suas mãos no cabelo do rapaz, a outra posicionada em seu pescoço. Ronan a trouxe mais perto de si, as mãos na cintura da moça. De repente o beijo foi quebrado quando foram ouvidas as janelas de vidro sendo quebradas. Elesis correu de volta para o salão e avistou pessoas com máscaras derrubando as mesas e quebrando tudo o que encontravam. Alguns ameaçavam os garçons e criadas e até cortavam os pescoços de alguns convidados, sujando o chão de sangue.
A jovem colocava as mãos na boca, tentando não vomitar. Ela começou a correr quando percebeu que alguém a perseguia. Não sendo rápida o suficiente, sentiu uma força a derrubando, indo de cara com o chão. Gemendo de dor, ela ainda conseguia ouvir vozes gritando.
– Amarre-a! – Alguém comandou. Elesis tentava não olhar para os corpos ensangüentados que cercavam a pista de dança. Como isso foi acabar assim?
Chorando, suas mãos foram amarradas fortemente e ela começou a ficar inconsciente quando alguém bateu em sua cabeça.
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