Blueberry

10 Não temos outra opção


Notas iniciais
espero q gostem, bjs~

Elesis sentiu uma forte dor na cabeça. Gemendo, ela abriu os olhos e tudo o que enxergou foi escuridão. Estava um breu e ela não conseguia ver nem a palma da sua mão. “Será que é assim que Ronan se sente?” Ela pensou e depois arregalou os olhos. Onde está Ronan? O que tinha acontecido? Tentando puxar as memórias, ela se lembrou da festa e da sua confissão para o Rei. Depois ela se deu conta de que o palácio tinha sido invadido mais uma vez e havia... Sangue. Muito sangue.

Tentando não entrar em pânico, a garota se perguntava se os Príncipes e Ronan estavam bem e torcia para que eles não fossem um dos cadáveres que tinha visto. Não conseguindo controlar a respiração para se acalmar, ela decidiu se levantar e andar. Não podia ficar parada ali. Onde ela estava, afinal?

Com dificuldade, a ruiva levantou-se e deu alguns passos para frente quando sentiu algo puxar seus calcanhares. Olhando para o chão, ela tentou dar outro passo, mas não conseguiu, e em vez disso ouviu um barulho metálico. Abaixou-se e tocou no tornozelo. Parecia uma corrente. Estava presa?

– Não entre em pânico. – Uma voz anunciou. Elesis virou-se e percebeu que alguém tinha acendido uma vela.

– Quem... — Os olhos vermelhos dela se arregalaram e seu coração parou por um segundo, reconhecendo a pessoa. – Mãe?!

– Já faz um tempo, não é, Elesis? – A mulher sorriu, acendendo outra vela.

– Por que está aqui? Onde estou?! – A jovem exigiu respostas, tentando caminhar até ela, mas sendo impedida pelas correntes.

– Ué, não conhece a sua própria casa? – Ela respondeu, erguendo os braços, e com isso todas as velas da sala acenderam-se graças à magia da mãe.

Reconhecendo o lugar, Elesis achava mais difícil respirar a cada segundo.

– Essa não é a minha casa. – Ela retrucou, encarando a outra. – Por que eu estou nessa maldita torre de novo? Como vim parar aqui?!

– Eu te trouxe, meu amor. Ou melhor, os Revolucionários.

– Revolucionários? O que eles têm a ver com... – Ela parou, ainda processando o que estava acontecendo. – Você faz parte dos Revolucionários?

– Mais ou menos. – A mãe deu de ombros. – Eles me prometeram você se eu os ajudasse a conquistar o castelo.

– Por que você me quer tanto assim?

– Oh, querida, — A mais velha aproximou-se e acariciou o cabelo ruivo da garota, que estremeceu. – Só de ser capaz de usar magia já é o suficiente. Eu iria vendê-la para algum nobre em Serdin, mas vejo que escapou de mim um pouco antes.

– P-Por que...? – Ela sentia as lágrimas escorrerem pelo seu rosto, mesmo tentando segurá-las. Tentando se recompor, ela encarou a mãe com raiva. – Então o que eu ainda estou fazendo aqui?

– Seu comprador irá chegar aqui em algumas semanas. Não mais que duas, eu suponho. Serdin é um pouco longe, sabe?

Caindo de joelhos, Elesis torcia para que isso fosse um pesadelo. Ela seria vendida para alguém? Para que objetivo? Tremeu só de pensar.

– O que aconteceu com os outros? – A ruiva decidiu perguntar.

Sua mãe sentou em uma cadeira e pôs o cotovelo na mesa, apoiando a cabeça na mão.

– Outros? – Ela murmurou.

– Os Príncipes! Jin, Sieghart... Ronan... – Elesis sussurrou a última parte com uma dor no coração. Nunca se perdoaria se eles estivessem mortos.

– Não sei quanto aos Príncipes, porém sei que os Revolucionários não terão piedade com o Rei.

– Não! – A garota tentou alcançar a mulher, caindo ao ser puxada pelas correntes novamente. – Sua maldita! Como pôde fazer isso!

Elesis chorava e lamentava com as mãos na cabeça, tentando acordar desse pesadelo horrível. A mãe saiu do quarto, fechando a porta e deixando a menina sozinha.

Dias se passaram e a ruiva continuava na escuridão da sala, mal tocando a comida. Desde que tinha saído da torre, tudo parecia um sonho. Como isso foi acabar assim, ela ainda não compreendia. Ela rezava para quaisquer deuses que a ouvissem para garantir a segurança dos seus amigos, inclusive Ronan. Sua mãe entrava na sala para checar a jovem de vez em quando, mas só recebia insultos toda vez que aparecia.

Uma semana se passou e a ruiva já tinha perdido as esperanças, junto com o brilho de seus olhos. A raiva tornou-se tristeza que se tornou depressão. Ela não comia há dois dias, entretanto sua mãe conseguia forçá-la a tomar um pouco de água às vezes. Elesis nunca tinha sentido tanta falta da luz do sol. A janela da torre fora tampada e ela nem conseguia olhar naquela direção, uma tristeza forte invadia o seu coração por causa das memórias toda vez que se lembrava da janela.

Todos os dias ela chorava quietamente em memória dos Príncipes. Ela fazia questão de se lembrar das vozes e das aparências dos três para não se esquecer deles. Pelo menos era provável que Lin e Lass estavam bem. A ruiva planejava escrever uma carta para eles depois da festa. Agora não tinha mais a chance.

Perdida em pensamentos, Elesis nem notou o barulho que vinha da janela. Quando se deu conta, ela pegou um copo e jogou naquela direção. Provavelmente era algum pássaro tentando entrar.

– Vai embora. – Ela sussurrou, a voz fraca demais para conseguir soar corretamente. O copo bateu na madeira presa na parede que cobria a janela.

O barulho continuava ainda mais alto e ela percebeu que a madeira estava se movendo. O que quer que esteja lá fora, devia ser forte. Será que era alguém tentando entrar? Os olhos rubros da garota se arregalaram e uma sensação de pânico tomou conta dela.

– N-Não! Vai embora! – Ela tentou gritar, porém não saiu mais do que um murmúrio desesperado. Ela temia que fosse o tal comprador que sua mãe mencionara. Tentando ficar o mais longe possível, ela estremeceu quando ouviu um barulho diferente vindo da janela. A garota virou-se e percebeu que a madeira tinha sido cortada e o homem que tentava entrar pela janela era nada mais, nada menos, que Ronan.

– R-Ronan?!

Ouvindo a exclamação, o azulado pulou e foi em direção a voz, guardando a espada que tinha usado para cortar a madeira na bainha.

– Elesis. – Ele falou, procurando-a.

– Aqui. Em baixo. – Ela murmurou e puxou o tecido da calça do Rei. Este se agachou e encarou Elesis com os seus olhos sem pupilas. Notando que o rosto dele estava bem perto do seu, ela decidiu não recuar e, em vez disso, o puxou para um beijo.

Bem mais calma agora, a moça quebrou o beijo e perguntou baixinho:

– Como chegou aqui?

– Jin e Sieghart me ajudaram. – Ele respondeu, acariciando o rosto da ruiva. – E eu praticamente já decorei o caminho de tanto vir aqui te procurar. – E foi aí que ela percebeu que sua mão estava suja e cheia de cortes. Elesis sentiu o coração doer quando se deu conta de que ele tinha escalado a torre inteira. Mas tudo o que importava para ela agora é que ele estava vivo.

A garota começou a abrir um sorriso, todavia percebeu que ainda estava presa e decidiu explicar a situação.

– Estou presa por uma corrente no meu tornozelo. Tem que pegar a chave.

– E onde está a chave? – Ele cerrou as sobrancelhas.

– Provavelmente com a minha mãe. – A garota sussurrou assustada. Sua mãe não era uma pessoa fácil de derrotar. Ronan estava em grave perigo agora e era tudo por casa de Elesis.

– Eu não vou mais te deixar. – Ronan colocou sua testa junto com a dela. – Eu prometo. Eu te amo. – E com isso, ele se levantou e sacou a espada. O que ele iria fazer agora ela não tinha a menor ideia. Foi quando a porta abriu que ela entendeu. Sua mãe encarava o azulado com uma expressão séria.

A ruiva levantou-se apoiando na parede e tentava desesperadamente pensar em um plano para salvar Ronan enquanto este tentava com dificuldade defender com sua espada dos golpes de magia da mulher. Elesis correu para sua mãe com o objetivo de pará-la, mas esqueceu-se das correntes de novo e caiu no chão.

Ronan pareceu ouvir o tilintar metálico e virou-se na direção do som. Foi até onde a ruiva estava segundos atrás, levantou a espada e com toda a sua força cortou a corrente. A mãe, vendo o ato, ficou furiosa e correu até o azulado.

– Não!! – Elesis gritou e levantou a mão em direção à mulher. Sua mãe foi derrubada por uma força que a garota percebeu foi a sua mão. Não, ela tinha usado magia. A mulher continuava deitada no chão inconsciente e a ruiva não gastou nenhum minuto. Pegou a mão do Rei e os dois saíram do quarto.

– O-O que aconteceu? – Ele indagou.

– Minha mãe está inconsciente. Explico depois. – Ela tentou explicar enquanto descia as escadas apressadamente, Ronan tentando acompanhar.

Depois de algum tempo descendo os degraus, os dois deram de cara com uma porta de madeira. Elesis já tinha visto sua mãe entrar por aquela porta, mas não tinha a chave. Também nunca tinha se interessado por passar por essa porta até agora.

– Ronan, tem uma porta aqui. Abra. – Ela apontou para a madeira, não se importando que ele não estivesse vendo. O homem destruiu a porta com a ajuda da sua espada e ambos saíram da torre. – Você disse que Sieghart e Jin estavam aqui, não é? Onde eles estão?

– Na frente da torre, esperando por nós. Eles não conseguiram escalar as pedras.

– Ótimo. – Ela sorriu e pegou a mão ferida dele novamente.

–-

Os Príncipes ficaram aliviados ao verem o casal novamente, porém aquilo ainda não tinha acabado.

– Onde nós vamos agora? – Elesis perguntou, aflita. Queria ir embora logo caso sua mãe acordasse.

– Nós conseguimos escapar dos Revolucionários. – Explicou Jin. – Mas temo que eles já tenham conquistado o castelo.

A ruiva assistiu as expressões dos três entristecerem.

– Então nós não podemos voltar. – Ela explicou, fechando o punho.

– O que?! – Ronan exclamou. – Mas... É a nossa casa.

– Ronan, se vocês voltarem, os Revolucionários os matarão.

– Ela tem razão. – Murmurou Sieghart. – Mas e os habitantes de Canaban...?

A garota colocou sua mão no ombro do moreno.

– Não há nada que vocês possam fazer agora.

– Então... – O azulado continuou. – Vamos pro sul?

O rosto de Jin se iluminou.

– Serdin! Talvez o Rei possa nos ajudar.

Os outros três pareciam hesitantes, principalmente Elesis. Então ela iria abandonar tudo? E seus amigos? Ela nem sabia se Amy, Lupus ou Rey estavam vivos, ou se Lin e Lass tinham feito as pazes, ou se Ryan tinha arrumado outro empregado para trabalhar na forja. Pensando nisso, ela acabou não tendo a chance de aprender a usar a espada.

– Não temos outra opção, ou temos? – Ela perguntou.

– Acho que não. – Jin sussurrou.

Era uma longa jornada, pelo menos para a ruiva, que não estava acostumada a andar por duas semanas. Ela se perguntava se aquilo era uma boa decisão, mas percebeu que contanto que ela tivesse o trio, ela estaria bem.

Notas finais
comentem e favoritem ^^ obg por lerem