Blue Ocean! (2ª Temporada)
4 O Ex-Namorado.
Notas iniciais
Uma guerra se inicia, quando uma batalha se encerra. Uma guerra se encerra, quando a batalha é inevitável.
Quando chegamos ao Olimpo, eu vi algo que nunca imaginei ver. Era uma reunião de monstros. A sala onde os deuses se reuniam estava completamente destruída. Os templos de Ares, Ártemis, Hera e Hermes haviam desmoronado, restando apenas pedras jogadas no chão e estátuas divinas.
– O que está acontecendo? – perguntei para Poseidon.
– É o que acontece quando os deuses se ausentam – ele respondeu. – Destruição.
– Ajuda! – Ouvi um grito agudo, imediatamente olhei na direção do templo de Afrodite. Clivia lutava contra uma Manticore. Ela estava prestes a disparar espinhos em minha irmã, quando um tridente enorme atingiu seu pescoço e a criatura desapareceu.
Corri até ela.
– Tudo bem? – perguntei.
– Sim – ela sorriu. Olhou para Poseidon. – Você conseguiu trazê-lo.
– Longa história – eu disse. – Vamos salvar o Olimpo, depois eu te conto.
– Não se preocupem com isso – Poseidon disse. Apontou para o templo dele. – Entrem lá e só saiam quando eu disser.
– Mas...
– Vão – ele disse.
Corremos para o templo. Caroline estava ofegante, Clivia sentou-se cansada e eu fiquei andando de um lado para o outro.
– Ele é um deus, vai conseguir lidar com isso – Carol disse segurando meu braço. – Pare de andar.
– Caroline? – uma voz masculina percorreu toda a sala. Nós três viramos a cabeça na direção da voz. Eros nos encarava sorridente.
– Ah, é você – murmurei.
– Está tudo uma zona lá fora – ele disse.
– É, já notamos – eu disse.
– Você tá aqui desde quando? – Clivia perguntou.
– Desde que os deuses desceram. Não saí daqui – ele disse.
Clivia rosnou e socou o rosto dele. Sortuda!
– Por que não foi me ajudar?! – ela berrou furiosa.
– Eu sou só o deus do sexo, o que eu ia fazer lá? – ele deu de ombros.
– Como eu disse, inútil – eu disse. Eros me encarou furioso. – Ui, por favor, senhor Eros, não atire uma dessas flechas rosa com corações em mim.
Eros estava prestes a voar em cima de mim – literalmente -, quando um barulho de uma explosão chamou atenção de todos nós. Saímos do templo e Poseidon estava parado no centro da cidade Olimpiana com milhares de monstros reduzidos a pó ao redor dele. O Olimpo visto de cima estaria fabuloso agora. Ele segurava o tridente.
– Então, mais alguém para brincar? – ele girou o tridente na mão direita e bateu-o no chão causando um pequeno terremoto.
– Posso tentar? – um garoto apareceu do outro lado da pequena cidade. Seus cabelos eram negros e um tanto longos, seus olhos verdes, mas com um brilho cruel no fundo. Ele era alto e, aparentemente, forte, mesmo por trás do manto negro que envolvia seu corpo. – Bom dia, Poseidon.
– Lucas? – Carol disse com a voz abafada.
– Pirralho, não deveria desafiar um deus – a voz de Poseidon fez todo o Olimpo tremer. Ele ergueu o tridente na direção de Lucas.
– Pai – Carol gritou. – Abaixe o tridente.
– Caroli... – ele tentou falar.
Carol interrompeu.
– Não pode mata-lo – ela deu um passo à frente e sacou a espada. – Esse é o meu trabalho.
– Aqua – Lucas sorriu e aproximou-se. – Soube que se casou com Eros, francamente, que mal gosto.
– Olha, nisso concordamos – murmurei.
– Caio – ela advertiu. Abaixei a cabeça. – Então, Lucas, sentiu saudades?
– Muitas – ele segurou a mão dela e beijou-a. – Afinal, quem não sentiria saudades desses lindos lábios?
Lucas se aproximou, mas antes que ele pudesse beijar Carol, uma flecha passou zunindo ao lado do meu ouvido direito e atingiu-o no ombro, ele cambaleou para trás e rosnou.
– Olha, não é que as flechas não têm corações? – brinquei.
– Eros – Lucas retirou a flecha do ombro e quebrou no joelho. –, fique na sua.
Eros rosnou, mas antes que ele atacasse, Carol elevou a mão direita na direção dele.
– Não. Eu faço isso.
– Aqua – Lucas disse. –, vamos resolver como gente grande. Você vai embora, e eu resolvo com seu papai.
– Ou eu fico e arranco sua cabeça – ela acariciou a lâmina dourada da espada. – Prefiro a segunda opção.
– Não sabia que a Carol era tão divertida – sussurrei para Clivia.
– Ela tem seus momentos – ela respondeu.
– Se quer lutar, não pegarei leve. – Ele ergueu a espada com lâmina negra.
– Engraçado, é a primeira vez que você consegue levantar alguma coisa – Carol disse em um tom irônico e todos, exceto Lucas, rimos.
– Sua vadia – ele murmurou e correu na direção de Carol.
A espada de Lucas estava elevada na direção do pescoço de Carol. Ele disparou um golpe contra o braço de minha irmã, mas ela rapidamente ergueu a espada e desviou a arma de Lucas. Carol desferiu um golpe contra o braço direito de Lucas, que deu dois passos para trás assim que seu braço cortado começou a sangrar. O garoto tentou atacar com a espada novamente, mas Carol saltou para trás em um mortal e assim que chegou ao chão, chutou a parte lateral do pé esquerdo de Lucas que caiu no chão, logo depois, Carol levantou e desceu a espada na direção da mão direita de Lucas – que segurava a espada –, e cortou-a. Deixando-o impossibilitado de usar a espada.
– Maldita! – ele gritou.
Lucas estava prestes a levantar, mas Carol colocou a espada sobre seu peito esquerdo.
– Isso é tudo? – Carol riu. – Era com isso que pretendia desafiar o deus dos mares? Fraco.
– Vadia! – ele berrou.
– Quando você disse que eu tenho mal gosto – ela disse calmamente. –, estava certo. Pergunto-me toda noite: como, por Poseidon, eu fui namorar aquilo?
– Lucas, sua namorada é muito divertida – uma voz fria saiu da parte escura da cidade. Carol começou a levitar e parou em pé ao meu lado. Uma pessoa encapuzada saiu da sombra de uma árvore. Não consegui ver nada além de seu manto e capuz negro. – Prazer, eu sou Mors.
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