Eu o vi com uma garota. Seu nome é JungHwa, acho. Ela estuda no segundo predio do Sook-Manford, assiste aos campeonatos colegiais e tem as mesmas aulas que ele nas Sextas-Feiras.

Uma boa menina. Legal, fofa, sorridente. Alguém que Taeyang sempre quis ao seu lado.

— Fomos a igreja no Domingo — Conta Myungjun, engolindo o jantar enquanto sorri para o grupo. — Hwa estava lá. Canta no coral e ajuda na limpeza.

Ah, claro.

Não toquei na comida desde que Jaehyun pedirá caixas de pizza, todos reunidos em volta do tapete sujo com sobras do que já forá comestivel.

Não é uma comemoração, tampouco uma farra de fim de semana. É só mais uma tentativa — falha, por sua vez — de me alegrarem com uma tradicional reunião de amigos.

— MJ! — Yugyeon fala por todos nós quando corrige o mais velho.

Prometeram que o casal não seria assunto, tanto porquê nenhum de nós gosta da garota. Sempre anda com a Dahee e seu grupo de amigas falantes e escandalosas. E agora, depois do que vi, ela se tornou mais alguem para a minha lista negra.

— É mesmo! — O proprio rapaz dá um tapa na testa. — Me desculpe, Dak.

— Sem problemas.

Mas há. E muitos, aliás. É doloroso, principalmente quando pressiono as unhas contra a pele sensivel do meu pulso. Eu sinto meu coração ferido, pulsando as lagrimas que insistem em fazer meus olhos arderem.

Mas, até então, não encontrei nenhuma cura para o que me queima por dentro.

— Olhem isso — Jaehyun segura uma especime de caixa, colocando no meio de nosso circulo de nojeira e comida.

Lembranças, creio eu.

E ali estou, em uma foto revelada, bochechudo e bravo ao lado de Yug na 4° seriê. Era o primeiro dia de aula e nossos pais estavam muito emocionados com nossa "nova fase de vida".

Noutra, estamos todos sentados na calçada, sorridentes para a polaroid antiga. Jaehyun com sua calça curta, Myungjun com seu patinho de borracha azul e Taeyang e eu abraçados amigavelmente. Tinhamos brigado, disso me lembro. Seu Anpanman havia perdido uma perna e eu o culpava por quebrar o proprio brinquedo.

Céus, ele deveria ser mais cuidadoso!

— Já faz tanto tempo — comento baixinho, esperando que apenas eu tivesse escutado.

— Você esta bem? — Eunwoo esbarra seu ombro no meu.

— Estou, claro.

— Não me parece.

Enquanto todos se divertem com nosso passado, Dongmin se mantém bebendo uma lata de refrigerante, já que não esteve em nossa infancia. Ele me conhece, sabe o que sinto agora e como me fazer desabafar. Está cético e mesmo que eu não queira, ele vai me fazer falar.

— Quer dar uma volta?

— Devo?

Devo?

— Vamos. Você precisa tomar um ar.

E então saimos, a noite cobrindo o pacato bairro do litoral de Busan. Estamos sozinhos, caminhando sob as luzes amarelas e fracas dos postes de eletricidade.

Lee Dongmin não demora a falar, mas quando começa, sinto sua incerteza.

— Vocês transaram?

É quase como ouvi-lo blasfemiar diante de uma igreja cheia de fieis. Ele é o Eunwoo, que não usa xingamentos ou faz coisas erradas.

Mas sei que isso não é apenas preocupação de amigo.

— Por que quer saber?

— Sei que algo rolou entre vocês. No Sabado, quando ignorou minhas ligações. — Chateado, ele não me olha.

Agora me sinto culpado. Nunca imaginei que ele ficaria triste com ligações perdidas e mensagens não respondidas.

— Eu recebi a carta de Cambridge. — Droga! — Uma vez você me disse que abririamos juntos.

Droga! Droga! Droga!

Pressiono os labios e respiro fundo. Ele não quer um pedido de desculpa agora.

— Sim. Transamos.

Não me olha. Não fala. Não para.

Com o silencio nos seguindo, a falta de ar se torna mais aguda e faz a minha cabeça doer.

Não quero perde-lo. Não mais um.

— Estavamos emotivos, carentes. Nós dois queriamos isso.

— Certo.

Dor. Dor. Dor.

Silencio. Silencio. Silencio.

Culpa. Culpa. Culpa.

— Sinto muito. — Eunwoo solta o ar pelo nariz, suspirando de forma dramatica.

— Eu sei.

Dor.

Silencio.

Culpa.

— Desculpe. — Seus olhos me encaram e suas pernas param.

Sinto muito, é só o que quero dizer. Não é muito mais alto que eu, tem cabelos negros e lisos. Um sorriso doce e um rosto gentil. Este é Lee Dongmin, Cha Eunwoo por preferencia. Então, eu sinto muito por não ama-lo como ele me ama.

— Tudo bem. Espero que tenha aproveitado sua noite.

Meu corpo tenciona conforme suas palavras me atingem. "Espero que tenha aproveitado", ouvindo-o dizer com tamanha frieza me faz pensar que fui infiel a nossa amizade. Ele sempre soube sobre Taehyung, mas confesso as vezes tê-lo ignorado, sem me importar com o que ele sentia. E agora, percebo que ele tem razão em se mantar afastado em quanto caminhamos.

— Eunwoo — minha voz sai mais baixa do que eu gostaria. Ele já esta andando, me deixando para trás.

— Hm?

— Não fique bravo comigo.

Mesmo aos 18, ainda me defendo como uma criança.

— Dak — suspira. — Só estou pensando.

— No quê? — fica em silencio por um tempo.

— Em como ele tem sorte.

Merda!

— A vida dele é dificil.

— Você sabe do que estou falando.

Fecho os olhos. Já estamos perto o bastante da praia para que o cheiro invada minhas narinas. Só preciso sentar na areia, ver a Lua dar lugar ao grande e vermelho Sol.

— Não repita, por favor.

Ele não me ouve.

— Eu te amo. Amo mais do que a mim mesmo.

— Pare.

— Ver você com ele é como não respirar. Sufocante. Doloroso.

Suas lagrimas são por mim. Lentas, mas notaveis. São por tudo que já lhe fiz ou por tudo que eu deveria ter feito. E, pela primeira vez, estamos sendo honestos um com o outro.

— Não faça eu me sentir culpado.

— Tudo bem. — assente freneticamente, um sorriso amargo estampando seu rosto. — Tudo bem.

Solitarios, sensiveis aos ferimentos que nós mesmos nos causamos. Ele me segura quando o abraço, apertando seus dedos em minhas costas. Dongmin chora. Molha meu pescoço e me aperta como se eu fosse partir a qualquer momento.

Mas não vou. Não agora.

Então quando eu o beijo, seu corpo estremece em um choque que tambem me atinge.

Somos homens, adolescentes do sexo masculino que gostam de outros meninos. Que não sentem medo em demonstrar intimidade no meio da rua ou em uma sala lotada com pessoas que acreditam que a Homossexualidade é uma doença. Isso é o que vivemos, o que somos. E não devemos sentir vergonha ou nos arrepender.

— Eu entendo. — Suspira em meus labios, encaixando sua mão em meu rosto carinhosamente. — Entendo que é por Taeyang.

Sim. É por ele.

— Mas obrigada.

É por ele. Tudo é por ele. Tudo o que fiz, tudo o que quero é por Kim Taeyang.