Blue Neighborhood
3 Talk Me Down
Me torno firme. Forte e inquebravel.
Rapido. Ligeiro. Sustentavel.
— Corra! — Grito, rindo ao disparar em direção aos muros.
É tarde, dia 18 de algum mês irrelevante. O sol não aparece, mas as nuvens carregam a chuva que a pouco começou a molhar minhas roupas. E ele corre até mim. Sorri ao se aproximar e me estende a mão, me chamando para pular a parede de pedra e invadir o terreno.
— Dak-Ho! Precisamos ir.
E eu vou; Seguindo os passos desengonçados de Cha Eunwoo até as vozes que cantam uma oração.
Kim Donyeon está morto. Deitado na grande caixa de madeira barata, enterrado no pequeno buraco de terra que o lado Sul de Busan pode oferecer á aqueles que não tem um seguro de vida decente. Tão insignificante quanto uma folha de outono.
E ele não chora. Não demonstra tristeza, tampouco um desconforto por saber que seu pai já está sob palmos de terra. Apenas seu terno funebre parece demonstrar respeito.
Junghwa está ao seu lado mas não o acalma ou o toca durante toda a sentença religiosa que são obrigados a escutar. Está em seu vestido preto e longo, usando saltos e um chapéu grande. Alguém patetica, mas que está em meu lugar.
— Vá — Dongmin diz, assim que as vozes se distanciam. — Ele precisa de você.
— Só vim saber como ele está.
Esbarra seu ombro no meu, um sorriso sereno tomando conta de seu rosto.
— Não seja cego, Dak. — Solta uma risada seca, olhando para o rapaz que recebe os devidos pesamês. — Ele está ali.
— Ele está.
E Eunwoo ri outra vez. Não com humor, não com diversão. Ele ri mas seus olhos estão molhados. Assim como seu rosto quando passa a rir mais e a sorrir abertamente. Chora, mas parece não ligar se estou vendo ou não.
— Vá logo, não temos todo o tempo do mundo.
— Eunwoo... — Limpa o rosto com a manga da jaqueta, sorrindo e afirmando com a cabeça.
— Está tudo bem. Só vá. Estarei esperando no carro.
Eu poderia para-lo ou apenas pedi-lo para ficar, mas quando ele se direciona ao estacionamento, não tenho forças para gritar por seu nome. É como estar mudo, no modo off de repente.
1 passo.
2 passos.
3 passos.
4 passos.
Eu ando, mas não para onde ele está. Sigo para a escadaria, me sentando quando chego e me apoiando nos joelhos. Ainda chove, mas não me importo.
— Lee Dak-Ho?
Ele.
Levanto os olhos e encaro seu rosto confuso. Está mais perto, me olhando e chamando meu nome. Como se os meses de silencio fossem apenas um fim de semana de castigo.
— Olá.
Olá. É um prazer te rever Kim Taeyang. Como está se sentindo? Mal? Bem? Aliviado? Eu sei que não é facil, mas estou aqui...
- Dak... — Ele fala novamente. Os segundos se passam rapidos e logo se tornam minutos de silencio e olhos se encarando. Não sei mais o que pensa, nem reconheço seus sentimentos. Como uma névoa que camufla seu interior e me impede de entrar em sua vida outra vez.
— Eu sinto muito.
Pressiona os labios, negando com a cabeça e tomando o lugar vazio ao meu lado.
— Não sinta.
— Está tudo bem?
Seus ombros se levantam em um "tanto faz" e ele olha para a poça de agua em nossos pés.
— Por que está aqui?
— Eunwoo me contou. Eu só... Queria saber como você está.
— Ainda se importa? — Riu de leve, esfregando as mãos em busca de um calor.
— Não estaria aqui se não me importasse. — E o silencio retorna, com seus olhos pousados sobre os meus. Tão brilhosos e inconfundiveis.
Ainda posso sentir a saudade em meu peito.
— Acho que te devo uma explicação.
— Não.
Me dê uma.
— Está tudo bem.
Não está.
— Já se passou muito tempo.
Engulo em seco, assentindo depois de falar:
— Eu sei.
— Sim, você sabe. — Taeyang fala.
Sinto seu olhar sobre mim, mesmo depois de desviar os meus para algum lugar menos interessante. Preciso de explicações mas não quero ouvi-las; Preciso de respostas mas não posso pedi-las;
— Foi um alivio? — Ele sabe do que estou falando e não demora muito pra responder.
— Ainda não sei como me sinto. Estou apenas seguindo o que deveria sentir.
— Tristeza?
— Raiva. — Kim é simplista, o que me assusta de certa forma.
— Por nós? — Dá de ombros novamente.
— Por tudo.
E de repente, tenho um motivo apra pergunta-lo o que tanto queria.
— Se tudo estivesse normal — Começo. — Estariamos juntos agora?
— Acho que sim.
Com um sorriso e algumas lagrimas que se escondem nas gotas de chuva, o abraço. Ele envolve meus ombros e eu o aperto contra mim, a chuva tornando tudo mais vantajoso.
— Obrigada.
É o que digo, afastando-o de mim.
— Seabemos o que fazer.
Taeyang olha para Junghwa e sorri, olho para ele e agradeço.
Diante disso, um aceno é um Adeus discreto, um Adeus não doloroso que salvou nossos futuros dias. Ele prometeu ser feliz. E eu, prometi tentar alguma coisa caso meus planos fossem embora com a chuva.
No fim, me vi agarrado com Eunwoo em uma casa na colina, pensando em salas de estar e aviões. Talvez nomes de crianças e uma boa dose de uma noite derramada sobre Gin e gelo.
Apenas os tolos se apaixonam. Aprendi isso em quase toda a minha vida, quando amei a pessoa errada e me feri por isto.
Agora, salto para o termino. Tão rapido, passageiro e poético. Eunwoo está no carro, e parece feliz em me ver. Principalmente quando o beijo de forma desesperada, quase como um pedido de desculpas por tê-lo feito esperar por tanto tempo.
Tolos.
Selvagem.
Me acalme...
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