Blue Eyes
2 Blue Eyes, What's a matter?
Notas iniciais
POV’s Sasuke
Droga... Por que eu tô com esse peso na consciência? Ah, claro, talvez seja por que eu perguntei a um cego se ele não olha por onde anda. Tsc. Eu não devia me preocupar com isso, eu sou Uchiha Sasuke! Uchiha Arrogante Sasuke, como me chamam. O filho do advogado mais linha dura da cidade e da crítica culinária mais renomada da região! Eu não devia ficar mal por isso!
Ou devia?
Droga, o garoto é cego e fui EU quem esbarrou nele. PORCARIA! Agora esse garoto não sai da minha cabeça! E ainda por cima, essa ultima frase soou gay demais.
Garoto irritante! Só por que é cego acha que pode fazer eu me sentir culpado? Não mesmo!
Eu tô querendo enganar a mim mesmo? É a primeira vez que me sinto culpado por algo. Até para meu nível de grosseria, isto foi baixo. Perguntar se um cego não olha por onde anda. Isso é ridiculamente irônico. Mas que culpa eu tenho? Eu sou assim! E como eu ia adivinhar que o maldito do garoto não enxergava?
Talvez os óculos escuros e a bengala fossem uma dica. Dicas muito sutis pro meu gosto. Tsc. Preciso comer algo pra parar de pensar bobagem. Quem sabe eu poderia comprar alguma coisa pro tal de Naruto pra me redimir.
Redimir? Ah Sasuke, hora de bater a cabeça na parede. E para alegrar ainda mais meu dia, esqueci meu dinheiro na sala. BOSTA! Se eu não tivesse com tanta fome...
Porcaria.
Como meu estômago falou mais alto que minha vontade de me isolar dos outros, aqui estou eu voltando pra sala, desviando dessas vadias que insistem em pegar no meu pé. Já dei um fora em todas elas, mas elas ainda insistem! Poxa vida. E elas ficam cada vez mais agressivas e violentas, gritando “O Sasuke-kun é meu!” ou “Sai daqui! O Sasuke-kun me ama!”. Que coisa mais irritante.
– Onde você está indo, Sasuke-kun? – Perguntou uma delas, tentando fazer uma voz infantil e sedutora. Uma tentativa falha. Muito falha.
– Sakura, primeiro que isso não lhe interessa. Segundo, sai de perto de mim e não me siga! – Gritei pra ela, e com lágrimas nos olhos, assim ela o fez. Pelo menos com ela eu não me sinto culpado por ser estúpido.
Finalmente livre. Será que existe repelente de piranha? Não mereço isso.
Enfim...
Sabe, eu não sei se é a Lei do Carma ou a Lei de Murphy, mas quando entrei na sala, lá estava ele, sentado um pouco mais a frente de onde ficava meu lugar. Parecia estar pensativo e um pouco distante, porque se assustou quando abri a porta. O que eu faço? Pego a carteira e saio? Cumprimento? Ando silenciosamente para ele pensar que não tem ninguém? Enganar um cego, Sasuke? Sério mesmo? Muito bonito. Já pode queimar no fogo do inferno!
– Oi? – Ele disse receoso. Provavelmente para saber quem estava ali. Não da pra fingir que não existo.
Pov’s Sasuke off
– Olá. – Respondeu firme, indo até seu lugar. Naruto permaneceu sentado, com aquele olhar vago, típico de cegos.
– Essa voz... – Ele murmurou para si, mas suficientemente alto para Sasuke ouvir. – Ah, você é o garoto que eu esbarrei mais cedo. – Riu. – Desculpe.
– Ah, é. Sou eu. – Respondeu sem jeito. – E não se desculpe, eu que peço perdão. – Levou a mão até a nuca em sinal de desconforto. – Sabe, pelo que eu disse.
– Por me chamar de idiota? – Perguntou com um pouco de maldade. Queria brincar com a culpa do outro.
– Também, mas principalmente por... É... Por... Etto... – Não conseguia formular uma frase coerente. A situação era embaraçosa para si.
– Ter perguntado a um cego se ele não olha por onde anda? – Vociferou rapidamente.
– Isso! – Disse aliviado.
– Está pedindo desculpas por que está arrependido ou por que está com a consciência pesada? – Indagou, ainda com um toque sutil de maldade.
– Ah, é que...
– Se sente mal por ter pegado no “ponto fraco” de um cego desconhecido? –Interrompeu-o. – Se sente mal por pensar que pode ter me ferido com suas palavras e não conseguiria tirar isso da cabeça, e para se sentir-se melhor consigo mesmo veio pedir-me meias desculpas? – Continuou com a pressão psicológica.
– ... – O moreno nada respondeu, apenas ficou parado pensando. Ele estava se sentindo realmente mal. Uma das primeiras vezes que isso ocorre, de fato. Seus devaneios de auto culpa foram cortados pela risada histérica do loirinho. – Ei, você fez isso para fazer eu me sentir culpado? – Esbravejou o moreno.
– Pode ser! – Disse em meio aos risos. – Desculpe, mas não resisti.
– V-você é um idiota mesmo! E eu me martirizando por sua culpa. – Exclamou o moreno irritado, tirando o sorriso do rosto do menor. – Pegue essa sua bengala e vá à merda! – Berrou, indo até seu lugar, pegando sua carteira e em passos furiosos, se dirigiu até a saída da sala, mas, antes de alcançar seu objetivo, foi impedido por uma mão que segurou seu braço. – Me solta!
– Não, pera aí! – Disse em tom baixo. – Desculpa, não sabia que ia se irritar. Por favor, não fique bravo. – Pediu em tom choroso. Sasuke não compreendeu o porquê daquilo, mas o toque e o tom de voz do loirinho o acalmaram. O moreno deu um longo suspiro.
– Tá! Tudo bem. Não estou zangado! – Vociferou bem mais calmo, mas ainda áspero. O loirinho sorriu. – Você não devia brincar com a culpa dos outros, sabia? – Disse em tom repreendedor, e vendo que o mesmo ainda segurava seu braço, completou: – E já pode me largar.
– Ah, obrigado e me desculpe. – Respondeu afrouxando o aperto e soltando o maior. – Tenho um senso de humor meio deturpado. – Continuou em voz mais baixa. – Não vou mais te atrapalhar. Desculpe-me novamente. – Concluiu apoiando a cabeça em uma das mãos, e com a outra retirou os óculos escuros que usava, mostrando os belos e opacos olhos azuis, os quais Sasuke os fitou curioso.
– Você não vai sair? – Indagou o moreno saindo de alguns devaneios, chamando a atenção do menor também. – Sabe, almoçar. Querendo ou não, precisa almoçar.
– Ah, não obrigado. – Respondeu. – Prefiro ficar aqui. Não sei para onde ir no intervalo, muito menos onde fica o refeitório. Vou esperar até amanhã e talvez um amigo para me ajudar no início. Aquela Ino, talvez. Seria bom e... Olá? – Indagou receoso. – Garoto? – Verbalizou mais uma vez. – Ótimo, ele me deixou falando sozinho. Não sei por que estou surpreso. – Resmungou um pouco mais baixo, traçando círculos na mesa com o dedo.
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