Blue Eyes

2 As Lembranças Vem Á Tona


Notas iniciais
Heey amores! Pois é, eu sei que demorei séculos pra postar o segundo capitulo, por isso me desculpem ^-^
Kisses

Minersville, Pensilvânia. 17 anos atrás.

Um forte trovão ecoou pelo pequeno cômodo, seguido por um relâmpago; encolhi-me debaixo das cobertas ao sentir um calafrio percorrer minha espinha. O relógio sobre o criado-mudo indicava 02h40. O garoto loiro na cama ao lado dormia profundamente. Calcei minhas pantufas e saí do quarto; um extenso corredor levava ao altar da igreja que estava vazia aquela hora, gerando um ar sinistro no local. Nas vidraças havia diversos santos esculpidos, mas o que mais me chamava atenção era um anjo, empunhando uma espada bravamente.
Ele lembrava os belos príncipes encantados, cuja histórias o tio David me contava todas as noites antes de dormir. Jimmy não gostava muito, mas sempre insistia para contar mais e mais vezes. Sentei em um dos bancos da igreja e comecei a admirá-lo, por algum motivo eu me sentia segura, aconchegante e feliz, apenas estando em sua presença.
– O que minha pequena Mona está fazendo aqui a esta hora da noite? — Perguntou o padre David, sentando-se ao meu lado.
O Padre David é meu tio por parte de mãe; desde que ela falecera no meu parto, ele cuidava de mim e do meu irmão como se fôssemos seus filhos.
– Não consigo dormir, tio David; tenho medo de trovões, o senhor sabe disso!
– Nada de mal vai acontecer enquanto seu príncipe estiver olhando por você.
– Mas o Jimmy falou que ele não é príncipe, e sim um Arcanjo!
– Sim, sim, mas James esqueceu de comentar que Miguel é o príncipe do céu, e um guerreiro bravíssimo.
– Uau!
– Agora vamos dormir, você tem aula amanhã cedo.
Tio David me ajudou a levantar e me levou de volta para a cama; Jimmy continuava a dormir igual uma pedra, mas agora roncava bem alto. Soltei uma risadinha abafada e fechei os olhos.
"Mona meu amor, você não está sozinha." Abri os olhos rapidamente, procurando quem disse isso, mas sem sucesso. "Mona... Minha querida Mona, um dia tudo será esclarecido." A voz masculina parecia vir da minha cabeça; talvez eu estivesse ficando maluca. " Mona, Mona, Mona..."


– Mona! — disse Dean, sacudindo-me. Quando abri os olhos, ele pareceu aliviado — Pensei que você tinha batido as botas, garota! — Sam e Dean estavam sentados na beira da cama, ambos me encarando assustados.
– Por quanto tempo eu dormi?
– Dois dias — Respondeu Sam.
Minha cabeça latejava, eu não estava mais no impala, e sim em uma casa velha e bagunçada.
– Onde estamos?
– Na casa do Bobby. — disse Dean
– Bobby? Eu me lembro desse nome.
Fiquei confusa por alguns minutos, mas logo me levantei apressada, o que me fez cambalear pro lado, devido uma tontura. Sam segurou meu braço e me ajudou a sentar na cama.
– Mona, você tem que descansar. Só Deus sabe o que ocorreu com você enquanto dormia – ele disse.
– Eu estou bem, já descansei o bastante. Agora quero saber quem eu sou, e de onde vocês me conhecem.
Dean e Sam trocaram olhares preocupados.
– Não sabemos muito bem quem você é, Mona — começou Dean — Encontramos você há 6 meses, em uma caçada.
– Vocês caçam?
– Sim, fantasmas, demônios, metamorfos e muito mais. — disse Sam.
– Salvar pessoas, caçar coisas, o negócio da família! — comentou Dean.
– Que divertido – falei, sem animação — Esta seria a hora que eu chamaria vocês de malucos, mas por algum motivo acredito em vocês.
– Bom, continuando... Você e seu irmão James viajavam sem rumo desde que seu tio, o padre David, morreu.
– Tio David... — lembrei-me do sonho.
– Espere, você se lembra dele? — perguntou Sam.
– Acho que sim, tive sonhos com ele e Jimmy nesses dois dias.
– Isso é bom sua memoria está voltando ao normal.
– Ou ruim — murmurou Dean — E então nos conhecemos, fim da história! Quem quer cerveja?
– Só isso? E meu irmão?
– Seu irmão sumiu no mundo desde que você resolveu vir com a gente.
– Sinto que não estão sendo honestos...
– Que isso — disse Dean.
Encarei-os, desconfiada; alguma coisa me dizia que eles mentiam. Cansada de tentar tirar a verdade dos Winchester, levantei-me, corri para o banheiro e comecei a chorar. Chorei por não estar com meu irmão, pela morte do meu tio, por não saber quem era o cara dos olhos azuis que não saia da minha cabeça, por ter sensações ruim a toda hora e muitas outras coisas que ainda martelavam em meus pensamentos.
Enxuguei minhas lágrimas e me encarei no espelho; meu rosto estava inchado. Procurei por uma toalha e liguei a água da banheira velha, tirando minhas roupas sujas jogando-as em um canto no banheiro. Entrei na água morna, deixei meu corpo bem relaxado e fechei os olhos.
.

Minersville, Pensilvânia. 7 anos atrás.
– Ai! Jimmy! — Xinguei em alto e bom tom James, que havia jogado uma bola de neve nas minhas costas. Era uma tarde normal, James e eu voltávamos da escola, fazendo bastante algazarra como sempre.
– Nossa! Que dor, parece que você fraturou duas costelas, irmãzinha! — ele retrucou, com tom de deboche.
– Jimmy, sua mentalidade é digna de uma criancinha de 7 anos! — James sorriu e abraçou minha cabeça (coisa que eu odiava, já que eu me sentia uma baixinha perto dele).
– Eu ficaria ofendido com isso, mas...
– Mas?
– Eu estou muito feliz hoje; não é todo dia que eu pego Katie Collins!
– Eu realmente não sei o que vocês, garotos, veem nela.
– Mona, você já viu a bunda que ela tem? Deus me perdoe!
– Jimmy, por que não conversa isso com seus AMIGOS? Eu não entendo de bundas.
Fomos o caminho todo conversando e jogando bolas de neve um no outro, até chegar à igreja, a qual estava vazia: o que pareceu muito estranho, já que à essa hora Tio David organizava a missa.
– Estranho, a igreja está vazia. — disse James — Vou procurar o Tio David na horta.
– Ok.
James seguiu o caminho para a horta, e eu andei até o altar; um sorriso aleatório formou-se em meu rosto ao passar por uma das muitas vidraças na igreja, onde havia anjos: milhares deles. Eram realmente engaçadinhos e gordinhos, com seus bumbuns de fora. Sempre me perguntei se eles eram realmente assim.
Fui até a sacristia, onde eu preferia nunca ter estado. O corpo de um homem estava esticado no chão. Esse homem era meu tio. Seus olhos estavam queimados e seu pescoço parecia quebrado.
Fitei a cena, horrorizada por alguns minutos, até que um grito alto ecoou em minha garganta; lágrimas silenciosas, desesperadas, rolavam em meu rosto. James correu a meu encontro, preocupado e sem entender nada, até ver a mesma cena terrível. Deitei minha cabeça em seu ombro e, então, o choro não era mais silencioso, no entanto; e sim,alto o bastante para ser ouvido na igreja toda. James mantinha a mesma cara de horror, suas mãos estavam geladas, e seu corpo mole.
– Jimmy... Por... Por quê? — perguntei, entre soluços.
James me olhou triste e pegou o celular; com certeza estava ligando para a polícia. Corri desesperadamente para meu quarto e comecei a quebrar tudo que via pela frente. Logo depois, sentei-me em minha cama, abracei meu joelhos e voltei a chorar baixinho.
Fiquei assim por algumas horas até James entrar no quarto e se deitar ao meu lado.
– Já levaram o corpo do tio David, a polícia quer que demos nosso depoimento essa tarde.
– Jimmy?
– Sim.
– O que vai ser da gente agora?
– Nós vamos dar um jeito mana, ainda temos um ao outro: isso é o que importa.
– Jura que nunca vai me abandonar?
– Sim, eu juro.


Lágrimas salgadas desciam até minha boca; levantei da banheira, enrolei a toalha e saí do banheiro, a procura de roupas, já que aquelas estavam sujas e rasgadas. No corredor, dei de cara com Sam.
– Sam, sabe onde minhas roupas estão?
– Estão no carro, eu vou buscar – respondeu ele, que, logo após, deu um sorrisinho.
Voltei ao quarto, onde dormi os dois dias. Perto da cama, em cima do criado-mudo, havia uma carteira de identidade e uma carta fechada. Na identidade estava escrito: Mona Walker, nascida em 1991 na cidade de Minersville na Pensilvânia. O nome da minha mãe era Louis Walker e não tinha nome do meu pai. A carta não tinha remetente, apenas meu nome na frente.
– Nunca entendi porque não abre essa carta. — disse Dean, parado na porta do quarto — Trouxe suas roupas; não é muita coisa.
– Obrigada – agradeci, acanhada — Dean, aos poucos estou me lembrando da época que morava com meu tio e meu irmão na igreja e lembrei de sua morte. Seus olhos foram queimados, e o pescoço, quebrado.
– Hum?
– A morte dele foi sobrenatural? Digo, algo que vocês já caçaram?
– Talvez... Mais é melhor não forçar sua memória tanto, você ainda está fraca.
– Mas eu quero respostas, Dean! Estou confusa e com medo, você não faz ideia da sensação ruim que isso me traz!
– Na hora certa, você vai saber tudo – disse, dando uma piscadinha – Aliás, você deveria passar mais tempo assim, de toalha. É bom pra limpar as vistas!
Dean saiu do quarto e fechou a porta; peguei uma roupa qualquer na mochila e vesti. Fiquei fitando a carta nas minhas mãos, até sentir minha barriga roncar; eu estava faminta. Desci até a sala, onde um tio com cara de emburrado lia livros e enchia a cara de cerveja.
– A bela adormecida finalmente deu as caras! – disse Bobby – Você deve estar com fome, menina.
Sentei-me na cadeira em sua frente e balancei a cabeça como um sim.
– Sam e Dean foram buscar comida, já devem estar voltando — Bobby me encarou rapidamente e voltou a ler – Parece que você não fala muito.
– Bom, eu não tenho o que falar.
– Hum... Que produtivo.
– Chegamos! – Gritou Dean – Mona comprei os seus favoritos. — Dean jogou um saco de dunnuts e uma garrafa de cerveja no meu colo.
– Compramos sanduíches também.
– Obrigada Dean, eu estou com muita fome
– Que isso, querida!
– Me chame de querida novamente e eu arranco sua mão fora.
– Desculpe aí, querida!
Eu já ia xingar Dean novamente, mas a figura estranha de um homem vestindo um sobretudo me chamou a atenção.
– Sam, Dean, precisamos conversar. — foi só o que ele disse."

Notas finais
Acabou bem no ar não é mesmo?
Até o próximo amores!